Olho Vermelho: Diferenciando o Banal da Emergência que Cega
Protocolo de avaliação do olho vermelho para provas e urgência: injeção conjuntival versus ciliar, sinais de alarme, diagnóstico diferencial em tabela com dor, visão, secreção, pupila e pressão intraocular, e tratamento com doses de colírios, antivirais, acetazolamida e antibióticos intravítreos.
[1] Cronau H, Kankanala RR, Mauger T. Diagnosis and management of red eye in primary care. Am Fam Physician. 2010;81(2):137-144 · PMID 20082509 | [2] Azari AA, Barney NP. Conjunctivitis: a systematic review of diagnosis and treatment. JAMA. 2013;310(16):1721-1729 · DOI 10.1001/jama.2013.280318 | [3] Tsatsos M, MacGregor C, Athanasiadis I, et al. Herpes simplex virus keratitis: an update of the pathogenesis and current treatment. BMJ Open Ophthalmol. 2016;1(1):e000095 · DOI 10.1136/bmjophth-2015-000095 | [4] Endophthalmitis Vitrectomy Study Group. Results of the Endophthalmitis Vitrectomy Study: a randomized trial of immediate vitrectomy and of intravenous antibiotics for the treatment of postoperative bacterial endophthalmitis. Arch Ophthalmol. 1995;113(12):1479-1496 · PMID 7490348 | [5] Weinreb RN, Aung T, Medeiros FA. The pathophysiology and treatment of glaucoma: a review. JAMA. 2014;311(18):1901-1911 · DOI 10.1001/jama.2014.3192 | [6] American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course, Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO · https://www.aao.org · DOI 10.1001/jama.2013.280318
01O olho vermelho na ponta do lápis
O olho vermelho é uma das queixas oftalmológicas mais frequentes na atenção primária e nas urgências, e a grande maioria dos casos é benigna e autolimitada, dominada pelas conjuntivites. O valor do tema está no subgrupo pequeno que ameaça a visão em horas: glaucoma agudo por fechamento do ângulo, ceratite infecciosa, endoftalmite, celulite orbitária e esclerite. A habilidade que a prova cobra é separar a hiperemia conjuntival (superficial, vermelho vivo, mais intensa nos fundos de saco) da hiperemia ciliar ou perilímbica (profunda, roxo-alaranjada, mais intensa ao redor da íris, que acompanha ceratite, uveíte anterior, glaucoma agudo e esclerite). Um detalhe de conduta vale ouro: medir a acuidade visual em todo olho vermelho, com correção óptica ou buraco estenopeico, porque a visão reduzida é sinal de alarme que muda o encaminhamento imediatamente.
Cegueira por úlcera corneana
1,5-2 mi
novos casos de cegueira monocular por ano no mundo por ceratite infecciosa
Perfuração gonocócica
24-48 h
tempo para opacidade e perfuração corneana na conjuntivite não tratada
PIO no glaucoma agudo
40-80 mmHg
valores típicos do fechamento agudo do ângulo (normal de 10 a 21)
Ceratite herpética
1ª causa
de cegueira corneana infecciosa em países desenvolvidos
02Injeção conjuntival versus ciliar: a primeira decisão
Antes de qualquer exame complementar, o padrão da hiperemia orienta o diagnóstico diferencial. A injeção conjuntival indica processo externo (conjuntivite, episclerite, corpo estranho, dry eye) e costuma ser bem tolerada. A injeção ciliar, também chamada de flush ciliar ou hiperemia perilímbica, indica envolvimento de estruturas internas e é o achado que aproxima o paciente de uma emergência. A vasoconstrição tópica com fenilefrina 2,5% branqueia os vasos conjuntivais superficiais e não altera os vasos ciliares profundos, truque útil na dúvida entre episclerite e esclerite.
Achado
Injeção conjuntival (externa)
Injeção ciliar (perilímbica)
Local de maior intensidade
Fundos de saco e fórnices
Ao redor do limbo e da íris
Cor
Vermelho vivo
Roxo ou arroxeado-violáceo
Vasos
Superficiais, tortuosos, ramificados e móveis com a conjuntiva
Profundos, retos, radiais e imóveis
Brasqueia com fenilefrina 2,5%
Sim
Não
Etiologias típicas
Conjuntivite viral, bacteriana e alérgica; episclerite; dry eye
Conjuntivite viral: adenovírus é o agente de 65 a 90% das conjuntivites virais, que por sua vez dominam as infecciosas; altamente contagiosa por 10 a 14 dias, frequentemente bilateral com início assimétrico e adenomegia pré-auricular.
Conjuntivite bacteriana: Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae e Moraxella; Neisseria gonorrhoeae causa conjuntivite hiperaguda purulenta capaz de perfurar a córnea em 24 a 48 horas; Chlamydia trachomatis causa conjuntivite follicular crônica em jovens sexualmente ativos e nos neonatos.
Conjuntivite alérgica: prurido intenso, secreção mucóide clara, sazonalidade e história atópica; sem risco visual.
Ceratite bacteriana: maior fator de risco é o uso de lente de contato, especialmente Pseudomonas aeruginosa em lentes de uso prolongado; trauma corneano é a segunda causa.
Ceratite herpética: HSV-1 é a causa infecciosa mais comum de cegueira corneana em países desenvolvidos, com úlcera dendrítica na forma epitelial (replicação ativa) e ceratite estromal e endotelial imunomediada nas recidivas.
Ceratite por Acanthamoeba: dor desproporcional aos achados em usuários de lente de contato com exposição a água (piscina, chuveiro, torneiras); evolução arrastada com ceratoneurite radial.
Uveíte anterior: maioria idiopática ou associada a espondiloartrites HLA-B27, artrite idiopática juvenil, sarcoidose, sífilis, tuberculose e toxoplasmose (forma posterior).
Glaucoma agudo por fechamento angular: bloqueio pupilar em olhos hipermetropes e de câmara anterior rasa, desencadeado por midriase (penumbra, anticolinérgicos, simpaticomimínicos, antidepressivos).
Esclerite: 40 a 50% associada a doença sistêmica, com destaque para artrite reumatoide e granulomatose com poliangiíte; episclerite, em contraste, quase nunca tem causa sistêmica.
04Fisiopatologia em uma página
Na conjuntivite, a inflamação da conjuntiva produz hiperemia, secreção e desconforto, poupando córnea e visão. Na ceratite, a invasão do epitélio e estroma corneano gera defeito epitelial que capta fluoresceína, infiltrado estromal branco e, nos casos graves, hipópio (nível de pus na câmara anterior); a resposta inflamatória pode cicatrizar e opacificar a córnea, daí a urgência. Na uveíte anterior, a quebra da barreira hemato-aquosa permite saída de proteínas (flare) e células para a câmara anterior, com risco de sinéquias posteriores entre íris e cristalino, catarata e glaucoma. No glaucoma agudo, a midriase intermediária promove contato entre íris e cristalino que bloqueia o fluxo de humor aquoso da câmara posterior para a anterior (bloqueio pupilar), a pressão iridocorneal fecha o seio camerular e a pressão intraocular sobe rapidamente para 40 a 80 mmHg, causando isquemia do esfíncter pupular (midríase fixa), edema corneano e dano óptico. Na esclerite, a vasculite da esclera produz dor profunda que irradia para a região maxilar e desperta o paciente à noite; na forma necrosante há afinamento escleral com risco de perfuração.
05Protocolo de avaliação em 6 passos
1. Acuidade visual em todo olho vermelho, com correção ou estenopeico: visão reduzida é sinal de alarme e praticamente exclui conjuntivite simples.
2. Dor e fotofobia: dor profunda, pulsátil ou que desperta à noite sugere esclerite; fotofobia importante com hiperemia perilímbica sugere ceratite ou uveíte.
3. Padrão de hiperemia: conjuntival (fundos de saco) versus ciliar (perilímbica, roxo-alaranjada).
4. Secreção: aquosa e mucosa sugere viral; mucóide filamentosa com prurido sugere alérgica; purulenta amarelo-esverdeada sugere bacteriana; hiperaguda copiosa com edema palpebral pede afastar gonocócica.
5. Córnea após fluoresceína com luz de cobalto: úlcera com infiltrado na bacteriana, dendrítica na herpética, defeito em caso de trauma; teste de Seidel positivo (jato verde aquoso) indica perfuração com leak de aquoso.
6. Pupila, pressão intraocular e anexos: midríase fixa com córnea edematosa fecha glaucoma agudo; miose com dor sugere uveíte; deformidade pupilar sugere sinéquias; proptose com oftalmoplegia e febre indica celulite orbitária; adenomegia pré-auricular sugere viral ou síndrome de Parinaud; realizar eversão palpebral à procura de corpo estranho e observar o padrão papilar ou folicular.
06Sinais de alarme: quando encaminhar imediatamente
07Diagnóstico diferencial em tabela
Entidade
Dor
Visão
Secreção
Pupila e PIO
Conduta
Conjuntivite viral
Irritação leve
Normal
Aquosa, adenomegia pré-auricular
Normais
Suporte, lubrificantes, compressas frias, higiene por 10 a 14 dias
Conjuntivite bacteriana
Irritação leve
Normal
Purulenta
Normais
Antibiótico tópico (moxifloxacino 0,5% 3x/d por 5 a 7 dias)
Conjuntivite gonocócica
Intensa, edema palpebral
Pode reduzir
Hiperaguda copiosa
Normais; risco de opacidade
Ceftriaxona 1 g IM dose única mais lavagem com soro fisiológico
Conjuntivite alérgica
Prurido
Normal
Mucóide clara
Normais
Olopatadina 0,1% 1 gota 2x/d, compressas frias, evitação do alérgeno
Ceratite bacteriana
Intensa com fotofobia
Reduzida
Reflexa
PIO normal; infiltrado e hipópio
Fluoroquinolona tópica horária após cultura, cicoplégico, oftalmologista
Ceratite herpética epitelial
Moderada, fotofobia
Reduzida se central
Reflexa
Normais
Aciclovir 400 mg VO 5x/d por 7 a 10 dias; corticoide tópico proibido
Uveíte anterior
Profunda, fotofobia
Reduzida
Ausente
Miose, sinéquias, PIO baixa ou normal
Corticoide tópico potente mais cicoplégico, com investigação etiológica
Glaucoma agudo por fechamento angular
Intensa com náusea e halos
Muito reduzida
Ausente
Midríase fixa, PIO 40 a 80 mmHg
Emergência: acetazolamida, hipotensores tópicos, manitol e iridotomia a laser
Episclerite
Leve, desconforto
Normal
Ausente
Normais
Autolimitada; lubrificantes, AINE tópico se necessário
Esclerite
Profunda, desperta à noite
Pode reduzir
Ausente
Normais
Investigar doença sistêmica; AINE oral ou corticoide sistêmico
Endoftalmite
Intensa
Muito reduzida
Ausente
Hipópio, vitreíte
Antibiótico intravítreo e vitrectomia conforme EVS, urgência absoluta
Celulite orbitária
Com proptose e febre
Reduzida tardiamente
Ausente
Oftalmoplegia e restrição
Tomografia, antibioticoterapia IV, drenagem se abscesso
Hemorragia subconjuntival
Ausente
Normal
Ausente
Normais
Tranquilizar, questionar trauma, anticoagulantes e pressão arterial
08Tratamento ambulatorial: colírios e doses
Situação
Esquema no adulto
Conjuntivite bacteriana comum
Moxifloxacino 0,5%, 1 gota 3x/d por 5 a 7 dias; alternativas: tobramicina 0,3% ou pomada de eritromicina 0,5% 2 a 3x/d
Conjuntivite gonocócica
Ceftriaxona 1 g IM em dose única, mais lavagens copiosas com soro fisiológico; rastrear clamídia e outras IST
Conjuntivite por clamídia
Azitromicina 1 g VO em dose única ou doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 7 dias, com tratamento das parcerias sexuais
Conjuntivite alérgica
Olopatadina 0,1%, 1 gota 2x/d; compressas frias, antihistamínico oral se necessário; antibiótico não tem papel
Conjuntivite viral
Suporte com lágrimas artificiais e compressas frias; higiene rigorosa (toalhas e travesseiros separados) por 10 a 14 dias
Ceratite herpética epitelial
Aciclovir 400 mg VO 5x/d por 7 a 10 dias (ou gel de ganciclovir 0,15% 5x/d); nunca corticoide tópico isolado
Hordéolo e blefarite
Compressas mornas e higiene palpebral; pomada de eritromicina 0,5% 2x/d nos casos persistentes
Um dado de prova vindo da revisão sistemática da JAMA (2013): cerca de 80% das conjuntivites bacterianas resolvem espontaneamente em até 7 dias sem antibiótico, mas o tratamento tópico encurta o curso e o período de transmissão, além de reduzir complicações; na prática, antibiótico tópico é razoável quando a secreção é francamente purulenta. Antibióticos não alteram a evolução da conjuntivite viral e a prescrição indiscriminada seleciona resistência e custo, pegadinha clássica de prova.
09Emergências: conduta passo a passo com doses
Glaucoma agudo por fechamento angular: acetazolamida 500 mg IV ou VO de entrada (manter 250 mg 6/6 h), timolol 0,5% 1 gota, apraclonidina 0,5 a 1% 1 gota, pilocarpina 1 a 2% apenas quando a pressão começa a cair (esfíncter isquêmico não responde a doses iniciais), manitol 20% 1 a 2 g/kg IV em 45 a 60 minutos se necessário e corticoide tópico; o tratamento definitivo é a iridotomia periférica a laser, com profilaxia no olho contralateral.
Ceratite bacteriana: cultura de córnea antes de iniciar, moxifloxacino 0,5% ou ciprofloxacino 0,3% em fase de ataque, 1 gota a cada 15 a 60 minutos enquanto acordado nas primeiras 24 a 48 horas, desacelerando conforme a resposta, mais cicoplégico (homatropina 2% 2 a 3x/d) e oftalmologista no mesmo dia; corticoide tópico inicial é proibido.
Ceratite por Acanthamoeba: dor desproporcional em usuário de lente de contato com exposição a água; biguanidas (PHMB 0,02 a 0,06% ou clorexidina 0,02%) associadas a diamidinas, com tratamento por meses e seguimento especializado.
Uveíte anterior aguda: prednisolona acetato 1% de 1 gota a cada 1 a 4 horas conforme gravidade, com desmame gradual, mais cicoplégico-midriático (homatropina 5%, ciclopentolato 1% ou atropina 1%) para alívio da dor e prevenção de sinéquias; investigação com FAN e HLA-B27, sorologias para sífilis e HIV, radiografia de tórax para sarcoidose e tuberculose, e ANA em crianças com suspeita de artrite idiopática juvenil.
Endoftalmite pós-operativa: dor e perda visual com hipópio nos primeiros dias após cirurgia intraocular; conduta imediata com tap de câmara vítreo ou vitrectomia e injeção intravítrea de vancomicina 1 mg em 0,1 mL associada a ceftazidima 2,25 mg em 0,1 mL; o estudo EVS demonstrou benefício da vitrectomia precoce quando a visão era de percepção luminosa ou pior.
Celulite orbitária: tomografia de seios da face e órbita, internação com antibioticoterapia venosa (ceftriaxona 1 a 2 g IV 12/12 h ou ampicilina-sulbactam 3 g IV 6/6 h, com metronidazol 500 mg IV 8/8 h em cobertura anaeróbia), acompanhamento oftalmológico seriado e drenagem cirúrgica na presença de abscesso ou piora clínica; distinguir da celulite pré-septal, sem proptose nem oftalmoplegia e tratável em regime oral em adultos selecionados.
10Complicações e prognóstico
A conjuntivite gonocócica não tratada opacifica e perfura a córnea em 24 a 48 horas, e a neonatal pode cegar em dias, daí a obrigatoriedade da profilaxia ocular do recém-nascido. A ceratite bacteriana deixa cicatriz corneana com astigmatismo irregular e pode perfurar, exigindo cola tecidual, ceratoplastia tectônica ou transplante; a ceratite herpética recidiva em cerca de 25% dentro de 2 anos e o uso inadequado de corticoide transforma a úlcera dendrítica em úlcera geográfica ampla. A uveíte anterior repetida produz sinéquias, catarata, glaucoma e edema macular cistoide. O glaucoma agudo causa dano óptico isquêmico em horas a dias, com recuperação visual limitada quando o tratamento tarda. A endoftalmite pós-faco ocorre em torno de 0,05 a 0,2% das cirurgias e mantém desfecho visual ruim quando o tratamento atrasa mais de 24 horas. A esclerite necrosante pode perfurar o globo. Em comum, todas essas complicações compartilham um denominador: o tempo até o diagnóstico correto decide a visão.
11Erros comuns e pontos de prova
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10 questões comentadas
1.Paciente de 30 anos com olho vermelho há 2 dias, prurido intenso, secreção mucóide clara, pálpebras edemaciadas e sintomas sazonais recorrentes. Qual a conduta?
2.Usuária de lente de contato apresenta olho vermelho doloroso com fotofobia e defeito corneano com infiltrado branco à fluoresceína. Qual o germe mais provável e a conduta inicial?
3.Ulcera dendrítica ramificada à fluoresceína com luz de cobalto em paciente fotofóbico. Qual a afirmativa correta?
4.Mulher de 62 anos, hipermetrope, apresenta olho vermelho roxo-alaranjado, dor intensa com náuseas, visão de halos coloridos, córnea edematosa e pupila midriática fixa. Qual a medicação sistêmica inicial?
5.Jovem sexualmente ativo apresenta conjuntivite hiperaguda com secreção purulenta copiosa e edema palpebral intenso há 12 horas. Qual a conduta?
6.Paciente no 4º dia de pós-operatório de facoemulsificação apresenta dor intensa, visão de contagem de dedos e hipópio na câmara anterior. Qual a conduta correta?
7.Criança de 5 anos com sinusite apresenta febre, proptose, restrição de movimentos oculares e edema palpebral. Qual o passo seguinte?
8.Homem de 45 anos com artrite reumatoide apresenta olho vermelho arroxeado com dor profunda que o desperta à noite; a hiperemia não desaparece com fenilefrina tópica. Qual o diagnóstico e a conduta?
9.Qual a interpretação de um teste de Seidel positivo em olho vermelho pós-traumático?
10.Sobre a conjuntivite viral por adenovírus, é correto afirmar:
RespostaConjuntival: vermelho vivo, mais intensa nos fundos de saco, vasos superficiais móveis (conjuntivites, episclerite). Ciliar: roxo-alaranjada, perilímbica, vasos profundos imóveis (ceratite, uveíte, glaucoma agudo, esclerite).
Pergunta 2Sinal de alarme que muda conduta em todo olho vermelho
RespostaRedução da acuidade visual; acompanhada de dor intensa, fotofobia, hiperemia ciliar, opacidade corneana, hipópio, midríase fixa com PIO alta, proptose ou pós-operatório, exige encaminhamento imediato.
Pergunta 3Padrão de secreção nas conjuntivites
RespostaAquosa com adenomegia pré-auricular: viral. Mucóide com prurido: alérgica. Purulenta amarelo-esverdeada: bacteriana. Hiperaguda copiosa com edema palpebral: gonocócica.
Pergunta 4Tratamento da conjuntivite gonocócica do adulto
RespostaCeftriaxona 1 g IM em dose única mais lavagens copiosas com soro fisiológico e rastreamento de clamídia e outras IST; risco de perfuração corneana em 24 a 48 horas sem tratamento.
Pergunta 5Ceratite herpética epitelial: tratamento e armadilha
RespostaAciclovir 400 mg VO 5x/d por 7 a 10 dias ou ganciclovir gel 0,15%; corticoide tópico é proibido na forma epitelial porque amplia a úlcera dendrítica em geográfica.
Pergunta 6Sequência do tratamento do glaucoma agudo por fechamento angular
RespostaAcetazolamida 500 mg IV/VO, timolol 0,5% e apraclonidina tópicos, pilocarpina 1-2% só após a PIO começar a cair, manitol 20% 1-2 g/kg IV se necessário; definitivo com iridotomia a laser.
Pergunta 7Papel do cicoplégico na uveíte anterior
RespostaHomatropina 5%, ciclopentolato 1% ou atropina 1% aliviam o espasmo ciliar doloroso e previnem sinéquias posteriores entre íris e cristalino; associado a prednisolona 1% em frequência conforme gravidade.
Pergunta 8Conduta na endoftalmite pós-operativa
RespostaUrgência absoluta: cultura de humor vítreo com injeção intravítrea de vancomicina 1 mg/0,1 mL e ceftazidima 2,25 mg/0,1 mL; vitrectomia precoce se visão de percepção luminosa ou pior (estudo EVS).
Pergunta 9Antibiótico intravítreo padrão e doses
RespostaVancomicina 1 mg em 0,1 mL para gram-positivos e ceftazidima 2,25 mg em 0,1 mL para gram-negativos, na mesma sessão de coleta de material para cultura.
Pergunta 10Por que não prescrever anestésico tópico para dor ocular
RespostaUso repetido de anestésico tópico causa ceratopatia tóxica neurotrófica, retarda cicatrização epitelial e pode produzir úlcera corneana; é proibido em uso domiciliar.
Pergunta 11Ceratite por Acanthamoeba: pista clínica e tratamento
RespostaDor desproporcional em usuário de lente de contato com exposição a água, ceratoneurite radial; tratamento com biguanidas (PHMB 0,02 a 0,06% ou clorexidina 0,02%) por meses.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Cronau H, Kankanala RR, Mauger T. Diagnosis and management of red eye in primary care. Am Fam Physician. 2010;81(2):137-144 · PMID 20082509 | [2] Azari AA, Barney NP. Conjunctivitis: a systematic review of diagnosis and treatment. JAMA. 2013;310(16):1721-1729 · DOI 10.1001/jama.2013.280318 | [3] Tsatsos M, MacGregor C, Athanasiadis I, et al. Herpes simplex virus keratitis: an update of the pathogenesis and current treatment. BMJ Open Ophthalmol. 2016;1(1):e000095 · DOI 10.1136/bmjophth-2015-000095 | [4] Endophthalmitis Vitrectomy Study Group. Results of the Endophthalmitis Vitrectomy Study: a randomized trial of immediate vitrectomy and of intravenous antibiotics for the treatment of postoperative bacterial endophthalmitis. Arch Ophthalmol. 1995;113(12):1479-1496 · PMID 7490348 | [5] Weinreb RN, Aung T, Medeiros FA. The pathophysiology and treatment of glaucoma: a review. JAMA. 2014;311(18):1901-1911 · DOI 10.1001/jama.2014.3192 | [6] American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course, Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO · https://www.aao.orgdoi.org/10.1001/jama.2013.280318
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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