Baseado nos artigos publicados da matéria Reumatologia da Central de Estudos (fonte principal) e nos critérios e recomendações vigentes — ACR/EULAR (AR 2010, LES 2019, ES 2013, Sjögren 2016, miosites 2017, gota 2015, GCA 2022), ASAS-EULAR 2022, Chapel Hill 2012 e EULAR (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Artrite reumatoide
sinovite crônica e pannus · clínica e exames · critérios ACR/EULAR 2010 · diferencial das poliartrites · DMARDs e tratamento-alvo (receita) · complicações
ACR/EULAR 2010
≥ 6/10
pontos classificam AR (escore somado)
Anti-CCP
~95%
especificidade — muito acima do FR
Rigidez matinal
> 1 h
inflamatória (OA é < 30 min)
Metotrexato
7,5–25 mg/sem
csDMARD de 1ª linha, SEMANAL
1. Clínica: a poliartrite simétrica que poupa as DIP
Dor e edema simétricos de MCF, MTF e punhos, com rigidez matinal prolongada (> 1 h) que melhora com a atividade.
Padrão que distingue na prova: MCF/MTF/punhos SIM; articulações interfalangianas distais (DIP) NÃO (DIP sugere OA ou psoríase).
Manifestações sistêmicas: fadiga, perda de peso, febre baixa; nódulos reumatoides (superfície extensora do cotovelo) marcam doença soropositiva e extra-articular.
Deformação da mão reumatoide (tardia): desvio ulnar dos dedos, pescoço de cisne, boutonnière, subluxação das MTF.
2. Diagnóstico: laboratório, imagem e os critérios de 2010
Nenhum exame faz o diagnóstico isolado: FR (sensível, pouco específico — positivo em ~5–10% de saudáveis e mais no idoso), anti-CCP (especificidade ~95%, prediz doença erosiva), PCR/VHS (atividade). Radiografias de mãos e pés procuram erosões e perda do espaço articular; ultrassom e RM detectam sinovite e erosões precoces. Os critérios ACR/EULAR 2010 classificam AR precoce em quem tem ≥ 1 articulação com sinovite clínica (edema) e sem diagnóstico alternativo melhor:
Domínio (pontua o maior item)
Pontuação ACR/EULAR 2010
02
Lúpus eritematoso sistêmico
imunocomplexos e autoanticorpos · clínica multissistêmica · critérios EULAR/ACR 2019 · flare × infecção · nefrite lúpica · tratamento por gravidade · gestação e APS
Critério de entrada
ANA ≥ 1:80
HEp-2 — sem ANA o escore nem começa
Escore 2019
≥ 10
com ≥ 1 clínico e ≥ 1 imunológico
Nefrite III/IV
10 pts
o maior peso do escore
Hidroxicloroquina
5 mg/kg/dia
para todos, salvo contraindicação
1. Autoanticorpos: o que cada um significa
Anticorpo
Interpretação de prova
ANA (HEp-2)
sensibilidade ~99% — SCREENING: negativo torna LES muito improvável; positivo sozinho não é lúpus (saudáveis, outras doenças)
Anti-dsDNA
específico; correlaciona nefrite e ATIVIDADE (sobe no flare)
Anti-Sm
máxima especificidade, sensibilidade baixa (~30%) — confirma, mas não rastreia
Anti-Ro/SSA
atravessa a placenta: lúpus neonatal e BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR CONGÊNITO; lúpus cutâneo subagudo fotossensível
Biópsia de glândula salivar menor com sialadenite linfocitária focal (escore de foco ≥ 1)
05
Vasculites sistêmicas
Chapel Hill por calibre · Horton (GCA) e Takayasu · ANCA-associadas (GPA/MPA/EGPA) · escore de 5 fatores · indução com rituximabe/ciclofosfamida · IgA, PAN, Behçet
GCA
≥ 50 anos
critério de entrada obrigatório
Escore GCA 2022
≥ 6
biópsia/halo +5 · ESR ≥ 50 ou PCR ≥ 10 +3
FFS
≥ 2
pior prognóstico → indução agressiva
Indução AAV
RTX ou CYC
rituximabe 1 g × 2 ou 375 mg/m²/sem × 4
1. Arterite de células gigantes (Horton): a urgência oftalmológica
Obrigatoriamente ≥ 50 anos (é o critério de entrada dos ACR/EULAR 2022). Quadro: cefaleia temporal NOVA, claudicação de mandíbula (o sintoma mais específico), dor de couro cabeludo, sintomas visuais (amaurose fugaz — risco de cegueira irreversível por neuropatia óptica isquêmica) e polimialgia reumática associada em cerca de metade (dor de cinturas em > 50 anos com VHS alta). Laboratório: VHS frequentemente > 50–100 e PCR alta; anemia normocítica.
Escore ACR/EULAR 2022 (entrada: idade ≥ 50 anos)
Pontos
Biópsia de artéria temporal positiva OU sinal do halo na ultrassonografia
5
VHS ≥ 50 mm/h OU PCR ≥ 10 mg/L
3
Perda visual súbita
3
Rigidez matinal de ombro/pescoço · claudicação de mandíbula ou língua · cefaleia temporal nova · dor à palpação do couro cabeludo · artéria temporal anormal ao exame · envolvimento axilar bilateral à imagem · captação difusa de aorta ao PET-TC
2 cada
06
Espondiloartrites
dor lombar inflamatória · entesite e dactilite · HLA-B27 · critérios ASAS axial e periférico · RM de sacroilíacas · AINEs, biológicos e a armadilha dos DMARDs
Início dos sintomas
< 45 anos
critério de entrada dos ASAS axial
HLA-B27
~90%
na EA radiográfica de brancos
Radiografia
grau ≥ 2
sacroiliíte bilateral define EA radiográfica
1ª linha
AINE pleno
≥ 2 agentes testados antes do biológico
1. Clínica e exame
Lombalgia inflamatória + perda progressiva de mobilidade (teste de Schober modificado: ganho < 5 cm indica limitação; expansão torácica reduzida < 2,5 cm).
Entesite: dor no calcâneo (Aquiles e fáscia plantar) — a queixa periférica mais típica.
Dactilite: 'dedo em salsicha' (dedo inteiro inchado) — clássico de SpA/psoriásica.
Uveíte anterior aguda: olho vermelho, doloroso, fotofobia, unilateral alternante — pode preceder a lombalgia.
Psoríase cutânea/unhas, DII, uretrite/diarreia prévias (reativa), história familiar.
2. Imagem: radiografia × ressonância
A radiografia de sacroilíacas é o primeiro exame (graduação de Nova York 0–4: grau 2 erosões/esclerose, 3 estreitamento, 4 anquilose; sacroiliíte bilateral grau ≥ 2 define a forma radiográfica), mas pode demorar ANOS para positividade — a RM mostra edema medular ósseo (sacroiliíte ATIVA) muito antes, definindo a SpA axial não radiográfica. A RM normal não exclui o diagnóstico quando a clínica e o HLA-B27 são sólidos.
07
Gota e doença por depósito de cristais
urato, inflamassoma e IL-1 · podagra e tofos · cristais à polarização · critérios ACR/EULAR 2015 · crise (receita) · alopurinol, HLA-B*5801 e profilaxia
Saturação do urato
> 6,8 mg/dL
ponto de cristalização do MSU
Meta de tratamento
< 6 mg/dL
< 5 se tofos/doença grave
Colchicina (crise)
1,0 + 0,5 mg
dose baixa — esquema AGREE
Alopurinol início
≤ 100 mg/dia
titular a cada 2–4 semanas até a meta
1. Clínica
Crise: monoartrite AGONIZANTE, início noturno, 1º MTF (podagra) em maioria dos primeiros ataques; articulação quente, vermelho-vinhosa, inchada; pode vir com febre e leucocitose (imita sepse).
Localizações alternativas: tornozelo/pé médio, joelho, punho; crises recorrentes podem poliarticularizar.
Intervalos assintomáticos entre crises → doença tofácea crônica: tofos (hélice da orelha, olecraniano, Aquiles) e artrite crônica deformante.
Renal: litíase urinária RADIOTRANSPARENTE e nefropatia urática.
2. Diagnóstico: o cristal é o padrão-ouro
Cristal
Gota (MSU)
Condrocalcinose (CPPD)
Forma
agulha fina
romboidal/paralelogramo (quadrado curto)
Birrefringência (luz polarizada compensada)
NEGATIVA forte
POSITIVA fraca
Articulação típica
1º MTF, tornozelo
joelho (meniscos), punho (TFCC), sínfise pública
Radiografia
erosões 'em gancho' com margem esclerótica e borda sobrelevada
condrocalcinose (linha de calcificação)
08
Osteoartrite e fibromialgia
os 3 padrões de dor (mecânica × inflamatória × central) · OA de mão/joelho/quadril · tratamento em degraus (ACR 2019) · fibromialgia: WPI/SSS e degraus EULAR
1. Osteoartrite: a doença da articulação inteira
OA é a doença reumática mais comum (≈ 7,6% da população mundial — 595 milhões em 2020, projeção de quase o dobro até 2050) e não é simples 'desgaste': é doença de TODA a articulação (cartilagem, osso subcondral, sinóvia, cápsula), com componente inflamatório local e metabólico — por isso a obesidade aumenta OA de MÃO também (adipocinas), não só a de joelho. Fatores: idade, sexo feminino, obesidade, trauma/artropatia prévia, desalinhamento (varo/valgo) e genética.
Mãos: nódulos de HEBERDEN (DIP) e BOUCHARD (PIP) + quadratura da 1ª CMC — o padrão DIP/PIP/CMC que contrasta com a AR (MCF/punhos).
Joelho: dor com uso, crepitação, derrame recorrente, deformidade em varo; quadril: dor inguinal irradiando, marcha antigálgica.
Diagnóstico CLÍNICO no joelho/mão típicos (a radiografia é desnecessária para diagnosticar — e correlaciona mal com sintoma).
Radiografia (quando pedida): diminuição do espaço articular, OSTEÓFITOS, esclerose subcondral, cistos/geodos. VHS/PCR normais.
09
Doenças autoinflamatórias
imunidade inata × adaptativa · febre recorrente: raciocínio · FMF e colchicina · TRAPS, CAPS, MKD · Still e ferritina · SAPHO e osteomielite crônica multifocal
Hemoculturas no episódio, sorologias, PPD/IGRA, echocardiograma se suspeita de endocardite.
2. EXCLUIR NEOPLASIA E AUTOIMUNE
Hemograma com esfregaço, LDH, imagem; ANA, FR, complemento — linfoma e LES mimetizam febre periódica.
3. PADRÃO → AUTOINFLAMATÓRIO
Duração do episódio e características étnicas/genéticas orientam: 1–3 dias = FMF · 3–7 dias com linfadenopatia = MKD · semanas = TRAPS · desde o nascimento com urticária = CAPS.
Painel genético (MEFV, TNFRSF1A, NLRP3, MVK) e teste terapêutico de colchicina/anti-IL-1 quando indicado.
1. As monogênicas clássicas
Doença (gene)
Padrão de prova
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Artrite reumatoide
Sinovite simétrica de pequenas que poupa DIP; escore ACR/EULAR ≥ 6/10; metotrexato semanal o quanto antes, alvo remissão.
Escore 2010 com sorologia; escalonamento após MTX
02 Lúpus
ANA de entrada e escore ponderado ≥ 10; atividade = dsDNA alto + C3/C4 baixos; hidroxicloroquina para todos.
Pesos do escore 2019; nefrite III/IV; flare × infecção
03 Esclerose sistêmica
Fibrose + microangiopatia; pele proximal às MCF fecha sozinha; crise renal = IECA já, mesmo subindo creatinina.
Pontos do escore 2013; limitada × difusa; nintedanibe na DPI
04 Sjögren e miosites
Sicca + anti-Ro/biópsia obrigatórios (escore ≥ 6) e alerta de linfoma; miosites = fraqueza proximal + CK, Gottron, rastreio de câncer.
Critérios 2016 do Sjögren; anti-MDA5/TIF1-γ; IBM
05 Vasculites
Calibre do vaso organiza tudo; GCA ≥ 50 anos trata ANTES da biópsia; AAV grave = rituximabe/ciclofosfamida + corticoide.
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.AvançadoMulher, 47 anos, AR soropositiva, em metotrexato 25 mg/semana + ácido fólico há 6 meses com adesão confirmada, DAS28 5,1 e sem erosões novas. Próximo passo terapêutico:
2.IntermediárioPaciente com LES em uso de azatioprina chega com febre 38,9 °C sem foco aparente; C3/C4 normais, anti-dsDNA estável, PCR 180 mg/L. Leitura e conduta iniciais:
3.AvançadoHomem, 55 anos, ES difusa com doença pulmonar intersticial (CVF 62%) que progrediu apesar de micofenolato 2 g/dia por 12 meses e corticoide baixa dose. Opção com evidência de reduzir a velocidade de queda da função pulmonar:
4.Prova difícilHomem, 44 anos, mononeurite múltipla dolorosa, livedo racemosa, dor testicular, HAS de início recente e angiografia mesentérica com microaneurismas; ANCA negativo, FAN negativo; HBsAg positivo. Diagnóstico e pilar do tratamento:
5.IntermediárioHomem, 68 anos, cefaleia temporal nova há 2 semanas, claudicação de mandíbula, VHS 88 mm/h, PCR 96 mg/L, sem sintomas visuais. Conduta:
6.FundamentalHomem, 26 anos, lombalgia inflamatória há 1 ano, HLA-B27 positivo, RM com sacroiliíte ativa bilateral, radiografias normais, sem artrite periférica; já usou ibuprofeno e cetoprofeno em doses plenas sem resposta adequada. Próximo passo:
7.IntermediárioHomem han-chinês, 52 anos, gota recorrente (3 crises/ano), TFGe 70, urato 8,9 mg/dL, sem alergias. Antes de iniciar alopurinol, além da dose baixa de partida, qual medida específica deste perfil é recomendada (condicional, ACR 2020)?
8.FundamentalMulher, 38 anos, dor difusa bilateral há 5 meses, WPI 9, SSS 8, sono não reparador e fadiga; hemograma, VHS, PCR, TSH e CPK normais; sem sinovite ao exame. Diagnóstico e primeiro degrau terapêutico:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-A · 4-C · 5-A · 6-C · 7-A · 8-A
Referencial teórico
25 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoAletaha D, Neogi T, Silman AJ, et al. 2010 Rheumatoid arthritis classification criteria: an American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism collaborative initiative. Ann Rheum Dis. 2010;69(9):1580-1588.doi.org/10.1136/ard.2010.138461
diretriz / revisãoSmolen JS, Landewé RBM, Bergstra SA, et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis with synthetic and biological disease-modifying antirheumatic drugs: 2022 update. Ann Rheum Dis. 2023;82(1):3-18.doi.org/10.1136/ard-2022-223356
diretriz / revisãoFraenkel L, Bathon JM, England BR, et al. 2021 American College of Rheumatology Guideline for the Treatment of Rheumatoid Arthritis. Arthritis Rheumatol. 2021;73(7):1108-1123.doi.org/10.1002/art.41752
diretriz / revisãoAringer M, Costenbader K, Daikh D, et al. 2019 European League Against Rheumatism/American College of Rheumatology classification criteria for systemic lupus erythematosus. Ann Rheum Dis. 2019;78(9):1151-1159.doi.org/10.1136/annrheumdis-2018-214819
diretriz / revisãoFanouriakis A, Kostopoulou M, Andersen J, et al. EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2024;83(1):15-29.doi.org/10.1136/ard-2023-224762
diretriz / revisãoKaul A, Gordon C, Crow MK, et al. Systemic lupus erythematosus. Nat Rev Dis Primers. 2016;2:16039.doi.org/10.1038/nrdp.2016.39
diretriz / revisãovan den Hoogen F, Khanna D, Fransen J, et al. 2013 classification criteria for systemic sclerosis: an American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism collaborative initiative. Ann Rheum Dis. 2013;72(11):1747-1755.
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ambos negativos = 0 · pelo menos 1 positivo baixo = 2 · pelo menos 1 positivo alto (> 3× o limite) = 3
Fase aguda (PCR e VHS)
ambos normais = 0 · pelo menos 1 alterado = 1
Duração dos sintomas
< 6 semanas = 0 · ≥ 6 semanas = 1
Escore ≥ 6/10 classifica AR. São critérios de CLASSIFICAÇÃO (para estudos e captura de doença inicial) — um escore < 6 não exclui o diagnóstico clínico, e a sumação só vale se não houver explicação melhor (lúpus, viral, cristais).
3. Diagnóstico diferencial das poliartrites
Padrão clínico
Diagnóstico a considerar
Poliartrite simétrica de pequenas, não erosiva, com rash malar e citopenias
Lúpus eritematoso sistêmico
Dor nas DIP/PIP com nódulos ósseos, rigidez < 30 min, piora com uso
Osteoartrite (nódulos de Heberden/Bouchard)
Artrite assimétrica de DIP + dactilite + unhas psoriásicas
Artropatia psoriásica
Poliartrite aguda com febre e rash viral, autolimitada
> 50 anos, dor e rigidez de cinturas, VHS alta, sem fraqueza verdadeira
Polimialgia reumática (pense em Horton)
4. Tratamento: tratar-alvo (treat-to-target) desde o início
O alvo é remissão (DAS28 < 2,6) ou baixa atividade da doença, medido a cada 1–3 meses com ajuste de tratamento até alcançá-lo. O DMARD sintético deve começar o mais cedo possível — idealmente em até 3 meses do diagnóstico (janela de oportunidade: o dano erosivo se concentra no primeiro ano).
Falha do MTX otimizado — próximos passos
Nota de prova
Associar DMARD biológico (anti-TNF: adalimumabe 40 mg SC 2/2 semanas) ou inibidor de JAK
ACR 2021: adicionar biológico/JAK é preferido a trocar de csDMARD isolado
Síndrome de Felty: AR soropositiva grave + esplenomegalia + neutropenia.
Risco cardiovascular ~1,5–2× maior (aterosclerose acelerada pela inflamação) e osteoporose (doença + corticoide).
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 43 anos, há 5 meses com dor e edema simétricos de MCF, MTF e punhos, rigidez matinal de 90 minutos, PCR elevada, FR 1:40 (positivo baixo) e anti-CCP 3× o limite (positivo alto). Pela soma ACR/EULAR 2010, quais pontos ela soma nos domínios de articulações e sorologia?
2.FundamentalHomem, 51 anos, AR de atividade moderada recém-diagnosticada, sem contraindicações. Conduta inicial:
Renal: proteinúria com sedimento ativo — a manifestação que mais muda prognóstico e tratamento.
Hematológico: citopenias por autoanticorpos (leucopenia, plaquetopenia, anemia hemolítica autoimune com Coombs positivo).
Neuropsiquiátrico: convulsão, psicose, estado confusional.
Serosite: pericardite, derrame pleural; febre e adenomegalia podem abrir o quadro.
3. Critérios EULAR/ACR 2019: ANA de entrada e escore ponderado
Critério de ENTRADA: ANA ≥ 1:80 em HEp-2. Superado o ingresso, somam-se critérios ponderados (pontua apenas o item de MAIOR valor de cada domínio, e nenhum item conta se houver explicação mais provável). Classifica LES o escore ≥ 10 pontos, desde que haja pelo menos 1 critério clínico e 1 imunológico:
Conduta: intensificar imunossupressão conforme o órgão acometido.
INFECÇÃO
Febre com foco, PCR muito alta, complemento e dsDNA estáveis — a principal causa de morte nos primeiros anos.
Conduta: CULTURAS antes de antibioticoterapia; não escalonar imunossupressão às cegas.
MISTO / DÚVIDA
Coletar culturas, reavaliar complemento/dsDNA e tratar as duas frentes até esclarecer.
4. Nefrite lúpica: biopsiar para classificar
Proteinúria > 0,5 g/24 h (ou sedimento ativo) indica investigação renal; a BIÓPSIA define a classe ISN/RPS e o tratamento: I mínima · II mesangial (geralmente clínica) · III focal proliferativa · IV difusa proliferativa (a mais grave e frequente — indução imunossupressora) · V membranosa (síndrome nefrótica) · VI crônica avançada. Proliferativas (III/IV): micofenolato 2–3 g/dia OU ciclofosfamida em pulsos (regime Euro-Lupus: 500 mg IV a cada 2 semanas × 6) com glicocorticoide; manutenção prolongada com micofenolato ou azatioprina; belimumabe como adjuvante; inibidor de calcineurina (voclosporina, onde disponível) associação recente.
5. Complicações e prognóstico
As maiores causas de morte são infecção (imunossupressão) e doença renal; a doença cardiovascular acelerada (infarto em mulher jovem) e a osteoporose por corticoide são complicações crônicas que a prova cobra como prevenção ativa. Nefrite persistente, hipertensão e antifosfolípide pioram o prognóstico gestacional — planejar a gestação em remissão, com hidroxicloroquina e aspirina quando indicado.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoMulher, 26 anos, LES conhecido em hidroxicloroquina, retorna com edema: proteinúria 2,8 g/24 h, hemácias dismórficas e cilindros eritrocitários no EAS, creatinina 1,3 mg/dL, C3 e C4 baixos, anti-dsDNA elevado. Próximo passo:
2.IntermediárioGestante, 26 semanas primigesta, LES em remissão, anti-Ro/SSA positivo em título alto. Conduta de vigilância específica desse anticorpo:
Anticorpo (anti-centrômero, anti-Scl-70 ou anti-RNA pol III)
3
Detecção precoce: Raynaud de início recente + ANA positivo + capilaroscopia alterada (dilatação e queda de capilares) configura a suspeita de ES muito inicial — na dúvida, capilaroscopia seriada e painel de autoanticorpos.
3. Avaliação por órgão e tratamento
Raynaud/úlceras digitais: aquecimento, suspensão de tabaco, diidropiridínico (nifedipino), losartana; sildenafil nas úlceras; bosentano nas úlceras recorrentes; prostaciclina IV nos casos graves.
Trato gastrointestinal: RGE em quase todos — IBP em dose alta; procinéticos na hipomotilidade; dilatações na pseudo-obstrução.
Doença pulmonar intersticial: tomografia de tórax e espirometria com DLCO anual; tratamento com micofenolato; NINTEDANIBE reduz a velocidade de queda da CVF (aprox. 41 mL/ano a menos no SENSCIS), inclusive em doença já estabelecida.
Hipertensão pulmonar: ecocardiograma anual (e cateterismo para confirmar) — antagonistas da endotelina, inibidores de PDE5, prostaciclinas.
Doença difusa grave precoce refratária: transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas (ensaios SCOT/ASTIS) em centros de referência.
4. Prognóstico
Com o IECA, a morte por crise renal caiu drasticamente — hoje a doença pulmonar (intersticial e vascular) é a principal causa de morte. O rastreamento anual (espirometria com DLCO, tomografia de tórax de alta resolução quando indicada, ecocardiograma) é o que muda a história natural: HAP e DPI tratadas cedo têm melhores desfechos.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoMulher, 46 anos, ES difusa há 2 anos, em uso de prednisona 40 mg/dia prescrita para artralgias, chega com PA 178/112 mmHg, creatinina 2,6 mg/dL (baseline 0,8) e hemólise no esfregaço. Conduta imediata:
2.IntermediárioMulher, 52 anos, Raynaud há 10 anos, esclerodáctilia, telangiectasias e calcinose, anti-centrômero positivo. Além da pele, qual rastreamento é prioritário e anual nessa forma clínica?
Score de coloração ocular ≥ 5 (ou van Bijsterveld ≥ 4)
1
Teste de Schirmer ≤ 5 mm em 5 minutos
1
Fluxo salivar total não estimado ≤ 0,1 mL/min
1
Detalhe decisivo: é OBRIGATÓRIO ter anti-Ro/SSA positivo OU biópsia com escore de foco ≥ 1 — os outros itens somam, mas não substituem. Aplicam-se a quem não tenha outra doença que explique a sicca (ex.: sarcoidose, amiloidose, cabeça/pescoço irradiado, HCV, HIV).
3. Miopatias: o padrão que o exame descreve
Fraqueza PROXIMAL e SIMÉTRICA: levantar da cadeira, subir escadas, pentear-se; CK tipicamente 10–50× o limite, aldolase e LDH altas.
Dermatomiosite: rash heliotrópico (pálpebras), PÁPULAS DE GOTTRON sobre as MCF/IFP (junções — o inverso da psoríase, que é sobre extensoras de IFP/DIP e joelhos), sinais em V e echarpe, mãos de mecânico.
Síndrome antissintetase (anti-Jo-1 e outros): DPI + mãos de mecânico + Raynaud + artrite + febre.
Miosite necrosante imune (IMNM): anti-SRP (fraqueza grave) e anti-HMGCR (associado a uso de estatina — a CK alta 'culpando a estatina' não exclui miopatia).
Miosite por corpos de inclusão (IBM): homem > 50 anos, fraqueza ASSIMÉTRICA com envolvimento DISTAL (flexores dos dedos, quadríceps) + disfagia; vacúolos orlados na biópsia; responde MAL à imunossupressão.
Autoanticorpo
Leitura de prova
Anti-MDA5
dermatomiosite amiopática com DPI RAPIDAMENTE PROGRESSIVA — pior prognóstico
Anti-TIF1-γ
dermatomiosite do adulto fortemente associada a NEOPLASIA oculta — rastreio
Anti-NXP2
calcinose juvenil; no adulto, associação com câncer
Anti-Mi-2
dermatomiosite clássica com rash exuberante — BOM prognóstico
Anti-Jo-1
síndrome antissintetase: DPI + mãos de mecânico + artrite
Anti-SRP / anti-HMGCR
miosite necrosante imune (HMGCR: estatina)
4. Diagnóstico e tratamento das miosites
CK, aldolase, eletroneuromiografia (padrão miogênico), RM de coxas e biópsia muscular fecham o diagnóstico; os critérios EULAR/ACR 2017 usam escore ponderado de probabilidade (com e sem biópsia) e exigem idade ≥ 16 anos sem explicação alternativa. Na dermatomiosite do ADULTO, rastreio de neoplasia (mamografia, rastreio colorretal conforme idade, TC, citopatológico) — sobretudo com anti-TIF1-γ positivo. Tratamento: prednisona 1 mg/kg/dia com desmame lento ao longo de meses + poupador (metotrexato ou azatioprina); IVIG na doença cutânea refratária, disfagia grave e DM juvenil; rituximabe no refratário. IBM: reabilitação — imunossupressão não altera a trajetória.
Epidemiologia que sustenta a suspeita: miopatias inflamatórias somam ~5–22 casos/100 mil, com predomínio feminino; a dermatomiosite JUVENIL (pico 5–10 anos) é a forma mais comum na criança e quase NUNCA associa câncer — neoplasia é preocupação do ADULTO (15–20% dos casos, sobretudo > 40 anos com anti-TIF1-γ/NXP2).
Síndrome antisintetase (ASyS): mãos de mecânico, doença intersticial pulmonar, artrite e febre com anti-Jo-1 (ou outro aminoacil-tRNA-sintetase) — a apresentação pode ser DPI antes da fraqueza; mulheres 2:1.
Calcinose cutânea prolonga a dermatomiosite juvenil mal controlada — controle precoce da atividade reduz depósitos; IVIG tem papel na DM juvenil grave.
CK alta + fraqueza proximal
Pense em
Uso de estatina/corticoide/colchicina/hidroxicloroquina
Miopatia medicamentosa (anti-HMGCP pode coexistir)
TSH alto, CK moderadamente elevada, ganho de peso, bradicardia
Hipotireoidismo
Rash heliotrópico + pápulas de Gottron
Dermatomiosite → rastreio de neoplasia no adulto
Homem > 50, fraqueza assimétrica distal (flexores de dedos)
1.IntermediárioMulher, 57 anos, fraqueza proximal progressiva há 3 meses (dificulta pentear-se e levantar da cadeira), CK 4.200 U/L, rash heliotrópico e pápulas de Gottron. Além de iniciar corticoide, qual medida é parte do manejo dessa dermatomiosite?
2.AvançadoMulher, 61 anos, Sjögren primário conhecido, apresenta nos últimos 4 meses aumento progressivo e persistente da parótida direita, novo Raynaud, crioglobulina positiva e C4 baixo. O achado exige:
Escore ≥ 6 classifica GCA (validação: sensibilidade ~87%, especificidade ~95%). Detalhe de biópsia: as lesões são em SALTO — biópsia negativa NÃO exclui.
2. Takayasu: a 'doença sem pulso' (< 50 anos)
Mulheres jovens (segunda–terceira década), mais frequente na Ásia; aortite de grandes vasos.
Claudicação de MEMBROS SUPERIORES, pulsos assimétricos ou ausentes, diferença de PA > 10 mmHg entre braços, sopros cervicais/supraclaviculares, HAS (por estenose renal).
Angio-TC/RM: estenoses e aneurismas de aorta e ramos; fase inflamatória (VHS/CRP) guia corticoide + metotrexato/tocilizumabe; revascularização apenas na fase INATIVA (angioplastia/cirurgia).
Diagnóstico: ANCA por ELISA específico (anti-PR3, anti-MPO — preferível à imunofluorescência isolada), biópsia do órgão acometido (rim, pulmão, seios da face) e exclusão de infecção (a grande imitadora: endocardite, tuberculose). O escore de 5 fatores (FFS, versão 2009) estratifica prognóstico nas vasculites necrosantes sistêmicas: 1 ponto cada para idade > 65 anos, insuficiência cardíaca, insuficiência renal (creatinina ≥ 1,7 mg/dL), envolvimento gastrointestinal e AUSÊNCIA de envolvimento ORL — FFS ≥ 2 marca alto risco de morte e impõe indução com imunossupressor.
Fluxo terapêutico das AAV (EULAR 2022)
Doença ANCA-associada confirmada — há órgão em risco (rim, pulmão, nervo, coração)?
▼
SIM, grave → INDUÇÃO
Rituximabe 375 mg/m² IV/semana × 4 (ou 1 g em 2 doses) OU ciclofosfamida IV + corticoide (pulso de metilprednisolona → prednisona ~1 mg/kg com desmame).
Profilaxia de Pneumocystis (TMP-SMX) durante a imunossupressão; vacinas; vigilância de infecção.
NÃO grave (sem órgão em risco) → INDUÇÃO LEVE
Metotrexato (ou micofenolato) + corticoide em desmame.
APÓS REMISSÃO → MANUTENÇÃO
Rituximabe a cada 6 meses (preferido, sobretudo se PR3+) ou azatioprina/metotrexato, mantida por anos.
Plasmaférese NÃO é mais rotina (PEXIVAS negativo para mortalidade/risco renal) — reservada a cenários muito selecionados.
4. As outras que caem
Púrpura de IgA (Henoch-Schönlein): criança, púrpura PALPAVEL em glúteos/membros inferiores + artralgia + dor abdominal (risco de invaginação) + nefrite IgA; na maioria autolimitada — corticoide nas manifestações GI/renais graves.
Poliarterite nodosa: vasculite de MÉDIOS vasos com neuropatia periférica (mononeurite múltipla), livedo, dor testicular, HAS renovascular e aneurismas em rede na angiografia; ANCA NEGATIVA (a pegadinha) e SEM glomerulonefrite; associada a hepatite B → tratar o vírus (antiviral + plasmaférese + corticoide).
Síndrome de Behçet: úlceras orais e genitais recorrentes + uveíte (retiniana) + patergia; HLA-B51; colchicina para as úlceras, corticoide e anti-TNF nos quadros oculares/neurológicos.
Crioglobulinêmica: HCV, púrpura + artralgia + astenia com C4 BAIXO e crioglobulinas; glomerulonefrite membranoproliferativa; tratar o HCV e a doença grave com imunossupressão/plasmaférese.
5. Prognóstico
Nas AAV, a mortalidade precoce vem de infecção (imunossupressão) e alveolite hemorrágica; a tardia, de doença cardiovascular e DRC pela nefrite. Na GCA, a complicação tem nome: cegueira irreversível — daí a regra do corticoide imediato. Takayasu evolui com estenoses: controlar pressão (inclusive renovascular) e revascularizar fora da fase ativa.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.Prova difícilMulher, 74 anos, há 3 semanas com cefaleia temporal nova, dor ao pentear-se, claudicação de mandíbula, dor e rigidez de ombros, VHS 96 mm/h e um episódio de amaurose fugaz. Manejo correto:
2.AvançadoHomem, 48 anos, há 4 meses com rinite purulenta e epistaxe, tosse com hemoptise, perda de 6 kg; creatinina 2,4 mg/dL com sedimento de síndrome nefrítica, anti-PR3 positivo em título alto; TC de seios da face com erosões. Indução de remissão:
AINE em dose PLENA, contínua ou sob demanda — testar ≥ 2 agentes antes de declarar falha.
FALHA DE AINEs + INFLAMAÇÃO OBJETIVA (RM/PCR)
Biológico: anti-TNF (adalimumabe 40 mg SC 2/2 sem; etanercepte 50 mg/sem; infliximabe IV) OU anti-IL-17 (secuquinumabe, ixequizumabe) — ou inibidor de JAK.
Rastrear tuberculose e hepatites antes do biológico.
ARMADILHA: DMARDs CONVENCIONAIS
Metotrexato e sulfassalazina NÃO tratam a doença AXIAL — não há resposta do eixo a csDMARDs.
Sulfassalazina tem papel apenas na artrite PERIFÉRICA da SpA.
Uveíte recorrente: anti-TNF MONOCLONAL (adalimumabe/infliximabe) preferido ao etanercepte; anti-IL-17 com cautela se DII.
4. Complicações e prognóstico
Osteoporose (inflamação sistêmica) com risco de fratura vertebral — a 'espinha em bambu' frágil.
Restrição pulmonar restritiva por perda de expansão torácica (não é parenquimatosa).
Uveíte (a complicação extra-articular mais frequente), DII assintomática (rastrear), risco cardiovascular aumentado.
Síndrome da cauda equina (rara, doença de longa data) e amiloidose (hoje incomum).
Com tratamento-alvo e exercício, a maioria mantém função; anquilose grave é evitável com terapia precoce.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 27 anos, há 8 meses com dor lombar e glútea que o acorda na segunda metade da noite, rigidez matinal de 1 hora que melhora com corrida; HLA-B27 positivo; RM com sacroiliíte ativa bilateral; radiografias de sacroilíacas normais. Diagnóstico e primeira linha terapêutica:
2.IntermediárioMesmo paciente, 6 meses depois: persistência da dor noturna apesar de ibuprofeno e celecoxibe em doses plenas por ≥ 3 meses, PCR elevada e RM mantendo sacroiliíte ativa. Próximo passo:
Artrocentese com cristais intracelulares em neutrófilos é suficiente para o diagnóstico — e é OBRIGATÓRIA quando houver dúvida com artrite séptica (que pode coexistir com a gota). Critérios ACR/EULAR 2015: cristal de MSU em articulação sintomática ou tofo = critério SUFICIENTE; sem isso, escore ≥ 8:
Critérios ACR/EULAR 2015 (sem cristal identificado)
Imagem: duplo contorno na US ou urato no DECT = 4 · erosão gotosa à radiografia = 4
4
3. Terapia redutora de urato (ULT)
Indicada em: crises recorrentes (≥ 2/ano), tofos, artrite tofácea radiográfica, gota com DRC. Início: pode-se COMEÇAR na crise (recomendação condicional ACR 2020), desde que o anti-inflamatório da crise siga em curso.
Alopurinol é a 1ª linha (inclusive na DRC moderada-grave): começar ≤ 100 mg/dia (50 mg na DRC avançada) e titular a cada 2–4 semanas até urato < 6 mg/dL (< 5 na doença tofácea grave) — dose-alvo, não dose fixa (doses de 300 mg+ podem ser necessárias).
HLA-B*5801: rastrear antes do alopurinol em han-chineses, coreanos, tailandeses e afrodescendentes — alelo associado à síndrome de Stevens-Johnson/Lyell fatal.
Febuxostate: alternativa (útil na intolerância ao alopurinol), com advertência cardiovascular (excesso de mortalidade CV no CARES — evitar na doença cardiovascular estabelecida).
Probenecida: alternativa se função renal preservada — contraindicada na DRC e no litiásico úrico.
Profilaxia de crises ao iniciar ULT: colchicina 0,5 mg 1–2×/dia (ou AINE em dose baixa) por pelo menos 3–6 meses enquanto se titula.
Pegloticase IV: doença tofácea refratária em cenário especializado.
4. Complicações e prognóstico
Sem ULT, as crises se tornam mais frequentes, poliarticulares e surgem tofos com dano estrutural ('erosões em gancho'). A gota associa-se a síndrome metabólica, doença cardiovascular e DRC — o paciente gotoso é um paciente de risco cardiovascular que merece o pacote completo (peso, álcool, frutose, pressão, lipídios). Com ULT guiada por meta e profilaxia, a maioria fica sem crises.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 63 anos, com DRC estágio 3b (TFGe 34 mL/min), crise de podagra há 12 horas (1º MTF esquerdo exsudativo, sem febre). Melhor anti-inflamatório para esta crise:
2.AvançadoHomem, 58 anos, gotosa com 4 crises no último ano e tofos em hélice, urato 9,2 mg/dL, TFGe 78, sem doença cardiovascular. Conduta de iniciação da terapia redutora de urato:
Artroplastia (substituição articular): doença avançada com dor refratária e impacto funcional — após esgotar o conservador.
2. Fibromialgia: sensibilização central
Mulheres 30–50 anos (2–4% da população); dor difusa bilateral (acima e abaixo da cintura, axial) por ≥ 3 meses.
Acompanhantes quase obrigatórios: fadiga, sono NÃO reparador, 'fibro fog' (disfunção cognitiva), cefaleia, intestino irritável, ansiedade/depressão.
Exames normais: sem anemia, sem VHS/PCR alta, sem CPK alta, sem ANA necessário — o erro é pedir autoimunidade de rotina num quadro típico.
Pode SOBREPOR-SE a AR, LES e OA: 'inflamação controlada mas dor difusa que não fecha' = fibromialgia associada (tratar separadamente).
Critérios ACR 2010/rev. 2016
Regra
WPI (índice de dor ampla — 19 áreas) + SSS (escala de gravidade de sintomas)
diagnóstico por sintomas — a contagem de TENDER POINTS dos critérios de 1990 foi ABOLIDA
WPI ≥ 7 e SSS ≥ 5
OU
WPI 4–6 e SSS ≥ 9
dos dois, um fecha o critério de sintomas
Dor generalizada em ≥ 4 das 5 regiões corporais + sintomas ≥ 3 meses no mesmo nível
obrigatório
Fluxo terapêutico da fibromialgia (EULAR 2017 — degraus)
Fibromialgia confirmada — por onde começar?
▼
1ª LINHA: NÃO FARMACOLÓGICO
Educação (diagnóstico nomeado, doença real, não degenerativa nem mutilante).
EXERCÍCIO AERÓBICO graduado (o de melhor evidência) + fortalecimento; higiene do sono; terapia cognitivo-comportamental.
2ª LINHA: FARMACOLÓGICO SE PERSISTIR
Amitriptilina 10–25 mg à noite, duloxetina ou pregabalina (recomendações fracas — benefício modesto).
AINE apenas como coadjuvante de curto prazo; nada de corticoide (não há inflamação para tratar).
PROIBIDOS NA PROVA
OPIOIDES FORTES: recomendados contra.
Corticoide e imunossupressores: sem indicação — a dor é central, não imune.
3. Prognóstico
OA progride lentamente e o desfecho funcional depende sobretudo de exercício e controle do peso: a maioria dos casos se controla sem cirurgia. Fibromialgia é crônica com crises e melhoras: o prognóstico melhora com atividade física regular, sono e manejo central — e piora com opioides, judicialização e iatrogenia diagnóstica.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 42 anos, há 6 meses dor difusa bilateral (acima e abaixo da cintura), fadiga intensa, sono não reparador e queixas de memória; hemograma, VHS, PCR, TSH e CPK normais; exame articular sem sinovite. Conduta mais apropriada:
2.IntermediárioMulher, 68 anos, obesa (IMC 34), OA sintomática de joelhos com crepitação e sem derrame. Manejo inicial de melhor evidência:
urticária NEUTROFÍLICA desde o nascimento; variante desencadeada por FRIO (FCAS); Muckle-Wells: surdez neurossensorial + amiloidose; NOMID/CINCA: meninges assépticas, artropatia; anti-IL-1 (anakinra/canakinumabe)
MKD/HIDS (MVK)
criança; episódios de 3–7 dias com LINFADENOPATIA cervical, aftas, rash; desencadeados por VACINAÇÃO; hiper-IgD; anti-IL-1/anti-TNF nos casos graves
2. As poligênicas/adquiridas que caem
PFAPA: criança pequena, febre periódica de início abrupto + Aftas + Faringite + Adenite cervical, em ciclos regulares (3–8 semanas), com criança BEM entre as crises; corticoide abrevia o episódio, tonsilectomia nos refratários; melhora com a idade.
Doença de Still do adulto: febre QUOTIDIANA (> 39 °C) + rash salmão EVANESCENTE que aparece com a febre + artralgia/artrite + leucocitose neutrofílica + FERRITINA muito alta (frequentemente > 1.000, podendo passar de 10.000 ng/mL) com fração glicosilada ≤ 20%; diagnóstico de EXCLUSÃO (infecção/neoplasia) e critérios de Yamaguchi; tratamento: AINE/corticoide, anakinra/tocilizumabe nos refratários; risco de síndrome de ativação macrofágica (SAM) — piora súbita com ferritina explosiva, citopenias, hipertrigliceridemia, hipofibrinogenemia.
Behçet (variável): já abordado nas vasculites — lembrar da tríade úlceras + uveíte + patergia.
3. SAPHO e osteomielite crônica recorrente multifocal (CRMO) — as autoinflamatórias ósseas
SAPHO = Sinovite, Acne, Pustulose (palmar/plantar), Hiperostose, Osteíte: dor e hiperostose da PAREDE TORÁCICA ANTERIOR (esternoclavicular é a marca), com lesões cutâneas palmoplantares pustulosas e/ou acne grave; TC/RM e cintilografia confirmam a osteíte.
CRMO (crianças/adolescentes): dor óssea recorrente MULTIFOCAL (metáfises de membros), sem agente em biópsia — obrigatório excluir osteomielite infecciosa e tumor; RM de corpo inteiro para mapear.
Tratamento em degraus (reforçado pelos estudos do dossiê): AINE em dose plena como 1ª linha → BISFOSFONATOS (pamidronato) nos refratários → anti-TNF/anti-IL-1 nos casos graves; corticoide como ponte.
4. Prognóstico
Com terapias dirigidas (colchicina na FMF, anti-IL-1 nas CAPS, bisfosfonatos nas ósseas), a maioria mantém vida normal e evita a complicação histórica — a amiloidose AA com insuficiência renal. Still do adulto exige vigilância do SAM, e as monogênicas graves beneficiam de aconselhamento genético e acompanhamento em centro de referência.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoHomem, 24 anos, ascendência armênia, há anos com episódios de 2 dias de febre alta, dor abdominal intensa simulando abdome agudo (já submetido a laparotomia branca) e rash erisipeloide na perna, totalmente assintomático entre as crises; ANA, FR e culturas negativos; irmão com o mesmo quadro. Conduta que muda a história natural:
2.IntermediárioMulher, 32 anos, 3 semanas de febre diária até 39,5 °C com rash salmão no tronco que aparece com a febre e desaparece, artralgias de punhos, leucócitos 16.000 com neutrofilia, ferritina 9.500 ng/mL com fração glicosilada 12%, culturas negativas, ANA e FR negativos. O par de dados que mais sustenta o diagnóstico é:
grandes: Horton ≥ 50 / Takayasu < 50 · médios: PAN (ANCA negativa, sem glomerulonefrite) · pequenos: ANCA (rim + pulmão) e complexo imune.
O par da atividade lúpica
anti-dsDNA para CIMA, complemento para BAIXO — os dois juntos é flare; se febre sem essas, caçe infecção.
IECA na crise renal da ES
pressão alta + rim agudo na esclerodermia = captopril na hora, e não soltar a mão quando a creatinina sobe.
CsDMARD × eixo
metotrexato trata tudo na AR — menos a coluna: SpA axial é AINE, exercício e biológico (anti-TNF/IL-17).
Cristais à polarização
Gota = agulha com birrefringência NEGATIVA; CPPD = losango com birrefringência POSITIVA (P de Positivo, P de Paralelogramo).
As 3 dores
mecânica piora com o uso e rigidez curta · inflamatória tem rigidez matinal longa e melhora movendo · central é difusa e tem exames normais.
Still = ferritina
febre quotidiana + rash que some + ferritina gigante com fração glicosilada pequena — e sempre exclusão de infecção/linfoma.
Dedos da mão
AR = MCF · OA = Heberden (DIP) e Bouchard (PIP) · Gottron = sobre as MCF (dermatomiosite) — três fileiras que a banca embaralha.
As pegadinhas mais cobradas
FR positivo não fecha AR nem FR negativo exclui; anti-CCP é quem traz especificidade (~95%).
Metotrexato é SEMANAL — prescrição diária é erro potencialmente fatal; contraindicado na gestação (leflunomida faz washout de até 2 anos).
ANA ≥ 1:80 é critério de ENTRADA do LES 2019 — sem ANA o escore nem começa; e ANA positivo isolado nunca é lúpus.
Lúpus induzido por droga: anti-histona, poupa rim e SNC, resolve com a suspensão.
Crise renal esclerodérmica vem com HIPERTENSÃO, e o IECA se mantém mesmo subindo a creatinina; corticoide alto é fator de risco, não tratamento.
No Sjögren, parotidomegalia persistente + C4 baixo + crioglobulina = investigar LINFOMA.
Pápulas de Gottron sobre MCF/IFP (dermatomiosite) — a psoríase é nas extensoras de DIP/joelhos; anti-MDA5 = DPI rapidamente progressiva com pouca fraqueza.
GCA: corticoide ANTES da biópsia (lesões em salto; histologia persiste por dias a semanas de esteroides).
PAN é ANCA-NEGATIVA e não tem glomerulonefrite; plasmaférese saiu da rotina das AAV (PEXIVAS).
Radiografia normal não descarta SpA axial — RM define a não radiográfica; metotrexato não trata o eixo.
Urato sérico normal DURANTE a crise não exclui gota — repetir ≥ 2 semanas depois; hipuricemia assintomática não se trata.
Alopurinol começa baixo (≤ 100 mg) e sobe até a META (< 6/< 5); rastrear HLA-B*5801 em asiáticos do sudeste/afrodescendentes.
Fibromialgia não pede ANA/FR de rotina; corticoide, imunossupressor e opioide forte não têm lugar nela.
Febre recorrente com ANA/culturas negativos não é só 'estresse': pense autoinflamatória — e na FMF a colchicina é contínua (previne amiloidose).
Informações que não podem ser esquecidas
Toda poliartrite de pequenas simétrica com rigidez > 30–60 min: pensar AR e iniciar DMARD cedo — a janela erosiva é o primeiro ano.
Toda paciente jovem com rash fotossensível + citopenias + artrite: escore de LES 2019 e hidroxicloroquina desde o dia um.
Toda ES com pressão alta e rim agudo: captopril imediato; toda ES: rastreio anual de pulmão (TC/PFT) e coração (eco).
Toda fraqueza proximal com CK alta e rash: dermatomiosite → rastreio de neoplasia no adulto e olhar o pulmão (antissintetase/MDA5).
Toda cefaleia nova > 50 anos com VHS alta e sintomas visuais: prednisona antes da biópsia.
Toda lombalgia de início < 45 anos que melhora com exercício: SpA — RM se radiografia normal, AINE pleno, biológico na falha.
Toda monoartrite aguda excruciante: cristais e infecção — artrocentese decide; ULT com meta e profilaxia quando indicada.
Toda dor difusa com fadiga e exames normais: fibromialgia (WPI/SSS) — exercício e educação antes de fármaco, imunologia só com sinal de alerta.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Poliartrite simétrica de MCF que poupa DIP + rigidez > 1 h
diretriz / revisãoDel Galdo F, Lescoat A, Kowal-Bielecka O, et al. EULAR recommendations for the treatment of systemic sclerosis: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2025;84(1):29-40.doi.org/10.1136/ard-2024-226430
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.