Baseado nos artigos publicados da matéria Ortopedia e Traumatologia da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — AAOS (supracondiliana 2012; quadril do idoso 2021/2022), NICE (fraturas, quadril, lombalgia), IDSA/IWGDF (pé diabético), ESMO 2021 (sarcomas ósseos) — e revisões NEJM/Lancet/JAMA (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Exame ortopédico e lesões esportivas de joelho e ombro
exame em 4 tempos · marcha · joelho: LCA, LCP, meniscos e colaterais · ombro: manguito e impacto · Ottawa ankle rules · epicondilites e tendão de Aquiles
1. Marcha que vale ponto
Antálgica: tempo de apoio reduzido no lado que dói (qualquer dor de quadril, joelho ou pé).
Trendelenburg: tronco inclina para o lado afetado na fase de apoio — insuficiência do glúteo médio (doença do quadril, ex.: displasia, necrose avascular).
Trendelenburg inversa: inclinação para o lado são (compensação na doença contralateral do glúteo médio).
2. Joelho: o que cada teste avalia
Teste
Lesão
Nota de prova
Lachman (flexão de 20–30°)
LCA
o mais sensível (~85%) — melhor teste para LCA, inclusive na fase aguda
Gaveta anterior (90°)
LCA
menos sensível no agudo (dor e hemartrose limitam)
Pivot-shift
LCA
pouco sensível, mas muito específico — rotacional
Gaveta posterior
LCP
sinal do degrau (tíbia deslocada para trás em relação ao côndilo) — LCP é o esquecido
McMurray / Apley / Thessaly
menisco
McMurray tem sensibilidade modesta (~55%); dor na linha articular é o achado mais sensível para menisco, porém inespecífico
Estresse em valgo/varo em 30°
colaterais
30° isola o colateral; instabilidade em 0° sugere lesão multiligamentar (incluindo cruzados)
3. Ombro: manguito e impacto
Rotura do manguito: dor noturna (deitar sobre o ombro), arco doloroso na abdução, fraqueza de abdução/rotação externa.
Jobe (lata vazia, 90° de abdução em rotação interna): supraespinhal. Rotação externa resistida: infraespinhal. Lift-off: subescapular.
Impacto subacromial: Neer (flexão forçada em rotação interna) e Hawkins (flexão 90° + rotação interna); nenhum teste isolado confirma ou descarta — a combinação de arco doloroso + fraqueza rotacional externa eleva a probabilidade.
Instabilidade: apreensão (sensação de que vai sair em abdução + rotação externa) e realocação.
4. Ottawa ankle rules: RX só para quem precisa
Fluxo de Ottawa (tornozelo e pé)
Há dor na zona maleolar (ou na zona do pé médio) após trauma?
▼
ZONA MALEOLAR
Pedir série de RX do tornozelo apenas se dor óssea à palpação do bordo posterior/inferior do maléolo lateral OU medial, OU incapacidade de apoiar peso (4 passos) imediatamente e na emergência.
ZONA DO PÉ MÉDIO
Pedir série de RX do pé apenas se dor óssea na base do 5º metatarsiano OU na tuberosidade do navicular, OU incapacidade de apoiar peso (4 passos).
SEM DOR NAS ZONAS OU SEM OS CRITÉRIOS
Sem radiografia — a regra foi validada para excluir fratura com segurança sem imagem.
5. Outros testes cobrados
Teste
Condição
Lasègue (elevação da perna estendida)
radiculopatia por hérnia de disco lombar (sensibilidade alta na metanálise clássica)
Cozen / Mills
epicondilite lateral (tenista)
Finkelstein
tenossinovite de de Quervain
Thompson (mão em posição de oração, compressão da panturrilha)
rotura do tendão de Aquiles — sem flexão plantar
Phalen / Tinel no túnel do carpo
síndrome do túnel do carpo
6. Tratamento inicial das lesões esportivas principais
Entorse/lesão aguda sem fratura: imobilização ou órtese temporária, gelo, elevação, analgesia (AINH se sem contraindicação) e reabilitação precoce.
LCA: reabilitação estruturada; reconstrução ligamentar indicada em jovens esportistas, episódios de falseio de repetição, lesão associada reparável de menisco ou instabilidade persistente.
Menisco degenerativo (sem trauma): tratamento conservador — a lesão em paciente mais velho é degenerativa e responde à reabilitação.
Manguito: roturas crônicas começam com 3 meses de tratamento conservador (fisioterapia + analgesia); rotura traumática aguda em jovem/atleta encaminhar para reparo.
Epicondilites: modificação de atividade, exercícios excêntricos, AINH tópico/oral; infiltração de corticoide como opção de curto prazo.
Complicações e prognóstico: lesões do LCA não tratadas predispõem a episódios de instabilidade, lesões de menisco e artrose precoce; roturas extensas de manguito em idosos evoluem com artropatia; a demora diagnóstica da rotura de Aquiles piora o resultado do reparo.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 22 anos, entorse do joelho direito há 3 horas durante partida de futebol, com hemartrose. Qual manobra tem a maior sensibilidade para lesão do ligamento cruzado anterior?
2.IntermediárioMulher, 32 anos, entorse por inversão do tornozelo há 1 hora. Deambula 4 passos na emergência, sem dor à palpação dos maléolos; há dor óssea à palpação da base do 5º metatarsiano. Conduta pela regra de Ottawa:
Fraturas: princípios de tratamento e fratura exposta
classificação · consolidação óssea · redução, imobilização e fixação (AO) · fratura exposta (Gustilo) e antibioticoprofilaxia · síndrome compartimental · complicações e pseudoartrose
Antibiótico na exposição
na chegada
cefazolina em todas; duração curta
Desbridamento
≤ 24 h
urgente, com culturas de tecido profundo
Delta P compartimento
< 30 mmHg
fasciotomia — não espere o pulso sumir
Pseudoartrose
6–9 meses
sem progressão de consolidação
1. Conceito e classificação
Fratura é a interrupção da continuidade óssea, fechada (pele íntegra) ou aberta/exposta (comunicação com o meio). Descritivamente: completa ou incompleta; traço transverso, oblíquo, espiral (torção) ou cominutivo; diafisária, metafisária ou intra-articular. A classificação AO/OTA organiza a comunicação entre serviços e a decisão cirúrgica.
2. Tratamento: as etapas e a escolha da via
Fluxo de decisão do tratamento
A fratura é estável e sem desvio importante?
▼
SIM
Imobilização (tala/gesso ou órtese) + analgesia + controle radiográfico serial.
Exemplos: torus de rádio distal na criança, fraturas sem desvio em geral.
DESVIADA, PORÉM REDUTÍVEL E ESTÁVEL
Redução fechada (anestesia do foco/hematoma ou sedação) + imobilização + RX de controle.
Perde a redução na vigilância → tratamento cirúrgico.
Tratamento cirúrgico: fixação externa (dano de partes moles, exposição, fixador provisório) ou interna (ORIF com placa, haste intramedular ou parafusos).
Princípios AO: redução anatômica (obrigatória nas articulares), fixação estável, preservação da vascularização, mobilização precoce.
3. Fratura exposta: Gustilo-Anderson e conduta
Grau
Ferimento
Partes moles
I
< 1 cm, limpa
sem lesão importante
II
> 1 cm
sem extensa lesão de partes moles
IIIA
qualquer tamanho
cominuição/lesão grave, mas com cobertura do osso (periósteo íntegro)
IIIB
qualquer tamanho
exposição óssea/desbridamento com periósteo — exige cobertura (retalho)
IIIC
qualquer tamanho
lesão vascular que exige reparo — emergência vascular
4. Síndrome compartimental
Aumento de pressão em compartimento osteofascial fechado → isquemia. A causa clássica na prova é a fratura de perna (e o gesso/tração apertados), além de esmagamento e queimaduras. O sinal precoce confiável é DOR DESPROPORCIONADA, pior à manipulação e à MOVIMENTAÇÃO PASSIVA dos músculos do compartimento (dor à flexão passiva dos dedos no antebraço e à dorsiflexão/halux na perna); parestesias surgem cedo; palidez, paralisia e ausência de pulso são TARDIOS — pulso presente nunca exclui.
retardo de consolidação, pseudoartrose (sem progressão em 6–9 meses), consolidação viciosa, necrose avascular (colo do fêmur, escafóide, talus), rigidez/artrofibrose, osteíte
Sistêmicas
TEV (profilaxia obrigatória em imobilizados/operados), pneumonia no idoso acamado, síndrome de imobilização
Prognóstico: depende do tecido mole (a gravidade da exposição manda no risco de infecção), da qualidade da redução articular e da reabilitação precoce — fraturas intra-articulares com degrau articular evoluem para artrose pós-traumática.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 27 anos, motociclista: fratura exposta de tíbia com exposição óssea e contaminação por terra de fazenda, classificada como Gustilo IIIB. Antibioticoprofilaxia adequada:
2.Avançado12 horas após redução fechada e gesso braquial por fratura de diafise do úmero, o paciente refere dor crescente desproporcional, parestesias nos dedos e dor intensa à extensão passiva dos dedos; pulso radial presente. Conduta:
talas × gesso circular · regras de segurança e complicações · imobilizações clássicas · trações cutâneas (Buck) e esqueléticas · condições da mão: dedo em gatilho, de Quervain, túnel do carpo
1. Regras de segurança do gesso
Elevar o membro nas primeiras 48 h; mover ativamente os dedos (documentar o exame neurovascular antes e depois da imobilização).
Orientar retorno IMEDIATO se dor que não cede com analgesia, dormência/parestesia, palidez ou frieza dos dedos, mancha ou cheiro forte.
Bivalhar (abrir) o gesso diante de qualquer suspeita de compressão — e reavaliar, nunca apenas medicar.
Gesso nunca é molhado, nem seco com secador quente (risco de queimadura); não introduzir objetos para coceira (úlceras).
Complicação da imobilização
Reconhecer
Síndrome compartimental
dor desproporcional e à mobilização passiva — emergência
Úlcera de pressão
dor focal persistente em ponto de apoio (janela no gesso), odor após fase inicial
Queimadura química/térmica
aplicação incorreta, dobradiças de gesso molhado secando
Dermatite/folego macerada
umidade, prurido persistente
Rigidez e atrofia
imobilização longa sem exercícios — priorizar mobilidade precoce do que não está imobilizado
2. Imobilizações clássicas que a prova cobra
Imobilização
Uso
Tipoia e Velpeau (ombreira)
luxação de ombro e traumatismos do ombro; tipo 8 para clavícula é analgesia, não reduz
Gesso braquial (longo, do braço à mão)
fraturas do antebraço e supracondiliana (Gartland I) — imobiliza cotovelo e punho
Gesso antebraquial (curto) com punho em leve flexão e desvio ulnar
fratura de Colles reduzida
Gesso/tala goteira posterior (perna) e bota gessada
trauma agudo de tornozelo e pé; bota de marcha quando consolidando
Órtese de joelho (tipo Jones/hinge)
lesões ligamentares em reabilitação — imobilidade total prolongada faz rigidez
Posição intrínseca-plus da mão
punho em leve extensão, metacarpofalangeanas flexionadas ~70°, interfalangeanas estendidas — evita rigidez em extensão (a posição errada causa deformidade intrínseca-plus por necrose/isquemia)
3. Trações
Tipo
Como
Indicação/peso
Cutânea (Buck)
faixas adesivas na perna com peso pela polia
imobilização/analgesia temporária de fraturas do fêmur proximal e diafisárias pré-operatórias; até cerca de 5–7 kg (~10% do peso); contraindicada em doença venosa e pele frágil
Cutânea (Russell)
sistema de polias duplas
fraturas de fêmur proximal — força resultante ao longo do eixo do fêmur
Esquelética
pino/pinça transcondilar do fêmur (ou tíbia) + peso
fraturas diafisárias com grande desvio, quando a cirurgia será retardada; tolera 10–15% do peso corporal
Esquelética cervical (Gardner-Wells)
pinça craniana com pesos crescentes
fraturas/luxações cervicais com desvio e lesão medular em redução
4. Condições da mão que vivem em prova
Condição
Clínica
Tratamento
Dedo em gatilho (tenossinovite estenosante)
travamento em flexão com estalido, nódulo na altura da polia A1 (metacarpofalangeana)
infiltração de corticoide na bainha — cura a maioria (ensaio randomizado); liberação cirúrgica (percutânea/aberta) nas recidivas
Tenossinovite de de Quervain
dor no 1º compartimento dorsal (estilóide radial), Finkelstein positivo
imobilização + AINH; infiltração de corticoide tem alta taxa de resposta (metanálise de literatura agrupada)
Síndrome do túnel do carpo
parestesias noturnas no território do mediano, Phalen/Tinel positivo, atrofiar tenar nas crônicas
órtese neutra noturna + corticoide; liberação cirúrgica nas falhas/deficit motor
Complicações e prognóstico: as trações prolongadas deprimem o paciente idoso (decúbito: pneumonia, TEV, escaras) — por isso são ponte breve; as imobilizações mal conduzidas levam a rigidez, e as condições da mão tratadas cedo têm excelente resposta à infiltração, evitando cirurgia na maioria dos casos.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdoso aguardando cirurgia de fratura transtrocanteriana estável, com tração cutânea de Buck instalada para analgesia e imobilização temporária. Sobre essa tração:
2.IntermediárioMulher, 54 anos, diabética, com travamento do 4º dedo em flexão, estalido à extensão e nódulo palpular volar na altura da metacarpofalangeana. Conduta inicial com melhor evidência:
acomodação da metáfise (cortical intacta no lado oposto)
imobilização breve (3–4 semanas no punho), sem redução
Greenstick (galho verde)
flexão: cortical em tração rompe, a oposta apenas dobra
reduzir completando a fratura quando há ângulo inaceitável, depois imobilizar
Deformidade plástica (bowing)
curvatura da diafise (ulna/fíbula) sem fratura visível
gesso e vigilância; corrigir se ângulo importante
Fratura fisária (Salter-Harris)
traço envolve a placa de crescimento
ver abaixo — o desvio articular e a fise mandam
2. Salter-Harris: a classificação que cai todo ano
Tipo
Traço
Nota de prova
I
apenas a fise (deslizamento epifisário)
RX PODE SER NORMAL — diagnóstico clínico (dor na fise); ex.: epifisiólise proximal do fêmur
II
fise + metáfise (fragmento de Thurstan Holland)
o MAIS COMUM; bom prognóstico
III
fise + epífise
intra-articular — reduzir anatomicamente se degrau > 2 mm
IV
atravessa epífise + fise + metáfise
intra-articular e com alto risco de fechamento precoce — ORIF quando desviada
V
compressão/impacto da placa
RX inicial normal; suspeitar pelo mecanismo — complica com fechamento precoce e encurtamento (meses depois)
3. Supracondiliana do úmero: a fratura exposta da prova pediátrica
Queda com apoio de mão em extensão (trepa-trepa, bicicleta) em criança de 3–10 anos; ~95–98% são do tipo extensão. Classificação de Gartland: I sem desvio; II desviada com cortical posterior íntegra; III totalmente desviada (desconectada). Apresentação: dor, deformidade em baioneta do cotovelo, edema rápido — examinar nervos (radial, mediano e seu ramo interósseo anterior, ulnar) e a artéria braquial ANTES de manipular.
redução fechada + PINOS PERCUTÂNEOS (preferência de entrada lateral ou cruzados) — não gesso isolado
4. Outras fraturas pediátricas cobradas
Côndilo lateral do úmero (Salter-Harris IV): desvio > 2 mm é ORIF — alto risco de não consolidação e deformidade com tratamento conservador mal indicado.
Epifisiólise (deslizamento) da cabeça femoral: adolescente com dor no quadril REFERIDA AO JOELHO — fixar in situ; RX de perfil mostra o deslizamento.
Fratura de fêmur na criança pequena: idades de manejo variam (spica em menores, fixação em maiores) — e fratura de diafise femoral em criança que não anda ainda levanta suspeita de maus-tratos.
5. Complicações
Fecho prematuro da fise / barras fisárias: encurtamento e angulação (Salter III–V) — vigilância de crescimento por até 1–2 anos.
Cubitus varus (deformidade em baioneta/gunstock): sequela estética clássica da supracondiliana mal reduzida.
Contratura isquêmica de Volkmann (isquemia não reconhecida) e necrose avascular (fêmur proximal).
Consolidação em rotação: não remodela — reduzir.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioRadiografia de menino de 11 anos mostra fratura que atravessa a placa fisária terminando na metáfise, com um pequeno fragmento metafisário triangular. Classificação de Salter-Harris:
2.AvançadoMenino, 6 anos, queda de trepa-trepa: fratura supracondiliana do úmero em extensão, Gartland III. No exame, não consegue formar a pinça polegar-indicador (perda da flexão do IF do polegar), sensibilidade preservada, pulso radial presente, mão corada. Estrutura lesada:
ombro anterior: Bankart, Hill-Sachs e nervo axilar · técnicas de redução · recorrência · ombro posterior · quadril posterior: ciático, timing e necrose avascular · TC pós-redução
1. Ombro anterior: o que avaliar e o que procurar no RX
Nervo AXILAR antes e depois de toda redução: sensibilidade na face lateral do ombro ('regimental') e abdução do deltoide — o nervo mais lesado.
RX verdadeiro + perfil axilar/escapular: cabeça umeral anterior à glenoide; fratura de Hill-Sachs (impacto da cabeça na borda glenoidal) e lesão de Bankart (arrancamento do labrum anteroinferior — a lesão-chave da recorrência).
Antes de reduzir: analgesia/sedação adequada; nunca reduzir um ombro 'na força' sem relaxamento.
Técnica de redução
Como
Tração-contra-tração
tração contínua do braço com contra-tração (toalha no tórax) — a mais usada
Stimson
paciente em decúbito ventral com peso pendurado no punho — reduz só com o tempo e a sedação leve
Escapular
manipulação da escápula com o paciente em decúbito ventral
Kocher (alavanca)
rotação externa + adução — risco de fratura do úmero: manobra histórica, cuidado
2. Variantes do ombro que enganam
Luxação posterior (2–5%): mecanismo de convulsão, eletrocussão ou trauma direto; braço FIXO em rotação interna, com o perfil axilar sendo o exame que não pode faltar (o RX AP parece 'quase normal' — a mais Fácil de perder).
Luxatio erecta (inferior): braço travado em abdução completa acima da cabeça — risco vascular e neural maior.
Fratura-luxação (surgical neck, tuberosidade): reduzir com cuidado, a alavanca pode completar a fratura.
3. Quadril: luxação posterior (a do painel do carro)
Mecanismo clássico: joelho contra o painel com o quadril flexionado (o fêmur é empurrado para trás). O membro chega ENCURTADO, ADUZIDO e em ROTAÇÃO INTERNA. Avaliar o nervo CIÁTICO antes e depois da redução (dorsiflexão do tornozelo e sensibilidade plantar) — lesão em parte dos casos, a maioria com recuperação. A luxação anterior (rara) posiciona o membro em abdução e rotação externa; a 'central' é, na realidade, fratura do acetábulo com migração medial da cabeça.
Sinal/teste
Interpretação
Encurtamento + adução + rotação interna
luxação posterior de quadril
Abdução + rotação externa
luxação anterior de quadril
Dor na nátega + déficit de dorsiflexão
ciático lesado — documentar antes e depois
Dor crescente após redução, RX/articulação 'apertada'
fragmento/parede pós-traumática — TC pós-redução
4. Complicações e prognóstico
Quadril: necrose avascular (relacionada ao tempo), lesão do ciático, ossificação heterotópica, coxartrose pós-traumática, redislocamento.
Ombro: recorrência (idade), lesão do Bankart/Hill-Sachs, rotura do manguito (> 40 anos), lesão do axilar, rigidez e artropatia.
Reabilitação: quadril sem carga por tempo variável conforme estabilidade/lesões associadas; ombro com fortalecimento do manguito e escapular.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalApós redução de luxação anterior de ombro direita, qual nervo deve ser testado rotineiramente, avaliando a sensibilidade da face lateral do ombro e a abdução pelo deltoide?
2.Prova difícilHomem, 35 anos, colisão frontal (joelho bateu no painel). Chega estável com o quadril direito encurtado, aduzido e em rotação interna; RX mostra luxação posterior sem fratura evidente; refere parestesia na planta do pé. Conduta:
Infecções osteoarticulares: osteomielite e artrite séptica
osteomielite hematogênica aguda (metáfise) · artrite séptica × sinovite transitória (Kocher) · Kingella kingae e agentes por idade · artrocentese · antibióticos e duração · osteomielite crônica
PCR
6–8 h
sobe antes da VHS — melhor marcador precoce
RX na osteomielite
7–14 dias
normal na 1ª semana — não descartar por ele
Hemoculturas
~50%
positivas na osteomielite infantil
Kocher = 4
> 98%
probabilidade de artrite séptica de quadril
1. Agente por idade (a tabela que decide o antibiótico)
Idade/cenário
Agentes
Neonato
S. aureus, estreptococo do grupo B, gram-negativos (E. coli)
6 meses–4 anos
S. aureus (o mais comum no geral) e Kingella kingae (coloniza a orofaringe; quadros mais brandos, culturas muitas vezes negativas — PCR melhor que cultura)
Criança > 4 anos / adolescente
S. aureus (sensível ou MRSA conforme prevalência local)
Doença falciforme
Salmonella (não tifoídica) — cobrir quando suspeitado
Criança com dor focal, claudicação ou recusa de apoio + febre (às vezes baixa), toxemia variável.
Laboratório: PCR (sobe em 6–8 h — o melhor marcador precoce e de resposta), VHS (sobe e cai devagar), leucograma inconstante; hemoculturas positivas em cerca de metade.
RX normal na primeira semana (as primeiras alterações — rarefação, reação periostal — aparecem em 7–14 dias): RX normal NÃO descarta.
US mostra coleção subperiostal; RESSONÂNCIA é o exame de escolha (define osso e partes moles) quando o quadro não é clássico ou não responde.
O ideal: punção/biópsia (osso ou abscesso subperiostal) ANTES do antibiótico quando factível — guiando a terapia.
3. Artrite séptica × sinovite transitória: Kocher
Fluxo do quadril doloroso na criança
Criança com quadril doloroso e febre — quantos critérios de Kocher (febre > 38,5 °C · não apóia peso · VHS > 40 · leucócitos > 12.000)?
Risco intermediário (~40% na derivação original): artrocentese/punção diagnóstica antes de rotular.
3–4 CRITÉRIOS
Risco alto (4 critérios: > 98%): tratar como ARTRITE SÉPTICA — punção e drenagem (artroscopia/artrotomia), antibiótico venoso.
A sinovite transitória é um diagnóstico de exclusão em criança afebril que apóia o peso e tem exames normais.
A artrite séptica é EMERGÊNCIA: o pus com enzimas destrói a cartilagem em 24–48 h e, no quadril da criança, a pressão intra-articular ameaça a vascularização da epífise (necrose). Punção articular antes do antibiótico: líquido turvo, leucócitos tipicamente > 50.000/mm³ com neutrófilos > 90%, gram e cultura (e pesquisa de cristais para excluir gota). Gonocócica: cultura/PCR de sítios mucosos além da articular.
4. Osteomielite crônica e differential que engana
Crônica: sequestro (osso necrótico) e involucro (osso novo periostal) no RX; abscesso de Brodie (cavidade lítica com bordas escleróticas) no adolescente — tratamento CIRÚRGICO (desbridamento) + antibioticoterapia prolongada dirigida (revisão Lancet).
Ewing e leucemia mimetizam osteomielite (dor, febre, alteração medular) — dor noturna, sintomas constitucionais e imagem atípica mandam biopsiar.
Osteoma osteoide: dor NOTURNA que melhora com AAS, nidus < 1–2 cm com esclerose reacional — TC confirma; tratamento por ablação por radiofrequência.
Achado
Mais provável
Criança 3 anos, febre alta, não apóia perna, VHS 60
artrite séptica de quadril (Kocher alto)
Criança 8 anos, dor na metáfise da tíbia, febre baixa, PCR alta, RX normal
osteomielite aguda hematogênica (RM/punção)
Criança 4 anos, afebril, claudicação de início gradual, exames normais
sinovite transitória (pós-viral)
Adolescente, dor noturna com alívio pelo AAS
osteoma osteoide
Complicações e prognóstico: necrose/não formação da epífise (quadril), alteração do crescimento (lesão fisária), cronificação (portador de foco), metástases infecciosas à distância (raras); diagnosticada e tratada cedo, a osteomielite aguda da criança cura na grande maioria — a demora no antibiótico e a falha em drenar abscesso são os erros que mudam o desfecho.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioCriança de 4 anos com dor no quadril direito, febre 39 °C, recusa apoiar o membro, VHS 55 mm/h, leucócitos 14.000/mm³ (Kocher = 4). Conduta:
2.FundamentalLactente de 16 meses com artrite de joelho de início arrastado, pouco febril, hemoculturas negativas. Agente clássico dessa faixa etária, que coloniza a orofaringe e é melhor detectado por PCR do que por cultura:
imobilização e choque neurogênico · clearance cervical (NEXUS/Canadian) · SLICS e AOSpine · síndromes medulares e LESMaT · hérnia de disco e cauda equina · estenose do canal
1. Clearance cervical: NEXUS × Canadian C-spine
Regra
Critérios
NEXUS (5 critérios — todos ausentes liberam SEM imagem)
1. alerta (Glasgow 15) · 2. sem intoxicação · 3. sem dor na LINHA MÉDIA posterior cervical · 4. sem déficit neurológico focal · 5. sem outra lesão dolorosa que distraia — sensibilidade ~99% para lesão significativa
Canadian C-spine (mais específica)
Alto risco (idade ≥ 65, mecanismo perigoso, parestesias em membros) → imagem; sem alto risco, fatores de baixo risco permitem testar rotação ativa do pescoço antes de liberar
Fluxo do clearance cervical
Trauma contuso com suspeita de lesão cervical — o paciente cumpre os 5 critérios do NEXUS?
▼
SIM (todos ausentes)
Retirar a imobilização sem radiografia — a regra exclui lesão significativa com segurança.
NÃO (qualquer presente)
Manter imobilização e imagear (TC cervical como exame inicial no adulto; RX em selecionados).
Suspeita de lesão medular → RM (definir cordão, hérnias, hematoma).
DÉFICIT NEUROLÓGICO
NEXUS NÃO se aplica a quem tem déficit: imagem completa + avaliação de lesão medular (ASIA/LESMaT) e discussão de descompressão precoce.
2. Classificação: do Denis ao SLICS/AOSpine
Denis (3 colunas — anterior, média e posterior): fratura EXPLOSÃO (burst) é a falha da coluna MÉDIA, com retropulsão de fragmento para o canal — diferente da compressão simples (só anterior).
AOSpine toracolombar: A (compressão: A0–A4, conforme acomete corpo/interessa a paredes), B (falha da banda tensional posterior), C (translação em qualquer plano) + modificador neurológico.
O que decide operar na toracolombar sem déficit: integridade do complexo disco-ligamentar posterior e deformidade — ensaio randomizado clássico mostrou desfechos semelhantes entre tratamento operatório e conservador da burst SEM déficit neurológico.
3. LESMaT: exame e síndromes
Síndrome
Padrão
Medular central
idoso com hiperextensão (queda): MMSS piores que MMII, sensitivo abaixo variável — o de melhor prognóstico entre as incompletas
Medular anterior
perda motora e de dor/temperatura com colunas dorsais poupadas (propriocepção/vibração preservadas) — pior prognóstico
Brown-Séquard (hemissecção)
ipisilesional: motor e propriocepção; contralateral: dor e temperatura
Cauda equina (abaixo de L1–L2)
raízes: dor radicular bilateral, sela anestésica, bexiga neurogênica — EMERGÊNCIA cirúrgica (ver adiante)
4. Coluna degenerativa: hérnia de disco lombar e estenose
Hérnia lombar: 90% em L4–L5 (raiz L5: dor na face lateral da perna, déficit de extensão do hálux, dorso do pé) e L5–S1 (raiz S1: face posterior de coxa/perna, flexão plantar, reflexo aquileu). A história natural é FAVORÁVEL: a maioria melhora em 6–8 semanas com tratamento conservador — atividade conforme tolerância (repouso no leito NÃO é recomendado pela diretriz), analgesia escalonada. Imagem só com red flags (deficit, câncer, infecção, fratura, cauda equina) ou radiculopatia persistente > 6 semanas em candidato a intervenção. No ensaio SPORT, cirurgia e conservador melhoram muito — a discectomia alivia a radiculopatia mais rápido, com convergência no seguimento.
Claudicação
Neurogênica (estenose)
Vascular
Gatilho
deambular/em PÉ (extensão da coluna)
qualquer esforço, inclusive bicicleta
Melhora
agachar/sentar/flexionar — 'sinal do carrinho de compras'
parar de andar
Outros
lombalgia, sintomas radiculares, normal dos pulsos
PDFs ausentes, feridas isquêmicas
Estenose lombar: idoso com claudicação neurogênica; conservador primeiro (fisioterapia, analgesia); descompressão cirúrgica nas refratárias (laminectomia/foraminotomia).
Neurogenic claudication melhora flexionado — por isso o paciente anda 'empurrando o carrinho'.
Red flags da lombalgia que pedem imagem imediata: trauma significativo, febre/imunossupressão, história de câncer, déficit neurológico progressivo, cauda equina, uso crônico de corticoide.
Prognóstico: 90% das lombalgias agudas melhora em semanas; a radiculopatia por hérnia tem resolução espontânea na maioria; LESMaT completa tem pior recuperação motora que as síndromes incompletas; a cauda equina operada cedo tem melhor desfecho vesical.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalVítima de trauma contuso: alerta, sem intoxicação, sem dor na linha média posterior do pescoço, sem déficit neurológico e sem outra lesão dolorosa que distraia. Pela regra NEXUS, a conduta é:
2.Prova difícilHomem, 48 anos, lombalgia com ciatalgia bilateral há 2 semanas, hoje com anestesia em sela, retenção urinária e hipotonia do esfincter anal. Conduta:
colo do fêmur (Garden) e necrose avascular · desviada × não desviada: fixação × artroplastia · transtrocanterianas: DHS × haste · timing ≤ 48 h e anestesia · diafise e haste intramedular · fraturas periprotéticas (Vancouver)
Cirurgia
≤ 48 h
no dia da admissão ou no seguinte (NICE/AAOS)
NAV no colo desviado
15–50%
séries variam; retardo piora
Mortalidade em 1 ano
20–30%
idosos — o evento que muda a vida
Colo associado à diafise
1–9%
RX com cortes finos antes da haste
1. Anatomia vascular manda na conduta
O colo femoral é INTRAcapsular: envolto pela sinóvia, sem periósteo, nutrido pelos vasos retinaculares (ramos da circunflexa femoral medial) que sobem pelo colo — a fratura desviada lesa esses vasos e coloca a cabeça em risco de NECROSE AVASCULAR e não consolidação. A transtrocanteriana é EXTRAcapsular: vascularização preservada, consolida — o problema é mecânico (cominução, instabilidade).
2. Classificação e conduta no colo do fêmur
Garden
Definição
Conduta
I
incompleta, impactada em valgo (sem desvio)
fixação interna (parafusos canulados) — risco de NAV baixo, mas não zero
II
completa SEM desvio
fixação interna (3 parafusos canulados em triângulo)
o mesmo dilema do III — NAV e pseudoartrose elevadas
Fluxo do colo femoral
Fratura intracapsular do colo — qual o paciente?
▼
SEM DESVIO (Garden I–II)
Osteossíntese com parafusos canulados — preservar a cabeça.
Carga conforme protocolo e vigilância de NAV (RM se dor persistente).
DESVIADA + JOVEM
EMERGÊNCIA: redução anatômica (fechada ou aberta) e fixação o quanto antes (ideal < 24 h) — cada hora conta contra a NAV.
DESVIADA + IDOSO
ARTROPLASTIA: hemiartroplastia (baixa demanda/comprometido cognitivo) ou TOTAL (comunitário, cognição íntegra — melhor função e menos revisão, com pequeno excesso de luxação).
Insistir em parafusos em osso osteopênico = pseudoartrose e revisão.
3. Transtrocanterianas e subtrocanterianas
Estável (2 fragmentos, trave intertrocanteriana íntegra): parafuso deslizante do quadril (DHS/slide hip screw) com prato lateral.
Instável (cominuta posterior/medial, obliquidade reversa, subtrocantérica): HASTE INTRAMEDULAR cefalomedularária — fecha o braço de alavanca e permite carga mais precoce em selecionados.
São extracapsulares: NAV rara; complicações típicas são mecânicas (cut-out do parafuso no quadril, colapso em varo).
4. Diafise femoral e fraturas periprotéticas
Diafise: HASTE INTRAMEDULAR bloqueada é o padrão-ouro; tração apenas como ponte; atentar à embolia gordurosa nas primeiras 24–72 h.
Sempre procurar fratura do colo associada (1–9%): RX com cortes finos/TC antes da haste — perder essa fratura é complicação clássica.
Periprotética (ao redor da haste): classificação de Vancouver — A (trocanter), B1 (haste estável/bem fixada), B2 (haste solta), B3 (solta + perda de estoque), C (distal à haste). B1: osteossíntese com placa/cerclagem; B2/B3: revisão da haste (+ osteossíntese); C: placa distal.
5. Complicações e prognóstico
Mortalidade em torno de 20–30% no primeiro ano no idoso — o evento marca o início do declínio funcional em parte dos sobreviventes. Locais: NAV e pseudoartrose (colo), cut-out e colapso varo (transtrocanteriana), infecção, lesão do ciático em abordagens posteriores, luxação após artroplastia (maior na total que na parcial, mas com melhor função). Prevenção secundária (osteoporose + quedas) é parte do tratamento — a fratura do quadril é a primeira manifestação da osteoporose em muitos pacientes.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 80 anos, vive sozinha, deambula na comunidade e tem cognição íntegra: fratura do colo do fêmur desviada (Garden III) após queda da própria altura. Melhor tratamento:
2.AvançadoMulher, 74 anos, artroplastia total do quadril há 6 anos: fratura do fêmur ao redor da haste, que se mostra estável e bem fixada à prótese na imagem (Vancouver B1). Conduta:
radiografia × idade · osteossarcoma (Codman) e Ewing (cebola) · metástases e Mirels · estadiamento de Enneking e regras da biópsia · pé diabético (Wagner/IDSA) e osteíte · amputações: níveis e reabilitação
1. A aproximação: idade + localização no osso + padrão radiográfico
Idade
Primeiros diagnósticos
< 20 anos
osteossarcoma (metáfise) · sarcoma de Ewing (diáfise) · osteoma osteoide (dor noturna com alívio pelo AAS)
20–40 anos
tumor de células gigantes (epífise do osso maduro, lítico excêntrico) · displasia fibrosa
> 40 anos
metástase e mieloma primeiro — todo osso doloroso acima dos 40 com lesão lítica é metástase até prova contrária
2. Sarcomas ósseos primários: os dois campeões
Osteossarcoma
Ewing
Idade/pico
adolescente (pico 10–20 anos), durante o estirão
criança/adolescente (diáfise)
Local
metáfise do joelho (fêmur distal > tíbia proximal) e úmero proximal
diáfise de fêmur/pélvis
RX
lesão mista com matriz osteoide (nuvens), invasão cortical, reação periostal: TRIÂNGULO DE CODMAN e espinhos radiais (sol nascente)
lesão permeativa lítica com reação periostal em camadas (CEBOLA)
Marcadores/extras
fosfatase alcalina elevada em boa parte; metástase pulmonar (TC de tórax)
quadro constitucional (febre, leucocitose) que imita osteomielite; t(11;22) EWSR1
quimioterapia + controle local (cirurgia e/ou radioterapia — radiossensível)
3. Metástases e fratura patológica: Mirels
No adulto > 40 anos, metástase (mama, pulmão, próstata — blástica, rim, tireoide) supera os tumores primários. Localização predominante: coluna, pelve, fêmur proximal. Diagnóstico: RX + RM do segmento, TC de tórax/abdome para o primário, cintilografia ou PET para o mapeamento. Tratamento paliativo: radioterapia, bisfosfonatos/denosumabe e estabilização cirúrgica.
4. Estadiamento e a regra que salva o membro: a BIÓPSIA
Enneking: benignos 1–3 (latente/ativo/agressivo); malignos IA/IB (baixo grau, intra/extra-compartimental), IIA/IIB (alto grau — o IIB é o mais comum na apresentação), III (metastático). Define a margem: intralesional, marginal, ampla, radical.
A biópsia (agulha ou incisional) deve ser planejada junto à ressecção definitiva: trato único, LONGITUDINAL, no alinhamento da futura incisão, com hemostasia rigorosa, atravessando um único compartimento — o trato é ressecado junto com o tumor.
Encaminhar ao centro de referência ANTES de biopsiar: biópsia mal planejada contamina compartimentos e pode sacrificar a ressecção (e o membro).
Quando infecção entra no diferencial (Ewing!), enviar sempre cultura do material da biópsia.
5. Pé diabético
Wagner
Lesão
0
pele íntegra (risco/deformidade)
1
úlcera superficial (pele)
2
úlcera profunda até tendão/cápsula/articulação, sem abscesso/osteite
3
abscesso/osteomielite
4
gangrena de antepé (digital/metatarsiana)
5
gangrena extensa do pé
Infecção (IDSA/IWGDF) exige ≥ 2 sinais locais (eritema, calor, dor, edema, endurecimento, secreção) e se gradua: LEVE (só pele/subcutâneo), MODERADA (mais profunda: eritema > 2 cm, abscesso, gangrena limitada, osteíte, sem toxicidade sistêmica) e GRAVE (SIRS: febre/hipotermia, FC > 90, RR > 20, leucocitose > 12.000 ou > 10% de bastonetes).
Osteite: sonda-to-bone positiva (a sonda alcança osso) é o teste de beira-leito com maior likelihood ratio; VHS/PCR elevados apoiam; RX inicial e RM para extensão.
Tratamento da úlcera não infectada: desbridamento de calosidades/tecido desvitalizado, DESCARGA (bota gesso de contato total é o padrão no pé plantar), curativos, controle glicêmico.
Infecção leve: oral por 1–2 semanas cobrindo estreptococos e estafilococos; moderada/grave: IV de amplo espectro incluindo gram-negativos e anaeróbios (+ MRSA conforme prevalência), com desbridamento cirúrgico.
Osteíte: desbridamento ósseo + antimicrobiano dirigido por cultura de osso; quando o osso é mantido, a duração típica é ≥ 6 semanas (diretriz IDSA).
Isquemia (pedal ausente/ABI alterado): angio-TC/arteriografia e revascularização (endovascular preferida) — sem sangue, antibiótico não cicatriza.
6. Amputações
Nível
Nota
Dedo/raio (ray)
perda mínima; osteotomia do metatarsiano no ray
Transmetatarsiana
amputação do antepé ao nível dos metatarsianos — preserva o retropé; exige calçado adaptado
Chopart / Syme
desarticulação tarso-metatarsiana / tornozelo — seleção rigorosa de vascularização
Transtibial (transtibial/BKA)
SALVAR O JOELHO: o melhor prognóstico de deambulação com prótese; gasto energético da marcha aumenta cerca de 10–40%
Transfemoral (transfemoral/AKA)
perda do joelho: gasto energético cerca de 50–70% maior e marcha mais difícil — cada centemetro de fêmur preservado ajuda
Indicações principais: infecção/isquemia não recuperável (o pé diabético é a maior causa de amputação não traumática), trauma irrecuperável, tumor (margem), queimadura.
Técnica: nível com perfusão e cobertura adequados, miodesese/mioplastia, nervo tratado (neuroma), curativo rígido imediato (edema/dor); nível determinado por exame clínico, índices de pressão e, quando necessário, oximetria transcutânea — as fontes divergem no limiar exato.
Reabilitação: enfaixamento do coto, fortalecimento, protetização precoce; dor do coto × dor FANTASMA (multimodal no perioperatório reduz; gabapentina/pregabalina e antidepressivos no tratamento).
Após amputação por diabetes, o risco de contralateral em anos é alto: prevenção agressiva do outro pé no follow-up.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAdolescente, 15 anos, dor no joelho progressiva com massa palpável; RX mostra lesão mista na metáfise distal do fêmur com invasão cortical e reação periostal em triângulo de Codman. Próximo passo:
2.AvançadoMulher, 62 anos, metástase lítica de carcinoma de mama no fêmur subtrocantérico ocupando mais de 2/3 do diâmetro ósseo, com dor que impede a deambulação (Mirels = 12). Conduta sobre o fêmur:
I Straight (só a fise) · II Above (metáfise, Thurstan Holland) · III Lower (epífise) · IV Through (tudo) · V Esmagada — quanto maior o número, pior para o crescimento.
Codman × cebola
triângulo de Codman/sunburst = osteossarcoma na metáfise; camadas de cebola = Ewing na diáfise.
5 P da isquemia
dor, parestesia, palidez, paralisia, pulso — os dois últimos são tardios: a dor desproporcional e à mobilização passiva decide antes.
Idade × tumor (2–4–40)
até ~20: osteossarcoma/Ewing · 20–40: células gigantes · acima de 40: metástase/mieloma.
Kocher em 4 tiros
febre, não apoiar, VHS, leucócitos — cada critério é um tiro; 4 tiros = drenagem do quadril.
Delta P < 30
pressão diastólica − pressão do compartimento: menor que 30 = fasciotomia; não espere o pulso sumir.
Garden pela memória
I e II sem desvio (fixa com parafusos); III e IV desviadas (idoso = artroplastia; jovem = urgência).
As pegadinhas mais cobradas
RX normal não afasta: Salter I, Salter V, osteomielite da 1ª semana, fratura oculta do quadril — clínica e PCR/RM decidem.
Pulso presente não exclui síndrome compartimental — dor desproporcional e à mobilização passiva manda.
Antibiótico na fratura exposta começa na CHEGADA; culturas são de tecido profundo no desbridamento — não esperar para 'não contaminar a cultura'.
Mão pálida e sem pulso após supracondilar = explorar a artéria; mão ROSA sem pulso = vigilância neurovascular, não alta.
Ombro: jovem reluxa (Bankart); acima de 40 anos rotura o manguito — a banca inverte as idades.
Luxação posterior de quadril: rotação INTERNA e adução; fratura do colo: rotação EXTERNA — a troca derruba candidato.
Choque neurogênico = hipotensão com BRADICARDIA (acima de T6); hipovolêmico taquicardiza — volume maciço no neurogênico faz edema pulmonar.
Hérnia lombar: repouso no leito NÃO é recomendado e a RM só com red flag ou radiculopatia persistente > 6 semanas.
Cirurgia na hérnia alivia mais rápido, mas o desfecho converge com o conservador (SPORT) — cirurgia não é primeira linha do caso simples.
Fratura do colo desviada no idoso: artroplastia; parafusos em osso osteopênico = pseudoartrose + NAV.
DHS é para transtrocanteriana (extracapsular) — usar no colo do idoso é erro clássico.
Biópsia de tumor ósseo fora do centro de referência (ou transversa, ou drenando 'abscesso' de Ewing) compromete a ressecção e o membro.
Pé diabético sem infecção não leva antibiótico — leva desbridamento e DESCARGA; com osteîte (sonda-to-bone), o antimicrobiano é prolongado e dirigido.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda fratura exposta: cefazolina na chegada (+ aminoglicosídeo no grau III, + penicilina na fazenda), desbridamento até 24 h, antitetânica.
Toda dor desproporcional sob gesso ou após osteossíntese: bivalvar e pensar compartimento — delta P < 30 é fasciotomia.
Toda criança com quadril doloroso e febre: Kocher; 3–4 critérios = artrite séptica — punção e drenagem, não AINH.
Toda luxação de quadril: reduzir o quanto antes (ideal < 6 h) e testar o ciático antes e depois; TC pós-redução.
Todo trauma cervical suspeito: aplicar os 5 critérios do NEXUS antes de pedir imagem; déficit = imagem completa.
Toda LESMaT: evitar hipoxia e hipotensão; descompressão até 24 h quando indicada.
Toda ciatalgia bilateral com sela anestésica e retenção: cauda equina — RM urgente e cirurgia em 24–48 h.
Todo idoso com fratura de quadril: operar no dia da admissão ou no seguinte, levantar no 1º dia e tratar a osteoporose.
Todo osso doloroso acima dos 40 anos: metástase/mieloma até prova contrária; Mirels ≥ 8 fixa antes de fraturar.
Todo pé diabético: monofilamento na triagem; úlcera = descarga; infecção moderada/grave = desbridamento + IV amplo; isquemia = revascularizar.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Hemartrose aguda pós-entorse no jovem
Lesão do LCA
Dor óssea noturna com alívio pelo AAS
Osteoma osteoide
Dor à mobilização passiva dos dedos sob gesso
Síndrome compartimental
Criança + joelho contra o painel + rotação interna e encurtamento
Luxação posterior de quadril
Queda de trepa-trepa + sinal do OK perdido
Supracondiliana com lesão do interósseo anterior
Lactente 6–48 meses + artrite pouco febril + cultura negativa
Kingella kingae
Triângulo de Codman na metáfise de adolescente
Osteossarcoma
Reação periostal em cebola na diáfise
Sarcoma de Ewing
Ciatalgia bilateral + sela anestésica + retenção urinária
Cauda equina — cirurgia urgente
Claudicação que melhora empurrando carrinho de compras
Estenose lombar
Idoso + queda de baixa energia + membro encurtado em rotação externa
Fratura do colo do fêmur
Sonda-to-bone positiva em úlcera plantar
Osteíte do pé diabético
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.AvançadoHomem, 24 h após osteossíntese de fratura de perna: dor desproporcional no compartimento anterior; pressão intracompartimental 45 mmHg com PA 110/70 mmHg (delta P 25 mmHg). Conduta:
2.IntermediárioMenino de 10 anos: fratura fisária do rádio distal cujo traço atravessa epífise, placa e metáfise, com degrau articular de 3 mm. Conduta:
3.FundamentalPaciente recebe alta com gesso antebraquial. Qual orientação exige RETORNO IMEDIATO ao serviço?
4.AvançadoCriança de 7 anos com osteomielite aguda hematogênica da tíbia, sem abscesso na RM, afebril há 48 h do antibiótico e com PCR em queda. Estratégia antimicrobiana com melhor evidência:
5.Prova difícilHomem, 28 anos, queda de altura: fratura cervical com tetraplegia; na sala de trauma PA 76/44 mmHg, FC 42 bpm, SpO2 95%, sem sangramento externo evidente. Manejo hemodinâmico:
6.IntermediárioIdosa de 84 anos com fratura transtrocanteriana do quadril, clinicamente estável. Qual medida independente está associada a menor mortalidade e menos complicações?
7.IntermediárioHomem, 19 anos, atleta, terceira luxação anterior do ombro direito em 2 anos, todas com trauma banal; exame neurológico normal. Lesão estrutural esperada e conduta:
8.AvançadoHomem, 60 anos, diabético: úlcera plantar profunda com exposição óssea (sonda-to-bone positiva), eritema de 4 cm, exsudato purulento, sem febre nem leucocitose; pulsos pediosos presentes. Conduta:
Gabarito rápido
1-B · 2-C · 3-A · 4-B · 5-B · 6-A · 7-B · 8-B
Referencial teórico
24 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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