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Revisão de patologia endócrina com foco em tireoide e pâncreas endócrino: morfologia dos bócios e tireoidites, neoplasias tireoidianas com sistema Bethesda e marcas moleculares, classificação e patogênese do diabetes e lesões das complicações micro e macrovasculares. Inclui critérios laboratoriais com valores, condutas com doses e pegadinhas clássicas de prova.
[1] Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease. 10th ed. Filadélfia: Elsevier; 2021 (capítulos de patologia endócrina) | [2] Haugen BR, Alexander EK, Bible KC, et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid. 2016;26(1):1-133 · DOI 10.1089/thy.2015.0020 | [3] Cibas ES, Ali SZ. The 2017 Bethesda System for Reporting Thyroid Cytopathology. Thyroid. 2017;27(11):1341-1346 · DOI 10.1089/thy.2017.0500 | [4] NCD Risk Factor Collaboration (Zhou B, et al.). Worldwide trends in diabetes prevalence and treatment from 1990 to 2022: a pooled analysis of 1108 population-representative studies with 141 million participants. Lancet. 2024;404:145-155 · DOI 10.1016/S0140-6736(24)02317-1 | [5] American Diabetes Association Professional Practice Committee. Standards of Care in Diabetes—2025. Diabetes Care. 2025;48(Supl. 1) · DOI 10.2337/dc25-Sint | [6] WHO Classification of Tumours Editorial Board. Endocrine and neuroendocrine tumours. Lyon: IARC; 2022 (WHO Classification of Tumours Series, 5ª ed.) · DOI 10.1089/thy.2015.0020
Os dois capítulos de patologia endócrina que mais aparecem em provas são tireoide e pâncreas endócrino. Nódulos tireoidianos são palpáveis em cerca de 5% das mulheres adultas e detectáveis ao ultrassom em até 50% a 60% dos adultos acima de 60 anos, mas apenas 5% a 10% escondem um carcinoma — o desafio é distinguir, com citologia e molecular, os poucos que matam dos muitos que apenas ocupam espaço. No pâncreas, o diabetes mellitus atingiu 828 milhões de adultos no mundo em 2022, mais que o dobro de 1990, e suas complicações micro e macrovasculares concentram a maior parte da morbimortalidade. Este artigo percorre a morfologia essencial (da célula de Hürthle ao corpúsculo de Kimmelstiel-Wilson), os critérios laboratoriais com valores e as condutas com doses, no estilo Robbins aplicado à prova.
O hipertireoidismo tem três causas que caem em prova: doença de Graves (anticorpo estimulante do receptor de TSH), bócio multinodular tóxico e adenoma tóxico. Na doença de Graves, a estimulação autoimmune crônica produz bócio difuso hipercelular: à microscopia, epitélio folicular alto colunar com invaginações papilares do folículo escasso em coloide, aspecto chamado de scalloping na periferia do coloide, infiltração linfocitária e vascularização intensa. As manifestações extratireoidianas — oftalmopatia infiltrativa com edema periorbital e proptose por depósito de glicosaminoglicanos nos fibroblastos orbitários, mixedema pretibial e acropatia — são mediadas por anticorpos contra o receptor de TSH em fibroblastos e tecido orbitário, e pioram com tabagismo.
O hipotireoidismo divide-se em congênito (agenesia, dishormonogênese por defeitos enzimáticos como a peroxidase e a pendrina, receptor resistente) e adquirido, dominado por duas entidades: deficiência de iodo, principal causa mundial de bócio e cretinismo, e tireoidite de Hashimoto, principal causa em áreas com iodo suficiente. O bócio coloide multinodular é a resposta do parênquima ao estímulo trófico intermitente: folículos dilatados repletos de coloide denso revestidos por epitélio achatado, com áreas de hemorragia, fibrose, calcificação e quistificação — a tireoide pode atingir centenas de gramas e comprimir traqueia e esôfago.
| Tireoidite | Etiologia | Morfologia | Apresentação clínica | Conduta |
|---|---|---|---|---|
| Hashimoto (linfocítica crônica) | Autoimune; anti-TPO positivo em cerca de 90%; anticorpo antitireoglobulina | Infiltração linfocitária difusa com centros germinais, folículos atróficos e células de Hürthle oncocíticas; fibrose tardia | Mulheres na quarta e quinta décadas, razão de até 10 para 1; hipotireoidismo indolor com bócio firme; risco aumentado de linfoma tireoidiano | Levotiroxina 1,6 mcg/kg/dia para reposição e redução do bócio |
| Granulomatosa subaguda (De Quervain) | Reação pós-viral (influenza, adenovírus, coxsackie, SARS-CoV-2) | Granulomas não caseosos com células gigantes multinucleadas ao redor de coloide extravasado | Dor cervical alta com irradiação para mandíbula, febre, VHS muito elevada, fase de tiroxicose transitória seguida de hipotireoidismo | Anti-inflamatórios não esteroides; prednisona 40 mg/dia nas recidivas; beta-bloqueador na fase de tiroxicose |
| Linfocítica indolor (silente) e pós-parto | Autoimune, com flutuação de TRAb | Infiltração linfocítica sem centros germinais proeminentes nem células de Hürthle | Tiroxicose transitória indolor em puérperas nos primeiros 6 meses, evoluindo a hipotireoidismo | Beta-bloqueador; reposição se hipotireoidismo persistente; acompanhar |
| Fibrosante de Riedel | Doença relacionada a IgG4, com fibrose mediada por imunidade | Fibrose densa que substitui o parênquima e invade estruturas adjacentes, tireoide pétrea | Bócio lenhoso indolor com compressão de traqueia, esôfago e nervo recorrente; pode associar fibrose retroperitoneal | Corticoide; cirurgia apenas para descongestionar; levotiroxina no hipotireoidismo |
| Supurada aguda | Bactérias (Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, anaeróbios) | Infiltrado neutrofílico com abscessos | Dor intensa, febre alta, dor à palpação em paciente imunossuprimido ou criança | Antibioticoterapia IV e drenagem quando indicado |
O adenoma folicular é a neoplasia tireoidiana benigna mais comum: nódulo solitário, encapsulado, bem delimitado, que comprime o parênquima adjacente, com padrões microfolicular, macrofolicular ou trabecular. O carcinoma folicular diferencia-se do adenoma exclusivamente pela invasão — de cápsula ou vascular — e é exatamente por isso que a punção com agulha fina (PAF) não consegue distinguir os dois: a citologia aspira células, não a cápsula. Toda neoplasia folicular diagnosticada por PAF (Bethesda IV) exige, em princípio, lobectomia diagnóstica, com o exame de congelação historicamente pouco conclusivo. Na cintilografia com radioiodo, nódulos quentes (hipercaptantes) são raramente malignos, enquanto nódulos frios concentram o risco.
| Categoria Bethesda | Nome da categoria | Risco de malignidade | Conduta habitual |
|---|---|---|---|
| I | Não diagnóstica ou insatisfatória | 5% a 10% | Repetir a PAF em 3 meses (até 2 vezes) |
| II | Benigna | 0% a 3% | Seguimento clínico e ultrassonográfico |
| III | Atipia de significado indeterminada (AUS/FLUS) | 10% a 30% | Repetir PAF, painel molecular ou seguimento próximo |
| IV | Neoplasia folicular ou suspeita de neoplasia folicular (FN/SFN) | 10% a 40% | Lobectomia diagnóstica ou painel molecular |
| V | Suspeita de malignidade | 50% a 75% | Tireoidectomia total ou lobectomia, conforme risco |
| VI | Maligna | acima de 97% | Tireoidectomia total, em geral com esvaziamento ganglionar conforme caso |
| Tipo | Origem e epidemiologia | Morfologia-chave | Disseminação e biologia molecular | Prognóstico |
|---|---|---|---|---|
| Papilífero | Célula folicular; 80% a 85% dos carcinomas; pico entre 20 e 40 anos | Papilas fibrovasculares, núcleos com inclusões citoplasmáticas (olhos de órfã), sulcos nucleares, cromatina em vidro fosco e corpúsculos psamomatosos em cerca de metade | Disseminação linfática cervical (metástases ocultas em até 50%); BRAF V600E em 40% a 60%, reordenações RET/PTC ligadas à radiação e NTRK; variante folicular com RAS | Excelente; sobrevida em 10 anos acima de 95% no risco baixo |
| Folicular | Célula folicular; 10% a 15%; mais comum em áreas de deficiência de iodo | Folículos neoplásicos invadindo cápsula e/ou vasos (padrão minimamente ou amplamente invasivo); sem núcleos de papilífero | Disseminação hematogênica para pulmão, osso e cérebro; mutações RAS e rearranjo PAX8-PPARG | Bom no minimamente invasivo; pior no amplamente invasivo; capta radioiodo |
| Pobremente diferenciado | Célula folicular; critérios de Turim | Padrão sólido, trabecular ou insular sem núcleos papilíferos, com mitoses, apoptose ou necrose | Progressão de carcinoma diferenciado; TERT promoter e TP53 | Intermediário; reduzida captação de iodo |
| Medular | Célula C parafolicular produtora de calcitonina; 2% a 4%; 20% a 25% familiares (MEN 2A, 2B e familiar) | Células redondas e poligonais em ninhos, estroma com depósitos de amiloide (positivos para vermelho Congo), cromogranina e calcitonina positivas | Disseminação linfática e hematogênica; mutação germinal de RET; calcitonina e CEA séricos como marcadores | Intermediário; tireoidectomia profilática nos portadores de RET (primeiros meses na MEN 2B) |
| Anaplásico | Célula folicular desdiferenciada; menos de 2%; acima dos 60 anos | Células gigantes pleomórficas, áreas sarcomatoides e alta atividade mitótica com necrose | Invasão local agressiva; TP53, TERT promoter, mutações de BRAF ou RAS prévias; sempre estádio IV | Invariavelmente letal; sobrevida mediana inferior a 12 meses |
A estratégia de risco da diretriz da American Thyroid Association (2015) combina estádio pós-operatório (TNM), achados histológicos e tireoglobulina estimulada para definir risco de recidiva baixo, intermediário e alto, que por sua vez define a intensidade da supressão do TSH (alvo entre 0,5 e 2,0 mUI/L no risco baixo; 0,1 a 0,5 mUI/L no intermediário; abaixo de 0,1 mUI/L no alto) e a necessidade de radioiodo (iodo-131 de 30 a 150 mCi). Tumores menores que 4 cm, intratireoidianos e de baixo risco podem ser tratados com lobectomia isolada. Na doença refratária ao radioiodo, os inibidores de tirosinoquinase multialvo (sorafenibe e lenvatinibe) e, no anaplásico com BRAF V600E, a combinação dabrafenibe-trametinibe são opções sistêmicas.
O diabetes mellitus (DM) classifica-se em tipo 1 (destruição autoimmune da célula beta, 5% a 10% dos casos), tipo 2 (resistência à insulina com defeito secretório progressivo, 90% a 95%), formas monogênicas e outras formas específicas (1% a 2%) e diabetes gestacional. A distinção patológica entre DM1 e DM2 é tema recorrente de prova e resume-se na tabela a seguir.
| Característica | Diabetes tipo 1 | Diabetes tipo 2 |
|---|---|---|
| Mecanismo central | Destruição autoimmune da célula beta com deficiência absoluta de insulina | Resistência periférica à insulina associada a falha secretória progressiva |
| Genética | Associação com HLA-DR3-DQ2 e HLA-DR4-DQ8; HLA-DR2 protetor | Herança poligênica forte (concordância entre gêmeos de cerca de 90%) sem associação HLA |
| Autoimunidade | Insulite com linfócitos T CD8; autoanticorpos anti-GAD65, IA-2, ZnT8 e anti-insulina | Ausente; amiloidose de ilhota por depósito de amelina (IAPP) |
| Massa de célula beta | Reduzida em 80% a 90% ou mais quando os sintomas surgem | Perda parcial e variável, em torno de 20% a 60% no decorrer da doença |
| Apresentação | Início abrupto em magros, antes dos 30 anos, com cetoacidose | Início insidioso em obesos, após os 40 anos, frequentemente assintomático por anos |
| Cetoacidose | Frequente na apresentação e nas intercorrências | Rara, exceto em estresses graves; tendência à síndrome hiperosmolar |
As formas monogênicas (MODY) respondem por 1% a 2% do diabetes e aparecem em provas como o diabetes de início precoce com herança autossômica dominante em três gerações: o MODY2 por mutação da glucoquinase cursa com hiperglicemia de jejum leve e estável desde o nascimento, com baixo risco de complicações; o MODY3 por mutação do HNF1A causa diabetes progressivo com glicosúria renal e sensibilidade marcante a doses baixas de sulfonylureias; o MODY1 (HNF4A) assemelha-se ao MODY3. O diabetes mitocondrial (mutação A3243G, síndrome MELAS-MIDD) transmite-se por via materna e associa-se a surdez neurossensorial. Entre as secundárias clássicas: hemocromatose (diabetes bronzeado com depósito de ferro no pâncreas), doença pancreática (pancreatite crônica, pancreatectomia, fibrose cística — o chamado tipo 3c), endocrinopatias (Cushing, acromegalia, feocromocitoma, glucagonoma, somatostatinoma) e medicamentos (glicocorticoides, inibidores de protease, antipsicóticos atípicos).
No DM1, a lesão inicial é a insulite: infiltrado de linfócitos T CD8 e macrófagos ao redor e dentro das ilhotas, com apoptose seletiva das células beta e preservação relativa das alfa e delta. A fase pré-clínica dura meses a anos, com autoanticorpos circulantes detectáveis antes da disfunção metabólica — o anti-GAD65 é o mais frequente no início no adulto (positivo em 70% a 80% dos novos casos). Quando a reserva secretória cai abaixo de 10% a 20%, a glicemia despenca e a cetoacidose instala-se. No DM2, a ilhota exibe depósito extracelular de material amiloide composto por polipeptídeo amiloide de ilhota (amelina ou IAPP), cosecretado com a insulina, que se agrega na microcirculação da ilhota e contribui para a disfunção e morte das células beta por estresse do retículo endoplasmático; acompanham-se hiperplasia compensatória precoce e fibrose tardia.
As complicações derivam de quatro mecanismos bioquímicos ligados à hiperglicemia crônica: glicação não enzimática de proteínas com formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs) que reticulam colágeno e ativam receptores RAGE; via do sorbitol (aldose redutase), que consome NADPH e acumula sorbitol intracelular no cristalino e nos nervos; ativação da proteína quinase C via diacilglicerol (DAG-PKC), que aumenta permeabilidade vascular; e estresse oxidativo mitocondrial. O resultado é a tríade microvascular clássica mais a doença macrovascular acelerada.
| Complicação | Lesão patológica | Correlato clínico |
|---|---|---|
| Retinopatia não proliferativa | Microaneurismas, hemorragias puntiformes, exsudatos duros e edema macular | Principal causa de cegueira em adultos em idade produtiva; rastreio oftalmológico anual |
| Retinopatia proliferativa | Neovascularização induzida por VEGF sobre a superfície retiniana e do disco | Hemorragia vítrea e descolamento tracional; fotocoagulação e anti-VEGF intravítreo |
| Nefropatia incipiente | Hialinização arteriolar aferente E eferente (lesão exclusiva do diabetes) com aumento da matriz mesangial | Microalbuminúria de 30 a 300 mg em 24 h (ou relação albumina/creatinina de 30 a 300 mg/g) 5 a 10 anos após o diagnóstico |
| Nefropatia avançada | Glomeruloesclerose nodular de Kimmelstiel-Wilson (nódulos PAS positivos no centro do lóbulo) e glomeruloesclerose difusa | Proteinúria nefrótica, hipertensão e evolução para doença renal terminal; o diabetes é a principal causa de diálise no Brasil e no mundo |
| Neuropatia periférica | Degeneração axonal distal simétrica com perda de fibras mielinizadas e não mielinizadas | Distúrbio sensitivo distal simétrico em luva e meia com dor noturna; mononeuropatias e amiotrofia diabética |
| Neuropatia autonômica | Degeneração dos nervos autônomos cardíacos, gastrintestinais e geniturinários | Gastroparesia, diarreia noturna, hipotensão ortostática, disfunção erétil, hipoglicemia despercebida e isquemia silenciosa |
| Doença macrovascular | Aterosclerose acelerada e extensa de coronárias, carótidas, aorta e artérias de membros | Infarto do miocárdio (a principal causa de morte), acidente vascular cerebral e gangrena de membro |
| Infecções associadas | Imunopatia da hiperglicemia com disfunção de neutrófilos | Candidíase mucocutânea, mucormicose rinocerebral na cetoacidose, otite externa maligna por Pseudomonas, pielonefrite e colecistite enfisematosas, erisipela e fasciite necrosante |
O pé diabético merece nota separada: a combinação de neuropatia sensitiva (trauma despercebido), doença arterial periférica (isquemia) e imunopatia produz úlceras plantares que progridem para osteomielite; a artropatia de Charcot deforma o retropé em estágios avançados. Toda úlcera profunda com exposição óssea ou prova da sonda positiva deve ser investigada para osteomielite, com radiografia e, se necessário, ressonância.
| Critério (ADA) | Valor limiar | Observação |
|---|---|---|
| Glicemia de jejum (8 h) | Igual ou maior que 126 mg/dL | Jejum de 8 a 12 h; na faixa de 100 a 125 mg/dL define-se pré-diabetes |
| Glicemia 2 h após 75 g de glicose (TOTG) | Igual ou maior que 200 mg/dL | Entre 140 e 199 mg/dL define pré-diabetes (tolerância diminuída) |
| HbA1c | Igual ou maior que 6,5% | Reflete a média glicêmica de cerca de 3 meses; entre 5,7% e 6,4% define pré-diabetes; falsas alterações em anemias e hemoglobinopatias |
| Glicemia casual com sintomas | Igual ou maior que 200 mg/dL | Polidipsia, poliúria e perda ponderal confirmam o diagnóstico sem segundo teste |
A confirmação exige dois resultados alterados (na mesma amostra ou em duas amostras), salvo hiperglicemia inequívoca com sintomas. A estimativa da glicemia média (eAG) em mg/dL aproxima-se de 28,7 x HbA1c menos 46,7. Na suspeita de DM1, os autoanticorpos anti-GAD65, IA-2, ZnT8 e anti-insulina definem o processo autoimune, e o peptídeo C baixo confirma a deficiência secretória. Emergências: cetoacidose diabética define-se por glicemia acima de 250 mg/dL, pH arterial abaixo de 7,30, bicarbonato de 18 mEq/L ou menos, ânion gap elevado e cetonemia; a síndrome hiperglicêmica hiperosmolar cursa com glicemia acima de 600 mg/dL, osmolaridade efetiva acima de 320 mOsm/kg, pH preservado, cetoacidose mínima e desidratação grave. No rastreio do diabetes gestacional entre 24 e 28 semanas, o protocolo em uma etapa (IADPSG, 75 g) estabelece o diagnóstico com jejum de 92 mg/dL ou mais, 1 hora de 180 mg/dL ou mais ou 2 horas de 153 mg/dL ou mais.
| Medida ou fármaco | Dose habitual | Indicação | Observação |
|---|---|---|---|
| Levotiroxina | 1,6 mcg/kg/dia em jejum | Hipotireoidismo e supressão de TSH pós-câncer diferenciado | Ajuste a cada 6 a 8 semanas pelo TSH; absorção reduzida por ferro e cálcio |
| Metimazol | 10 a 40 mg/dia, mantendo a menor dose eficaz | Hipertireoidismo por Graves | Risco de agranulocitose e teratogenicidade; propiltiouracila (50 a 300 mg/dia) é preferido no primeiro trimestre |
| Iodo-131 | 30 a 150 mCi conforme risco | Ablação pós-tireoidectomia no câncer diferenciado intermediário ou alto | Requer TSH estimulado (suspensão de levotiroxina ou rhTSH) e dieta com baixo iodo |
| Metformina | 500 a 2550 mg/dia, com alimentos | Primeira linha no diabetes tipo 2 | Não causa hipoglicemia; ajustar na doença renal crônica avançada; suspender antes de contraste em risco renal |
| Insulina basal-bolus | 0,5 a 1,0 UI/kg/dia total | DM1 e DM2 com falha de antidiabéticos orais | Metade basal, metade prandial; na cetoacidose, infusão IV de 0,1 UI/kg/h após expansão volêmica |
| Inibidores de SGLT2 (empagliflozina) | 10 a 25 mg/dia | DM2 com doença cardiovascular, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica | Benefício cardiorenal independente da redução de HbA1c; risco de cetoacidose euglicêmica |
| Agonistas de GLP-1 (semaglutida) e tirzepatida | Semaglutida 0,25 a 1,0 mg SC por semana; tirzepatida 2,5 a 15 mg SC por semana | DM2 com obesidade ou risco cardiovascular | Redução de eventos cardiovasculares e de peso; efeitos gastrintestinais limitantes |
| Estatina e controle pressórico | Atorvastatina 20 a 40 mg/dia; meta de pressão abaixo de 130/80 mmHg | Todos os diabéticos entre 40 e 75 anos ou com risco aumentado | A doença cardiovascular é a principal causa de morte no diabetes |
Na cetoacidose, a sequência é reposição volêmica com soro fisiológico (15 a 20 mL/kg na primeira hora), insulina regular em infusão contínua de 0,1 UI/kg/h, reposição de potássio mantendo K acima de 3,3 mEq/L antes da insulina e glicose em 5% quando a glicemia atinge 200 a 250 mg/dL; bicarbonato fica restrito ao pH abaixo de 6,9. O desfecho depende da monitorização horária de glicemia, eletrólitos e ânion gap, e da busca do gatilho (infecção, suspensão de insulina, infarto).
O carcinoma papilífero de baixo risco cura-se em mais de 95% dos casos com cirurgia adequada, e o seguimento combina tireoglobulina sérica (com ou sem estímulo), anticorpo antitireoglobulina e ultrassonografia cervical; o medular exige calcitonina e CEA seriados, e o anaplásico tem sobrevida mediana inferior a 12 meses, com terapias-alvo em seleção molecular. No diabetes, o seguimento anual inclui HbA1c (meta individualizada, em geral abaixo de 7%), exame dos pés com monofilamento, relação albumina/creatinina, filtração glomerular estimada, exame oftalmológico dilatado, pressão arterial e lipides, além da vacinação antipneumocócica, antigripal e contra hepatite B. O prognóstico global mudou com o controle multifatorial (glicemia, pressão, lipides, nefroproteção com IECA ou BRA e os benefícios cardiovasculares de SGLT2 e GLP-1), mas o diabetes ainda reduz a expectativa de vida em uma década quando mal controlado.
1.A punção aspirativa de um nódulo tireoidiano solitário revelou folículos uniformes sem atipias, relatados como neoplasia folicular (Bethesda IV). Por que esse resultado não fecha o diagnóstico de benignidade?
2.Uma PAF de nódulo tireoidiano retorna como atipia de significado indeterminada (Bethesda III). O risco de malignidade esperado e a conduta inicial são:
3.O achado histológico que melhor caracteriza o carcinoma papilífero é:
4.Carcinoma medular da tireoide: a associação correta é:
5.Mulher de 38 anos com dor cervical intensa irradiando para a mandíbula, febre baixa, VHS de 90 mm/h, T4 livre elevada e TSH suprimido. O diagnóstico mais provável e o achado histológico esperado são:
6.Sobre a tireoidite de Hashimoto, a afirmativa correta é:
7.No diabetes tipo 2, o depósito amiloide encontrado nas ilhotas pancreáticas é composto por:
8.A lesão vascular praticamente exclusiva do diabetes, que o distingue da nefrosclerose hipertensiva, é:
9.A glomeruloesclerose nodular de Kimmelstiel-Wilson é caracterizada por:
10.Paciente em cetoacidose diabética desenvolve proptose dolorosa, necrose do palato e trombose de seio cavernoso. O agente e a razão do tropismo por esse contexto são:
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