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Revisão integrada do abdome agudo para provas de clínica cirúrgica: mecanismos de dor abdominal e localização embrionária, semiologia com sinais clássicos, escore de Alvarado, exames de imagem com sensibilidade e especificidade, diagnóstico diferencial por região e condutas com esquemas de antibióticos, doses e tempos-alvo segundo WSES, Tokyo 2018 e classificação de Atlanta.
[1] Di Saverio S, Podda M, De Simone B, et al. Diagnosis and treatment of acute appendicitis: 2020 update of the WSES Jerusalem guidelines. World J Emerg Surg. 2020;15:27 · DOI 10.1186/s13017-020-00306-3 | [2] Yokoe M, Hata J, Takada T, et al. Tokyo Guidelines 2018: diagnostic criteria and severity grading of acute cholecystitis. J Hepatobiliary Pancreat Sci. 2018;25(1):41-54 · DOI 10.1002/jhbp.515 | [3] Tarasconi A, Coccolini F, Biffl WL, et al. Perforated and bleeding peptic ulcer: WSES guidelines. World J Emerg Surg. 2020;15:3 · DOI 10.1186/s13017-019-0282-9 | [4] Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, et al. Classification of acute pancreatitis: revision of the Atlanta classification. Gut. 2013;62(1):102-111 · DOI 10.1136/gutjnl-2012-302779 | [5] Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, et al. Schwartz Principles of Surgery. 11ª ed. New York: McGraw-Hill; 2019 · DOI 10.1186/s13017-020-00306-3
Abdome agudo é toda condição abdominal de instalação recente, em geral com menos de uma semana, que ameaça a viabilidade de uma víscera ou a vida do paciente e exige decisão rápida, muitas vezes cirúrgica. A dor abdominal responde por cerca de 10% das consultas em serviços de urgência de adultos; uma parcela desses pacientes (na casa de 10 a 20%) necessitará de internação e parte de operação. O erro clássico do iniciante é procurar o diagnóstico etiológico definitivo antes de responder à pergunta que realmente decide a conduta: este paciente precisa de cirurgia agora, precisa de investigação imageológica agora, ou pode ser tratado clinicamente com reavaliação serial?
O custo do atraso é mensurável: na apendicite, o risco de perfuração sobe com o tempo de evolução maior que 36 a 72 horas; na isquemia mesentérica aguda, a mortalidade permanece entre 50% e 80% em grande parte porque o diagnóstico chega tarde. Neste artigo, a abordagem é integrada: mecanismos de dor, semiologia, exames com desempenho diagnóstico, diferenciais por região e condutas com doses e tempos-alvo baseados em diretrizes internacionais (WSES, Tokyo 2018, Atlanta 2012).
Classificar o abdome agudo por mecanismo organiza o raciocínio melhor que listar doenças: inflamação (apendicite, colecistite, diverticulite, pancreatite), perfuração de víscera ocas (úlcera péptica, divertículo, apêndice), obstrução do trato digestivo (aderências, hérnias, neoplasias, vólvulos, intussuscepção), isquemia (isquemia mesentérica aguda, estrangulamento de alça, torsão anexial ou testicular) e hemorragia intra-abdominal (aneurisma de aorta roto, gravidez ectópica rota, rotura esplênica). A esse grupo somam-se as causas clínicas e extra-abdominais que mimetizam abdome cirúrgico e são pegadinha clássica: infarto agudo do miocárdio de parede inferior, pneumonia do lobo inferior, cetoacidose diabética, porfiria, intoxicação por chumbo, crise falciforme e herpes zóster.
| Tipo de dor | Origem | Características | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Visceral | Estiramento de vísceras ocas e cápsulas | Surda, mal localizada, em linha mediana, com náusea, vômitos, sudorese e bradicardia | Fase inicial da apendicite, cólica biliar, obstrução intestinal |
| Parietal ou somática | Irritação do peritônio parietal | Intensa, bem localizada, piora com tosse, movimento e deambulação, com defesa e rigidez | Apendicite com peritonite localizada, úlcera péptica perfurada |
| Referida | Convergência de dermátomos na medula | Percebida em território distante do órgão de origem | Sinal de Kehr (ombro esquerdo na rotura esplênica), dor subescapular direita na doença biliar |
A sequência temporal também informa o mecanismo: início súbito em trovão (dor máxima em segundos a minutos) sugere perfuração, rotura vascular ou torsão; início gradual com progressão ao longo de horas é típico de processo inflamatório; dor em cólicas com intervalos livres sugere obstrução de víscera oca. Na apendicite clássica, a dor precede os vômitos; vômitos que precedem a dor apontam para causa clínica, como gastroenterite.
A apendicite aguda é a causa mais frequente de abdome agudo cirúrgico em jovens, com risco de apresentação ao longo da vida de 7% a 8%. A doença biliar predomina a partir da quarta década, especialmente em mulheres (mulher, quarenta, fértil, gorda, femoral é a pentade clássica de risco para litíase). A doença diverticular dos cólons acomete cerca de 10% dos adultos antes dos 40 anos e mais de 60% após os 60 anos, e a diverticulite é a causa mais comum de dor em fossa ilíaca esquerda com febre nessa faixa etária. Nas obstruções intestinais do adulto, aderências pós-operatórias respondem por 60% a 75% dos casos, seguidas de hérnias e neoplasias. No idoso, ganham peso as causas vasculares (isquemia mesentérica, aneurisma de aorta abdominal roto, com mortalidade global que pode alcançar 80% quando incluídos os óbitos pré-hospitalares) e a apresentação atípica, com dor pouco intensa e leucocitose discreta, o que torna o imageológico ainda mais decisivo.
A localização da dor visceral segue a origem embrionária do órgão, porque as fibras aferentes viscerais convergem para os mesmos segmentos medulares dos dermátomos correspondentes. Órgãos de origem no intestino anterior (foregut) doem no epigástrio; os do intestino médio (midgut), na região periumbilical; e os do intestino posterior (hindgut), no hipogástrio. Quando o processo inflamatório alcança o peritônio parietal, a dor migra e se localiza sobre a víscera: é a clássica migração periumbilical para fossa ilíaca direita da apendicite, que nada mais é que a transição de dor visceral (midgut) para dor parietal por irritação peritoneal localizada.
| Origem embrionária | Segmentos medulares | Localização da dor | Vísceras |
|---|---|---|---|
| Intestino anterior | T5 a T9 | Epigástrio | Estômago, duodeno proximal, fígado, vias biliares, pâncreas, baço |
| Intestino médio | T10 a T11 | Periumbilical | Duodeno distal, jejuno, íleo, ceco, apêndice, cólon direito e dois terços direitos do cólon transverso |
| Intestino posterior | T12 a L1 | Hipogástrio | Cólon esquerdo, sigmoide, reto, bexiga e órgãos genitais internos |
A irritação peritoneal difusa, seja por conteúdo intestinal (perfuração), bile, sangue ou exsudato purulento, ativa a inervação somática da parede, produzindo defesa (contratura involuntária), rigidez em tábuia e abdome silente à ausculta por íleo paralítico reflexo. Na isquemia mesentérica, a necrose inicial é mucosa e a dor é desproporcional ao exame físico (dor intensa com abdome macio), aparecendo sinais peritoneais apenas quando já há transmuralidade e infarto, momento em que a mortalidade explode: daí a regra de suspeitar precocemente em pacientes com dor intensa e fatores de risco (fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, doença aterosclerótica difusa, digoxina ou vasopressores).
A anamnese segue a estrutura OPQRST (onset, provocação/palição, qualidade, região e irradiação, severidade, tempo de evolução), somada a sintomas associados (febre, vômitos, parada de eliminação de gases e fezes, hematêmese, melena, sangramento vaginal) e a dados epidemiológicos (cirurgias prévias para aderências, medicação com anti-inflamatórios ou anticoagulantes, última menstruação e possibilidade de gestação em toda mulher em idade fértil, sem exceção). O exame físico começa pela inspeção geral: o paciente com peritonite permanece imóvel e prefere deitado com quadris fletidos; o paciente com cólica se agita e não acha posição. A ausculta precede a palpação, para não artefatar a motilidade.
| Sinal ou manobra | Como se faz | O que sugere |
|---|---|---|
| Ponto de McBurney | Palpação a um terço da linha entre espinha ilíaca anterossuperior direita e umbigo | Apendicite aguda |
| Blumberg (descompressão) | Compressão lenta seguida de descompressão brusca | Irritação peritoneal |
| Rovsing | Palpação na fossa ilíaca esquerda com dor referida à direita | Peritonite apendicular |
| Psoas | Extensão passiva da coxa direita contra resistência | Apendicite retrocecal |
| Obturador | Rotação interna passiva do fêmur flexionado | Apendicite pélvica |
| Murphy | Palpação do hipocôndrio direito durante inspiração profunda, com parada ventilatória (sensibilidade de cerca de 65% a 80% na colecistite) | Colecistite aguda |
| Carnett | Palpação com abdome contrário contraído: se a dor aumenta, a causa é da parede | Síndrome da parede abdominal, e não visceral |
| Kehr | Dor referida ao ombro esquerdo | Sangue subfrênico: rotura esplênica ou gestação ectópica rota |
| Boas | Hiperestesia cutânea infraescapular direita | Colecistite aguda |
Complete o exame com inspeção de cicatrizes, distensão, peristalse visível, escaras e equimoses (Grey Turner e Cullen na pancreatite hemorrágica), palpação de orifícios herniários em todos os pacientes com oclusão, toque retal (massa, dor, sangue, impacto fecal) e exame vaginal nas mulheres (dor à mobilização uterina e fundo-de-saco posterior bulhante na ectópica rota, dor à cervical na doença inflamatória pélvica). Sinais de alarme que antecipam a decisão operatória: instabilidade hemodinâmica com abdome distendido, rigidez difusa, taquicardia com hipotensão e oligúria.
Nenhum exame laboratorial isolado fecha diagnóstico de abdome agudo, mas vários alteram a probabilidade pré-teste e a conduta. Na apendicite, leucocitose com desvio à esquerda tem sensibilidade em torno de 80% e a proteína C reativa elevada adiciona valor quando combinada; leucograma normal não exclui apendicite. Na pancreatite, a lipase mais de três vezes o limite superior é critério com sensibilidade de 82% a 100% nas primeiras 24 a 48 horas e supera a amilase em especificidade. Lactato elevado e acidose metabólica com ânion gap aumentado aumentam a suspeita de isquemia mesentérica, embora lactato normal não a exclua em fase precoce. Beta-hCG é obrigatório em toda mulher em idade fértil. EAS orienta causas urológicas (hematúria na litíase) e a piúria estéril da apendicite pélvica.
O escore de Alvarado (MANTRELS) organiza a probabilidade clínica de apendicite e é o mais cobrado em prova.
| Exame | Primeira linha para | Desempenho e comentários |
|---|---|---|
| Ultrassom de abdome | Colecistite (hipocôndrio direito); apendicite em crianças, gestantes e mulheres jovens | Colecistite: sensibilidade de 80% a 90%; apendicite: sensibilidade de 80% a 90% e especificidade em torno de 90%; operador-dependente e limitado por meteorismo e obesidade |
| Tomografia com contraste | Apendicite em adultos; diverticulite; obstrução intestinal; suspeita de perfuração; trauma; idosos com dor atípica | Apendicite: sensibilidade de 95% a 98% e especificidade em torno de 95%; padrão-ouro imageológico no adulto não gestante; na isquemia mesentérica, a angiotomografia é o exame de escolha |
| Radiografia de tórax ortostático | Suspeita de perfuração de víscera ocas | Detecta pneumoperitônio sob as cúpulas em cerca de dois terços dos casos; ausência de ar livre jamais exclui perfuração |
| Ressonância magnética | Gestantes com dúvida persistente após ultrassom | Sensibilidade e especificidade maiores que 90% para apendicite, sem radiação ionizante |
| Localização da dor | Causas cirúrgicas | Causas clínicas e diferenciais |
|---|---|---|
| Hipocôndrio direito | Colecistite, colangite, úlcera duodenal perfurada | Hepatite viral, pneumonia do lobo inferior, infarto de parede inferior, síndrome de Fitz-Hugh-Curtis |
| Epigástrio | Úlcera péptica perfurada, pancreatite aguda, isquemia mesentérica | Infarto agudo do miocárdio inferior, gastrite, cetoacidose diabética |
| Periumbilical com migração para fossa ilíaca direita | Apendicite aguda | Adenite mesentérica, doença de Crohn, diverticulite de Meckel |
| Fossa ilíaca direita na mulher | Gestação ectópica rota, torsão anexial | Doença inflamatória pélvica, ruptura de cisto hemorrágico |
| Fossa ilíaca esquerda | Diverticulite sigmoidiana, neoplasia obstrutiva, vólvulo sigmoide | Colite isquêmica, retocolite ulcerativa, epididimite esquerda |
| Difusa | Peritonite, obstrução intestinal, isquemia mesentérica, aneurisma roto | Porfiria aguda intermitente, intoxicação por chumbo, crise falciforme, herpes zóster, febre tifoide |
As condutas a seguir seguem as diretrizes internacionais de referência: WSES 2020 para apendicite e úlcera péptica perfurada, Tokyo Guidelines 2018 para colecistite e colangite e classificação de Atlanta 2012 para pancreatite. Guarde os critérios formais: a colecistite aguda exige sinais de inflamação local (Murphy, dor ou massa em hipocôndrio direito) somados a sinais sistêmicos (febre, leucocitose ou proteína C reativa alta) e confirmação imageológica; a pancreatite aguda exige dois de três critérios (dor característica, lipase ou amilase maior que três vezes o limite superior, achados imageológicos compatíveis); a colangite aguda é a tríade de Charcot (febre com calafrios, icterícia e dor em hipocôndrio direito), que evolui para a pentade de Reynolds com hipotensão e confusão mental.
| Condição | Conduta | Esquemas e tempos-alvo |
|---|---|---|
| Apendicite não complicada | Apendicectomia videolaparoscópica (padrão de escolha); antibiótico isolado é alternativa discutida em casos selecionados, com aceitação de risco de recidiva | Profilaxia cirúrgica: cefazolina 2 g IV em dose única pré-operatória; tratamento clínico inicial, quando escolhido: esquema cobrindo bacilos gram-negativos e anaeróbios por 3 a 5 dias |
| Apendicite complicada (perfurada, abscesso, plastrão) | Cirurgia ou drenagem de abscesso conforme estabilidade; antibioticoterapia prolongada | Ceftriaxona 1 a 2 g IV ao dia mais metronidazol 500 mg IV de 8 em 8 horas por 3 a 5 dias após controle da fonte |
| Colecistite aguda grau I (leve) | Colecistectomia laparoscópica precoce | Idealmente nas primeiras 72 horas do início dos sintomas; antibiótico: ceftriaxona 1 a 2 g IV ao dia mais metronidazol 500 mg IV de 8 em 8 horas |
| Colecistite grau II (moderada) | Colecistectomia precoce em centros experientes; em alto risco, drenagem percutânea da vesícula | Grau II inclui leucocitose maior que 18.000, massa palpável, sintomas há mais de 72 horas ou inflamação local marcada (gangrena, enfisematosa, abscesso) |
| Colecistite grau III (grave) | Estabilização de disfunção de órgãos, antibiótico de largo espectro e controle da fonte (drenagem ou colecistectomia assim que possível) | Piperacilina-tazobactam 4,5 g IV de 6 em 6 horas ou carbapenêmico |
| Úlcera péptica perfurada | Cirurgia: rafia com omentoplastia (técnica de Graham) e lavagem da cavidade, por via aberta ou laparoscópica; conservadorismo excepcional em perfuração selada e estável | Omeprazol 80 mg IV em bolus seguido de infusão de 8 mg/h por 72 horas; erradicação de Helicobacter pylori após a fase aguda |
| Diverticulite de Hinchey I e II | Antibioticoterapia; drenagem percutânea de abscessos maiores que 3 a 4 cm | Ciprofloxacino 500 mg por via oral de 12 em 12 horas mais metronidazol 500 mg de 8 em 8 horas por 7 a 10 dias, ou amoxicilina com clavulanato 875/125 mg de 8 em 8 horas |
| Diverticulite de Hinchey III e IV | Ressecção com colostomia (Hartmann) ou ressecção com anastomose protegida, conforme estabilidade e experiência do serviço | Purulamento (III) e peritonite fecaloide (IV) exigem controle da fonte e esquema de largo espectro para sepse |
| Obstrução intestinal por aderências | Tratamento conservador (jejum, sonda nasogástrica, hidratação e correção eletrolítica) por 48 a 72 horas na oclusão parcial sem sinais de sofrimento | Cirurgia imediata se estrangulação, alça fechada, hérnia encarcerada irreductível ou peritonite; critérios de falha clínica: dor contínua, taquicardia, acidose, febre |
| Isquemia mesentérica aguda | Angiotomografia imediata; revascularização endovascular ou aberta somada à ressecção de alças necrosadas | Heparinização IV e antibiótico de largo espectro; mortalidade de 50% a 80%; cada hora de atraso reduz sobrevida intestinal |
| Aneurisma de aorta abdominal roto | Cirurgia imediata (endovascular quando anatomia e logística permitirem) | Hipotensão com dor abdominal ou lombar em paciente com aneurisma conhecido basta para indicar operação, sem aguardar imagem |
No idoso, a apresentação é tardia e atípica: febre baixa, leucocitose discreta e dor pouco localizada atrasam o diagnóstico, e causas vasculares e neoplásicas ganham frequência, com mortalidade sistematicamente maior. No imunossuprimido (quimioterapia, corticoide crônico, transplante), a inflamação peritoneal é atenuada e surgem causas peculiares, como a enterite neutropênica (tiflite), com risco de perfuração silenciosa. Na gestação, a apendicite é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum (aproximadamente 1 caso a cada 800 a 1.500 gestações); o útero gravídico desloca o apêndice para cima e para a direita, mas a fossa ilíaca direita continua sendo o local de dor mais frequente, sobretudo no primeiro e segundo trimestres; a ultrassonografia é o exame inicial e a ressonância é a sequência quando restar dúvida, evitando radiação. Na criança, vômitos biliosos no recém-nascido são emergência cirúrgica até prova contrária (malrotuação com vólvulo), e a intussuscepção no lactente se apresenta com crises de choro com flexão das pernas, sangramento retal em geléia de morango e alvo em ultrassom.
As complicações do abdome agudo decorrem do atraso na controle da fonte: sepse e disfunção de múltiplos órgãos, abscessos intra-abdominais, fístulas, evisceração e infecção de sítio cirúrgico. Na apendicite, o atraso maior que 36 a 72 horas aumenta a taxa de perfuração, que por sua vez multiplica a permanência hospitalar e a mortalidade, sobretudo em extremos de idade. Na úlcera perfurada, a escala de Boey (choque, doença grave associada, operação há mais de 72 horas) estratifica risco e orienta a escolha entre rafia simples e ressecção. Na pancreatite, a Atlanta 2012 classifica a severidade em leve (sem falência de órgão nem complicações locais), moderadamente grave (falência transitória ou complicação local) e grave (falência persistente de órgão), e define coleções agudas e necroses por tempo de evolução de 4 semanas.
Prognóstico global: a laparotomia negativa tem morbidade baixa e, em pacientes selecionados com alto risco de doença, pode ser preferível ao atraso; já a demora em operar uma peritonite ou uma isquemia tem custo alto e irreversível. Seguimento ambulatorial visa detectar abscesso residual, fístula e hérnia incisional, além de completar a erradicação de Helicobacter pylori e a colonoscopia após diverticulite não esclarecida em pacientes acima de 50 anos.
1.Homem de 22 anos com dor há 14 horas: iniciou periumbilical, difusa, e há 4 horas localizou-se na fossa ilíaca direita, com náusea e anorexia. Qual a sequência clássica e o mecanismo da migração da dor?
2.Sobre a relação temporal entre dor e vômitos no abdome agudo, qual assertiva é correta?
3.Paciente com dor intensa em fossa ilíaca direita, febre 39 graus, icterícia e confusão mental. Qual o conjunto diagnóstico e a conduta?
4.Segundo a classificação de Atlanta 2012, o diagnóstico de pancreatite aguda exige quantos e quais critérios?
5.Radiografia de tórax em ortostático sem pneumoperitônio em paciente com suspeita de úlcera péptica perfurada. Como interpretar?
6.Idoso com fibrilação atrial, dor abdominal intensa há 3 horas, abdome macio à palpação, lactato de 4,5 mmol/L. Qual a conduta imageológica imediata?
7.Qual é o significado do sinal de Kehr?
8.Paciente com escore de Alvarado 9. Qual a interpretação e a conduta mais adequada?
9.Na obstrução intestinal por aderências sem sinais de estrangulamento, qual é a conduta inicial clássica?
10.Sobre a colecistite aguda segundo os Tokyo Guidelines 2018, qual assertiva é correta?
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