Baseado nos artigos publicados da matéria Bases da Cirurgia da Central de Estudos (fonte principal) e nas diretrizes vigentes — ATLS 10ª ed. 2018, OMS/WHO SSI 2018, CDC 2017, ASRA LAST 2017, ESC/ACC-AHA perioperatório, CHEST 2012 e estudos de referência (CRASH-2, PROPPR, WOMAN), sempre com DOI. Resumo de estudo — na conduta real, confira sempre a versão vigente do protocolo.
01
Asepsia e antissepsia
limpeza · desinfecção · esterilização (métodos) · risco de ISC por classe de incisão · antissepsia da pele e do cirurgião · paramentação · antibioticoprofilaxia (receita)
ISC — definição CDC
≤ 30 dias
ou até 1 ano se houver implante
Cefazolina
≤ 60 min
antes da incisão (OMS: ≤ 120 min)
Antissepsia pele
clorexidina 2% alcoólica
preferida à PVPI (OMS)
Profilaxia
≤ 24 h
não prolongar após o ato
1. Conceitos que organizam tudo
Limpeza remove sujidade e reduz a carga microbiana (precede qualquer processamento). Desinfecção elimina a maioria dos microrganismos vegetativos, mas não necessariamente esporos — fala-se em desinfecção de nível baixo, intermediário e alto. Esterilização elimina TODAS as formas de vida microbiana, incluindo esporos. Asepsia é o conjunto de medidas que PREVINE a contaminação (campo estéril, técnica); antissepsia é a aplicação de anti-sépticos em tecido vivo. Infecção do sítio cirúrgico (ISC) é a infecção da incisão ou de estrutura manipulada, surgindo até 30 dias após a cirurgia — ou até 1 ano se houve implante de prótese/material.
Processo
O que faz
Exemplos
Limpeza
remove sujidade e reduz carga microbiana
água + detergente enzimático; ultrassom
Desinfecção de alto nível
elimina vegetativos e Mycobacterium, não garante esporos
glutaraldeído 2% por 20–45 min; ácido peracético
Esterilização
elimina todas as formas de vida, inclusive esporos
autoclave, óxido de etileno, vapor de peróxido de hidrogênio, radiação
2. Métodos de esterilização
Método
Condição típica
Uso / pegadinha
Vapor saturado (autoclave)
121 °C por 15–30 min ou 134 °C por 3–4 min
padrão-ouro para material crítico termorresistente; indicadores físico, químico e biológico
Óxido de etileno (gasoso)
ciclos de horas + aeração prolongada
materiais termossensíveis (ópticos, eletrônicos, plásticos); tóxico e carcinogênico
Glutaraldeído 2% (imersão)
desinfecção de alto nível em 20–45 min; esterilização por imersão prolongada (~10 h)
endoscópios; exige enxágue estéril e ventilação
Radiação ionizante / peróxido (plasma)
gama ou beta; vapor de H₂O₂
esterilização industrial (insumos descartáveis); peróxido para termossensíveis hospitalares
3. Do paciente ao campo: antissepsia em camadas
Banho pré-operatório no dia da cirurgia com sabão comum ou antisséptico (a OMS prefere clorexidina).
Tricotomia: SÓ se atrapalhar o campo — no próprio dia do ato, com máquina de cortar (clipadora). Lâmina e/ou véspera aumentam ISC.
Antissepsia da pele: clorexidina alcoólica 2% é a preferida (OMS, recomendação forte); alternativa é PVPI alcoólico 10%. Deixe SECAR (o álcool é o que mata rápido — e é inflamável no bisturi elétrico).
Aplicação de dentro para fora, sem retornar sobre a área limpa; delimitação do campo estéril com campos e adesivo incise.
Paramentação completa: gorro, máscara, avental estéril, luvas estéreis — dupla luva reduz o risco por perfuração e contaminação; trocar a luva externa entre etapas contaminadas.
Equipe: quem tem infecção de pele/respiratória não entra no campo; unhas curtas, sem esmalte, sem unhas artificiais, sem anéis (OMS).
4. Antissepsia cirúrgica das mãos (escovação)
A revisão Cochrane (Tanner, 2016) concluiu: a clorexidina provavelmente reduz ISC em comparação com PVPI, e a fricção com solução alcoólica é pelo menos equivalente à escovação tradicional — com vantagem de tempo e menor irritação. Unhas não se escovam (microlesões liberam flora).
5. Antibioticoprofilaxia cirúrgica
Questões do módulo · 01
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalPaciente será submetido a colecistectomia eletiva por videolaparoscopia. Sobre a antibioticoprofilaxia:
2.IntermediárioSobre a preparação do paciente e da equipe para uma cirurgia eletiva limpa com implante de prótese, assinale a conduta correta:
instrumental essencial (bisturi, pinças, afastadores) · fios absorvíveis × não absorvíveis · monofilamentado × trançado · calibres e agulhas · nós (quadrado, cirúrgico, escorregadio) · técnicas de fechamento e retirada de pontos
monofilamentado em tecido contaminado; trançado segura mais o nó
3. Calibres (USP) e agulhas
Escala USP é INVERSA: quanto maior o número de zeros, mais fino o fio — 0 > 2-0 > 3-0 > 4-0 > 5-0 > 6-0.
Pele/tronco e fáscia: 0 a 2-0; subcutâneo: 2-0 a 3-0; face e áreas estéticas: 4-0 a 5-0 (monofilamentar); microcirurgia/vascular: 6-0 ou mais fino.
Agulhas atraumáticas (fio encorpado na agulha) são o padrão; secção circular (corpo redondo) para tecidos delicados (intestino, músculo, parênquima) e corte para pele/tendão.
A agulha entra perpendicular ao tecido e segue a curvatura — força em ângulo quebra a agulha.
4. Nós: quadrado, cirúrgico e escorregadio
Nó
Como se faz
Segurança
Quadrado (ponto de sapateiro)
dois lançamentos com mãos cruzadas em sentidos opostos
o mais seguro para a maioria dos fios; base do fechamento
Cirúrgico (duplo no primeiro lance)
primeiro lance duplo + lançamento oposto
mais firme para fios lisos/monofilamentares e tecidos sob tensão
Escorregadio (slipping)
lançamentos no mesmo sentido
escorrega/destrava — nunca como nó definitivo em tecido
De instrumento
nó feito com o porta-agulhas
rápido para fios finos; exige lançamentos extras em monofilamentares
Estudos experimentais mostram que o nó quadrado supera os nós escorregadios em segurança mecânica e que lançamentos adicionais aumentam a segurança dos fios sintéticos — monofilamentares lisos exigem lançamentos extras para não destravar (van Rijssel, 1990; Romeo, 2018, em nós laparoscópicos).
5. Técnicas de fechamento
Padrão
Características
Quando
Simples separado (interrompido)
cada ponto independente; mais tempo, mais nós
pele sob tensão, tecido infectado (um ponto não compromete a linha)
Simples contínua (overlock)
rápida, distribui tensão uniformemente
peritônio, fáscia em tecido sadio; se ceder um ponto, cede a linha
Donati (mattress vertical com retorno)
everte e aproxima bordas com eversão controlada
pele espessa, bordas que tendem a afundar
Intradérmico (subcuticular contínuo)
monofilamentar absorvível dentro da derme; melhor resultado estético
face, cirurgias estéticas; dispensa retirada se absorvível
Montgomery / alavanca
ponto que alivia tensão
fechamentos sob tensão importante
Questões do módulo · 02
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalCirurgia em campo contaminado (apendicite perfurada) exige fechamento da parede. Qual fio tem a propriedade que reduz a colonização bacteriana no leito?
2.AvançadoDurante fechamento laparoscópico com fio monofilamentar sintético, o cirurgião pergunta qual combinação de nós oferece maior segurança. A resposta fundamentada é:
Anestésicos locais bloqueiam o canal de sódio voltagem-dependente por dentro do axônio, interrompendo a condução do potencial de ação. Estruturalmente, são ÉSTERES (procaína, cloroprocaína — hidrólise por pseudocolinesterase; maior risco de alergia pelo metabólito PABA) ou AMIDAS (lidocaína, mepivacaína, bupivacaína, ropivacaína — metabolismo hepático). Quatro propriedades organizam tudo: potência acompanha a lipossolubilidade; início de ação depende do pKa (quanto mais próximo do pH físico, maior a fração não ionizada e mais rápido o bloqueio); duração acompanha a ligação proteica e o fluxo sanguíneo local; e a toxicidade cardíaca cresce com a potência (bupivacaína é a mais cardiotóxica).
2. Doses máximas e cálculo na ponta do lápis
Fármaco
Dose máxima sem vasoconstritor
Com adrenalina
Latência / duração típica
Lidocaína
4,5 mg/kg
7 mg/kg
rápida (1–3 min) / 1–2 h (com adrenalina até 2–4 h)
Mepivacaína
5 mg/kg
7 mg/kg
rápida / intermediária
Bupivacaína
2,5 mg/kg
3 mg/kg
lenta (5–10 min) / 4–8 h ou mais
Ropivacaína
3 mg/kg
3 mg/kg
lenta / longa, menos cardiotóxica que a bupivacaína (enantiômero)
Na prática: lidocaína a 1% tem 10 mg/mL e a 2% tem 20 mg/mL. Homem de 70 kg com adrenalina tolera até 7 mg/kg × 70 = 490 mg ≈ 49 mL de solução a 1% (ou ~24 mL a 2%). Sempre aspirar antes de injetar, fracionar o volume e conversar com o paciente (sinais precoces de toxicidade).
3. Vasoconstritor e técnicas
Adrenalina 1:100.000 (10 mcg/mL) a 1:200.000 (5 mcg/mL): prolonga o efeito, reduz sangramento e PERMITE aumentar a dose máxima do anestésico.
Ensino clássico: evitar vasoconstritor em bloqueios de território terminal — dedo (Oberst), pênis, orelha — por risco de isquemia; evidência recente questiona a proibição com adrenalina diluída, mas a prova costuma cobrar o clássico.
Técnica infiltrativa: injeção intradérmica (pápula) e subcutânea progressiva em leque, aspirando a cada avanço.
Bloqueio de campo (infiltração linear das bordas): anestesia os ramos cutâneos que chegam à área.
Bloqueio digital (Oberst): anelar a base do dedo nos dois lados, sem vasoconstritor (ensino clássico).
Bloqueio intravenoso regional (BIER): garroteamento do membro + anestésico IV distal (lidocaína sem adrenalina); soltar o garrote de forma controlada.
Tópicos: EMLA (lidocaína 2,5% + prilocaína 2,5%) sob curativo oclusivo 30–60 min antes; gel LAT (lidocaína 4%, adrenalina 0,1%, tetracaína 0,5%) em feridas superficiais.
4. Toxicidade sistêmica do anestésico local (LAST)
A toxicidade sistêmica é dose-dependente e bifásica: primeiro o SISTEMA NERVOSO CENTRAL (perioral e língua formigando, zumbido, gosto metálico, agitação, visão turva, convulsão) e depois o CARDIOVASCULAR (arritmias, hipotensão, parada). A bupivacaína liga-se fortemente e demora a sair do canal de sódio cardíaco — é a mais cardiotóxica.
Fluxo da toxicidade sistêmica (LAST)
Paciente infiltrado com anestésico local apresenta parestesias periorais, agitação e depois convulsão/colapso. Conduta:
▼
PARAR + CHAMAR AJUDA
Interromper IMEDIATAMENTE a injeção; O₂ 100% e via aérea/perfusão (evitar hipoxia e acidose, que agravam a toxicidade).
Convulsão: benzodiazepínico; evitar propofol em dose alta em paciente instável.
EMULSÃO DE LIPÍDEO 20%
Bolus 1,5 mL/kg (massa magra) em ~2–3 min; repetir se necessário (intervalos de 3–5 min) até o limite de ~10 mL/kg na primeira meia hora.
Após o bolus: infusão 0,25 mL/kg/min até estabilidade, mantendo por ≥ 10 min depois da estabilização.
Parada/RCP: adrenalina em bolus PEQUENOS (≤ 1 mcg/kg); EVITAR vasopressina, betabloqueadores e antagonistas de cálcio.
PREVENIR (antes de tudo)
Aspirar antes de cada injeção, fracionar volumes, respeitar a dose máxima por peso, usar adrenalina diluída quando possível e testar a aspiração — as diretrizes ASRA resumem: dose certa, sítio certo, vigilância contínua e lipídeo à mão.
Questões do módulo · 03
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 70 kg, será submetido a sutura de ferida com lidocaína a 1% com adrenalina 1:200.000. Qual o volume máximo aproximado seguro para o infiltrado?
2.Prova difícilDurante bloqueio com bupivacaína a 0,5% para procedimento em membro, o paciente refere gosto metálico e zumbido, evolui com convulsão e queda da PA. Conduta imediata:
fases da cicatrização · 1ª, 2ª e 3ª intenção · fatores que atrasam · preparo do leito (TIMERS) · tipos de curativo por leito · pé diabético (IWGDF) · úlcera por pressão (EPUAP) · desbridamento
1. Fisiologia da cicatrização
Fase
Janela típica
O que acontece
Células-chave
Hemostasia e inflamação
dias 0 a ~4–7
coágulo, influxo de neutrófilos e macrófagos, limpeza, sinais inflamatórios fisiológicos
plaquetas, neutrófilo, macrófago
Proliferação
~dia 4 a 21
granulação (fibroblastos + colágeno III), neovascularização, contração por miofibroblastos, epitelização das bordas
fibroblasto, endotélio, queratinócito
Remodelação/maturação
3 semanas a 1 ano ou mais
colágeno III → I, organização e ganho de força — a ferida atinge no máximo ~80% da força original
fibroblasto, metaloproteinases
2. Tipos de fechamento (intenções)
Intenção
Definição
Exemplos
1ª (primária)
bordas aproximadas de imediato (sutura/adesivo/grampos)
hidrogel (hidrata o leito e favorece desbridamento autolítico)
se infectado/isquêmico, avaliar desbridamento cortante
Exsudato abundante
alginato de cálcio ou espuma
trocar quando saturar; exsudato em excesso macera a borda
Granulação limpa
hidrocoloide ou filme semitransparente
protege e mantém meio úmido
Carga microbiana alta / risco
curativo com prata ou iodopovidona (cadexômero)
uso tempo-limitado; não substitui desbridamento e sistemático
Epitelização de bordas
filme/película fina
proteção e observação
5. Desbridamento
Cortante (afiado/bisturi): o mais rápido — remove tecido necrótico até sangrar. No pé diabético com isquemia grave, desbridamento extenso agressivo aguarda avaliação/revascularização (IWGDF).
Autolítico: hidrogéis/curativos oclusivos deixam as enzimas endógenas digerir a necrose — mais lento, indolor.
Enzimático: colagenase/papaína — útil quando cortante é inviável (anticoagulados, dor).
Mecânico: gaze úmida-seca, jato de água — traumático, uso restrito.
Biológico (larvaterapia): larvas de mosca esterilizadas digerem necrose e reduzem carga bacteriana.
6. Feridas crônicas que caem na prova
Ferida
Pilares da conduta
Úlcera neuropática do pé diabético
descarga de pressão (bota de gesso com contato total / removível) + desbridamento + controle glicêmico; antibiótico SÓ se infectada (IWGDF/IDSA)
Úlcera neuroisquêmica
avaliar perfusão (índice tornozelo-braquial, doppler) antes de decidir desbridamento amplo; revascularização se indicada
Infecção do pé diabético (IWGDF/IDSA)
leve: celulite < 2 cm e só pele; moderada: > 2 cm ou mais profunda; grave: com sinais de SIRS — gravidade define hospitalização e via do antibiótico
Osteomielite adjacente
teste da sonda até o osso (probe-to-bone) + imagem; tratar conforme profundidade e perfusão
Úlcera por pressão
alívio de pressão (reposicionamento a cada 2 h, superfícies), manejo de umidade e nutrição; estágios 1–4 + lesão de tecido profundo e não estagiável
Questões do módulo · 04
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalFerida puntiforme contaminada por mordedura de cão, com bordas irregulares, atendida 2 horas após o trauma. Conduta de fechamento:
2.IntermediárioIdoso, diabético, com úlcera plantar no halux, leito com tecido de granulação, exsudato escasso, bordas planas, sem sinais de infecção, pé com pulsos presentes. Conduta com maior impacto na cicatrização:
fisiologia (primária, secundária, modelo celular) · avaliação pré-operatória do risco · leitura de TAP/TTPa/plaquetas (diferencial) · métodos físicos, térmicos e hemostáticos locais · hemorragia maciça e transfusão (CRASH-2, PROPPR, WOMAN)
Ácido tranexâmico
≤ 3 h
CRASH-2: 1 g IV + 1 g em 8 h
Fibrinogênio alvo
> 1,5 g/L
na transfusão maciça (diretriz europeia)
PAS no sangramento
80–90 mmHg
hipotensão permissiva até o controle
Plaquetas alvo
> 50 × 10⁹/L
na hemorragia maciça ativa
1. Fisiologia em duas etapas (e o modelo celular)
Hemostasia primária forma o tampão plaquetário: vasoconstrição reflexa, adesão de plaquetas ao colágeno via fator de von Willebrand (GPIb), ativação (ADP, tromboxano A2) e agregação por fibrinogênio ligando GPIIb/IIIa. Hemostasia secundária solidifica o tampão: via extrínseca (fator tecidual + VII) inicia, via intrínseca (XII–XI–IX–VIII) amplifica e a via comum (X → protrombina II → fibrina I → XIII estabiliza) completa. O modelo celular de Hoffman e Monroe (2001) traduz a cascata para superfícies: iniciação na célula expressando fator tecular, amplificação nas plaquetas ativadas e propagação na superfície plaquetária — é o modelo que explica por que a cascata em tubo não reproduz o corpo inteiro.
Exame
O que avalia
Distorções típicas
Plaquetas
número (hemostasia primária)
contagem normal não garante função (antiagregantes, urêmia)
TAP/INR
via extrínseca e comum (VII, X, II, I)
warfarina, doença hepática, deficiência de vitamina K
TTPa
via intrínseca (VIII, IX, XI, XII)
heparina, hemofilias, deficiência isolada de XII (sem sangramento)
Fibrinogênio
substrato final + reagente de fase aguda
cai na coagulopatia de consumo e na perda maciça
D-dímero
fibrinólise (degradação da fibrina reticulada)
sobe em trombose, CIVD, cirurgia, gestação — marcador de fibrina reticulada
2. Avaliação do risco hemorrágico pré-operatório
História dirigida vale mais que tela laboratorial de rotina: sangramento prévio com cirurgia/dentário (retardado, recidivante), epistaxe/gengival de repetição, equimoses sem trauma, menorragia, história familiar.
Medicações que mudam a conduta: antiagregantes, anticoagulantes (varfarina, DOAC), AINEs, fitoterápicos (ginkgo).
Triagem laboratorial de rotina em paciente sem história e cirurgia de baixo risco não é recomendada — pede-se quando a história sugere distúrbio ou a cirurgia é de alto risco.
Doenças que a prova cobra: hemofilia A (VIII) e B (IX) — TTPa alto com TAP normal; doença de von Willebrand — o mais comum dos distúrbios hereditários (TTPa alto + plaquetas normais); trombocitopenias; hepatopatia (TAP alto primeiro, por deficiência de VII de meia-vida curta).
3. Leitura combinada dos exames (diferencial laboratorial)
Achado
Pense em
TAP alto isolado
deficiência de VII / vitamina K / início de hepatopatia / warfarina
TTPa alto isolado
heparina, hemofilia, von Willebrand, anticoagulante lúpico (sem sangramento)
TAP e TTPa altos + plaquetas baixas + D-dímero alto
CIVD — consumo (sepse, trauma, retenção de feto morto, entre outras)
TAP e TTPa altos + plaquetas normais
hepatopatia avançada, deficiência de vitamina K, diluição por transfusão maciça
Plaquetas baixas isoladas
PTI, drogas, dengue, hiperesplenismo — investigar causa da trombocitopenia
compressão direta é a primeira manobra de qualquer sangramento externo
Térmico
eletrocautério (mono/bipolar), argon plasma
bipolar em estruturas delicadas; queimadura lateral é a complicação
Químico/hemostático local
colágeno, celulose oxidada, esponja de gelatina, trombina, cera óssea, adesivos de fibrina/cianoacrilato
adjunto — não substitui ligadura de vaso calibroso
Farmacológico sistêmico
ácido tranexâmico (antifibrinolítico), concentrados de fatores, reversão de anticoagulantes
ver módulo de hemorragia maciça
5. Hemorragia maciça: transfusão e antifibrinolítico
Fluxo da hemorragia maciça no trauma
Politraumatizado em choque hemorrágico — como organizar a ressuscitação?
▼
CONTROLAR O SANGRAMENTO
Compressão direta/torniquete de membro; packing; controle cirúrgico/angiográfico precoce (damage control).
Hipotensão permissiva: PAS ~80–90 mmHg até o controle definitivo em sangramento não compressível (não aplicar ao trauma craniencefálico).
RESSUSCITAR COM SANGUE, NÃO CRISTALOIDE
Ativar protocolo de transfusão maciça: plasma : plaquetas : hemácias em proporções próximas de 1:1:1 até o controle (PROPPR: 1:1:1 obteve mais hemostasia e menos morte por exanguinação em 24 h que 1:1:2).
Ácido tranexâmico 1 g IV em ~10 min + 1 g em infusão de 8 h, até 3 h da lesão (CRASH-2: reduz mortalidade; após 3 h o benefício desaparece e pode haver dano).
No trauma craniencefálico moderado-grave, o ATLS 10ª ed. também indica TXA; hemorragia pós-parto usa 1 g IV precoce (WOMAN).
Questões do módulo · 05
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente em uso de heparina venosa contínua apresenta sangramento e os seguintes exames: plaquetas 180 × 10⁹/L, TAP 1,2 (normal), TTPa 90 s (alto). Interpretação:
2.AvançadoHomem, 25 anos, atropelado há 40 minutos, chega com PAS 70 mmHg, abdome distendido, FAST positivo. Acesso vascular e hemoderivados disponíveis. Conduta de ressuscitação:
punção periférica e calibres · flebite e complicações · acesso central (sítios, prevenção, complicações) · intraóssea e PICC · drenagem torácica (triângulo de segurança, sistema de três frascos, retirada) · drenos abdominais
1. Punção periférica (escalpe e cateter curto)
Calibre (G)
Uso típico
14–16
reposição volêmica rápida e transfusão em trauma/choque (maior fluxo)
18–20
cirurgias e pacientes clínicos estáveis, contraste
22–24
recém-nascidos, lactentes, veias frágeis de idosos
Regras que valem ponto: a escala é inversa (quanto maior o número, menor o calibre e o fluxo); puncionar o mais distal possível no membro não dominado, evitando articulações e membros com fístula/mastectomia; nas punções de emergência em choque, dois acessos calibrosos valem mais que um central demorado. A troca sistemática do cateter periférico por tempo fixo não é mais o padrão — mantém-se o acesso enquanto estiver funcionando, sem sinais de flebite ou infiltração (padrões de infusão vigentes).
2. Complicações do acesso periférico
Flebite (dor, rubor, calor e cordão venoso ao longo da veia) e infiltração/extravasamento — conduta: retirar o cateter, elevar o membro, compressa aquecida; extravasamento de vesicante exige protocolo específico.
Hematoma (compressão insuficiente) e falha de punção arterial.
Infecção de sítio de inserção — não é a complicação típica do periférico curto; a diferença para a infecção de corrente do central é cobrada.
3. Cateter central (CVC): indicações, sítios e prevenção
subclávia (menor taxa de infecção e trombose; risco de pneumotórax), jugular interna (acesso ecoguiado fácil; risco menor de pneumotórax), femoral (acesso de emergência/RCP; mais infecção e trombose)
Complicações mecânicas
pneumotórax, punção arterial, hematoma, arritmia (fio-guia), malposição, retenção de fio-guia
Complicações tardias
infecção de corrente (CRBSI), trombose venosa
Confirmação
radiografia de tórax — ponta na junção cavoatrial
4. Intraóssea e acessos de longa permanência
Intraóssea (IO): via de emergência quando o acesso venoso falha — metáfise proximal da tíbia e úmero são os sítios clássicos; administra qualquer fármaco ou fluido, com absorção rápida; dor na infusão é a limitação no consciente.
PICC: cateter central inserido por veia periférica — antibioticoterapia prolongada e nutrição parenteral em pacientes estáveis; exige radiografia de confirmação.
Port-a-cath / cateter de tunelização (Hickman): quimioterapia e tratamentos de longa duração.
5. Drenagem torácica (dreno de tórax)
Fluxo do dreno de tórax
Paciente com trauma torácico: quando drenar e quando operar?
▼
PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO
Descompressão imediata com agulha (2º EIC, linha hemiclavicular) seguida de dreno — a agulha é ponte, o dreno é o tratamento.
PNEUMOTÓRAX SIMPLES / HEMOTÓRAX
Dreno no triângulo de segurança: borda lateral do peitoral maior, borda anterior do latíssimo do dorso e abaixo da axila — 4º/5º EIC, linha axilar anterior/média.
Pneumotórax grande ou em ventilação mecânica, hemotórax e hemopneumotórax: indicação formal (21–28 Fr para ar; 28–32 Fr para sangue).
DÉBITO MASSIVO
Saída imediata > 1500 mL de sangue ou > 200 mL/h mantidos por 2–4 h: indicação de toracotomia para controle da hemorragia.
Sistema de drenagem de três frascos: coletor (débito), selo d'água (a oscilação com a respiração confirma permeabilidade) e frasco de aspiração regulada (típico −20 cmH₂O).
Vazamento aéreo contínuo (borbulha no selo) sugere lesão de via aérea/parenquimatosa — nunca clampear o dreno nessa situação.
Retirada: pulmão expandido na radiografia, sem vazamento aéreo e débito seroso < 100–200 mL/24 h — retirada em expiração/manobra de Valsalva com sutura em bolsa.
BTS 2023: antibiótico profilático é indicado no dreno de tórax por trauma; analgesia sistêmica e local é parte do cuidado.
6. Drenos abdominais
Tipo
Mecanismo
Uso
Penrose / laminar (passivo)
drenagem por gravidade/capilaridade
drenagem superficial, biloma/coleções de baixo débito
Fechado com sucção suave (Jackson-Pratt)
aspiração contínua suave através de bulbo
coleções pós-operatórias, seroma, profilaxia em leitos de risco
Sump / sump-dreno (ativo duplo lúmen)
aspiração com entrada de ar
drenagem gástrica/enteral, coleções grandes
Tubo em T (Kehr)
dreno em T dentro da via biliar
coledocotomia — explorar a via biliar
Princípios: o dreno é vigilância e drenagem — não substitui hemostasia adequada nem correção da fonte; deve ficar em posição dependente, com curativo oclusivo no óstio e retirada progressiva conforme débito. O uso profilático rotineiro após cirurgias abdominais limpas foi abandonado (ERAS) — indicações atuais são coleções, abscessos, risco de fuga anastomótica e via biliar aberta. Complicações: infecção ascendente, erosão de víscera/vaso, retirada acidental e hérnia no óstio.
Questões do módulo · 06
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioPaciente com sepse por cateter precisa de novo acesso central após retirada do anterior por suspeita de infecção. Sobre a troca por fio-guia e a prevenção da nova inserção:
2.FundamentalJovem com ferimento torácico penetrate chega com dispneia, ausência de murmúrio à direita e hipotensão; após descompressão com agulha, instala-se o dreno. Sobre o sítio e a técnica:
avaliação primária ABCDE e X · ameaças à vida por letra · pneumotórax hipertensivo, aberto e flail · hemotórax maciço · choque hemorrágico · avaliação secundária (AMPLE) e terciária · tríade letal
GCS ≤ 8
VIAS AÉREAS
proteger/intubar com coluna imobilizada
Descompressão
agulha 2º EIC
pneumotórax hipertensivo → depois dreno
Toracotomia
> 1500 mL
ou > 200 mL/h por 2–4 h no dreno
Trauma na gestante
inclinar 15–30° à esquerda
descomprimir a veia cava
ABCDE do trauma
Avaliação primária — o que procurar e fazer em cada letra
▼
A — VIA AÉREA + PROTEÇÃO DA COLUNA CERVICAL
Verificar permeabilidade (fala, estridor, corpo estranho, sangue, edema, queimadura inalatória) antes de qualquer coisa.
GCS ≤ 8, incapacidade de proteger a via aérea, hipoxemia refratária, queimadura de via aérea: via aérea DEFINITIVA (intubação com sequência rápida e imobilização manual em linha).
Falha de via aérea acima das cordas: via aérea cirúrgica (cricotireoidotomia) — não gastar minutos repetindo tentativas.
B — VENTILAÇÃO
Expor o tórax: murmúrio vesicular simétrico? expansão? ferimentos, enfisema subcutâneo.
Pneumotórax hipertensivo: descompressão por agulha + dreno. Pneumotórax aberto: cobertura oclusiva com três bordas fixadas + dreno. Hemotórax maciço: dreno calibroso e reposição com sangue. Tórax instável (flail): oxigênio, analgesia e ventilação conforme necessário.
C — CIRCULAÇÃO COM CONTROLE DE HEMORRAGIA
Compressão direta/torniquete no sangramento externo; dois acessos calibrosos; avaliar perfusão (PA, FC, enchimento capilar, nível de consciência).
Choque hemorrágico: transfusão em proporção balanceada + TXA até 3 h; hipotensão permissiva 80–90 mmHg até o controle (módulo de hemostasia).
D — NEUROLÓGICO
GCS (abertura ocular, verbal, motora), pupilas (simetria e reatividade), lateralização, nível sensório-motor.
Reavaliar após corrigir A, B e C — hipoxemia e hipotensão mimam e agravam lesão cerebral.
Beck (hipotensão + turgência + abafamento), pulsus paradoxus, FAST positivo
pericardiocentese como ponte em paciente em decomposição; cirurgia
3. Avaliação secundária e terciária
AMPLE: Alergias, Medicações, Passado patológico/fisiológico, Last meal (última refeição), Environment/Eventos relacionados ao trauma.
Exame cefalocaudal completo com log roll (exame do dorso), revisão de orifícios, imobilização de fraturas e cobertura antibiótica/vacinal quando indicada (ferimento aberto, mordedura).
Avaliação terciária (nas primeiras 24 h): reexame completo — é a que detecta lesões inicialmente silenciosas; instabilidade nova = voltar à primária (ABCDE).
Trauma na gestante: deslocamento uterino à esquerda (15–30°), monitorização fetal precoce e limiar baixo para exames de imagem — a mãe estabilizada é o melhor tratamento do feto.
Questões do módulo · 07
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.FundamentalMotociclista chega ao pronto-socorro com dispneia importante, ausência de murmúrio vesicular à direita, timpanismo, desvio de traqueia à esquerda e PAS 70 mmHg. Conduta imediata:
2.AvançadoHomem, 30 anos, ferimento por projétil no tórax esquerdo, chega consciente (GCS 15), PA 88/50, FC 120, com ferimento sugadouro na região anterior do tórax. Melhor sequência de conduta:
Objetivo: estratificar risco e otimizar — não empilhar exames. História e exame físico direcionam: jovem saudável para cirurgia de baixo risco não precisa de rotina laboratorial; exames são pedidos quando a história, o exame ou a magnitude da cirurgia justificarem. Avaliação cardíaca segue o ACC/AHA 2014: cirurgia de emergência vai direto ao centro cirúrgico; nos demais casos, estima-se o risco pelo índice de Lee (RCRI) e investiga-se apenas quem tem condição ativa (angina instável, IAM recente, IC descompensada, arritmia significativa, valvopatia grave).
RCRI (Lee) — fator
Pontos
Cirurgia de alto risco (intraperitoneal, intratorácica ou vascular suprainguinal)
1
Doença arterial coronariana (história de IAM, angina, teste positivo)
1
Insuficiência cardíaca congestiva
1
Doença cerebrovascular (AVC/AIT)
1
Diabetes melito em uso de insulina
1
Creatinina > 2 mg/dL
1
Taxas de evento cardíaco maior no estudo original (validação): classe I (0 fator) ≈ 0,5%; classe II (1) ≈ 1,3%; classe III (2) ≈ 3,6%; classe IV (≥ 3) ≈ 9,1%. Quanto mais fatores, mais investigação e otimização — e mais discussão sobre o benefício real da cirurgia.
2. Jejum e preparo (ASA 2017 / ERAS)
Ingestão
Jejum mínimo
Líquidos claros (água, chá, café sem leite, suco sem polpa)
2 h
Leite materno
4 h
Fórmula infantil / leite não humano / refeição leve
6 h
Refeição com frituras, gordura ou carne
8 h
O protocolo ERAS inverte a lógica do jejum longo: bebida carboidratada até 2 h antes em cirurgias eletivas reduz sede, fome e resistência insulínica; deambulação e alimentação precoces, ausência de sonda nasogástrica e de drenos rotineiros, fluidos guiados a metas e analgesia multimodal compõem o pacote que reduz internação e complicações.
3. Medicações no perioperatório
Betabloqueador: CONTINUAR quem já usa; NÃO iniciar no dia da cirurgia (início imediato aumenta eventos — ACC/AHA 2014).
Estatina: manter (especialmente vascular).
AAS: suspender em geral 7 dias antes na maioria das cirurgias eletivas não cardíacas com sangramento relevante — exceto portadores de stent recente ou indicação mantenedora (discussão caso a caso).
Anticoagulantes: pausa programada de varfarina/DOAC conforme risco trombótico; bridging com heparina apenas em alto risco trombótico.
Antidiabéticos: metformina suspensa no dia (diretrizes variam em torno de 24–48 h para exames com contraste); insulina basal reduzida, nunca suspensa totalmente no diabetes tipo 1.
Corticosteroide crônico: cobrir estresse cirúrgico (dose de estresse) para evitar insuficiência adrenal.
4. Profilaxias que salvam
5. Checklist de segurança cirúrgica (OMS)
A lista da OMS em três tempos — sign in (antes da anestesia: identidade, sítio, procedimento, consentimento, jejum, oxímetro, alergias), time out (antes da incisão: equipe se apresenta, antibiótico, imagens) e sign out (antes de sair da sala: contagem de instrumentais/compressas, amostras, plano pós-op) — reduziu mortalidade de 1,5% para 0,8% e complicações de 11% para 7% no estudo de implantação (Haynes, NEJM 2009). Contagem divergente = repetir a busca antes de fechar: instrumento/compressa retida é evento nunca.
6. Pós-operatório: vigilância por complicação
Problema
Reconhecer
Conduta inicial
Dor
escala numérica; dor desproporcional = complicação até prova contrária
analgesia multimodal (dipirona/AINE + opioide reservado); escalonar se padrão muda
NVPO
náuseas/vômitos nas primeiras 24 h
ondansetrona 4–8 mg IV ± droperidol; dexametasona como adjuvante profilático
Febre nas primeiras 48 h
causa mais comum: atelectasia (ensino clássico); avaliar também medicamentosa
estimular deambulação e fisioterapia; não antibiótico sem foco
Íleo/fuga anastomótica
distensão, vômitos, ausência de ruídos; fuga tipicamente dias 5–7: febre + dor + leucocitose
jejum, sondagem se distensão importante, imagem/drenagem de coleção; fuga clínica instável = reoperar
Retenção urinária
globo vesical pós-anestesia/opioides
sondagem de alívio única e reavaliar
TEP
dispneia/taquicardia após o 4º–5º dia, dor em panturrilha
investigar TEP; rever profilaxia
Hemorragia vs. choque séptico
dreno com sangue vivo, queda do Hb, taquicardia, hipotensão
reoperação se sangramento ativo; cultura e reposição se séptico
6b. Complicações pulmonares pós-operatórias: prevenir em três frentes
Quem está em risco: cirurgia torácica/abdominal alta, tabagismo, DPOC/asma, obesidade, idade avançada, anemia e imobilidade — as complicações pulmonares (atelectasia, pneumonia, broncoespasmo, falência respiratória) são a maior causa de morbidade pós-operatória majoritariamente EVITÁVEL.
PRÉ: cessação do tabagismo (idealmente ≥ 4–8 semanas, mas TODO tempo ajuda), otimização da doença pulmonar (inaladores, reabilitação) e triagem de apneia do sono no obeso.
INTRA: ventilação protetora — volume corrente BAIXO (6–8 mL/kg do PESO IDEAL, nunca do real) + PEEP 5–8 cmH₂O ± manobras de recrutamento; é a intervenção intraoperatória com melhor evidência para reduzir PPC.
PÓS PRECOCE: deambulação no 1º dia, fisioterapia respiratória PROFILÁTICA (espirometria incentivada, respiração diafragmática, tosse efetiva, ciclagem) — reduz complicações pulmonares em até ~50%; analgesia adequada (multimodal, incluindo neuraxial no abdome alto) para permitir respirar e tossir sem medo; controlar náusea para não travar a tosse.
Estabelecida: tratar a causa (pneumonia → cultura + antibiótico; atelectasia segmentar persistente → fisioterapia intensificada ± broncoscopia); falência → suporte ventilatório escalonado.
Questões do módulo · 08
2 questões · níveis misturados · 5 alternativas
1.IntermediárioHomem, 72 anos, com HAS controlada, DM2 em uso de insulina, creatinina 2,3 mg/dL e AVC isquêmico há 2 anos, candidato a colectomia eletiva. Quantos pontos tem no RCRI e qual a implicação?
2.Prova difícilTerceiro dia pós-operatório de gastroplastia, paciente com febre 38,5 °C, dor abdominal difusa que aumentou, taquicardia e leucocitose com desvio. O dreno saiu com conteúdo entérico. Conduta:
curativo do pneumotórax aberto fixa 3 bordas; nó seguro é o quadrado; agulha-segura no bordo superior da costela.
As pegadinhas mais cobradas
Antibiótico profilático vale ANTES da incisão — depois do corte ou por dias é erro, não proteção.
Tricotomia com lâmina na véspera aumenta ISC; se necessária, é no dia com clipadora.
Monofilamentado não é sinônimo de absorvível (nylon e polipropileno são monofilamentares não absorvíveis).
Adrenalina AUMENTA a dose máxima do anestésico local (lidocaína 4,5 → 7 mg/kg).
Anestésico local falha em abscesso por acidose local (ionização), não por resistência.
Antibiótico não cicatriza ferida crônica não infectada — desbridamento, descarga e curativo certo.
Excesso de cristaloide no choque hemorrágico dilui fatores e agrava a tríade letal.
Pneumotórax hipertensivo: tratar SEM radiografia; e a agulha é só a ponte para o dreno.
Dreno de tórax borbulhando nunca se clampeia — clampeamento converte em hipertensivo.
Trocar CVC por fio-guia em sítio com suspeita de infecção contamina o novo cateter.
Idade e hipertensão NÃO pontuam no RCRI.
Betabloqueador não se inicia no perioperatório imediato — apenas se mantém quem já usa.
Febre nas primeiras 48 h pós-op: atelectasia é a resposta clássica, não antibiótico empírico.
Informações que não podem ser esquecidas
Toda profilaxia antimicrobiana: fármaco certo, dose por peso, horário da incisão, suspensão em 24 h.
Todo cálculo de anestésico local: peso × limite (com/sem adrenalina) ÷ concentração em mg/mL — antes de preparar a seringa.
Toda LAST: parar, oxigenar, benzodiazepínico se convulsão, lipídeo 20% e adrenalina só em bolus pequenos.
Toda ferida que não cicatriza em 4–6 semanas: repensar causa (isquemia, osteomielite, neoplasia, causa sistêmica).
Todo choque hemorrágico: sangue balanceado (1:1:1), TXA dentro de 3 h, aquecer e controlar o foco.
Todo dreno de tórax: triângulo de segurança, selo d'água oscilando, retirada com pulmão expandido e débito baixo.
Todo trauma que descompensa: voltar ao A da primária, não avançar a investigação.
Todo pós-operatório com febre depois do 3º dia: procurar foco (ferida, urina, abdome, TEP) — não tratar atelectasia.
Quadro-síntese: diagnóstico pela palavra-chave
Se a questão diz…
Pense em…
Febre no 5º dia pós-operatório com saída de conteúdo entérico pelo dreno
Fuga anastomótica
Paciente infiltrado com anestésico que refere gosto metálico e zumbido
Toxicidade sistêmica (LAST) — parar e preparar lipídeo
Ferida plantar no diabético com calo e redução da sensibilidade
Úlcera neuropática — descarga de pressão é o pilar
TTPa alto isolado em uso de heparina
Efeito esperado do anticoagulante, não CIVD
Trauma + hipotensão + pele quente e seca com bradicardia
Choque neurogênico (após excluir sangramento)
Politraumatizado com PAS 70 e FAST positivo
Choque hemorrágico — sala de operação, não tomografia
Débito entérico pelo dreno no 5º dia pós-anastomose
Fuga anastomótica
Febris nas primeiras 24–48 h pós-op, sem outro foco
Atelectasia (resposta clássica de prova)
Borbulha contínua no selo d'água
Fístula aérea — jamais clampear o dreno
Incisão limpa com implante de prótese
Profilaxia antimicrobiana indicada em dose única pré-incisão
Prova final — bateria geral
8 questões cobrindo todos os módulos proporcionalmente + gabarito
1.IntermediárioCirurgia ortopédica eletiva com implante de prótese em paciente alérgico a penicilina (urticária prévia a amoxicilina). Esquema profilático e horário:
2.FundamentalFechamento de pele de face após trauma limpo em jovem. Melhor padrão de sutura e momento de retirada:
3.AvançadoMulher, 60 kg, submetida a bloqueio de campo com bupivacaína a 0,5% SEM adrenalina para reparo de hérnia. Qual o volume máximo seguro?
4.IntermediárioÚlcera venosa de perna com exsudato abundante e leito de granulação. Curativo mais apropriado:
5.Prova difícilPaciente evolui no pós-operatório com sangramento difuso de cateteres, plaquetas 60 × 10⁹/L, TAP INR 2,0, TTPa 90 s, fibrinogênio 90 mg/dL e D-dímero muito elevado. Diagnóstico e conduta:
6.FundamentalSobre a escala de calibres de cateteres periféricos e a escolha no politraumatizado em choque:
7.IntermediárioVítima de acidente motociclístico chega com GCS 6, resposta motora em flexão, pupilas isocóricas reativas, PA 128/72, SpO₂ 96% com cateter nasal. Conduta sobre a via aérea:
8.AvançadoHomem, 68 anos, hipertenso, DM2 não insulino, sem doença coronariana conhecida, creatinina 1,0 mg/dL, programado para herniorrafia inguinal eletiva com anestesia local. Jejum e avaliação adicionais:
Gabarito rápido
1-B · 2-B · 3-A · 4-B · 5-B · 6-B · 7-B · 8-B
Referencial teórico
29 fontes reais · DOI verificado
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notaResumo didático elaborado a partir das diretrizes e revisões acima (verificáveis pelo DOI) e dos artigos publicados desta matéria na Central de Estudos (fonte principal). Nenhuma referência inventada; em caso de divergência entre fontes, vale a versão vigente do protocolo oficial — confira sempre antes da conduta real.
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