Baseado nos artigos publicados da matéria Otorrinolaringologia da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — AAO-HNS 2014–2022, AAP 2013, IDSA 2012, EPOS 2020, Cochrane 2023, revisões NEJM/JAMA/Lancet (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Otites: média aguda, efusão e externa
fisiopatologia tubária · critérios AAP 2013 · antibioticoterapia × observação (receita) · falha terapêutica · otite média com efusão e tubos · otite externa e otite externa necrosante · complicações
Amoxicilina OMA
80–90 mg/kg/dia
VO, dividida 2x/dia — 1ª linha
OMA grave
≥ 39 °C
ou otalgia moderada-grave ≥ 48 h
OE — tratamento
7–10 dias
tópico; sistêmico só em exceções
OME + tubo
≥ 3 meses
efusão bilateral com déficit auditivo
1. OMA: diagnóstico com 3 componentes (AAP 2013)
1. Início agudo de sinais e sintomas (horas a poucos dias).
2. Presença de EFUSÃO no ouvido médio: abaulamento da membrana timpânica (o sinal mais confiável), nível hidroaéreo, bolhas, ou otorreia aguda não traumática.
3. Sinais/sintomas de inflamação do ouvido médio: otalgia moderada a grave (≥ 48 h ou intensa o suficiente para acordar/desorganizar o sono) OU febre ≥ 39 °C.
O abaulamento timpânico com perda dos reflexos e da mobilidade à PNEUMATOSCOPIA é o achado que distingue OMA de simples otite média com efusão (OME) viral de vias aéreas — a otoscopia com insuflação é o exame semiológico de maior valor, e a perda de mobilidade da membrana indica efusão, não necessariamente infecção bacteriana aguda.
2. Antibioticoterapia × observação: quem decide é a idade, a bilateralidade e a gravidade
Fluxo terapêutico da OMA (AAP 2013)
Criança com OMA confirmada — antibioticoterapia imediata ou observação?
▼
ANTIBIÓTICO IMEDIATO
Todos < 6 meses; todos < 2 anos com OMA bilateral ou com otorreia.
Qualquer idade com sintomas graves: otalgia moderada-grave ≥ 48 h ou febre ≥ 39 °C.
OPÇÃO DE OBSERVAR 48–72 h (com analgesia e reavaliação)
Criança ≥ 2 anos (alguns protocolos ≥ 6 meses) com OMA unilateral LEVE, sem otorreia e sem critério de gravidade.
Só se acompanhamento garantido e início de sintomas < 48 h; prescrever analgesia e plano de resgate.
SE PIOROU OU NÃO MELHOROU EM 48–72 h
Iniciar/trocar antibiótico (o quadro era bacteriano ou o agente resistiu).
3. Otite média com efusão (OME): ouvir é diferente de infectar
Efusão ESTÉRIL persistente após OMA ou por disfunção tubária; sem sinais agudos — abaulamento discreto, membrana amarelada, conduta auditiva reduzida.
Conduta inicial: observação por 3 meses (a maioria regride) + reavaliação auditiva/fala; autoinsuflação é opção.
Tubos de ventilação (AAO-HNS 2022): indicados na efusão BILATERAL ≥ 3 meses com déficit auditivo documentado, ou OMA recorrente (≥ 3 em 6 meses ou ≥ 4 em 12 meses) com efusão à avaliação.
Com tubo: gotas antibióticas tópicas só se otorreia; precaução rotineira com água (protetor auricular) NÃO é recomendada.
4. Otite externa difusa (AAO-HNS 2014): dor no trágus, gota no conduto
Diagnóstico: DOR à tração do pavilhão ou à palpação do trágus (o sinal que diferencia da OMA) + prurido, início < 48 h, sintomas < 3 semanas, edema/eritema do conduto com ou sem otorreia.
Tratamento: TOPO 7–10 dias (gotas com quinolona ± corticoide), após limpeza/toalete do conduto; analgesia real (AINE/opioide se necessário — a dor é intensa).
Antibiótico SISTÊMICO não é rotina: reservar para celulite fora do conduto, imunossupressão, diabetes ou falha do tópico.
Prevenção: secar os ouvidos após natação, evitar hastes e instrumentos, apenas toalha.
Quadro
Dor
Achado-chave
1ª linha
OMA
otalgia contínua, febre
membrana timpânica abaulada, imóvel à pneumatoscopia
amoxicilina 80–90 mg/kg/dia
OME
indolor ou plenitude
efusão sem inflamação aguda, > 3 meses
observação ± tubos de ventilação
OE difusa
dor à tração do pavilhão/palpação do trágus
conduto edemaciado, debris, prurido
gotas tópicas 7–10 dias
OE necrosante
dor desproporcional, noturna
granulação na junção óssea, DM/imunossupressão
anti-pseudomonas sistêmico + imagem
Miringite bolhosa
otalgia intensa
bolhas hemorrágicas na membrana
analgesia + antibiótico de OMA se indicado
Mastoidite
otalgia + retroauricular
orelha em abano, abaulamento retroauricular
hospitalização + antibiótico IV ± drenagem
5. Complicações da OMA: a criança não melhorou — e agora?
Persistência de febre e otalgia além de 48–72 h de tratamento adequado, ou surgimento de abaulamento retroauricular (orelha em abano/proptose do pavilhão), paralisia facial, vertigem/nistagmo (labirintite) ou sinais neurológicos e cefaleia intensa (abscesso epidural/empyema, meningite, trombose do seio lateral) exige imagem (TC de ossos temporais ± encéfalo) e hospitalização com antibiótico venoso e avaliação cirúrgica. Mastoidite aguda é a complicação extracraniana clássica; a queda da sua incidência com antibioticoterapia é o argumento histórico para tratar OMA grave.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioLactente de 18 meses, febre 39,5 °C há 2 dias, chama à noite puxando a orelha; otoscopia: abaulamento timpânico bilateral com perda dos reflexos; sem antibiótico no último mês, não frequenta creche. Conduta:
2.FundamentalAdulto de 34 anos, nadador, chega com prurido e dor intensa no ouvido direito que piora muito ao puxar o pavilhão e apalpar o trágus; conduto edemaciado com debris; membrana timpânica normal. Conduta:
Via aérea obstruída: estridor, crup, epiglotite e corpo estranho
localização pela fase do estridor · laringomalácia · crup (dexametasona/adrenalina) · epiglotite · corpo estranho aspirado · via aérea do adulto (angioedema, trauma inalatório)
Dexametasona crup
0,15–0,6 mg/kg
dose única VO/IM — todo caso
Adrenalina nebulizada
0,5 mL/kg
1:1000 diluída, máx. 5 mL — moderado/grave
Corpo estranho
1–3 anos
broncoscopia RÍGIDA é o padrão-ouro
Epiglotite
Sala cirúrgica
via aérea em ambiente controlado, nunca à beira do leito
1. Estridor congênito: laringomalácia até prova contrária
Causa mais comum de estridor congênito: colapso inspiratório da supraglote (epiglote curta e omega-achatada), presente nas primeiras semanas de vida.
Piora em decúbito, choro e alimentação; MELHORA em prono; estridor inspiratório alto, criança geralmente eutrófica e rosa.
Diagnóstico: laringoscopia flexível à beira do leito; resolve espontaneamente em 12–18 meses na grande maioria.
Supraglotoplastia apenas nos casos graves: falha de crescimento, dessaturações, dificuldade alimentar importante.
2. Crup (laringotraqueobronquite viral): a tosse ladrinha
Vírus parainfluenza em criança de 6 meses a 3 anos: rinorreia e febre baixa por 1–2 dias, depois tosse ladrinha, estridor inspiratório (pior à noite) e graus variáveis de dificuldade respiratória. A gravidade (escore de Westley: estridor em repouso, tiragem, nível de consciência, cianose e entradas respiratórias) guia o ambiente de tratamento:
Gravidade (Westley)
Apresentação
Conduta
Leve (≤ 2)
estridor só ao choro/agitação, sem tiragem importante
dexametasona + alta com orientação
Moderada (3–7)
estridor em repouso, tiragem presente, ainda se alimenta
dexametasona + adrenalina nebulizada + observação 2–4 h
O₂ umidificado, adrenalina, internar/CTI, preparar via aérea
3. Epiglotite: a urgência que não se examina
Após a vacina contra H. influenzae tipo b, a incidência infantil caiu — hoje é mais frequente em ADULTOS; agentes: Hib (não vacinados), estreptococos, S. aureus.
Quadro tóxico: dor de garganta intensa, disfagia, sialorréia, voz abafada (não ladrinha), febre alta, posição sentada/trípode, estridor tardio.
SUSPEITOU = NÃO examinar orofaringe, NÃO deitar, NÃO forçar a criança a chorar; chamar anestesia + ORL e garantir via aérea em SALA CIRÚRGICA (intubação, com traqueostomia como plano B).
Antibiótico venoso após via aérea estabelecida: ceftriaxona (ou cefotaxima), cobrindo Hib.
Criança com estridor agudo — decisão inicial
Há sinais de toxicidade/sacrifício (sialorréia, disfagia grave, posição trípode, prostração, febre alta)?
▼
SIM → tratar como EPIGLOTITE
Não examinar a garganta; não sedar; O₂ e manter sentado.
Chamar anestesia/ORL: via aérea definitiva em ambiente controlado, depois antibiótico venoso.
NÃO, com tosse ladrinha e febre baixa → CRUP
Dexametasona dose única; adrenalina nebulizada se moderado/grave; estratificar para alta ou internação.
NÃO, com início SUDDINO sem virose (engasgo!) → CORPO ESTRANHO
História de engasgo (mesmo não testemunhado) + sibilância unilateral = corpo estranho até prova contrária.
Radiografia pode ajudar (radiopaco, atelectasia, hiperinsuflação), mas não afasta: broncoscopia rígida diagnóstica e terapêutica.
4. Corpo estranho aspirado: o inimigo invisível ao RX
Pico em 1–3 anos (exploração oral + dentição em formação); alimentos (arachid/oleaginosas) são os mais comuns e são RADIOtransparentes.
Tríade clássica: tosse paroxística, sibilância localizada (mono fônica) e diminuição localizada do murmúrio; a criança pode ficar assintomática — o exame normal NÃO afasta.
RX: corpo radiopaco, atelectasia, hiperinsuflação localizada (efeito válvula — filmes em expiração/decúbito lateral ajudam); pneumonia de repetição no mesmo local é pista tardia.
Tratamento: REMOÇÃO por broncoscopia RÍGIDA sob anestesia — nunca varredura cega, nunca esperar expelir, nunca manobras de inversão; a broncoscopia flexível é auxiliar diagnóstica em selecionados.
1.IntermediárioMenino de 2 anos, rinorreia e febre baixa há 2 dias, desperta à noite com tosse ladrinha e estridor; em repouso respira com leve tiragem subcostal, SpO₂ 96%, hidratado, aceita líquidos. Conduta:
2.AvançadoCriança de 5 anos, não vacinada contra Hib, febre 39,8 °C, prostrada, sentada com a boca aberta babando, voz abafada, recusa alimentos; estridor discreto. Qual a conduta correta?
alternativa/reforço domiciliar, útil em recorrentes e bilaterais
Conduta na vertigem posicional suspeita
Vertigem de SEGUNDOS desencadeada por posição, sem sintomas auditivos — como conduzir?
▼
Dix-Hallpike POSITIVO → canal posterior
Manobra de Epley JÁ NA CONSULTA (1ª linha, AAO-HNS 2017).
Reavaliar; explicar recorrência possível e ensinar Brandt-Daroff.
Sem medicação rotineira, sem imagem de rotina.
Roll test positivo → canal horizontal
Gufoni ou barbecue (Lempert); Brandt-Daroff de reforço.
Manobras NEGATIVAS mas história típica
Repetir em outro momento (fadiga do nistagmo); se persistir atípico, diferenciar de centrais (tumor de fossa posterior, enxaqueca vestibular).
2. Neurite vestibular: vertigem de DIAS com nistagmo unidirecional
Inflamação aguda (provavelmente viral reativada) do nervo vestibular: vertigem intensa contínua por DIAS (não segundos), náusea, desequilíbrio que melhora ao fixar o olhar; nistagmo horizontal UNIdirecional batendo para longe do lado afetado, sem sintomas auditivos (se houver hipoacusia, é LABIRINTITE). O exame que separa periférico de central é o HINTS — mais sensível que a RM precoce para AVC (que detecta cerca de 88% nos primeiros dias):
Sinal do HINTS
Periférico (neurite)
Central (AVC)
Head Impulse Test (impulso cefálico)
ANORMAL (reflexo vestibulo-ocular perdido do lado doente)
NORMAL (vias intactas)
Nistagmo de olhamento
unidirecional (bate sempre para o mesmo lado)
muda de direção com o olhar (bidirecional)
Skew deviation (desvio vertical dos olhos)
ausente
presente
Conclusão
qualquer um dos 3 padrões centrais = investigar AVC
RM com difusão + avaliação neurológica urgente
3. Os diferenciais que decidem questões
Doença
Duração da vertigem
Assinatura
VPPB
segundos (< 60 s)
posicional, Dix-Hallpike positivo, sem sintomas auditivos
Neurite vestibular
dias
nistagmo unidirecional, HINTS periférico, sem hipoacusia
história de enxaqueca, foto/fonofobia, sem hipoacusia progressiva
AVC (central)
contínua
HINTS central, déficit, desequilíbrio grave sem poder andar
Ménière: crises recorrentes de vertigem espontânea de 20 minutos a 12 horas + hipoacusia neurossensorial fluctuante documentada em graves/médios + plenitude/zumbido; tratamento de base é dietético (restrição de sal), diurético (hidroclorotiazida-amiloride) e betahistina; refratários recebem corticoide/gentamicina intratimpânica e cirurgia. Enxaqueca vestibular é a causa mais comum de vertigem espontânea RECORRENTE e responde a profilaxia antimigranosa — não a manobras.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 58 anos, há meses refere tontura rotatória de ~20 segundos ao deitar e virar-se na cama para a direita, com náusea breve; audição e exame neurológico normais. Dix-Hallpike à direita desencadeia vertigem com nistagmo torsional superior de 25 segundos, fatigável. Conduta:
2.Prova difícilHomem, 64 anos, hipertenso, com vertigem contínua há 24 h e vômitos; ao exame: nistagmo horizontal que bate para a direita olhando para a direita e para a ESQUERDA olhando para a esquerda, impulso cefálico normal e discreto desvio vertical alternado dos olhos (skew); sem hipoacusia. Interpretação:
Mais de 90% das rinossinusites agudas são VIRAIS e melhoram em 7–10 dias — antibiótico não muda esse curso.
Suspeitar BACTERIANA quando um de 3 padrões (IDSA/AAO-HNS): (1) sintomas ≥ 10 dias SEM melhora; (2) INÍCIO GRAVE — febre ≥ 39 °C com rinorreia purulenta ou dor facial por ≥ 3–4 dias consecutivos; (3) DUPLA PIORA — melhora da virose seguida de piora (new worsening) de sintomas.
Sinais/sintomas: congestão, rinorreia purulenta, dor/pressão facial (pior ao inclinar a cabeça), hiposmia, febre, halitose; dor dentária superior sugere acometimento do seio maxilar.
RSA viral
RSA bacteriana
Curso
pico 3–5 dias, melhora até o 10º
persiste ≥ 10 dias, piora após melhora, ou início grave
Febre
baixa/inicial, melhora junto
≥ 39 °C sustentada com dor facial/pus
Rinorreia
claro-mucóide
purulenta unilateral ou bilateral
Exame
mucosa edemosa, sem sinais de complicação
dor à palpação/percussão de seio; complicação muda tudo
Conduta
sintomáticos + lavagem nasal
antibacteriano (amox-clav) + sintomáticos
2. Complicações: quando a sinusite vira urgência
Complicação
Pistas clínicas
Conduta
Celulite/orbite pré-septal
edema palpebral, eritema, sem proptose/diplopia/BAV
3. Rinossinusite crônica com pólipos (EPOS 2020): a escada terapêutica
Base para TODOS: lavagem nasal salina de grande volume + corticoide intranasal diário; curso curto de corticoide oral nos surtos.
Asma, AAS-tíade (aspirina exacerbada) e recorrentência marcam o fenótipo mais difícil (rinosinusite crônica com pólipos graves).
Dupilumabe (anti-IL-4/IL-13) para doença grave não controlada: nos estudos SINUS-24/SINUS-52 reduziu escore de pólipos, devolveu o olfato e melhorou sintomas e qualidade de vida.
Cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais incluindo etmoidectomia quando a terapia clínica otimizada falha ou há complicações/anatomia desfavorável.
A cirurgia NÃO substitui o tratamento clínico de manutenção — os pólipos recuam sem corticoide/anti-IL em manutenção.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 42 anos, com rinorreia purulenta, congestão e dor facial há 12 dias, sem nenhuma melhora; afebril hoje, sem sinais de complicação. Conduta:
2.AvançadoAdolescente de 15 anos com rinossinusite maxilar e etmoidal há 5 dias desenvolve edema palpebral importante, proptose, diplopia ao olhar para cima e queda da acuidade visual. Conduta imediata:
Faringoamigdalites e abscessos cervicais profundos
viral × estreptocócica · Centor/McIsaac e as regras do IDSA · receita da penicilina · abcesso peritonsilar (Clin Otolaryngol) · retrofaríngeo e parafaríngeo · Lemierre · mononucleose · indicações de amigdalectomia
EBGA
15–30%
das faringites de criança (5–15% adulto)
Penicilina
10 dias
500 mg 2–3x/dia VO — droga de escolha
Benzatina
1,2 MU IM
dose única (600.000 U se < 27 kg)
Amigdalectomia
7 · 5 · 3
episódios por 1 ano · 2 anos · 3 anos
1. Centor/McIsaac: a peneira clínica
Critério
Pontos
Febre > 38 °C
+1
Exsudato ou edema amigdaliano
+1
Adenopatia cervical anterior dolorosa
+1
Ausência de tosse
+1
Idade 3–14 anos / ≥ 45 anos
+1 / −1
0–1 ponto: não testar (viral). 2–3 pontos: testar (RADT — teste rápido) e tratar só se positivo. ≥ 4 pontos: testar; em criança com RADT negativo, colher CULTURA (o RADT tem alta especificidade e sensibilidade menor — cultura é o resgate); no adulto o RADT negativo dispensa cultura. O IDSA 2012 reforça: NÃO tratar empiricamente sem teste e NÃO testar quadros claramente virais (tosse, rinite, disfonia, diarreia).
2. Complicações supurativas: os abscessos cervicais profundos
Abscesso
Assinatura clínica
Conduta
PERITONSILAR (flegmão periamigdaliano)
jovem/adulto; dor unilateral intensa, TRISMO, voz de batata quente, úvula desviada para o lado SADIO, abaulamento do palato mole acima da amígdala; sialorréia, febre
drenagem por AGULHA (ou incisão) + antibiótico (amox-clav ou penicilina + metronidazol); corticoide como adjuvante sintomático
RETROFARÍNGEO
criança < 5 anos (gânglios retrofaríngeos regridem após); rigidez/tortícolis, recusa de alimentos, disfagia, estridor se grande; adulto pós-trauma local
TC com contraste; antibiótico IV; DRENAR se coleção organizada (geralmente > 2 cm) ou falha clínica em 24–48 h
PARAFARÍNGEO
trismo e abaulamento lateral faríngeo; risco de compartimento carotídeo (aneurisma micótico, sangramento)
antibiótico IV + drenagem cirúrgica; vigilância vascular
A amoxicilina/ampicilina causa EXANTEMA maculopapular clássico em portador de EBV — não é alergia à penicilina.
Conduta: sintomáticos; evitar esportes de contato por 3–4 semanas (risco de rotura esplênica); corticoide só na obstrução de via aérea/plaquêtopenia grave.
Pegadinha dupla: quadro GAS-positivo não exclui EBV (portador) e o exantema pós-amoxicilina marca a virose.
4. Amigdalectomia: as regras do AAO-HNS 2019 (critérios de Paradise atualizados)
Faringoamigdalites recorrentes DOCUMENTADAS: ≥ 7 episódios no último ano, ou ≥ 5/ano em 2 anos consecutivos, ou ≥ 3/ano em 3 anos — e cada episódio corroborado por febre ≥ 38,3 °C, adenopatia cervical, exsudato amigdaliano ou teste GAS positivo.
A diretriz exige ainda contexto de comorbidade/fator agravante (alergia a antibiótico, febre reumática/carditite, abcesso peritonsilar recorrente) antes de indicar cirurgia “por contagem” isolada.
Outras indicações clássicas: abcesso peritonsilar recorrente, febre reumática recorrente, hipertrofia amigdaliana com apneia obstrutiva do sono (primeira cirurgia da OSA pediátrica).
Hemorragia é a complicação pós-operatória que importa (5–7º dia, crosta que solta): qualquer sangramento ativo pós-amigdalectomia = reavaliação imediata.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAdolescente de 16 anos com dor de garganta, febre 38,5 °C, exsudato amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse; RADT positivo para GAS, sem alergias. Conduta:
2.IntermediárioHomem, 23 anos, há 4 dias de dor de garganta que ficou INTENSA e unilateral à direita; trismo importante, voz abafada, sialorréia; exame: abaulamento do palato mole à direita com úvula desviada à esquerda, febre 38,8 °C. Conduta:
Perda auditiva: condução, neurossensorial e súbitas
Weber e Rinne na prática · causas de condução (cerume, otosclerose) · presbiacusia e ruído · perda súbita (AAO-HNS 2019) · schwannoma vestibular · triagem neonatal (Lei 12.303/2010) · reabilitação
OMS 2021
1,5 bi
pessoas com alguma perda auditiva
Incapacitante
~430 mi
necessitam reabilitação (2,5 bi em 2050)
Súbita
≥ 30 dB
em 3 frequências contíguas, em ≤ 72 h
Ruído
~85 dB
acima disso, risco com exposição crônica
Achado
Interpretação
Exemplos
Weber à esquerda + Rinne negativo à esquerda
condutiva ESQUERDA
cerume, OME, otosclerose, trauma ossicular
Weber à DIREITA + Rinne positivo à esquerda
sensorial ESQUERDA
presbiacusia, ruído, súbita, schwannoma
Rinne bilateralmente positivo
sem condutiva significativa
—
Weber central
audição simétrica
—
1. Condutivas que a prova cobra
CERUME e corpos estranhos: primeira causa reversível — remover (irrigação morna ou instrumento), nunca em suspeita de perfuração/otite externa necrosante.
OTITE MÓDIA COM EFUSÃO: a condutiva mais comum da criança (veja módulo de otites).
OTOSCLEROSE: adulto jovem (mulher), perda condutiva PROGRESSIVA com paracusia de Willis (ouve melhor em ambiente ruidoso), zumbido; audiometria com NOTCH DE CARHART em 2.000 Hz na via óssea; tratamento cirúrgico (estapedotomia/estapedectomia) ou aparelho.
COLESTEATOMA: otite crônica com otorreia fétida persistente e condutiva progressiva — complica-se (fistula labiríntica, paralisia facial); tratamento cirúrgico.
2. Neurossensoriais: as quatro situações-chave
PRESBIACUSIA: bilateral e simétrica de AGUDOS, o padrão do idoso — fatores modificáveis (ruído, tabagismo, hipertensão) aceleram; reabilitação com aparelho.
INDUZIDA POR RUÍDO (NIHL): entalhe em 4.000 Hz bilateral; risco acima de ~85 dB com exposição crônica — cada +3 dB dobra a energia sonora (e reduz pela metade o tempo seguro de exposição); prevenção com proteção auricular é a única conduta que funciona.
PERDA AUDITIVA SÚBITA (AAO-HNS 2019): SNHL ≥ 30 dB em ≥ 3 frequências contíguas em ≤ 72 HORAS — urgência otológica: corticoide oral (prednisona ~1 mg/kg/dia, máx. 60 mg, por 7–14 dias com retirada gradual) iniciado IDEALMENTE nas primeiras 2 semanas; corticoide INTRATIMPÂNICO como resgate quando a recuperação é incompleta; oxigenoterapia hiperbárica é opção adjuvante em selecionados no 1º mês; ANTIVIRAIS não são recomendados.
SCHWANNOMA VESTIBULAR: perda ASSIMÉTRICA (pior numa orelha) ± zumbido/desequilíbrio — RM com gadolínio é o exame; a assimetria é a pista que manda imagem.
3. Triagem auditiva neonatal: a Lei da Orelhinha
Lei 12.303/2010: TESTE DA ORELHINHA gratuito e obrigatório em TODOS os nascidos vivos de hospitais e maternidades — EMISSÕES OTOACÚSTICAS (EOA) e/ou PEATE (potenciais evocados auditivos de tronco encefálico).
EOA rastreia a cóclea (células ciliadas externas); PEATE rastreia a VIA — a NEUROPATIA AUDITIVA (cóclea ok, via doente) tem EOA normal e só o PEATE pega: RN de risco (UTI neonatal > 5 dias, hiperbilirrubinemia, ototóxicos, infecções congênitas) deve rastrear com PEATE.
FALHOU = retestar até o 1º mês; persistindo, diagnóstico completo até os 3 meses e (re)habilitação até os 6 meses — a janela crítica de linguagem.
4. Reabilitação: números da OMS e regras
OMS 2021: 1,5 bilhão de pessoas com alguma perda auditiva; ~430 milhões com perda incapacitante que necessita reabilitação; projeção de ~2,5 bilhões com algum grau até 2050.
Aparelho de amplificação sonora individual (AASI): indicação na perda que gera limitação funcional — o atraso na adaptação piora o descondicionamento auditivo.
IMPLANTE COCLEAR: perda neurossensorial SEVERA-PROFUNDA bilateral com benefício insuficiente do AASI — quanto mais cedo (inclusive na pré-lingual), melhor o resultado.
Comunicação eficaz no atendimento: falar de frente, iluminar o rosto, reduzir ruído de fundo, frases curtas — medidas simples com impacto real.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 45 anos, com dificuldade auditiva progressiva à esquerda; Weber lateraliza para a ESQUERDA e Rinne é NEGATIVO à esquerda. O padrão corresponde a:
2.AvançadoHomem, 50 anos, acorda com perda auditiva total à direita e zumbido há 24 h; audiometria: queda de 50 dB em 3 frequências contíguas à direita; sem vertigem, sem déficits. Conduta:
plexo de Kiesselbach × esfenopalatina · fluxo da hemorragia nasal (AAO-HNS 2020) · receita do tamponamento · hematoma septal · fraturas de Le Fort, NOE, assoalho orbitário e mandíbula · rinorreia de LCR
Epistaxe anterior
~90%
plexo de Kiesselbach (área de Little)
Compressão inicial
10–15 min
tronco do nariz, cabeça levemente à frente
Tamponamento anterior
1–3 dias
retirada do não-dissolvível
Redução nasal
≤ 2 semanas
idealmente entre o 5º e o 10º dia
Fluxo da epistaxe (AAO-HNS 2020)
Sangramento nasal ativo — é controlável por compressão e vasoconstritor?
▼
SIM → degraus ANTERIORES
Sentado, cabeça levemente à FRENTE; compressão firme da porção mole do nariz por 10–15 min.
Vasoconstritor tópico (oximetazolina 0,05%) em gaze/nebulização; tranexâmico tópico é opção.
Ponto visível → cauterização com NITRATO DE PRATA (nunca os dois lados do septo na mesma sessão — perfuração).
Persiste → tamponamento ANTERIOR (dissolvível de escolha; o não-dissolvível sai em 1–3 dias).
NÃO / sinais de sangramento POSTERIOR
Sangramento rinofaríngeo, bilateral, idoso/anticoagulado, sem ponto visível.
Tamponamento POSTERIOR (balão/esponja posterior) → ADMITIR com monitorização, ORL e: analgesia, umidificação, controle da PA.
Revisar anticoagulação com quem a prescreveu; embolização/ligadura cirúrgica se refratário.
PÓS-CONTROLE (sempre)
Sem assoar, sem esforço e sem deitar de bruços por ~24 h; pomada/salina gel umidifica o septo.
Antibiótico profilático de rotina NÃO é recomendado com tamponamento.
1. Traumatismo facial: primeiro a VIA AÉREA, depois a estética
ATLS antes de tudo: via aérea (fratura bilateral de mandíbula desloca a língua; edema/hematoma de assoalho de boca), hemorragia (tamponamento nasal pode ser necessário — com cuidado se houver suspeita de fratura de base), coluna cervical e lesões oculares/intracranianas associadas.
Fratura NASAL: a mais comum do trauma facial; RX tem papel limitado (diagnóstico clínico) — reduzir dentro da janela de 2 semanas (idealmente 5º–10º dia, após o edema baixar e antes da consolidação), por via fechada; septo reto é condição para fechar.
HEMATOMA SEPTAL: dor, protrusão azulada bilateral do septo após trauma — DRENAR URGENTE (septotomia/incisão + tamponamento): não drenar leva a necrose da cartilagem (deformidade em sela) e abscesso septal.
Fratura
Assinatura
Conduta
Le Fort I
mobilidade do segmento MAXILAR (com dentes) na direção horizontal
mobilidade de toda a face média (zigomáticos + maxila + nasal)
fixação com neurocirurgia/ORL; alto risco de LCR
Naso-órbito-etmoidal (NOE)
TELECANTO (aumento da distância intercantal), epífora, rinorreia
fixação precisa; investigar LCR
Assoalho de órbita (blow-out)
ENOFTALMO, diplopia ao olhar para CIMA (herniação do reto inferior), hipoestesia infraorbital, enfisema
cirurgia eletiva se diplopia persistente/enoftalmo > 2 mm; NUNCA assoar
Zigomático (ZMC)
achatamento malar, hipoestesia infraorbital, diplopia, degrau no rebordo
redução se deslocada/diplopia
Mandíbula
MALOCLUSÃO, trismo, dor em arco; pane radiográfica (panorâmica)
via aérea primeiro; fixação (maxilomandibular)
2. Trauma facial por arma de fogo: balística que define a reconstrução
A energia do projétil manda na lesão: baixa energia (< 500 J — calibres curtos) = trajeto localizado; média (500–1.500 J — pistolas 9 mm/.40) = cavitação e fraturas cominutivas; ALTA (> 1.500 J — fuzis) = destruição maciça com desvitalização óssea e de partes moles muito além do trajeto visível.
Princípios: desbridamento conservador de tecidos duvidosos (a face vasculariza bem e tolera), fixação óssea precoce das unidades com desvio funcional, e COBERTURA de tecido mole antes de enxertos — exposição óssea oronaso-cutânea é a porta de infecção.
Perdas extensas: retaliação em estágios — reconstrução local/regional (retalhos) na fase aguda-subaguda; enxertos ósseos (crista ilíaca, escápula) e PRÓTESES/impressão 3D na tardia; transplante facial (VCA) reservado a perdas gigantes em centros de referência, com imunossupressão de por vida.
Sequelas funcionais dominam a decisão: oclusão dental, continência oral (perda de lábrio/mento), pálpebra (exposição corneana) e via aérea — estética vem depois da função.
Equipe: cirurgia de cabeça e pescoço + bucomaxilo + oftalmologia + neurocirurgia; antibioticoterapia profilática e profilaxia antitetânica no terreno contaminado.
Prognóstico do trauma facial depende das lesões associadas (crânio, olho, coluna) mais que da fratura em si; a sequência correta — via aérea → hemorragia → neurológico/ocular → reconstrução — é o que a prova cobra quando oferece “redução imediata da fratura nasal no pronto-socorro” em um paciente instável.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 72 anos, hipertenso em varfarina, chega com sangramento nasal intenso há 1 h, bilateral, escorrendo pela rinofaringe (cospe sangue), sem ponto visível após compressão adequada e oximetazolina. Conduta:
2.FundamentalJovem de 19 anos sofre trauma facial; horas depois apresenta dor nasal e abaulamento azulado BILATERAL do septo à rinoscopia anterior, com nariz cada vez obstruído. Conduta:
Ronco, apneia obstrutiva do sono e neoplasias de cabeça e pescoço
AOS: fisiopatologia e STOP-Bang · polissonografia e AHI · CPAP e alternativas · câncer de cabeça e pescoço: fatores, sinais de alerta, estadiamento · preservação de órgão (Forastiere) · cetuximabe (Bonner) · suporte nutricional
ronco alto + apneias presenciadas + sonolência diurna (dirigir é a pergunta que salva)
Diagnóstico
POLISSONOGRafia
AHI ≥ 5/h + sintomas, ou AHI ≥ 15/h isolado; teste domiciliar é opção no alto risco sem comorbidades major
Gravidade
AHI
leve 5–15 · moderada 15–30 · grave > 30 eventos/h
Tratamento
escada
CPAP 1ª linha (± perda de peso ≥ 10%, evitar álcool/sedativos noturnos, terapia posicional)
2. Neoplasias de cabeça e pescoço: os sinais que não podem esperar
Carcinoma epidermoide responde por mais de 90% dos casos; os fatores clássicos — tabagismo e etilismo — atuam de forma SINÉRGICA (risco multiplicado), enquanto o HPV (tipo 16) explica o aumento dos tumores de orofaringe (amígdala/base de língua) em adultos mais jovens não fumantes, com melhor prognóstico. O câncer de nasofaringe associa-se a EBV e tem via de apresentação própria: OTITE MÉDIA COM EFUSÃO UNILATERAL no adulto (bloqueio da tuba), epistaxe e massa cervical.
Local
Sinal de alerta precoce
Cavidade oral
úlceras que não fecham em > 3 semanas, lesão indurada, mancha vermelha/branca persistente
Orofaringe (HPV)
dor de garganta UNILATERAL persistente + otalgia referida + massa cervical (nódulo é frequentemente a primeira manifestação)
disfagia, otalgia referida, sintomas TARDE (nódulo cervical já presente)
Nasofaringe
efusão/hipoacusia UNILATERAL no adulto, epistaxe, cefaleia, paralisia de nervos cranianos
Pele/ glândulas
lesão ulcerada de crescimento lento, parotida endurecida, tireoide com nódulo fixo
3. Estadiamento e tratamento: o mapa da multimodalidade
Estadiamento AJCC 8ª edição (clinical + patológico; HPV/p16 positivo muda a categoria de orofaringe — N unifocal versus tradicional): TC/RM de pescoço com contraste + PET-TC conforme cenário.
Laringe inicial (T1–T2 glótica): cirurgia transoral (laser/microcirurgia) OU radioterapia isolada — preservação da voz em ambas; sobrevida alta.
Laringe avançada (T3 reseccável de baixo volume): PRESERVAÇÃO DE ÓRGÃO com quimioterapia CONCOMITANTE à radioterapia (cisplatina) — no RTOG 91-11 (Forastiere, NEJM 2003), a associação simultânea superou a RT isolada em preservação laríngea (≈ 88% vs 70% em 2 anos) sem penalizar sobrevida.
Cetuximabe (anti-EGFR) + radioterapia (Bonner, NEJM 2006): melhorou controle locorregional e sobrevida global vs RT isolada em localmente avançado — alternativa quando a cisplatina é contraindicada (comorbidade/idade).
Cirurgia de resgate (laringectomia total) para falha do tratamento conservador; adjuvância com QT-RT nas margens comprometidas/extracapsular.
Suporte nutricional (ESPEN): rastreio desde o diagnóstico; suplementação quando a via oral não atinge 60% das necessidades; gastrostomia de suporte na RT de cabeça-pescoço com mucosite grave antecipada.
Prevenção: cessação de tabagismo/etilismo (o campo cancerizável continua), higiene oral e vacinação contra HPV.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 52 anos, IMC 36, HAS de difícil controle, ronco alto, apneias presenciadas pela esposa, sonolência ao volante (Epworth 16), STOP-Bang 7. Próximo passo:
2.Prova difícilHomem, 61 anos, tabagista e etilista, disfonia progressiva há 8 semanas; laringoscopia: lesão vegetante de corda vocal direita, móvel; biópsia: carcinoma epidermoide T2 glótico, sem linfonodos. Conduta com melhor expectativa de controle e preservação da voz:
Observação na OMA é só para ≥ 2 anos, unilateral, leve e sem otorreia — abaixo disso trata.
Otite externa: antibiótico oral não é rotina — a resposta correta é o tópico; necrosante é sistêmico + imagem.
Epiglotite: examinar a garganta é a alternativa que mata; via aérea em ambiente controlado vem antes do antibiótico.
Crup leve precisa de dexametasona — e adrenalina é só do moderado/grave.
RX normal não afasta corpo estranho: orgânico é radiotransparente, broncoscopia rígida decide.
VPPB não leva supressor vestibular nem RM de rotina; Epley na hora.
Amoxicilina isolada não é 1ª linha na sinusite bacteriana do adulto — amox-clav.
Purulência não define sinusite bacteriana: valem os 3 padrões (10 dias, início grave, dupla piora).
RADT negativo em criança pede cultura; empírico sem teste é erro do IDSA.
Exantema com amoxicilina na faringite do adolescente marca mononucleose, não alergia.
Cabeça para trás na epistaxe é erro — a posição é levemente à frente; antibiótico com tampão não é rotina.
Biópsia incisional de massa cervical como primeiro passo viola o estadiamento — PAAF guiado.
Disfonia > 3 semanas tratada como refluxo atrasa o diagnóstico de câncer de laringe — laringoscopia.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda criança < 2 anos com OMA bilateral ou grave recebe antibiótico imediato — e a duração completa previne complicações.
Toda obstrução suspecta de via aérea: verificar toxicidade/sacrifício antes de qualquer exame; ambiente controlado é parte do tratamento.
Toda vertigem posicional de segundos: manobra diagnóstica E terapêutica na mesma consulta.
Toda síndrome vestibular aguda contínua: HINTS antes de rotular neurite — central muda tudo.
Toda perda auditiva súbita: corticoide oral dentro de 2 semanas é a janela; toda perda assimétrica: RM.
Toda epistaxe que não para com compressão bem feita em idoso anticoagulado: pensar posterior — balão e internação.
Todo trauma nasal: olhar o septo — hematoma drena urgente.
Todo roncador obeso sonolento: AOS tem tratamento que muda pressão e risco; todo fumante dispnéico > 3 semanas: laringoscopia.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Criança < 2 anos, otalgia + abaulamento timpânico bilateral
OMA — antibiótico imediato (amoxicilina 80–90 mg/kg/dia)
Tosse ladrinha noturna + estridor em criança afebril
Crup — dexametasona dose única
Sialorréia + posição trípode + voz abafada
Epiglotite — via aérea em ambiente controlado
Engasgo + sibilância monofônica unilateral em lactente
Corpo estranho — broncoscopia rígida
Vertigem de segundos ao virar na cama
VPPB — Dix-Hallpike e Epley
Vertigem de dias + impulso cefálico normal + nistagmo bidirecional
AVC de fossa posterior (HINTS central)
Trismo + voz de batata quente + úvula desviada
Abcesso peritonsilar — drenagem por agulha
Rinorreia purulenta há 12 dias sem melhora
Rinossinusite bacteriana — amox-clav
Adulto com otite média com efusão unilateral
Neoplasia de nasofaringe — investigar
Proptose + diplopia em sinusite etmoidal
Celulite orbitária pós-septal — TC + IV + drenagem
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioLactente de 15 meses com OMA bilateral, otalgia intensa há 3 dias e febre 39,2 °C; usou amoxicilina há 3 semanas por outra OMA. Conduta:
2.FundamentalCriança de 3 anos com estridor em repouso, tiragem importante e tosse ladrinha após virose, SpO₂ 93%, ainda hidratada. Além de oxigênio umidificado, a medicação correta é:
3.IntermediárioMulher, 62 anos, vertigem rotatória de ~15 segundos sempre que se deita e vira à esquerda; audição normal; Dix-Hallpike esquerdo positivo com nistagmo torsional fatigável de 20 segundos. Conduta:
4.AvançadoHomem, 45 anos, rinossinusite com piora progressiva há 12 dias; hoje com edema palpebral à direita, eritema, SEM proptose, sem diplopia, acuidade visual preservada, febre 38,6 °C. Diagnóstico presumido e conduta:
5.IntermediárioCriança de 4 anos, febre 39 °C, odinofagia, exsudato amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa, sem tosse; RADT positivo para GAS. Primeira escolha de tratamento:
6.Prova difícilHomem, 58 anos, há 48 h com hipoacusia e zumbido à esquerda; audiometria: rebaixamento de 35 dB em 3 frequências contíguas; sem vertigem; ontem recebeu ginkgo biloba e orientação de retorno em 30 dias. Qual o erro e a correção?
7.AvançadoIdosa, 78 anos, hipertensa em AAS, epistaxe há 2 h controlada momentaneamente com compressão; reaparece sangramento ativo em sítio anterior visível do septo. Melhor próximo passo após vasoconstritor tópico:
8.IntermediárioHomem, 49 anos, IMC 38, ronco intenso, apneias presenciadas, sonolência diurna importante, HAS controlada com 2 drogas; polissonografia: AHI 38/h. Conduta de primeira linha:
Gabarito rápido
1-C · 2-A · 3-A · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-A
Referencial teórico
23 fontes reais · DOI verificado
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diretriz / revisãoMuscaritoli M, Arends J, Bachmann P, et al. ESPEN practical guideline: Clinical Nutrition in Cancer. Clin Nutr. 2021;40(5):2898–2913.doi.org/10.1016/j.clnu.2021.02.005
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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