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Revisão completa das espondiloartrites: classificação axial e periférica, epidemiologia, fisiopatologia ligada ao HLA-B27 e à via IL-17/IL-23, dor inflamatória, manifestações extra-articulares (uveíte, psoríase, doença inflamatória intestinal), critérios de classificação ASAS e Nova York Modificados com sensibilidade e especificidade, imagem (radiografia e ressonância) e tratamento atualizado segundo ASAS-EULAR 2022 e ACR 2019, com doses dos AINH, DMARDs e biológicos.
[1] Rudwaleit M, van der Heijde D, Landewé R, et al. The development of Assessment of SpondyloArthritis International Society classification criteria for axial spondyloarthritis (part II): validation and final selection. Ann Rheum Dis. 2009;68(6):777-783 · DOI 10.1136/ard.2009.108233 | [2] Rudwaleit M, van der Heijde D, Landewé R, et al. The Assessment of SpondyloArthritis International Society classification criteria for peripheral spondyloarthritis and for spondyloarthritis in general. Ann Rheum Dis. 2011;70(1):25-31 · DOI 10.1136/ard.2010.133645 | [3] Ramiro S, Nikiphorou E, Sepriano A, et al. ASAS-EULAR recommendations for the management of axial spondyloarthritis: 2022 update. Ann Rheum Dis. 2023;82(1):19-34 · DOI 10.1136/ard-2022-223296 | [4] Ward MM, Deodhar A, Akl EA, et al. 2019 Update of the American College of Rheumatology/Spondylitis Association of America/Spondyloarthritis Research and Treatment Network Recommendations for the Treatment of Ankylosing Spondylitis and Nonradiographic Axial Spondyloarthritis. Arthritis Rheumatol. 2019;71(10):1599-1613 · DOI 10.1002/art.41042 | [5] Sieper J, Poddubnyy D. Axial spondyloarthritis. Lancet. 2017;390(10089):73-84 · DOI 10.1016/S0140-6736(16)31591-4 | [6] Rudwaleit M, Jurik AG, Hermann KG, et al. Defining active sacroiliitis on magnetic resonance imaging (MRI) for classification of axial spondyloarthritis: a consensual approach by the ASAS/OMERACT MRI group. Ann Rheum Dis. 2009;68(10):1520-1527 · DOI 10.1136/ard.2009.110767 | [7] Brasil. Ministério da Saúde / Conitec. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Espondiloartrite Axial. Brasília: MS (Portaria SAS/MS nº 25/2018; atualização em consulta pública CP nº 13/2025) · www.gov.br/conitec · DOI 10.1136/ard-2022-223296
As espondiloartrites (SpA) constituem um grupo de doenças inflamatórias imunomediadas que compartilham três eixos: envolvimento axial (sacroilíacas e coluna), entesopatia (inflamação da inserção tendínea no osso) e forte associação genética com o HLA-B27. A forma prototípica é a espondilite anquilosante (EA), mas o conceito moderno de espondiloartrite axial (axSpA) engloba também o paciente com inflamação sacroilíaca visível apenas à ressonância magnética, a chamada axSpA não radiográfica. O tema é gigante em provas por três motivos: a dor lombar inflamatória é a porta de entrada diagnóstica, os critérios ASAS de 2009/2011 são decorados literalmente e o esquema terapêutico em degraus (AINH, depois biológico) mudou com as diretrizes ASAS-EULAR 2022 e ACR 2019. O atraso diagnóstico ainda varia de 5 a 10 anos, e o aluno que reconhece dor inflamatória em paciente jovem muda a história natural da doença.
O termo espondiloartrite substituiu espondiloartropatia por se tratar de processo inflamatório (artrite) e não apenas de artropatia. A classificação clinicamente útil para a prova divide o grupo pelo predomínio do acometimento: espondiloartrite axial, com dor inflamatória lombar e sacroiliíte, subdividida em radiográfica (espondilite anquilosante, com sacroiliíte visível em radiografia) e não radiográfica (nr-axSpA, com RM positiva ou HLA-B27 e clínica típica); e espondiloartrite periférica, com artrite de membros inferiores, entesite ou dactilite e coluna poupada. Cada entidade clássica pode se apresentar nos dois polos: espondilite anquilosante, artrite reativa (pós-infecciosa genitourinária ou entérica), artrite psoriásica, artrite associada às doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa), SpA juvenil (início antes dos 16 anos) e SpA indiferenciada.
| Entidade | Gatilho/marcador | Achado mais cobrado |
|---|---|---|
| Espondilite anquilosante | HLA-B27 em 80-95% dos casos | Sacroiliíte bilateral simétrica e coluna em bambu |
| Artrite reativa | Infecção genitourinária (Chlamydia) ou entérica (Shigella, Salmonella, Yersinia, Campylobacter) 1-4 semanas antes | Tríade de Fiessinger-Leroy-Reiter: artrite, conjuntivite e uretrite |
| Artrite psoriásica | Psoríase cutânea em 70-80% antes da artrite | Dactilite em salsicha e entesite aquiiana; padrões de Moll e Wright |
| Artrite enteropática | Doença de Crohn ou retocolite ulcerativa | Axial assimétrica e periférica de grandes articulações |
| SpA juvenil | Início antes dos 16 anos | Artrite de membros inferiores e entesite; 40-90% HLA-B27 |
| SpA indiferenciada | Não preenche entidade definida | Pode evoluir para EA em acompanhamento |
A prevalência global das espondiloartrites axiais varia de 0,5% a 1,9% conforme a frequência do HLA-B27 na população, com média em torno de 1% em países europeus; a espondilite anquilosante isolada acomete 0,2% a 0,5% da população. A idade de início situa-se entre 15 e 35 anos, com pico na terceira década, e o limite de 45 anos no início da dor é critério de entrada dos ASAS. Na espondilite anquilosante clássica a razão homem:mulher historicamente citada é de 2 a 3:1, mas na axSpA não radiográfica a proporção se aproxima de 1:1, sugerindo subdiagnóstico histórico nas mulheres, que também têm mais doença periférica e menos sindesmofitos. No Brasil, a frequência do HLA-B27 em pacientes com EA oscila entre 50% e 90% conforme a miscigenação regional (menor em negros e pardos), o que reduz a utilidade isolada do teste em população mestiça. O atraso diagnóstico médio reportado é de 7 a 10 anos, e cerca de 1% a 2% dos portadores de HLA-B27 saudáveis desenvolvem axSpA ao longo da vida.
A espondiloartrite é doença genética complexa: o HLA-B27 responde por cerca de 20-30% do risco genético total e mais de 100 loci adicionais (incluindo ERAP1 e genes da via IL-23/IL-17) completam a herança. Três mecanismos principais explicam o papel do HLA-B27 e são cobrados em prova: a hipótese do peptídeo artritogênico (apresentação de peptídeos próprios ou microbianos a linfócitos T CD8), a hipótese do misfolding (dimerização e dobramento incorreto da cadeia pesada no retículo endoplasmático, desencadeando resposta de estresse que culmina em produção de IL-23) e a apresentação de homodímeros B27 na superfície celular a células killer imunoglobulin-like. A IL-23 ativa linfócitos T residentes nos entesos, que produzem IL-17 e TNF, as citocinas centrais da doença e, coincidentemente, os alvos terapêuticos.
A lesão elementar da SpA é a entesite: a inflamação da interface osso-tendão, típica no calcâneo (entesite aquiiana e fascite plantar) e na pelve. Da entesite decorrem dois fenômenos aparentemente paradoxais: erosão óssea (osteoclastos ativados por RANKL) e, nas fases seguintes, formação de novo osso (sindesmofitos marginais) mediada por BMP e pela via Wnt, cuja inibidora esclerostina está reduzida. Esse ciclo inflamação-erosão-reatividade óssea explica a anquilose vertebral em bambu da doença avançada. Componente intestinal é inerente ao grupo: até 50-60% dos pacientes com axSpA têm ileíte subclínica à colonoscopia, e a disbiose é considerada gatilho ambiental, o que conecta SpA axial, artrite enteropática e o eixo intestino-osso.
O sintoma cardinal é a lombalgia inflamatória: dor de início insidioso, piora na segunda metade da noite e ao amanhecer, rigidez matinal superior a 30 minutos, melhora com exercício e não com repouso, alternância de dor glútea. Os critérios de peritos ASAS para dor inflamatória exigem 4 de 5 características (início antes dos 40 anos, início insidioso, melhora com exercício, ausência de melhora com repouso, dor noturna com melhora ao levantar) e têm sensibilidade de cerca de 77% e especificidade de 92% para SpA. Ao exame, a limitação axial é medida por manobras quantificadas: Schober modificado (aumento menor que 4 cm entre os 10 cm demarcados acima da espinha ilíaca póstero-superior sugere limitação; considera-se anormal menor que 4 cm), expansibilidade torácica reduzida (menor que 2,5 cm ajustado por idade e sexo), occipital-para-parede e tragus-para-parede aumentados na doença avançada, e manobra de compressão pelvicofemoral (Gaenslen e FABER) positiva na sacroiliíte.
| Característica | Dor inflamatória (SpA) | Dor mecânica (lombalgia comum) |
|---|---|---|
| Início | Insidioso, antes dos 45 anos | Agudo ou relacionado a esforço, qualquer idade |
| Ritmo | Pior na segunda metade da noite e manhã | Pior ao fim do dia e com carga |
| Rigidez matinal | Superior a 30-60 minutos | Inferior a 15 minutos ou ausente |
| Efeito do exercício | Melhora | Piora |
| Efeito do repouso | Piora | Melhora |
| Outros achados | Uveíte, psoríase, dactilite, HLA-B27, sacroiliíte | Ausentes; irradiação radicular é possível |
O espectro periférico inclui artrite assimétrica de grandes articulações dos membros inferiores (joelhos e tornozelos), entesites (talalgia posterior e plantar, dor na tuberosidade isquiática e cristas ilíacas), dactilite (dedo em salsicha por tenossinovite e inflamação da bainha) e artrite das articulações radiculártricas. As manifestações extra-articulares definem parte dos critérios ASAS e mudam a conduta: a uveíte anterior aguda, geralmente unilateral, recorrente e alternante, ocorre em 25-40% dos pacientes ao longo da vida e pode anteceder a doença axial; a psoríase cutânea associa-se em cerca de 10% dos casos de axSpA; a doença inflamatória intestinal clinicamente evidente acomete 5-10% (e até metade tem inflamação subclínica); e a proteína C reativa elevada está presente em apenas 40-50% dos axSpA, sendo normal em metade dos pacientes com doença ativa, detalhe que invalida seu uso como único biomarcador de atividade. O envolvimento de quadril, presente em 25-35%, é o pior preditor funcional e a principal indicação de artroplastia.
Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico: ele é clínico-radiológico. A radiografia de sacroilíacas (incidência anteroposterior e Ferguson) gradua a sacroiliíte pelo escore de Nova York Modificado: grau 0 normal, grau 1 alteração suspeita, grau 2 anormalidade mínima (pequenas áreas de erosão ou esclerose sem alargamento), grau 3 anormalidade moderada (erosões, esclerose, alargamento, estreitamento ou anquilose parcial) e grau 4 anquilose total. A ressonância magnética detecta edema medular ósseo subcondral nas sacroilíacas antes do dano estrutural, e a definição ASAS/OMERACT exige edema medular ósseo altamente sugestivo localizado na região justa-articular, visível em dois cortes consecutivos, ou presente em dois locais no mesmo corte; lesões estruturais isoladas (gordura, erosões) sem edema não bastam para caracterizar sacroiliíte ativa. O HLA-B27 é instrumento de probabilidade pré-teste: na população geral sua positividade isolada tem valor preditivo baixo, mas em paciente jovem com dor inflamatória eleva a chance de axSpA de cerca de 15% para acima de 80%.
Os critérios de classificação ASAS para espondiloartrite axial (2009) exigem como porta de entrada dor lombar crônica (igual ou superior a 3 meses) com início antes dos 45 anos e liberam dois braços: braço de imagem, com sacroiliíte na radiografia ou RM mais pelo menos uma característica de SpA (sensibilidade 66,2%, especificidade 97,3%); e braço clínico, com HLA-B27 positivo mais pelo menos duas características de SpA (sensibilidade 56,6%, especificidade 83,3%). No conjunto, sensibilidade de 82,9% e especificidade de 84,4%. As características de SpA são: dor lombar inflamatória, artrite, entesite (calcânea), uveíte anterior, dactilite, psoríase, doença de Crohn ou retocolite, boa resposta a AINH, história familiar de SpA, HLA-B27 e PCR elevada. Para a forma periférica, os critérios ASAS de 2011 exigem dor periférica (artrite, entesite ou dactilite) mais uma característica espinal/sacroilíaca ou extra-articular forte (psoríase, doença inflamatória intestinal, infecção prévia, HLA-B27, uveíte, sacroiliíte na imagem), ou duas das demais (artrite, entesite, dactilite, dor inflamatória pregressa, história familiar), com sensibilidade de 75,2% e especificidade de 83,3%.
| Critério | Ano | Base do critério | Aplicação preferencial |
|---|---|---|---|
| Nova York Modificado | 1984 | Sacroiliíte radiográfica (bilateral grau 2 ou unilateral grau 3) mais 1 clínico: lombalgia inflamatória, limitação lombar ou expansibilidade reduzida | Classificar espondilite anquilosante estabelecida |
| Amor | 1990 | Escore de pontos igual ou superior a 6 (ex.: sacroiliíte radiográfica 3, uveíte 2, entesopatia 2, lombalgia inflamatória 1) | Amplo para SpA axial e periférica; útil como lista de suspeição |
| ESSG | 1991 | Dor espinhal inflamatória ou sinovite assimétrica de membros inferiores mais 1 de: familiaridade, psoríase, DII, uretrite ou diarreia prévia, dor glútea alternada, sacroiliíte | Inquerito epidemiológico |
| ASAS axial | 2009 | Dor crônica com início antes dos 45 anos: imagem mais 1 característica ou HLA-B27 mais 2 características | Diagnóstico precoce, inclui nr-axSpA |
| ASAS periférica | 2011 | Artrite, entesite ou dactilite mais 1 característica forte ou 2 outras | SpA sem acometimento axial |
A lombalgia inflamatória deve ser separada da lombalgia mecânica (discogênica e muscular), da hiperostose esquelética idiopática difusa (DISH, com ponteantes anteriores flowantes, ossificação do ligamento anterolateral, pacientes obesos e diabéticos, sacroilíacas poupadas e HLA-B27 negativo) e da doença degenerativa facetária. Sacroiliítes não inflamatórias entram no diferencial: infecção (sacroiliíte piogênica ou tuberculosa, geralmente unilateral e com febre), osteíte condensante ilíaca (mulheres multíparas, esclerose triangular unilateral) e osteodistrofia renal. A artrite séptica, a osteomielite e as neoplasias vertebrais são excluídas pela clínica e imagem. Na tabela abaixo os diferenciais mais cobrados em prova.
| Diagnóstico diferencial | Diferença-chave em relação à SpA |
|---|---|
| DISH (Forestier) | Ossificação exuberante anterior da coluna, sacroilíacas normais, HLA-B27 negativo, sem rigidez matinal inflamatória verdadeira |
| Osteíte condensante ilíaca | Mulher multípara, esclerose triangular do ilíaco unilateral, sem erosão nem edema |
| Sacroiliíte infecciosa | Unilateral, febre, dor noturna não mecânica, hemocultura e punção guiadas |
| Espondilodiscite | Dor intensa persistente, febre, destruição do espaço discal, PCR muito elevada |
| Fibromialgia | Dor difusa crônica com pontos dolorosos, sem rigidez objetiva, exames normais |
A diretriz ASAS-EULAR 2022 organiza o cuidado em quatro princípios (diagnóstico precoce, educação, tratamento guiado por alvo e avaliação multidisciplinar) e 15 recomendações. A primeira linha medicamentosa é sempre o AINH em dose plena, mantido por pelo menos 2 a 4 semanas antes de declarar falha, testando-se dois ou mais agentes: naproxeno 500 mg via oral de 12 em 12 horas (até 1.500 mg/dia), indometacina 25 a 50 mg de 8 em 8 horas (75 a 150 mg/dia), celecoxibe 200 mg/dia ou etoricoxibe 90 mg/dia; a resposta sólida a AINH é, inclusive, uma característica de SpA nos critérios ASAS. Analgésicos simples (paracetamol até 3-4 g/dia) e opioides fracos são adjuvantes permitidos. Corticoides sistêmicos prolongados são formalmente desestimulados, mas a infiltração intra-articular de sacroilíaca ou de entesite com triancinolona 40 mg sob guía de imagem é válida. Os DMARDs convencionais não tratam o componente axial: sulfassalazina 2 a 3 g/dia via oral e metotrexato 15 a 25 mg/semana (com ácido fólico 5 mg/semana) ficam restritos à artrite periférica refratária.
Diante de atividade persistente apesar de AINH em dose plena, a ASAS-EULAR 2022 e a ACR 2019 indicam biológico: inibidor de TNF ou inibidor de IL-17, sem hierarquia obrigatória entre eles (a escolha considera manifestações extra-articulares: anti-TNF preferido na uveíte e doença intestinal; anti-IL-17 ou anti-TNF na psoríase). Esquemas de prova: adalimumabe 40 mg subcutâneo a cada 2 semanas; etanercepte 50 mg subcutâneo semanal; infliximabe 5 mg/kg intravenoso nas semanas 0, 2 e 6 e depois a cada 6 a 8 semanas; golimumabe 50 mg subcutâneo a cada 4 semanas; certolizumabe pegol 400 mg subcutâneo nas semanas 0, 2 e 4, seguido de 200 mg a cada 2 semanas; secuquinumabe 150 mg subcutâneo semanal nas semanas 0 a 4 e depois mensal; ixekizumabe 160 mg de ataque e 80 mg a cada 2 semanas. Falha ou intolerância a um primeiro biológico libera troca de classe ou inibidor de JAK: tofacitinibe 5 mg via oral de 12 em 12 horas ou upadacitinibe 15 mg/dia, lembrando do alerta regulatório de segurança (trombose, eventos cardiovasculares, neoplasias e herpes zoster). No Brasil, o PCDT da espondiloartrite axial do Ministério da Saúde padroniza o acesso aos anti-TNF no SUS após falha de AINH.
| Classe | Fármaco e dose | Comentário de prova |
|---|---|---|
| AINH (primeira linha) | Naproxeno 500 mg 12/12h VO; indometacina 25-50 mg 8/8h; etoricoxibe 90 mg/dia | Testar pelo menos 2 agentes por 2-4 semanas antes de considerar falha |
| DMARD convencional | Sulfassalazina 2-3 g/dia; metotrexato 15-25 mg/semana SC ou VO | Úteis apenas na artrite periférica; sem efeito no eixo axial |
| Anti-TNF | Adalimumabe 40 mg SC a cada 2 semanas; etanercepte 50 mg SC semanal; infliximabe 5 mg/kg IV (semanas 0, 2, 6 e depois a cada 6-8 semanas) | Preferidos na uveíte recorrente e doença inflamatória intestinal |
| Anti-IL-17 | Secuquinumabe 150 mg SC semanal (semanas 0-4) e depois mensal; ixekizumabe 80 mg SC | Evitar se psoríase com DMII não tratada |
Junto à farmacoterapia, a diretriz mantém recomendação forte de exercício regular, fisioterapia e educação do paciente, medidas que preservam mobilidade e função; cessação do tabagismo é mandatória, pois o tabaco piora atividade, dano radiográfico e resposta ao tratamento. O seguimento usa o alvo terapêutico remissão ou baixa atividade, medido pelo ASDAS (versão com PCR preferida): valores menores que 1,3 definem doença inativa, 1,3 a 2,1 baixa atividade, acima de 2,1 alta atividade e acima de 3,5 atividade muito alta; o BASDAI igual ou superior a 4 também marca atividade clínica e é limiar histórico para escalonar terapia.
A doença não tratada evolui para anquilose vertebral progressiva (coluna em bambu com sindesmofitos), cifose incapacitante e perda de expansibilidade torácica. Complicações clássicas: osteoporose secundária, presente em até 25-40% dos casos avançados, com risco aumentado de fratura vertebral; uveíte recorrente com risco de catarata e glaucoma; síndrome da cauda equina da espondilite anquilosante, rara e tardia, com déficit sensitivo em sela e disfunção esfincteriana; amiloidose AA, hoje incomum (inferior a 1%); doença cardiovascular aterosclerótica acelerada (risco relativo aumentado) e comprometimento renal por nefropatia por IgA ou toxicidade de AINH. O prognóstico piora com envolvimento de quadril, atividade inflamatória sustentada, PCR persistentemente elevada, tabagismo e início jovem; a mortalidade global é modestamente aumentada (razão de mortalidade padronizada em torno de 1,5). Com diagnóstico precoce e biológicos, a progressão radiográfica desacelera e a capacidade de trabalho se preserva na maioria.
1.Qual característica é OBRIGATÓRIA como critério de entrada para aplicar os critérios ASAS de espondiloartrite axial?
2.No braço clínico dos critérios ASAS axiais, quantas características de SpA são necessárias além do HLA-B27 positivo?
3.Paciente de 26 anos com talalgia bilateral, dactilite do segundo dedo do pé e psoríase, sem lombalgia. Qual critério de classificação se aplica?
4.A definição ASAS/OMERACT de sacroiliíte ativa na ressonância magnética requer:
5.Qual fármaco NÃO tem indicação para o componente axial puro da espondiloartrite axial?
6.Homem de 30 anos com espondilite anquilosante em atividade (ASDAS 3,4) já usa dois AINH em dose plena há 3 meses e tem uveíte anterior recorrente. Qual a melhor escolha terapêutica?
7.Qual achado define a espondilite anquilosante nos critérios de Nova York Modificados?
8.Sobre a fisiopatologia das espondiloartrites, qual par citocinas-efeito é o eixo central do dano?
9.Qual das seguintes é característica de dor lombar INFLAMATÓRIA?
10.Gestante de 32 anos com axSpA conhecida pergunta sobre medicação. Nosso conhecimento atual indica que o anti-TNF com menor transferência placentária é:
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