Baseado nos artigos publicados da matéria Endocrinologia da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — ADA Standards of Care in Diabetes 2025, SBD, ATA 2014–2016, Endocrine Society, ESC/EAS 2019, ACR TI-RADS e diretrizes brasileiras (SBEM/SBC/ABR/ABESO) como complemento, sempre com DOI. Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Diabetes mellitus: tipos 1 e 2
critérios diagnósticos · classificação e pegadinhas (LADA, MODY) · metas · DM1: basal-bolus e hipoglicemia · DM2: escalonamento guiado por comorbidade · cirurgia, ilhotas e fitoterapia
Jejum 8 h
≥ 126
mg/dL — confirmar com 2º teste
TOTG 75 g — 2 h
≥ 200
mg/dL
HbA1c
≥ 6,5%
método NGSP/DCCT certificado
Meta A1c
< 7%
na maioria dos adultos
1. Diagnóstico
Diagnóstico de diabetes exige alteração em 2 testes (na mesma amostra — ex.: A1c + glicemia — ou em 2 amostras separadas), exceto glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas clássicos (polidipsia, poliúria, perda ponderal), que fecha sozinho.
Exame
Normal
Pré-diabetes
Diabetes
Glicemia de jejum (8 h)
< 100
100–125
≥ 126
Glicemia 2 h pós 75 g
< 140
140–199
≥ 200
HbA1c
< 5,7%
5,7–6,4%
≥ 6,5%
Casual + sintomas
—
—
≥ 200
Diabetes gestacional: rastreio universal com TOTG de 75 g entre 24–28 semanas (jejum ≥ 92, 1 h ≥ 180 ou 2 h ≥ 153 mg/dL fecha em um valor alterado — critério IADPSG adotado pela ADA).
2. Classificação — e as pegadinhas de tipo
Tipo 1: destruição autoimune da célula beta (anticorpos anti-GAD65, anti-IA-2/ZnT8, anti-insulina); 5–10% dos casos; pico na puberdade, mas ocorre em qualquer idade. Variante LADA: adulto, magro, autoimune, evolui para insulinodependência — frequentemente rotulado erroneamente de tipo 2.
Tipo 2: resistência insulínica + falência progressiva da célula beta; ≥ 90% dos casos; cada vez mais frequente em jovens com obesidade.
Monogênico (MODY): suspeitar em 3 gerações acometidas, début jovem, magro, sem autoimunidade — ex.: GCK (MODY2, glicemia estável leve, quase nunca trata) e HNF1A (MODY3, sensível à sulfonilureia em dose baixa).
3. Metas de tratamento
HbA1c < 7% para a maioria dos adultos; < 8% se expectativa de vida limitada, hipoglicemia grave prévia, comorbidade extensa ou idoso frágil; pré-prandial 80–130 mg/dL e pós-prandial < 180 mg/dL.
Monitorização contínua de glicose: alvo de tempo no intervalo 70–100 mg/dL (3,9–10 mmol/L) > 70% do dia.
Redução de risco cardiovascular paralela: PA < 130/80 mmHg, estatina para praticamente todos entre 40–75 anos (alta potência se doença cardiovascular ou múltiplos fatores), cessação do tabagismo.
4. DM1: insulinoterapia fisiológica
Todo DM1 usa insulina desde o diagnóstico. O esquema padrão é o basal-bolus: cerca de 50% da dose como basal lenta (degludec, glargina U100/U300, detemir — 1×/dia) e 50% como bolus prandial de análogo ultrarrápido (aspart, lispro) 0–15 min antes das refeições, guiado pela contagem de carboidratos. Dose total inicial típica: 0,5–1,0 U/kg/dia (adolescentes até ~1,5). Infusão contínua subcutânea (bomba) + sensor: sistemas híbridos de malha fechada são o padrão tecnológico atual.
5. DM2: o paciente comorbidade escolhe a droga
Escolha da terapia inicial no DM2
Qual o traço dominante do paciente?
▼
Doença cardiovascular estabelecida, IC ou DRC
iSGLT2 (empagliflozina, dapagliflozina) ou agonista GLP-1 com benefício comprovado — independentemente da A1c e da metformina.
Empagliflozina (EMPA-REG OUTCOME): morte cardiovascular 38% menor em DM2 com doença cardiovascular estabelecida.
Obesidade como traço dominante
Semaglutida 1 mg/sem ou tirzepatida (maior perda ponderal e queda de A1c).
Sem cardiopatia, sem IC/DRC, sem obesidade dominante
Metformina + estilo de vida; associar por custo/perfil (DPP4i se risco de hipoglicemia).
A1c > 10% ou hiperglicemia sintomática: insulinização precoce (NPH/análogo basal), depois reavaliar.
Classe
Exemplo/dose
A1c
Peso
Armadilha principal
Biguanida
metformina 500→1000 mg 12/12 h (máx 2000–2550/dia)
−1 a −1,5%
neutro
efeito GI; B12 baixa com anos de uso; não iniciar com TFGe < 45, contraindicada < 30
cetoacidose euglicêmica; micoses genitais; suspender em jejum/doença
Agonista GLP-1
semaglutida 0,25→1 mg/sem SC
−1 a −1,5%
−3 a −5 kg
náusea/vômito; contraindicado se antecedente de carcinoma medular/MEN2
Tirzepatida (GIP+GLP-1)
2,5→15 mg/sem SC
até −2%
−8 a −12 kg
mesmas do GLP-1
Sulfonilureia
gliclazida, glimepirida; evitar glibenclamida no idoso/DRC
−1 a −1,5%
+2 kg
hipoglicemia (a maior causa de queda na prova)
DPP4i
sitagliptina 100 mg/dia
−0,5 a −0,8%
neutro
custo; não associar a GLP-1 (mesma via)
Tiazolidinediona
pioglitazona 15–45 mg/dia
−0,5 a −1,4%
+3 kg
contraindicada em IC (retenção/edema); fraturas; bexiga
Insulina
NPH ou basal → basal-plus → basal-bolus
sem teto
+2 a 4 kg
hipoglicemia e ganho ponderal
6. Além das drogas: cirurgia, ilhotas e adjuvantes
Cirurgia metabólica: DM2 com IMC ≥ 35 — altas taxas de remissão/metabolismo (ver módulo Obesidade); recomendada mesmo com glicemia controlada nessa faixa de IMC.
Transplante de ilhotas/pancreático (protocolo de Edmonton): indicado no DM1 com hipoglicemia grave não percebida; insulino-independência inicial na maioria, taxa que cai com os anos; exige imunossupressão.
Amilina (pramlintida): adjuvante prandial no DM1 com hiperglicemia pós-prandial e saciedade precoce.
Fitoterapia: a revisão Cochrane de canela (Allen, 2013) mostra queda modesta e inconsistente de A1c/glicemia — não substitui o tratamento padrão; nenhuma fitoterapia tem indicação formal na ADA.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 54 anos, DM2 recém-diagnosticado, IMC 33, PA 128/78, sem doença cardiovascular, IC ou nefropatia, HbA1c 8,2%. Conduta inicial:
2.IntermediárioMulher, 23 anos, DM1 há 10 anos, encontrada em casa confusa e suando; glicemia capilar 36 mg/dL, sem acesso venoso. Conduta imediata:
4 vias de dano e memória metabólica · retinopatia · nefropatia (ACR, iSGLT2, finerenona) · neuropatia e pé diabético · rastreio anual e evidência (DCCT, UKPDS)
Rastreio DM2
diagnóstico
retinopatia e nefropatia: já no diagnóstico, depois anual
Nefropatia
ACR ≥ 30
mg/g em 2 de 3 amostras (3–6 meses)
Neuropatia
10 g + 128 Hz
monofilamento + diapasão anuais
DCCT
−76%
início de retinopatia com tratamento intensivo no DM1
1. Fisiopatologia: as 4 vias e a memória metabólica
O excesso crônico de glicose lesa por 4 vias convergentes: via do poliol (sorbitol → estresse oxidativo), produtos finais de glicação avançada (AGEs), ativação da proteína quinase C e via da hexosamina. O resultado é dano microvascular (retina, glomérulo, nervo) e aterosclerose acelerada — diabetes é equivalente de risco cardiovascular.
Ensaio
População
Resultado-chave
DCCT (1993)
DM1
intensivo vs convencional: −76% surgimento de retinopatia; −54% progressão
UKPDS 33 (1998)
DM2 recém-diagnosticado
−25% desfechos microvasculares com controle intensivo
EMPA-REG OUTCOME (2015)
DM2 + doença CV
empagliflozina: −38% de morte cardiovascular
2. Retinopatia
Rastreio: DM2 — exame de fundo no diagnóstico e depois anual (se sem retinopatia e A1c boa, pode espaçar para 1–2 anos); DM1 — dentro de 5 anos do diagnóstico e depois anual.
Classificação: não proliferativa leve/moderada/grave (microaneurismas → hemorragias → anomalias venosas) → proliferativa (neovasos, hemorragia vítrea, descolamento) + edema macular (perda visual central, pode ocorrer em qualquer estágio).
Tratamento: fotocoagulação pan-retiniana na proliferativa; injeções intravítreas de anti-VEGF no edema macular com perda de acuidade; controle agressivo de glicemia e PA (o trio que retarda a progressão).
3. Nefropatia diabética
Diagnóstico: relação albumina/creatinina urinária (ACR) ≥ 30 mg/g em 2 de 3 amostras ao longo de 3–6 meses + TFGe anualmente — a proteinúria de fita só fica positiva tarde (perde a microalbuminúria, que é a janela terapêutica).
Tratamento que muda desfecho: IECA/BRA se albuminúria (mesmo sem hipertensão), iSGLT2 (iniciar com TFGe ≥ 20 mL/min/1,73 m² e manter enquanto tolerado), finerenona em selecionados, PA < 130/80, evitar AINE.
Suspeitar doença renal não diabética (e considerar biópsia): retinopatia ausente, hematúria glomerular, início atípico, queda brusca da TFGe, síndrome nefrótica de instalação rápida.
Encaminhar ao nefrologista: ACR persistente ≥ 300, TFGe < 30, ou queda > 40% da TFGe em 2 anos.
4. Neuropatia
Tipo
Apresentação
Maneio
Polineuropatia distal simétrica (a mais comum)
queimação/formigamento em bota e luva, hiperalgesia, perda de equilíbrio
gastroparesia, hipotensão ortostática, disfunção erétil, hipoglicemia despercebida, taquicardia em repouso
tratar sintoma a sintoma (ex.: modificadores de motilidade, compressão abdominal)
Mononeuropatia craniana (III par)
paralisia do III par (ptose + oftalmoplegia com pupila poupada), melhora em meses
excluir outras causas; analgesia e reasseguro
Radiculopatia / amiotrofia diabética
dor radicular + perda de massa da coxa (idosos com DM2)
controle glicêmico + analgesia; melhora espontânea em meses
5. Pé diabético e doença macrovascular
Exame dos pés em TODA consulta: inspeção (lesão, deformidade, micose), palpação de pulsos, monofilamento de 10 g e diapasão 128 Hz anuais — neuropatia é o principal preditor de úlcera.
Úlcera: desbridamento, descarga (gesso de contato total no pé de Charcot e úlcera plantar), cultura profunda; sonda óssea positiva ou TRN/RM para osteomielite; ITB < 0,9 = doença arterial periférica (calcificação invalida no renopata).
Pé de Charcot: pé quente, edemaciado e indolor em neuropata — RX normal no início, RM se dúvida; imobilização imediata.
Macrovascular: doença coronariana silenciosa é típica (isquemia sem dor), AVC, doença arterial periférica — AAS na doença estabelecida, estatina 40–75 anos, PA < 130/80, cessar tabagismo.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 60 anos, DM2 há 6 anos, A1c 8,4%, creatinina normal, exame de urina com fita negativa. Qual exame detecta mais precocemente nefropatia diabética?
2.IntermediárioMulher, 58 anos, DM2 há 12 anos, queimação nos pés há 1 ano piorando à noite, já com A1c 7,4% e sem deficiência de B12. Primeira linha farmacológica para a dor:
Na cetoacidose (DM1, déficit absoluto de insulina): hiperglicemia + glicosúria osmótica (perda de água, Na, K, Mg, P) + lipólise não freada → corpos cetônicos (β-hidroxibutirato) → acidose metabólica com ânion gap aumentado. No estado hiperosmolar hiperglicêmico (DM2, insulinopenia relativa): a insulina residual inibe a lipólise (sem cetose significativa), mas não a hiperglicemia; a desidratação se arrasta por dias-semanas → osmolalidade alta + rebaixamento. Em ambos, sempre caçar o gatilho: infecção (a mais comum), omissão de insulina/medicação, infarto, AVC, drogas (corticoides, iSGLT2, antipsicóticos), início de DM1.
SF 0,9% 15–20 mL/kg/h na primeira hora (1–1,5 L) — a expansão vem antes de tudo.
K⁺ < 3,3 mEq/L → REPOR ANTES DA INSULINA
KCl IV 20–30 mEq/h até K ≥ 3,3 — insulina empurra K para dentro da célula e precipita arritmia/parada.
K 3,3–5,2: acrescentar 20–30 mEq de K a cada litro de soro.
K⁺ ok → INSULINA REGULAR IV 0,1 U/kg/h
Bombas de infusão; sem bolus inicial na conduta padrão (se glicemia não cair ≥ 10% na 1ª h, pode dar 0,14 U/kg/h).
Glicemia < 200 → trocar para soro glicosado 5–10% e MANTER insulina até fechar o ânion gap (o alvo é a cetose, não o número da glicemia).
3. Detalhes que valem ponto
Resolução: ânion gap ≤ 12, HCO3 ≥ 18, pH > 7,3 — então aplicar insulina rápida SC e manter a IV por mais 1–2 h (sobreposição) antes de suspender; paciente precisa comer antes da alta da insulina IV.
Bicarbonato SÓ se pH < 6,9 (100 mmol em 400 mL de água destilada + 20 mEq KCl em 2 h) — risco de edema cerebral e hipocalemia paradoxal.
Fosfato se < 1,0 mg/dL ou disfunção muscular/respiratória.
Edema cerebral (principal causa de morte na DKA pediátrica): cefaleia, bradicardia, hipertensão, rebaixamento → manitol 0,25–1 g/kg ou salina hipertônica 3% (5–10 mL/kg). O ensaio PECERID mostrou que reidratar rápido vs lento não mudou o desfecho neurológico — o medo da reposição volêmica não pode retardar o tratamento da desidratação.
EHH: a REPOSIÇÃO VOLÊMICA é a terapia central (déficit 8–12 L); insulina 0,1 U/kg/h só após correção inicial; correção do Na com glicemia (Na + 1,6 a cada 100 mg/dL acima de 100); profilaxia de tromboembolismo; procura obsessiva do gatilho infeccioso.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 27 anos, DM1, chega com vômitos e dor abdominal há 2 dias; glicemia 410 mg/dL, pH 7,15, HCO3 9 mEq/L, K 4,8 mEq/L, ânion gap 21. Conduta inicial:
2.AvançadoHomem, 58 anos, DM2 em empagliflozina e metformina, internado por pneumonia com vômitos há 2 dias; glicemia 178 mg/dL, pH 7,22, HCO3 11 mEq/L, β-hidroxibutirato 4,8 mmol/L, K 3,9. Diagnóstico e conduta:
leitura TSH/T4L · Hashimoto e reposição (receita) · coma mixedematoso · causas de tireotoxicose e captação · Graves e gestação · crise tireotóxica
Hipo franco
TSH ↑ + T4L ↓
subclínico: TSH ↑ + T4L normal
Levotiroxina
1,6 µg/kg/dia
jejum, 30–60 min antes do café
Gestação 1ºT
PTU
metimazol é teratogênico; RAI proibido
Crise tireotóxica
BW ≥ 45
escore Burch-Wartofsky
1. Interpretar o eixo
TSH
T4L
Leitura
↑
↓
hipotireoidismo primário (franco)
↑ (leve)
normal
hipotireoidismo subclínico
↓/normal inapropriada
↓
hipotireoidismo CENTRAL — dosar T4L se suspeita
↓
↑
tirotoxicose franca
↓
normal
tirotoxicose subclínica / T3-toxicose (dosar T3)
Hipotireoidismo: a causa mais comum no mundo é deficiência de iodo; no Brasil (iodo suficiente), a tireoidite de Hashimoto (anti-TPO+). Clínica: fadiga, intolerância ao frio, ganho ponderal modesto, bradicardia, pele seca, constipação, menometrorragia, disfonia, LDL-colesterol elevado, CK elevada, hiponatremia.
2. Tratamento do hipotireoidismo
3. Hipertireoidismo: a causa define a conduta
Causa
Pistas
Confirmação
Doença de Graves (a mais comum)
bócio difuso + orbitopatia + mixedema pré-tibial
TRAb; captação difusa AUMENTADA
Bócio multinodular tóxico / adenoma tóxico
idade avançada, nódulo(s); TSH suprimido
captação focal aumentada na cintilografia
Tireoidites (De Quervain; pós-parto)
dor cervical/mandibular + VHS alto (De Quervain) ou silenciosa pós-parto
captação BAIXA — hormônio pré-formado vazando
Amiodarona
tipo 1 (iodo, bócio prévio) vs tipo 2 (destrutiva)
captação, ecografia; ambas difíceis
Factícia / estroma ovariano
sem bócio, evolução rápida
captação baixa + tiroglobulina baixa (factícia)
Adenoma produtor de TSH
T4 alta com TSH não suprimida
TSH inapropriadamente normal/alta + RM selo
Fluxo da tireotoxicose
TSH baixa + T4L alta confirmadas — qual o próximo passo?
Antitireoidianos (metimazol 10–30 mg/dia) como primeira opção na maioria.
Definitivo: iodo radioativo (exceto gestação/lactação/orbitopatia ativa) ou cirurgia.
Captação BAIXA (tireoidites, iodo, factícia)
Betabloqueador (propranolol 20–40 mg 6/6 h) + suporte — a tireoidite é autolimitada; antitireoidiano NÃO funciona (não há síntese nova).
GESTANTE
Propiltiouracila no 1º trimestre (metimazol: embriopatia/aplasia cutis); trocar para metimazol após.
Iodo radioativo é PROIBIDO na gestação e lactação.
4. Graves, orbitopatia e a crise
Doença de Graves: antitireoidiano por 12–18 meses → remissão 40–50%; recidiva comum (opções definitivas: iodo radioativo ou tireoidectomia total — indicada no bócio compressivo, suspeita de malignidade e gestante no 2º trimestre que falha na droga).
Efeitos adversos dos antitireoidianos: agranulocitose (febre + odinofagia → SUSPENDER e hemograma) e hepatotoxicidade (PTU pior); prurido/urticária comuns.
Tireotoxicose subclínica: tratar se TSH < 0,1 na idade ≥ 65 anos, osteoporose, sintomas cardíacos — o excesso leve também faz FA e perde osso.
Orbitopatia: cessar tabagismo (o único fator modificável comprovado); selênio no leve; corticoide IV na moderada-grave; neuropatia óptica (visão ameaçada) = corticoide IV em alta dose + descompressão urgente — e iodo radioativo pode PIORAR a órbita (evitar na orbitopatia ativa ou cobrir com corticoide).
Paralisia periódica tirotóxica: homem asiático, hipocalemia + paralisia após refeição rica em carboidratos/exercício — corrigir K e a tireotoxicose.
TSH primeiro · ACR TI-RADS (25-15-10) · Bethesda com risco de malignidade · conduta cirúrgica e RAI · supressão de TSH · carcinoma medular e anaplástico
Nódulos US
50–60%
de adultos em série de ultrassom; malignidade em minoria (≈ 5–10%)
TR5
≥ 7 pts
FNA a partir de 10 mm
Punção — macete
25-15-10
mm de corte para TR3 / TR4 / TR5
Papilar
80–85%
dos cânceres de tireoide; prognóstico excelente
1. Abordagem inicial
Nódulo palpável ocorre em ~5% das mulheres (metade nos homens), mas a ultrassonografia detecta nódulos em 50–60% dos adultos — a maioria benigna. O primeiro exame de qualquer nódulo é o TSH: nódulo com TSH suprimido é hiperfuncionante (cintilografia confirma nódulo autônomo) e tem risco de malignidade baixíssimo — não se punciona por padrão. TSH normal/alto: ultrassonografia com TI-RADS.
TI-RADS (ACR)
Pontos
Conduta de punção
TR1 benigno
0 (cístico puro, esponjiforme)
não puncionar
TR2 não suspeito
2
não puncionar
TR3 levemente suspeito
3
punção se ≥ 25 mm
TR4 moderadamente suspeito
4–6
punção se ≥ 15 mm
TR5 altamente suspeito
≥ 7
punção se ≥ 10 mm
Os pontos vêm de 5 categorias: composição (sólido +2), ecogenicidade (hipoecoico +2; muito hipoecoico +3), forma (mais largo que alto no plano transverso +2), margens (irregular/lobulada +2; extensão extratireoidiana +3) e focos ecogênicos (microcalcificações puntiformes +3; calcificação rim +2; macrocalcificação +1; cauda de cometa 0).
Fluxo do nódulo tireoidiano
Nódulo tireoidiano — por onde começar?
▼
TSH suprimido
Cintilografia: nódulo autônomo (foco captante) — hipertireoidismo, não câncer: sem punção de rotina; tratar a tireotoxicose.
TSH normal/alto
US com TI-RADS → punção guiada conforme 25-15-10; nódulos TR1-TR2: seguimento.
Citologia Bethesda V/VI ou suspeita de medular
Bethesda V (50–75% de malignidade) e VI (97–100%): cirurgia — tireoidectomia total ou lobectomia conforme risco/ tamanho.
Suspeita de medular (calcitonina alta): dosar calcitonina/RET e tratar em serviço especializado — não é doença de iodo.
2. Citologia: Bethesda
Bethesda
Risco de malignidade
Conduta
I — não diagnóstico
indeterminado
repetir punção (5–20% persistem)
II — benigno
< 3%
seguimento clínico/US
III — AUS/FLUS
10–30%
repetir punção ou teste molecular; lobectomia em selecionados
IV — neoplasia folicular (FN/SFN)
10–40%
lobectomia diagnóstica ou teste molecular
V — suspeito de malignidade
50–75%
cirurgia (near-total/total ou lobectomia)
VI — maligno
97–100%
cirurgia
3. Câncer: tipos que mudam tudo
Tipo
Marcadores
Comportamento
Papilar (80–85%)
células de Orphan Annie, corpos de Psammoma; propagação LINFÁTICA
excelente prognóstico (sobrevida > 95% em 10 anos nos estágios iniciais)
Folicular (10–15%)
invasão vascular/capsular; propagação HEMATOGÊNICA (metástase em osso/pulmão)
prognóstico bom; captura iodo
Medular (1–2%)
células C → CALCITONINA; RET (MEN2)
NÃO capta iodo e NÃO responde à supressão de TSH; rastrear RET na família
Anaplástico (raro)
idoso, tumor que cresce em semanas, dediferenciação
letal na maioria: sobrevida de meses; tratamento paliativo/quimioterapia
Tratamento do diferenciado: tireoidectomia total (± esvaziamento ganglionar lateral se acometimento) + iodo radioativo ablativo no risco intermediário/alto; risco baixo muitas vezes dispensa RAI.
Supressão de TSH alvo por risco: baixo 0,5–2,0; intermediário 0,1–0,5; alto < 0,1 mUI/L.
Seguimento: tireoglobulina (Tg) + anti-Tg (marcador de tecido residual/recidiva), US de pescoço; Tg estimulada em selecionados.
Complicações cirúrgicas: lesão do nervo laríngeo recorrente (disfonia) e hipoparatireoidismo (hipocalcemia) — na prova, hipocalcemia pós-tireoidectomia = paratireoides, não tireoide.
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 46 anos, nódulo de 1,6 cm, TSH normal. US: nódulo sólido, hipoecoico, margens irregulares e microcalcificações puntiformes. Conduta:
2.AvançadoHomem, 52 anos, punção de nódulo de 3,5 cm: resultado Bethesda V (suspeito de malignidade). Achado de linfonodo cervical lateral suspeito à US. Conduta:
doença crônica e adaptação biológica · metas de 5–10% · fármacos modernos (STEP/SURMOUNT) · indicações de cirurgia · complicações pós-bariátrica e suplementação
Obesidade
IMC ≥ 30
kg/m²; classe III ≥ 40
Meta mínima
5–10%
do peso — melhora PA, TG e glicemia
Semaglutida 2,4 mg
−14,9%
vs −2,4% placebo em 68 semanas (STEP 1)
Tirzepatida 15 mg
−20,9%
vs −3,1% placebo em 72 semanas (SURMOUNT-1)
1. Conceito e classificação
Obesidade é doença crônica, recorrente e tratável, definida por adiposidade excessiva que causa risco à saúde (não é falha de caráter). Classificação por IMC: eutrofia 18,5–24,9; excesso 25–29,9; obesidade grau I 30–34,9, grau II 35–39,9, grau III ≥ 40 kg/m². Circunferência abdominal: ≥ 94 cm (homens) e ≥ 80 cm (mulheres); para sul-americanos, ≥ 90 e ≥ 80 cm (critério IDF). No Brasil, mais da metade dos adultos vive com excesso de peso e cerca de um quarto com obesidade, em curva ascendente (Vigitel).
2. A base: estilo de vida e metas
Dieta com déficit calórico sustentável, rico em proteínas e fibras; meta inicial de 5–10% do peso em 3–6 meses — já reduz pressão, triglicérides, glicemia e risco de diabetes.
Atividade física: 150–300 min/semana de aeróbico + resistência 2–3×/semana (preserva massa magra na perda).
Sono e apneia: rastrear apneia obstrutiva do sono (a comorbidade mais subdiagnosticada da obesidade); privação de sono sabota o controle do apetite.
Psicoterapia/comportamental e suporte multiprofissional aumentam a manutenção.
3. Farmacoterapia
Indicação (critério amplamente usado, guideline canadense/ABESO): IMC ≥ 30, ou ≥ 27 com comorbidade relacionada ao peso — após falha de estilo de vida isolado; é terapia adjunta, nunca substituta da mudança de hábitos.
Fármaco
Esquema
Efeito ponderal
Principais problemas
Semaglutida 2,4 mg (GLP-1)
SC 1×/semana, escalando 0,25→2,4 mg a cada 4 semanas
−14,9% (STEP 1; 86% perdem ≥ 5%)
náusea/vômito/diarreia; contraindicado se carcinoma medular/MEN2 pessoal ou familiar; suspender 2 meses antes de gestação
Tirzepatida (GIP+GLP-1)
SC 1×/semana, 2,5→15 mg
até −20,9% (SURMOUNT-1)
mesmo perfil GI e contraindicações
Liraglutida 3,0 mg (GLP-1)
SC diária
~−8%
idem; injeção diária
Orlistate
120 mg VO 8/8 h com as refeições
−3 a −5%
esteatorreia, flatulência; malabsorção de vitaminas A-D-E-K (suplementar)
Naltrexona-bupropiona
1 comprimido → 2×/dia
−5%
contraindicado em hipertensão não controlada, convulsão, uso de opioide
Fentermina
simpaticomimético, uso de curto prazo
−3 a −7% (curto prazo)
eleva PA/FC; abuso; não é crônico
4. Cirurgia metabórica e bariátrica
Indicações internacionais (ASMBS/IFSO 2022, Eisenberg): IMC ≥ 35 independentemente de comorbidades; IMC 30–34,9 com doença metabólica (especialmente DM2 mal controlado); considerar a partir de 27,5 em asiáticos. No Brasil, os parâmetros nacionais são fixados pela Resolução CFM 2.429/2025.
Técnicas: bypass gástrico em Y-de-Roux (malabsortivo + restritivo; melhor remissão do DM2), gastrectomia vertical (restritiva, a mais realizada atualmente no mundo), derivação biliopancreática (maior perda, maior risco nutricional).
Desfechos: remissão do DM2 em 30–80% conforme técnica/ duração; mortalidade perioperatória < 1% em centros de excelência; em DM2 com IMC ≥ 35, a cirurgia supera o tratamento clínico em controle glicêmico de longo prazo.
Complicação pós-bariátrica
Reconhecer
Maneio
Dumping PRECOCE
15–30 min após refeição: sudorese, taquicardia, cólicas, diarreia (hiperosmolaridade no intestino delgado)
refeições pequenas, separar líquidos dos sólidos, evitar carboidratos simples
Dumping TARDIO (hipoglicemia)
1–3 h pós-prandial: adrenergia/neuroglicopenia, glicemia baixa (hiperinsulinismo)
fracionar com carboidratos complexos; acarbose/octreotida nos refratários
dor em cólica, abdomen agudo obstrutivo no emagrecimento rápido
conduta cirúrgica; monitorar oxalato urinário no bypass
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 41 anos, IMC 42, DM2 e apneia obstrutiva do sono, falhou em 2 anos de programa estruturado de estilo de vida e farmacoterapia. Melhor próxima conduta:
2.AvançadoHomem, 49 anos, 2 anos pós-bypass em Y-de-Roux, com episódios recorrentes de sudorese, tremor e confusão 2 horas após as refeições, com glicemia capilar de 48–55 mg/dL nos episódios, aliviados com ingestão de carboidrato. Diagnóstico e primeira medida:
hipercortisolismo (rastreio → ACTH → IPSS) · tratamento e iatrogenia · insuficiência adrenal e crise · feocromocitoma (alfa antes de beta) · MEN1 e MEN2
DST 1 mg
≥ 1,8 µg/dL
cortisol 8 h após dexametasona 1 mg à noite = anormal
Cortisol 8 h
< 5 / > 15
< 5 sugere Addison; > 15 exclui (µg/dL)
Estímulo ACTH
< 18 µg/dL
cortisol em 30–60 min após 250 µg = insuficiência
Crise adrenal
100 mg IV
hidrocortisona em bolus ANTES de testar
1. Síndrome de Cushing
A causa mais comum de síndrome de Cushing é o GLUCOCORTICOIDE EXÓGENO — perguntar sempre (inclusive tópico, inalatório e intra-articular) antes de investigar. Endógena: dependente de ACTH em ~80% (doença de Cushing hipofisária na maioria; ACTH ectópico), e adrenal (adenoma, carcinoma, hiperplasia) no restante. Clínica: face em lua com pleora, obesidade central com membros finos, estrias violáceas largas (> 1 cm), hematomas fáceis, MIOPATIA PROXIMAL (levantar da cadeira é o teste), hipertensão, hiperglicemia, osteoporose, depressão/psicose, hirsutismo/acne na mulher.
Fluxo diagnóstico do hipercortisolismo
Suspeita clínica — como provar e localizar?
▼
1) PROVAR O EXCESSO (2 testes anormais)
Dexametasona 1 mg à noite → cortisol 8 h ≥ 1,8 µg/dL = anormal.
Cortisol salivar à meia-noite (2 noites) elevado · ou cortisol livre urinário de 24 h elevado (2 amostras).
Excluir exógeno antes de qualquer exame.
2) ACTH baixa (< 10 pg/mL) → causa ADRENAL
TC de adrenais: adenoma (homogêneo, lipídico) vs carcinoma (grande, heterogêneo).
3) ACTH alta (≥ 20) → dependente de ACTH
RM de sela: adenoma ≥ 6 mm + quadro típico = doença de Cushing.
RM negativa/equívoca (microadenomas são 10% de incidentalomas!) → cateterismo de seios petrosos inferiores: gradiente central:periférico > 2 (basal) ou > 3 (pós-CRH) = hipofisária; senão, caçar ectópico (TC tórax/abdome, PET Ga-68-DOTATATE).
2. Tratamento de Cushing
Doença de Cushing: cirurgia transesfenoidal (remissão 70–90% nos microadenomas, ~50% nos macroadenomas); radioterapia e drogas de resgate na recidiva.
Causa adrenal: adrenalectomia unilateral (laparoscópica) no adenoma; carcinoma exige cirurgia ampliada + mitotano.
ACTH ectópico: ressecar o tumor; se inacessível, bloquear a esteroidogênese: metirapona, cetoconazol (hepatotóxico), osilodrostat, pasireotida.
Adrenalectomia bilateral: cura definitiva na doença de Cushing refratária, mas cria insuficiência adrenal definitiva (glicocorticoide + mineralocorticoide vitalícios) e risco de tumor de Nelson.
Pós-operatório: insuficiência adrenal é ESPERADA e desejada (eixo suprimido) — reposição de glicocorticoide com retirada lenta ao longo de meses-anos guiada por sintomas.
3. Insuficiência adrenal: Addison × secundária
Primária (Addison)
Secundária (e terciária)
Causa mais comum
autoimune (síndromes de Schmidt — +tireoidite; Carpenter — +DM1); TB no Brasil; metástases; drogas/inibidores de checkpoint
GLUCOCORTICOIDE exógeno crônico (a maior causa global); tumores/ cirurgia hipofisária
ACTH
alta
baixa
Hiperpigmentação
presente (pregas palmares, mucosa, cicatrizes)
AUSENTE — ACTH baixa
Hipercalemia / crise salina
presente (aldosterona também baixa)
ausente — zona glomerulosa preservada (regulação por renina)
Mineralocorticoide
necessário (fludrocortisona)
não é necessário
Clínica do Addison: fadiga, emagrecimento, hipotensão (postural), desejo por sal, náusea/vômito, dor abdominal; laboratório com hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, eosinofilia.
Diagnóstico: cortisol 8 h — < 5 µg/dL sugere, > 15 µg/dL exclui; teste de estímulo com ACTH 250 µg IV: cortisol < 18 µg/dL em 30–60 min confirma; anticorpo anti-21-hidroxilase na primária; TC de adrenais se suspeita de hemorragia/TB/metástase.
Incidentaloma adrenal (achado de imagem): avaliar em 3 eixos — hormonais (1 mg DST para secreção autônoma de cortisol, metanefrinas, e rácio aldosterona/renina se hipertenso/hipocalêmico) e morfológico (≥ 4 cm ou heterogêneo = suspeita de carcinoma → cirurgia).
4. Feocromocitoma e síndromes MEN
Tumor da medular adrenal (paraganglioma quando extra-adrenal); causa rara (< 1%) de hipertensão. Tríade clássica: cefaleia + sudorese + palpitações, com PA paroxística (mas ~50% têm hipertensão sustentada). Rastreio de escolha: metanefrinas plasmáticas fracionadas (ou urinárias de 24 h); confirmado, imagem com TC/RM (o feo é hiperintenso em T2 — sinal da lâmpada acesa); cintilografia com MIBG ou Ga-68-DOTATATE nos casos negativos/metastáticos. Até 30–40% dos pacientes têm mutação germinativa (SDHx, RET, VHL, NF1, MAX, TMEM127) — testar todos; seguimento bioquímico vitalício (risco de recidiva/metástase).
Síndrome
Gene
Manifestações (ordem de frequência)
Rastreio/ profilaxia
MEN1
menin (11q13)
hiperparatireoidismo primário (a mais comum; > 90% até os 50 anos) · tumores entero-pancreáticos (gastrinoma → Zollinger-Ellison; insulinoma) · adenoma hipofisário (prolactinoma)
tireoidectomia profilática geralmente antes dos 5 anos conforme risco mutacional; metanefrinas antes de qualquer cirurgia; cálcio/PTH
MEN2B
RET (M918T)
carcinoma medular (o mais agressivo e precoce) · feocromocitoma · neuromas mucosos + hábito marfanoide + megacólon (SEM hiperparatireoidismo)
tireoidectomia profilática no 1º ano de vida (idealmente nos primeiros meses); testar RET da família
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 34 anos, há 8 meses com astenia, emagrecimento, hipotensão postural, hiperpigmentação de pregas palmares e mucosa oral; Na 128, K 5,6, glicose 62 mg/dL. Suspeita de insuficiência adrenal primária. Conduta para confirmar:
2.Prova difícilHomem, 39 anos, hipertenso, com crises paroxísticas de cefaleia, sudorese e palpitações; metanefrinas plasmáticas 4× o limite superior; TC com massa adrenal direita de 4,5 cm. Está agendada adrenalectomia. Preparo correto:
hiperprolactinemia (causas antes de RM) · cabergolina · acromegalia (IGF-1/TOTG) · hipogonadismo primário × secundário · puberdade atrasada e precoce
Microadenoma
< 10 mm
macroadenoma ≥ 10 mm
Cabergolina
0,25–0,5 mg
por SEMANA, via oral
Acromegalia
GH ≥ 1
ng/mL após TOTG 75 g = não suprimido (ensaio ultrasensível: 0,4)
Puberdade atrasada
14 M / 13 F
anos: sem volume testicular ≥ 4 mL / sem telarca
1. Hiperprolactinemia
A prolactina é o único hormônio hipofisário sob controle INIBITÓRIO (dopamina) — logo, tudo que bloqueia dopamina a eleva. Causas não tumorais: gestação/lactação, hipotireoidismo (TRH estimula), insuficiência renal, estresse/punção, e FÁRMACOS (antipsicóticos típicos e atípicos, metoclopramida, domperidona, verapamil, estrógenos em dose alta). Efeito haste: macroadenoma não secretor comprime a haste hipofisária e eleva a prolactina de forma discreta-moderada (geralmente < 100–150 ng/mL) — não é prolactinoma, e o tratamento é do tumor subjacente.
Clínica na mulher: amenorreia, galactorreia, infertilidade, perda óssea; no homem: baixa libido, disfunção erétil, oligospermia/infertilidade (galactorreia é menos comum), e no macroadenoma efeitos de massa: cefaleia e hemianopsia bitemporal.
Proporcionalidade que orienta: prolactina > 200 ng/mL em macroadenoma = prolactinoma (macro); elevação discreta com tumor grande = efeito haste (a discrepância é o achado-chave).
Fluxo da prolactina elevada
Prolactina alta — qual a origem?
▼
Gravidez, hipotireoidismo, fármaco ou DRC
β-hCG, TSH, revisar medicamentos (antipsicótico, metoclopramida, verapamil); quando possível, retirar o fármaco e repetir a prolactina em 1–2 meses — antes de qualquer imagem.
Persistente, sem causa, RM com microadenoma ou normal
Microprolactinoma (ou hiperprolactinemia idiopática): agonista dopaminérgico é a 1ª linha — e diagnóstico-terapêutico (queda dramática confirma).
Macroadenoma com prolactina MUITO alta
Macroprolactinoma: cabergolina (reduz volume na maioria) — cirurgia só se resistência/compressão refratária.
Macroadenoma com prolactina discreta = efeito haste: tratar o tumor não secretor (cirurgia), não agonista como escolha inicial.
2. Tratamento e as duas pegadinhas laboratoriais
3. Acromegalia (e gigantismo)
Excesso de GH após o fechamento epifisário (antes = gigantismo); causa: adenoma hipofisário secretor de GH em quase todos (raro: GHRH ectópico). Clínica: crescimento acral (aumenta número/anéis e sapatos), prognatismo, macroglossia, ronco/apneia, síndrome do túnel do carpo, hipertensão, DM2, miocardiopatia, sudorese, cefaleia, pólipos colônicos — mortalidade 2–3× se não controlada (principalmente cardiovascular).
Diagnóstico em 2 passos: IGF-1 elevada para idade e sexo (rastreio) + TOTG 75 g com GH NÃO suprimido (≥ 1 ng/mL; < 0,4 em ensaio ultrasensível) = confirma. GH aleatória não serve (secreção pulsátil).
RM de sela turca depois da confirmação bioquímica.
Tratamento: cirurgia transesfenoidal é 1ª linha (remissão 80–90% nos micro; 40–70% nos macro); análogos de somatostatina (octreotida LAR 20–30 mg IM/4 semanas, lanreotida 90–120 mg/4 semanas) como adjuvante/secundária; pegvisomante (antagonista do receptor de GH 10–40 mg SC/dia) normaliza a IGF-1 na maioria, com monitorização hepática; cabergolina adjunta; radioterapia de resgate.
Controle bioquímico (IGF-1 normal + GH < 1) devolve a mortalidade ao padrão da população — rastreio de comorbidades: colonoscopia, ecocardiograma, sono.
Números da clínica que sustentam o diagnóstico: crescimento acral em > 95% (anéis/sapatos apertados como pista inicial), apneia do sono em até 70%, hipertensão em 30–50% e intolerância à glicose com risco até 4× maior — descompensação de DM2/hipertensão de difícil controle em adulto de meia-idade com facies acromegálica manda dosar IGF-1.
4. Hipogonadismo e puberdade
Primário (hipergonadotrófico)
Secundário (hipogonadotrófico)
Local do defeito
gônada (células de Leydig/folículo)
hipotálamo/hipófise
LH / FSH
ELEVADAS (eixo tentando estimular)
baixas ou inapropriadamente normais
Testosterona/estrógena
baixa
baixa
Causas-chave no homem
síndrome de Klinefelter (47,XXY — a causa mais comum; testículos pequenos, ginecomastia, azoospermia, alto), orquite, quimio/radiação, anorquia
síndrome de Kallmann (déficit de GnRH + ANOSMIA), hiperprolactinemia, tumores/ cirurgia hipofisária, DRC, doença crônica/ obesidade
Fertilidade
Klinefelter: azoospermia na maioria
Kallmann trata-se com gonadotrofinas (hCG ± FSH) — potencializa fertilidade
Diagnóstico: testosterona total MATINAL baixa em 2 ocasiões (limite inferior de referência de jovens ≈ 264 ng/dL) + LH/FSH que separam primário de secundário; na secundária: prolactina, RM de sela, ferro (hemocromatose); na primária jovem: cariótipo.
Reposição de testosterona: enantato/cipionato 150–200 mg IM 2/2 semanas (ou 75–100 mg semanal), undecanoato oral/IM de longa ação, géis cutâneos diários.
Contraindicações da reposição: desejo de fertilidade (a testosterona SUPRIME a espermatogênese — para querer filho usa-se hCG ± FSH), câncer de próstata, hematócrito > 50–54%, apneia do sono grave não tratada, eventos cardiovasculares recentes.
Insuficiência ovariana prematura: amenorreia + FSH menopausal antes dos 40 anos (Turner, pré-mutação FMR1, autoimune, quimio) — repor estrogênio + progestogênio até ~50 anos para proteger osso e metabolismo.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 32 anos, amenorreia e galactorreia há 8 meses; prolactina 92 ng/mL; em uso crônico de metoclopramida para gastroparesia; TSH 3,1; β-hCG negativo. Próxima conduta:
2.Prova difícilHomem, 45 anos, aumento progressivo de mãos, pés e mandíbula há 6 anos, sudorese profusa e apneia do sono; IGF-1 3× o limite superior para a idade; GH aleatória 4,2 ng/mL. Como confirmar o diagnóstico de acromegalia?
T-score e fratura por fragilidade · FRAX e limiares de tratar · bisfosfonatos/denosumabe/anabólicos (receita) · estratificação de risco e metas de LDL · statinas, ezetimiba, PCSK9 · triglicérides
Osteoporose
T ≤ −2,5
DEXA coluna/fêmur; fratura por fragilidade = tratar
FRAX tratar
≥ 3% / ≥ 20%
quadril / fratura major em 10 anos
LDL muito alto risco
< 55
mg/dL + redução ≥ 50% do basal
CTT
−22%
eventos por 1 mmol/L (39 mg/dL) de queda de LDL
1. Osteoporose: definir e estratificar
Osteoporose = T-score ≤ −2,5 (DEXA de coluna lombar e fêmur, comparado ao adulto jovem); entre −1 e −2,5 = massa óssea baixa (osteopenia). Fratura por baixo impacto (queda da própria altura) após os 50 anos fecha osteoporose INDEPENDENTE do T-score. A causa secundária mais comum é o glicocorticoide (≥ 2,5–7,5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 meses já justifica proteção); outras: hipogonadismo, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, DRC, deficiência de vitamina D, tabagismo, álcool, inibidores da aromatase, terapia de privação androgênica.
Rastreio: mulheres ≥ 65 anos e homens ≥ 70 (antes se fatores de risco); reavaliar DEXA a cada 1–2 anos em tratamento.
FRAX (Kanis): idade, sexo, IMC, fratura prévia, fratura de quadril nos pais, tabagismo, glicocorticoide, artrite reumatoide, álcool, osteoporose secundária ± densidade femoral — estima risco de fratura major e de quadril em 10 anos.
Sempre procurar causa secundária no diagnóstico novo: TSH, cálcio/PTH, 25OHD, função renal/hepática, proteinograma no idoso, testosterona no homem jovem, celíaca em selecionados.
Fluxo — quando tratar a osteoporose
Paciente com DEXA/FRAX — quando iniciar fármaco?
▼
T ≤ −2,5, fratura por fragilidade, ou FRAX alto
FRAX quadril ≥ 3% ou fratura major ≥ 20% em 10 anos (limiares de referência).
Iniciar antirreabsortivo (ou anabólico no muito alto risco) + cálcio + vitamina D.
Massa óssea baixa com risco intermediário
Reavaliar fatores e FRAX com densidade; tratar se fatores agravantes (glicocorticoide, fratura prévia após os 50, quedas recorrentes).
Risco baixo
Cálcio + vitamina D + exercício com carga + prevenção de quedas; reavaliar conforme idade/fatores.
2. Tratamento da osteoporose
Fármaco
Esquema
Evidência/efeito
Cuidados
Alendronato
70 mg VO 1×/semana (5 anos)
1ª linha oral; reduz fraturas vertebrais
jejum com água copo cheio, permanecer 30 min em pé; esofagite; contra: TFG < 30–35
Zoledronato
5 mg IV 1×/ano (3 anos)
HORIZON: −70% fraturas vertebrais, −41% de quadril
reação de fase aguda (1º ciclo); pré-avaliar dentição; TFG > 35
Denosumabe
60 mg SC 6/6 meses
FREEDOM: −68% vertebrais, −40% quadril
NÃO atrasar/suspender sem transição — fraturas vertebrais múltiplas em cascata; seguro na DRC avançada
Teriparatida (anabólico)
20 µg SC/dia (máx. 24 meses)
maior efeito em fraturas vertebrais graves; escolta no glicocorticoide e no muito alto risco
após terminar: OBRIGATÓRIO antirreabsortivo para manter o ganho
Romosozumabe (anabólico)
210 mg SC 1×/mês (12 meses)
aumenta formação e reduz reabsorção
contraindicado com evento cardiovascular prévio
3. Dislipidemias: estratificar risco e definir meta
O LDL-colesterol é causal na aterosclerose: a meta-análise CTT mostrou ~22% de redução de eventos vasculares maiores para cada 1 mmol/L (39 mg/dL) de queda de LDL, independentemente do meio usado. A estratificação (ESC/EAS 2019, alinhada à Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025) define a meta ANTES de escolher a droga: muito alto risco (doença cardiovascular estabelecida; diabetes com lesão de órgão-alvo, longa duração ou múltiplos fatores; DRC grave; hipercolesterolemia familiar com outro fator) → LDL < 55 mg/dL e redução ≥ 50% do basal; alto → < 70; moderado → < 100; baixo → < 116.
Categoria de risco
Meta LDL (mg/dL)
Estratégia
Muito alto (DCV estabelecida, DM com LOA/DRC grave, HF com FRC)
< 55 + redução ≥ 50%
statina alta potência + ezetimiba; anti-PCSK9 se não atingir
Alto (DM sem LOA, história familiar de DCV precoce, TC/LDL muito altos)
< 70
statina alta potência; ± ezetimiba
Moderado
< 100
statina de intensidade moderada-alta
Baixo
< 116
estilo de vida; fármaco raramente
Statina de ALTA potência = atorvastatina 40–80 mg ou rosuvastatina 20–40 mg (redução de LDL ≥ 50%); moderada = atorvastatina 10–20, rosuvastatina 5–10, sinvastatina 20–40.
Ezetimiba 10 mg soma ~20% de queda de LDL quando a statina máxima não basta (segunda linha de associação).
Inibidores de PCSK9 (evolocumabe 140 mg SC 2/2 semanas; alirocumabe): mais 50–60% de queda — para o muito alto risco que não atinge meta.
Segurança: transaminases até 3× o limite aceitáveis; mialgia real é rara (muito nocebo); pequeno aumento de risco de diabetes novo com alta potência (o benefício cardiovascular supera); contraindicadas na gestação.
Triglicérides ≥ 500 mg/dL: risco de pancreatite — fibrate (fenofibrato; NÃO associar genfibrozila a statina — miopatia), álcool zero, controle glicêmico; TG 135–499 mg/dL com DCV/DM em statina: etil icosapenteno 2 g 12/12 h (REDUCE-IT: −25% de eventos).
Causas secundárias ANTES de rotular primária: hipotireoidismo, diabetes descompensado, síndrome nefrótica, colestase, álcool, antiretrovirais, corticoides — pedir TSH, glicemia, função renal e EAS no primeiro perfil alterado.
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioMulher, 70 anos, pós-menopausa, DEXA com T-score femoral −2,8, sem fraturas prévias, FRAX: quadril 4% e major 12%; cálcio da dieta ~600 mg/dia, 25OHD 22 ng/mL. Conduta:
2.FundamentalHomem, 42 anos, assintomático, exame de rotina: LDL-colesterol 212 mg/dL, TG 130, HDL 48, TSH normal, glicemia normal, sem tabagismo, sem história familiar documentada. Conduta:
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioHomem, 64 anos, DM2 há 10 anos, IC com FE 36%, TFGe 52 e ACR 380 mg/g, A1c 8,3%, já em metformina 2 g/dia. Qual acrescentar?
2.FundamentalQuanto ao rastreio de complicações microvasculares no DM2, o padrão é:
3.AvançadoHomem, 30 anos, DM1, DKA em tratamento: SF 0,9% + insulina regular IV 0,1 U/kg/h há 2 h; agora K 3,1 mEq/L, sem alterações eletrocardiográficas, glicemia 280 mg/dL, pH 7,18. Conduta:
4.IntermediárioMulher, 28 anos, grávida de 9 semanas, tireotoxicose confirmada (TSH < 0,01, T4L elevada), bócio difuso, TRAb positivo. Tratamento de escolha neste trimestre:
5.AvançadoMulher, 52 anos, nódulo tireoidiano de 1,4 cm, TSH normal. US: sólido, muito hipoecoico, mais largo que alto, margens irregulares. Conduta:
6.IntermediárioHomem, 46 anos, IMC 38, hipertenso e diabético, tentativa estruturada de estilo de vida por 12 meses com perda de 3 kg, sem contraindicações. Candidato à farmacoterapia para obesidade. Qual contraindicação formal ao semaglutida/tirzepatida?
7.Prova difícilMulher, 38 anos, com clínica de hipercortisolismo; DST 1 mg com cortisol 8,4 µg/dL e cortisol salivar noturno elevado; ACTH plasmática 45 pg/mL; RM de sela sem adenoma. Próximo passo:
8.AvançadoMulher, 74 anos, T-score −3,4, duas fraturas vertebrais por fragilidade nos últimos 12 meses, em uso adequado de cálcio e vitamina D, sem tratamento prévio. Melhor escolha inicial:
Gabarito rápido
1-B · 2-A · 3-B · 4-B · 5-B · 6-A · 7-B · 8-B
Referencial teórico
37 fontes reais · DOI verificado
diretriz / revisãoAmerican Diabetes Association Professional Practice Committee. Introduction and Methodology: Standards of Care in Diabetes—2025. Diabetes Care. 2025;48(Supl 1):S1-S350.doi.org/10.2337/dc25-Sint
diretriz / revisãoThe Diabetes Control and Complications Trial Research Group. The effect of intensive treatment of diabetes on the development and progression of long-term complications in insulin-dependent diabetes mellitus. N Engl J Med. 1993;329(14):977-986.doi.org/10.1056/NEJM199309303291401
diretriz / revisãoUK Prospective Diabetes Study (UKPDS) Group. Intensive blood-glucose control with sulphonylureas or insulin compared with conventional treatment and risk of complications in overweight patients with type 2 diabetes (UKPDS 33). Lancet. 1998;352(9131):837-853.doi.org/10.1016/S0140-6736(98)07019-6
diretriz / revisãoZinman B, Wanner C, Lachin JM, et al. Empagliflozin, cardiovascular outcomes, and mortality in type 2 diabetes. N Engl J Med. 2015;373(22):2117-2128.doi.org/10.1056/NEJMoa1504720
diretriz / revisãoShapiro AMJ, Ricordi C, Hering BJ, et al. International trial of the Edmonton protocol for islet transplantation. N Engl J Med. 2006;355(13):1318-1330.doi.org/10.1056/NEJMoa061267
diretriz / revisãoKitabchi AE, Umpierrez GE, Miles JM, Fisher JN. Hyperglycemic crises in adult patients with diabetes (consenso ADA). Diabetes Care. 2009;32(7):1335-1343.doi.org/10.2337/dc09-9032
diretriz / revisãoKuppermann N, Ghetti S, Schunk JE, et al. Clinical trial of fluid infusion rates for pediatric diabetic ketoacidosis. N Engl J Med. 2018;378(24):2275-2287.doi.org/10.1056/NEJMoa1716816
diretriz / revisãoJonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the treatment of hypothyroidism: ATA Task Force. Thyroid. 2014;24(12):1671-1751.doi.org/10.1089/thy.2014.0028
diretriz / revisãoRoss DS, Burch HB, Cooper DS, et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid. 2016;26(10):1343-1421.doi.org/10.1089/thy.2016.0229
diretriz / revisãoHaugen BR, Alexander EK, Bible KC, et al. 2015 ATA Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid. 2016;26(1):1-133.doi.org/10.1089/thy.2015.0020
diretriz / revisãoTessler FN, Middleton WD, Grant EG, et al. ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): white paper. J Am Coll Radiol. 2017;14(4):587-595.doi.org/10.1016/j.jacr.2017.01.046
diretriz / revisãoCibas ES, Ali SZ. The 2017 Bethesda System for Reporting Thyroid Cytopathology. Thyroid. 2017;27(11):1341-1346.doi.org/10.1089/thy.2017.0500
diretriz / revisãoLim H, Devesa SS, Sosa JA, Check D, Kitahara CM. Trends in thyroid cancer incidence and survival in the United States, 1974-2013. JAMA. 2017;317(13):1338-1348.doi.org/10.1001/jama.2017.27109
diretriz / revisãoWharton S, Lau DCW, Vallis M, et al. Obesity in adults: a clinical practice guideline. CMAJ. 2020;192(31):E875-E891.doi.org/10.1503/cmaj.191707
diretriz / revisãoWilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity (STEP 1). N Engl J Med. 2021;384(11):989-1002.doi.org/10.1056/NEJMoa2032183
diretriz / revisãoJastreboff AM, Aronne LJ, Ahmad NN, et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity (SURMOUNT-1). N Engl J Med. 2022;387(3):205-216.doi.org/10.1056/NEJMoa2206038
diretriz / revisãoEisenberg D, Shikora SA, Aarts E, et al. 2022 ASMBS/IFSO indications for metabolic and bariatric surgery. Obes Surg. 2023;33(1):1-10.doi.org/10.1007/s11695-022-06345-9
diretriz / revisãoNieman LK, Biller BMK, Findling JW, et al. The diagnosis of Cushing's syndrome: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2008;93(5):1526-1540.doi.org/10.1210/jc.2007-2882
diretriz / revisãoLacroix A, Feelders RA, Stratakis CA, Nieman LK. Cushing's syndrome. Lancet. 2015;386(9996):913-927.doi.org/10.1016/S0140-6736(14)61375-1
diretriz / revisãoBornstein SR, Allolio B, Arlt W, et al. Diagnosis and treatment of primary adrenal insufficiency: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2016;101(2):364-389.doi.org/10.1210/jc.2015-1710
diretriz / revisãoLenders JW, Duh QY, Eisenhofer G, et al. Pheochromocytoma and paraganglioma: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2014;99(6):1915-1942.doi.org/10.1210/jc.2014-1498
diretriz / revisãoMelmed S, Casanueva FF, Hoffman AR, et al. Diagnosis and treatment of hyperprolactinemia: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011;96(2):273-288.doi.org/10.1210/jc.2010-1692
diretriz / revisãoPetersenn S, Fleseriu M, Casanueva FF, et al. Diagnosis and management of prolactin-secreting pituitary adenomas: a Pituitary Society international Consensus Statement. Nat Rev Endocrinol. 2023;19(12):722-740.doi.org/10.1038/s41574-023-00886-5
diretriz / revisãoKatznelson L, Laws ER, Melmed S, et al. Acromegaly: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2014;99(11):3933-3951.doi.org/10.1210/jc.2014-2700
diretriz / revisãoBhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744.doi.org/10.1210/jc.2018-00229
diretriz / revisãoEastell R, Rosen CJ, Black DM, Cheung AM, Murad MH, Shoback D. Pharmacological management of osteoporosis in postmenopausal women: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2020;105(3):587-594.doi.org/10.1210/clinem/dgaa048
diretriz / revisãoRadominski SC, Bernardo W, Paula AP, et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Rev Bras Reumatol. 2017;57(Supl 2):S452-S466.doi.org/10.1016/j.rbr.2017.07.001
diretriz / revisãoKanis JA, Johnell O, Oden A, et al. The use of clinical risk factors enhances the performance of BMD in the prediction of hip and osteoporotic fractures in men and women (FRAX). Osteoporos Int. 2007;18(8):1033-1046.doi.org/10.1007/s00198-007-0343-y
diretriz / revisãoBlack DM, Delmas PD, Eastell R, et al. Once-yearly zoledronic acid for treatment of postmenopausal osteoporosis. N Engl J Med. 2007;356(18):1809-1822.doi.org/10.1056/NEJMoa067312
diretriz / revisãoCummings SR, San Martin J, McClung MR, et al. Denosumab for prevention of fractures in postmenopausal women with osteoporosis. N Engl J Med. 2009;361(8):756-765.doi.org/10.1056/NEJMoa0809493
diretriz / revisãoGrundy SM, Stone NJ, Bailey AL, et al. 2018 AHA/ACC/Multisociety Guideline on the Management of Blood Cholesterol. Circulation. 2019;139(25):e1082-e1143.doi.org/10.1161/CIR.0000000000000625
diretriz / revisãoMach F, Baigent C, Catapano AL, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2020;41(1):111-188.doi.org/10.1093/eurheartj/ehz455
diretriz / revisãoRached FH, Cesena FHY, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640.doi.org/10.36660/abc.20250640
diretriz / revisãoCholesterol Treatment Trialists (CTT) Collaboration. Efficacy and safety of more intensive lowering of LDL cholesterol: meta-analysis of data from 170.000 participants in 26 randomised trials. Lancet. 2010;376(9753):1670-1681.doi.org/10.1016/S0140-6736(10)61350-5
diretriz / revisãoBhatt DL, Steg PG, Miller M, et al. Cardiovascular risk reduction with icosapent ethyl for hypertriglyceridemia (REDUCE-IT). N Engl J Med. 2019;380(1):11-22.doi.org/10.1056/NEJMoa1812792
notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
acesso de membros
Entre para acessar
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.