Baseado nos artigos publicados da matéria Geriatria da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes e revisões vigentes — World Guidelines for Falls Prevention (Age Ageing 2022), AGS Beers Criteria 2023, STOPP/START v3 2023, EWGSOP2 2019, Lancet delirium 2014 e Lancet Commission dementia 2024 (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Avaliação geriátrica ampla e síndromes geriátricas
domínios e instrumentos da AGA · escalas de independência (Katz/Lawton) · rastreio (MEEM, GDS, MNA) · síndromes geriátricas e iatrogenia
População idosa
≥ 60 anos
critério brasileiro (OMS: ≥ 65 em países desenvolvidos)
Cochrane 2017: mais chance de viver em casa na alta
1. O que é avaliação geriátrica ampla (AGA)
A AGA é um processo de avaliação multidimensional e INTERDISCIPLINAR de um idoso, no qual são investigados e manejados, de forma integrada, os domínios clínico (comorbidades, síndromes geriátricas), funcional (atividades básicas e instrumentais da vida diária), mental (cognição e humor), farmacológico (polifarmácia e adesão), social (rede de apoio) e ambiental (risco domiciliar). A premissa: no idoso, os problemas se apresentam como SÍNDROMES GERIÁTRICAS atípicas (delirium, quedas, incontinência), não como quadros clássicos de órgão único.
2. Instrumentos por domínio (a caixa de ferramentas que a prova cobra)
Domínio
Instrumento
Como pontua
AVD (básicas)
Escala de Katz
banhar, vestir, ir ao banheiro, transferir, continência, alimentar — independente/dependente em cada
AIVD (instrumentais)
Escala de Lawton
usar telefone, compras, cozinha, limpeza, lavar roupa, transporte, medicamentos, finanças — 0 a 8 pontos (7 no homem em algumas versões)
Cognição
MEEM (Mini Exame do Estado Mental)
0–30; pontos de corte ajustados por escolaridade; rastreio, não diagnostica demência
Humor
GDS-15 (Escala de Depressão Geriátrica)
≥ 6 sugere depressão (versão 15 itens)
Nutrição
MNA (Mini Nutritional Assessment)
rastreio de desnutrição; < 17 = desnutrição; 17–23,5 = risco
Marcha/mobilidade
Timed Up and Go (TUG)
> 12–13 s = risco aumentado de queda
Ordem de perda funcional nas demências: primeiro as AIVD (instrumentais — finanças, medicamentos), depois as AVD (básicas). Por isso a AIVD é o marcador MAIS PRECOCE de declínio funcional e cognitivo — pegadinha clássica cobrar Katz como rastreio precoce.
3. Evidência: AGA muda desfecho
A revisão Cochrane 2017 (Ellis; 29 ensaios, > 15 mil idosos hospitalizados) mostrou que idosos submetidos à AGA na hospitalização têm maior chance de estar vivos e em casa (independente) na alta e até 12 meses, sem aumento de danos — a AGA não é 'burocracia de saúde coletiva', é intervenção com desfecho duro positivo. No ambulatório, a lógica se mantém: diagnosticar e manejar simultaneamente os domínios alterados.
4. Iatrogenia e imobilização — a espiral do idoso hospitalizado
Iatrogenia no idoso frequentemente atípica: delirium como primeira manifestação de superdosagem diurética, infecção urinária assintomática tratada desnecessariamente, ou retenção fecal — não espere o efeito colateral 'clássico'.
Cascata iatrogênica: sintoma atribuído a doença nova → droga nova → efeito adverso → droga nova. Interromper a cascata é tarefa geriátrica central (módulo 5).
Imobilização de 2 dias já provoca perda de massa e força musculares relevantes no idoso — deambulação precoce e retirada de sondas/cateteres/vias são condutas que valem ponto.
Cuidados de rotina que machucam: contenção física (aumenta delirium e quedas), sonda vesical (infecção + imobiliza + delirium), guerra de horários de sono em enfermaria (privação de sono → delirium).
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdosa, 82 anos, com hipertensão e DM2, passa a ter dificuldade para administrar as próprias finanças e usar os remédios corretamente, mas ainda se banha e veste sozinha. Qual instrumento detecta mais precocemente esse declínio e qual domínio ele avalia?
2.IntermediárioHomem, 84 anos, internado há 3 dias por pneumonia, mantido em repouso no leito 'para não cansar', com sonda vesical e contenção noturna. Desenvolve confusão aguda noturna. Qual fator da assistência mais contribuiu para o quadro?
primeiro critério; quantidade e desempenho estratificam
Sarcopenia grave
força ↓ + massa ↓ + desempenho ↓
os 3 domínios reduzidos
Fragilidade (SABE, SP)
8,5%
prevalência em idosos do município de São Paulo
1. Fragilidade: o conceito que organiza a geriatria
Fragilidade é um ESTADO de vulnerabilidade fisiológica aumentada, com queda da reserva e da função de múltiplos sistemas, que reduz a capacidade de responder a um estressor mínimo (uma virose, uma nova droga, uma cirurgia menor) e leva a desfechos adversos: quedas, hospitalização, institucionalização e morte. Não é sinônimo de idade, de comorbidade nem de dependência — é um eixo separado que prediz risco ALÉM da doença.
Sarcopenia é a perda de massa e função musculares relacionada à idade (e a fatores agudizados por doença), e é o SUBSTRATO FÍSICO central da fragilidade: os dois termos se sobrepõem sem serem idênticos (há sarcopenia sem fragilidade e fragilidade com outros domínios depletados).
Modelo
Como mede
Pontos de prova
Fenótipo de Fried (2001)
5 critérios: perda de peso não intencional (≥ 4,5 kg ou ≥ 5% do peso/ano), exaustão autorreferida, fraqueza (preensão palmar ajustada ao sexo/IMC), marcha lenta (velocidade ajustada ao sexo/altura), baixa atividade física
3/5 = frágil; 1–2 = pré-frágil; fenótipo PHYSICO, de origem cardiovascular (Fried)
Déficit acumulado (índice de Rockwood/Mitnitski)
soma de déficits (doenças, AVD, cognição, laboratório) sobre uma lista longa
quanto mais déficits, mais frágil; modelo quantitativo, usado em pesquisa
FRAIL (questionário)
Fadiga, Resistência (subir 10 degraus), Ambulação (100 m), Illnesses (≥ 5 doenças), Loss of weight (> 5%)
5 perguntas rápidas — ferramenta de RASTREIO no consultório
2. Sarcopenia: como diagnosticar (EWGSOP2)
O consenso europeu revisado (EWGSOP2, Age Ageing 2019) reordenou os critérios e fez da FORÇA a porta de entrada do raciocínio (mais preditiva de desfechos que a massa):
Fluxo diagnóstico da sarcopenia (EWGSOP2)
Idoso com queda, fragilidade ou dificuldade de mobilidade — como classificar?
▼
Passo 1: FORÇA muscular reduzida?
Preensão palmar: < 27 kg (homens) / < 16 kg (mulheres) no dinamômetro.
Alternativa: chair stand test — ≥ 15 s para 5 levantadas da cadeira.
Força normal em quem rastreou → sarcopenia improvável nesse momento; reavaliar periodicamente.
Passo 2: QUANTIDADE muscular reduzida?
Se força baixa: medir massa muscular (DXA ou bioimpedância).
Achado de massa baixa + força baixa = SARCOPENIA confirmada.
Passo 3: DESEMPENHO físico reduzido?
Velocidade de marcha ≤ 0,8 m/s, TUG ≥ 20 s ou teste de 400 m de caminhada não completado.
Sarcopenia + desempenho baixo = SARCOPENIA GRAVE (prioridade máxima de intervenção).
3. Causas e fatores a investigar antes de rotular 'idade'
Desuso (repouso no leito, sedentarismo) — a causa mais reversível e mais negligenciada.
Desnutrição proteico-calórica e baixa ingestão de proteína (módulo 8) — ver sempre o MNA.
Fármacos: corticoides, androgênios/abuso, AINEs crônicos, anticonvulsivantes; álcool e tabagismo.
Neuropatias e doenças neuromusculares primárias — investigar quando a perda for assimétrica, muito rápida ou com fasciculações.
4. Tratamento baseado em evidência
5. Desnutrição e desfechos
Desnutrição proteico-calórica é ao mesmo tempo causa e consequência da fragilidade: anorexia do envelhecimento (saciedade precoce, olfato/paladar reduzidos, solidão), dificuldade mecânica (dentição, disfagia) e doenças convergem para ingestão insuficiente. Rastrear com MNA no consultório e tratar cedo: fracionamento de refeições, enriquecimento calórico-proteico, suplementos orais quando a dieta não cobre, e correção de causas reversíveis (prótese, disfagia, depressão). A espiral negativa completa — sarcopenia → queda → medo de cair → restrição de atividades → mais sarcopenia — só se interrompe com exercício e nutrição simultâneos.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdosa, 80 anos, perdeu 5 kg em 1 ano sem dieta, relata cansaço para as atividades habituais, demora mais para atravessar a rua e a preensão palmar está reduzida para o sexo/IMC. Pelo fenótipo de Fried, ela é:
2.AvançadoIdoso, 79 anos, frágil e sarcopênico (força 24 kg, marcha 0,7 m/s), vive em casa, sem doença aguda. Qual a conduta com melhor evidência para prevenir incapacidade de mobilidade?
epidemiologia e consequências · fatores de risco intrínsecos/extrínsecos · quem rastrear e como · raciocínio diagnóstico · intervenções com evidência · medicação e quedas
Quedas/ano (comunidade)
~30%
de idosos ≥ 65 caem ao menos 1 vez ao ano
Recorrentes
~2× risco
queda prévia é o MAIOR preditor de nova queda
Lesão séria
fratura ~5%
das quedas (quadril mais temida)
TUG
> 12–13 s
marcador simples de risco aumentado
1. Definição e por que queda é diagnóstico
Queda é um evento que resulta na chegada do corpo ao solo (ou nível inferior) sem ser por evento interno (síncope é classificada à parte, mas se sobrepõe) ou risco externo avassalador. No Brasil, estudo de base populacional (Siqueira, Rev Saúde Pública 2007) encontrou prevalência de queda no ano de cerca de 30% em idosos — dado que a prova brasileira cobra. A queda NÃO é acidente aleatório: é uma SÍNDROME GERIÁTRICA multifatorial, sinal de que algo (equilíbrio, visão, fármacos, força, ambiente) falhou — e o evento em si é o melhor rastreador do próximo.
Nível 3 — ALTO RISCO: ≥ 2 quedas/ano, 1 queda severa (lesão/fratura), ou dificuldade de marcha
AVALIAÇÃO MULTIFATORIAL completa: marcha, visão, cognição, fármacos (revisar um a um), CV (hipotensão ortostática), pés/calçados, ambiente domiciliar.
INTERVENÇÃO MULTIFATORIAL dirigida aos fatores achados + exercício equilíbrio-força.
3. O que funciona para prevenir queda
Intervenção
Evidência/conduta
Exercício — equilíbrio e força (comunitário)
A intervenção ISOLADA de melhor evidência (Cochrane, Sherrington 2019): reduz queda e lesão; Tai Chi e programas de equilíbrio funcionam; caminhada pura é insuficiente isolada
Exercício domiciliar estruturado
Programa tipo Otago (força + equilíbrio) indicado para quem não adere a grupo; ensaio clássico de Campbell (BMJ 1997) em mulheres idosas
Intervenção multifatorial (fatores identificados)
Indicada no alto risco (nível 3): revisão de fármacos + visão + ambiente + calçados + exercício + correção de hipotensão ortostática
Revisão/descontinuação de fármacos
Retirar psicofármacos (BZD, hipnóticos, antipsicóticos) e reduzir carga anticolinérgica; a psicotrópicos são os maiores vilões
Correção de deficiência visual
Cirurgia de catarata (primeiro olho) reduz quedas; oftalmologista regular
Vitamina D
CORRIGIR deficiência documentada; sem deficiência, suplementação rotineira NÃO previne queda
Supressão ambiente
Barras de apoio, iluminação noturna, retirar tapetes, corrimão — sempre coadjuvante, nunca único
4. Consequências e prognóstico
A queda do idoso é o gerador de fratura de quadril (metade dos casos ocorre em idosos com queda simples), de síndrome pós-queda (medo, restrição, depressão), de institucionalização e de morte indireta. A mortalidade 1 ano após fratura de quadril permanece alta (cerca de 20–30% na literatura), sobretudo no frágil e no institucionalizado. Toda fratura por fragilidade (incluindo vertebral) em idoso deve disparar investigação de osteoporose e de queda — a fratura é o aviso, não o fim da linha.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioIdosa, 78 anos, caiu 3 vezes nos últimos 6 meses sem perda de consciência, usa clonazepam 2 mg à noite há 5 anos 'para dormir', marcha lenta, TUG 16 s. Qual a conduta de MAIOR impacto para prevenir novas quedas?
2.Prova difícilIdoso, 83 anos, morando na comunidade, sem quedas prévias, sem medo de cair, marcha preservada ao exame. Sobre o rastreamento de quedas nesse paciente, o mais alinhado às evidências atuais (USPSTF 2024 e World Guidelines 2022) é:
do risco atribuível a 14 fatores (Lancet Commission 2024)
1. Delirium: a emergência geriátrica
Delirium é uma perturbação AGUDA da atenção e da cognição (DSM-5-TR: perturbação da atenção, consciência e cognição, desenvolvida em horas a dias, causada por condição médica/intoxicação/abstinência), que FLUTUA ao longo do dia e piora à noite. É a síndrome geriátrica que mais mata unnoticed: associa-se a maior mortalidade, institucionalização e demência subsequente — e, em metade dos casos, é hipoativo e silencioso (o paciente 'quietinho e sonolento' que a equipe ignora).
Subtipo
Como se apresenta
Risco de não diagnosticar
Hiperativo
agitação, alucinações, tentativa de retirar sondas, agressividade noturna
tratado como 'psicose' e sedado em excesso — piora o quadro
O MAIS frequente e o mais negligenciado — alto risco de morte
Misto
alterna períodos hiperativos e hipoativos
só se vê o hiperativo; o hipoativo passa despercebido
2. Rastreio e diagnóstico do delirium
Ferramenta rápida à beira do leito: 4AT (Bellelli, Age Ageing 2014) — alerta (o paciente parece diferente?), orientação AMT4 (idade, data de nascimento, local, ano), atenção (meses do ano de trás para frente), agitação. Escore < 4 sugere delirium.
CAM (Confusion Assessment Method): diagnóstico por 2 achados — início agudo + curso flutuante + desatenção (+ desorganização do pensamento ou nível de consciência alterado).
Investigação obrigatória de causas: Neuro (glicemia, Na, Ca, ureia/creatinina, hemograma, TSH quando suspeita), EAS/urocultura com juízo (bacteriúria assintomática não se trata), RX tórax, O₂, revisão completa da lista de medicamentos, exame de retenção (bexiga palpável, toque retal).
3. Tratamento do delirium: a pirâmide é NÃO farmacológica
4. Demência: o declínio crônico
Demência é síndrome de DECLÍNIO COGNITIVO PROGRESSIVO (meses a anos), suficiente para comprometer AVD/AIVD, em nível previamente normal, consciente (não confuso) — definida clinicamente por critérios tipo NIA-AA (McKhann 2011): interferência na capacidade de funcionar no trabalho/atividades cotidianas, declínio em relação ao nível prévio, não explicada por delirium ou outra doença psiquiátrica. A Lancet Commission 2024 estima que 45% do risco de demência é atribuível a 14 fatores modificáveis (de pressão arterial alta na meia-idade, audição, escolaridade até diabetes, poluição, depressão e isolamento social) — prevenção é tema crescente de prova.
Tipo
Achados de assinatura
Exames
Doença de Alzheimer (50–70% dos casos)
início insidioso, comprometimento PRECOCE de memória episódica (armazenamento), personalidade e convívio social relativamente preservados no início; RM: atrofia medial temporal
biomarcadores (amiloide e tau no LCR, PET-amiloide) em centros especializados; o diagnóstico cotidiano é clínico
Demência vascular
declínio em DEGRAUS (em escada), história de AVC/fatores de risco vascular, marcha e controle esfincteriano precocemente afetados; RM: infartos/leucoaraiose
critério de provável: demência + doença cerebrovascular com relação temporal
Demência com corpos de Lewy
flutuação COGNITIVA (varia no mesmo dia), alucinações visuais BEM FORMADAS e recorrentes, PARKINSONISMO, intolerância a antipsicóticos (reação grave), distúrbio comportamental do sono REM
cintilografia do transportador de dopamina (DaTscan) em centros; clínica é suficiente para suspeita
Frontotemporal
início mais PRECOCE (55–65), mudança de PERSONALIDADE/comportamento (desinibição, apatia) ou afasia progressiva primária, memória relativa preservada no início
RM: atrofia frontal/temporal anterior
5. Tratamento da demência
NÃO farmacológico primeiro e sempre: orientação do cuidador, atividade física, estimulação cognitiva, manejo ambiental (rotinas, segurança), tratamento de comorbidades e revisão de fármacos anticolinérgicos (pioram cognição).
Inibidores da colinesterase (donepezila 5–10 mg/dia; rivastigmina; galantamina) para Alzheimer LEVE a MODERADO: ganho funcional modesto e sintomático — não alteram a progressão.
Memantina 10–20 mg/dia para MODERADO a GRAVE (isolada ou combinada).
Sintomas psicológicos e comportamentais: identificar gatilho (dor, retenção, infecção, fármaco) primeiro; medidas não farmacológicas; antipsicótico (risperidona 0,25–0,5 mg, olanzapina, quetiapina) em dose mínima pelo menor tempo, com alerta de risco aumentado de morte e AVC no idoso com demência — na Demência com corpos de Lewy, antipsicóticos típicos e a maioria dos atípicos podem causar reação grave; preferir quetiapina com cautela máxima.
Fatores de risco vasculares controlados, audição corrigida, depressão tratada (depressão é fator de risco E diagnóstico diferencial).
6. Complicações e prognóstico
Delirium não tratado prolonga internação, aumenta mortalidade (persistente até meses após a alta) e acelera declínio cognitivo — em idosos com demência prévia (delirium superposto à demência, o mais frequente na prática), o reconhecimento é ainda mais difícil. Demências avançam para dependência total, disfagia, imobilidade e infecções recorrentes; a doença de Alzheimer tem curso médio de 8–12 anos do diagnóstico ao óbito, com grande variação. Cuidados de fim de vida (módulo 7) entram quando a disfagia e as infecções de repetição dominam o quadro.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdoso, 79 anos, internado há 2 dias por ICC, passa a apresentar noite mal dormida, desatenção, fala desorganizada e tenta retirar o acesso venoso; de manhã está 'quase normal'. O traço que DEFINI delirium nesse quadro é:
2.AvançadoIdosa, 84 anos, com doença de Alzheimer moderada, internada por fratura de fêmur, no 2º dia pós-operatório apresenta delirium hiperativo grave (retirando sondas, risco de queda do leito). Após tratar as causas reversíveis e instituir o pacote não farmacológico, mantém agitação com risco de vida. Conduta farmacológica:
definição e carga no Brasil · critérios de potencial inapropriação (AGS Beers 2023, STOPP/START v3) · processo de deprescrição em 5 passos · classes de maior risco
Polifarmácia
≥ 5 fármacos
definição mais usada (Masnoon, BMC Geriatr 2017)
STOPP/START v3
190 critérios
133 STOPP + 57 START (Eur Geriatr Med 2023)
Brasil (atenção primária)
proporção alta
estudo em unidades básicas (Gomes, IJCP 2019)
Cada fármaco novo
+1 risco
cada droga soma risco de evento adverso
1. Definição e por que polifarmácia é diagnóstico
Polifarmácia é o uso concomitante de múltiplos medicamentos — a definição operacional mais aceita é ≥ 5 fármacos (Masnoon, BMC Geriatr 2017), com hiperpolifarmácia a partir de ≥ 10. Não é o número em si que mata: é o risco EXPONENCIAL de interações, efeitos adversos, não-adesão e cascata iatrogênica (efeito adverso tratado como doença nova com droga nova). No Brasil, estudos em atenção primária (Gomes, Int J Clin Pharm 2019) mostram proporção alta de idosos em polifarmácia e com medicamentos potencialmente inapropriados — o tema é nacional e cai em prova.
2. Os dois sistemas de critérios que a prova cobra
listas por classe: fármacos evitáveis na maioria dos idosos, com doenças × fármacos (ex.: demência × BZD), fármacos a usar com cautela (ex.: AAS > 70 anos sem indicação), interações e ajuste renal (ex.: DOACs, gabapentina, alopurinol)
STOPP/START v3 (Eur Geriatr Med 2023;14:625-632)
consenso europeu, versão 2023 — 133 STOPP + 57 START
STOPP = o que suspender/evitar por sistema fisiológico e situação clínica; START = o que esquecer de prescrever gera dano (subutilização também é iatrogenia)
Classe de maior risco no idoso (Beers/STOPP)
Por que é inapropriada
Alternativa
Benzodiazepínicos e hipnóticos Z
quedas, fraturas, delirium, dependência, meia-vida prolongada no idoso
higiene do sono, TCC para insônia; se imprescindível, dose mínima/curta
suspender/evitar; trocar por alternativa sem carga anticolinérgica
Antipsicóticos como sedação/contenção de rotina
mortalidade e AVC aumentados na demência; parkinsonismo
medidas não farmacológicas primeiro; dose mínima se risco de vida
AINEs crônicos
sangramento GI, HAS, DRC, retenção
paracetamol (até 3 g/dia no idoso); tópico; opioides fracos se necessário
Sulfonilureias de longa ação (glibenclamida) e insulina desajustada
hipoglicemia grave e prolongada — glibenclamida é o vilão clássico
metformina (se TFGe permitir), iDPP4, outros com menor risco
Digoxina > 0,125 mg/dia
toxicidade aumenta com TFGe reduzida
dose ≤ 0,125 mg/dia e monitorização
PPI por prazo indeterminado sem indicação
fraturas, DIP (C. difficile), deficiência de B12/magnésio
usar a menor duração com indicação documentada
3. Deprescrição: o processo em 5 passos (Scott, JAMA Intern Med 2015)
Fluxo da deprescrição
Idoso em polifarmácia — como reduzir a lista com segurança?
▼
Passos 1–2: RECONHECER + RECOLHER
1. Reconciliação completa: TODOS os fármacos (incluindo isentos de prescrição, fitoterápicos — erva-de-são-joão, chás, vitaminas), doses, horários e adesão real.
2. Identificar indicações atuais: cada fármaco tem uma indicação VIGENTE e um objetivo clínicamente mensurável? Sem indicação = candidato à retirada.
Passos 3–4: CLASSIFICAR + PRIORIZAR
3. Classificar por dano potencial: Beers/STOPP (inapropriados), interações, duplicidades terapêuticas, fármacos sem benefício no horizonte de vida (ex.: estatinas em fraqueza extrema/fim de vida).
4. Priorizar com o paciente/cuidador: DEPRESCREVER UM POR VEZ, começando pelo maior risco (anticolinérgico, BZD, fármaco sem indicação), com plano de monitorização dos sintomas de retirada e da doença de base.
Passo 5: RETIRAR + REAVALIAR
5. Taper quando há risco de abstinência (BZD, antidepressivo, beta-bloqueador, opioides, AAS secundário); reavaliar em 2–4 semanas: sucesso = manter suspenso; retorno de sintomas = retomar na menor dose eficaz.
Documentar e envolver o farmacêutico quando disponível; a meta é a lista MÍNIMA com os objetivos de vida do paciente — não o número zero.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioIdosa, 85 anos, usa 9 fármacos: glibenclamida, amitriptilina (para insônia), prometazina noturna, AINE contínuo para artrose, omeprazol há 8 anos, amlodipina, furosemida, KCl e AAS. Teve queda com fratura e um episódio de hipoglicemia. Pelo AGS Beers 2023, qual conjunto reúne medicamentos potencialmente inapropriados a priorizar na deprescrição?
2.Prova difícilIdoso, 82 anos, em uso de clonazepam 1 mg à noite há 10 anos, sem indicação atual, com quedas recorrentes. O melhor plano para retirar o fármaco:
tipos e diagnóstico diferencial de IU · tratamento escadinha · imunossenescência · calendário PNI: influenza, pneumococo, herpes zoster, dTpa, COVID-19
1. Incontinência urinária: tipos que decidem a questão
Incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina que causa problema social/higiênico — síndrome geriátrica comum e tratável, e não 'consequência inevitável da idade'. A prevalência global de IU de urgência é elevada e cresce com a idade (Milsom, Eur Urol 2014). O tipo define o tratamento — e a pergunta-chave da anamnese é: a perda vem aos ESFORÇOS (tosse, espirro, riso) ou com VONTADE súbita que não dá tempo de chegar ao banheiro?
Tipo
Mecanismo e apresentação
Primeira linha
IU de esforço
pressão intra-abdominal > pressão uretral (defeito do assoalho pélvico); perda em pequenos jatos ao tossir/espirrar/rir
reabilitação do assoalho pélvico (fisioterapia) por ≥ 3 meses; cirurgia (sling/cabo suburetral) se refratária
IU de urgência (bexiga hiperativa)
contração detrusora involuntária/vontade súbita; perda após desejo intenso, associada a noctúria e frequência
mudanças comportamentais (diário miccional, redução de cafeína, treinamento vesical) + antimuscarínico ou beta-3 agonista
IU mista
esforço + urgência coexistem
tratar o componente dominante; fisioterapia + farmacológico
IU por transbordamento
retenção crônica com escape por hiperpressão (BPH, fármacos anticolinérgicos, neuropatia diabética, fecaloma)
desobstruir/tratar a retenção (cateterismo, correção da causa) — antimuscarínico é CONTRAINDICADO
IU funcional
bexiga intacta, mas barreiras (mobilidade, cognição, ambiente) impedem chegar ao banheiro
intervenção funcional/ambiental: comadre adaptada, rotinas de leva ao banheiro a cada 2–3 h, cuidador
2. Avaliação e tratamento escadinha
Avaliação mínima: anamnese dirigida (tipo, gatilhos, fármacos, função intestinal), exame (tosse com bexiga cheia, prolapso pélvico, toque retal, retenção), diário miccional de 3 dias, EAS e medida do resíduo pós-micional (elevado sugere transbordamento).
Escadinha da IU de urgência: 1) medidas comportamentais; 2) antimuscarínico (ex.: oxibutinina, tolterodina, solifenacina) — escolher o de menor carga anticolinérgica cognitiva possível, começar em dose baixa; ou 3) beta-3 agonista (mirabegrona) — sem efeito anticolinérgico, útil quando a cognição é frágil; 4) toxina botulínica intradetrusora/estimulação sacral nos refratários.
IU de esforço: fisioterapia do assoalho pélvico primeiro; cirurgia (sling retropúbico) no fracasso; em mulher selecionada, terapia hormonal tópica vaginal para atrofia coexistente (decisão individualizada).
No homem: sempre pensar em BPH (IPSS, toque, resíduo) — alfa-bloqueador/inibidor de 5-alfa-redutase conforme o quadro; IU pós-prostatectomia: reabilitação do assoalho.
Coleta urinária com juízo: bacteriúria assintomática não se trata (exceto gestação/urocirurgia programada) — 'EAS sujo' não explica IU.
3. Imunização do idoso: imunossenescência e o calendário
Vacina (PNI/SBIm)
Indicação no idoso
Nota de prova
Influenza (gripe) — anual
todos os ≥ 60 anos, todo ano antes do inverno
formulações de dose alta/adjuvada são preferidas a partir dos 65 anos quando disponíveis
Pneumocócica
esquema do PNI para o idoso conforme calendário vigente; SBIm e sociedades internacionais recomendam vacina conjugada (± VPP23) a partir dos 60–65 anos
a conjugada induz memória imunológica T-dependente e reduz colonização nasofaríngea; CAPITA (NEJM 2015) mostrou eficácia da vacina conjugada contra pneumonia pneumocócica confirmada em adultos
Herpes zoster (recombinante — Shingrix)
≥ 50 anos (referência internacional), 2 doses (0 e 2–6 meses), inclusive em já vacinados com zoster vivo e em herpes zoster prévio
ZOE-50 (NEJM 2015) e ZOE-70: eficácia > 90% contra zoster e neuralgia pós-herpética em ≥ 50 e ≥ 70; vacina viva (Zostavax) saiu de uso em vários países
dTpa (difteria, tétano, pertussis acelular)
adulto/idoso como reforço a cada 10 anos (ou oportunista)
protege o idoso E o neto (cocooning para coqueluche)
COVID-19
calendário vigente do PNI — idoso é grupo prioritário de reforços
atualizar conforme campanha vigente
Hepatite B, febre amarela, outras
conforme risco e indicação (doenças, região, viagem)
checar carteira — idoso também tem 'bolhas' vacinais
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdosa, 74 anos, perde urina ao tossir, espirrar e rir, em pequeno jato, sem desejo micional prévio, sem noctúria excessiva. Qual o tipo de incontinência e a primeira linha de tratamento?
2.IntermediárioIdoso saudável de 68 anos pergunta sobre vacinas. Ele já tomou dTpa há 12 anos e influenza no ano passado; nunca tomou vacina contra herpes zoster. Qual a recomendação com melhor evidência para zoster?
Fim de vida, diretivas antecipadas e cuidados paliativos
planejamento antecipado de cuidados · diretivas antecipadas (CFM 1.995/2012) · sedação paliativa × eutanásia/distanasia · síndromes do fim de vida · comunicação de más notícias
1. Planejamento antecipado de cuidados (ACP) e diretivas antecipadas
Planejamento antecipado de cuidados (advance care planning) é o processo de comunicação contínua pelo qual o paciente reflete sobre objetivos e preferências para os cuidados futuros e as compartilha com família e equipe (Sudore, J Pain Symptom Manage 2017 — definição de consenso Delphi). As DIRETIVAS ANTECIPADAS são a formalização documental dessas vontades: no Brasil, a Resolução CFM nº 1.995/2012 determina que as diretivas devem ser respeitadas e registradas no prontuário — paciente capaz e maior de idade pode, de forma livre e esclarecida, decidir sobre tratamentos e procedimentos que aceita ou recusa, inclusive recusa de tratamentos que mantenham a vida artificialmente (ortotanasia).
Termo
Significado
Status ético-legal (Brasil)
Distanasia
prolongamento desnecessário do processo de morrer com sofrimento (obstinação terapêutica)
rejeitada pela ética médica e pelo CFM
Ortotanasia
deixar a morte chegar em seu tempo natural, com tratamento de conforto e sem procedimentos fúteis
aceita e respaldada — é a prática dos cuidados paliativos
Eutanásia ativa
provocação direta e intencional da morte por ato médico
proibida (tipificada como crime; não confundir com boa prática paliativa)
Sedação paliativa
redução farmacológica proporcional da consciência para alívio de sintoma refratário (ex.: dispneia grave, dor intratável, agitação terminal)
legítima e distinta da eutanásia — a dose é titulada ao ALÍVIO, não à morte
Suicídio assistido
médico fornece meios para o paciente autoadministrá-los
proibido no Brasil
2. Quando reconhecer o fim de vida — síndromes e sinais
Pergunta de ouro: o PACIENTE SE SURPREENDERIA se morresse nos próximos 12 meses? A EQUIPE se surpreenderia se ele ainda estivesse vivo em 12 meses? — ferramenta de teste da surpresa.
Demência avançada: disfagia importante, infecções de repetição, imobilidade total, incontinência dupla, perda da linguagem funcional — indica prognóstico limitado e reorientação para conforto (estudos e diretrizes não demonstram que a gastrostomia melhore sobrevida ou conforto do paciente com demência avançada que 'aspira toda refeição': o cuidado assistido é o padrão).
Sinais da fase final (dias): redução drástica da ingestão, aumento do sono, retraimento e perda de interesse pelo ambiente, respiração com pausas/ciclos (Cheyne-Stokes), ruídos de secreção (death rattle), extremidades frias e arroxeadas, queda da diurese.
Fim de vida iatrogênico a evitar: UTI e ventilação invasiva no demência avançada, hidratação/antibióticos de rotina na fase final, exames e punções sem meta terapêutica — discutir objetivos com a família ANTES da crise.
3. Evidência do ACP e comunicação
O ensaio randomizado de Detering (BMJ 2010) com idosos hospitalizados mostrou que o planejamento antecipado de cuidados aumentou a aderência às preferências do paciente no fim da vida e reduziu estresse, ansiedade e depressão nos familiares enlutados — por isso o ACP é recomendado PRECOCEMENTE, enquanto o paciente tem capacidade, idealmente no ambulatório e não na UTI. Comunicação de más notícias: preparar o ambiente, perguntar o que o paciente sabe, dar o aviso prévio ('warning shot'), permitir silêncio, responder à emoção com empatia, planejar próximos passos e documentar — a técnica dá o roteiro; a postura dá o cuidado.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioIdoso, 80 anos, com doença de Alzheimer avançada (disfagia importante, imobilidade, infecções respiratórias de repetição), sem diretivas antecipadas. A família pergunta sobre gastrostomia para alimentação. A resposta tecnicamente correta é:
2.AvançadoPaciente com câncer avançado,Terminal, dispneia refratária a opioides e medidas não farmacológicas, sem possibilidade reversível. A conduta eticamente adequada para alívio do sintoma:
anorexia do envelhecimento · desnutrição e obesidade sarcopênica · MNA e mini-avaliação nutricional · higiene do sono × farmacoterapia · apneia e RLBD
1. Fisiologia nutricional do envelhecimento
O envelhecimento soma mudanças que reduzem a ingestão: saciedade precoce (esvaziamento gástrico lento, colecistoquinina elevada), olfato e paladar atenuados (sal e doce precisam de mais concentração), massa mastigatória comprometida (dentição/prótese), menor produção basal de saliva, e fatores sociais (solidão, luto, pobreza, dependência). O resultado é a ANOREXIA DO ENVELHECIMENTO — ingestão que cai enquanto a necessidade proteica RELATIVA sobe (anabolismo resistente: o músculo do idoso responde menos a doses baixas de proteína, exigindo distribuição e qualidade melhores das refeições).
Necessidade proteica do idoso sadio: ~1,0–1,2 g/kg/dia (acima dos 0,8 g/kg do adulto jovem), fracionada nas refeições principais; ajustar à TFGe.
Vitamina D: deficiência é muito prevalente (exposição e síntese cutânea reduzidas) — corrigir quando documentada (benefício musculoesquelético; sem deficiência, rotina não previne quedas).
Cálcio, B12 (gastrite atrófica e metformina reduzem absorção — considerar reposição), folato, ferro (perdas ocultas a investigar sempre), zinco e magnésio: os déficits que a prova cita.
Água: sensação de sede diminuída + acesso limitado = desidratação, gatilho universal de delirium e quedas — programar oferta hídrica, não esperar a sede.
Cenário
Achado/conduta
Desnutrição (MNA < 17; risco 17–23,5)
perda de peso involuntária,albumina baixa (marcador inespecífico/inflamatório), ingestão < necessidade — fracionar 5–6 refeições, enriquecer (leite em pó, azeite, ovo), suplementos orais hiperproteicos quando dieta insuficiente, corrigir causas (dentição, disfagia, depressão, dor)
Perda de peso involuntária significativa
> 5% do peso em 6–12 meses = sinal de alarme: rastrear neoplasia (especialmente GI), hipertireoidismo, depressão, demência, doença paraneoplásica
Obesidade sarcopênica
IMC ≥ 30 com força/massa muscular baixas — tratar com composição corporal em mente: exercício + adequação (não restrição drástica) proteica, preservando músculo
Disfagia do idoso
aspiração, tosse às refeições, pneumonias recorrentes — avaliação fonoaudiológica, texturas adaptadas, postura; gastrostomia apenas em indicações selecionadas (não na demência avançada)
Sondas e dietas artificiais no fim de vida
não demonstram conforto ou sobrevida na demência avançada — foco em cuidado assistido (módulo 7)
2. Sono do idoso: o que muda e o que fazer
O envelhecimento avança o ritmo circadiano (sono e despertar MAIS CEDO — síndrome de fase avançada), fragmenta o sono (microdespertares), reduz o sono profundo de ondas lentas e a eficiência do sono, aumenta as sonecas diurnas. O idoso dorme MENOS e PIOR por razões fisiológicas — mas insônia CRÔNICA, sonolência diurna excessiva e comportamentos noturnos anormais não são 'normais da idade' e merecem diagnóstico.
Distúrbio
Como suspeitar
Conduta-chave
Insônia crônica
queixa de dificuldade para iniciar/manter sono ≥ 3 noites/semana por ≥ 3 meses com repercussão diurna
primeira linha MUNDIAL: TCC-insônia (terapia cognitivo-comportamental) + higiene do sono; hipnóticos (BZD/Z-drugs) são última linha, dose mínima, curto prazo — Beers
Apneia obstrutiva do sono
ronco + apneias testemunhadas + sonolência diurna; no idoso pode ser apenas insônia/noctúria/débito cognitivo
polissonografia; CPAP (e manejo de peso/posicional)
Distúrbio comportamental do sono REM (RLBD)
paciente 'representa os sonhos' — grita, soca, chuta, ao sonhar (perda da atonia REM); frequentemente ANTECEDE sintomas de sinucleinopatia (Lewy/Parkinson)
polissonografia; melatonina e clonazepam em dose baixa são opções; segurança do leito (retirar objetos, colchão no chão)
Síndrome das pernas inquietas / movimento periódico
desconforto nas pernas ao repouso noturno aliviado pelo movimento
excluir deficiência de ferro (ferritina; repor se < 75 ng/mL); gabapentina/dopaminérgicos conforme caso
Noctúria
múltiplas idas ao banheiro fragmentando o sono
não é 'apenas bexiga': investigar apneia (ANP noturna), ICC, DRC, diabetes insipidus/medicamentos; ajustar diurético para o início da tarde, reduzir líquidos nas 2–3 h antes de deitar (sem restrição diurna) e iluminação segura (prevenir queda!)
Prognóstico integrado: nutrição e sono são os dois motores invisíveis da fragilidade — desnutrição acelera sarcopenia, sarcopenia gera quedas, sono ruim piora cognição e Dor, dor piora sono. O ciclo só se interrompe com intervenção simultânea nos domínios da AGA: é a geriatria em um parágrafo.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioIdosa, 78 anos, há 6 meses com insônia (demora > 1 h para iniciar o sono, desperta às 3 h), sem tristeza, sem ronco, sem dor. Já tentou 'chá' sem sucesso; a família pede 'um comprimido para dormir'. Conduta de primeira linha:
2.AvançadoIdoso, 76 anos, 'representa os sonhos' há 1 ano: grita e soca durante o sono, já feriu a esposa, desperta relatando sonhos de briga, sem sonolência diurna e sem parkinsonismo atual. A suspeita e a implicação prognóstica correta:
R
Revisão de alta performance
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 AGA e síndromes geriátricas
Avaliação multidimensional em 6 domínios; apresentação atípica é regra; síndrome geriátrica = multifatorial, conduta múltipla simultânea.
Katz × Lawton; domínios da AGA; evidência Cochrane
02 Fragilidade e sarcopenia
Fried 3/5 = frágil; EWGSOP2: força → massa → desempenho; tratar com exercício multicomponente + proteína.
Fenótipo de Fried; pontos de corte EWGSOP2; SPRINTT/LIFE
03 Quedas
Queda é síndrome, não acidente; rastrear perguntando; alto risco = avaliação multifatorial; exercício de equilíbrio-força salva.
Rastreamento em níveis; fármacos vilões; o que NÃO funciona
04 Delirium e demência
Delirium = agudo + flutuante + desatenção (4AT/CAM, WET FLAG, pacote HELP); demência = crônico, por tipo; antipsicótico só se risco.
3 Ds (delirium/demência/depressão); subtipos de demência
05 Polifarmácia e deprescrição
≥ 5 fármacos = polifarmácia; Beers 2023 + STOPP/START v3 apontam o inapropriado; deprescrever 1 a 1 com taper.
Causas reversíveis (DIAPPERS) antes de tratar cronicamente
Alucinações visuais bem formadas + flutuação + parkinsonismo
Demência com corpos de Lewy (cuidado com antipsicótico)
Declínio cognitivo 'em degraus' + AVC prévio
Demência vascular
Disfagia na demência avançada com pedido de gastrostomia
Cuidado de conforto — gastrostomia não beneficia
Sedação titulada para dispneia refratária terminal
Sedação paliativa (ortotanasia) — não eutanásia
'Representa os sonhos' com gritos e socos noturnos
RLBD — pródromo de sinucleinopatia
Ronco + apneias + sonolência diurna no idoso
Apneia obstrutiva do sono — polissonografia/CPAP
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.FundamentalSobre a avaliação geriátrica ampla (AGA), a afirmativa correta é:
2.IntermediárioIdosa, 81 anos, com perda de peso de 5 kg no último ano, cansaço referido, marcha mais lenta e preensão palmar reduzida para o sexo/IMC. Pelo fenótipo de Fried, a classificação e a conduta de base são:
3.IntermediárioIdosa, 79 anos, caiu 3 vezes no último ano, usa lorazepam noturno, TUG 15 s. O componente da conduta com MAIOR evidência isolada para reduzir novas quedas é:
4.AvançadoIdoso, 82 anos, pós-operatório de cirurgia de quadril, noite mal dormida, desatento, fala desorganizada e tenta retirar a sonda vesical; pela manhã melhora parcialmente. A ferramenta de rastreio mais adequada à beira do leito e a primeira medida terapêutica são:
5.Prova difícilIdosa, 87 anos, com 10 fármacos, entre eles amitriptilina 25 mg para insônia, glibenclamida 10 mg e AINE contínuo; apresentou queda com fratura de punho e hipoglicemia. O passo seguinte de maior impacto, segundo Beers 2023 e o processo de deprescrição, é:
6.IntermediárioIdosa, 75 anos, perde urina com desejo súbito e intenso, com noctúria 3×; resíduo pós-micional normal; diário miccional mostra consumo de 6 xícaras de café/dia. Primeira linha de tratamento:
7.AvançadoHomem, 84 anos, com doença pulmonar avançada terminal, dispneia refratária a opioides e medidas não farmacológicas, consciente e capaz, recusa intubação e registra diretiva antecipada nesse sentido (CFM 1.995/2012). A conduta correta é:
8.FundamentalSobre sono e nutrição no idoso, a afirmativa correta é:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-A · 4-B · 5-C · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
28 fontes reais · DOI verificado
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diretriz / revisãoBonten MJM, Huijts SM, Bolkenbaas M, et al. Polysaccharide conjugate vaccine against pneumococcal pneumonia in adults. N Engl J Med. 2015;372(12):1114-1125.doi.org/10.1056/NEJMoa1408544
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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