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Revisão completa de cistite, pielonefrite, bacteriúria assintomática e prostatites (classificação NIH): epidemiologia, fisiopatologia, limiares de urocultura, esquemas com doses e durações segundo EAU/IDSA/NICE, profilaxia das ITUs recorrentes e complicações. Inclui tabelas comparativas, PICO sobre cranberry, 10 questões e flashcards.
[1] Bonkat G, Bartoletti R, Bruyère F, et al. EAU Guidelines on Urological Infections. European Association of Urology; 2024 · https://uroweb.org/guidelines/urological-infections | [2] Gupta K, Hooton TM, Naber KG, et al. International clinical practice guidelines for the treatment of acute uncomplicated cystitis and pyelonephritis in women: a 2010 update by the IDSA and the ESCMID. Clin Infect Dis. 2011;52(5):e103-e120 · DOI 10.1093/cid/ciq257 | [3] Nickel JC, Nyberg LM, Hennenfent M. Research guidelines for chronic prostatitis: consensus report from the first National Institutes of Health International Prostatitis Collaborative Network. Urology. 1999;54(2):229-233 · DOI 10.1016/S0090-4295(99)00205-8 | [4] Williams G, et al. Cranberries for preventing urinary tract infections. Cochrane Database Syst Rev. 2023;11:CD001321 · DOI 10.1002/14651858.CD001321.pub7 | [5] NICE. Urinary tract infection (lower): antimicrobial prescribing. NICE guideline NG109; 2018 · https://www.nice.org.uk/guidance/ng109 · DOI 10.1093/cid/ciq257
As infecções do trato urinário estão entre as infecções bacterianas mais comuns da prática médica: cerca de 50 a 60% das mulheres terão pelo menos um episódio ao longo da vida e 20 a 30% apresentarão recorrência já nos primeiros meses após o tratamento. Somam-se a isso a pielonefrite, principal causa de sepse de origem urinária em idosos, e as prostatites, responsáveis por até 25% das queixas urológicas em homens jovens e de meia-idade. O tema concentra erros frequentes de prescrição: tratar bacteriúria assintomática de idosos e sondados, indicar quinolonas de longa duração para cistites simples, esquecer que ITU em homem jovem é, por definição, complicada e exige imagem, e massagear a próstata de um paciente com prostatite aguda. Este artigo percorre a fisiopatologia, os limiares de urocultura, os esquemas com doses e durações das diretrizes EAU, IDSA e NICE e a classificação NIH das prostatites.
A ITU classifica-se por topografia em infecção de vias baixas (cistite, uretrite) e altas (pielonefrite, abscesso renal e perinefrético), e por presença de fatores que mudam prognóstico e conduta em não complicada e complicada. Considera-se complicada toda ITU associada a fatores urológicos ou não urológicos: obstrução ou cálculo, sonda vesical ou instrumentação, gravidez, sexo masculino, diabetes mal controlado, imunossupressão, transplante renal, insuficiência renal e germe resistente. Três entidades merecem definição formal: bacteriúria assintomática (cultura positiva em paciente sem sintomas urinários), ITU recorrente (dois episódios em seis meses ou três em doze meses) e prostatite, que não é uma doença única, mas quatro síndromes distintas conforme a classificação do National Institute of Health (NIH), estabelecida em 1999.
| Categoria NIH | Nome | Definição essencial | Conduta central |
|---|---|---|---|
| I | Prostatite bacteriana aguda | Infecção aguda da próstata com febre, dor perineal e bacteriúria | Antimicrobiano parenteral ou oral por 2 a 4 semanas; drenar abscesso se formar |
| II | Prostatite bacteriana crônica | Infecção recorrente pelo mesmo germe com períodos assintomáticos | Antimicrobiano por 4 a 6 semanas com boa penetração prostática |
| III | Síndrome de dor pélvica crônica (CP/CPPS) | Dor pélvica ou perineal por mais de 3 meses sem cultura positiva; subdividida em IIIA inflamatória (leucócitos no secreto prostático) e IIIB não inflamatória | Alfa-bloqueador, anti-inflamatório e medidas não farmacológicas; antibiótico só como teste curto |
| IV | Prostatite assintomática inflamatória | Achado incidental de inflamação na biópsia, no líquido seminal ou elevação de PSA sem sintomas | Não tratar, exceto eventual uso de anti-inflamatório na elevação de PSA |
A ITU é muito mais frequente em mulheres (relação de aproximadamente 8 para 1) pelo uretra curta, proximidade do ânus e colonização vaginal. O pico de cistite ocorre entre 18 e 40 anos, fortemente associado à atividade sexual; após os 60 anos a incidência em homens sobe pela hiperplasia prostática e instrumentação. E. coli causa 70 a 95% dos episódios não complicados, seguida por Staphylococcus saprophyticus (5 a 15% em mulheres jovens sexualmente ativas, com pico no final do verão), Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis (associado a cálculos de estruvita por produzir urease). Em ITUs complicadas e nosocomiais ganham espaço Enterococcus, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacterales produtores de beta-lactamases de espectro estendido. Na gestação, a bacteriúria assintomática acomete 2 a 10% das gestantes e, se não tratada, evolui para pielonefrite em 20 a 30% dos casos; a pielonefrite gestacional ocorre em 1 a 2% das gestações, quase sempre no segundo trimestre. Sintomas compatíveis com prostatite afetam cerca de 8 a 10% dos homens adultos em algum momento, com pico entre 30 e 50 anos.
A via patogênica principal é ascendente: bactérias fecais colonizam o introito vaginal e o períneo, ascendem pela uretra e aderem ao urotélio por fímbrias. Cepas de E. coli uropatogênicas (UPEC) com fímbrias do tipo 1 (que ligam manose no urotélio vesical) predominam na cistite, enquanto as portadoras de fímbrias P (que ligam galabiose no urotélio renal) são pielogênicas e associadas à pielonefrite e à bacteriemia. A internalização de bactérias em células guarda-chuva e a formação de biofilme intracelular explicam recorrências mesmo após cultura negativa. Na gestação, a progesterona dilata a via excretora e o útero comprime o ureter direito (pielonefrite é mais frequente à direita), além de glicosúria favorecendo crescimento bacteriano. Na próstata, o mecanismo é o refluxo de urina infectada para os dutos prostáticos, onde cálculos e estase criam nicho de biofilme protegido; por isso a cura depende de antimicrobianos que atravessam a barreira lipídica do epitélio ductal e atingem o pH alcalino da secreção: fluoroquinolonas, trimetoprima e macrolídeos penetram bem, enquanto beta-lactâmicos têm penetração precária e não devem ser primeira escolha para prostatite bacteriana.
A cistite aguda não complicada cursa com disúria, polaciúria, urgência miccional e desconforto suprapúbico, frequentemente com hematúria terminal, em mulher jovem saudável sem febre e sem dor lombar: nesse cenário típico a probabilidade pré-teste é tão alta que diretrizes autorizam tratamento empírico sem urocultura. A pielonefrite aguda adiciona febre acima de 38 graus, calafrios, dor em ângulo costovertebral e sintomas sistêmicos como náuseas e vômitos; até um terço dos pacientes tem poucos ou nenhum sintoma vesical. A prostatite bacteriana aguda (categoria I) é urgência: febre alta com calafrios, disúria intensa, retenção urinária e dor perineal que piora à defecação; ao toque, a próstata está edematosa, quente e dolorosa, e a massagem prostática é contraindicada pelo risco de bacteriemia. A categoria II se manifesta como episódios repetidos de ITU pelo mesmo germe com sintomas discretos entre crises. A categoria III (CP/CPPS) é dor pélvica, perineal ou suprapúbica por mais de três meses, com ou sem sintomas miccionais e ejaculatórios, sem febre e sem germe identificado; é quantificada pelo índice NIH-CPSI.
| Entidade | Pistas clínicas | Exames-chave | Primeira conduta |
|---|---|---|---|
| Cistite aguda não complicada | Disúria, polaciúria, urgência, sem febre e sem dor lombar | Esteira (leucoesterase e nitrito); cultura opcional no caso típico | Antimicrobiano oral curto de primeira linha |
| Pielonefrite aguda | Febre acima de 38 graus, dor lombar, calafrios, vômitos | Esteira, cultura de urina e hemocultura, hemograma, PCR e creatinina | Quinolona oral ou cefalosporina parenteral; internar se sinais de sepse |
| Prostatite categoria I | Febre alta, dor perineal, retenção urinária, próstata tensa ao toque | Cultura de urina e hemocultura; ultrassonografia se suspeita de abscesso | Antimicrobiano com penetração prostática; drenar abscesso |
| Prostatite categoria III | Dor pélvica crônica maior que 3 meses, sem febre, sem uropatógeno | Teste dos dois ou quatro copos; NIH-CPSI | Alfa-bloqueador e anti-inflamatório; abordagem multidisciplinar |
| Bacteriúria assintomática | Cultura positiva sem qualquer sintoma urinário | Esteira e cultura quantitativa | Não tratar, exceto gestação e pré-procedimento urológico |
A esteira de urina é o rastreio inicial. A leucoesterase tem sensibilidade de 75 a 90% e especificidade em torno de 95% para ITU sintomática; o nitrito tem alta especificidade (95 a 100%), mas sensibilidade de apenas 25 a 60%, porque Enterococcus, Pseudomonas e Staphylococcus saprophyticus não reduzem nitrato: nitrito negativo não exclui ITU. Piúria sem bacteriúria em cultura sugere tuberculose, nefrite intersticial, cálculo ou contaminante. A cultura quantitativa permanece o padrão de referência e seus limiares mudam conforme o contexto, conforme a tabela seguinte. Nos quadros febris, solicitam-se hemograma, PCR, creatinina e hemoculturas antes do antimicrobiano. A imagem não é rotina na cistite nem na pielonefrite não complicada que melhora em 48 a 72 horas; está indicada em homens com primeira ITU, crianças, ITUs recorrentes, pielonefrite complicada, suspeita de obstrução ou abscesso (febre persistente apesar de 48 a 72 horas de tratamento adequado), começando pela ultrassonografia e escalando para tomografia com contraste.
| Cenário clínico | Limiar de cultura (UFC/mL) | Comentário |
|---|---|---|
| Cistite não complicada em mulher sintomática | Maior ou igual a 10³ de E. coli ou S. saprophyticus | Limiar baixo porque a episódio sintomático com germe típico raramente é contaminação |
| Pielonefrite e ITU complicada | Maior ou igual a 10⁴ | Colher antes do primeiro antimicrobiano sempre que possível |
| Homens sintomáticos | Maior ou igual a 10⁴ | Qualquer ITU em homem é investigada com imagem em algum momento |
| Paciente com sonda vesical | Maior ou igual a 10⁵ | Trocar a sonda antes de colher reduz contaminação por biofilme |
| Rastreio de bacteriúria na gestação | Maior ou igual a 10⁵ | Universal no primeiro trimestre ou primeiro pré-natal, em jato médio ou coleta retida |
O tratamento da cistite aguda não complicada em mulher não gestante privilegia drogas de primeira linha com mínima taxa de resistência e impacto ecológico, conforme EAU e NICE. Fosfomicina trometamol em dose única, nitrofurantoína por cinco dias e pivmecilinam são as escolhas preferidas; trimetoprima-sulfametoxazol só é opção quando a resistência local de E. coli está abaixo de 20%; quinolonas, embora eficazes em três dias, devem ser preservadas para infecções mais graves; beta-lactâmicos têm menor taxa de cura e são segunda linha. Na pielonefrite leve que pode receber alta, quinolona oral é primeira escolha onde a resistência de E. coli é baixa (abaixo de 10%); alternativas incluem cefalosporina de terceira geração por via oral ou sequência parenteral-oral, completando 7 a 14 dias de terapia total. Critérios de internação: sepse ou instabilidade, vômitos que impedem via oral, obstrução suspeita, abscesso, comorbidades graves, gestação e idade extrema.
| Droga | Dose e via | Duração | Observação |
|---|---|---|---|
| Fosfomicina trometamol | 3 g VO em dose única | Dose única | Primeira linha EAU para cistite não complicada; manter intervalo de urina concentrada |
| Nitrofurantoína | 100 mg VO de 12 em 12 horas | 5 dias | Excelente para bexiga, não atinge tecido renal; evitar se clearance abaixo de 30 ou 60 mL/min |
| Pivmecilinam | 400 mg VO de 12 em 12 horas | 3 a 5 dias | Primeira linha europeia, pouco disponível no Brasil |
| Trimetoprima-sulfametoxazol | 160/800 mg VO de 12 em 12 horas | 3 dias | Usar apenas se resistência local de E. coli abaixo de 20% |
| Levofloxacino | 750 mg VO 1x ao dia | 5 dias | Pielonefrite ambulatorial; reservar por impacto na resistência |
| Ciprofloxacino | 500 mg VO de 12 em 12 horas | 7 dias | Pielonefrite ambulatorial; dose IV igual à oral |
| Ceftriaxona | 1 a 2 g IV 1x ao dia | Até afebril 48 h, depois oral completar 7 a 14 dias | Escolha parenteral inicial na pielonefrite hospitalar e na gestante |
Situações especiais: na gestante com cistite, preferir cefalexina 500 mg VO de 6 em 6 horas, nitrofurantoína 100 mg VO de 12 em 12 horas (evitar no primeiro trimestre e próximo ao termo e em portadoras de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase) ou fosfomicina 3 g VO única, sempre por 5 a 7 dias. Quinolonas são contraindicadas na gestação; trimetoprima-sulfametoxazol deve ser evitado no primeiro trimestre (antagonismo de folato) e no termo (icterícia nuclear). A pielonefrite na gestação é indicação de internação com cefalosporina IV e monitorização materno-fetal. No homem com cistite, tratar 7 dias e investigar via urinária com ultrassonografia. Na retenção urinária por prostatite aguda, prefere-se a sondagem de alívio breve ou a cistostomia suprapúbica se a passagem for muito dolorosa.
O antimicrobiano da prostatite bacteriana precisa de lipossolubilidade e pH alcalino da secreção prostática: fluoroquinolonas alcançam as melhores concentrações e são primeira linha, com trimetoprima-sulfametoxazol como alternativa. Na categoria I, o tratamento dura 2 a 4 semanas, iniciando por via oral se o paciente tolera e não está séptico, ou IV com sequência oral; abscesso prostático (suspeita pela febre persistente, dor intensa e retenção, confirmado por tomografia ou ressonância) exige drenagem. Na categoria II, o esquema se estende por 4 a 6 semanas. Na categoria III, o pilar é alfa-bloqueador (tamsulosina 0,4 mg VO ao dia por 6 a 12 semanas), anti-inflamatório não hormonal no flanco sintomático e, se impacto importante, amitriptilina ou inibidor seletivo de recaptação de serotonina para o componente de sensibilização central; um ciclo teste curto de antimicrobiano pode ser considerado, mas antibioticoterapia prolongada sem cultura positiva não tem sustentação. A categoria IV não se trata.
Tratar bacteriúria assintomática só melhora desfecho em dois grupos: gestantes (rastreio universal no início do pré-natal, pois o tratamento reduz em cerca de 70 a 80% o risco de pielonefrite e de parto prematuro associado) e pacientes submetidos a procedimento urológico com sangramento de mucosa (antes de ressecção endoscópica, litotripsia ou biópsia). Não tratar idosos institucionalizados, diabéticos, portadores de sonda vesical de demora, pacientes com incontinência ou imunossuprimidos estáveis: ensaios randomizados e metanálises mostram ausência de benefício e aumento de efeitos adversos e de resistência, já que a piúria e a cultura positivas decorrem de colonização, e não de infecção. Para a ITU recorrente documentada, o segundo passo é mudança comportamental (hidratação, evitar espermicidas, controle glicêmico), seguido de profilaxia antimicrobiana contínua em dose baixa (nitrofurantoína 50 a 100 mg ao dia, trimetoprima 40/200 a 80/400 mg ao dia ou três vezes por semana, fosfomicina 3 g a cada 10 dias) ou pós-coito em ITU associada a relação sexual, por 3 a 6 meses com reavaliação. Na pós-menopausa, o estrogênio vaginal tópico reduz recorrências em cerca da metade das candidatas. Entre as medidas não antimicrobianas, o cranberry é a melhor estudada.
A cistite não complicada tratada tem cura superior a 90% e excelente prognóstico; os principais riscos são o tratamento excessivo de bacteriúria assintomática e a seleção de multirresistentes com quinolonas desnecessárias. A pielonefrite complicada pode evoluir com sepse (a fonte urinária é uma das mais frequentes em idosos), abscesso renal ou perinefrético, pielonefrite emfisematosa (gás no parênquima em diabéticos, com mortalidade que pode superar 20% e necessidade de drenagem ou nefrectomia) e, raramente, necrose papilar. Em crianças com refluxo vesicoureteral, episódios repetidos deixam cicatrizes renais com risco de hipertensão e doença renal crônica. Na prostatite aguda, as complicações são abscesso prostático (mais frequente em diabéticos), epididimoorquite, prostatite crônica e, raramente, sepse; na categoria III, o prognóstico é funcional, com impacto na qualidade de vida comparável ao de doenças crônicas, agravado por abordagens exclusivamente antibióticas e por ausência de abordagem multidisciplinar.
1.Idosa institucionalizada, assintomática, com urocultura com 100.000 UFC/mL de E. coli em rotina. Qual conduta?
2.Sobre o nitrito na esteira de urina, é correto afirmar que:
3.Mulher de 24 anos, sexualmente ativa, com disúria e polaciúria sem febre nem dor lombar, início há 1 dia. Qual a conduta, conforme as diretrizes?
4.Qual antimicrobiano é primeira linha para prostatite bacteriana aguda pela sua penetração no parênquima prostático?
5.Gestante de 12 semanas com urocultura de rastreio com 100.000 UFC/mL de E. coli, assintomática. Qual a conduta?
6.Paciente com pielonefrite em uso de antimicrobiano adequado permanece febril após 72 horas. Qual o próximo passo?
7.Homem de 45 anos com dor perineal e suprapúbica há 8 meses, sem febre, culturas negativas e exame físico normal. Qual o tratamento de primeira linha?
8.Qual limiar de urocultura aceito para cistite não complicada em mulher sintomática segundo a EAU?
9.Sobre a profilaxia antimicrobiana da ITU recorrente, marque a correta:
10.Diabético com pielonefrite e gás no parênquima renal à tomografia. Qual a complicação e sua implicação?
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