Baseado nos artigos publicados da matéria Psiquiatria da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — CANMAT 2016/2018/2023, PADIS 2018, APA, NICE e ABP (complemento, sempre com DOI quando disponível). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo e a bula.
01
Transtorno depressivo maior
critérios DSM-5-TR · PHQ-9 · especificadores (melancólica, psicótica) · antidepressivos: classes e doses · tempo de tratamento · recorrência e suicídio
Episódio
5 de 9
sintomas ≥ 2 semanas, com humor deprimido ou anedonia
PHQ-9
≥ 10
corte para provável TDM (10–14 moderado · ≥ 15 grave)
Resposta
≥ 50%
queda do escore em 2–4 semanas de tratamento
Continuação
6–12 meses
após a remissão no 1º episódio
1. Conceito e epidemiologia
O transtorno depressivo maior (TDM) é síndrome clínica definida por critérios — não existe exame complementar que o diagnostique. Prevalência ao longo da vida de 10–15%, com mulheres afetadas cerca de 2× mais; pico de início entre 20 e 40 anos. A OMS coloca os transtornos depressivos entre as principais causas de anos vividos com incapacidade no mundo.
2. Diagnóstico (DSM-5-TR)
5 ou mais dos 9 sintomas, quase todos os dias, por ≥ 2 semanas, provocando sofrimento ou prejuízo — e pelo menos UM deve ser humor deprimido ou perda de interesse/prazer (anedonia).
Os 9: (1) humor deprimido (irritabilidade em adolescentes); (2) anedonia; (3) alteração de peso (> 5%) ou apetite; (4) insônia ou hipersonia; (5) agitação ou retardo psicomotor; (6) fadiga; (7) culpa/inutilidade excessivas; (8) reduzida capacidade de pensar/concentrar; (9) pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Não atribuível a substância, outra condição médica ou luto maior — e SEMPRE rastrear mania antes de rotular de unipolar.
A pergunta que muda todo o tratamento: alguma vez na vida houve período de ≥ 4 dias com energia alta, pouca necessidade de sono e desinibição? Resposta positiva → investigar transtorno bipolar antes do primeiro antidepressivo (rastreio estruturado com MDQ — ver módulo 3).
PHQ-9 (pontuação)
Interpretação
0–4
sintomatologia mínima (remissão < 5)
5–9
leve
10–14
moderada
15–19
moderadamente grave
20–27
grave
3. Especificadores que mudam a conduta
Melancólica: prazer abolido para tudo, pior matinal, retardo marcado, perda de peso — responde mal a placebo e à psicoterapia isolada.
Atípica: humor reativo + hipersonia + hiperfagia + sensibilidade a rejeição (mais comum no bipolar — mais um motivo para rastrear mania).
Com características psicóticas: delírios congruentes ao humor (ruína, culpa, nihilismo) — exige antidepressivo + antipsicótico ou ECT.
Periparto: início na gestação ou 4 semanas pós-parto; psicose pós-parto é emergência psiquiátrica (risco de infanticídio).
Ansiosa e sazonal: moldam a escolha do antidepressivo e da psicoterapia.
4. Diagnóstico diferencial (tabela)
Pista clínica
Diagnóstico a considerar
TSH elevado, bradicardia, pele seca, constipação
Hipotireoidismo (rastrear sempre no 1º episódio)
Idoso: declínio cognitivo progressivo > 6 meses, sem retardo de fase única
Demência inicial (pseudodemência depressiva é o reversível)
Quadro após perda, com afeto preservado e sem ideação persistente
Duelo / transtorno de adaptação
Fadiga + macrocitose + neuropatia + histórico de álcool
Deficiência de B12 / uso nocivo de álcool
Episódios prévios de energia alta + pouca necessidade de sono
Transtorno bipolar (MDQ ≥ 7)
Apatia + fadiga + hipotensão ortostática + perda de peso
Doença de Addison / doença médica oculta
5. Tratamento — escada CANMAT/NICE
Leve a moderada: psicoterapia (TCC ou ativação comportamental) ou ISRS; exercício aeróbico regular como adjuvante.
Moderada a grave: antidepressivo + psicoterapia desde o início (associação tem melhor desfecho).
Com características psicóticas: antidepressivo + antipsicótico (ex.: sertralina + olanzapina) ou ECT quando há risco iminente de vida (negação alimentar, catatonia, suicidiedade grave).
Resistente (2 ensaios adequados com falha): otimização → troca/potenciação → ECT, esketamina intranasal ou rTMS (CANMAT 2023).
2ª linha; letais em superdosagem; ECG no idoso; anticolinérgicos
IMAO
fenelzina, tranilcipromina
última linha; dieta pobre em tiramina; washout de 14 dias de/para qualquer antidepressivo (fluoxetina: 5 semanas)
6. Complicações e prognóstico
Episódio não tratado dura em média 6–12 meses; a recorrência é a regra — cerca de 50% após o 1º episódio, 70% após o 2º e 90% após o 3º. O suicídio é a complicação letal, com risco máximo no início do tratamento e próximo da alta; a intoxicação por antidepressivo tricíclico é meio letal clássico de tentativa. TCC na fase de continuação/manutenção reduz recaída e recupera funcionalidade.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 34 anos, há 6 semanas com humor deprimido, anedonia, insônia, fadiga, culpa excessiva e dificuldade de concentração; PHQ-9 = 16; sem episódios prévios, sem mania, sem ideação estruturada de suicídio. Melhor conduta inicial:
2.AvançadoHomem, 71 anos, depressão grave com delírio nihilista (acredita que suas vísceras apodreceram), sem recusa alimentar e sem suicidiedade iminente. Melhor estratégia inicial:
TAG · transtorno do pânico e agorafobia · ansiedade social · GAD-7 · ISRS em dose baixa × benzodiazepínico · exposição e TCC · propranolol de desempenho
TAG
≥ 6 meses
preocupação + ≥ 3 de 6 sintomas
GAD-7
≥ 10
rastreio de TAG (5 leve · 10 moderado · 15 grave)
Ataque de pânico
≥ 4 de 13
sintomas com pico em ~10 minutos
Benzodiazepínico
2–4 semanas
apenas fase aguda, nunca manutenção
1. Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
Preocupação excessiva com eventos cotidianos, de difícil controle, presente em mais dias do que não, por ≥ 6 meses, acompanhada de ≥ 3 de 6 sintomas: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e sono não repousador. Prevalência ao longo da vida ≈ 5%, mulheres 2× mais, curso crônico e flutuante; comorbidade com depressão é a regra — quem trata um rastreia o outro. GAD-7 ≥ 10 fecha o rastreio positivo.
2. Transtorno do pânico
Ataque de pânico = surto abrupto de medo intenso com ≥ 4 de 13 sintomas (palpitação, sudorese, tremor, dispneia, sensação de asfixia, dor torácica, náusea, tontura/instabilidade, calafrios ou ondas de calor, parestesias, desrealização/despersonalização, medo de perder o controle, medo de morrer), pico em ~10 minutos e resolução em 20–30 minutos. Transtorno do pânico = ataques recorrentes e INESPERADOS + ≥ 1 mês de preocupação antecipatória ou mudança de comportamento (evitação). Agorafobia é diagnóstico separado no DSM-5 e a principal complicação do pânico não tratado.
3. Ansiedade social (fobia social)
Medo intenso de situações de escrutínio ou avaliação negativa (falar em público, comer na frente de outros, conhecer pessoas), ≥ 6 meses, com evitação ou sofrimento intenso. Especificador de prova: somente desempenho (apresentações, música, provas). Primeira linha: TCC com exposição social + ISRS (sertralina 50–200 mg/dia, escitalopram 10–20, paroxetina 20–50); venlafaxina como 2ª linha; a fenelzina (IMAO) é a clássica eficaz de provas antigas.
TAG
Pânico
Ansiedade social
Núcleo
preocupação difusa contínua ≥ 6 meses
ataques inesperados + antecipação ≥ 1 mês
escrutínio/avaliação negativa
1ª linha
ISRS em dose plena + TCC
ISRS em dose BAIXA inicial + exposição interoceptiva
ISRS + TCC/exposição social
Pegadinha
não é preocupação normal: é descontrole + sintomas
ataque ≠ transtorno; 1º ataque → orgânico
propranolol SÓ para desempenho pontual
4. Complicações e prognóstico
TAG e pânico cronicificam em ondas; complicações: episódio depressivo secundário (frequente), abuso de álcool e benzodiazepínicos por automedicação, agorafobia incapacitante e prejuízo ocupacional. O prognóstico melhora substancialmente quando a TCC (exposição + reestruturação) é associada ao fármaco — a exposição é o componente ativo no pânico e na fobia.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 28 anos, há 3 meses crises súbitas de medo intenso com palpitação, dispneia, parestesias e medo de morrer, pico em 10 minutos, sem gatilho aparente; entre as crises, medo constante de ter nova crise e evitação de shopping. ECG, TSH e glicemia normais. Diagnóstico e conduta:
2.Prova difícilViolinista, 26 anos, sem outros sintomas psiquiátricos, apresenta tremor fino de mãos e taquicardia EXCLUSIVAMENTE durante recitais — ensaia, ensina e socializa sem ansiedade. Melhor conduta farmacológica:
mania pelo DIGFAST · hipomania × mania · TB-I × TB-II · MDQ · lítio: dose, litemia e monitorização · depressão bipolar (quetiapina/lamotrigina/lurasidona) · valproato e gestação
Mania
≥ 1 semana
ou qualquer duração se exigir internação
Hipomania
≥ 4 dias
sem psicose e sem prejuízo marcado
Litemia
0,6–0,8
mmol/L na manutenção; 0,8–1,2 na mania aguda (12 h pós-dose)
TB-I
≈ 1%
prevalência; TB-II ≈ 1%; risco de suicídio 20–30× a população
1. Conceito e epidemiologia
Transtorno de humor episódico: TB-I exige ≥ 1 episódio de mania; TB-II exige ≥ 1 hipomania + ≥ 1 depressão maior, sem mania prévia. Prevalência ≈ 1% para cada tipo; início típico entre 15 e 24 anos; o intervalo entre os primeiros sintomas e o diagnóstico correto chega a 5–10 anos — o paciente chega ao serviço DEPRIMIDO e recebe antidepressivo isolado, o erro que mais aparece em prova. O risco de suicídio é 20–30× o da população geral, e a overdose de medicação é meio frequente de tentativa.
2. Diagnóstico — DIGFAST na mania
Humor elevado/expansivo ou irritável por ≥ 1 semana (ou qualquer duração se houver internação), com ≥ 3 dos 7 critérios (≥ 4 se o humor for só irritável): Distratibilidade; Insônia com diminuição da NECESSIDADE de sono (acorda descansado); Grandiosidade; Fuga de ideias; Atividade aumentada com objetivo; Discurso acelerado; Thoughtlessness/desinibição (gastos, risco sexual, investimentos). Hipomania: mesma síndrome por ≥ 4 dias, sem psicose, sem prejuízo marcado, sem internação. Especificador misto: sintomas do polo oposto no mesmo episódio. Rastreio estruturado: MDQ ≥ 7 respostas positivas + sintomas no mesmo período + prejuízo moderado.
Mania
Hipomania
Duração
≥ 1 semana (ou internação)
≥ 4 dias
Psicose
pode haver (congruente ao humor)
nunca
Prejuízo/internação
marcado / frequente
mínimo / não
Diagnóstico que fecha
TB-I
TB-II (se houve depressão maior)
Quadro que imita mania
O que diferencia
Intoxicação por estimulantes (cocaína)
urina de toxirescreen; sintomas em janela de uso
Hipertireoidismo
TSH suprimido, sem grandiosidade episódica prévia
Esquizofrenia
psicose SEM síndrome de humor proeminente e sem curso episódico
TDAH
curso crônico desde a infância, sem períodos discretos de energia alta
Mania induzida por antidepressivo/esteroide
persistir após retirar o gatilho → conta como mania (TB-I)
BALANCE (Lancet 2010): lítio + valproato superou o valproato isolado na prevenção de recaída, com o lítio isolado numericamente melhor — a combinação é para recorrentes graves. Ciclagem rápida (≥ 4 episódios/ano): retirar antidepressivo, checar tireoide e consolidar estabilizadores.
4. Complicações e prognóstico
Curso com episódios que se encurtam com o tempo; a não-adesão é a principal causa de recaída (metanálises mostram redução de recaída de ~64% para ~27% com manutenção correta). Risco cardiometabólico elevado (antipsicóticos + estilo de vida); suicídio é a principal causa de morte prematura — o lítio é o estabilizador com evidência de redução de suicídio e mortalidade por qualquer causa (Cipriani, BMJ 2013).
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 23 anos, há 8 dias dormindo 3 horas por noite e acordando descansado, falando rápido, com grandiosidade, gastos desproporcionais e desinibição social; sem delírios alucinatórios; toxirescreen negativo. Melhor conduta:
2.AvançadoMulher, 35 anos, TB-I, em lítio com litemia 0,7 mmol/L, chega com episódio depressivo moderado sem características psicóticas e sem ideação de suicídio. Melhor próximo passo:
durações que definem o diagnóstico · sintomas positivos, negativos (5 A) e cognitivos · antipsicóticos comparados (doses) · EPS e biperideno · clozapina e hemograma · LAI e prevenção de recaída
Esquizofrenia
6 meses
de doença, com ≥ 1 mês de fase ativa
Critério A
2 de 5
sendo 1 entre delírios, alucinações ou discurso desorganizado
Clozapina
2 falhas
de ensaios adequados (dose plena × 4–6 semanas)
ANC
semanal × 6 m
depois quinzenal × 6 m, depois mensal
1. Conceito, epidemiologia e fisiopatologia
Psicose crônica com prejuízo funcional: prevalência ≈ 0,7–1% ao longo da vida, igual nos sexos, mas o início difere — homens 18–25 anos, mulheres 25–32 anos com segundo pico na perimenopausa. Modelo neurodesenvolvimento + dopamina: hipersensibilidade presináptica na via mesolímbica gera os sintomas positivos; hipofunção dopaminérgica pré-frontal e envolvimento glutamatérgico (antagonistas NMDA como a ketamina reproduzem positivos E negativos) sustentam negativos e cognitivos. Gêmeos monozigotos têm concordância ≈ 50% — herdabilidade alta, sem um gene único.
2. Clínica
Positivos: delírios (perseguição é o mais comum; referência, controle), alucinações (auditivas em 3ª pessoa/comentário são as mais típicas), discurso e comportamento desorganizados.
Negativos — os 5 A: Afeto embotado, Alogia, Avolição, Anedonia, Associalidade. São os que mais determinam funcionalidade e resposta ruim.
Cognitivos: atenção, memória de trabalho e funções executivas comprometidas na maioria dos pacientes.
Fases: prodrômica (retirada, queda funcional) → aguda (psicose) → residual; insight frequentemente ausente — a não-adesão é o problema central da cronicidade.
3. Diagnóstico — a duração define o nome
Duração da psicose
Diagnóstico
< 1 mês, com retorno ao funcionamento basal
Transtorno psicótico breve
1–6 meses
Transtorno esquizofreniforme
≥ 6 meses de doença, com ≥ 1 mês de fase ativa
Esquizofrenia
Delírio não bizarro ≥ 1 mês, sem os demais critérios
Transtorno delirante
Psicose + episódios de humor proeminentes
Transtorno esquizoafetivo
4. Antipsicóticos — todos bloqueiam D2 (aripiprazol é agonista parcial)
Entre os antipsicóticos comuns a eficácia é semelhante — a escolha é pelo perfil de efeitos adversos, comorbidades e preferência do paciente (adesão). A clozapina é a única consistemente superior na esquizofrenia resistente (Leucht, Lancet 2013).
peso neutro; evitar com inibidores/indutores potentes de CYP3A4
Asenapina
10–20 sublingual
não engolir — perde efeito
Clozapina
200–600 (máx. 900, titulação lenta)
reserva para resistência; monitorização de hemograma
5. Clozapina — a droga da resistência
Indicação: falha de ≥ 2 antipsicóticos em dose adequada por 4–6 semanas, ou suicidabilidade persistente na esquizofrenia (única com evidência antissuicídio — InterSePT).
Hemograma: ANC semanal nos primeiros 6 meses, quinzenal dos meses 7–12, depois mensal — suspender se ANC < 1.000/mm³ (agranulocitose em ~1%).
Miocardite nas primeiras 8 semanas: febre + taquicardia + troponina/PCR — suspeitar e suspender.
Tabagismo induz CYP1A2: internação sem cigarro SOBE o nível de clozapina — pegadinha de interação.
6. Manutenção e prognóstico
Primeiro episódio: manter o antipsicótico por 1–2 anos após a remissão; múltiplos episódios: 5 anos a indefinido — sem manutenção a recaída é de ~64% contra ~27% com droga (Leucht, 2012). Antipsicótico injetável de duração prolongada (ex.: decanoato de haloperidol 50–200 mg IM a cada 4 semanas; decanoato de flufenazina; palmitato de paliperidona mensal) reduz recaída no não-aderente — prova cobra a indicação. Prognóstico: ~5% morrem por suicídio; expectativa de vida 10–15 anos menor (cardiovascular + tabagismo em 60–80% dos pacientes); os sintomas negativos e cognitivos ditam a funcionalidade.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 22 anos, há 4 meses com delírios de perseguição, alucinações auditivas e declínio social, sem episódios de humor proeminentes e sem uso de substâncias. O diagnóstico DSM-5 no momento é:
2.IntermediárioPaciente com esquizofrenia persistiu com psicose após risperidona 6 mg/dia por 6 semanas e olanzapina 20 mg/dia por 6 semanas, com adesão confirmada. Próximo passo:
escolha do antidepressivo pelo perfil · falha terapêutica: otimizar, trocar ou potenciar · interações e washout de IMAO · síndrome de descontinuação · estabilizadores lado a lado
Trial adequado
6–8 semanas
em dose terapêutica
Resposta
≥ 50%
de queda do escore; remissão = PHQ-9 < 5
Washout de IMAO
14 dias
para/de qualquer AD; fluoxetina exige 5 semanas
Potenciação
aripiprazol 2–5 mg
ou lítio, tri-iodotironina, quetiapina
1. Escolha racional — não existe antidepressivo “mais forte”
A metanálise em rede de 21 antidepressivos (Cipriani, Lancet 2018) confirmou: todos são mais eficazes que placebo, nenhum é dramaticamente superior — diferem em aceitabilidade e perfil de efeitos adversos. A escolha é guiada pelo sintoma-alvo, comorbidade e segurança:
Perfil do paciente
Preferência
Insônia e perda de peso marcadas
mirtazapina (seda e aumenta apetite) ou trazodona noturna
Fadiga, retardo, disfunção sexual prévia
bupropiona (sem efeito sexual; ativadora)
Dor neuropática / fibromialgia associada
duloxetina ou amitriptilina
Ansiedade proeminente
escitalopram ou sertralina
Idoso
escitalopram/citalopram em dose baixa (vigiar hiponatremia e queda); evitar tricíclico
2. Falha terapêutica — a sequência que a prova cobra
Fluxo do antidepressivo que não funcionou
Após 6–8 semanas em dose adequada, como foi a resposta?
▼
RESPOSTA PARCIAL
Otimizar: aumentar até a dose máxima tolerada por mais 2–4 semanas.
Ou potenciar: aripiprazol 2–5 mg/dia (até 10–15), quetiapina 150–300 mg/dia, lítio 600–900 mg/dia ou tri-iodotironina 25–50 mcg/dia.
SEM RESPOSTA
Trocar: dentro da classe (outro ISRS) ou fora (ISRSN, bupropiona, mirtazapina).
Revisar adesão, dose, diagnóstico (bipolar? substância? dor crônica?) antes de trocar.
2 FALHAS ADEQUADAS = DEPRESSÃO RESISTENTE
ECT, esketamina intranasal (com antidepressivo oral) ou rTMS.
Reavaliar diagnóstico e adesão com estrutura (depósito, litemia, TSH).
3. Interações e regras de segurança
IMAO: washout de 14 dias para/de qualquer outro antidepressivo; vindo da fluoxetina, 5 semanas — a combinação direta causa síndrome serotoninérgica grave.
CYP2D6 — fluoxetina e paroxetina inibem fortemente: tamoxifeno (perda de ativação), codeína (perda de analgesia), flecainida, metoprolol; a bupropiona também inibe 2D6.
CYP1A2 — fluvoxamina: cafeína, teofilina e clozapina têm nível aumentado.
ISRS e sangramento: inibem a captação de serotonina plaquetária — vigiar com AAS/anticoagulantes.
Hiponatremia (SIAD) no idoso nas primeiras semanas: sódio de controle se confusão/letargia.
Gravidez/lactação: sertralina é a preferida na lactação (menor passagem); paroxetina evitada na gestação.
4. Estabilizadores lado a lado
Fármaco
Predileção
Vigiar / interações
Lítio
padrão-ouro mania+manutenção; antissuicídio
litemia 12 h (0,6–0,8 manutenção); TSH, creatinina, Ca; AINE/IECA/tiazídico ↑ nível
Valproato
mania aguda (carga 20–30 mg/kg/dia; nível 50–125 mcg/mL)
teratogenicidade (contraindicado em mulheres com potencial gestacional), hepatotoxicidade, trombocitopenia, ganho de peso
Carbamazepina
mania e manutenção (2ª linha)
indutor enzimático (↓ anticoncepcionais!); SJS/HLA-B*1502 em asiáticos; hiponatremia
Lamotrigina
depressão bipolar e manutenção com predomínio depressivo
Antipsicóticos fora da esquizofrenia: olanzapina/quetiapina na mania e potenciação, aripiprazol em dose baixa como potencializador do ISRS, quetiapina 25–100 mg como adjuvante noturno (limitada por sedação e hipotensão ortostática). Hipnótico de rotina não é benzodiazepínico: TCC-I e higiene do sono primeiro (ver módulo 9).
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 45 anos, primeiro episódio depressivo, em sertralina 100 mg/dia há 8 semanas com remissão completa do PHQ-9 (de 18 para 3). Quantas semanas? Qual a conduta?
2.Prova difícilMulher, 23 anos, bulimia nervosa com crises e vômitos autoinduzidos, desenvolve episódio depressivo moderado sem ideação de suicídio. Melhor escolha de antidepressivo:
Drogas de abuso liberam dopamina mesolímbica em magnitude 2–10× maior que recompensas naturais. Com a repetição, três circuitos adoecem: gânglios da base (recompensa vira hábito compulsivo), amígdala estendida (abstinência = afeto negativo e estresse) e córtex pré-frontal (perda do controle executivo). Herdabilidade 40–60%. Entre quem já experimentou, a probabilidade de desenvolver dependência é o dado clássico:
Substância
Probabilidade de dependência entre quem já usou
Nicotina
≈ 32%
Heroína
≈ 23%
Cocaína
≈ 17%
Álcool
≈ 15%
Maconha
≈ 9%
2. Diagnóstico DSM-5 — abuso e dependência viraram UM transtorno
11 critérios em 12 meses (uso cada vez maior, esforço malsucedido para cortar, tempo gasto, craving — que entrou no DSM-5 —, falha de papéis, uso perigoso, uso apesar de problemas físicos/psicossociais, tolerância, abstinência, abandono de atividades, problemas interpessoais): 2–3 critérios = leve; 4–5 = moderado; ≥ 6 = grave. Rastreio: AUDIT ≥ 8 indica uso de risco de álcool (≥ 20, provável dependência); ASSIST (OMS) para múltiplas drogas; intervenção breve (entrevista motivacional) para uso de risco.
3. Álcool — a abstinência que mata
Tempo após a última dose
Quadro
6–24 h
tremor, ansiedade, náusea, insônia, hipertensão e taquicardia
12–48 h
convulsões tônico-clônicas (1–2, geralmente autolimitadas com tratamento)
12–48 h
alucinose alcoólica (auditiva, com consciência preservada)
48–96 h
delirium tremens: confusão + hiperatividade autonômica + febre — mortalidade de até 20% sem tratamento e 1–5% tratado
4. Farmacoterapia do transtorno por uso de álcool (Jonas, JAMA 2014)
Fármaco
Dose
Papel e contraindicação
Naltrexona
50 mg/dia VO (ou 380 mg IM/mês)
reduz craving e dias de bebedeira pesada; contraindicada com opioides em uso, hepatite aguda/icterícia
Acamprosato
666 mg 3×/dia
ajuda a manter a ABSTINÊNCIA já conquistada; ajustar na doença renal
Dissulfiram
250–500 mg/dia
efeito dissuasório (reação com álcool: rubor, vômito, taquicardia, hipertensão); exige motivação/observador; contraindicado em cardiopatia grave
Todos são coadjuvantes da psicoterapia (entrevista motivacional, TCC, gestão de contingências) e de grupos de mútua ajuda. Benzodiazepínico NÃO é tratamento de manutenção do alcoolismo — troca uma dependência por outra.
5. Nicotina
Fagerström ≥ 6 = dependência alta; presença de sintomas de abstinência ao acordar (primeiro cigarro nos 30 min) marca dependência.
Vareniclina (agonista parcial α4β2): 0,5 mg/dia × 3 dias → 0,5 mg 2×/dia × 4 dias → 1 mg 2×/dia por 12 semanas, iniciando 1 semana antes da data de parada. EAGLES (Lancet 2016): a mais eficaz, sem excesso de eventos neuropsiquiátricos graves mesmo em deprimidos e esquizofrênicos.
Terapia de reposição de nicotina: adesivo 21 mg/dia (se > 10 cigarros/dia) por 6 semanas → 14 → 7; goma 2–4 mg sob demanda para fissura; a combinação adesivo + goma supera o adesivo isolado.
Bupropiona SR 150 mg/dia × 3 dias → 150 mg 2×/dia: contraindicada com convulsão e bulimia; útil na depressão comórbida.
6. Opioides, cocaína e maconha
Superdosagem: coma + miose + depressão respiratória → naloxona 0,4–2 mg IV/IM/intranasal, repetindo a cada 2–3 min; meia-vida curta impõe observação prolongada (re-narcotização), sobretudo com fentanila.
Tratamento de manutenção: metadona 60–120 mg/dia (retenção melhor em dose adequada) OU buprenorfina-naloxona — iniciar SÓ com abstinência moderada (COWS ≥ 8–12): começar cedo precipita abstinência imediata; alvo usual 16 mg/dia.
Cocaína/crack: NENHUM fármaco aprovado — psicoterapia (gestão de contingências tem a melhor evidência) e tratamento das complicações (IAM, dissecção aórtica, AVC, psicose — antipsicótico na crise).
Maconha: 9% dos que experimentam ficam dependentes; uso diário, precoce e de THC alto associa-se a psicose e pior prognóstico da esquizofrenia.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 52 anos, alcoólico, internado para cirurgia, sem bebida há 48 h: tremor grosso, PA 172/100, FC 118, agitação, sudorese; CIWA-Ar = 17. Conduta:
2.AvançadoMesmo paciente, 60 dias depois, abstinente, com transaminases 2× o limite, sem icterícia, sem uso de opioides e sem hepatopatia descompensada; meta de reduzir a bebedeira pesada e o craving. Melhor farmacoterapia:
Distúrbio de atenção e consciência com início agudo (horas a dias), curso flutuante e alteração cognitiva adicional, causado por consequência fisiológica direta de doença médica, substância ou intoxicação/abstinência — nunca é “confusão psiquiátrica primária”. Subtipos: hiperativo (agitado, alucinando), hipoativo (quieto, apático — o mais frequente e o mais desperdiçado: paciente quieto não é paciente resolvido) e misto. Atinge até metade dos idosos hospitalizados e a maioria dos pacientes sob ventilação mecânica.
2. Rastreamento na UTI e na enfermaria
RASS primeiro (escala de −5 não responsivo a +4 combativo): define profundidade de sedação — se −4/−5, não se aplica o CAM-ICU naquele momento.
CAM-ICU (validação: Ely, JAMA 2001): (1) início agudo ou curso flutuante; (2) desatenção; (3) pensamento desorganizado; (4) nível de consciência alterado — positivo com 1 + 2 + (3 ou 4).
ICDSC (checklist de rastreio de delirium da UTI): ≥ 4 pontos fecha o diagnóstico.
Aplicar rotineiramente (ex.: uma vez por turno) em pacientes críticos e idosos hospitalizados.
3. Fatores de risco e prevenção
Predisponentes (o terreno)
Precipitantes (o gatilho)
idade avançada, demência, fragilidade
infecção, sepse, febre
déficit visual e auditivo
drogas: benzodiazepínico, anticolinérgico, opioides em excesso
Prevenção multicomponente (protocolo HELP, Inouye, NEJM 1999): reorientação, óculos e aparelhos auditivos, deambulação, hidratação, higiene do sono e retirada de contenção — reduziu delirium de 15% para 9,9% no estudo original. Na UTI, o bundle ABCDEF: Assess pain (dor) · Both SAT/SBT (testes de despertar e respiração espontânea) · Choice of sedation (sedação leve, evitar benzodiazepínico) · Delirium monitoring · Early mobility · Family engagement.
4. Tratamento do delirium
Fluxo do delirium na UTI
CAM-ICU positivo — como tratar?
▼
1. CAUSA + NÃO FARMACOLÓGICO (sempre)
Caçar e tratar o gatilho: infecção, eletrólitos, drogas deliriogênicas, retenção, dor, hipóxia.
Reorientação, ciclo luz/escuro, óculos/aparelho, retirar contenção e sondas desnecessárias, mobilizar, presença da família.
2. SEDAÇÃO: TROCAR O BENZODIAZEPÍNICO
Dexmedetomidina reduz delirium em comparação à sedação com benzodiazepínico (MENDS, SEDCOM).
Benzodiazepínico contínuo é fator de risco — reservar à abstinência de álcool/benzodiazepínico e ao status epileptico.
3. ANTIPSICÓTICO: SÓ SE AGITAÇÃO AMEAÇA SEGURANÇA
PADIS 2018 recomenda CONTRA profilaxia/rotina de antipsicótico; MIND-USA (NEJM 2018): haloperidol e ziprasidona não aumentaram dias vivos sem delirium.
Se imprescindível: haloperidol 0,5–2 mg (menor dose, menor tempo, reavaliar diariamente e suspender).
5. Agitação — Project BETA (West J Emerg Med 2012)
Escada crescente: desescalação verbal (respeito, opções, escuta) → medicação VO → medicação IM → contenção mecânica como último recurso.
Via oral preferida: risperidona 1–2 mg em solução (± lorazepam 2 mg) ou olanzapina 5–10 mg orodispersível; lorazepam 1–2 mg isolado quando a causa é abstinência.
PROIBIDO combinar olanzapina IM com benzodiazepínico parenteral (depressão respiratória) — se precisar do ansiolítico, aguardar ≥ 1 h.
Contenção mecânica: prescrição com indicação e tempo, monitorização a cada 15 min (respiração, circulação, integridade de membros) e reavaliação contínua para retirar o quanto antes.
suspender + benzodiazepínico + ciproheptadina 12 mg VO → 2 mg 2/2 h (máx. 32 mg/dia)
suspender antipsicótico + resfriar + suporte + dantroleno 1–2,5 mg/kg IV ou bromocriptina; ECT nos refratários
Critérios de Hunter: clônus induzido ou espontâneo em paciente exposto a serotonérgico fecha síndrome serotoninérgica (Boyer, NEJM 2005). Hipertermia > 40 °C com rigidez é a fase que mata nas duas — resfriamento e benzodiazepínico já.
7. Lítio tóxico e catatonia
Lítio: litemia > 1,5 mmol/L = zona tóxica; a intoxicação crônica é mais neurotóxica que a aguda (mesmo níveis menores). Progressão: tremor grosso e náusea → disartria e ataxia → delirium e convulsão.
Conduta: suspender, hidratar venosamente, corrigir fatores (AINE, IECA, desidratação); HEMODIÁLISE com nível > 4 (aguda) ou > 2,5 (crônica), falência renal ou estado neurológico grave refratário.
Catatonia: imobilidade, mutismo, flexibilidade cérea, negativismo, posturas, ecolalia/ecopraxia (escala Bush-Francis). Teste terapêutico: lorazepam 1–2 mg IV com resposta rápida = diagnóstico.
Tratamento da catatonia: lorazepam em doses altas fracionadas (até 20–30 mg/dia nos graves) e ECT na refratária/maligna (febre + instabilidade autonômica).
8. Suicídio — avaliação e conduta
OMS: mais de 700 mil suicídios/ano — uma das três principais causas de morte entre 15–29 anos; no Brasil, cerca de 13 mil óbitos/ano (MS/SIM). Homens morrem 2–3× mais; mulheres tentam mais. A maioria dos suicídios ocorre em pessoas com transtorno mental, sobretudo de humor e uso de substâncias — mas risco e proteção são multifatoriais.
Fatores de risco
Fatores de proteção
TENTATIVA PRÉVIA (o maior preditor isolado)
vínculos familiares e sociais
acesso a meios letais (arma de fogo, estoque de medicamento)
razões para viver, responsabilidades
transtorno de humor/psicose/uso de substâncias; dor crônica
tratamento psiquiátrico ativo e acesso rápido
perda recente, isolamento, impulsividade, história familiar
restrição de meios letais
Perguntar DIRETAMENTE sobre suicídio não aumenta o risco — é a conduta correta e documentada.
C-SSRS (Posner, AJP 2011): gradua a ideação de 1 (desejo de morrer) a 5 (ativa com método E intenção) e registra comportamento (preparatório, interrompido, abortado, tentativa).
Risco iminente (plano + intenção + acesso + tentativa recente ou psicose): avaliação em espaço protegido e internação (voluntária quando possível).
Intervenções com evidência de redução: lítio no transtorno de humor (Cipriani, BMJ 2013), clozapina na esquizofrenia, DBT e TCC para re-tentadores, ECT na depressão com risco iminente, esketamina em contexto de TRD.
Questões do módulo · 07
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioIdoso, 79 anos, 2º dia de pós-operatório: sonolento e desatento em momentos e agitado em outros, puxando sondas, sem focalidade neurológica; sem uso de psicotrópico prévio. Primeira conduta:
2.Prova difícilMulher, 46 anos, em fluoxetina 40 mg/dia, recebeu tramadol para dor; 12 h depois: agitação, sudorese, FC 122, hiperreflexia e clônus induzido nos membros inferiores, sem rigidez de chumbo. Diagnóstico e conduta:
3.FundamentalNa avaliação do risco de suicídio, o dado isolado de MAIOR peso preditivo é:
anorexia (subtipos, IMC) · bulimia e TCAP · SCOFF · complicações metabólicas e síndrome de realimentação · terapia baseada na família e TCC-E · fluoxetina 60 mg na bulimia
SCOFF
≥ 2
respostas positivas = rastreio positivo
Bulimia / TCAP
≥ 1×/sem
por ≥ 3 meses (DSM-5 baixou de 2×/sem)
Fluoxetina na bulimia
60 mg/dia
dose aprovada — maior que a antidepressiva
Mortalidade da anorexia
SMR ≈ 5,9
uma das maiores da psiquiatria (Arcelus 2011)
1. Visão geral e rastreio
Pico de início na adolescência e adulto jovem, com predomínio feminino. O SCOFF (Morgan, BMJ 1999) rastreia com 5 perguntas (vômito autoinduzido, perda de controle, perda de > 6 kg em 3 meses, distorção da imagem corporal, comida dominando a vida): ≥ 2 positivas indicam risco. A anorexia tem uma das maiores taxas de mortalidade da psiquiatria — por complicações médicas e suicídio.
2. Anorexia nervosa
Critérios: restrição de ingestão levando a peso significativamente abaixo do mínimo esperado; medo intenso de ganhar peso; distorção da imagem corporal (não reconhece a gravidade do baixo peso). Amenorreia SAIU do DSM-5.
Subtipos: restritivo × com compulsão/purgação. Gravidade em adultos por IMC: ≥ 17 leve · 16–16,99 moderado · 15–15,99 grave · < 15 extremo.
Complicações: bradicardia e hipotensão, PROLONGAMENTO DO QT (morte súbita), hipocalemia e alcalose metabólica (purgação), amenorreia e osteoporose, constipação, citopenias, lanugo.
3. Bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP)
Na bulimia, a frequência exigida caiu para ≥ 1 episódio/semana por ≥ 3 meses no DSM-5 (era 2×). O TCAP se diferencia da bulimia pela AUSÊNCIA de comportamento compensatório regular — e é o transtorno alimentar mais prevalente.
4. Tratamento e prognóstico
Anorexia: equipe multidisciplinar; realimentação estruturada (ganho de ~0,5–1 kg/semana no internado); adolescentes = TERAPIA BASEADA NA FAMÍLIA (modelo Maudsley) como primeira linha; adultos = TCC-E.
Bulimia: TCC como primeira linha; fluoxetina 60 mg/dia como farmacoterapia; topiramato em 2ª linha (cuidado com perda de peso e parestesias).
TCAP: TCC e autoajuda guiada; lisdexanfetamina 50–70 mg/dia é o fármaco aprovado (vigiar risco de abuso e efeitos cardiovasculares); tratar obesidade e comorbidades.
Prognóstico: a anorexia tem mortalidade elevada (SMR ≈ 5,9) com recuperação lenta; bulimia e TCAP respondem bem à TCC; todos exigem seguimento prolongado pelo risco de recaída e cruzamento de diagnóstico entre subtipos.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 19 anos, IMC 21, episódios de compulsão com perda de controle 3×/semana há 5 meses, seguidos de vômitos autoinduzidos; K+ 3,1 mEq/L, HCO3- elevado, erosão dental. Diagnóstico e tratamento de primeira linha:
2.AvançadoAdolescente, 16 anos, anorexia nervosa restritiva (IMC 14,8), internada para realimentação. No 3º dia de dieta hipercalórica agressiva: edema, confusão leve, P 1,8 mg/dL (baixo), K 3,2 mEq/L. Complicação e conduta:
TDAH: critérios, início < 12 anos e estimulantes · TEA: A + B, níveis 1–3, M-CHAT e intervenção precoce · TCC: modelo, técnicas e indicações · DBT e terapias baseadas em evidência
TDAH
≥ 6 de 9
sintomas (≥ 5 se ≥ 17 anos), ≥ 2 contextos, início < 12 anos
TEA
A (3/3) + B (≥ 2/4)
comunicação social + padrões restritos/repetitivos
M-CHAT-R/F
18–24 meses
rastreio universal do TEA na puericultura
TCC
12–20 sessões
formato típico semanal, com tarefa de casa
1. TDAH — o diagnóstico exige início precoce
≥ 6 de 9 sintomas de desatenção e/ou ≥ 6 de 9 de hiperatividade-impulsividade por ≥ 6 meses, em ≥ 2 contextos (casa E escola/trabalho), com início ANTES DOS 12 ANOS e prejuízo funcional; a partir dos 17 anos, bastam ≥ 5 sintomas. Prevalência ≈ 5% em crianças (Polanczyk) e ≈ 2,5% em adultos; meninos 2–3× mais na clínica. Neurobiologia: circuito fronto-estriatal com dopamina/noradrenalina; herdabilidade entre as maiores da psiquiatria (Faraone, consenso internacional 2021: 208 conclusões baseadas em evidência — transtorno neurobiológico real, não “falta de limites”).
0,5 mg/kg/dia × 1 semana → 1,2–1,4 mg/kg/dia (máx. 100 mg) — não estimulante; efeito em semanas
Efeitos dos estimulantes: redução de apetite/peso, insônia, cefaleia, aumento leve de FC/PA, possível desaceleração da curva de crescimento (monitorar peso e estatura).
Antes de iniciar: rastreio de cardiopatia estrutural/arritmia e história familiar de morte súbita; se o efeito termina antes do fim do dia útil, ajustar dose ou cobertura horária em vez de trocar de droga.
Atomoxetina é a escolha quando há comorbidade com ansiedade importante ou risco de desvio de estimulante.
3. Transtorno do espectro autista (TEA)
Critérios DSM-5: A — TODOS os 3 déficits de comunicação/interação social (reciprocidade sócio-emocional; comunicação não verbal — olhar, gesto, prosódia; desenvolver/manter relações) + B — ≥ 2 de 4 de padrões restritos/repetitivos (estereotipias motoras/verbais; insistência na mesmice e rotinas; interesses restritos de intensidade incomum; hiper ou hiporreatividade sensorial). Início no período de desenvolvimento precoce; gravidade por NÍVEIS DE SUPORTE 1–3 (leve/moderado/grave saíram; síndrome de Asperger deixou de existir como categoria própria).
Prevalência ≈ 1% no mundo (EUA: 1 em 36 crianças, ADDM 2020); sexo 4:1; herdabilidade entre as maiores da medicina (~80%) — poligênica. VACINAS NÃO CAUSAM TEA.
Sinais de 12–24 meses: não responde ao nome, não aponta/atenção compartilhada, não brincar simbólico, alinhar objetos, regressão de palavras em parte dos casos.
Rastreio: M-CHAT-R/F aos 18 e 24 meses na puericultura; suspeita → avaliação diagnóstica estruturada + audiológica.
Comorbidades: deficiência intelectual em ~1/3, epilepsia (mais comum com DI), transtornos GI e do sono, ansiedade, TDAH.
4. Psicoterapias — a TCC como padrão de referência
A TCC parte do modelo situação → pensamento automático → emoção/comportamento, com crenças intermediárias e esquemas nucleares por baixo; a estrutura típica tem agenda, psicoeducação, técnicas e tarefa de casa, em 12–20 sessões semanais. Técnicas nucleares de prova: questionamento socrático, reestruturação cognitiva, experimentos comportamentais, ativação comportamental (depressão), exposição gradual com prevenção de resposta (TOC), exposição in vivo e interoceptiva (fobias, pânico), registro de pensamentos.
Indicação
Psicoterapia de primeira linha
Depressão leve-moderada (NICE)
TCC/ativação comportamental/terapia interpessoal antes de antidepressivo de rotina
Todos os transtornos de ansiedade
TCC com exposição
TOC
exposição com prevenção de resposta
Insônia crônica
TCC-I antes de hipnótico
Anorexia do adolescente
terapia baseada na família (Maudsley)
Borderline com suicidalidade
DBT (Linehan)
Psicose
TCC individual como adjuvante da medicação
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMenino, 8 anos, desde os 6 anos desatenção e desorganização na escola E em casa (7 de 9 critérios de desatenção), com prejuízo no rendimento; sem sintomas de ansiedade ou depressão. Primeira linha:
2.IntermediárioMenina, 20 meses: não responde quando chamada pelo nome, não aponta para compartilhar, alinha carrinhos repetidamente e não faz brincadeira de faz de conta; desenvolvimento motor normal. Conduta correta:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
≥ 6 de 9 (≥ 5 adultos) · início < 12 anos · metilfenidato IR até 60 mg/dia · OROS 18–72 mg · lisdexanfetamina 30–70 mg
Macetes que salvam
Macete
Regra
DIGFAST (mania)
Distratibilidade · Insônia sem necessidade de sono · Grandiosidade · Fuga de ideias · Atividade · Discurso acelerado · Thoughtlessness (desinibição) — 3 de 7 (4 se só irritabilidade).
5 A (negativos)
Afeto embotado · Alogia · Avolição · Anedonia · Associalidade — os que pioram a funcionalidade na esquizofrenia.
Necessidade de sono ≠ insônia
maníaco dorme 3 h e acorda descansado; deprimido quer dormir e não consegue (ou dorme demais e pior).
Tiamina antes da glicose
alcoólico desnutrido + glicose venosa sem tiamina = Wernicke iatrogênico.
Hunter em 1 frase
clônus + serotonérgico = serotoninérgica; rigidez de chumbo + CK alta + antipsicótico = SMN.
Plano de segurança em 6 passos
sinais · estratégias internas · pessoas para distrair · pessoas para ajudar · profissionais (CVV 188) · restringir meios.
As pegadinhas mais cobradas
Crise de pânico não é transtorno do pânico — o diagnóstico exige ataques inesperados recorrentes + ≥ 1 mês de preocupação antecipatória.
ISRS pode piorar ansiedade nas 1–2 primeiras semanas: começar com dose menor no pânico e avisar o paciente.
Uma mania na vida = TB-I; antidepressivo isolado na depressão bipolar é o erro clássico — e valproato é contraindicado na mulher com potencial gestacional.
Lamotrigina 200 mg de início causa SJS — a titulação 25 → 50 → 100 → 200 mg é obrigatória.
DSM-5 aboliu subtipos da esquizofrenia e a amenorreia da anorexia; bulimia baixou para ≥ 1×/semana.
Delirium hipoativo é o mais comum — paciente quieto não é paciente resolvido; e antipsicótico não encurta delirium (PADIS/MIND-USA).
Benzodiazepínico: 1ª linha na abstinência alcoólica, deliriogênico no delirium da UTI — a banca troca os contextos.
Febre + rigidez de chumbo + CK alta + antipsicótico
Síndrome maligna neuroléptica
Compulsão + vômito autoinduzido + peso normal + hipocalemia
Bulimia nervosa
Não responde ao nome + não aponta + alinha brinquedos (18–24 m)
TEA — M-CHAT e intervenção precoce
Desatenção em 2 contextos desde antes dos 12 anos
TDAH
Choques elétricos e vertigem ao esquecer paroxetina ou venlafaxina
Síndrome de descontinuação de antidepressivo
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.AvançadoMulher, 58 anos, em lítio crônico, chega confusa com tremor grosso, disartria e ataxia; litemia 2,8 mmol/L, creatinina 3,1 mg/dL com oligúria. Conduta:
2.Prova difícilHomem, 30 anos, em haloperidol titulado rapidamente, apresenta febre 39,6 °C, diaforese, instabilidade autonômica, rigidez de chumbo e CK de 11.000 U/L. Diagnóstico e tratamento:
3.IntermediárioHomem, 48 anos, alcoólico crônico desnutrido, chega à emergência confuso; a equipe prescreve soro glicofsifológico venoso. Que medida deveria preceder a glicose?
4.IntermediárioPaciente com esquizofrenia resistente iniciou clozapina há 7 meses, com hemogramas sempre normais. A frequência atual de monitorização do ANC deve ser:
5.AvançadoMulher, 22 anos, bulimia nervosa com vômitos diários, K+ 3,0 mEq/L, além de episódios depressivos moderados. O fármaco indicado e sua dose:
6.FundamentalHomem, 40 anos, TAG sem depressão, nunca tratado. Conduta de primeira linha:
7.AvançadoAdolescente com anorexia nervosa grave internada: no 3º dia de realimentação apresenta hipofosfatemia, hipocalemia e edema. A conduta que melhor previne esse quadro desde o início é:
8.Prova difícilUsuário de heroína inicia buprenorfina-naloxona 6 h após a última dose, ainda com abstinência leve, e em 1 hora apresenta sudorese, dor difusa, taquicardia e agitação marcadas. O mecanismo e a prevenção correta:
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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