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Revisão completa do exame neurológico para provas: nível de consciência e Glasgow, pares cranianos um a um, força e tono muscular, sensibilidade e vias, reflexos com seus segmentos medulares, sinais cerebelares, marchas e sinais meníngeos, terminando no raciocínio de localização da lesão (cortical, tronco, medula e nervo periférico).
[1] Bickley LS. Bates' Guia de Exame Físico e História Clínica. 13ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2022 | [2] Brazis PW, Masdeu JC, Biller J. Localization in Clinical Neurology. 6ª ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2016 | [3] Campbell WW. DeJong's The Neurologic Examination. 8ª ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2019 | [4] Powers WJ, Rabinstein AA, Ackerson T, et al. 2019 Update to the 2018 Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. Stroke. 2019;50(12):e344-e418 · DOI 10.1161/STR.0000000000000211 | [5] Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 1974;2(7872):81-84 · PMID 4136543 · DOI 10.1161/STR.0000000000000211
O exame neurológico é a única parte da semiologia em que o instrumento principal é o raciocínio de localização: a partir da queixa e do exame, o médico precisa responder não apenas qual doença o paciente tem, mas ONDE ela está. Essa lógica topográfica — cortical, subcortical, tronco encefálico, cerebelo, medula, raiz, plexo, nervo periférico, junção neuromuscular ou músculo — transforma achados aparentemente dispersos em síndromes reconhecíveis e define quais exames complementares pedir. Em provas, os pontos mais cobrados são a escala de Glasgow, a distinção entre lesão de neurônio motor superior e inferior, o sinal de Babinski, os pares cranianos com suas síndromes alternantes e os padrões de marcha e de perda sensitiva.
Na prática, o exame neurológico raramente precisa durar mais de 10 a 15 minutos quando dirigido por uma hipótese. Em urgências, ele decide tratamentos com janela terapêutica estreita: no acidente vascular cerebral isquêmico, a trombólise intravenosa com alteplase (0,9 mg/kg, máximo 90 mg, 10% em bolus) ou trombectomia mecânica depende da identificação rápida do déficit e da pontuação NIHSS; no coma, a escala de Glasgow orienta proteção de via aérea (escore 8 ou menos: intubar). Um exame bem executado também evita exames desnecessários: cefaleia com exame neurológico normal tem probabilidade muito baixa de doença estrutural grave.
Todo exame neurológico, do rastreio ao completo, obedece à mesma sequência: estado mental (nível de consciência, orientação, atenção, linguagem, memória); pares cranianos (I a XII); sistema motor (inspeção, tono, força, movimentos involuntários); sensibilidade (superficial e profunda); reflexos (profundos e superficiais); coordenação e equilíbrio (função cerebelar); marcha e estação; e sinais meníngeos. A ordem importa pouco desde que todos os domínios sejam cobertos — o erro clássico do estudante é examinar só o domínio sugestivo da queixa e perder achados que mudam a localização.
A escala de Glasgow, publicada por Teasdale e Jennett em 1974, gradua a resposta ocular (E1 a E4: nenhuma, à dor, ao som, espontânea), verbal (V1 a V5: nenhuma, incompreensível, palavras desconexas, confusa, orientada) e motora (M1 a M6: nenhuma, extensão à dor, flexão anormal, retirada, localiza a dor, obedece comandos). O escore total varia de 3 a 15 e classifica o trauma craniano em leve (14-15 na admissão; alguns protocolos usam 13-15), moderado (9-12) e grave (8 ou menos — indicação clássica de proteção de via aérea). Limitações importantes: ela não avalia reflexos de tronco nem pupilas (use a escala FOUR para isso), perde a resposta verbal em pacientes intubados (registrar T) e não discrimina hemisfericidade do coma.
O exame do estado mental percorre atenção (dias da semana ao inverso, subtração seriada), orientação (tempo, espaço e pessoa), memória (imediata, recente e remota), linguagem (fluência, compreensão, repetição, nomeação), praxias, gnosias e função executiva. Instrumentos curtos rastreiam declínio cognitivo: o MEEM (Mini Exame do Estado Mental, máximo 30 pontos) sugere comprometimento abaixo de 24 pontos em adultos com mais escolaridade (ajustar por escolaridade no Brasil); o MoCA (máximo 30 pontos) é mais sensível para comprometimento leve, com corte habitual de 26. Para delirium, o método CAM (Confusion Assessment Method) exige acuidade fluctuante mais desatenção e (desorganização do pensamento ou alteração do nível de consciência).
| Escala | Domínios avaliados | Faixa de escore | Vantagem sobre a Glasgow |
|---|---|---|---|
| Glasgow (Teasdale-Jennett, 1974) | Abertura ocular, resposta verbal, resposta motora | 3 a 15 | Universal, reprodutível, base das condutas no TCE |
| FOUR score | Resposta ocular, motora, reflexos de tronco, respiração | 0 a 16 | Detecta síndrome de locked-in e herniação, aplica-se ao paciente intubado |
| NIHSS | 11 itens: consciência, olhar, campo visual, pares faciais, motor de braço e perna, ataxia, sensibilidade, linguagem, disartria, extinção/negligência | 0 a 42 | Quantifica o déficit no AVC e orienta trombólise/trombectomia |
Comece pelos aferentes especiais. O olfato (I) testa-se com substâncias não irritantes em cada narina — a anosmia pós-traumática sugere lesão do bulbo na lâmina crivosa; substâncias irritantes (amônia) testam o trigêmeo, não o olfato. A acuidade visual (II) usa a tabela de Snellen e a contagem de dedos; o reflexo fotomotor (II aferente, III eferente) examina pupila direta e consensual; quando a lesão é pré-quiasmática (retina ou nervo óptico), o estímulo na pupila afetada não contrai nenhuma das duas — pupila afetada com defeito aferente (Marcus Gunn). O fundo de olho fecha o II: papiledema, atrofia óptica, hemorragias.
| Par craniano | Função e como testar | Sinal clássico da lesão |
|---|---|---|
| III (oculomotor) | Elevação da pálpebra, movimentação ocular (todas exceto abdução e depressão em adução), midríase | Ptose + midríase + olho desviado para baixo e para fora (para baixo e para lateral); paralisia com pupila poupada sugere causa isquêmica (diabetes); com midríase, compressão (aneurisma de comunicante posterior, herniação) |
| IV (troclear) | Depressão do olho aduzido; pergunte piora da visão dupla ao descer escada | Diplopia vertical pior ao olhar para baixo e para o lado oposto; inclinação compensatória da cabeça |
| VI (abducente) | Abdução (olhar lateral); peça para seguir o dedo em H | Estrabismo convergente com diplopia horizontal pior ao olhar para o lado da lesão; o VI tem trajeto intracraniano longo e é vulnerável à hipertensão intracraniana |
| V (trigêmeo) | Sensação facial em 3 ramos (V1 testa, V2 maxilar, V3 mandibular), músculos mastigatórios, reflexo corneano | Perda sensitiva em dermátomos faciais; paralisia do masseter (desvio da mandíbula para o lado da lesão); no reflexo corneano, lesão de V perde o aferente (não pisca nenhum dos olhos) e lesão de VII perde o eferente (não pisca o olho testado) |
| VII (facial) | Mímica facial: teste sobrancelha, olho fechado forcejado, sorriso e assobio; gustação nos 2/3 anteriores (corda do tímpano) | Paralisia periférica compromete TODO o hemicampo (testa e olho incluídos — Bell); paralisia central poupa a testa (inervação bilateral do núcleo para o território superior); geralmente contralateral à lesão supranuclear |
| VIII (vestibulococlear) | Audição por sussurro, Weber e Rinne com diapasão de 512 Hz | Na lesão condutiva: Rinne negativo (BC maior que AC) e Weber lateraliza para o ouvido doente; na neurosensorial: Rinne positivo e Weber lateraliza para o ouvido são |
| IX e X (glossofaríngeo e vago) | Elevação do véu palatino ao dizer A, reflexo de vômito, disfagia e disfonia | Véu palatino desviado para o lado SÃO da lesão (o lado parético não sobe); tosse e voz embolada; alteração do sensório faríngeo posterior |
| XI (acessório) | Elevação de ombros (trapézio) e rotação da cabeça contra resistência (esternocleidomastóideo) | Fraqueza unilateral: ombro caído e escápula alada; incapacidade de virar a cabeça contra resistência |
| XII (hipoglosso) | Protusão da língua e movimentos contra a resistência da espátula | Desvio da língua PARA o lado da lesão (LMN), com atrofia e fasciculações; na lesão central (UMN), a língua desvia para o lado CONTRALATERAL ao da lesão supranuclear |
As pupilas concentram pegadinhas de prova. Anisocoria fisiológica ocorre em até 20% das pessoas saudáveis, com diferença menor que 1 mm e pupilas fotorreagentes. Midríase paralítica com ptose aponta III compressivo — emergência. Síndrome de Horner (miose, ptose discreta e anidrose) pode indicar lesão do tronco simpático, apical pulmonar (Pancoast) ou dissecção carotídea. Pupila de Argyll Robertson (miose, irregular, acomoda mas não reage à luz) é clássica da neurossífilis; pupila tônica de Adie (midríase com resposta lenta à luz e convergência) é benigna. No coma: pupilas médias fixas sugerem lesão de tronco (nesta hipótese, testar reflexo oculucefálico), midríase unilateral fixa sugere herniação unilateral, e pupilas pequenas reagentes apontam tóxicos/metabólicos ou pontina.
Inspeção primeiro: atrofias (compare lados e meça circunferência de membros), fasciculações (contrações visíveis de unidades motoras, típicas de doença do neurônio motor inferior), movimentos involuntários (tremor de repouso — Parkinson; tremor de ação ou intenção — cerebelar; coreia — Huntington; distonia; mioclonias). O tono avalia-se por mobilização passiva: hipertonia espástica (resistência elástica que cede abruptamente, canivete — via piramidal), rigidez em tubo de chumbo ou em roda denteada (extrapiramidal) e hipotonia (LMN, cerebelar, doenças musculares).
| Achado | Lesão de neurônio motor superior (UMN) | Lesão de neurônio motor inferior (LMN) |
|---|---|---|
| Tônus | Aumentado, espástico (canivete) | Diminuído, flácido |
| Reflexos profundos | Hiperreflexia, podendo haver clônus | Hiporreflexia ou arreflexia |
| Sinal de Babinski | Presente (extensão do hálux) | Ausente (flexor) |
| Atrofia | Discreta, por desuso | Marcada, precoce, do território acometido |
| Fasciculações | Ausentes | Presentes (típicas de ELA e radiculopatias) |
| Localização típica | Córtex motor, cápsula interna, tronco, medula (via piramidal) | Chifre anterior da medula, raiz, plexo, nervo periférico |
Duas grandes vias explicam quase tudo. A via da coluna dorsal (fascículos grácil e cuneiforme) conduce posição articular, vibração (diapasão de 128 Hz na proeminência óssea), discriminação de dois pontos e estereognosia; cruza no bulbo e termina no córtex parietal contralateral. A via espinotalâmica conduz dor e temperatura; os axônios cruzam a linha média na comissura anterior da medula dentro de 1 a 2 segmentos da sua entrada — detalhe que explica a perda dissociada nas lesões centraís (siringomielia: perda de dor e temperatura em capa ou casaco, com propriocepção preservada). Toque fino segue ambas as vias, o que o torna menos localizador.
| Síndrome sensitiva | Achado | Localização clássica |
|---|---|---|
| Brown-Séquard (hemisseção medular) | Ipsilateral à lesão: perda de propriocepção e força; contralateral: perda de dor e temperatura | Medula (trauma, compressão discal, esclerose em placas) |
| Síndrome medular anterior | Perda de dor e temperatura bilateral com força preservada da propriocepção | Artéria espinhal anterior (ateroma, dissecção, cirurgia aórtica) |
| Siringomielia | Perda suspensa de dor e temperatura em capa, bilateral e dissociada | Central da medula cervical (malformação de Chiari, trauma) |
| Neuropatia periférica distal | Hipoestesia em bota e luva, simétrica, com reflexos aquileus abolidos | Diabetes, álcool, B12, quimioterápicos |
| Hemianestesia talâmica | Perda sensitiva completa contralateral, face incluída, frequentemente dolorosa (anestesia dolorosa) | Tálamo contralateral (AVC lacunar) |
Reflexo profundo é um arco monossináptico que exige integridade da raiz aferente, do neurônio de corno anterior e da raiz eferente — por isso ele localiza o NÍVEL da lesão quando abolido. Compare os dois lados e gradue de 0 (ausente) a 4+ (clônus), considerando +2 o normal. Hiperreflexia com Babinski e clônus configuram liberação piramidal (UMN); arreflexia com atrofia e fasciculações, lesão de LMN. Reflexos superficiais (abdominais T8-T12, cremastérico L1-L2, plantar) dependem de vias supra-segmentares e desaparecem nas lesões de UMN — a contrapartida cutânea da hiperreflexia profunda.
| Reflexo | Segmento medular | Como elicitar | Interpretação quando alterado |
|---|---|---|---|
| Bicipital | C5-C6 | Percutir o dedo do examinador sobre o tendão bicipital com o braço relaxado | Abolimento: lesão de C5-C6; hiperreflexia: lesão piramidal acima de C5 |
| Estilorradial (braquiorradial) | C5-C6 | Percutir o estiloide radial com o braço em flexão leve | Alterações acompanham C5-C6; na lesão supranuclear, pode haver difusão (contração dos dedos) |
| Tricipital | C7-C8 | Percutir o tendão tricipital acima do olecrano com o braço pendente | Abolimento: lesão de C7 (cervicalgia com hérnia) |
| Patelar (patelar/rotuliano) | L3-L4 | Percutir o tendão patelar com a perna pendente | Abolimento: lesão de L3-L4 ou neuropatia; hiperreflexia: lesão acima de L4 (incluindo esclerose lateral amiotrófica) |
| Aquileu (aquileano) | S1 | Dorsiflexão passiva do pé e percutir o tendão de Aquiles | Abolimento bilateral clássico da neuropatia diabética e da hérnia L5-S1 |
| Babinski (plantar) | Via piramidal (cortejo supra-segmentar) | Estimular a borda lateral da planta do pé do calcanhar aos dedos, com objeto rombo | Extensão (dorsiflexão) do hálux com abertura em leque dos dedos = lesão do neurônio motor superior; normal em recém-nascidos até cerca de 1 ano de idade |
O cerebelo não gera força nem sensação — ele compara o movimento programado com o executado. Testes de base: dedo-nariz com olhos abertos e fechados (o tremor de intenção piora ao aproximar o alvo), calcanhar-joelho (rastejar o calcanhar da gaveta oposta até o joelho e depois distalmente na canela), diadococinesia (pronosupinação alternada rápida — disdiadococinesia no lado cerebelar), prova do rebote de Stewart-Holmes (ao soltar o braço que o paciente flexe contra resistência, o membro bate no próprio tórax) e nistagmo (olhar em extrema lateral por alguns segundos; nistagmo gaze-evoked sugere lesão de tronco ou cerebelo, e nistagmo positional benigno resolve com a manobra de Dix-Hallpike).
Peça ao paciente para levantar da cadeira sem apoiar, caminhar, retornar, caminhar em tandem (calcanhar-ponta) e levantar da cadeira com os braços cruzados. A observação da marcha é dos maiores atalhos diagnósticos da neurologia: base, simetria, altura do passo, balanço de braços, rotação do quadril e a presença de festinação ou de marche en étoile (estrela) no atáxico vestibular.
| Padrão de marcha | Características | Localização/etiologia típica |
|---|---|---|
| Hemiparética (em foice) | Membro inferior em extensão e rotação, pé em flexão plantar varrendo o chão (circundução), braço flexionado | Sequela de AVC piramidal contralateral |
| Parkinsoniana | Passos curtos, tronco antefletido, braços com balanço reduzido, dificuldade de início e de parada (freezing e festinação) | Doença de Parkinson, parkinsonismos |
| Atáxica cerebelar | Base alargada, passos irregulares em amplitude e direção, correções bruscas, piora na tandem | Vermis ou hemisférios cerebelares |
| Sensitica (tabética) | Base alargada, passos altos e vigorosos com impacto do pé (marcha em estampado), piora ao fechar os olhos, Romberg positivo | Neuropatia sensorial profunda (neurossífilis, B12, diabetes) |
| Escarvante (steppage) | Quadril e joelho em hiperflexão para o pé caído não arrastar; pé em gota | Paralisia do fibular comum, neuropatia de L5, Charcot-Marie-Tooth |
| Miopática (ananás ou de pato) | Marcha balançante com hiperlordose, ombros para trás, dificuldade de subir no step e de levantar da cadeira (sinal de Gowers) | Distrofias musculares, miopatias de cintura |
| Apráxica (marcha magnética) | Pés como colados ao chão, passos curtos com hesitação, equilíbrio relativamente preservado ao sentado | Hidrocefalia de pressão normal, lesões bifrontais |
Irritação meníngea testa-se com o paciente supino. Rigidez de nuca: impossibilidade de flexionar o queixo ao esterno (flexão apenas cervical; excluir doença cervical degenerativa). Sinal de Kerning: com o paciente supino, flexiona-se o quadril e o joelho a 90 graus e tenta-se estender o joelho — resistência/dor limita a extensão. Sinal de Brudzinski: ao flexionar forçadamente a nuca, o paciente flexiona quadril e joelho (sinal nuquial); há variantes pubiana e contralateral. Nota: Kernig e Brudzinski têm alta especificidade e baixa sensibilidade para meningite — a ausência deles não afasta o diagnóstico, sobretudo em crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos; nestes, priorizar a punção lombar quando houver suspeita clínica.
A estratégia final é classificar a síndrome neurológica em uma camada anatômica. Sinais corticais (afasia, neglect, hemianopsia, déficit de memória, crise convulsiva focal) apontam hemisfério; a dominância do membro superior e da face na hemiparesia com afasia sugere artéria cerebral média; fraqueza predominante de perna com incontinência sugere território da cerebral anterior ou lesão parasagital; déficit sensitivo cortical (extinção, astereognosia) aponta parietal. Deficits cruzados (par craniano de um lado com déficit motor ou sensitivo do outro) são a assinatura do tronco encefálico — por exemplo, a síndrome de Weber (III ipsilateral com hemiplegia contralateral). Na medula, combine nível sensitivo, padrão de força e esfincteres; na periferia, a assimetria e o predomínio distal com arreflexia sugerem neuropatia (Guillain-Barré quando ascendente e simétrica), e a fadiga fluctuante, junção neuromuscular (miastenia).
| Síndrome/topografia | Combinação de achados | Exemplo clínico |
|---|---|---|
| Córtex parietal contralateral | Hemiparesia leve, hemi-hipoestesia cortical (extinção, agrafestesia), neglect, hemianopsia | AVC em cerebral média direita com negligência esquerda |
| Cápsula interna | Hemiparesia densa e uniforme (face, braço e perna) SEM sinais corticais (sem afasia, sem negligência) | AVC lacunar em paciente hiperto |
| Tronco encefálico (síndrome alterna) | Par craniano ipsilateral (ex.: III, VI, VII) com déficit motor ou sensitivo contralateral | Síndrome de Weber: III direito e hemiplegia esquerda |
| Medula (nível sensitivo) | Nível sensitivo com paraparesia, hiperreflexia, Babinski e disfunção esfincteriana | Compressão medular por metástase ou hematoma |
| Neuropatia periférica | Fraqueza distal simétrica, arreflexia, hipoestesia em bota e luva | Síndrome de Guillain-Barré, polineuropatia diabética |
| Junção neuromuscular | Fraqueza fluctuante, ptose e diplopia que pioram ao fim do dia, sem atrofia nem alteração sensitiva | Miastenia gravis (anticorpo anti-acetilcolina positivo) |
O exame neurológico também estagia risco e prognóstico. Glasgow 8 ou menos no trauma craniano associa-se a mortalidade de 30% a 50% e indica intubação; NIHSS acima de 16 prediz mau desfecho e acima de 25 costuma contraindicar trombólise farmacológica isolada (priorizar trombectomia); extensão do nível sensitivo em compressão medular aguda é emergência cirúrgica — o intervalo entre o déficit e a descompressão determina a chance de volta a deambular. Déficits instalados predispõem a complicações evitáveis: pneumonia por aspiração (paralisia de X e depressão de consciência), úlcera por pressão (imobilidade e perda sensitiva), trombose venosa profunda, contraturas e quedas (marchas atáxica e parkinsoniana) — parte da prova que costuma aparecer como casos de prevenção.
1.Homem de 34 anos vítima de acidente motociclístico chega sonolento, abre os olhos quando chamado, está desorientado e conversa confuso, e obedece a comandos. O escore de Glasgow é:
2.Paciente com hemiparesia direita e paralisia do III par esquerdo (ptose, midríase e olho desviado para baixo e para fora). A localização da lesão é:
3.Durante o exame, o paciente não consegue franzir a testa nem fechar o olho do lado direito, e o sulco nasogeniano direito está apagado. A lesão provável é:
4.Paciente em pé, pés juntos, permanece estável com os olhos abertos, mas cai ao fechá-los. Esse achado (Romberg positivo) indica disfunção de:
5.A extensão (dorsiflexão) do hálux com abertura em leque dos dedos ao estímulo plantar lateral em um adulto de 50 anos indica:
6.O reflexo bicipital abolido à direita, com hiperreflexia patelar e aquileu bilaterais e Babinski presente, sugere:
7.Ao pedir protrusão da língua, ela desvia para a esquerda, com atrofia e fasciculações do lado esquerdo. A lesão é:
8.Paciente com perda de dor e temperatura à direita, abaixo de T6, com perda de propriocepção e força à esquerda no mesmo nível. O padrão é:
9.Na avaliação auditiva com diapasão, o Rinne é negativo à direita (condução óssea maior que a aérea) e o Weber lateraliza para a direita. O diagnóstico é:
10.Homem de 70 anos com marcha de passos curtos, tronco antefletido, braços com balanço reduzido e dificuldade de iniciar a caminhada apresenta o padrão:
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