Baseado nos artigos publicados da matéria Oftalmologia da Central de Estudos (fonte principal) e nos Preferred Practice Patterns da AAO publicados no Ophthalmology (2020–2026), revisões de alto impacto (JAMA, Lancet, Surv Ophthalmol) e diretrizes ACR 2019 e EULAR 2018 (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Olho vermelho: avaliação
triagem com sinais de alarme · conjuntivites · ceratites · epiesclerite × esclerite · olho seco (DEWS II)
Sinal de alarme
1 basta
para referir ao oftalmologista no mesmo dia
Hiperemia ciliar
perigo
circumcorneal: córnea, íris ou trabécula
Ceratite herpética
aciclovir 3%
pomada oftálmica 5×/dia por 10–14 dias
TBUT
< 10 s
suporte diagnóstico do olho seco (DEWS II)
1. A pergunta que organiza tudo
Olho vermelho é a queixa ocular mais comum da clínica geral e a maioria dos casos é banal (conjuntivites, olho seco, pequenos traumatismos). O que decide a conduta não é a intensidade da hiperemia, mas a presença de SINAL DE ALARME — e um único sinal basta para referir ao oftalmologista no mesmo dia, porque as causas perigosas (ceratite, uveíte, esclerite, glaucoma agudo, endoftalmite) cegam em horas a dias.
Achado
Diagnóstico a considerar
Conduta
Hiperemia difusa + secreção + olho confortável + visão normal
Conjuntivite (viral, bacteriana, alérgica)
Ambulatorial (seção 2)
Dor + fotofobia + hiperemia ciliar + pupila miótica
Uveíte anterior (ou ceratite)
Referência urgente — módulo Uveítes
Dor intensa + halos + vômitos + córnea turva + pupila média fixa
Glaucoma agudo por fechamento de ângulo
Emergência — módulo Glaucoma
Dor + deficiência epitelial que capta fluoresceína
Ceratite infecciosa
Referência no mesmo dia (seção 3)
Dor profunda que piora à noite e desperta o paciente
Esclerite
Referência — investigar doença sistêmica
Dor + hipópio + cirurgia ocular ou trauma perfurante recente
Endoftalmite
Emergência absoluta — módulo Catarata
2. Conjuntivites: viral, bacteriana e alérgica
Conjuntivite aguda é inflamação da conjuntiva com hiperemia difusa, secreção e desconforto — sem dor verdadeira, sem fotofobia importante e com visão preservada. Em adultos, a causa mais comum é viral (adenovírus, altamente contagiosa); em crianças, as bacterianas predominam em séries de urgência. A conjuntivite bacteriana é autolimitada (dias a 2 semanas) e o antibiótico tópico acelera a melhora clínica e a erradicação bacteriana.
Viral (adenovírus)
Bacteriana
Alérgica
Secreção
aquosa ou mucosa
purulenta (amarelo-esverdeada), pálpebras coladas ao acordar
higiene (toalha e travesseiro separados), lubrificante, compressa fria — sem antibiótico
colírio antibiótico (ex.: moxifloxacina 0,5% 3×/dia ou tobramicina 0,3% 4×/dia por 5–7 dias)
anti-histamínico tópico, lubrificante, evitar o alérgeno
3. Ceratites: as inflamações de córnea que cegam
Bacteriana: fator de risco clássico é lente de contato (Pseudomonas). Quadro: dor, fotofobia, infiltrado branco na córnea, hipópio nos avançados. Tratamento inicial: quinolona tópica (ex.: ofloxacino 0,3% ou moxifloxacina 0,5%) de hora em hora, dia e noite, sob supervisão oftalmológica; suspensão imediata da lente.
Herpética (HSV): a úlcera dendrítica capta fluoresceína em padrão ramificado — padrão clássico de prova. Tratamento da ceratite epitelial: aciclovir 3% pomada oftálmica 5×/dia (ou ganciclovir 0,15% gel 5×/dia) por 10–14 dias. A ceratite estromal é mediada por imunidade e exige corticoide tópico — sempre sob cobertura antiviral.
Acanthamoeba: usuário de lente de contato com exposição a água (piscina, chuveiro). Dor desproporcional aos achados e ceratoneurite radial. Diagnóstico tardio = péssimo prognóstico — suspeitar cedo.
4. Epiesclerite × esclerite
Epiesclerite
Esclerite
Dor
leve, desconforto
profunda, pulsátil, pior à noite, desperta o paciente
Hiperemia
setorial, salmão
azulada/violácea à luz natural
Vasos
mobilizáveis, branqueiam com fenilefrina 2,5%
engarrafados, não branqueiam — esclera profunda envolvida
Doença sistêmica
incomum
frequente — artrite reumatoide é a mais comum; vasculites (granulomatose com poliangeíte)
Tratamento
resolutiva em dias a semanas; lubrificante, AINE se necessário
AINE sistêmico → corticoide → imunossupressor; a forma necrosante é a mais grave
5. Olho seco — definição DEWS II
Definição TFOS DEWS II: doença multifatorial da superfície ocular e da película lacrimal caracterizada por PERDA DA HOMEOSTASE da película, com inflamação oscular, dano da superfície e alterações neurosensoriais (dor). Causa muito comum de olho vermelho intermitente, ardência e visão embaçada que melhora piscando e piora ao fim do dia, em leitura e em ambientes com ar-condicionado.
Diagnóstico: sintomas (questionários padronizados) + sinais: tempo de ruptura lacrimal (TBUT) < 10 s, Schirmer < 10 mm/5 min (deficiência aquosa; < 5 mm na forma franca), osmolaridade lacrimal ≥ 308 mOsm/L e coloração com fluoresceína/lissamina verde (exposição interpalpebral).
Tratamento escalonado: 1) lubrificantes sem conservantes (4×/dia ou mais) e higiene palpebral; 2) anti-inflamatório tópico — ciclosporina 0,05% (1 gota 12/12 h; efeito em semanas a meses) ou corticoide tópico por período curto; 3) oclusão punctal e, nos refratários, soro autólogo.
Ômega-3 em 3 g/dia por 12 meses NÃO foi superior ao placebo no ensaio DREAM — a suplementação não é terapia de primeira linha.
Olho seco grave + xerostomia em mulher de meia-idade: rastrear síndrome de Sjögren primária (anti-Ro/SSA e anti-La/SSB).
Fluxo do olho vermelho
Há algum sinal de alarme (dor, fotofobia, baixa visual, hiperemia ciliar, pupila alterada, lente de contato, trauma)?
▼
NÃO — quadro banal
Conjuntivite viral/bacteriana/alérgica ou olho seco: conduta ambulatorial.
Reavaliar em 5–7 dias: piora ou persistência muda o diagnóstico — nunca encerrar o caso sem evoluir.
SIM — causa perigosa até prova contrária
Referir ao oftalmologista NO MESMO DIA (ceratite, uveíte, glaucoma agudo, esclerite, endoftalmite).
Não prescrever corticoide tópico por telefone: corticoide sem diagnóstico deixa a córnea infecciosa pior.
TRAUMA QUÍMICO OU PERFURANTE
Químico: irrigar imediatamente, antes de qualquer coisa (módulo Trauma).
Suspeita de globo aberto: escudo rígido e nada mais (módulo Trauma).
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 24 anos, usuário de lente de contato, há 2 dias com olho vermelho, dor progressiva, fotofobia e visão embaçada; à lâmpada de fenda há infiltrado branco na córnea. Conduta:
2.FundamentalCriança de 4 anos, ambos os olhos hiperemiados há 3 dias, secreção amarelo-esverdeada que cola as pálpebras de manhã; brinca normalmente, sem dor nem fotofobia, e enxerga bem. Diagnóstico e conduta:
transitória × permanente · dolorosa × indolor · amaurose fugax · OACR e arterite de células gigantes · OVCR · neurite óptica · descolamento de retina
Amaurose fugax
minutos
cortina monocular que desce e restaura — TIA ocular
GCA
VHS > 50
corticoide não espera biópsia
Neurite óptica
dor ~92%
à movimentação do globo (ONTT)
OVCR isquêmica
~90 dias
risco de glaucoma neovascular
Fluxo da perda visual súbita
A perda foi transitória (restaurou) ou é permanente?
▼
TRANSITÓRIA, monocular, indolor
Amaurose fugax: escurecimento tipo cortina (altitudinal), segundos a minutos, com recuperação completa.
Comportar-se como TIA/AVC: investigar fonte embólica — imagem de carótidas, ECG/rastreio de fibrilação atrial — o risco de AVC é maior nos primeiros dias.
PERMANENTE e indolor
Idoso > 50 anos com cefaleia, claudicação mandibular ou polimialgia: AION arterítica (GCA) — VHS/PCR e corticoide IV já.
Mancha macular cereja + retina pálida: OACR — excluir GCA e investigar causa embólica.
Hemorragias em chama de vela nos 4 quadrantes: OVCR.
Cortina fixa + fotopsias + moscas novas: descolamento de retina.
PERMANENTE e dolorosa
Dor que piora ao mover o olho em adulto jovem: neurite óptica.
Dor intensa + halos + vômitos + córnea turva: glaucoma agudo por fechamento de ângulo.
Dor + hipópio após cirurgia/trauma perfurante: endoftalmite.
1. Amaurose fugax — o TIA do olho
Déficit visual monocular transitório (segundos a minutos) descrito como cortina que desce, frequentemente altitudinal, com recuperação completa. Causa habitual: êmbolo (placa de colesterol, êmbolo fibrinoplaquetário ou cardíaco) oriundo da carótida ou do coração. É TIA ocular: exige investigação de origem embólica em urgência — imagem de carótida e rastreio de fibrilação atrial — porque o risco de AVC isquêmico subsequente é elevado, sobretudo nos primeiros dias.
Amaurose fugax não é doença ocular primária: o olho é o território isquêmico de uma doença vascular — o tratamento visa prevenir o AVC, não tratar o olho.
2. Oclusão de artéria central da retina (OACR) e arterite de células gigantes
OACR é a obstrução da artéria central da retina com isquemia retiniana aguda: fundo com retina pálida edematosa e MANCHA MACULAR CEREJA (a fóvea, fina e sem camadas internas, deixa transparecer a coroide). A visão costuma cair para contagem de dedos ou pior. A prioridade em maiores de 50 anos é excluir ARTERITE DE CÉLULAS GIGANTES: cefaleia temporal nova, claudicação mandibular, dor de couro cabeludo, polimialgia, VHS frequentemente > 50 mm/h e PCR elevada. Nenhuma intervenção de reperfusão (redução da PIO, massagem digital, paracentese) restabeleceu visão de forma consistente na literatura; o que muda prognóstico é tratar a GCA e prevenir o AVC — a OACR deve ser manejada como urgência vascular.
edema hiperêmico, disco pequeno e sem escavação (disco em risco)
Tratamento
corticoide IV imediato
sem terapia comprovada — controlar fatores de risco vasculares (HAS, DM, dislipidemia, apneia do sono)
4. Oclusão de veia central da retina (OVCR)
Obstrução do retorno venoso: hemorragias em chama de vela nos 4 quadrantes, veias dilatadas e tortuosas, edema de disco e de mácula. Distinguir a forma não isquêmica (visão menos comprometida) da isquêmica (visão muito baixa, defeito pupilar aferente relativo) — a isquêmica evolui com NEOVASCULARIZAÇÃO em cerca de 90 dias: glaucoma neovascular (olho vermelho dolorido, PIO alta, rubeose da íris) que exige fotocoagulação panretiniana. O edema macular trata-se com injeções intravítreas de anti-VEGF ou implante de dexametasona.
5. Neurite óptica — a jovem com dor ao mover o olho
Mulher, 20–40 anos, dor orbitária que PIORA COM A MOVIMENTAÇÃO OCULAR (presente em cerca de 92% dos casos no ONTT), baixa visual progressiva em dias, dessaturação de cores e defeito pupilar aferente relativo; o disco é normal em cerca de dois terços (neurite retrobulbar). Ensaio ONTT: metilprednisolona IV 1 g/dia por 3 dias seguida de prednisona oral em desmame acelera a recuperação, mas não muda a acuidade final; a prednisona oral isolada não melhora o desfecho e associa-se a mais recidivas. Risco de esclerose múltipla em 15 anos: ~72% com pelo menos 1 lesão na RM de entrada contra ~25% com RM normal — toda neurite óptica pede RM.
6. Cortina fixa: descolamento de retina e hemorragia vítrea
Descolamento de retina regmatogênico: FOTOPSIAS (flashes) + moscas volantes de início súbito + defeito em cortina que avança. O diagnóstico é clínico (oftalmoscopia com pupila dilatada); a urgência cirúrgica é máxima quando a mácula ainda está colada — sintomas novos = exame no mesmo dia.
Ruptura retiniana sem descolamento: fotocoagulação ou criopexia profilática fecha a porta do descolamento.
Hemorragia vítrea: moscas densas ou perda visual com fundo não visualizável — ultrassom para excluir descolamento; causas frequentes: retinopatia diabética proliferativa, tração vítreo-retiniana e trauma.
Causa
Dor
Achado-chave
Prioridade
Amaurose fugax
não
cortina monocular de minutos com recuperação total
TIA — carótida e coração
OACR
não
mancha macular cereja
excluir GCA; avaliar como AVC ocular
AION arterítica (GCA)
cefaleia, claudicação mandibular
disco pálido edematoso + VHS alta
corticoide IV imediato
OVCR
não
hemorragias em chama de vela nos 4 quadrantes
vigiar neovascularização (~90 dias)
Neurite óptica
sim — piora ao mover o olho
RAPD + disco normal em 2/3
pulso IV + RM (risco de EM)
Glaucoma agudo
intensa, com vômitos
córnea turva, pupila média fixa, PIO 40–80 mmHg
emergência — módulo Glaucoma
Descolamento de retina
não
cortina fixa + fotopsias
cirurgia urgente se mácula colada
Questões do módulo · 02
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.Prova difícilMulher, 79 anos, há 3 dias com cefaleia temporal nova, dor ao mastigar e dor nos ombros; hoje acordou com perda visual grave no olho direito. VHS 96 mm/h. Conduta:
2.IntermediárioMulher, 28 anos, há 4 dias com dor retroorbitária que piora ao mover o olho esquerdo, visão embaçada e cores apagadas; disco óptico normal e defeito pupilar aferente relativo à esquerda. Melhor conduta:
3.FundamentalHomem, 67 anos, há 1 hora teve episódio de 10 minutos em que a visão do olho esquerdo apagou como uma cortina, com recuperação total; exame ocular normal. Conduta:
03
Trauma ocular
queimadura química (lavar antes de tudo) · classificação BETT · globo aberto · Ocular Trauma Score · hifema
pH alvo
7,0–7,4
após irrigação copiosa com eversão palpebral
Irrigação inicial
1–2 L
começa antes da anamnese
OTS
1–5
AV inicial é a variável de maior peso
Hifema
2º–5º dia
pico de ressangramento
1. Classificação anatômica (BETT)
Termo BETT
Definição
Trauma fechado (contusão)
agente rombo, sem solução de continuidade da córnea/esclera
Trauma aberto — ruptura
solução de continuidade por agente rombo (impacto de grande energia)
Trauma aberto — laceração
ferida cortante da córnea e/ou esclera
Ferida penetrante
entrada única — o objeto não atravessa a parede oposta
Ferida perfurante
entrada E saída — o objeto atravessa o globo
Corpo estranho intraocular
objeto retido dentro do olho (metal, madeira, vidro)
2. Suspeita de globo aberto: o que fazer e o que nunca fazer
Sinais: acuidade muito baixa, hipotonia, hipema, pupila irregular ou deslocada, hemorragia subconjuntival 360°, história de objeto de alta velocidade (martelo sobre metal) ou agulha.
Conduta: ESCUDO rígido apoiado no rebordo orbital, jejum, analgesia e antiemético (vômito pressuriza o globo), antibioticoterapia IV de larga cobertura (ex.: vancomicina + ceftazidima), profilaxia antitetânica, TC de órbita para corpo estranho e encaminhamento cirúrgico.
Nunca: oclusão compressiva, tonometria, manipulação, remoção de corpo estranho impactado ou instilação de colírios antes da avaliação especializada.
3. Ocular Trauma Score (OTS)
O OTS estima a acuidade visual final em 6 meses: parte da AV inicial — a variável de maior peso (NLP 60 · PL/HM 70 · 1/200–19/200 80 · 20/200–20/50 90 · ≥ 20/40 100 pontos) — e subtraem-se fatores de pior prognóstico: ruptura global, endoftalmite, ferida perfurante, descolamento de retina e defeito pupilar aferente relativo. O escore final classifica o trauma em OTS 1 (pior prognóstico) a OTS 5 (melhor) e orienta o aconselhamento do paciente e a decisão terapêutica.
4. Trauma contuso: o hifema
Sangue na câmara anterior após trauma rombo. Graduação: I até 1/3 da câmara; II de 1/3 a 1/2; III mais de 1/2; IV total (bola oito). Complicações: ressangramento (pico entre o 2º e o 5º dia, geralmente maior que o sangramento inicial), glaucoma agudo e crônico, impregnação hemática da córnea (blood staining) e atrofia óptica por pressão prolongada.
5. Trauma orbitário e do nervo óptico
Fratura de órbita: enoftalmia e diplopia (assoalho, com hérnia de tecido e hipoestesia infraorbital) — confirmar com TC de órbita; cirurgia em casos selecionados.
Hematoma periorbitário bilateral após TCE (sinal de óculos): suspeitar fratura de base de crânio.
Neuropatia óptica traumática: acuidade muito baixa sem globo aberto; conduta controversa (corticoide em casos selecionados versus observação) — decisão compartilhada com oftalmologia/neurocirurgia.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalTrabalhador sofre respingo de soda cáustica no olho direito. Primeira conduta:
2.AvançadoHomem, 32 anos, martelava metal quando sentiu algo atingir o olho esquerdo; chega com acuidade de contagem de dedos, hipotonia, hipema e pupila irregular. Conduta:
neuropatia óptica e PIO · glaucoma primário de ângulo aberto · crise de fechamento de ângulo · pseudoexfoliação · glaucoma congênito · colírios, laser e cirurgia
PIO normal
10–21 mmHg
> 21 = suspeita, não diagnóstico isolado
Meta inicial
−20–30%
da PIO basal; reavaliar pelo nervo e pelo campo
Crise aguda
40–80 mmHg
acetazolamida IV antes da pilocarpina
1ª linha tópica
prostaglandina
latanoprost 0,005% 1 gota à noite
1. Glaucoma primário de ângulo aberto (PAAG)
Avaliação completa: PIO (média populacional 15–16 mmHg; > 21 mmHg marca o percentil superior), gonioscopia (ângulo aberto — diferencia do fechado), paquimetria (córnea fina subestima a PIO real e é fator de risco), nervo óptico (escavação, assimetria, hemorragias em fiapo), campo visual (escotomas arqueados, degrau nasal) e OCT da camada de fibras nervosas.
Fatores de risco: idade avançada, ancestralidade africana, familiar em primeiro grau, PIO elevada, córnea fina, miopia alta e uso crônico de corticoide.
Meta terapêutica: reduzir a PIO 20–30% no início (mais se dano avançado) — é o único tratamento comprovado; o alvo se reavalia a cada visita pela estrutura (nervo) e função (campo).
2. Colírios hipotensivos
Classe
Exemplo
Efeitos e notas de prova
Análogo de prostaglandina
latanoprost 0,005% — 1 gota à noite
1ª linha: potente e 1×/dia; hiperemia, cílios maiores, escurecimento da íris e da pele periocular
Betabloqueador
timolol 0,5% — 12/12 h
bradicardia e broncoespasmo: proibido em asma/DPOC; pode mascarar hipoglicemia
Alfa-2 agonista
brimonidina 0,2% — 8/8 h
alergia folicular tardia; letargia em criança — evitar
Inibidor tópico de anidrase carbônica
dorzolamida 2% — 8/8 h
efeito modesto; gosto amargo e parestesia perioral
Inibidor de Rho-quinase
netarsudil — 1×/dia
terapia adjuvante; hiperemia e ceratopatia pontilhada
3. Crise aguda de fechamento de ângulo
Olho hipermetrope de câmara rasa sofre bloqueio pupilar (contato íris-cristalino) desencadeado por midríase — escuro, emoção, anticolinérgicos, descongestionantes nasais — com PIO de 40 a 80 mmHg em minutos a horas. Quadro: DOR ocular intensa com náuseas e vômitos (imita abdome agudo), visão embaçada com HALOS coloridos ao redor de luzes (edema corneano), córnea turva, pupila média, fixa e oval, hiperemia ciliar e olho duro à palpação.
4. Glaucomas secundários e congênito
Pseudoexfoliação: depósitos fibrilares esbranquiçados na borda pupilar e na zônia, linha de Sampaolesi na trabécula; PIO mais elevada e flutuante, pupila que dilata mal e zônia frágil na cirurgia de catarata — causa secundária frequente no idoso.
Outros secundários: pigmentar (miope jovem com pigmento na trabécula), cortisônico (corticoide tópico ou sistêmico eleva a PIO em semanas), uveítico e traumático.
Congênito: lactente com EPIFORA + FOTOFOBIA + BLEFAROESPASMO (a tríade), córnea aumentada e edematosa (buftalmia) e estrias de Haab; o tratamento é CIRÚRGICO (goniotomia/trabeculotomia) nos primeiros meses — o colírio é apenas ponte.
5. Laser e cirurgia
Trabeculoplastia seletiva a laser (SLT): opção em qualquer fase, inclusive como terapia inicial.
Trabeculectomia: cirurgia filtrante (com mitomicina C nos casos de risco); complicações: hipotonia, vazamento e infecção da bolha filtrante.
Dispositivos de drenagem (válvulas) nos glaucomas refratários: no estudo ABC, aos 5 anos Ahmed e Baerveldt controlaram a pressão de forma semelhante, com mais necessidade de medicação no grupo Ahmed.
No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma (MS/CONITEC) organiza o acesso, do colírio à cirurgia.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 63 anos, hipermetrope, há 6 h com dor ocular intensa no olho direito, vômitos, visão embaçada com halos, córnea turva, pupila média fixa e PIO 58 mmHg. Conduta inicial:
2.FundamentalHomem, 68 anos, glaucoma primário de ângulo aberto, PIO 28 mmHg, nunca tratado. Primeira escolha tópica:
A hiperglicemia crônica lesa endotélio e pericitos capilares: oclusão microvascular (isquemia), aumento da permeabilidade (edema e exsudação) e liberação de VEGF pela retina hipóxica (neovascularização). As lesões elementares seguem essa lógica: microaneurismas e hemorragias (vazamento), exsudatos duros (lipoproteínas), contas de colar venosas e IRMA (isquemia) e neovasos (proliferação) — e é por isso que o desfecho proliferativo responde à inibição do VEGF.
2. Classificação — a regra 4-2-1
Estágio (ICDR)
Achados
NPDR leve
apenas microaneurismas
NPDR moderada
mais que leve, sem alcançar os critérios de severa
NPDR severa (regra 4-2-1)
hemorragias intrarretinianas em ≥ 4 quadrantes · contas de colar venosas em ≥ 2 · IRMA em ≥ 1 — sem critérios de PDR
NPDR muito severa
2 ou mais critérios do 4-2-1, ainda sem PDR
PDR
neovascularização de disco ou de retina e/ou hemorragia pré-retinal ou vítrea; alto risco: neovasos de disco > 1/3 do diâmetro do disco ou qualquer neovascularização com hemorragia
Edema macular diabético
espessamento retiniano na mácula; com envolvimento central quando atinge a fóvea — a forma que mais ameaça a visão central
3. Rastreamento (AAO PPP)
DM1: iniciar dentro de 5 anos do diagnóstico (a partir da puberdade); DM2: NO DIAGNÓSTICO — a retinopatia pode preceder o diagnóstico clínico do diabetes.
Grávida com diabetes prévio: avaliar antes da concepção ou no 1º trimestre e a cada trimestre — a gestação acelera a RD.
Intervalos por gravidade: sem RD anual · leve 6–12 meses · moderada 3–6 meses · severa 3 meses · PDR e edema macular central: tratar.
Controle: glicemia (HbA1c) e pressão arterial retardam início e progressão; retinopatia é a microangiopatia que melhor responde ao controle metabólico.
4. Tratamento
Cenário
Conduta de prova
NPDR leve/moderada sem edema macular
observação + controle metabólico — sem tratamento ocular
fotocoagulação panretiniana (PRP) — ou anti-VEGF intravítreo: no Protocol S, em 5 anos o ranibizumabe foi não inferior à PRP, com melhor acuidade média, menor perda de campo periférico e menos vitrectomias
Edema macular com envolvimento central e visão reduzida
anti-VEGF em primeira linha — Protocol T: aflibercepte superior quando a acuidade inicial era 20/50 ou pior
Edema macular refratário/pseudofácico
implante intravítreo de dexametasona
Hemorragia vítrea persistente / tração macular
vitrectomia via pars plana
As injeções intravítreas (ranibizumabe 0,5 mg, bevacizumabe 1,25 mg, aflibercepte 2 mg) têm regime inicial mensal com reavaliação — abandonar o retorno é a principal causa de falha do tratamento na vida real.
estreitamento focal e cruzamentos arteriovenosos com nipping (compressão venosa)
III
hemorragias, exsudatos e exsudatos algodonosos (isquemia da camada de fibras nervosas)
IV
grau III + papiledema — hipertensão maligna: emergência
Os graus I–II refletem arteriolosclerose e são marcadores de dano de órgão-alvo e de risco cardiovascular — a retinopatia prediz eventos de forma independente da PA. Nos graus II–IV em JOVENS, a probabilidade de hipertensão secundária sobe — investigar causa (renovascular em primeiro lugar). Os graus III–IV definem emergência hipertensiva: reduzir a pressão de forma CONTROLADA e investigar causa secundária. Diferencial com a RD: na hipertensiva predominam hemorragias em chama, menos numerosas e sem microaneurismas proeminentes; na diabética dominam microaneurismas e exsudatos anelares (circinados) próximos da mácula.
Questões do módulo · 05
3 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 54 anos, DM2 diagnosticado há 2 semanas, assintomático, com acuidade 20/20. Quando fazer o primeiro exame de fundo de olho?
2.IntermediárioFundo de olho de paciente diabético: hemorragias intrarretinianas nos 4 quadrantes, sem contas de colar venosas, sem IRMA e sem neovascularização. Estadiamento:
3.AvançadoMulher, 58 anos, DM2, edema macular diabético com envolvimento central e acuidade 20/100. Tratamento inicial com melhor evidência:
vitrectomia imediata na endoftalmite pós-operatória
Congênita unilateral
~6 semanas
janela crítica para operar
1. Definição, tipos e clínica
Catarata é a opacificação do cristalino — principal causa de CEGUEIRA REVERSÍVEL do mundo (cerca de 15,8 milhões de cegos em 2020, segundo o GBD). A facoemulsificação com implante de lente intraocular devolve a visão e figura entre os procedimentos mais custo-efetivos da medicina. Sintomas: baixa visual progressiva, OFUSCAMENTO (glare) e halos; a queixa depende do tipo.
Tipo
Contexto e assinatura
Nuclear
envelhecimento; escurecimento e desvio miópico — a segunda vista: o paciente volta a ler de perto sem óculos, à custa da visão de longe
Cortical
opacidades radiais em roda de carro; associada a diabetes
Subcapsular posterior
corticoide (tópico ou sistêmico) e diabetes; piora a visão de PERTO e o ofuscamento — a que mais incomoda precocemente
opacificação em roseta após contusão; perfuração e corpo estranho agravam
2. Indicação de cirurgia
A indicação é FUNCIONAL: baixa visual que interfere nas atividades do paciente — dirigir, ler, trabalhar com ofuscamento. O Preferred Practice Pattern da AAO ressalta que não existe limiar fixo de acuidade: a decisão é individual. Urgências: catarata que ameaça o olho (intumescimento com risco de glaucoma facomórfico) ou o desenvolvimento visual (catarata congênita — ambliopia de privação).
3. Glaucomas faco-relacionados
Entidade
Mecanismo
Assinatura
Glaucoma facomórfico
cristalino intumescido empurra a íris e fecha o ângulo
crise angular sobre catarata madura: controlar a crise e EXTRAIR a catarata
Glaucoma facolítico
catarata madura/hipermadura vaza proteínas; macrófagos bloqueiam a trabécula
PIO alta em olho BRANCO, com catarata madura de longa data
câmara anterior assimétrica, iridodonesis; conduta conforme posição e pressão
4. Cirurgia e complicações
Facoemulsificação com implante de LIO: anestesia tópica e recuperação rápida; complicação intraoperatória clássica: rutura da cápsula posterior com perda vítrea.
Opacificação capsular posterior: a complicação tardia mais comum (meses a anos) — tratamento ambulatorial com capsulotomia por laser Nd:YAG.
Endoftalmite pós-operatória: dor + baixa visual progressiva + hiperemia + HIPÓPIO, dias a semanas após a cirurgia — emergência absoluta.
5. Catarata congênita
Rastreio: teste do reflexo vermelho no recém-nascido — leucocoria (reflexo branco) exige investigar catarata, retinoblastoma, retinopatia da prematuridade e toxocarase.
Cirurgia: unilateral idealmente até 6 semanas de vida e bilateral até 8 semanas — a privação visual nas primeiras semanas gera ambliopia profunda e irreversível.
Correção da afacia: lente de contato/óculos ou LIO — no ensaio IATS (seguimento de 4,5 anos), LIO e lente de contato alcançaram acuidade semelhante na catarata unilateral infantil, com MAIS reoperações no grupo LIO; a terapia da ambliopia (oclusão) continua essencial após a cirurgia.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 70 anos, 4 dias após facoemulsificação, retorna com dor, hiperemia, visão progressivamente pior e hipópio; acuidade: percepção luminosa. Conduta:
2.FundamentalIdosa com catarata madura há anos apresenta olho branco, sem dor intensa, córnea clara e PIO 42 mmHg. Mecanismo:
anatomia SUN · clínica e o olho branco da JIA · causas sistêmicas · investigação dirigida · corticoide, imunossupressores e anti-TNF · toxoplasmose ocular
Mais comum
anterior
dor + fotofobia + hiperemia ciliar
JIA alto risco
3/3 meses
menina ANA+ oligoarticular < 7 anos (ACR 2019)
Toxo ocular
farol na neblina
lesão focal ativa adjacente a cicatriz pigmentada
Biológicos
anti-TNF
adalimumabe/infliximabe — melhor evidência
1. Anatomia e terminologia (SUN)
Anatomia (SUN)
Estruturas
Exemplos típicos
Anterior
íris e corpo ciliar (câmara anterior)
HLA-B27, JIA, Fuchs, herpética
Intermediária
vítreo periférico e pars plana
esclerose múltipla (pars planite), sarcoidose
Posterior
coroide e retina
toxoplasmose, coroidites
Panuveíte
todas as camadas
Behçet, sarcoidose, sífilis, VKH
A padronização SUN organiza também o curso: início súbito ou insidioso; duração limitada (menos de 3 meses) ou persistente; episódica recorrente ou crônica. A aparência dos precipitados ceráticos separa a inflamação NÃO-granulomatosa (precipitados finos — HLA-B27, JIA) da GRANULOMATOSA (precipitados gordurosos, mutton-fat — sarcoidose, sífilis, tuberculose, VKH).
2. Clínica que resolve questões
Anterior: OLHO VERMELHO com hiperemia ciliar + DOR + FOTOFOBIA + miose + células e flare na câmara anterior à lâmpada de fenda; hipópio nas formas graves (HLA-B27, Behçet).
Anterior da JIA: OLHO BRANCO — menina com artrite idiopática juvenil ANA-positiva tem uveíte crônica grave SEM dor e sem hiperemia: o rastreio com lâmpada de fenda é obrigatório e a cegueira é silenciosa.
Intermediária: moscas volantes e visão embaçada, sem dor; snowballs e snowbank no vítreo periférico.
Posterior: floaters e escotomas; toxoplasmose = lesão focal de coriorretinite (farol na neblina) adjacente a cicatriz pigmentada — reativação da infecção congênita.
Não existe painel universal: a investigação segue pistas clínicas. Primeira crise anterior não-granulomatosa, unilateral, em adulto jovem sem sintomas sistêmicos, pode dispensar exames extensos. Padrão granulomatoso, bilateral, intermediário/posterior ou recorrente → VDRL/FTA-ABS e HIV sempre; HLA-B27 se espondiloartrite; FAN na JIA; ACE e radiografia de tórax na suspeita de sarcoidose. Behçet é diagnóstico clínico. Toda uveíte atípica em adulto: pensar sífilis e HIV antes de corticoide.
5. Tratamento
6. Complicações
Edema macular cistoide (a causa mais comum de baixa visual crônica), catarata (subcapsular posterior), glaucoma (inflamatório e cortisônico), sinéquias, membranas e, nas crônicas não controladas, hipotonia e atrofia do globo. Todo olho vermelho que recidiva ao reduzir o corticoide levanta uveíte e doença sistêmica associada — reinvestigar em vez de apenas aumentar a gota.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.AvançadoHomem, 26 anos, imunocompetente, com baixa visual e moscas no olho direito: lesão branca focal de coriorretinite adjacente a cicatriz pigmentada, ameaçando a mácula. Conduta:
2.IntermediárioMenina, 4 anos, artrite idiopática juvenil oligoarticular, ANA positivo, início aos 3 anos, sem queixa ocular. Conduta de rastreio:
Neuroftalmologia: pupilas, pares, estrabismo e ambliopia
anisocoria (Horner, Adie, III par) · paralisias de III, IV e VI · diplopia · estrabismo acomodativo · ambliopia
Anisocoria fisiológica
< 1 mm
igual na luz e no escuro (até ~20% das pessoas)
III par + midríase
emergência
aneurisma até prova contrária
Par microvascular
~3 meses
par isolado sem pupila melhora sozinho
Oclusão terapêutica
2–6 h/dia
do olho dominante, na ambliopia
1. Anisocoria: o método luz × escuro
Até um quinto das pessoas saudáveis tem anisocoria fisiológica (menor que 1 mm, com a mesma diferença na luz e no escuro). O primeiro passo é descobrir QUAL pupila é a anormal: a diferença AUMENTA NO ESCURO quando a pupila menor não dilata — via simpática (Horner); AUMENTA NA LUZ quando a maior não constringe — via parassimpática (III par, Adie, fármaco).
ptose importante + déficit de adução, elevação e despressão
Causas
tronco encefálico (AVC lateral medular), tumor de ápice pulmonar (Pancoast), dissecção de carótida, cefaleia em salvas; na criança: NEUROBLASTOMA
idiopática e benigna
aneurisma da comunicante posterior — emergência
Teste/conduta
apraclonidina 0,5–1% (inverte: a miótica dilata) + imagem dirigida pelo nível da lesão
diagnóstico clínico e seguimento
angio-TC ou angio-RM urgente
2. Pares de IV e VI — as diplopias de prova
IV par (troclear): diplopia VERTICAL, pior ao olhar para baixo (descer escada, ler), com inclinação compensatória da cabeça para o lado oposto.
VI par (abducente): diplopia HORIZONTAL por falha de abdução (esotropia) — o par craniano de falsa localização: trajeto longo o torna vulnerável à HIPERTENSÃO INTRACRANIANA (bilateralidade sugere HIC/pseudotumor cerebral); em criança, par de VI exige investigação de neoplasia.
Microvascular (diabetes, HAS): a causa mais comum de par isolado em adulto; a recuperação em ~3 meses é a regra — paralisia que persiste, piora ou soma déficits manda imagem.
3. Diplopia: a triagem
Diplopia que PERSISTE ocluindo um dos olhos é monocular (causa ocular: catarata, astigmatismo, secura) — não é paralisia e não pede RM primeiro. A diplopia binocular desaparece ao ocluir um olho e indica desalinhamento: par craniano, estrabismo descompensado, tireotoxicose, miastenia (que piora ao fim do dia e não altera pupilas).
4. Estrabismo e ambliopia
Forma
Reconhecer
Tratar
Esotropia acomodativa
hipermetropia alta; o olho converge ao fixar de perto
ÓCULOS hipermetrópicos (refração sob cicloplégico) corrigem o desvio — cirurgia só para o ângulo residual
Esotropia infantil
presente nos primeiros 6 meses, ângulo grande e estável
cirurgia precoce para oportunidade de visão binocular
Exotropia intermitente
desvio para fora com cansaço, febre, fixação distante
correção óptica e seguimento; cirurgia se desvio frequente
Estrabismo não tratado na infância gera AMBLIOPIA: o cérebro suprime a imagem do olho desviado. A ambliopia — baixa da melhor acuidade corrigida por alteração do desenvolvimento visual, sem doença estrutural que a explique — afeta em torno de 2 a 4% das crianças e é a causa mais comum de baixa visual unilateral na idade pediátrica.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.Prova difícilHomem, 58 anos, com início súbito de ptose à direita, pupila midríatica, cefaleia intensa e olho desviado para baixo e para fora. Conduta:
2.FundamentalCriança de 4 anos com esotropia intermitente desde os 18 meses; refração sob cicloplégico: +5,00 D em ambos os olhos; fundoscopia normal. Primeira conduta:
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioHomem, 22 anos, ambos os olhos vermelhos há 4 dias, secreção aquosa, adenopatia pré-auricular dolorosa e folículos na conjuntiva tarsal; enxerga bem, sem dor ocular verdadeira. Conduta:
2.Prova difícilHomem, 64 anos, OVCR isquêmica diagnosticada há 8 semanas; hoje chega com olho vermelho doloroso, PIO 46 mmHg e neovascularização da íris. Diagnóstico e conduta:
3.IntermediárioMenino, 9 anos, bola de borracha atingiu o olho esquerdo; chega com hifema ocupando 1/3 da câmara anterior, córnea clara, sem sinais de globo aberto. Conduta:
4.IntermediárioMulher, 58 anos, teve crise aguda de fechamento de ângulo no olho direito há 2 semanas, resolvida clinicamente; o olho esquerdo é hipermetrope de câmara rasa e nunca teve crise. Conduta definitiva:
5.AvançadoHomem, 30 anos, DM1, retinopatia proliferativa com neovascularização de disco e hemorragia pré-retinal; acuidade 20/40. Conduta:
6.FundamentalA medida com maior evidência para reduzir endoftalmite pós-operatória de cirurgia de catarata (ESCRS):
7.AvançadoHomem, 34 anos, com episódios recorrentes de panuveíte com hipópio móvel, úlceras orais e genitais recorrentes e patergia positiva. Conduta:
8.IntermediárioCriança, 6 anos, anisometropia (olho direito +1,00 e esquerdo +5,00 D) e ambliopia do olho esquerdo com melhor acuidade corrigida 20/60; exame estrutural normal. Conduta:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-B · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
33 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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