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Revisão completa dos distúrbios hemodinâmicos do capítulo 4 do Robbins: mecanismos do edema pelas forças de Starling, transudato versus exsudato, classificação e fases do choque, lesões morfológicas clássicas (fígado em noz-moscada, rim de choque, membranas hialinas), critérios Sepsis-3, classes de hemorragia do ATLS e tratamento com doses de vasopressores.
[1] Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease. 10ª ed. Elsevier; 2021 (capítulo 4: Hemodynamic Disorders, Thromboembolic Disease, and Shock). | [2] Hall JE, Hall ME. Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology. 14ª ed. Elsevier; 2021. | [3] Evans L, Levine S, Alhazzani W et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Crit Care Med. 2021;49(11):e1063-e1143. DOI 10.1097/CCM.0000000000005337 | [4] Singer M, Deutschman CS, Seymour CW et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016;315(8):801-810. DOI 10.1001/jama.2016.0287 · PMID 26903338 | [5] Rudd KE, Johnson SC, Agesa KM et al. Global, regional, and national sepsis incidence and mortality, 1990-2017. Lancet. 2020;395(10219):200-211. DOI 10.1016/S0140-6736(19)32989-7 · PMID 31903238 · DOI 10.1097/CCM.0000000000005337
Edema e choque são os dois desfechos hemodinâmicos mais cobrados da patologia geral porque compartilham a mesma raiz: falha no equilíbrio entre pressões hidrostáticas, pressões oncóticas e função do endotélio. O choque, por sua vez, é a grande causa de morte em UTIs: a análise do Global Burden of Disease estimou 48,9 milhões de casos de sepse e 11 milhões de mortes relacionadas em 2017, cerca de 1 em cada 5 óbitos do planeta, com 85% do peso em países de baixa e média renda como o Brasil. O choque cardiogênico complica 5 a 8% das internações por infarto agudo do miocárdio e mantém mortalidade de 40 a 50% mesmo com revascularização. Para a prova, o aluno precisa dominar três eixos: os mecanismos do edema com suas doenças-exemplo, a cadeia fisiopatológica que leva da hipoperfusão à lesão celular irreversível e as lesões morfológicas com nome próprio, que são predileta de banca.
Edema é o acúmulo excessivo de líquido nos espaços intersticiais ou nas cavidades serosas; quando é generalizado e grave chama-se anasarca, e recebe nomes especiais conforme a cavidade (ascite na peritônio, hidrotórax na pleura, hidropericárdio no pericárdio). O líquido acumulado pode ser transudato ou exsudato, distinção que orienta diretamente o diagnóstico diferencial. Choque, por sua vez, é o estado de hipoperfusão tecidual generalizada com hipoxia celular, decorrente de falência cardíaca, perda de volume, má distribuição do fluxo ou obstrução mecânica, e que evolui para lesão celular multiorgânica e morte se não revertido.
| Característica | Transudato | Exsudato |
|---|---|---|
| Proteínas | Menores que 3 g/dL (relação líquido/plasma menor que 0,5) | Maiores que 3 g/dL (relação maior que 0,5) |
| Densidade | Menor que 1.012 | Maior que 1.012 |
| Células e debris | Escassos | Numerosos (leucócitos, hemácias, debris) |
| Mecanismo | Desequilíbrio de forças de Starling com endotélio íntegro (insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica) | Aumento da permeabilidade vascular por inflamação (peritonite, pleurite, queimaduras, neoplasias) |
| Coagulação | Não coagula (pouco fibrinogênio) | Pode coagular, rico em fibrina |
O choque classifica-se em quatro tipos fisiopatológicos: hipovolêmico (hemorragia, desidratação, queimaduras, pancreatite), cardiogênico (infarto com perda de 40% ou mais da massa do ventrículo esquerdo, arritmias, miocardites, valvopatias), distributivo (a volemia está normal ou aumentada, mas distribuída de forma inadequada: séptico, anafilático e neurogênico) e obstrutivo (tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo e embolia pulmonar maciça, que obstruem o enchimento ou o ejeção). O choque séptico é o mais frequente em terapia intensiva; o neurogênico e o anafilático são os mais rápidos de instalar; e o cardiogênico é o de maior letalidade em série histórica.
O movimento de líquido entre capilar e interstício obedece ao equilíbrio entre a pressão hidrostática capilar, que empurra líquido para fora, e a pressão oncótica plasmática, puxada principalmente pela albumina, que retém líquico dentro do vaso, com a drenagem linfática como válvula de escape. A albumina responde por 70 a 80% da pressão oncótica plasmática total, e o edema por hipoproteinemia torna-se clinicamente evidente quando a albumina sérica cai abaixo de aproximadamente 2,5 g/dL. Quatro mecanismos, isolados ou combinados, produzem edema: aumento da pressão hidrostática, redução da pressão oncótica, obstrução linfática e retenção renal de sódio e água, aos quais se soma o aumento da permeabilidade vascular, que gera exsudato inflamatório.
| Mecanismo | Exemplos clássicos | Tipo de líquido |
|---|---|---|
| Aumento da pressão hidrostática | Insuficiência cardíaca (edema pulmonar na esquerda, edema de membros na direita), trombose venosa profunda, insuficiência venosa crônica, sobrecarga volêmica iatrogênica, hipertensão portal (ascite) | Transudato |
| Queda da pressão oncótica | Síndrome nefrótica (perda urinária de albumina), cirrose (síntese hepática reduzida), desnutrição proteica (kwashiorkor), enteropatia perdedora de proteínas | Transudato |
| Obstrução linfática | Filariose (Wuchereria bancrofti, causa mais comum no mundo), linfadenectomia axilar por câncer de mama, radioterapia, neoplasias, síndrome de Milroy (congênita) | Linfedema, rico em proteínas, não deixa godet |
| Retenção renal de sódio e água | Síndrome nefrótica, glomerulonefrites, insuficiência cardíaca avançada (hipoperfusão renal com ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona) | Transudato |
| Aumento da permeabilidade vascular | Inflamação aguda, queimaduras, sepse, angioedema mediado por bradicinina ou histamina | Exsudato |
O sistema linfático tem reserva funcional de cerca de 3 vezes o fluxo basal: por isso pequenos aumentos da pressão capilar são compensados, e o edema só aparece quando essa reserva é superada. Formas especiais merecem nota de prova: o edema pulmonar hidrostático instala-se quando a pressão capilar pulmonar excede 25 mmHg (normal de 8 a 12 mmHg); o edema cerebral classifica-se em vasogênico (ruptura da barreira hematoencefálica,ao redor de tumores e abscessos, líquido rico em proteínas), citotóxico (falência da bomba Na-K ATPase com tumefação celular, tipico da isquemia), intersticial (hidrocefalia, líquido periventricular) e osmótico (correção rápida da hipernatremia, com desmielinização); o mixedema do hipotireoidismo é um edema duro e sem godet por depósito de glicosaminoglicanos no interstício, e não por forças de Starling; e o edema por fármacos (inibidores da ECA, bloqueadores de canal de cálcio, corticoides, estrogênios) é diagnóstico diferencial ambulatorial frequente.
Independente da causa, o denominador comum é a queda da entrega de oxigênio aos tecidos: a hipoxia celular desvia o metabolismo para a glicólise anaeróbia, com produção de apenas 2 ATP por glicose e acúmulo de lactato, gerando acidose metabólica. O esgotamento de ATP inativa as bombas de sódio-potássio e cálcio: entra sódio e água (tumefação celular), sai potássio e o cálcio intracelular dispara proteases, fosfolipases e endonucleases, desacoplando mitocôndrias e ativando caspases. Quando a membrana plasmática se rompe e as hidrolases lisossômicas extravasam, a lesão torna-se irreversível. Em paralelo, o endotélio lesado expressa moléculas de adesão, favorece estase, agregação leucocitária e microtrombose, consumindo fatores de coagulação e instalando coagulação intravascular disseminada, que piora a hipoperfusão em círculo vicioso.
A resposta compensadora inicial é neuro-hormonal: barorreflexo e ativação simpática determinam taquicardia, aumento da contratilidade, venoconstrição e vasoconstrição de territórios menos nobres (pele, músculo, esplâncnico e rim), preservando coração e cérebro, cuja autorregulação mantém-se até fases avançadas; seguem-se o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o hormônio antidiurético, retendo sódio e água. Classicamente descrevem-se três fases: choque não progressivo (compensado), no qual esses mecanismos restauram a perfusão e o paciente se recupera; choque progressivo (descompensado), com queda da pressão, oligúria, lactato crescente e disfunção miocárdica e vascular progressiva; e choque irreversível, em que a acidose intensa, a paralisia vasomotora com refratariedade às catecolaminas e a falência de bomba cardíaca tornam a morte inevitável mesmo com suporte pleno, reposição volêmica e drogas vasoativas.
Cada tipo tem seu mecanismo próprio. No hipovolêmico, a perda de volume reduz o retorno venoso e o débito. No cardiogênico, a bomba falha com pressões de enchimento elevadas. No obstrutivo, tamponamento, pneumotórax hipertensivo e embolia maciça impedem enchimento ou ejeção. No séptico, os mediadores inflamatórios (TNF, IL-1, IL-6, óxido nítrico, bradicinina, complemento e fator ativador de plaquetas) causam vasodilatação intensa com queda da resistência vascular sistêmica, leak capilar e, nas fases iniciais, débito cardíaco elevado com pele quente (choque quente); a evolução para vasoconstrição e hipoperfusão fria marca falência. No anafilático, a degranulação de mastócitos mediada por IgE libera histamina e leucotrienos com vasodilatação e edema de via aérea. No neurogênico, a lesão medular cervical ou bulbar retira o tônus simpático: hipotensão com bradicardia e pele quente, sem taquicardia compensatória, marca registrada em prova.
A congestão passiva crônica produz as imagens clássicas do Robbins: o fígado em noz-moscada, com dilatação dos sinusoides e necrose dos hepatócitos centrais-lobulares (zona 3, a mais distante do aporte portal), podendo evoluir para cirrose cardíaca; o pulmão de congestão crônica fica firme e marrom (induração marrom) por siderófagos derivados de macrófagos que fagocitam hemácia extravasadas, as chamadas células de insuficiência cardíaca; e o baço congestivo pode chegar a esplenomegalia. No edema, o pulmão torna-se pesado, úmido e com espuma rosada escorrendo pelo brônquio ao corte.
No choque compensado, a pressão arterial ainda é normal e os sinais precoces são taquicardia, pele fria e úmida, colapso venoso periférico, narrowing da pressão de pulso e oligúria incipiente; a taquicardia e a redução da pressão diferencial antecedem a queda da sistólica, que só ocorre com perda de cerca de 25 a 30% da volemia no adulto. Na descompensação somam-se hipotensão, palidez acinzentada, cianose em mosaico, taquipneia, alteração do nível de consciência de agitação a letargia e anúria. O choque séptico precoce rompe esse padrão: paciente febril, hipotenso, com pele quente e seca e pulso amplo, porque a vasodilatação domina o quadro; o choque neurogênico combina hipotensão com bradicardia paradoxal e pele quente abaixo da lesão. O índice de choque (frequência cardíaca dividida pela pressão sistólica), normal entre 0,5 e 0,7, sugere hipovolemia oculta quando maior ou igual a 0,9 e choque franco quando maior ou igual a 1.
| Classe de hemorragia (ATLS) | Volume perdido | Sinais clássicos |
|---|---|---|
| Classe I | Até 15% (até 750 mL) | FC menor que 100, pressão normal, ansiedade mínima, diurese normal |
| Classe II | 15 a 30% (750 a 1.500 mL) | FC 100 a 120, pressão sistólica normal, pressão de pulso diminuída, taquipneia leve, ansiedade |
| Classe III | 30 a 40% (1.500 a 2.000 mL) | FC 120 a 140, hipotensão, confusão, pele fria, diurese de 5 a 15 mL/h |
| Classe IV | Maior que 40% (maior que 2.000 mL) | FC maior que 140, hipotensão marcada, letargia, anúria, risco iminente de parada |
O diagnóstico é clínico e o lactato arterial ou venoso é o biomarcador central: valores maiores ou iguais a 2 mmol/L indicam hipoperfusão e maior risco, e a partir de 4 mmol/L a mortalidade da sepse aproxima-se de 28%, independentemente da pressão arterial. Os critérios de Sepsis-3 definem sepse como infecção com disfunção aguda de órgão (SOFA maior ou igual a 2) e choque séptico como a necessidade de vasopressor para manter pressão média maior ou igual a 65 mmHg associada a lactato maior que 2 mmol/L após reposição volêmica adequada, quadro com mortalidade hospitalar superior a 40%. O qSOFA (frequência respiratória maior ou igual a 22, alteração de consciência e pressão sistólica menor ou igual a 100 mmHg, com 2 ou mais itens) é ferramenta de triagem rápida e não substitui a avaliação clínica. Outros alvos de monitorização: diurese maior ou igual a 0,5 mL/kg/h, queda de lactato de pelo menos 10% em 2 horas e saturação venosa central de oxigênio maior ou igual a 70%.
| Tipo de choque | PVC/PAOP | Débito cardíaco | Resistência vascular sistêmica |
|---|---|---|---|
| Hipovolêmico | Baixa | Baixo | Alta (compensatória) |
| Cardiogênico | Alta | Baixo | Alta |
| Obstrutivo | Alta | Baixo | Alta |
| Séptico precoce | Baixa ou normal | Alto ou normal | Baixa (vasoplegia) |
| Séptico tardio | Variável | Baixo (depressão miocárdica) | Baixa ou em normalização com drogas |
A investigação complementar inclui gasometria com lactato, hemograma com plaquetas, coagulograma (na CIVD: plaquetopenia, TP e TTPa prolongados, fibrinogênio baixo e D-dímero elevado, com esquizócitos no esfregaço), troponina e peptídeos natriuréticos no choque cardiogênico, e ecocardiografia à beira do leito com avaliação da veia cava, que no hipovolêmico mostra colapso inspiratório acentuado. No edema, a propedêutica direciona a causa: albumina sérica, eletroforese, exame de urina tipo 1 com razão proteína/creatinina (síndrome nefrótica), TSH (mixedema), ultrassonografia com Doppler venoso (TVP) e radiografia de tórax (padrões de congestão e derrame).
Todo choque começa com vias aéreas, ventilação e circulação, dois acessos calibrosos, monitorização contínua e tratamento da causa-base. No hipovolêmico hemorrágico, a prioridade é o controle do sangramento com reposição balanceada: o ensaio PROPPR demonstrou que a razão 1:1:1 entre concentrados de hemácias, plasma fresco e plaquetas reduziu a morte por exsanginação em 24 horas de 14,6% para 9,2% quando comparada à razão 1:1:2, consolidando a transfusão maciça balanceada. Cristaloide está indicado nas classes I e II e na reposição inicial da sepse, na dose de 30 mL/kg na primeira hora para hipoperfusão ou lactato maior ou igual a 4 mmol/L, com preferência por soluções balanceadas segundo a Surviving Sepsis Campaign 2021.
No choque séptico, a noradrenalina é o vasopressor de primeira linha (dose inicial de 0,01 a 0,05 mcg/kg/min, titulada comumente até 1 a 2 mcg/kg/min), com meta de pressão média maior ou igual a 65 mmHg; a vasopressina em dose fixa de 0,03 U/min é acrescentada como segunda linha para poupar noradrenalina, a adrenalina é alternativa e a hidrocortisona 200 mg/dia em infusão contínua é reservada ao choque refratário. O antibiótico amplo deve ser administrado na primeira hora e o controle do foco é obrigatório. No choque cardiogênico, dobutamina (2,5 a 20 mcg/kg/min) melhora a contratilidade com pouca vasoconstrição, associa-se suporte vasopressor conforme o perfil e a revascularização emergencial é mandatória, pois o ensaio SHOCK demonstrou redução da mortalidade em 6 meses de 63% para 50% com estratégia de revascularização precoce. No obstrutivo, resolve-se a causa: pericardiocentese no tamponamento, descompressão com agulha no pneumotórax hipertensivo e trombólise ou embolectomia na embolia maciça. No anafilático, adrenalina intramuscular na dose de 0,3 a 0,5 mg (0,01 mg/kg) na face anterior da coxa, repetida a cada 5 a 10 minutos, é a intervenção que salva a vida, precedendo corticoide e antihistamínico.
| Droga | Dose usual | Ação principal | Indicação prioritária |
|---|---|---|---|
| Noradrenalina | 0,01 a 2 mcg/kg/min | Agonista alfa predominante, beta-1 moderado | Primeira linha no séptico e em choques vasoplégicos |
| Adrenalina | 0,01 a 0,5 mcg/kg/min | Alfa e beta | Anafilático, séptico refratário, bradicardia com hipotensão |
| Vasopressina | 0,03 U/min fixa | Agonista V1, independente de adrenorreceptores | Segunda linha no séptico, poupa noradrenalina |
| Dobutamina | 2,5 a 20 mcg/kg/min | Beta-1 predominante, inotrópica | Baixo débito com pressões adequadas (cardiogênico, séptico com disfunção) |
| Dopamina | 5 a 20 mcg/kg/min | Dose-dependente: dopaminérgica, beta e alfa | Alternativa restrita (bradicardia com hipotensão), mais arritmogênica |
| Fenilefrina | 0,5 a 9 mcg/kg/min | Alfa puro | Vasoplegia com taquiarritmia limitante |
No edema, trata-se a causa com medidas específicas: restrição de sódio e diurético de alça no edema por insuficiência cardíaca (furosemida 20 a 40 mg IV, titulada conforme a resposta), reposição proteica e controle da proteinúria na síndrome nefrótica, dieta hipossódica e paracentese no cirrótico com ascite, e fisiotapia com compressão gradiente e drenagem linfática no linfedema. No edema pulmonar cardiogênico agudo, furosemida IV, vasodilatador e ventilação não invasiva reduzem a pré-carga em minutos. No edema cerebral, manitol 0,25 a 1 g/kg IV ou solução salina hipertônica a 3% e correção da glicemia e da PaCO2. Vale o princípio: diurético sem tratar a causa-base apenas desidrata o paciente e mantém o edema.
As complicações do choque são a expressão clínica da lesão celular descrita: síndrome do desconforto respiratório agudo por dano alveolar difuso (critérios de Berlim: relação PaO2/FiO2 entre 200 e 300 na forma leve, 100 a 200 na moderada e menor ou igual a 100 na grave), coagulação intravascular disseminada, necrose tubular aguda, falência hepática, úlceras de estresse (Curling no queimado, Cushing no neurocrítico), imunossupressão com translocação bacteriana e, como desfecho integrador, disfunção de múltiplos órgãos. A mortalidade varia pelo tipo e pela rapidez do tratamento: em torno de 30 a 40% no choque séptico em registros contemporâneos, 40 a 50% no cardiogênico, muito alta no hemorrágico classe IV sem controle do sangramento e habitualmente baixa no neurogênico com suporte adequado de pressão. O edema, por sua vez, mata pela localização: pulmonar (insuficiência respiratória), cerebral (herniação) e ascite cirrótica (peritonite bacteriana espontânea), enquanto o linfedema crônica predispõe a erisipela de repetição e linfangiossarcoma (síndrome de Stewart-Treves) no linfedema crônico pós-mastectomia.
1.Paciente com insuficiência cardíaca direita crônica apresenta fígado congestivo à ultrassonografia. O achado histológico característico é:
2.Homem de 25 anos sofre traumatismo raquimedular cervical e chega com pressão de 78/48 mmHg, frequência cardíaca de 52 bpm e pele quente e rosada abaixo da lesão. O mecanismo do quadro é:
3.Nas primeiras horas do choque séptico, o perfil hemodinâmico típico é:
4.O chamado rim de choque corresponde histologicamente a:
5.Sobre a distinção entre transudato e exsudato, a afirmativa correta é:
6.Paciente com pneumonia grave chega com pressão 110/70 mmHg, frequência respiratória 26, confusão leve e lactato de 4,5 mmol/L. Conduta imediata segundo a Surviving Sepsis Campaign 2021:
7.No choque séptico com hipotensão persistente apesar de volume, o vasopressor de primeira linha e a meta de pressão são:
8.Vítima de trauma com estimativa de perda sanguínea de 30 a 40% da volemia (classe III do ATLS) apresenta tipicamente:
9.Adolescente com meningococcemia evolui com choque e insuficiência adrenal aguda. O achado necroscópico característico é:
10.Sobre o conceito de choque irreversível, a afirmativa correta é:
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