Baseado nos artigos publicados da matéria Farmacologia da Central de Estudos (fonte principal) e em diretrizes e revisões de alto impacto — IDSA 2022, CDC 2022, Surviving Sepsis 2021, ACCP/ATS 2022, AAP 2019, CANMAT 2018, AGS Beers 2023, STOPP/START v3 2023, ESMO 2022 (complemento, sempre com DOI verificado). Resumo de estudo — na prescrição real, confira sempre a bula e o protocolo vigentes.
01
Farmacologia geral: farmacocinética e farmacodinâmica
LADME · biodisponibilidade e primeira passagem · CYP450 (fases I e II) · meia-vida e estado de equilíbrio · receptores e sinalização · agonismo e antagonismo · potência × eficácia · índice terapêutico · taquifilaxia
1. Absorção e biodisponibilidade
Biodisponibilidade (F) é a fração da dose que chega intacta à circulação sistêmica: por definição 100% na via intravenosa. Na via oral, F cai por decomposição gástrica, má absorção e, sobretudo, pelo efeito de primeira passagem (metabolismo hepático/intestinal antes da chegada à circulação sistêmica). A nitroglicerina tem biodisponibilidade oral próxima de zero — por isso a via sublingual, que drena direto para a circulação e contorna a primeira passagem.
Clássicos de extensa primeira passagem: nitroglicerina, propranolol, morfina, levodopa, clonidina.
Via intramuscular: absorção mais rápida que a oral, mas variável no choque (perfusão muscular reduzida).
Formulações de liberação prolongada esticam a absorção — nunca triturar (risco de dose dumping).
2. Distribuição: volume aparente e ligação a proteínas
Parâmetro
Definição
Aplicação que cai em prova
Volume de distribuição (Vd)
volume fictício em que a dose se diluiria para gerar a concentração plasmática observada
Vd grande = fármaco sai do plasma (tecidos): digoxina ≈ 5–7 L/kg → hemodiálise INEFICAZ; Vd pequeno (lítio, fenobarbital) → dialisável
Ligação a proteínas
albumina liga ácidos; alfa-1-glicoproteína ácida liga bases
hipoalbuminemia (cirrose, desnutrição) eleva a fração LIVRE de fenitoína e varfarina — efeito maior com doses tóxicas
Barreiras
SNC (BBB), placenta, barreira hematoencefálica imatura no recém-nascido
lipossolubilidade e peso molecular decidem a passagem
3. Metabolismo: fases I e II e o sistema CYP450
Fase I = oxidação, redução e hidrólise (predomina o sistema do citocromo P450); fase II = conjugação (glicuronidação, sulfatação, acetilação), que torna o fármaco hidrossolúvel para excreção. A maioria das reações inativa o fármaco; alguns são ativados (pró-fármacos: codeína, clopidogrel, capecitabina). O CYP3A4 responde sozinho por cerca de um terço a 40% do metabolismo oxidativo dos fármacos de uso clínico (Zanger e Schwab, Pharmacol Ther 2013) — por isso é a enzima das interações famosas.
reduzem o substrato: rifampicina + varfarina ou anticoncepcional → FALHA terapêutica e contraceptiva
4. Excreção e cinética de eliminação
Renal: filtração (depende de ligação a proteínas e TFGe) + secreção tubular ativa (probenecida bloqueia a secreção e eleva os níveis de penicilinas) + reabsorção passiva (ion trapping: alcalinizar a urina retém ácidos fracos como o salicilato).
Biliar com circulação êntero-hepática: prolonga a meia-vida (ex.: rifampicina, some dos macrolídeos).
Cinética de primeira ordem (linear): fração constante eliminada por tempo — dose dobra, concentração dobra (maioria dos fármacos).
Cinética de ordem zero (saturável): quantidade constante eliminada por tempo — etanol, fenitoína em doses altas e salicilatos em intoxicação: pequeno aumento de dose gera salto desproporcional de concentração.
5. Meia-vida, estado de equilíbrio e dose de ataque
Meia-vida
t½ = 0,693 × Vd / CL
depende de distribuição E de clearance
Equilíbrio (Css)
4–5 meias-vidas
tempo para atingir ~95% do platô com doses regulares
Dose de manutenção
DM = CL × Css / F
quem manda é o clearance
Dose de ataque
Vd × Css alvo / F
antecipa o platô — não o altera
6. Farmacodinâmica: receptores e vias de sinalização
Família de receptor
Exemplos clássicos
Nota de prova
GPCR acoplado a Gs (↑ AMPc)
beta-1, beta-2, D1, H2
adrenalina estimula; betabloqueador bloqueia
GPCR acoplado a Gi (↓ AMPc)
alfa-2, M2, D2
clonidina (alfa-2) freia a liberação central de noradrenalina
GPCR acoplado a Gq (IP3/DAG)
alfa-1, M1, M3, H1, V1
vasoconstrição (alfa-1); secreções e broncoconstrição (M3)
Canais iônicos ligados a ligante
receptor nicotínico, GABA-A, glutamato
benzodiazepínico é modulador ALOSTÉRICO positivo do GABA-A (não abre o canal sozinho)
Tirosino-quinases / cinases intracelulares
insulina, inibidores de TK (imatinibe)
alvo da oncologia dirigida
Receptores nucleares (intracelulares)
esteroides, hormônios tireoidianos, vitamina D
latência de horas a dias (efeito genômico)
7. Agonismo e antagonismo — o que a curva mostra
Tipo de ligante
O que faz na curva dose-resposta
Exemplos
Agonista total
atinge a eficácia máxima (Emax) do sistema
morfina (mu), adrenalina
Agonista parcial
teto de resposta ABAIXO do máximo, mesmo com receptores saturados
buprenorfina (mu), aripiprazol (D2)
Agonista inverso
estabiliza a conformação inativa — reduz a atividade constitutiva
betacarbolinas no receptor benzodiazepínico
Antagonista competitivo
desloca a curva para a DIREITA (↑ DE50), Emax mantido — superável com mais dose
naloxona, propranolol, flumazenil
Antagonista não-competitivo/irreversível
REDUZ o Emax — não é superável por dose
fenoxybenzamina (alfa-1) no feocromocitoma
8. Curvas dose-resposta, índice terapêutico e regulação de receptores
Na curva graduada (quantal), a DE50 é a dose eficaz em 50% da população — medida de POTÊNCIA. A eficácia é o teto da curva (Emax). A equação de Hill resume a curva sigmoidal: E = Emax × C^h / (CE50^h + C^h), em que h é o coeficiente de Hill (Goutelle e cols., Fundam Clin Pharmacol 2008). Índice terapêutico animal = DL50/DE50; na clínica fala-se em janela terapêutica — faixa entre a concentração mínima eficaz e a mínima tóxica.
Fármaco de janela estreita
Faixa terapêutica usual
Conduta
Lítio
0,6–1,2 mEq/L (manutenção 0,6–0,8)
dosar nível; mais estreito da lista
Fenitoína
10–20 µg/mL
cinética saturável — pequeno aumento de dose, grande salto
Teofilina
10–20 µg/mL
muitas interações (CYP1A2)
Digoxina
0,5–0,9 ng/mL (fibrilação atrial até ~2)
dosar antes da próxima dose (vale)
Varfarina
INR 2–3 (prótese mitral metálica 2,5–3,5)
monitoração rotineira
Down-regulation com agonista crônico: tolerância a opioides (mesma dose, menos efeito).
Up-regulation com antagonista crônico: suspensão abrupta de betabloqueador → taquicardia e isquemia rebote — retirar gradualmente.
Taquifilaxia dos nitratos: depleção de grupos sulfidrila e ativação neuro-hormonal — janela livre de 10–12 h por dia.
Receptores de reserva: resposta máxima com ocupação parcial do pool de receptores — explica antagonistas que parecem “fracos” em baixa concentração.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPaciente com angina estável recebeu orientação de usar nitroglicerina por via sublingual na crise. Por que a via sublingual é a correta, e não a oral?
2.AvançadoEm um ensaio, a curva dose-resposta de um agonista foi traçada sozinha, junto do fármaco X e junto do fármaco Y. Com X, a curva desloca-se paralelamente para a direita mantendo o mesmo Emax; com Y, o Emax diminui sem deslocamento significativo. X e Y são, respectivamente:
definição OMS de RAM · tipos A–F (Rawlins-Thompson/Edwards) · epidemiologia (Lazarou, Pirmohamed) · causalidade por Naranjo · notificação no Brasil (VigiMed, RDC 406/2020) · sinais de segurança: nitrosaminas e cemiplimabe
1. Classificação de Rawlins-Thompson (tipos A–F)
Tipo
Características
Exemplos
A — aumentada (dose-dependente)
ação farmacológica exagerada, previsível pela farmacologia, alta incidência e baixa letalidade — cerca de 80% das RAM
sangramento com varfarina; bradicardia com betabloqueador; hipoglicemia com insulina; cinchonismo
B — bizarra (idiossincrásica/hipersensibilidade)
não dose-dependente, imprevisível, rara, potencialmente grave
anemia hemolítica por primaquina no deficit de G6PD; agranulocitose por clozapina; anafilaxia a betalactâmico; DRESS
C — contínua (crônica)
efeito cumulativo do uso prolongado
supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal por corticoide; osteoporose com heparina prolongada
D — retardada
latência longa, às vezes anos
carcinogênese por imunossupressores; teratogênese por isotretinoína
E — fim de uso (withdrawal)
sintomas pela suspensão abrupta
crise adrenocortical pós-corticoide; abstinência de opioide; rebote de betabloqueador e de clonidina
F — falha (frustrada)
falha terapêutica inesperada
interação (rifampicina reduz DOAC); não adesão; dose subterapêutica
Lazarou (JAMA 1998)
6,7%
RAM grave em pacientes hospitalizados; 0,32% fatais
Pirmohamed (BMJ 2004)
6,5%
das internações relacionadas a RAM; maioria potencialmente evitável
Tipo A
≈ 80%
das RAM — dose-dependente e previsível
Naranjo ≥ 9
definitiva
5–8 provável · 1–4 possível · ≤ 0 duvidosa
2. Diagnóstico de causalidade: o algoritmo de Naranjo
Diante de uma suspeita, o algoritmo de Naranjo pontua 10 itens (relato prévio na literatura, melhora com a suspensão — dechallenge, recorrência com a reexposição — rechallenge, causas alternativas, resposta a placebo, níveis tóxicos, dose-dependência, história semelhante com fármacos relacionados, gravidade objetiva). Escore ≥ 9: RAM definitiva; 5–8: provável; 1–4: possível; ≤ 0: duvidosa. Na prática, reexposição deliberada NÃO se faz em reações graves.
3. Notificação e o sistema brasileiro
Anvisa RDC 406/2020: boas práticas de farmacovigilância para detentores de registro de medicamentos.
VigiMed: sistema eletrônico da Anvisa para notificação de RAM e queixas técnicas de medicamentos (sucessor do NOTIVISA para medicamentos).
Serviços de saúde devem manter setor de farmacovigilância e notificar suspeitas — inclusive de medicamentos isentos de prescrição e fitoterápicos.
Programa Internacional de Farmacovigilância da OMS (Centro de Uppsala): banco mundial que alimenta sinais de segurança.
Sinal de segurança (OMS): informação de possível relação causal ainda desconhecida ou incompletamente documentada — nasce do acúmulo de notificações espontâneas.
4. Estudos de caso: como um sinal muda a prática
Caso
O que aconteceu
Lição
Nitrosaminas em sartans (2018–2019)
impurezas cancerígenas (NDMA) em valsartana, losartana e irbesartana, ligadas a mudanças de processo de síntese, motivaram recalls mundiais
farmacovigilância regulatória vigia não só o fármaco, mas as impurezas e o processo produtivo
Cemiplimabe (anti-PD-1, 2018)
aprovação baseada no ensaio de Migden (NEJM 2018) em carcinoma epidermoide cutâneo avançado
os eventos adversos imunomediados (colite, tireoidite, pneumonite, miocardite) tornaram-se núcleo do manejo — monitorar, graduar e tratar com corticoide
Fluxo diante de uma suspeita de RAM
Paciente com nova manifestação após iniciar um fármaco — como classificar e agir?
▼
Padrão dose-dependente e previsível → TIPO A
Geralmente leve/moderado: reduzir a dose, tratar o efeito ou trocar o fármaco.
Notificar se houver gravidade ou caráter inesperado.
Quadro idiossincrásico/hipersensibilidade → TIPO B
Suspender o fármaco imediatamente; suporte conforme a manifestação.
Documentar alergia no prontuário; reexposição evitada.
RAM grave, fatal ou inesperada (produto novo)
Suspender, tratar o paciente e notificar ao VigiMed (Anvisa).
Aplicar Naranjo para graduar a causalidade e registrar no prontuário.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalIdosa em varfarina por fibrilação atrial mantém a mesma dose, mas inicia antibiótico e retorna com INR 7 e gengivorragia. Na classificação de Rawlins-Thompson, a reação é do tipo:
2.IntermediárioMédico prescreve anti-hipertensivo recém-registrado; duas semanas depois o paciente retorna com angioedema grave, sem outras causas. Além de suspender o fármaco e tratar o paciente, a conduta de farmacovigilância correta é:
anel beta-lactâmico e PBP · penicilinas e inibidores de beta-lactamase · cefalosporinas por geração · carbapenêmicos e aztreonam · resistência (ESBL, carbapenemases) e IDSA 2022 · alergia à penicilina (Shenoy, JAMA 2019) · doses
1. Penicilinas e associação a inibidores de beta-lactamase
Subgrupo
Espectro e exemplos
Nota de prova
Penicilinas naturais (G cristalina IV, V oral)
estreptococos, Treponema pallidum, actinomicose
benzatina 2,4 MU IM em dose única na sífilis primária/secundária; G cristalina na neuro-sífilis e endocardite
ampicilina é a escolha na listeriose e na enterococcite sensível; amoxicilina 500 mg VO 8/8 h
Amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO 8/8 h
adiciona estafilococos sensíveis productores de penicilinase, anaeróbios orais, Moraxella e Haemophilus
clavulanato inibe a beta-lactamase — diarreia é o efeito adverso mais comum
Piperacilina-tazobactam 4,5 g IV 6/6 h
espectro amplo INCLUINDO Pseudomonas aeruginosa e anaeróbios
cobertura empírica grave; falha documentada em bacteriemia por ESBL (MERINO)
Penicilinas resistentes à penicilinase (oxacilina, nafcilina 2 g IV 4/4 h)
estafilococos SENSÍVEIS (MSSA)
não cobrem MRSA — nem qualquer penicilina cobre
2. Cefalosporinas por geração
Geração
Exemplos e doses
Espectro que cai
1ª
cefazolina 1–2 g IV 8/8 h; cefalexina VO
Gram-positivos (MSSA, estreptococos); cefazolina é o padrão da profilaxia cirúrgica (2 g na indução)
2ª
cefuroxima; cefoxitina
soma Haemophilus e Moraxella; cefoxitina cobre anaeróbios (abdominal)
3ª
ceftriaxona 1–2 g IV/dia; ceftazidima
Gram-negativos; ceftriaxona penetra no SNC (meningite) e cobre pneumococo sensível; ceftazidima é antipseudomonas
4ª
cefepima 1–2 g IV 8–12/8–12 h
espectro amplo com Pseudomonas; risco de neurotoxicidade (encefalopatia, mioclonias)
5ª
ceftarolina
única cefalosporina ativa contra MRSA (afinia pela PBP2a)
NENHUNHA cefalosporina clássica cobre enterococo nem Listeria — na dúvida, ampicilina.
Cobertura anaeróbia dentro das cefalosporinas é exceção (cefoxitina, moxalactam histórica) — associar metronidazol quando preciso.
Ceftriaxona não se dilui (nem administra) com cálcio IV no mesmo acesso em recém-nascidos — precipitação.
3. Carbapenêmicos e monobactâmico
Carbapenêmicos (meropenem 1 g IV 8/8 h; imipenem-cilastatina — risco convulsivo; ertapenem 1 g IV/dia SEM Pseudomonas e SEM Acinetobacter; doripenem) são os mais estáveis às beta-lactamases e reservados a Enterobacterales produtoras de ESBL e a enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos quando sensíveis (Papp-Wallace, AAC 2011). Aztreonam, o monobactâmico, cobre apenas Gram-negativos aeróbios — e é a opção segura no alérgico grave a betalactâmicos por não compartilhar a estrutura bicíclica (cuidado: a ceftazidima compartilha cadeia lateral com o aztreonam).
4. Resistência: das penicilinases às carbapenemases
O mecanismo dominante é a hidrólise do anel por beta-lactamases (Bush e Bradford, Nat Rev Microbiol 2019): penicilinases, ESBL (sobretudo CTX-M — hidrolisam penicilinas e cefalosporinas de 3ª geração), AmpC e carbapenemases (KPC, NDM, OXA-48). Somam-se perda de porinas e alterações de PBP (MRSA: PBP2a). Cada barreira química dos anos recentes — inibidores de beta-lactamase (avibactam, vaborbactam, relebactam) — foi respondida por novas enzimas: a corrida é contínua.
5. Alergia à penicilina: o rótulo que faz mal
Mais de 90% dos pacientes rotulados como alérgicos à penicilina TOLERAM a droga quando formalmente testados (Shenoy e cols., JAMA 2019) — o rótulo empurra o uso de alternativas piores (fluoroquinolonas, vancomicina, clindamicina), com mais resistência, eventos adversos e custo. História grave (anafilaxia, DRESS, SJS/TEN) contraindica a reexposição; urticária remota pode ser investigada com testes. A reatividade cruzada penicilina-cefalosporina é baixa (≈ 1–2% na população geral) e dirigida por semelhança de cadeias laterais: escolher cefalosporina de geração diferente sem cadeia compartilhada é aceitável na maioria dos casos.
6. Efeitos adversos e interações dos betalactâmicos
Hipersensibilidade imediata IgE (urticária, anafilaxia) e tardias graves (DRESS, SJS/TEN) — suspender e não reexpor.
Diarreia e infecção por Clostridioides difficile: proporcional ao espectro e à duração.
Cefepima: neurotoxicidade (mioclonias, encefalopatia, até estado de mal não convulsivo) — ajustar na disfunção renal.
Imipenem: risco convulsivo (dose, função renal, doença do SNC).
Probenecida bloqueia a secreção tubular das penicilinas e eleva suas concentrações — interação historicamente cobrada.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 68 anos, bacteriemia por Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL, estável, sensível in vitro a piperacilina-tazobactam e a meropenem. Qual o antimicrobiano preferido?
2.Prova difícilPaciente relata “alergia a penicilina” por uricária na infância, há 30 anos, sem detalhes e sem outras reações a fármacos. Tem meningite pneumocócica e a diretriz indica ceftriaxona em dose alta. Conduta:
escada analgésica e analgesia multimodal · paracetamol (mecanismo central, NAPQI, N-acetilcisteína) · AINEs: COX-1 × COX-2 e riscos renal, gastrointestinal e cardiovascular · opioides e diretriz CDC 2022 · dipirona
1. Paracetamol (acetaminofeno)
Dose adulta: 500–1.000 mg VO a cada 6 h, máximo de 4 g/dia (reduzir para 3 g/dia em hepatopatia, uso crônico, desnutrição, consumo de álcool e idoso frágil). É o analgésico e antitérmico de escolha na gestação e na doença renal crônica — nas doses terapêuticas não ulcera a mucosa, não altera a função plaquetária nem a hemodinâmica renal.
Mecanismo: predominantemente CENTRAL — inibição da COX no SNC (ambiente peroxidásico), modulação da via serotoninérgica descendente e metabólitos do sistema endocanabinoide (AM404); ação anti-inflamatória periférica desprezível (Graham e cols., Inflammopharmacology 2013).
Metabolismo: glicuronidação e sulfatação na maior parte; 5–10% pelo CYP2E1 em NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina), detoxificado pela glutationa.
Na superdose (ou dose terapêutica em reservas baixas de glutationa): NAPQI acumula → necrose hepática centrolobular.
Intoxicação: fase inicial de 24 h quase assintomática → elevação maciça de ALT/AST entre 48–72 h → risco de insuficiência hepática fulminante.
2. AINEs: seletividade pela COX e riscos
Os AINEs inibem a ciclooxigenase: COX-1 constitutiva protege o estômago (prostaglandinas citoprotetoras), sustenta o tônus vasodilatador renal e gera o TXA2 plaquetário; COX-2 é induzida na inflamação (Bindu e cols., Biochem Pharmacol 2020). O perfil de risco decorre desse equilíbrio.
plaqueta anucleada não ressintetiza a COX-1 → efeito pela vida da plaqueta (7–10 dias)
COX-2 seletivos
celecoxibe 200 mg/dia; etoricoxibe 60–90 mg/dia
menos toxicidade gastrintestinal alta; risco cardiovascular e renal PRESERVADOS
Renal: vasoconstrição da arteríola aferente → IRA funcional; risco máximo em DRC, desidratação, idoso e na associação IECA/BRA + diurético (“tripla ameaça”); hipercalemia e retenção de sódio.
Cardiovascular: diclofenaco e COX-2 seletivos elevam risco de infarto e AVC; naproxeno é o mais neutro; todos podem elevar a pressão e piorar a insuficiência cardíaca.
Gastrintestinal: úlcera e sangramento — quando o AINE for indispensável em alto risco, proteger com inibidor de bomba de prótons.
Doença respiratória exacerbada por AAS: asma + pólipos nasais + reação a AINE (desvio do ácido araquidônico para leucotrienos) — evitar todos os AINEs.
Nunca somar dois AINEs (toxicidade aditiva sem ganho analgésico); ibuprofeno pode antagonizar o efeito antiagregante do AAS — separar a administração.
AAS em crianças/adolescentes com varicela ou influenza: risco de síndrome de Reye (encefalopatia + esteatose hepática).
3. Opioides
Agonistas do receptor mu: indicação em dor aguda moderada-grave, dor oncológica e cuidados paliativos. Na dor crônica não oncológica, a diretriz CDC 2022 (MMWR) estabelece: opioides NÃO são primeira linha; ao iniciar, preferir liberação imediata, menor dose eficaz e reavaliação explícita; cautela reforçada a partir de 50 MME/dia (morphine milligram equivalents); evitar ou justificar formalmente acima de 90 MME/dia; oferecer naloxona quando houver fatores de risco de overdose.
Opioide
Particularidade
Codeína
pró-fármaco do CYP2D6 (metabolizador ultrarrápido = toxicidade; lento = sem efeito); contraindicada em menores de 12 anos
Tramadol
mu fraco + inibição da recaptação de serotonina/noradrenalina; risco de convulsão e de síndrome serotoninérgica
Morfina
padrão de comparação: 10 mg IV ≈ 30 mg VO (biodisponibilidade oral ≈ 1/3); metabolitos acumulam na disfunção renal
Fentanil
lipofílico, ≈ 100× mais potente que a morfina por via IV; adesivo de 72 h apenas em paciente TOLERANTE a opioide
Metadona
longa duração, alonga o QT, interações complexas — especialistas
Buprenorfina
AGONISTA PARCIAL mu — teto de depressão respiratória; base do tratamento da dependência de opioide
Efeitos adversos: constipação (tolerância NÃO se desenvolve — laxante desde o primeiro dia), náusea, sedação, miose, prurido histamínico, retenção urinária.
Depressão respiratória: naloxona 0,4 mg IV/IM — duração MENOR que a da maioria dos opioides → risco de renarcotização, observar após revertar.
Tolerância, dependência e transtorno por uso; hiperalgesia induzida por opioide em uso prolongado.
4. Dipirona
500–1.000 mg VO a cada 6 h (adulto), amplo uso institucional no Brasil na dor aguda pós-operatória e na febre, inclusive por via IV. Agranulocitose é raríssima (estimativas na casa de um caso por milhão de expostos) — contraindicada em neutropenia e em histórico de agranulocitose induzida por dipirona. Não tem efeito antiplaquetário clinicamente relevante e não substitui o AINE quando o objetivo é anti-inflamatório.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalAdolescente ingeriu grande quantidade de comprimidos de paracetamol há 6 h e encontra-se assintomática, com ALT normal. Qual o mecanismo da hepatotoxicidade e a conduta?
2.IntermediárioIdosa, 79 anos, doença renal crônica (TFGe 28 mL/min), em enalapril e furosemida, apresenta dor osteoarticular importante no joelho, sem sinais inflamatórios articulares. Analgésico de escolha:
organização do SNA e neurotransmissores · receptores alfa, beta, muscarínicos e nicotínicos · simpatomiméticos e vasopressores (SOAP II, SSC 2021) · betabloqueadores e alfa-bloqueadores · colinérgicos, anticolinesterásicos e anticolinérgicos · toxidromes
Receptor
Efeitos-chave
Fármacos que caem
Alfa-1 (Gq)
vasoconstrição, midríase, contração prostática e do esfíncter vesical
Cardioseletivos (metoprolol, bisoprolol, atenolol): insuficiência cardíaca, pós-infarto, angina, hipertensão — a seletividade é dose-dependente (perde-se em doses altas).
Carvedilol (alfa-1 + beta) na insuficiência cardíaca; labetalol IV na hipertensão da pré-eclâmpsia; esmolol ultracurto em cenários de curta duração; timolol colírio no glaucoma (absorção sistêmica acontece — causa bradicardia/broncospasmo).
Nebivolol: liberação de óxido nítrico — menos disfunção sexual.
Alfa-1 bloqueadores: prazosina/doxazosina (HBP; pesadelos no TEPT); tansulosina urosseletiva (menos hipotensão); fenoxybenzamina IRREVERSÍVEL no feocromocitoma antes da cirurgia.
Clonidina e metildopa: hipertensão (metildopa é clássica da gestação); clonidina também em abstinência, TDAH com tiques e sedação; suspensão abrupta → hipertensão rebote.
Contraindicações de betabloqueador: asma (broncospasmo beta-2), início na insuficiência cardíaca descompensada, bradicardia/bloqueio AV, doença arterial periférica grave; mascaramento da taquicardia da hipoglicemia no diabético em insulina.
3. Colinérgicos e anticolinesterásicos
Fármaco
Uso
Pegadinha
Pilocarpina
glaucoma (miose abre o ângulo), xerostomia
colírio de miótico × midriático no glaucoma
Betanecol
retenção urinária/atonia vesical pós-operatória
contraindicado na obstrução (BPH)
Neostigmina
reversão do bloqueio neuromuscular — SEMPRE com atropina ou glicopirrolato (bradicardia e secreções)
tratamento: atropina + PRALIDOXIMA antes do “envelhecimento” da enzima
4. Anticolinérgicos e os toxidromes
Atropina: bradicardia sintomática 0,5–1 mg IV (repetir); doses repetidas na intoxicação por organofosforado; aumento da dose no lactente (bronquiolite) caiu em desuso.
Escopolamina (cinetose), ipratrópio e tiotrópio inalatórios (asma/DPOC — mínima absorção sistêmica), oxibutinina/tolterodina (bexiga hiperativa), tropicamida (midríase), biperideno/triexifenidil (sintomas extrapiramidais), anti-histamínicos de 1ª geração.
Benzodiazepínico é a base; betabloqueador não seletivo não é a escolha (alfa descompensado).
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 64 anos, choque séptico por pneumonia, após expansão volêmica adequada mantém PA 62/38 mmHg, FC 118, lactato elevado. Vasopressor de primeira linha:
2.AvançadoAgricultor chega com sudorese profusa, miose, broncorréia, bradicardia, diarreia e sialorréia após manusear inseticida. Além da descontaminação, o tratamento farmacológico correto é:
náusea, insônia, disfunção sexual, hiponatremia (SIADH no idoso), risco de sangramento (com AAS/varfarina), virada maníaca; paroxetina é a mais sedativa/anticolinérgica e tem pior síndrome de abstinência; fluoxetina é ativadora e tem meia-vida longa (se “auto-taper”)
IRSN (venlafaxina, duloxetina)
serotonina + noradrenalina; duloxetina também na dor neuropática e fibromialgia
hipertensão dose-dependente (venlafaxina), sudorese, abstinência mais rápida
Mirtazapina
bloqueio de alfa-2 pré-sináptico e H1
sedação + aumento de apeteso/peso (útil no idoso com inapetência e insônia); sem disfunção sexual
Bupropiona
recaptação de dopamina/noradrenalina
SEM disfunção sexual; contraindicada em histórico de convulsão e bulimia; insônia; útil no tabagismo
monoaminas + bloqueio de canais de sódio, muscarínicos e alfa-1
dor neuropática e profilaxia de enxaqueca; anticolinérgico, hipotensão ortostática e CARDIOTOXICIDADE (QRS largo na intoxicação — tratar com bicarbonato de sódio)
IMAO (fenelzina, tranilcipromina)
inibição irreversível da MAO-A/B
crise hipertensiva com tiramina (queijos curados, embutidos, extrato de levedura); síndrome serotoninérgica com ISRS — washout de 2 semanas (5 semanas para a fluoxetina)
A síndrome serotoninérgica (Boyer e Shannon, NEJM 2005) é a toxicidade aditiva do excesso de serotonina, quase sempre por combinação (ISRS + tramadol, linezolida, IMAO, tricíclico, triptano). Tríade: alteração mental (agitação, confusão) + hiperatividade autonômica (taquicardia, sudorese, diarreia, hipertermia) + hiperatividade neuromuscular — o CLONUS (espontâneo, ocular ou induzido) com hiperreflexia é a assinatura (critérios de Hunter). Início em minutos a 24 h após a mudança de esquema.
Síndrome serotoninérgica
Síndrome neuroléptica maligna
Fármaco
serotoninérgicos somados
antipsicóticos (D2) — início dias a semanas
Neuromuscular
clônus, hiperreflexia, tremor, rigidez leve
rigidez em “tubo de chumbo”, HIPORreflexia
Laboratório
sem marcador específico
creatinoquinase muito elevada, leucocitose
Tratamento
suspender serotonérgicos, benzodiazepínico, resfriamento; ciproeptadina (inicial 12 mg) nos moderados-graves
suspender o antipsicótico, resfriar, suporte; dantroleno ou bromocriptina
Antipsicóticos na demência (BPSD): aumento de mortalidade — alerta de classe, usar como último recurso, em dose mínima e por tempo curto.
4. Lítio
Padrão-ouro na mania e na manutenção do transtorno bipolar (1ª linha no CANMAT 2018). Níveis: 0,8–1,2 mEq/L no agudo; 0,6–0,8 na manutenção — janela estreitíssima. Antes de iniciar: TSH, creatinina, cálcio, teste de gravidez e ECG.
Toxicidade progressiva: tremor fino → diarreia e ataxia → hipertonia, convulsão e encefalopatia (acima de ≈ 2 mEq/L o quadro é grave; hemodiálise nos casos extremos).
Fármacos que ELEVAM o lítio: AINEs, tiazídicos, IECA/BRA — todos reduzem o clearance; desidratação e dieta hipossódica idem.
Teratogenicidade: anomalia de Ebstein (risco acima do basal) — planejar a gestação e trocar/ajustar com acompanhamento.
5. Benzodiazepínicos e estimulantes do TDAH
Benzodiazepínico: modulador alostérico positivo do GABA-A. Indicações de destaque: abstinência alcoólica, catatonia (lorazepam), estado de mal epiléptico (midazolam IM/IV, lorazepam IV — 1ª linha), ansiedade aguda, insônia de curto prazo.
Meia-vida: midazolam ultracurta; lorazepam intermediária SEM metabolismo oxidativo (seguro no hepatopata); diazepam longa com metabólitos ativos e redistribuição; clonazepam longa.
Riscos: dependência em semanas de uso contínuo, queda e piora cognitiva no idoso (Beers), reboro e convulsão na suspensão abrupta; flumazenil reverte, mas pode desencadear convulsão no dependente.
TDAH (AAP 2019 e PCDT brasileiro): menor de 6 anos → treinamento comportamental dos pais em 1ª linha (não fármaco); a partir dos 6 → estimulante ± intervenção comportamental. Metilfenidato bloqueia a recaptação de dopamina/noradrenalina; lisdexanfetamina é pró-fármaco da anfetamina; efeitos: redução do apetite, insônia, elevação de FC/PA, monitorar crescimento e desvio de uso. Não estimulantes: atomoxetina (latência de semanas) e guanfacina de liberação prolongada.
Fluxo da escolha do antidepressivo
Depressão moderada, primeiro episódio — qual a base do tratamento?
▼
Sem ideação/psicose, sem sinal de bipolaridade
ISRS em dose plena + psicoterapia; reavaliar em 2–4 semanas (latência).
Benzodiazepínico NÃO é antidepressivo — no máximo coadjuvante curto na ansiedade insuportável.
Com sintomas psicóticos ou risco grave
Antidepressivo + antipsicótico, ou ECT na depressão psicótica/catatônica com risco imediato.
1.IntermediárioMulher, 43 anos, em sertralina por transtorno de pânico, recebe tramadol para dor lombar. Horas depois: agitação, sudorese, taquicardia, diarreia, clônus induzível e hiperreflexia, sem rigidez em chumbo. Diagnóstico e conduta:
2.AvançadoHomem, 46 anos, transtorno bipolar em lítio estável (0,8 mEq/L), inicia ibuprofeno por lombalgia há 2 semanas. Retorna com tremor grossiro, diarreia, ataxia à marcha e confusão leve. O mecanismo do quadro e a conduta imediata são:
cascata de coagulação e alvos · varfarina (VKORC1, INR, interações, necrose cutânea) · heparinas e HIT · DOACs e antídotos · antiagregantes e dupla antiagregação · manejo perioperatório (ACCP 2022, BRIDGE, BRUISE CONTROL, POISE-2)
1. Varfarina (antagonista da vitamina K)
Inibe a epóxido-redutase da vitamina K (VKORC1), reduzindo a carboxilação dos fatores II, VII, IX e X e das proteínas C e S. Alvo: INR 2–3 na FA e no TEV; 2,5–3,5 na prótese metálica mitral. O efeito terapêutico demora 36–72 h (depleção dos fatores de meia-vida longa) — a queda PRECOCE da proteína C explica a rara necrose cutânea no início sem sobreposição com heparina.
Interações amplas: amiodarona, metronidazol, SMX-TMP, fluconazol e AINE elevam o INR; rifampicina, carbamazepina e fenobarbital reduzem (mais interações no módulo 9).
Dieta: manter ingesta ESTÁVEL de vitamina K (não proibir folhas verdes — variar é o problema).
Teratogênica (embriopatia warfarínica) — proibida na gestação; heparinas são a escolha.
Reversão: vitamina K (fitomenadiona; via oral lenta, IV reservada com cautela), concentrado de complexo protrombínico (rápido, no sangramento grave) ou plasma fresco congelado.
2. Heparinas
HNF
HBPM (enoxaparina 1 mg/kg SC 12/12 h)
Mecanismo
potencializa a antitrombina — inibe IIa e Xa (proporção 1:1)
inibe preferencialmente o Xa (proporção 2–4:1)
Monitorização
TTPA 1,5–2,5× o controle (via IV)
rotina sem monitoração; anti-Xa em gestantes obesas e disfunção renal
Reversão
protamina (quase completa)
protamina reverte apenas ≈ 60%
HIT
mais frequente
menos frequente (não isenta)
Situações
insuficiência renal grave, procedimento com necessidade de reversão rápida
escolha na gestação e no tratamento ambulatorial do TEV; reduzir na TFGe < 30
3. Anticoagulantes orais diretos (DOAC)
Fármaco
Alvo e dose padrão
Antídoto e notas
Dabigatrana 150 mg 12/12 h
inibidor direto da TROMBINA (IIa); pró-fármaco, substrato de P-gp
idarucizumabe 5 g IV
Apixabana 5 mg 12/12 h
inibidor direto do Xa
andexanete alfa; concentrado protrombínico como alternativa
Rivaroxabana 20 mg/dia · edoxabana 60 mg/dia
inibidores diretos do Xa
idem
Vantagens: dose fixa sem monitoração, menos sangramento intracraniano que a varfarina, menos interações.
Apixabana reduz para 2,5 mg 12/12 h na presença de 2 entre 3: idade ≥ 80 anos, peso ≤ 60 kg, creatinina ≥ 1,5 mg/dL.
NÃO usar em valvopatia reumática moderada-grave nem em prótese valvar metálica (RE-ALIGN) — varfarina obrigatória.
Ajustar na disfunção renal e evitar com inibidores/indutores fortes de CYP3A4 e P-gp (cetoconazol ↑, rifampicina/erva-de-são-joão ↓).
Anestesia neuraxial: respeitar os intervalos de suspensão — hematoma espinhal é a complicação temida.
4. Antiagregantes
AAS 75–100 mg/dia: inibição IRREVERSÍVEL da COX-1 plaquetária → sem TXA2 pela vida da plaqueta (7–10 dias — suspender 7 dias antes de cirurgia eletiva, quando a suspensão for indicada).
Clopidogrel 75 mg/dia: pró-fármaco do CYP2C19 (metabolizadores lentos perdem efeito; omeprazol compete pela enzima — preferir pantoprazol).
Ticagrelor 90 mg 12/12 h (reversível, sem ativação metabólica — preferido na SCA com estratégia invasiva; dispneia e bradicardia como efeitos próprios).
Prasugrel 10 mg/dia: mais potente e mais sangrador — contraindicado após AVC/AIT e cautela em ≥ 75 anos e < 60 kg.
Dupla antiagregação (AAS + inibidor de P2Y12) por ≈ 12 meses após síndrome coronariana aguda com stent, individualizando pelo risco de sangramento.
5. Manejo perioperatório do antitrombótico (ACCP 2022 e ensaios)
Fluxo perioperatório do anticoagulado
Cirurgia eletiva — como manejar o antitrombótico?
▼
Paciente em DOAC
Suspender 1–2 dias antes (≈ 24 h em cirurgia de baixo risco de sangramento; 48 h nas de alto risco e na disfunção renal).
SEM ponte (bridging) com heparina — a meia-vida curta dispensa.
Reiniciar 24 h (baixo risco) a 48–72 h (alto risco) após o procedimento.
Paciente em varfarina
Suspender 5 dias antes (INR < 1,5).
Ponte com HBPM APENAS no alto risco trombótico (prótese metálica antiga, TEV recente) — BRIDGE (NEJM 2015): FA sem ponte foi não inferior, com menos eventos (0,4% × 3,2%) e menos sangramento maior (1,3% × 3,2%).
Cirurgia de dispositivo cardíaco (marcapasso/CDI)
BRUISE CONTROL (NEJM 2013): continuar a varfarina com INR em faixa deu MENOS hematoma de bolso do que interromper e fazer ponte com heparina.
AAS em cirurgia não cardíaca
POISE-2 (NEJM 2014): manter/iniciar AAS não reduziu morte ou infarto e AUMENTOU sangramento maior — não prescrever por rotina; stent recente é exceção que se discute com a cardiologia.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 67 anos, fibrilação atrial em rivaroxabana 20 mg/dia, com colestáculo para colecistectomia laparoscópica eletiva de baixo risco de sangramento, função renal normal. Conduta perioperatória:
2.AvançadoMulher, 58 anos, no 5º dia de heparina não fracionada IV por trombose venosa profunda, tem queda de plaquetas de 240 para 80 × 10⁹/L e desenvolve nova trombose arterial femural. Conduta:
encefalopatia por cloroacetaldeído — azul de metileno no quadro
Busulfano
fibrose pulmonar; hiperpigmentação
Temozolomida
atravessa a barreira hematoencefálica — gliomas; também LMA secundária
Nitrosureias (carmustina)
toxicidade pulmonar tardia
2. Antimetabólitos
Fármaco
Alvo e toxicidade
Resgate e pegadinha
Metotrexato
diidrofolato redutase (timidilato); mucosite e mielossupressão
resgate com LEUCOVORINA (folinato); doses altas exigem hidratação + alcalinização urinária (precipitação renal); AINE (ibuprofeno), inibidores de bomba de prótons e SMX-TMP aumentam a toxicidade
deficiência de DPD (DPYD) prediz toxicidade grave; vasoespasmo coronariano raro
Citarabina (dose alta)
cerebelar (dose-limitante); conjuntivite
colírio de corticoide previne a conjuntivite
6-mercaptopurina / azatioprina
análogos de purina; mielossupressão
dosar TPMT/NUDT15; alopurinol bloqueia a degradação — reduzir a dose em 25–75%
Gemcitabina
análogo de pirimidina; mielossupressão, pneumonite
—
3. Alcaloides da vinca e taxanos
Mecanismo comum: ligam a tubulina e bloqueiam a formação do fuso mitótico (fase M).
Paclitaxel: neurotoxicidade periférica cumulativa; hipersensibilidade ao veículo (Cremophor) — premedicar com dexametasona + anti-H1/H2; bradicardia durante a infusão.
Docetaxel: retenção hídrica (premedicar com dexametasona), neutropenia, alterações ungueais.
Ambos são vesicantes/irritantes — atenção à extravasamento.
4. Antraciclinas e sales de platina
Fármaco
Toxicidade que define o uso
Doxorrubicina (adriamicina) / daunorrubicina
cardiomiopatia CUMULATIVA dose-dependente — o risco sobe acentuadamente acima de 450–550 mg/m² de dose lifetime; ecocardiograma basal e seriado; dexrazoxano como cardioprotetor; vesicante grave (urina avermelhada é inócua)
Cisplatina
nefrotoxicidade (hidratação copiosa com soluções cloretadas), ototoxicidade (audiometria), neuropatia, perda renal de magnésio e potássio, emetogenicidade máxima — profilaxia tripla
Carboplatina
mielossupressão (plaquetopenia) dominante; menor toxicidade renal
Oxaliplatina
neurotoxicidade AGUDA desencadeada pelo FRIO (evitar bebidas e ar gelados durante o ciclo) e neuropatia sensitiva cumulativa
hipertensão, proteinúria, sangramento/perfuração, prejudica cicatrização — suspender semanas antes de cirurgias
Trastuzumabe
anti-HER2 (mama, gástrico)
cardiotoxicidade tipo II — frequentemente REVERSÍVEL com suspensão/tratamento; monitorar fração de ejeção
Rituximabe
anti-CD20 (linfomas)
reação à infusão; REATIVAÇÃO DE HEPATITE B — rastrear HBsAg/anti-HBc antes
6. Imunoterapia e eventos adversos imunomediados
Os inibidores de checkpoint — ipilimumabe (anti-CTLA-4), nivolumabe, pembrolizumabe e cemiplimabe (anti-PD-1), atezolizumabe e durvalumabe (anti-PD-L1) — removem os “freios” da resposta T celular. A toxicidade é um mecanismo: inflamação autoimune em qualquer órgão, com graduação CTCAE 1–5 que comanda a conduta (Haanen e cols., ESMO 2022; Puzanov e cols., SITC 2017).
tireoidite (hiper seguido de hipo — reposar), hipofisite (cortisol ANTES da reposição de hormonios), diabetes melito tipo 1 com cetoacidose
Pulmão
pneumonite — imagem, corticoide, suspender
Fígado
hepatite (enzimas) — corticoide
Coração
miocardite — rara e letal: corticoide em ALTA dose imediato
Fluxo da diarreia sob anti-PD-1
Paciente em pembrolizumabe com diarreia líquida — como graduar e tratar?
▼
Até 4 evacuações/dia sobre o basal, sem composição geral
Grau 1–2 leve: manter o fármaco, antidiarreico sintomático e vigilância ativa.
Aumento acentuado (grau 2 grave/3), sem causa infecciosa
Suspender temporariamente o inibidor + prednisona oral 0,5–1 mg/kg/dia com retirada gradual em semanas.
Instabilidade, febre, peritonismo ou grau 4
Internar, metilprednisolona IV; refratário em 48–72 h → infliximabe (após excluir perfuração/infecção).
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem em quimioterapia adjuvante por adenocarcinoma colorretal refere, a cada ciclo, formigamento e contratura dolorosa das mãos e da mandíbula ao beber água gelada e ao sair no frio, com resolução em dias. O fármaco e a conduta orientada são:
2.Prova difícilMulher em pembrolizumabe por melanoma metastático apresenta diarreia líquida com 8 evacuações/dia, sem febre; pesquisa de Clostridioides difficile e culturas negativas; hemodinamicamente estável. Conduta:
Princípios: prescrever apenas o necessário, na menor dose eficaz, evitando o primeiro trimestre quando possível. A rotulagem americana abandonou as letras A–X em 2015 (Pregnancy and Lactation Labeling Rule) — a avaliação é narrativa por risco fetal/neonatal; a letra antiga ainda aparece em prova velha e deve ser lida com cautela.
Fármaco
Efeito fetal
Conduta
Isotretinoína
teratogenicidade extrema (malformações múltiplas)
contraindicada; contracepção dupla obrigatória
Varfarina
embriopatia (hipoplasia nasal, epífises estipuladas) e fetopatia
heparinas em qualquer fase da gestação
Valproato
o anticonvulsivante mais teratogênico: defeitos de tubo neural ≈ 10× o basal (cerca de 1–2%) + prejuízo neurodesenvolvimental
evitar em idade fértil; preferir lamotrigina/levetiracetam
IECA/BRA
fetopatia no 2º–3º trimestres: oligodrâmnio, insuficiência renal fetal, hipoplasia craniana
trocar no planejamento (metildopa, labetalol, nifedipino)
AINE
a partir de 20 semanas: disfunção renal fetal e oligodrâmnio (alerta FDA 2020); contra o ducto próximo ao termo
paracetamol é o analgésico preferido
Tetraciclinas
hipoplasia do esmalte e dentes amarelados
usar penicilinas, cefalosporinas ou azitromicina
Aminoglicosídeos
ototoxicidade fetal
evitar; alternativas conforme cultura
Metotrexato
abortivo e teratogênico
contraindicado
Seguros e de escolha na gestação: paracetamol, penicilinas e cefalosporinas, azitromicina, heparinas (enoxaparina), insulina, metildopa/labetalol/nifedipino (hipertensão), ondansetrona (usar com discussão no 1º trimestre).
Lactação: a maioria dos fármacos é compatível; atenção a codeína (metabolizador CYP2D6 ultrarrápido → depressão neonatal — contraindicada pela FDA), isotretinoína, quimioterápicos, amiodarona, AAS em altas doses e pseudoefedrina (reduz a lactação).
4. Idoso: farmacocinética, farmacodinâmica e critérios
FK: clearance renal reduzido (creatinina enganosamente “normal” pela massa muscular baixa — estimar TFGe), hipoalbuminemia eleva a fração livre (fenitoína, varfarina), proporção de gordura maior alonga a meia-vida dos lipossolúveis (diazepam), fluxo hepático menor aumenta a biodisponibilidade de primeira passagem (propranolol).
FD: maior sensibilidade a anticoagulantes, anti-hipertensivos (queda e ortostatismo), opióides e benzodiazepínicos.
Polifarmácia (≥ 5 fármacos) é a principal causa evitável de iatrogenia — revisar a lista em toda consulta e desprescrever.
Critério
Fonte e foco
Beers 2023 (AGS)
evitar no idoso: benzodiazepínicos e hipnóticos (queda, fratura, cognição), anticolinérgicos e anti-histamínicos de 1ª geração, glibenclamia (hipoglicemia prolongada), AINEs de uso crônico, digoxina > 0,125 mg/dia, antipsicóticos para sintomas psicóticos e comportamentais da demência (↑ mortalidade), nitrofurantoína com TFGe < 30 (ineficaz), soma opioide + benzodiazepínico
STOPP/START v3 (2023)
STOPP: prescrições potencialmente inapropriadas por sistema (duplicidades, interações, duração); START: omissões que fazem falta (IECA na insuficiência cardíaca, estatina na doença aterosclerótica, vitamina D após queda)
5. Criança, insuficiência renal e hepática
Pediatria: dose por peso (mg/kg); glicuronidação imatura (síndrome cinzenta do cloranfenicol no recém-nascido); AAS em criança/adolescente com varicela ou influenza → síndrome de Reye; codeína contraindicada abaixo de 12 anos (CYP2D6 ultrarrápido — mortes pós-adenoidectomia); fluoroquinolonas e tetraciclinas com restrições de idade.
Insuficiência renal: ajustar por TFGe — metformina suspensa abaixo de 30 mL/min (e 48 h após contraste iodado), DOACs com critérios de redução, enoxaparina reduzida, nitrofurantoína ineficaz, lítio a evitar, morfina com metabólitos acumuláveis (considerar alternativas).
Insuficiência hepática: Child-Pugh C — evitar estatinas na doença descompensada e DOACs na coagulopatia significativa; paracetamol permanece o analgésico preferido, com limite reduzido (≤ 2 g/dia); benzodiazepínicos a evitar (lorazepam, se inevitável).
Fluxo antes de prescrever qualquer fármaco
Nova prescrição — o que checar antes de assinar?
▼
Paciente e função
Idade, peso (mg/kg na criança), TFGe, função hepática, gestação/lactação.
Orientar sinais de alarme e reavalição — prescrição sem data de reavaliação vira cronicidade iatrogênica.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioGestante de 24 semanas com cefaleia e febre baixa por rinovirose solicita analgésico. Qual a orientação farmacológica correta?
2.AvançadoIdosa, 82 anos, TFGe 42 mL/min, usa glibenclamia 5 mg/dia, diazepam 5 mg à noite (há anos) e diclofenaco 50 mg 8/8 h crônico para artrose. Ao revisão clínica, a conduta alinhada aos critérios de prescrição potencialmente inapropriada (Beers 2023) é:
a pergunta de cenário que abre qualquer questão antitrombótica.
Três resgastes da oncologia
mesna (ciclofosfamida), leucovorina (metotrexato), azul de metileno (ifosfamida) — antídotos com nome próprio.
“Rifampicina some com tudo”
varfarina, DOAC, contraceptivo, corticoide: indução = concentração no chão e falha terapêutica.
As pegadinhas mais cobradas
Superdose de paracetamol é assintomática nas primeiras 24 h — ALT normal não tranquiliza; NAC nas primeiras 8–10 h.
Sensibilidade in vitro do pip-tazo não vale na bacteriemia por ESBL — carbapenêmico (MERINO).
AAS é AINE irreversível (7–10 dias); os demais são reversíveis — não confundir na questão do intervalo pré-operatório.
HIT é trombocitopenia que TROMBOSA: a resposta “suspender tudo e observar” é a armadilha letal.
DOAC não faz ponte com heparina — bridging é assunto de varfarina em alto risco (BRIDGE).
Clozapina não é falha terapêutica: é o passo definido da esquizofrenia refratária, com ANC semanal nos primeiros 6 meses.
Lítio sobe com AINE, tiazídico e IECA — o caso clássico do “bipolar estável que desestabiliza sem mudar a dose”.
Síndrome serotoninérgica (clônus, horas) × SNM (rigidez em chumbo, dias, CK alta): trocar os tratamentos é o erro da banca.
Ivermectina? Não — a prova troca erva-de-são-joão (indutor potente) por fitoterápico inofensivo: pergunte sempre.
Biodisponibilidade oral da nitroglicerina é praticamente zero — sublingual contorna a primeira passagem.
Antagonista competitivo desloca a curva à direita mantendo o Emax; não-competitivo reduz o Emax — a questão das duas curvas.
AINE a partir de 20 semanas de gestação: oligodrâmnio e disfunção renal fetal — o “limitar ao 3º trimestre” está superado.
Erva de seratoninérgicos somados: ISRS + tramadol/linezolida/triptano — o clônus fecha o diagnóstico antes da febre.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda prescrição nova: indicação, dose, via, intervalo, DURAÇÃO e reavaliação — checar TFGe, gestação e interações antes de assinar.
Todo paciente em varfarina que “descontrola”: revisar antibióticos, AINE, amiodarona e dieta antes de culpar a dose.
Todo choque: noradrenalina é o vasopressor de partida; dopamina leva arritmia junto.
Toda anafilaxia: adrenalina IM na coxa — o resto é adjetivo.
Todo anticoagulado que vai operar: DOAC 1–2 dias sem ponte; varfarina 5 dias com ponte só no alto risco.
Toda toxicidade de imunoterapia é autoimmune: graduar e corticoidar — reduzir dose de checkpoint não é conduta que existe.
Todo idoso com queda, confusão ou hipoglicemia: revisar a lista com Beers/STOPP antes de pedir exame caro.
Toda gestante com dor ou febre: paracetamol como base; AINE somente com indicação forte e antes de 20 semanas.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Urticária generalizada 30 min após amoxicilina
RAM tipo B — hipersensibilidade imediata
Assintomático com ALT normal 6 h após superdose de paracetamol
Janela oculta — iniciar N-acetilcisteína
Idosa em IECA + furosemida com creatinina subindo após AINE
Tripla ameaça renal
Bipolar estável em lítio que desestabiliza após AINE
Toxicidade do lítio por redução do clearance
Agitação + clônus + hiperreflexia após ISRS + tramadol
Síndrome serotoninérgica
Queda de plaquetas > 50% no 5º dia de heparina com nova trombose
HIT — agente não heparínico
Diarreia importante sob anti-PD-1 com culturas negativas
Colite imunomediada — corticoide
Disestesia das mãos e garganta ao beber água gelada na quimioterapia
Oxaliplatina — neurotoxicidade pelo frio
Agricultor com miose, broncorréia e sudorese
Organofosforado — atropina + pralidoxima
Gestante de 24 semanas pedindo ibuprofeno
Trocar por paracetamol (risco fetal a partir de 20 semanas)
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.Prova difícilAntimicrobiano com meia-vida de 12 h e eliminação 100% renal é iniciado em paciente cuja TFGe corresponde à metade do normal, mantendo-se o intervalo e a dose habituais. Qual a consequência farmacocinética esperada?
2.FundamentalPaciente com deficit de G6PD desenvolve anemia hemolítica grave após usar primaquina. Na classificação de reações adversas, trata-se de reação:
3.FundamentalCirurgia limpa eletiva (herniorrafia) em paciente sem alergia. O antimicrobiano profilático de padrão e sua administração correta são:
4.IntermediárioO ácido acetilsalicílico em dose antiagregante (75–100 mg/dia) diferencia-se dos demais AINEs porque:
5.Prova difícilPaciente em choque séptico recebe noradrenalina titulada em doses crescentes sem atingir a pressão-alvo. Pela Surviving Sepsis Campaign 2021, o próximo passo é:
6.AvançadoHomem, 34 anos, esquizofrenia sem resposta a dois antipsicóticos adequados em dose e duração. O próximo passo e sua monitoração obrigatória:
7.Prova difícilPaciente em varfarina (FA, INR-alvo 2–3) retorna com INR 7, sem qualquer sangramento e sem fatores de risco adicionais. Conduta:
8.AvançadoIdosa hipertensa em losartana e hidroclorotiazida apresenta dor crônica de joelho; o plantonista prescreve ibuprofeno contínuo. Três dias depois, creatinina sobe 60% com oligúria. O mecanismo e a correção:
Gabarito rápido
1-A · 2-B · 3-A · 4-A · 5-A · 6-A · 7-A · 8-A
Referencial teórico
34 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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