Baseado nos artigos publicados da matéria Patologia Geral da Central de Estudos (fonte principal) e em revisões e consensos de alto impacto com DOI verificado — Hotchkiss (NEJM 2009), Galluzzi/NCCD (Cell Death Differ 2018), Yuan e Ofengeim (Nat Rev Mol Cell Biol 2024), Medzhitov (Cell 2010), Mackman (Nature 2008), Singer/Sepsis-3 (JAMA 2016), Surviving Sepsis Campaign (CCM 2021), Hanahan (Cancer Discov 2022), Bray/GLOBOCAN (CA 2024), López-Otín (Cell 2023) — com Robbins & Cotran e Bogliolo como apoio. Resumo de estudo — valores de referência e condutas variam entre serviços; confira os vigentes na prática.
01
Lesão celular e morte celular
adaptações celulares · lesão reversível e irreversível · padrões de necrose · apoptose (vias) · necroptose, piroptose e ferroptose · acúmulos intracelulares · calcificações
Hipóxia
causa nº 1
de lesão celular; isquemia é a forma mais comum
Núcleo em necrose
3 destinos
picnose → cariorrexe → cariólise
Apoptose
ATP + caspases
morte programada, SEM resposta inflamatória
Necrose
sempre com inflamação
morte patológica por dano de membrana
1. Adaptações: o que a célula faz antes de adoecer
Diante de estímulos sustentados, a célula se adapta antes de lesionar: atrofia (redução de tamanho e função por desuso, denervação, hipóxia crônica ou perda de estímulo endócrino — mecanismos: proteassoma ubiquitina-proteassomal e autofagia), hipertrofia (aumento de tamanho por maior demanda — miócito na hipertensão), hiperplasia (aumento do número por divisão — útero na gravidez, que combina hiperplasia e hipertrofia), metaplasia (substituição reversível por um tipo celular mais resistente ao agressor — epitélio escamoso no brônquio do fumante, metaplasia intestinal na gastrite crônica) e displasia (desorganização proliferativa com atipia — degrau pré-neoplásico).
2. Do reversível ao irreversível: o ponto sem retorno
Momento
Morfologia
Mecanismo decisivo
Reversível
inchaço celular, citoplasma claro e vacuolizado (degeneração hidrópica), esteatose
queda de ATP → falha da Na+/K+-ATPase; desarranjo do metabolismo de lipídios
Ponto sem retorno
dano de membrana plasmática e mitocondrial (densidades amorfas), influxo maciço de Ca2+
ativação de fosfolipases, proteases, endonucleases e peroxidação lipídica
Irreversível (necrose)
citoplasma eosinofílico e granular; picnose → cariorrexe → cariólise
digestão enzimática e desnaturalização proteica; a membrana rompida libera enzimas no soro
3. Necrose: os seis padrões que a prova cobra
Padrão
Mecanismo e morfologia
Exemplo clínico
Coagulativa
desnaturalização proteica preserva o arcabouço por dias (arquitetura em “lápide”); hipóxia em qualquer tecido EXCETO cérebro
infarto do miocárdio, rim e baço
Liquefativa
enzimas digestivas dominam e o tecido vira pasta; SNC (pouco estroma) e processos supurativos
AVC isquêmico, abscesso cerebral
Caseosa
necrose granulomatosa com aparência de queijo amarromelado, amorfos e debris celulares
tuberculose (o clássico); hanseníase e fungos
Gangrenosa
necrose isquêmica somada a mudanças de cor; seca (deshidratada), úmida (com infecção putrefativa) e gasosa (Clostridium perfringens — crepitação)
deposição de complexos antígeno-anticorpo mais fibrina na parede vascular
vasculites, hipertensão maligna
4. Apoptose: morte programada, sem inflamação
Apoptose é suicídio celular geneticamente programado, dependente de ATP e de caspases, que remove células sem gerar resposta inflamatória. Fisiológica na embriogênese (eliminação das membranas interdigitais), na involução de órgãos e na deleção de linfócitos autorreativos; patológica na hepatite viral (corpúsculos de Councilman — hepatócitos eosinofílicos), na atrofia por hormônios e na eliminação de células com DNA lesado.
Característica
Apoptose
Necrose
Estímulo
programado (fisiológico) ou dano pontual
agressão grave e sustentada (hipóxia, toxinas, trauma)
ATP
necessário
despendido (a célula o perdeu)
Membrana
íntegra — brotos em corpos apoptóticos
rompida — conteúdo vaza
Resposta inflamatória
AUSENTE
presente, com exsudato
Núcleo
condensação e fragmentação ordenada
picnose → cariorrexe → cariólise
Tamanho da lesão
células isoladas
campos contíguos de células
Exemplo
corpúsculo de Councilman na hepatite viral
infarto do miocárdio
5. As outras mortes reguladas: necroptose, piroptose, ferroptose e autofagia
O Comitê de Nomenclatura de Morte Celular (Galluzzi, 2018) reconheceu que existe morte regulada com morfologia de necrose — programas genéticos que rompem a membrana e inflamam. Elas explicam dano tecidual em isquemia-reperfusão, sepse e doenças autoinflamatórias e são alvo terapêutico em desenvolvimento.
Modalidade
Máquinaria molecular
Contexto típico
Necroptose
RIPK1 → RIPK3 → fosforilação de MLKL; dispara quando a caspase-8 está bloqueada (ex.: proteínas virais)
isquemia-reperfusão, AVC, infecções virais
Piroptose
inflamassoma (NLRP3 e outros) → caspase-1 → poros de gasdermina D; matura IL-1β e IL-18
peroxidação lipídica dependente de ferro por falência da glutations peroxidase 4 (GPX4)
neurodegeneração; morte de células tumorais defeituosas em antioxidantes
Autofagia
autofagossomos digerem organelas nos lisossomos; sobrevivência na privação — só o excesso vira morte
atrofia por privação; miopatias vacuolares; tumores sob estresse metabólico
6. Acúmulos intracelulares e calcificações
Esteatose hepática: acúmulo de triglicerídeos por álcool, toxinas, hipóxia e desnutrição proteica — predomina na zona centrilobular (zona 3), a mais vulnerável à hipóxia.
Lipofuscina: pigmento amarelo-amarronzado de peroxidação lipídica, o “pigmento do desgaste” de fígado e coração de idosos — marca envelhecimento, não lesa.
Hemossiderina: depósito de ferro (azul da Prússia); local em hemorragias (hemossiderose) ou sistêmico na hemocromatose.
Bilirrubina (icterícia), melanina, carvão (antracose pulmonar dos fumantes e mineiros).
Calcificação DISTÓFICA: cálcio sérico NORMAL depositado em tecido necrosado ou danificado — ateroma, válvula calcificada, cicatriz tuberculosa.
Calcificação METASTÁTICA: hipercalcemia deposita cálcio em tecidos SAUDÁVEIS — hiperparatireoidismo, malignidade (PTHrP ou osteólise), intoxicação por vitamina D, sarcoidose, síndrome do leite-álcali.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 63 anos, morte após IAM extenso. À necropsia, o miocárdio da região mostra arquitetura celular preservada em “lápide”, citoplasma eosinofílico e núcleos que desaparecem progressivamente. Qual o padrão de necrose e por que o SNC não o segue no AVC isquêmico?
2.AvançadoLinfoma folicular com translocação t(14;18). Qual mecanismo confere vantagem de sobrevivência às células tumorais?
sinais cardinais e resposta vascular · recrutamento de leucócitos (selectinas, integrinas) · fagocitose e morte microbiana · mediadores químicos · padrões morfológicos do exsudato · inflamação sistêmica (VHS/PCR) · inflamação crônica e granulomas
1. Sinais cardinais e resposta vascular
Rubor, tumor, calor, dolor e functio laesa (a lista de Celso, ainda completa). A sequência vascular: vasoconstrição transitória de segundos, vasodilatação arteriolar (histamina e óxido nítrico — explicam rubor e calor), aumento da permeabilidade venular com saída proteica (tumor — o exsudato) e estase com concentração de hemácias, que prepara a marginação dos leucócitos.
Resposta imediata e transitória (minutos): histamina e bradicinina abrem junções interendoteliais nas vênulas — a wheal da urticária.
Resposta tardia e prolongada (horas): dano ou ativação endotelial (IL-1, TNF, queimadura solar, radiação) — sustenta o exsudato e chama mononucleares.
A permeabilidade aumentada é o que separa exsudato inflamatório do transudato hidrostático — diferença de proteína e células.
2. Recrutamento do leucócito: rolar, parar, atravessar, caçar
Etapa
Moléculas
Nota de prova
Rolagem
selectinas P e E no endotélio × sialil-Lewis X no leucócito
histamina faz P-selectina aparecer em SEGUNDOS (corpos de Weibel-Palade); E-selectina exige TNF/IL-1 por horas
Adesão firme
integrinas do leucócito (LFA-1, Mac-1/CD18) × ICAM-1 e VCAM-1 endoteliais
TNF e IL-1 induzem as integrinas e as ICAM — a ponte que os corticoides e a deficiência de CD18 (LAD-1) quebram
Transmigração (diapedese)
PECAM-1/CD31 nas junções interendoteliais
o PMN atravessa a parede seguindo o gradiente quimiotático
concentração crescente direciona a marcha; defeitos de quimiotaxia = infecções recorrentes
3. Fagocitose e morte microbiana
Reconhecimento e opsonização (IgG pelo receptor Fc e C3b pelo receptor do complemento) → ingestão em fagossomo → fusão com lisossomo (fagolisossomo). O abate é oxigênio-dependente na explosão respiratória: NADPH oxidase gera ânion superóxido, que vira H2O2 e, com a mieloperoxidase (MPO) e haleto, hipoclorito (HOCl) — o alvejante do fagolisossomo; e oxigênio-independente com lisozima, lactoferrina, defensinas e pH ácido.
Defeito
Enzima/molécula
Quadro que cai
Doença granulomatosa crônica (DGC)
NADPH oxidase — ausência do burst oxidativo; teste do NBT negativo
calicreína sobre o cininogênio (inicia pelo fator XII de contato)
dor e permeabilidade; degradada pela ECA — por isso a tosse do IECA
Complemento
vias clássica (Ag-Ab), lectina (manose) e alternativa
C3b opsonina · C3a/C5a anafilatoxinas (mastócito) · C5a quimiotaxia · MAC (C5b-9) lise
Prostaglandinas (COX)
ácido araquidônico
PGE2: dor, febre e vasodilatação; potencia a dor da bradicinina; PGI2 endothelial antagoniza TXA2 plaquetário
Leucotrienos (LOX)
ácido araquidônico
LTB4 quimiotaxia neutrofílica; LTC4/D4/E4 broncoespasmo e permeabilidade (asma — alvo dos antileucotrienos)
Citocinas
macrófagos e outros
TNF e IL-1: febre, ativação endotelial, caquexia · IL-6: proteínas de fase aguda (PCR) · IL-8: quimiotaxia · IL-5: eosinofilia
Óxido nítrico
endotélio (eNOS) e macrófago (iNOS)
vasodilatação; morte microbiana; com superóxido gera peroxinitrito lesivo
5. Padrões morfológicos do exsudato: o que o anátomo vê
Padrão
Exsudato
Exemplo típico
Serosa
líquido claro, pouca proteína
blisters da queimadura de 2º grau; peritonite serosa
Fibrinosa
fibrina abundante sobre serosas
pericardite em “pão com manteiga”; pleurite — se não for removida, organiza em fibrose
Supurativa (purulenta)
pus — neutrófilos necrosados + líquido
abscessos (Staphylococcus aureus, o clássico piogênico); celulite
Hemorrágica
dano vascular com saída de sangue
infecções graves com vasculite (peste, anthrax)
Pseudomembranosa/ulcerativa
membrana de fibrina, necrose e neutrófilos sobre mucosa
colite por Clostridioides difficile; difteria; úlceras gastricas
Necrosante
destruição tecidual franca
fasciíte necrosante
6. Inflamação sistêmica: o laboratório lê a inflamação
Febre: pirógenos endógenos TNF, IL-1 e IL-6 induzem PGE2 no hipotálamo — por isso o efeito antitérmico do AINH (COX) e o shivering após sua queda.
Leucocitose com desvio à esquerda (bastonetes): G-CSF mobiliza a medula; leucopenia no tifoide e em viroses/rickettsioses; linfocitose em viroses e coqueluche; eosinofilia em parasitoses e alergia (IL-5); monocitose em processos crônicos.
PCR: proteína de fase aguda hepática induzida por IL-6, sobe em 24–48 h e tem meia-vida curta (~19 h) — melhor que o VHS para monitorar atividade e resposta; opsonina que liga fosfocolina microbiana.
VHS: fibrinogênio alto faz rouleaux e acelera a sedimentação — inespecífico e lento para normalizar.
Proteína amiloide A (SAA): mantida alta por meses/anos pode depositar como amiloidose AA; hepcidina (IL-6) gera a anemia de doença crônica por sequestrar ferro.
7. Inflamação crônica e granulomas
Crônica quando o agente persiste: infecções intracelulares (tuberculose, sífilis), toxinas não degradáveis (sílica, cristais de colesterol na aterosclerose) ou autoimunidade (LES, artrite reumatoide). Infiltração mononuclear (macrófagos ativados — M1 pró-inflamatório por IFN-γ; M2 de reparo/fibrose por IL-4/IL-13), linfócitos (Th1, Th2, Th17), plasmócitos, simultaneamente com angiogênese e fibrose. O macrofago é o maestro: injúria → activação → persistência = lesão perpétua.
Granuloma
Padrão
Doença
Caseoso com células gigantes de Langhans (núcleos periféricos em ferradura)
necrose central + epitélioides
tuberculose
Não caseado (“nude”)
epitélioides compactos, sem necrose
sarcoidose, doença de Crohn, berílio
Goma
necrose borrada com MANY plasmócitos
sífilis terciária
Estrelado com pus
microabscesso central em granuloma
doença da arranhadura do gato (Bartonella)
De corpo estranho (células gigantes com núcleos dispersos)
1.FundamentalJovem com celulite no antebraço: borda vermelha, quente, dolorosa e inchada. Qual par de mecanismos explica, respectivamente, o calor/rubor e o tumor (edema)?
2.AvançadoMenino, 4 anos, abscessos hepáticos e pulmonares recorrentes por Staphylococcus aureus e Serratia, linfadenites e osteomielite; o teste do NBT não forma precipitado azul. Qual o defeito e qual a consequência microbiológica típica?
classes de tecido (lábil, estável, permanente) · ciclo celular e pontos de controle · fatores de crescimento · tecido de granulação · cicatrização por 1ª e 2ª intenção · força da cicatriz · complicações (queloide, fibrose) · células-tronco e iPSC
Força — 1ª semana
≈ 10%
da pele normal; máximo de ~70–80% após meses
Colágeno do reparo
III → I
tipo III no início; remodelação troca por tipo I
Turnover cardíaco
~1%/ano
no adulto jovem; cai para <0,5% após os 75
Tecidos
3 classes
lábil, estável, permanente — define o desfecho
1. As três classes de tecido quanto à proliferação
Classe
Comportamento
Exemplos
Resposta à lesão
Lábil
mitose contínua, ciclo permanente
epitélios de superfície (pele, TGI, vias urinárias), medula óssea
regeneram SE a membrana basal/arcabouço estiver íntegro
Permanente
pós-mitótico, diferenciação terminal
neurônios, miocárdio, músculo esquelético (satélites à parte)
reparo por cicatriz — a regeneração é insignificante
2. Ciclo celular e pontos de controle
G1 → S (síntese de DNA) → G2 → M, com G0 para os quiescentes. O ponto de restrição G1/S é o decisório: ciclinas D com CDK4/6 fosforilam o RB, que solta o E2F e libera a entrada em S; se o DNA está lesado, o TP53 induz p21 e trava o ciclo (ou empurra a célula para apoptose via BAX). Em G2/M, ciclina B-CDK1 decide a mitose. Tecidos estáveis mantêm suas células em G0 por inibidores de quinase; a lesão e os fatores de crescimento os despertam.
EGF: proliferação de epitélios.
HGF (fator de crescimento hepatocitário, o antigo “fator dispersor”): regeneração hepática e motilidade celular.
VEGF: angiogênese — induzida por hipóxia via HIF-1α; é o eixo dos sistemas de perfusão da ferida e dos tumores (alvo do bevacizumabe).
PDGF (plaquetas e macrófagos): quimiotaxia e proliferação de fibroblastos e músculo liso.
TGF-β: o ambíguo — o mais potente indutor de síntese de colágeno e quimiotático para fibroblastos, mas freia a proliferação epitelial e a imunidade. É o hormônio da fibrose.
Citocinas IL-1 e TNF: ativam fibroblastos e endotélio na fase inflamatória inicial.
3. Cicatrização cutânea: as duas intenções
1ª intenção (união primária)
2ª intenção (secundária)
Defeito
bordas aproximadas (sutura), limpo
perda tecidual grande, bordas afastadas, infecção
Tecido de granulação
mínimo
abundante, preenche a lacuna de baixo para cima
Contração
discreta
intensa, por miofibroblastos — os miofibroblastos fecham o leito da ferida e poupam área de cicatriz
Cicatriz
fina, rápida (~2 semanas para epitelizar)
extensa, lenta, mais esteticamente ruim
Fase inflamatória/hemostásica (dias 1–3): coágulo de fibrina, neutrófilos nas primeiras 24–48 h, depois macrófagos — essenciais: limpam debris e orquestram a fase seguinte (ferida sem macrófago não progride).
Fase proliferativa (do 3º dia em diante): tecido de GRANULAÇÃO = capilares novos brotando (VEGF) + fibroblastos depositando colágeno tipo III em matriz frouxa + miofibroblastos; migração epitelial cobre a superfície (“carne orgulhosa” = granulação exuberante).
Fase de remodelação (semanas a meses): metaloproteinases equilibram deposição e degradação, colágeno III é trocado por tipo I, vasos regridem — a cicatriz fica pálida e avascular; a força atinge ≈10% na 1ª semana e no máximo ~70–80% da pele normal.
4. Fibrose, células-tronco e medicina regenerativa
Quando o estímulo persiste, o reparo não desliga: TGF-β mantido (por macrófagos M2 e dano epitelial crônico) deposita matriz sem controle — cirrose, fibrose pulmonar, nefropatia diabética. No câncer, os mesmos fibroblastos ativados fabricam o estroma desmoplásico que sustenta o tumor (angiogênese e matriz), uma ponte entre este módulo e a biologia das neoplasias.
Células-tronco embrionárias: da massa celular interna do blastocisto, pluripotentes — questões éticas e risco de teratoma.
Células-tronco adultas: nichos de manutenção tecidual — hematopoiéticas (CD34, medula) e mesenquimais.
iPSC (células-tronco pluripotentes induzidas): Takahashi e Yamanaka (Cell, 2006) reprogramaram fibroblastos com apenas 4 fatores — Oct4, Sox2, Klf4 e c-Myc — abrindo a medicina regenerativa sem embriões (Nobel 2012).
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioFerida cutânea em paciente hipoxêmico crônico. Qual fator de crescimento coordena a brotação capilar do tecido de granulação e por qual mecanismo ele é induzido?
2.Prova difícilPor que o TGF-β é chamado de “hormônio da fibrose” nos órgãos cronicamente lesados?
TEV em voos longos e no leito; turbulência em próteses
Hipercoagulabilidade
primária: fator V de Leiden (resistência à proteína C ativada — a mais comum), mutação G20210A da protrombina, deficiências de antitrombina III/proteína C/proteína S, síndrome antifosfolípide · secundária: câncer, gestação, pílula, cirurgia, imobilidade
trombose venosa em jovem sem fator de risco clínico; necrose cutânea pela warfarina (deficiência de proteína C)
2. Morfologia: trombo × coágulo pós-morte
Trombo arterial
Trombo venoso
Coágulo pós-morte
Aspecto
branco-acinzentado, firme
vermelho, mole, “coral” em camadas
gelatinoso, se separa (gordura de frango sobre soro)
Composição
rico em plaquetas (dominadas por TF e turbulência)
rico em fibrina e hemácias (estase)
fibrina e hemácias sem organização
Marcador
LINHAS DE ZAHN (camadas alternadas de plaquetas/fibrina e hemácias)
pode ter linhas de Zahn discretas
SEM linhas de Zahn e SEM aderência à parede
Significado
formado ANTE-MORTEM com fluxo ativo
propaga-se no sentido do fluxo (coração)
não tem significado clínico além de artefato
O destino do trombo: lise (fibrinólise), propagação (cresce a montante), organização (fibrose e ENDOTELIALIZAÇÃO, com possível recanalização — a veia recupera um lúmen) e embolização — o desfecho que muda a clínica. Trombose venosa profunda de membros inferiores é a fonte de praticamente toda embolia pulmonar; a trombose arterial causa infarto no território irrigado.
3. Embolia: o que viaja e para onde vai
Tipo
Origem/clínica
Marcas de prova
Tromboembolismo pulmonar
TVP de membros inferiores (a maioria); 99% dos êmbolos são trombos
dispnéia súbita, taquicardia; êmbolo em sela; a TEV é causa frequente de morte hospitalar evitável (Wendelboe e Raskob, 2016)
Tromboembolismo sistêmico
coração esquerdo (FA com orelheta, IAM com mural, valvopatia), aorta (ateroma), ou PARADOXAL via forame oval patente
fraturas de ossos longos (24–72 h) e lipossução/queimaduras
tríade: dispnéia + PETÉQUIAS em tórax, conjuntivas e retina + trombocitopenia/confusão
Gasosa
doença da descompressão (mergulho — bolhas de nitrogênio); procedimentos/trauma com acesso venoso
dores articulares (Caisson); >100 mL de ar podem ser fatais
Amniótica
parto/cesárea, ruptura uterina
colapso, cianose, dispneia, convulsão + CIVD: material squamoso fetal no leito pulmonar
Tumoral / ateromatosa
invasão venosa; placa aórtica ulcerada
metástases; dedos azuis e livedo (microembolias de colesterol de placa aórtica)
4. Infarto: quase sempre coagulativo, quase sempre em cunha
Branco (anêmico)
Vermelho (hemorrágico)
Circulação
artéria terminal em órgão sólido
circulação dupla ou tecido frouxo
Órgãos
coração, rim, baço
pulmão, fígado; intestino; ovário/testículo em torção venosa
Também é vermelho quando
—
órgão previamente congesto, reperfusão (fibrinólise) ou oclusão venosa
Morfologia
cunha pálida, ápice apontando ao vaso ocluído e base na superfície; necrose de COAGULAÇÃO com borda hiperêmica; depois retrai em cicatriz
o mesmo em cunha, mas vermelho pelo sangue acumulado
5. Coagulação intravascular disseminada (CIVD)
Geração disseminada de trombina (fator tecidual circulante, endotoxina, dano endotelial) consome plaquetas e fatores ao mesmo tempo que ativa a fibrinólise: o paciente MICROTROMBOSA e SANGRA ao mesmo tempo. Petéquias, sangramento de punções e mucosas, necrose digital e renal, hemólise microangiopática (esquistócitos), queda progressiva de plaquetas, TTPa/TP aumentados, fibrinogênio baixo e D-dímero alto.
Grupo de causas
Exemplos
Obstétricas
descolamento prematuro de placenta, feto morto retido, embolia amniótica, aborto séptico, pré-eclâmpsia grave
sepse grave, sobretudo gram-negativos e meningococcemia (a clássica de Waterhouse-Friderichsen)
Lesão tecidual massiva
trauma extenso, queimaduras, cirurgias, picaduras de cobra, envenenamentos
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioJovem, 22 anos, acidente moto com fratura exposta de fêmur. Em 48 h: dispnéia, taquicardia, confusão e petéquias no tórax e conjuntivas; plaquetas 80.000. Qual o diagnóstico e o mecanismo?
2.Prova difícilÀ necropsia, um coágulo no átrio esquerdo mostra camadas alternadas de plaquetas com fibrina e camadas de hemácias. O que esse achado demonstra?
Congestão passiva crônica do PULMÃO: macrófagos com hemossiderina (células de insuficiência cardíaca) e induração marrom.
Congestão passiva crônica do FÍGADO: padrão em NOZ-MOSCADA (centrículos dilatados e congestos alternando-se com parênquima mais claro), com necrose centrilobular e, a longo prazo, fibrose cardíaca (cirrose cardíaca).
3. Choque: as quatro famílias e as três fases
Tipo
Mecanismo
Causas que caem
Cardiogênico (inclui obstrutivo)
bomba falha ou o fluxo está bloqueado
IAM extenso, tamponamento, TEP maciço, pneumotórax hipertensivo, dissecção
vasodilatação (NO, citocinas) com captação defeituosa de O2; o mais comum em hospitalizados
sepse grave; fase inicial QUENTE (hiperdinâmico) que evolui para FRIA
Distributivo — anafilático e neurogênico
liberação masiva de mediadores (IgE/mastócito) ou perda do tônus simpático (lesão medular alta)
anafilaxia; trauma cervical/medular
4. Sepse e choque séptico: Sepsis-3 + Surviving Sepsis 2021
Fluxo da sepse (Sepsis-3, 2016 — condutas SSC 2021)
Infecção suspeita — qual a gravidade e a conduta imediata?
▼
Disfunção aguda: SOFA ≥ 2 (ou queda ≥ 2) = SEPSE
qSOFA (FR ≥ 22, alteração mental, PAS ≤ 100) é instrumento de TRIAGEM rápida — não diagnostica e não deve ser usado isolado (SSC 2021).
Hemoculturas (≥ 2 frascos) ANTES do antimicrobiano, sem atrasar o antibiótico.
Antimicrobiano de amplo espectro em ≤ 1 h na sepse provável/choque.
Hipoperfusão: cristaloide 30 mL/kg IV nas primeiras 3 h; reanimação guiada pela normalização do lactato.
VASOPRESSOR para MAP ≥ 65 + lactato > 2 mmol/L persistente após volume = CHOQUE SÉPTICO
Noradrenalina é a primeira linha (mortalidade hospitalar > 40% nesse cenário).
Hidrocortisona 200 mg/dia IV se choque dependente de vasopressor.
Dobutamina se disfunção cardíaca com hipoperfusão persistente; dopamina saiu de cena por arritmias.
Sem disfunção orgânica: apenas INFECÇÃO
Tratar a infecção conforme síndrome e risco; reavaliar precocemente se surgir disfunção.
Buscar o foco e controlar a fonte (drenagem, remoção de dispositivo).
5. A morfologia do choque: onde cada órgão quebra
Rim: necrose tubular aguda (lesão tubular) — o achado mais típico; oligúria e crescente elevação de creatinina.
Pulmão: síndrome do desconforto respiratório agudo — membranas hialinas e dano alveolar difuso.
Fígado: necrose centrilobular (zona 3, a mais hipóxia-vulnerável) — transaminases e coagulopatia.
Adrenais: hemorragia bilateral na meningococcemia fulminante — Waterhouse-Friderichsen (colapso vascular por insuficiência adrenal aguda).
Trato gastrointestinal: úlceras de estresse e enteropatia hemorrágica; cérebro: encefalopatia hipóxico-isquêmica.
O resultado final é a disfunção de múltiplos órgãos — o prognóstico cai a cada órgão que falha.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 68 anos, pneumonia grave: FR 30, PAS 78/40 persistente após 30 mL/kg de cristaloide, lactato 4,2 mmol/L, iniciada noradrenalina para MAP 68 mmHg. Pela Sepsis-3, o diagnóstico e o marcador definidor são:
2.AvançadoAdolescente com meningococcemia fulminante evolui com colapso vascular refratário e óbito. O achado necroscópico que explica o choque por insuficiência adrenal aguda é:
Displasia é a desorganização arquitetural e citológica CONFINADA ao epitélio; quando atinge toda a espessura sem romper a membrana basal é CARCINOMA IN SITU (estadio 0 — potencialmente curável com ressecção completa); rompida a basal, é carcinoma INVASIVO. Graduação (G) avalia diferenciação histológica (bem → pouco diferenciado/anaplásico; escores específicos: Gleason na próstata); estadiamento (TNM) mede extensão anatômica — T (tamanho/invasão local), N (linfonodos regionais), M (metástase à distância), consolidado pelo AJCC (8ª edição). Em geral o ESTÁDIO pesa mais no prognóstico e define o tratamento — e a prova troca os dois conceitos.
4. Disseminação: rotas e padrões de terreno
Rota
Regra geral
Padrões clássicos
Linfática
a via preferida dos CARCINOMAS — primeiro linfonodo regional (sentinela)
mama → linfonodos axilares; estômago → Virchow (supraclavicular esquerdo)
Hematogênica
a via clássica dos SARCOMAS; destinos preferenciais: pulmão, fígado, osso, cérebro
carcinoma renal e hepatocarcinoma invadem a VEIA renal/VCI; cólon → fígado (via porta); pulmão → adrenal e cérebro; mama → osso, pulmão, fígado, cérebro
próstata → ossos pélvicos e lombares, blásticas (PSA e fosfatase alcalina altas)
5. Consequências clínicas: local, hormonal, paraneoplásico e caquexia
Locais: obstrução (carcinoma de cólon), ulceração e sangramento (GI), compressão de nervos com dor, infarto e infecção secundária.
Síndromes paraneoplásicas (minoria dos pacientes, na casa de 10%): HIPERCALCEMIA por PTHrP (carcinoma epidermoide de pulmão, renal), SIADH com hiponatremia (carcinoma de pequenas células), Cushing por ACTH ectópico (pequenas células), eritrocitose por EPO (carcinoma renal, hemangioblastoma, hepatocarcinoma), tromboflebite migratória (Trousseau), Lambert-Eaton, acantose nigricans.
Caquexia (Baracos, 2018): perda de peso com depleção muscular e anorexia, mediada por TNF, IL-6 e alterações metabólicas (proteólise e ciclo de Cori reativado) — frequente em cânceres GI e pulmão avançados, e NÃO se reverte apenas com suplementação calórica.
Febre tumoral, anemia de doença crônica e estado de hipercoagulabilidade completam o quadro sistêmico.
6. Epidemiologia: os números de cabeceira
GLOBOCAN 2022 (Bray e cols., 2024): cerca de 20 milhões de casos novos e 9,7 milhões de mortes por câncer por ano no mundo; o pulmão lidera a mortalidade (~1,8 milhão de óbitos/ano) e a mama é a neoplasia mais incidente em mulheres. O câncer é a segunda causa de morte no Brasil e no mundo, atrás das doenças cardiovasculares — e parte substancial das mortes liga-se a fatores evitáveis (tabaco, álcool, infecções, obesidade). No Brasil, as estimativas do INCA apontam mama e próstata como os mais incidentes, com carga crescente ligada ao envelhecimento populacional.
7. Oncogênese: driver, supressores e cuidadores
O câncer é doença genética SOMÁTICA: a maioria das mutações é passageira (passenger) e só as poucas MOTORISTAS (driver) conferem vantagem proliferativa, de sobrevivência ou de invasão. Três classes de genes, três lógicas de ativação: proto-oncogenes dominantes (uma cópia ativada basta — gain of function), supressores tumorais recessivos (as duas cópias precisam se perder — two hits de Knudson, modelados no retinoblastoma) e genes cuidadores do reparo de DNA (mutadores: elevam a taxa de novas mutações).
Classe
Como se altera
Exemplos que caem
Proto-oncogene (dominante)
mutação pontual ativadora · amplificação · translocação que junta a promotores ativos
RAS (a família mais mutada; KRAS em ~90% dos adenocarcinomas pancreáticos) · MYC t(8;14) Burkitt · BCR-ABL t(9;22) LMC (imatinibe) · HER2 amplificado na mama (trastuzumabe) · MYCN no neuroblastoma
Supressor tumoral (recessivo, two-hit)
deleção, mutação, metilação do promotor; às vezes haploinsuficiência ou efeito dominante negativo (TP53)
MMR (Lynch: MSI-alto, cólon direito e endométrio — e os tumores que melhor respondem à imunoterapia) · NER (xerodermia pigmentar × UV) · BRCA1/2 (reparo por recombinação homóloga — alvo dos inibidores de PARP)
Os hallmarks organizados em 4 blocos de leitura
O que o clone precisa adquirir para virar câncer (Hanahan e Weinberg 2011; Hanahan 2022)?
▼
Crescer sem freio e sem prazo
Autossuficiência em sinais proliferativos (RAS, MYC, HER2).
Insensibilidade a supressores (perda de RB e de TP53).
Replicação ilimitada: telomerase reativada na grande maioria dos tumores.
Resistência à apoptose (BCL-2 alto; via extrínseca bloqueada).
Montar terreno e metabolismo próprio
Angiogênica sustentada (VEGF — alvo do bevacizumabe).
Reprogramação metabólica: efeito Warburg (glicólise aeróbica — base do PET com FDG).
Invasão e metástase: perda de E-cadherina, transição epitélio-mesênquima, metaloproteinases.
Escapar do sistema imune e montar o microambiente
Evasão da destruição imune: PD-L1/PD-1 e CTLA-4 — os alvos dos inibidores de checkpoint.
Células senescentes e plasticidade fenotípica como resistência (novas dimensões de 2022).
As 2 características capacitadoras
Instabilidade genômica e mutação (TP53, cuidadores).
Inflamação promotora de tumor (macrófagos M2, citocinas, ROS — a ponte com o módulo de inflamação).
8. Modelo multietapas: o cólon como aula particular (Fearon e Vogelstein, 1990)
Epitélio colônico normal → perda do APC (5q) → ADENOMA precoce (a proliferação descontrolada começa de modo silencioso).
→ mutação ativadora de KRAS → adenoma avançado (crescimento e displasia).
→ perda de 18q (SMAD4/DCC) e, por fim, perda do TP53 (17p) → CARCINOMA.
→ acumulo de mais alterações (metilação, MSI, angiogênese) → invasão e metástase.
Moral da história para a prova: a sequência é ORDENADA e a primeira alteração é APC — a banca inverte a ordem para derrubar candidato; e a mesma lógica multietapas explica por que o câncer é doença de LATÊNCIA LONGA e mais comum em idosos.
9. Carcinógenos: químicos, físicos e biológicos
Agente
Mecanismo onde couber
Câncer típico
Tabaco (hidrocarbonetos policíclicos e mais de 70 carcinógenos)
iniciador e promotor; lesão de DNA por adutos
pulmão, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas
Aflatoxina B1 (Aspergillus em grãos/amendoim)
mutação hotspot R249 do TP53
carcinoma hepatocelular (sinérgico com HBV)
Álcool
efeito carcinogênico direto + solvente + deficiência de folato
esôfago, fígado, mama, colorretal
Asbesto/amianto
fibras induzem mesotelioma
mesotelioma pleural; carcinoma de pulmão (sinérgico com tabaco)
Vinil cloreto, arsênio, aminas aromáticas
metabólitos alquilantes (ativação por CYP2E1/N-hidroxilação) formam adutos de DNA
angiossarcoma hepático · câncer de pele · bexiga (trabalhadores de tinturaria/borracha)
Radiação UVB
dímeros de pirimidina (CC→TT); falha do NER na xerodermia pigmentar
basocelular, espinocelular, melanoma
Radiação ionizante
quebras de dupla fita
leucemia, tireoide (acidentes/infância), mama
HPV 16/18
E6 degrada TP53 · E7 inativa RB
carcinoma do colo do útero, orofaringe, anal
EBV · HTLV-1 · HHV-8
vírus oncogênicos diretos
Burkitt/nasofaringe/Hodgkin · leucemia/linfoma T do adulto · sarcoma de Kaposi
HBV/HCV
cirrose + regeneração crônica + integração viral
carcinoma hepatocelular
H. pylori · Opisthorchis/Clonorchis · Schistosoma haematobium
inflamação crônica promovedora
linfoma MALT e adenocarcinoma gástrico · colangiocarcinoma · carcinoma escamoso da bexiga
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 28 anos, cisto ovariano unilocular com cabelo, sebo, dentes e tecido tireoidiano. Qual a natureza da lesão e sua classificação?
2.Prova difícilNa via de carcinogênese colorretal descrita por Fearon e Vogelstein (1990), qual é a PRIMEIRA alteração genética, e o que ela produz?
45,X — a única monossomia viável (mosaicos frequentes)
baixa estatura, pescoço alado, linfedema neonatal, coarctação da aorta, gônadas em fita (infantilismo, infertilidade)
Klinefelter
47,XXY
alto, hipogonadismo hipergonadotrófico, ginecomastia, testículos pequenos e inférteis, cromatina sexual presente
2. Aberrações estruturais e as ferramentas diagnósticas
Deleção: cri-du-chat (5p−, choro de miado, deficiência intelectual grave); microdeleção 22q11.2 (DiGeorge: timo/paratireoides hipoplásicos → hipocalcemia e defeitos cardíacos conotruncais).
Duplicação, inversão (a pericêntrica do 9 é polimorfismo benigno comum), cromossomo em anel e isocromossomo.
Translocação RECÍPROCA (balanceada: portador saudável, mas abortos/ filhos anormais) × ROBERTSONIANA (entre acrocêntricos; portador de t(14;21) tem risco recalculado de Down na prole — a hereditária que a prova cobra).
Ferramentas em ordem de resolução: cariótipo (bandeamento, ~5–10 Mb), FISH (sonda dirigida), microarray/SNP-array (CNVs submicroscópicos), exoma/genoma (mutações em base).
3. Heranças mendelianas e as pistas do heredograma
Padrão
Lógica
Exemplos e pistas de prova
Autossômica dominante (AD)
uma cópia basta; transmissão vertical pai↔filho; penetrância incompleta e expressividade variável
homens doentes, mulheres portadoras (sem transmissão pai→filho)
distrofia de Duchenne (distrofina; CK alta, sinal de Gowers, pseudotrofismo de panturrilha) · hemofilia A (fator VIII) · daltonismo · G6PD
Dominante ligada ao X (DLX)
homens mais grave, frequentemente letais
Rett (MECP2 — meninas: regressão, estererotipias manuais) · raquitismo hipofosfatêmico resistente à vitamina D
Mitocondrial (materna)
transmite-se só pela mãe; HETEROPLASMIA explica gravidade variável
MELAS · MERRF · neuropatia ótica hereditária de Leber (cegueira)
4. Doenças multifatoriais e os defeitos do tubo neural
Multifatoriais = muitos genes de pequeno efeito + ambiente, com efeito LIMIAR (diabetes, hipertensão, fendas orais, defeitos do tubo neural — DTN). O tubo neural fecha entre os dias 26 e 28 pós-concepção: falha rostral = ANENCEFALIA (incompatível com a vida extrauterina); falha caudal = ESPINHA BÍFIDA (oculta assintomática; cística/mielomeningocele com déficit neurológico). O ácido fólico pré-concepcional é a intervenção que define a prevenção: o MRC Vitamin Study (Lancet, 1991) mostrou redução de ~72% na RECORRÊNCIA com 4 mg/dia antes e no 1º trimestre; a dose de população é 400 µg/dia para toda mulher em idade fértil — e no Brasil as farinhas de trigo e milho são fortificadas obrigatoriamente desde 2004.
5. Teratogenia: a janela define o defeito
Janela (semanas gestacionais)
Sensibilidade
Consequência
1–2 (pré-implantação/embrião inicial)
baixa — lei do tudo ou nada
ou o embrião morre/reabsorve, ou se recupera integralmente
3–8 (ORGANOGÊNESE)
MÁXIMA
malformações maiores estruturais — a janela dos teratógenos clássicos
9–40 (fetal)
menor, mas real
retardo de crescimento, déficits de histogênese (SNS) e teratogênese funcional (genitália, rins)
Álcool: síndrome alcóolica fetal — fendas palpebrais curtas, filtro liso, microcefalia; uma das principais causas PREVENÍVEIS de deficiência intelectual.
Talidomida: focomelia/defeitos de membros; isotretinoína: SNC e craniofaciais (contraindicada na gestação); valproato: DTN; lítio: anomalia de Ebstein.
Varfarina: hipoplasia nasal e epífises pontilhadas; inibidores da ECA/antagonistas do AT1: anúria fetal e insuficiência renal (2º–3º trimestres).
Infecções: rubéola (catarata, surdez, persistência do ducto arterioso), toxoplasmose (coriorretinite, calcificações cerebrais), citomegalovírus, sífilis e Zika (microcefalia — epidemia brasileira de 2015).
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 6 anos com hipotonia neonatal, hiperfagia progressiva com obesidade central, baixa estatura e hipogonadismo. O mecanismo genético é:
2.FundamentalAdolescente do sexo masculino, 17 anos, altura acima do esperado para a família, ginecomastia, testículos de volume reduzido, infertilidade e queixa de pouca libido. Cariótipo esperado e achado de citogenética:
obesidade e síndemia global · marasmo × kwashiorkor · vitaminas e minerais (tabela) · tabaco e álcool · calor e frio (Epstein/Brown) · radiação (determinístico × estocástico) · tóxicos ambientais · biologia do envelhecimento e senescência
Obesidade (OMS)
IMC ≥ 30
grau III ≥ 40; sobrepeso 25–29,9
Insolação (heat stroke)
> 40 °C + SNC
resfriamento imediato abaixo de ~39 °C
Hipotermia grave
< 28 °C
onda J de Osborn, risco de arritmia
Mortalidade (Gompertz)
dobra ~8/8 anos
após os ~30 anos
1. Obesidade: a doença nutricional do século
Obesidade é doença crônica, recorrente e tratável, definida pela OMS como IMC ≥ 30 kg/m² (grau III ≥ 40; sobrepeso 25–29,9) — a medida central (circunferência abdominal) marca melhor o risco cardiometabólico. A Lancet Commission (Swinburn, 2019) cunhou a SINDEMIA GLOBAL: obesidade, desnutrição e mudança climática como pandemias entrelaçadas, movidas por sistemas de alimentação ultraprocessada e inatividade. Fisiopatologicamente, o adipócito hipertrófico é um órgão endócrino inflamado: TNF e IL-6 crônicos (inflamação de baixo grau), resistência à insulina, dislipidemia, HAS, esteatose hepática metabólica, apneia do sono e maior risco de cânceres (esôfago, cólon, pâncreas, fígado, mama pós-menopausa, endométrio, rim).
escorbuto: gengivas sangrantes, petéquias perifoliculares, cabelos em espiral, feridas que não cicatrizam (colágeno!)
diarreia e oxalatúria
Ferro
anemia microcítica hipocrômica — a deficiência nutricional mais comum do mundo
hemocromatose/sobrecarga
Iodo
bócio e cretinismo (deficiência intelectual congênita evitável mais comum)
o excesso também causa bócio (efeito Wolff-Chaikoff)
Zinco
acrodermatite enteropática, imunidade baixa e má cicatrização
—
Selênio
cardiomiopatia de Keshan (áreas de solo pobre)
—
4. Tabaco e álcool
Tabaco: CO (carboxi-hemoglobina e hipóxia tissular), nicotina (dependência e vasoconstrição) e alcatrão com hidrocarbonetos — DPOC, aterosclerose acelerada (lesão endotelial — tríade de Virchow) e cânceres de pulmão, bexiga, laringe, esôfago, pâncreas; a maior causa PREVENÍVEL de morte no mundo.
Álcool: esteatose → esteatohepatite → cirrose (a via do módulo 1 ao 3); cânceres (fígado, esôfago, mama); Wernicke-Korsakoff por tiamina; hepatotoxicidade direta dose-dependente — não há limiar seguro estabelecido.
Intoxicação por monóxido: a pele pode assumir cor cereja, com carboxiHb elevada — o CO liga a hemoglobina com afinidade ~200–250× maior que a do O2 (tratamento: O2 a 100%, normo ou hiperbárico).
5. Calor e frio (Epstein e Yanovich, NEJM 2019; Brown, NEJM 2012)
Entidade
Definição
Conduta que cai
Cãibras de calor
déficit de sódio/água após esforço
repouso em ambiente fresco, reposição eletrolítica
Exaustão de calor
depleção volêmica com temperatura < 40 °C e SNC ÍNTEGro
resfriamento, reposição — evolui se ignorada
INSOLAÇÃO (heat stroke)
temperatura central > 40 °C + DISFUNÇÃO DO SNC (confusão, convulsão, coma); classic vs esforçativo, pele seca ou suada
EMERGÊNCIA: resfriamento imediato (imergão/evaporação) até < ~39 °C, suporte de órgãos — rabdomiólise, falência renal e hepática; antitérmicos NÃO funcionam
Hipotermia leve (32–35 °C)
tremor intenso, taquicardia
reaquecimento externo passivo/ativo, monitorar
Hipotermia moderada (28–32 °C) e grave (< 28 °C)
rebaixamento de consciência, ONDA J de Osborn no ECG, risco de fibrilação ventricular
reaquecimento ativo; manuseio gentil para não desencadear arritmias — “não está morto até estar quente e morto”
6. Radiação e tóxicos ambientais
Efeitos DETERMINÍSTICOS (com limiar de dose): catarata, esterilidade, fibrose tecidual e a síndrome aguda da radiação — hematopoiética (≈2–10 Gy: pancitopenia, infecção e sangramento nas semanas seguintes), gastrointestinal (acima de ~10 Gy: denudação da mucosa, sepse, morte em dias) e neurológica/vascular (acima de ~20–30 Gy: edema cerebral, convulsões, morte em horas).
Efeitos ESTOCÁSTICOS (sem limiar assumido, probabilidade cresce com a dose): câncer (leucemia, tireoide, mama) e mutações germinativas — a lógica da proteção radiológica.
UVB: dímeros de pirimidina; a xerodermia pigmentar (defeito do reparo por excisão de nucleotídeos) é o modelo — cânceres de pele precoces; radão domiciliar: segunda causa de câncer de pulmão em não fumantes.
Chumbo: anemia com pontuado basófilo, neuropatia (queda de punho no adulto), cólicas, gota saturnina; na criança, atraso do neurodesenvolvimento; linha de Burton na gengiva.
Arsênio: queratoses palmo-plantares e câncer de pele; mercúrio (tremor, eretismo); cádmio e berílio: doença pulmonar crônica.
7. Envelhecimento: os 12 hallmarks e o trade-off da senescência (López-Otín, 2023)
Envelhecimento não é doença, mas compartilha mecanismos com todas as doenças crônicas: é a perda progressiva da reserva fisiológica (homeostenose). A mortalidade aproximadamente dobra a cada 8 anos após os 30 (lei de Gompertz). Os 12 hallmarks (López-Otín e cols., Cell 2023) organizam os mecanismos: instabilidade genômica, encurtamento de telômeros, alterações epigenéticas, perda de proteostase, desregulação da sensibilidade a nutrientes (mTOR/IGF-1/insulina), disfunção mitocondrial, SENESCÊNCIA CELULAR, exaustão de células-tronco e comunicação intercelular alterada — aos nove originais somaram-se três novos em 2023: autofagia desativada, INFLAMAÇÃO CRÔNICA (o inflammaging, Furman 2019) e DISBIOSE.
Telômeros: o limite de Hayflick (~50 duplicações de uma célula somática) — cada divisão gasta as repetições teloméricas; a telomerase, reativada na grande maioria dos cânceres, compra imortalidade replicativa (o hallmark que liga velhice e câncer).
Senescência celular: parada de ciclo dependente de p16 e p21 após dano ou ativação oncogênica (OIS) — um FREIO de tumor; mas a célula senescente segrega SASP (IL-6, IL-8 e metaloproteinases), que cronicamente alimenta inflamação, fibrose e tumor — o mesmo mecanismo como freio e como motor.
Síndromes progeroides: Hutchinson-Gilford (criança, LMNA de novo) e Werner (adulto, WRN — helicase): envelhecimento acelerado que valida os mecanismos.
Perspectivas de intervenção: restrição calórica, inibição de mTOR (rapamicina), senolíticos e reprogramação — ainda experimentais, mas a prova já cita os alvos.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 48 anos, etilista crônico e desnutrido, trazido confuso após ser encontrado em via pública; recebe glicose hipertônica IV na emergência e evolui com piora abrupta: ataxia, oftalmoplegia e confusão profunda. Qual a medida que faltou antes da glicose?
2.FundamentalCriança de 2 anos de área de pobreza, dieta baseada em farináceos com aporte calórico mantido; apresenta edema que começa nos pés, abdome globoso, apatia, cabelo despigmentado e frágil e dermatose descamativa “em tinta que descasca”. Diagnóstico e o achado hepático esperado:
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Lesão e morte celular
Hipóxia derruba o ATP e incha a célula; sem membrana é necrose (coagulativa em tudo, menos no SNC) e com caspases é apoptose silenciosa; calcificação distrófica tem Ca normal.
Padrões de necrose com exemplo; vias da apoptose; BCL-2/t(14;18)
02 Inflamação
Vasodilatação e permeabilidade recrutam o neutrofilo (selectinas → integrinas → diapedese); mediadores dividem o trabalho; a crônica granuloma e fibrosa.
Moléculas de adesão; DGC (catalase-positivos); padrões do exsudato; granulomas
03 Reparo e regeneração
Lábil regenera, estável regenera se a matriz existe, permanente cicatriza; TGF-β é o hormônio da fibrose; granulação é capilar + fibroblasto + colágeno III.
Classes de tecido; força 10% na 1ª semana; queloide × hipertrófica
04 Trombose e embolia
Virchow decide onde: lesão (arterial), estase (venosa), hipercoagulabilidade; linhas de Zahn provam trombo em vida; infarto é cunha coagulativa — exceto cérebro.
Tipos de embolia; infarto branco × vermelho; CIVD; Trousseau
05 Edema e choque
Edema por pressão é transudato, por permeabilidade é exsudato; choque compensado engana a PA; sepse é SOFA ≥ 2 e o choque séptico é vasopressor + lactato > 2.
Clone autônomo que acumula drivers: oncogene dominante, supressor recessivo, cuidador mutador; a via colorretal APC → KRAS → TP53 é o roteiro da ordem.
Nomenclatura e exceções; TNM × graduação; paraneoplásicos; E6-p53/E7-Rb
07 Genética e desenvolvimento
Cariótipo e herança decidem o fenótipo; imprinting troca Prader (paterno) por Angelman (materno); folato fecha o tubo neural antes do teste de gravidez positivo.
Down/Turner/Klinefelter; trinucleotídeos; janelas de teratogenia
08 Ambiente, nutrição e velhice
Obesidade é inflamação crônica; kwashiorkor tem edema; calor > 40 °C + SNC é emergência; envelhecer é telômero, senescência e inflammaging.
Tabela de vitaminas; heat stroke × exaustão; 12 hallmarks do envelhecimento
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
Necrose — núcleo
picnose → cariorrexe → cariólise
Inflamação aguda — células
neutrófilo nas primeiras 24–48 h; macrófago a partir de 48–72 h
PCR
sobe em 24–48 h; meia-vida ~19 h (melhor que VHS para monitorar)
Força da cicatriz
≈ 10% na 1ª semana; máximo de ~70–80% da pele normal
Turnover do miocárdio
~1%/ano no adulto jovem; < 0,5% após os 75 (Bergmann)
Embolia gordurosa
24–72 h após fratura de osso longo
Infarto — microscopia
necrose visível após ~4–12 h (miocárdio)
Sepse (Sepsis-3)
infecção + SOFA agudo ≥ 2; qSOFA é só triagem
Choque séptico
vasopressor para MAP ≥ 65 mmHg + lactato > 2 mmol/L após volume
SSC 2021
antimicrobiano ≤ 1 h · cristaloide 30 mL/kg em 3 h · hidrocortisona 200 mg/dia se dependente
Câncer no mundo
~20 milhões de casos e ~9,7 milhões de mortes/ano (GLOBOCAN 2022)
Via colorretal
APC (1º) → KRAS → 18q/SMAD4 → TP53 → carcinoma
Tubo neural
fechamento dias 26–28; folato 400 µg/dia; 4 mg/dia reduz recorrência em ~72% (MRC 1991)
Teratogenia — janela máxima
semanas 3–8 (organogênese); 1–2 tudo-ou-nada
Obesidade
IMC ≥ 30 (grau III ≥ 40); sobrepeso 25–29,9
Insolação
temperatura central > 40 °C + disfunção do SNC; resfriar até < ~39 °C
Hipotermia
leve 32–35 · moderada 28–32 · grave < 28 °C (onda J de Osborn)
Envelhecimento
lei de Gompertz: mortalidade dobra ~a cada 8 anos após os 30; Hayflick ~50 duplicações
Macetes que salvam
Macete
Regra
Coagulativa em tudo, liquefativa no SNC
a única exceção do padrão de necrose isquêmica que a prova precisa.
E6–p53 e E7–Rb (HPV)
E6 degrada o p53 (o “guardião”) e E7 inativa o Rb — decore o par por extenso.
PRADER é PATERNO
no imprinting de 15q: deleção paterna = Prader-Willi; materna = Angelman.
CAG-CTG-CGG-GAA
Huntington · miotônica · X frágil · Friedreich — as repetições em ordem de prova.
Iniciador muta, promotor multiplica
um é irreversível (uma dose basta); o outro é reversível e repetido — por isso a latência é longa.
Pressão é transudato, parede furada é exsudato
proteína < 3 g/dL contra > 3 g/dL resolve qualquer líquido.
Tiamina antes da glicose
no alcoólatra desnutrido, sempre — senão Wernicke na sua mão.
Senescência: freio de tumor, motor de velhice
o mesmo p16/p21 com SASP — o trade-off que organiza o capítulo final.
As pegadinhas mais cobradas
Necrose caseosa NÃO é apoptose nem necrose “comum”: exige granuloma (TB até prova em contrário).
Apoptose não gera inflamação — Councilman e tingible body são apoptose, e a prova os mistura com necrose.
Calcificação distrófica tem cálcio sérico NORMAL (tecido doente); metastática tem cálcio ALTO (tecido são).
LAD-1 é infecção SEM pus (CD18); DGC é abscesso COM catalase-positivos (NADPH oxidase) — a banca inverte.
AINH não corta leucotrienos (só COX); corticoide corta fosfolipase A2 e desliga tudo.
Fígado é tecido ESTÁVEL e regenera; coração é PERMANENTE e cicatriza (~1%/ano não salva o infarto).
Queloide ULTRAPASSA as bordas; hipertrófica fica dentro — o critério é físico, não estético.
Coágulo pós-morte não tem linhas de Zahn nem aderência — só o trombo de vida tem as camadas.
Infarto pulmonar e hepático são VERMELHOS (circulação dupla); coração, rim e baço são brancos.
qSOFA não diagnostica sepse (Sepsis-3) e PA normal não exclui choque compensado.
Linfoma, melanoma, mesotelioma, seminoma e mieloma são MALIGNOS apesar do -oma.
Na via colorretal a PRIMEIRA alteração é APC — a banca oferece KRAS e TP53 como isca.
Folato corrige a anemia da B12 e deixa a neuropatia correr — repõe B12 quando não souber a causa.
Marasmo não tem edema; kwashiorkor tem — o edema decide a questão de desnutrição.
Antitérmico não trata insolação: o problema é calor, não o ponto de ajuste hipotalâmico.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda célula com hipóxia: ATP cai, incha; se a membrana rompe, necrose com inflamação e liberação de enzimas no soro.
Toda inflamação que não resolve: vira crônica, granuloma quando o agente intracelular persiste, e fibrose via TGF-β.
Todo tecido lesado: pergunte a classe (lábil/estável/permanente) antes de prometer regeneração.
Todo trombo: tríade de Virchow; toda embolia pulmonar vem de veia de perna até pensar em outra fonte.
Toda sepse: SOFA ≥ 2, culturas antes do antibiótico (sem atrasá-lo), reposição de 30 mL/kg e noradrenalina como primeira linha.
Todo câncer: clone em evolução — nomenclatura primeiro (exceções -oma), depois mecanismo (driver) e rota de disseminação.
Toda mulher em idade fértil: folato 400 µg/dia antes de conceber; todo teratógeno: a janela 3–8 semanas é a de máximo risco.
Todo paciente idoso: senescência, inflammaging e comorbidades — idade é o maior fator de risco de câncer porque a carcinogênese é lenta e cumulativa.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Hepatócito eosinofílico arredondado na hepatite viral
Apoptose (corpúsculo de Councilman)
Necrose em queijo com células gigantes de Langhans
Tuberculose (necrose caseosa)
Criança com abscessos por S. aureus e Aspergillus e NBT negativo
Doença granulomatosa crônica
Ferida exuberante que ultrapassa as bordas da cicatriz
Queloide
Fratura de fêmur + petéquias + dispnéia em 48 h
Embolia gordurosa
Paciente séptico com vasopressor e lactato 4
Choque séptico (Sepsis-3)
Homem com câncer de pulmão epidermoide e hipercalcemia com PTH baixo
PTHrP paraneoplásico
Obesidade central + hiperfagia + hipogonadismo na infância
Prader-Willi (deleção paterna 15q)
Criança desnutrida com edema e fígado gorduroso
Kwashiorkor
Etilista que piora após glicose IV
Wernicke — tiamina antes da glicose
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioHomem, 70 anos, com aterosclerose avançada: placa coronariana calcificada e válvula aórtica esclerocalcificada, com cálcio sérico total 9,2 mg/dL. Qual o tipo de calcificação e sua lógica?
2.Prova difícilPaciente com asma aspirínica: AINH desencadeia broncoespasmo por desvio do ácido araquidônico para a via da 5-lipoxigenase. Qual anti-inflamatório reduz simultaneamente prostaglandinas e leucotrienos, e por quê?
3.FundamentalApós hepatectomia parcial de doador, o fígado remanescente recupera a massa em semanas. Quanto à capacidade proliferativa, fígado e QUAL outro exemplo pertencem à mesma classe (tecido estável)?
4.IntermediárioHomem, 66 anos, adenocarcinoma de pâncreas recém-diagnosticado, apresenta tromboflebites superficiais migratórias sucessivas em membros inferiores. Qual o mecanismo da trombose?
5.AvançadoMulher, 62 anos, sepse urinária: após 30 mL/kg de cristaloide segue com MAP 56 mmHg, lactato 5 mmol/L, FC 118. Vasopressor de primeira linha e alvo, conforme Surviving Sepsis 2021:
6.AvançadoHomem, 68 anos, massa pulmonar central: hiponatremia 124 mEq/L, osmolalidade sérica baixa, osmolalidade urinária alta, euvolemia clínica, função tireoidiana e adrenal normais. Qual o mecanismo paraneoplásico?
7.Prova difícilFamília com doença de Huntington: avó iniciou sintomas aos 52 anos, o pai aos 36 e o filho aos 24, com gravidade crescente. Qual o fenômeno genético e seu substrato?
8.FundamentalTrabalhador rural colapsa no pico do calor: confuso, temperatura retal 41,2 °C, pele quente. Além do suporte de vias aéreas e volume, qual a intervenção que define o prognóstico?
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-B · 4-A · 5-B · 6-B · 7-C · 8-B
Referencial teórico
27 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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