Baseado nos artigos publicados da matéria Clínica Cirúrgica da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — WSES, Tokyo Guidelines 2018, EHS/HerniaSurge, ASGE, consenso internacional de sangramento digestivo alto 2019, ATLS/EAST, USPSTF 2021 e ASMBS/IFSO 2022 (complemento, sempre com DOI). Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Abdome agudo: abordagem
conceito e os 6 mecanismos · anamnese e exame que decidem · exames iniciais · TABELA DE DIFERENCIAIS por topografia · fluxo estável × instável · armadilhas (idoso, gestante, epigástrio)
β-hCG
sempre
toda mulher em idade fértil com dor abdominal
Lipase 3×
pancreatite
3 vezes o limite superior fecha o diagnóstico
Dor > 6 h
inflamação
cólica biliar que passa de 6 h sugere colecistite
Pneumoperitônio
≈ 2/3
das perfurações de úlcera no RX de tórax em pé
1. Conceito: síndrome, não diagnóstico
Abdome agudo é toda dor abdominal de instalação recente (horas a poucos dias) que exige decisão rápida entre tratamento clínico, observação e cirurgia. Não é um diagnóstico: é um problema de triagem que se resolve identificando o MECANISMO — inflamatório, perfurativo, obstrutivo, isquêmico/vascular, hemorrágico ou médico (extra-abdominal).
Mecanismo
Exemplos
Pista clínica
Inflamatório
apendicite, colecistite, diverticulite
dor progressiva e contínua, localizada, febre baixa no início
Perfurativo
úlcera péptica, apendicite/divertículo perfurados
abdome em tábua, defesa generalizada, pneumoperitônio
Obstrutivo
aderências, hérnias, neoplasias, vólvulo
dor em cólica, distensão, vômitos, obstipação
Isquêmico/vascular
isquemia mesentérica, rotura de aneurisma de aorta
dor desproporcional ao exame físico, lactato alto, idoso/arritmia
IAM inferior, pneumonia basal, cetoacidose, hepatite
abdome irritável sem indicação cirúrgica — tratar a causa
2. Anamnese e exame que decidem
Início da dor: súbito em rachadura sugere perfuração/vascular; progressivo em horas sugere inflamação; em cólicas com intervalos sugere obstrução/úlcera renal.
Localização e irradiação: periumbilical que migra para o DSD = apendicite; irradiação para escápula direita = biliar; para dorso/genital = urolitíase; em cinto = pâncreas.
Relação com vômitos: dor antes do vômito sugere causa cirúrgica; vômito antes da dor sugere causa médica/gastroenterite.
Exame: inspeção (cicatrizes, distensão, movimentação — o peritonítico não quer se mover), ausculta (silêncio = peritonite; ruídos metálicos = obstrução), palpação de todos os quadrantes iniciando pelo que não dói.
ORIFÍCIOS HERNIÁRIOS e toque retal são obrigatórios: hérnia encarcerada é causa de obstrução que se diagnostica com as mãos.
3. Exames iniciais (o mínimo que toda prova cobra)
Laboratório: hemograma (leucocitose com desvio), PCR, lactato, lipase (3× o limite superior = pancreatite aguda), β-hCG em toda mulher em idade fértil, EAS, eletrólitos, função hepática e renal.
RX de tórax em pé: pneumoperitônio (ar sob as cúpulas diafragmáticas) — detecta cerca de dois terços das perfurações de úlcera péptica; também exclui pneumonia basal.
US: primeira linha em suspeita biliar, em gestantes e no trauma (FAST); operador-dependente.
TC com contraste: exame de maior rendimento no abdome agudo não traumático quando o quadro não fecha — estadiamento de apendicite/diverticulite, obstrução (ponto de transição), isquemia.
ECG em toda dor epigástrica, sobretudo acima de 40 anos: IAM inferior engana como “problema gástrico”.
4. A tabela campeã: diferenciais por topografia
Topografia
Hipótese principal
Diagnóstico a não errar
Exame decisivo
Epigástrio
úlcera péptica perfurada (abdome em tábua, pneumoperitônio)
pancreatite aguda (lipase 3×) e IAM inferior (ECG)
RX de tórax em pé + lipase + ECG
Hipocôndrio direito
colecistite aguda (Murphy positivo, febre)
colangite aguda (Charcot/Reynolds = urgência)
US de vias biliares + função hepática
DSD (fossa ilíaca direita)
apendicite aguda (migração, McBurney)
gravidez ectópica (β-hCG), doença de Crohn
β-hCG + US/TC
DSE / fossa ilíaca esquerda
diverticulite sigmoide (dor + defesa localizada)
isquemia e neoplasia (sangramento, anemia)
TC com contraste
Flanco / dorso
cólica renal (irradia para genital, hematúria)
rotura de AAA (idoso, massa pulsátil, hipotensão)
EAS + TC/angioTC
Difusa
peritonite generalizada (perfuração) ou obstrução intestinal
Paciente com dor abdominal aguda — está HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL?
▼
NÃO — instável (hipotensão, taquicardia, peritonite difusa, sepse)
Via aérea/ventilação/circulação: acesso calibroso, cristaloide, lactato, tipagem.
Antibiótico empírico de largo espectro se sepse/perfuração; analgesia NÃO se nega.
Trauma + instabilidade → FAST/US no leito; abdome hipertenso difuso → cirurgia sem esperar imagem.
Massa pulsátil/aneurisma conhecido → sala de cirurgia/endeovascular, não TC.
SIM — estável, suspeita localizada
Exame dirigido pela topografia (tabela acima): US biliar, β-hCG, TC de abdome.
Analgesia precoce não altera o diagnóstico — retira-la para “não mascarar” é conceito ultrapassado.
SIM — mas dor desproporcional ao exame (idoso, arritmia, vasculopata)
Suspeitar de isquemia mesentérica: lactato + gasometria + TC com angiografia.
Exame abdominal pobre com dor intensa é o pior sinal, não o melhor.
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 58 anos, dor epigástrica súbita em queimação há 3 h, seguida de abdome difusamente rígido; RX de tórax em pé com ar livre sob as cúpulas diafragmáticas. Diagnóstico e conduta:
2.Prova difícilMulher, 79 anos, com fibrilação atrial em anticoagulante, há 8 h de dor abdominal intensa e difusa, dois episódios de diarreia; exame abdominal com pouca defesa; lactato 5,2 mmol/L com acidose metabólica com anion gap. Conduta que muda o prognóstico:
fisiopatologia em 4 tempos · escore de Alvarado (tabela) · imagem: US, TC e gestante · tratamento: laparoscopia × antibiótico (CODA) · perfurada e plastrão · apendicolito
Alvarado ≥ 7
apendicite provável
5–6 = possível (imagem); ≤ 4 improvável
TC
acurácia > 90%
sensibilidade e especificidade na casuística moderna
CODA
29%
dos tratados só com antibiótico operaram em 90 dias
Padrão cirúrgico
laparoscopia
menos infecção de ferida e alta mais precoce
1. Escore de Alvarado (a tabela que cai em toda prova)
Critério
Pontos
Dor que migra para a fossa ilíaca direita
1
Anorexia
1
Náuseas ou vômitos
1
Sensibilidade em fossa ilíaca direita
2
Dor à descompressão brusca (Blumberg/rebound)
1
Temperatura ≥ 37,3 °C
1
Leucocitose > 10.000/mm³
2
Neutrofilia > 75%
1
Interpretação: 0–4 improvável (alta e reavaliação); 5–6 possível (exame de imagem); 7–8 provável (imagem curta e cirurgia); 9–10 muito provável (indicação operatória). O escore AIR é alternativa validada com desempenho semelhante. Em mulher em idade fértil, o β-hCG antecede qualquer interpretação.
2. Diagnóstico por imagem
US é o primeiro exame em crianças, jovens e gestantes (sem radiação, operador-dependente): apêndice não compressível com diâmetro ≥ 6 mm, alvo, apendicolito, líquido periapendicular.
TC com contraste é o exame de maior acurácia (sensibilidade e especificidade acima de 90%) e a escolha quando o quadro é duvidoso, no idoso (suspeita de neoplasia/complicações) e no obeso.
Ressonância é a alternativa na gestante quando a US não define.
Apendicite de topografia atípica: retrocecal (dor flanco/dorso, sinal do psoas), pélvica (diarreia, disúria, toque doloroso à direita), sub-hepática (simula colecistite).
3. Tratamento
Apendicectomia laparoscópica é o padrão-ouro (menor dor, menos infecção de ferida, retorno precoce). Apendicite NÃO complicada em adulto informado pode iniciar com antibiótico: no ensaio CODA, o tratamento exclusivo com antibióticos foi não inferior à cirurgia no estado de saúde em 30 dias, mas quase 3 em cada 10 pacientes foram operados em até 90 dias — e a necessidade continua a crescer no seguimento. Apêndice com fecálito (apendicolito): maior taxa de falha do tratamento clínico.
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 24 anos, há 20 h de dor que começou periumbilical e migrou para a fossa ilíaca direita, anorexia, um vômito, temperatura 37,5 °C, leucocitose de 14.000 com 82% de bastões; β-hCG não se aplica; abdome com defesa e Blumberg positivo à direita. Pela contagem do Alvarado (9) e quadro clínico, a conduta:
2.AvançadoMulher, 31 anos, apendicite aguda não complicada confirmada por TC, SEM apendicolito, sem comorbidades, esclarecida sobre riscos e benefícios e preferindo evitar cirurgia. Sobre o tratamento exclusivo com antibióticos, o correto a informar é:
Hérnias da parede abdominal e cirurgia ambulatorial
classificação EHS · inguinal (indireta × direta × femoral) · complicações (encarceramento, estrangulamento, Richter) · tratamento com tela · hérnias umbilicais e incisionais · cirurgia ambulatorial: jejum, checklist, infecção de sítio, anestesia local
Termo
Definição
Conduta
Redutível
conteúdo retorna à cavidade (manobra ou decúbito)
eletiva
Irredutível/encarcerada
não se reduz, sem sinais de isquemia
urgência: tentativa de redução cuidadosa e cirurgia programada rápida
Estrangulada
comprometimento vascular do conteúdo: dor contínua, endurecimento, SIRS
EMERGÊNCIA: cirurgia imediata
Hérnia de Richter
encarcerada de apenas uma parede da alça
pode estrangular SEM obstrução intestinal — a pegadinha clássica
Hérnia de Littre
conteúdo = divertículo de Meckel
tratamento: cirurgia (reseção do divertículo)
1. Diagnóstico e differential de massa inguinal
Massa
Diferencial-chave
Hérnia inguinal
expansível à tosse, redução com gorgolejo; indireta pode descer até escroto
Hérnia femoral
abaixo e medial à espinha iliaca anterossuperior/púbis (abaixo do ligamento), idosa, pouco redutível
Hidrocele
transilumina, não se reduz, impalpável o testículo
Linfonodo inguinal
múltiplos, móveis, não expansíveis à tosse
Varicocele
saco de vermes no escroto, aumenta em pé, diminui em decúbito
2. Tratamento
Hérnia inguinal SINTOMÁTICA: reparo eletivo — a dor é indicação.
Assintomática em homem: expectativa vigilante é opção segura (HerniaSurge); a hérnia femoral espreita — em MULHERES o reparo é recomendado pelo risco de estrangulamento femoral.
Técnica: tela sem tensão é o padrão (Lichtenstein na via aberta); laparoscópica (TEP/TAPP) em bilateral, recidivada e em quem volta cedo ao trabalho.
Hérnia umbilical/epigástrica no adulto: reparo recomendado (EHS/AHS), inclusive no cirrótico compensado — a correção de urgência é que tem mortalidade alta.
Hérnia incisional: tela reduz a recidiva à metade — no ensaio clássico de Luijendijk, recidiva de 46% com sutura versus 24% com tela em 3 anos; grandes defeitos e perda de domicílio podem exigir componentes-separação e tela.
3. Cirurgia ambulatorial e cirurgia menor (o dia-a-dia do geralista)
Seleção: ASA I–II, procedimento de curta duração com anestesia simples, paciente acompanhado em casa — idade extrema e apneia do sono grave são cautelas, não proibições absolutas.
Jejum (ASA 2017): líquidos claros até 2 h; leite materno até 4 h; refeição leve/fórmula até 6 h; frituras, carnes e refeição pesada até 8 h.
Checklist de segurança cirúrgica (OMS): reduz complicações e mortalidade na implantação (de 11% para 7% e de 1,5% para 0,8% nos hospitais do estudo).
Prevenção de infecção de sítio (CDC 2017): banho pré-operatório, SEM tricotomia (ou clipagem no dia), antissepsia alcoólica, normotermia, glicemia controlada; antibiótico profilático só quando indicado — ex.: cefazolina 2 g IV antes da incisão (dentro de 60 min), repetida em cirurgias longas.
Náusea e vômito pós-operatórios: fatores de risco do escore de Apfel — mulher, não tabagista, história prévia de NPO/enjôo e uso de opioide pós-operatório; profilaxia (ex.: ondansetrona 4 mg IV ± dexametasona 4–8 mg IV) para 2 ou mais fatores.
Anestesia local: lidocaína sem vasoconstritor 4,5 mg/kg (máximo 300 mg); com adrenalina 7 mg/kg (máximo 500 mg) — aspirar antes de infiltrar e monitorar toxicidade (perioral, tinido, convulsão).
Critérios de alta: sinais vitais estáveis, deambulação, aceitação de via oral, analgesia e vômito controlados, acompanhante responsável e instruções por escrito.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.Prova difícilMulher, 76 anos, há 12 h de massa ingurjitada abaixo do ligamento inguinal direito, dolorosa e endurecida, sem vômitos e sem distensão abdominal; dor contínua, leucocitose de 14.000, sem sinais peritoneais. Conduta:
2.IntermediárioMulher, 55 anos, hérnia incisional de 6 cm após laparotomia, assintomática, sem perda de domicílio. A técnica com menor taxa de recidiva documentada em ensaio randomizado:
delgada × grossa · causas · clínica em 4 sintomas · TC (ponto de transição, alça fechada) · diretriz de Bolonha: conservador × contraste hidrossolúvel × cirurgia · vólvulo e pseudo-obstrução
Característica
Obstrução de delgado
Obstrução de grosso
Dor
cólicas precoces e intensas
cólicas mais tardias e menos frequentes
Vômitos
precos e repetidos (alto)
tardios; podem ser fecaloóides
Distensão
central, precoce no alto
periférica, importante no baixo
Obstipação
obstipação com passagem tardia possível
obstipação completa e precoce
Causa mais comum
aderências (pós-operatórias), hérnias
câncer colorretal, vólvulo sigmoide
1. Clínica e exame
Tétrade: dor em cólica, distensão, vômitos e obstipação — a intensidade de cada um depende do nível.
Exame: distensão, ruídos hidroaéreos metálicos (híper-peristalse tentando vencer a barreira) que evoluem para silêncio com isquemia; desidratação (terceiro espaço), ORIFÍCIOS HERNIÁRIOS e cicatrizes.
Sinais de estrangulamento (mudam tudo): dor contínua e desproporcional, taquicardia, febre, defensas, leucocitose, lactato elevado, dor à palpação localizada — indicação cirúrgica imediata.
2. Imagem
RX simples (pé + deitado): alças de delgado dilatadas (> 2,5–3 cm) com valvas coniventes, níveis hidroaéreos, ausência de gás no cólon na obstrução completa.
TC com contraste é o padrão: localiza o ponto de transição, define causa, complicações e o sinal das fezes delgadas (small bowel feces sign) justamente antes da obstrução.
Sinais TC de isquemia: engrossamento parietal com hipocaptacão, pneumatose intestinal, gás na veia porta, líquido livre e alça em formato fechado (alça fechada).
Fluxo da obstrução por aderências (diretriz de Bolonha, WSES)
Obstrução de delgado por aderências — há sinais de estrangulamento, peritonite ou alça fechada?
▼
NÃO — obstrução adessiva simples
Conservador: dieta zero, sonda nasogástrica, hidratação e correção eletrolítica.
Desafio com contraste hidrossolúvel (ex.: 100 mL por sonda): aparecimento do contraste no cólon em até 24 h prevê resolução com alta acurácia — manter conservador.
Sem melhora em 48–72 h ou falha do contraste: cirurgia.
A Cochrane confirma: o contraste hidrossolúvel reduz a necessidade de operação e o tempo de internação.
SIM — estrangulamento, peritonite ou alça fechada na TC
Cirurgia imediata: a conduta conservadora é contraindicada.
Reposição volêmica pré-operatória rápida + antibiótico se necrose/sepse.
CASO ESPECIAL — hérnia encarcerada como causa
Corrigir a hérnia junto com o tratamento da obstrução; alça inviável = ressecção.
3. Obstrução de grosso: os 3 diagnósticos que a prova cobra
Câncer colorretal: anemia, alteração do hábito intestinal, sangue oculto; TC e colonoscopia; obstruído — estente como ponte ou colostomia derivativa e cirurgia programada.
Vólvulo sigmoide: idoso, distensão maciça, RX com alça em grão de café apontando ao hipocôndrio direito; retossigmoidoscopia descompressiva na ausência de peritonite; recidivante = colectomia programada.
Pseudo-obstrução colônica (Ogilvie): idoso hospitalizado, pós-operatório, distúrbios eletrolíticos; conservador (mobilização, correção de eletrólitos, neostigmina IV com monitorização — bradicardia é o efeito a temer) e descompressão endoscópica se falhar.
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 62 anos, apendicectomia há 30 anos, há 2 dias de cólicas com vômitos e distensão; sem febre, sem défense, hemodinamicamente estável; TC mostra dilatação de delgado com ponto de transição por aderência, sem sinais de isquemia. Mantido conservador, recebe contraste hidrossolúvel por sonda: em 18 h o contraste aparece no cólon. Conduta:
2.AvançadoMesmo paciente, 12 h depois: dor torna-se contínua e intensa, FC 122 bpm, lactato 4,0 mmol/L, nova TC com alça em forma fechada com paredes espessadas e líquido livre. Conduta:
da cólica à colangite · critérios e graduação Tokyo 2018 (tabela) · US como primeiro exame · coledocolitíase: critérios ASGE de alto risco · CPRE · colangite: Charcot e Reynolds
Dor > 6 h + febre
colecistite
cólica biliar que passa de 6 h e febre muda o diagnóstico
Parede ≥ 3 mm
US
espessamento parietal + Murphy sonográfico
Bilirrubina > 4 + VBD
alto risco
crítica ASGE: CPRE
Reynolds
urgência
Charcot + hipotensão + alteração mental
1. O espectro da doença litiásica
A cólica biliar é a dor obstrutiva da cística por cálculo, sem inflamação: dor em hipocôndrio direito após gordura, irradiando para ombro/escápula direita, durando minutos a poucas horas, SEM febre e com exames normais — tratar com analgesia e programar colecistectomia eletiva. Quando a obstrução persista (> 6 h) e instala inflamação da parede, a colecistite aguda soma febre, Murphy positivo e leucocitose. O cálculo que migra para a via principal (coledocolitíase) produz icterícia obstrutiva e colanguria; com infecção da bile, a colangite aguda é a urgência do capítulo.
2. Colecistite aguda: critérios Tokyo 2018 (TG18)
Critério
Itens
A — Sinais e sintomas
sinal de Murphy e/ou massa dolorosa em hipocôndrio direito; febre
B — Inflamação
leucocitose e/ou PCR elevada
C — Imagem
US (primeira linha): cálculo, parede espessada (≥ 3 mm), Murphy sonográfico, líquido pericolecístico; ou TC/RM compatíveis
Diagnóstico suspeito = A + B; confirmado = A + B + C. A graduação de gravidade TG18 divide a conduta:
Grau
Definição
Conduta
I — leve
não se enquadra em II nem III
antibiótico + colecistectomia laparoscópica precoce na internação índice (idealmente até ~72 h do início)
II — moderada
um de: leucocitose > 18.000, massa palpável, duração > 72 h, inflamação local acentuada (gangrenosa, enfisematosa, abscesso)
antibiótico + colecistectomia precoce por equipe experiente
estabilização + antibiótico + colicostomia percutânea (ou cirurgia em altíssima seleção); a colecistectomia imediata no grave é exceção
3. Coledocolitíase: os critérios ASGE de risco
Risco
Critérios
Conduta
Alto (qualquer um)
cálculo de via principal visto na imagem; colangite aguda; bilirrubina > 4 mg/dL + via biliar dilatada (> 6 mm)
CPRE (preferência pré-operatória)
Intermediário
provas hepáticas alteradas, idade > 55 anos, via biliar dilatada
ecoendoscopia/colangiografia por RM ou colangiografia intraoperatória
Baixo
critérios normais
colecistectomia com colangiografia seletiva
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMulher, 42 anos, dor em hipocôndrio direito há 10 h iniciada após refeição gordurosa, febre 38,2 °C, sinal de Murphy positivo, leucocitose de 14.000; US: cálculo lítico, parede vesicular de 4,5 mm e Murphy sonográfico. Sem disfunção orgânica. Conduta:
2.Prova difícilHomem, 73 anos, diabético, com colecistite aguda há 4 dias; na admissão: PA 78/46 mmHg exigindo noradrenalina, confuso, oligúrico, leucocitose de 21.000. Após reposição e antibiótico venoso amplo, a conduta biliar recomendada é:
corrigir alcalose/eletrolitos e desobstruir (dilatação/cirurgia)
1. Hemorragia: estratificar antes de endoscopiar
Glasgow-Blatchford (ureia, hemoglobina, PA, pulso, sincope, melena, doença hepática/cardíaca): 0–1 permite alta com endoscopia ambulatorial breve; escore alto indica internação e necessidade de intervenção.
Reposição: transfusão restritiva com gatilho de Hb < 7 g/dL no estável (evitar sobrecarga que eleva pressão portal e resangramento).
Endoscopia digestiva alta em até 24 h da admissão após estabilização; muito urgente (≤ 12 h) no instável com sangramento ativo refratário à reposição.
Eritromicina 250 mg IV 30–120 min antes da endoscopia melhora a visualização por esvaziar o estômago de coágulos.
Erradicação de Helicobacter pylori em todo ulceroso (confirmação com teste respiratório/antígeno fecal após 4 semanas sem antibiótico e 2 semanas sem IPP) e suspensão de AINE — as duas medidas que mudam a história natural.
Úlcera gástrica: sempre biopsiar (excluir neoplasia) e documentar cicatrização.
2. Perfuração
A perfuração de úlcera péptica produz peritonite química que se torna séptica em horas: abdome em tábua, rigidez, RX de tórax em pé com pneumoperitônio em cerca de dois terços dos casos (ausência de ar livre NÃO exclui). Tratamento (WSES): reposição, antibiótico venoso e cirurgia — reparo da perfuração com parche omental (Graham) e lavagem abundante da cavidade; úlcera gástrica gigante ou suspeita de neoplasia pede ressecção; a via laparoscópica é aceita em centros com experiência. Erradicar H. pylori e suspender AINE no pós-operatório reduz recidiva e reperfuração. Perfuração CONTIDA (selada, estável) pode ser discutida como tratamento clínico em selecionados.
3. Estenose pilórica
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 48 anos, procura o pronto-socorro com melena há 24 h, estável (PA 128/76, FC 78), Hb 13,1 g/dL, ureia 32 mg/dL, sem sincope nem comorbidades; Glasgow-Blatchford = 1. Conduta:
2.AvançadoMulher, 64 anos, úlcera duodenal com vaso visível sangrando ativamente; hemostasia endoscópica obtida com injeção de adrenalina + clip. Conduta farmacológica que reduz o resangramento:
ABCDE do ATLS · as 6 lesões torácicas que matam na sala · FAST e a regra do instável · baço: tratamento não operatório e embolização · fígado: packing e Pringle · controle de danos e transfusão 1:1:1
Hemotórax maciço
> 1.500 mL
de imediato, ou > 200 mL/h por 2–4 h → toracotomia
analgesia de excelência (peridural), oxigênio, VMI se falência respiratória
Lesão traumática de aorta
alargamento do mediastino no RX
angioTC; controle de pressão e reparo endovascular (TEVAR)
2. Abdome: FAST, instabilidade e a decisão de operar
Fluxo do trauma abdominal contuso
Vítima de trauma abdominal — estável?
▼
INSTÁVEL (hipotensão refratária a cristaloide)
FAST/US no leito: livre positivo → LAPAROTOMIA imediata.
FAST negativo e choque sem outra causa: considerar tórax, pelve (binder), fraturas de ossos longos.
Não solicitar TC de instável.
ESTÁVEL
TC de abdome com contraste IV: lesão sólida com graduação, blush vascular, lesão oca, líquido livre.
Peritonite, evisceração ou perfuração de víscera oca → cirurgia independentemente da estabilidade.
Trauma PENETRANTE
Instável, peritonite, evisceração ou sangramento externo abundante → sala de cirurgia.
Estável: avaliação local (trajeto), FAST/TC e observação com exames seriados.
3. Órgãos-alvo: baço, fígado e pelve
Baço contuso: tratamento não operatório é o padrão no estável (diretriz EAST), qualquer graduação; presença de blush vascular ao TC ou lesões altas → embolização splênica para preservar o órgão; esplenectomia no instável/lesão complexa — vacinar contra pneumococo, meningococo e Haemophilus influenzae b (idealmente ≥ 2 semanas após, ou o quanto antes se alta iminente).
Fígado contuso: não operatório na grande maioria dos estáveis (WSES 2020); no sangrante, controle de danos: compressão (packing), manobra de Pringle (pinçamento do pedículo hepático), reparo/embolização em segunda instância.
Fratura de pélvis estável: cinto pélvico no nível dos trocânteres; instável sem outra fonte de sangramento → fixação externa e/ou embolização arterial.
Controle de danos (damage control): fechar rápido, corrigir a tríade letal (hipotermia, acidose, coagulopatia) na UTI e reoperar em 24–48 h.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 28 anos, atropelamento; PA 76/44, FC 130, abdome distendido; após 1 L de cristaloide mantém hipotenso; FAST com líquido livre em Morrison e na pelve. Conduta:
2.AvançadoMulher, 22 anos, queda de moto; estável; TC mostra lesão esplênica de alto grau (AAST IV) com extravasamento de contraste (blush), sem outras lesões. Conduta que preserva o órgão e trata o sangramento:
HCC: vigilância, BCLC, critérios de Milão e ressecção · pancreatite aguda: Atlanta 2012, graduação e coleções (tabela) · step-up da necrose · câncer de pâncreas: Courvoisier e Whipple
O trauma hepático foi tratado no módulo de trauma (não operatório no estável, packing e Pringle no sangrante). Na clínica eletiva, o tema central é o hepatocarcinoma (HCC): a vigilância com US ± alfa-fetoproteína a cada 6 meses é indicada no cirrótico e em portadores de hepatite B com risco (prática recomendada pela AASLD). O estadiamento BCLC orienta o tratamento curativo: ressecção para tumor único em Child-Pugh A SEM hipertensão portal clínicamente significativa; ablação percutânea para nódulos pequenos; transplante pelos critérios de Milão (1 nódulo ≤ 5 cm ou até 3 nódulos cada ≤ 3 cm, sem invasão vascular/doença extra-hepática); quimioembolização no intermediário e terapia sistêmica no avançado.
2. Pancreatite aguda: Atlanta 2012
Diagnóstico com 2 de 3: dor típica (epigástrica em barrilha, irradiando para dorso), lipase (ou amilase) > 3× o limite superior, imagem característica. Na forma intersticial o pâncreas inflama e edematiza; na necrosante o parênquima morre — e a necrose pode infectar (a complicação que mata).
Graduação (Atlanta)
Definição
Leve
sem falência orgânica nem complicações locais
Moderadamente grave
falência orgânica TRANSITÓRIA (< 48 h) ou complicações locais/sistêmicas sem falência persistente
Grave
falência orgânica PERSISTENTE (> 48 h) — a que concentra a mortalidade
Coleção
Conteúdo
Momento
Necrose?
Coleção peripancreática aguda
líquido
≤ 4 semanas
não
Pseudocisto
líquido
> 4 semanas
não
Coleção necrótica aguda
líquido + necrose
qualquer fase
sim
Necrose parede-delgada (walled-off)
líquido + necrose encapsulada
> 4 semanas
sim
Tratamento inicial: agressiva reposição volêmica, analgesia, controle nutricional precoce por via oral/entérica (jejum prolongado é conceito vencido) e monitorização de falência orgânica.
Antibiótico PROFILÁTICO não tem indicação; tratar apenas necrose INFECTADA (gasosa, bacteremia, piora clínica) com cobertura gram-negativa e anaeróbia (ex.: carbapenêmico ou quinolona + metronidazol).
Necrose infectada: estratégia step-up — antibiótico, drenagem percutânea/endoscópica (gastrocistostomia com stents) e necrosectomia minimamente invasiva escalonada, adiando a cirurgia idealmente ≥ 4 semanas para a maturação da coleção.
Pancreatite BILIAR: CPRE urgente se colangite ou obstrução biliar persistente; colecistectomia na MESMA internação após melhora na forma leve — adiamento deixa recorrer.
Etiologia a não esquecer: álcool e cálculo respondem pela maioria; IFAP (triglicérides > 1.000 mg/dL), hipercalcemia, fármacos e idiopática completam.
3. Câncer de pâncreas
Adenocarcinoma ductal predomina na cabeça (a maioria dos casos): icterícia obstrutiva indolor com colanguria, fezes acólicas e prurido; a vesícula palpável associada à icterícia (sinal de Courvoisier) sugere obstrução maligna da via biliar, não cálculo (que fibrasa a vesícula). Perda ponderal, diabetes de início recente no adulto e dor epigástrica que melhora ao inclinar-se para a frente completam o quadro. Estadiamento com TC de protocolo pancreático e CA 19-9 (marcador de seguimento, não de rastreio); a cirurgia da cabeça é a pancreaticoduodenectomia (Whipple); doença limite pode ser convertida com quimioterapia (ex.: esquemas FOLFIRINOX) e o avançado é paliativo (revisão Lancet).
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 50 anos, pancreatite aguda; no 2º dia: creatinina 2,1 mg/dL e PaO2/FiO2 baixa exigindo oxigênio; no 5º dia mantém necessidade de diálise e suporte respiratório. Pela revisão de Atlanta, a graduação é:
2.AvançadoHomem, 66 anos, cirrose Child-Pugh A por hepatite C, sem sinais de hipertensão portal (plaquetas 180.000, sem varizes), HCC de 4 cm único no segmento VI; α-FETOPROTEÍNA 200 ng/mL, sem doença extra-hepática. Melhor conduta curativa:
rastreamento do CCR (USPSTF 2021, tabela) · cólon direito × esquerdo · tratamento cirúrgico e adjuvância · reto: neoadjuvância e mesorreto · cirurgia bariátrica: indicações ASMBS/IFSO 2022, procedimentos e complicações
Rastreamento
45–75 anos
risco médio (USPSTF 2021, recomendação A)
Colonoscopia
10/10 anos
normal em risco médio; FIT anual é alternativa
Polipectomia
− ~50%
mortalidade por CCR na coorte de Zauber
Bariátrica
IMC ≥ 35
ou 30–34,9 com doença metabólica (ASMBS/IFSO)
1. Câncer colorretal: rastreamento que a prova cobra
Método (risco médio, 45–75 anos)
Intervalo
Colonoscopia
a cada 10 anos
Sangue oculto fecal (gFOBT) ou FIT
anual
FIT-DNA
a cada 1–3 anos
Retossigmoidoscopia
a cada 5 anos, ou a cada 10 + FIT anual
Colonografia por TC
a cada 5 anos
A polipectomia previne morte: na coorte de Zauber (NEJM), a remoção endoscópica de adenomas reduziu à metade a mortalidade por câncer colorretal em longo prazo.
O ensaio NordICC tempera a expectativa: na análise por intenção de rastrear, a colonoscopia reduziu a incidência em ~18% em 10 anos, sem redução significativa de mortalidade — o benefício pleno dependeu de efetivamente realizar o exame; a qualidade do preparo e da retirada importa.
Indivíduos com risco aumentado (família de 1º grau < 60 anos, síndromes hereditárias, doença inflamatória intestinal) começam antes e com intervalos curtos.
CEA serve para seguimento pós-tratamento, NÃO para rastreamento.
2. Apresentação e tratamento
Cólon direito
Cólon/reto esquerdo
Sintoma dominante
anemia ferropriva oculta, dor vaga
alteração do hábito, hematquezia, tenesmo (reto)
Obstrução
tardia
precoce (calibre menor, lesão em anel/estenosante)
Conduta
colectomia direita com linfadenectomia
colectomia esquerda / ressecção retal com excisão total do mesorreto
Estadiamento anátomo-patológico pela 8ª edição do AJCC; a quimioterapia adjuvante com esquemas à base de oxaliplatina está indicada no cócn estádio III (e selecionados II de alto risco).
Câncer de RETO estádio II–III: quimiorradioterapia NEoadjuvante seguida de cirurgia com excisão total do mesorreto — a sequência que reduz recidiva local.
CCR obstruído: estente como ponte ou colostomia derivativa e cirurgia programada; perfurado com peritonite opera na urgência.
Metástases hepáticas ressecáveis: metástasectomia/agressividade oncológica muda prognóstico — discussão multidisciplinar antes de rotular avançado.
3. Cirurgia bariátrica e metabólica
Cenário
Indicação (ASMBS/IFSO 2022)
IMC ≥ 35 kg/m²
indicada independentemente de comorbidades
IMC 30–34,9 kg/m²
indicada na presença de doença metabólica (diabetes tipo 2 mal controlado, síndrome metabólica)
População asiática
considerar limiares menores de IMC
Princípio do consenso
o IMC isolado não deve ser barreira quando há doença metabólica relevante
Procedimento
Mecanismo
Complicações típicas
Bypass gástrico em Y-de-Roux (RYGB)
restritivo + disabsortivo + hormonal (incremento de incretinas)
fístula da linha de grampeamento, refluxo gastroesofágico, deficiências
Bandeira gástrica ajustável
restritivo puro
intolerância, deslizamento/erosão — em desuso na maioria dos centros
Questões do módulo · 09
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalHomem, 50 anos, risco médio para câncer colorretal, assintomático, colonoscopia normal com boa preparação. Pela recomendação do USPSTF 2021, o rastreamento deve:
2.AvançadoHomem, 58 anos, câncer de reto médio a 7 cm da margem anal, estadiamento clínico cT3N1M0 (estádio III), condições cirúrgicas preservadas. Sequência terapêutica com melhor controle local:
Para a véspera: o essencial, os números, os macetes e as pegadinhas que decidem a prova
Resumo essencial por módulo
Módulo
A essência
Maior incidência
01 Abdome agudo
Classifique o mecanismo (inflamativo, perfurativo, obstrutivo, isquêmico, hemorrágico, médico); β-hCG e ECG salvam; instável não vai à TC.
Tabela de diferenciais por topografia; isquemia mesentérica e rotura de AAA
02 Apendicite
Alvarado organiza (≥ 7 provável); US no jovem/gestante, TC no duvidoso; laparoscopia é o padrão e antibiótico-first é opção informada (CODA: ~29% operam em 90 dias).
Escore de Alvarado; imagem por população; CODA
03 Hérnias + ambulatorial
Femoral estrangula e Richter estrangula sem obstrução; tela reduz à metade a recidiva; jejum 2-4-6-8 h e checklist fazem a cirurgia do dia segura.
Complicações da hérnia; Luijendijk (46% × 24%); jejum ASA
04 Obstrução intestinal
Aderência lidera no delgado e câncer no grosso; sem estrangulamento = conservador + contraste hidrossolúvel; alça fechada = cirurgia.
Fluxo de Bolonha; sinal do contraste em 24 h; vólvulo e Ogilvie
05 Vias biliares
Dor > 6 h + febre + Murphy = colecistite (TG18); grau I/II opera precoce, grau III drena por cateter; Charcot/Reynolds = CPRE.
Graduação Tokyo 2018; critérios ASGE de alto risco
06 Úlcera complicada
Sangramento: Blatchford decide, endoscopia ≤ 24 h, adrenalina nunca sozinha e omeprazol 80 + 8 mg/h; perfuração: parche de Graham; estenose: alcalose hipocalêmica.
Regime de Lau; pneumoperitônio ~2/3; Forrest
07 Trauma
ABCDE; hipertensivo é clínico e agulha antes do RX; instável + FAST = laparotomia; baço/fígado estáveis são não operatórios; PROPPR 1:1:1.
Limiares de toracotomia; FAST; embolização do baço
08 Fígado e pâncreas
Atlanta 2012 gradua (persistente > 48 h = grave) e nomeia coleções; necrose infectada é step-up; HCC Child A sem hipertensão portal se resseca; Courvoisier aponta tumor de pâncreas.
Critérios de Atlanta; Milão; BCLC
09 Colorretal + bariátrica
Rastrear 45–75 (colonoscopia 10/10 ou FIT anual); reto II–III é neoadjuvante + mesorreto; bariátrica ≥ 35 ou 30–34,9 com doença metabólica; hérnia interna pós-RYGB.
Intervalos USPSTF; indicações ASMBS/IFSO 2022
Números que você precisa saber de cor
Tema
Número
Alvarado
dor DSD e leucocitose = 2 pontos; ≥ 7 provável · 5–6 imagem · ≤ 4 improvável
Apendicite — CODA
~29% dos tratados com antibiótico operaram em até 90 dias
TC apendicite
sensibilidade/especificidade > 90%
Hérnia incisional
recidiva 46% (sutura) × 24% (tela) em 3 anos
Jejum pré-operatório
líquidos claros 2 h · leite materno 4 h · refeição leve 6 h · frituras/carnes 8 h
Lidocaína local
4,5 mg/kg (300 mg) sem adrenalina · 7 mg/kg (500 mg) com adrenalina
Colecistite TG18
parede ≥ 3 mm na US · grau II: leuco > 18.000, massa ou > 72 h · grau III: disfunção orgânica
US ± AFP 6/6 meses · Milão: 1 ≤ 5 cm ou até 3 ≤ 3 cm
CCR — rastreamento
45–75 anos · colonoscopia 10/10 · FIT anual · sigmoidoscopia 5/5
Bariátrica
IMC ≥ 35 · ou 30–34,9 com doença metabólica · asiáticos: limiares menores
Macetes que salvam
Macete
Regra
Regra das 6 h biliares
dor de vesícula que dura mais de 6 h e febrija deixa de ser cólica e vira colecistite.
Richter sem íleo
hérnia que estrangula sem obstruir: idosa + massa femoral dolorosa + leucocitose = cirurgia.
Contraste em 24 h
na obstrução adessiva, contraste hidrossolúvel no cólon em até 24 h prevê resolução sem bisturi.
Adrenalina nunca sozinha
hemostasia de úlcera = injeção + clip/termocoagulação + IPP alta dose.
Instável não fotografa
trauma instável: FAST e sala; abdome não traumático instável: reposição e cirurgia.
Direito anemiza, esquerdo obstrui
câncer de cócn: lado direito faz anemia ferropriva; esquerdo altera hábito e obstrui.
45–75 e 10/10
rastreamento do CCR de risco médio: colonoscopia a cada 10 anos — ou FIT anual.
As pegadinhas mais cobradas
Exame abdominal pobre com dor intensa no idoso = isquemia mesentérica até prova contrária — o exame “benigno” é o pior sinal.
Ausência de pneumoperitônio NÃO exclui perfuração de úlcera (o RX pega ~2/3).
Gestante com apendicite: dor mais alta e lateralizada; US/MR primeiro e a cirurgia não se adia.
Alvarado ≥ 7 com clínica compatível dispensa imagem de rotina — o exame é para o duvidoso.
Apêndice com fecálito: pior candidato ao tratamento só clínico.
Hérnia que “reduziu na urgência” após horas de dor: a redução não avalia viabilidade — estrangulamento de Richter segue possível.
Cirrótico com hérnia umbilical: operar eletivo no compensado; a urgência é que mata.
Cólica biliar afebril com exames normais NÃO é colecistite: analgesia e cirurgia eletiva.
Colecistite grau III (TG18): colicostomia percutânea e estabilização — não cirurgia imediata.
Antibiótico profilático não tem lugar na pancreatite intersticial; só a necrose INFECTADA se trata.
Courvoisier: vesícula palpável + icterícia = tumor da cabeça do pâncreas/via biliar, não cálculo.
CEA não rastreia; serve para seguimento do CCR tratado.
Dor obstrutiva tardia pós-RYGB sem cicatriz externa = hérnia interna: TC e cirurgia, não “prega intestinal”.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda mulher em idade fértil com abdome agudo: β-hCG antes da primeira hipótese.
Toda dor epigástrica acima de 40 anos: ECG.
Todo abdome agudo obstrutivo: examinar orifícios herniários e tocar o reto.
Todo sangramento digestivo alto: estratificar (Blatchford), transfundir com gatilho 7 e endoscopiar em 24 h.
Todo trauma instável com FAST positivo: laparotomia — TC é luxo do estável.
Todo pneumotórax hipertensivo: agulha antes da radiografia.
Toda pancreatite biliar leve: colecistectomia na mesma internação.
Todo reto estádio II–III: neoadjuvância antes do mesorreto.
Todo pós-bariátrico com vômitos: tiamina antes de glicose.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita
Apendicite aguda
Idosa com massa inguinal dolorosa abaixo do ligamento inguinal
Hérnia femoral encarcerada (Richter?)
Obstrução adessiva com contraste no cólon em 24 h
Resolução clínica — manter conservador
Febre + icterícia + dor em hipocôndrio direito
Colangite aguda (Charcot) — CPRE
Icterícia indolor + vesícula palpável
Sinal de Courvoisier — câncer de pâncreas
Melena + Blatchford 1 e estável
Alta com endoscopia ambulatorial
Abdome em tábua + ar subdiafragmático
Perfuração de úlcera péptica
Trauma + hipotensão + FAST positivo
Laparotomia imediata
Pancreatite com falência orgânica no 5º dia
Pancreatite grave (Atlanta)
Vômitos com alcalose hipoclorêmica hipocalêmica
Estenose pilórica por úlcera
Dor cólica tardia em operado de bypass gástrico
Hérnia interna
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.Prova difícilMulher, 29 anos, dor em fossa ilíaca direita há 12 h, atraso menstrual de 6 semanas, PA 92/58 mmHg, FC 118. Antes de qualquer exame de imagem, o passo que define a conduta:
2.IntermediárioHomem, 45 anos, primeira crise de dor em fossa ilíaca direita há 10 h, afebril, leucocitose discreta, sem defesa; β-hCG não aplicável; escore de Alvarado 5. Próximo passo:
3.IntermediárioHomem, 58 anos, cirrose Child-Pugh A compensada, hérnia umbilical de 3 cm sintomática (dor aos esforços), sem ascite relevante. Conduta:
4.Prova difícilIdoso, 81 anos, distensão abdominal maciça e ausência de eliminação de fezes e gases há 2 dias; RX mostra alça de cólon enormemente dilatada em “grão de café” apontando para o hipocôndrio direito; abdome sem peritonite. Conduta inicial:
5.IntermediárioHomem, 66 anos, febre 39 °C com calafrios, icterícia e dor em hipocôndrio direito há 8 h; PA 100/62, FC 112, leucocitose, bilirrubina total 6 mg/dL, VBD dilatada. Antibiótico venoso iniciado. Conduta seguinte:
6.AvançadoHomem, 55 anos, úlcera péptica com estenose pilórica, vômitos pós-prandiais há semanas. Gasometria e eletrólitos mais prováveis:
7.FundamentalJovem, 24 anos, acidente motociclístico; no pronto-socorro: PA 70/40, SpO2 86%, ingurgitamento jugular, ausência de murmúrio vesicular à direita com desvio da traqueia para a esquerda. Primeira conduta:
8.Prova difícilMulher, 39 anos, IMC 32 kg/m², diabetes tipo 2 com HbA1c 9,2% e hipertensão apesar de 3 fármacos e programa multidisciplinar por 2 anos; sem contraindicação cirúrgica. Pelo consenso ASMBS/IFSO 2022, ela:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-B · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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