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Revisão completa da patologia do tubo digestivo: esofagites, esôfago de Barrett, Helicobacter pylori e cascata de Correa, adenocarcinoma gástrico, doença celíaca, GIST, doença inflamatória intestinal, pólipos e as vias moleculares do carcinoma colorretal, com imuno-histoquímica, TNM e correlação terapêutica.
[1] Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2021 | [2] Nagtegaal ID, Odze RD, Klimstra D, et al. The 2019 WHO classification of tumours of the digestive system. Histopathology. 2020;76(2):182-188 · DOI 10.1111/his.13975 | [3] Bray F, Laversanne M, Sung H, et al. Global cancer statistics 2022: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. 2024;74:229-263 · DOI 10.3322/caac.21834 | [4] Malfertheiner P, Megraud F, Rokkas T, et al. Management of Helicobacter pylori infection: the Maastricht VI/Florence consensus report. Gut. 2022;71(9):1724-1762 · DOI 10.1136/gutjnl-2022-327745 | [5] INCA. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2022 · https://www.inca.gov.br | [6] WHO Classification of Tumours Editorial Board. Digestive System Tumours. 5th ed. Lyon: IARC; 2019 · DOI 10.1111/his.13975
As neoplasias do trato gastrointestinal concentram parte enorme da carga mundial de câncer. Segundo o GLOBOCAN 2022, o colorretal é o terceiro câncer mais incidente do mundo, com cerca de 1,9 milhão de casos novos e 904 mil óbitos por ano; o estômago responde por aproximadamente 970 mil casos novos e 660 mil mortes anuais, e o esôfago por cerca de 600 mil casos novos. No Brasil, a Estimativa 2023 do INCA projeta cerca de 45 mil casos novos de câncer de cólon e reto por ano no triênio 2023-2025, tumor que figura entre os quatro mais incidentes em homens e mulheres, enquanto o câncer gástrico mantém taxas elevadas no Norte e Nordeste. Para a prova de Patologia Especial, o aluno deve reconhecer o padrão histológico, nomear a lesão precursora, indicar o marcador imuno-histoquímico e conhecer a via molecular de cada tumor.
Todo o restante do artigo depende de cinco conceitos. Metaplasia é a substituição de um epitélio maduro por outro maduro diferente, como o epitélio escamoso esofágico substituído por epitélio colunar com células caliciformes no esôfago de Barrett. Displasia é a proliferação celular neoplásica confinada à lâmina própria, sem invasão, graduada em baixo e alto grau; carcinoma in situ é sinônimo de displasia de alto grau na classificação de Viena. Invasão começa quando as células atravessam a lâmina muscular da mucosa: no esôfago e no cólon, tumores que invadem apenas a submucosa e ainda são bem diferenciados raramente metastatizam, o que fundamenta a ressecção endoscópica. Úlcera é solução de continuidade que atravessa a muscular da mucosa e alcança a submucosa ou além. Por fim, lembre que a via adenoma-carcinoma responde pela maioria dos adenocarcinomas colorretais, mas não pela totalidade deles.
| Termo | Definição | Exemplo no trato gastrointestinal |
|---|---|---|
| Metaplasia intestinal | Epitélio colunar com células caliciformes substituindo epitélio nativo | Esôfago de Barrett; metaplasia gástrica no antro e corpo por H. pylori |
| Displasia de baixo grau | Atipia nuclear confinada, arquitetura preservada, núcleos na metade basal | Adenoma tubular de cólon |
| Displasia de alto grau | Atipia acentuada, perda de polaridade, arquitetura vilosa irregular, sem invasão | Adenoma viloso; Barrett com displasia grave |
| Invasão da submucosa | Células neoplásicas atravessam a muscular da mucosa (ponto de virada para carcinoma) | Adenocarcinoma invasor precoce (T1) |
| Carcinoma em anel de sinete | Células isoladas com mucina intracitoplasmática deslocando o núcleo | Adenocarcinoma gástrico difuso (Lauren) |
A esofagite peptica por doença do refluxo é a lesão esofágica mais comum: endoscopicamente graduada de A a D na classificação de Los Angeles, com erosões confluentes e estenose nos graus mais avançados. A exposição crônica ao suco gástrico pode induzir metaplasia intestinal, o esôfago de Barrett, definido como epitélio colunar com células caliciformes segmento de pelo menos 1 cm acima da junção esofagogástrica, medido em centímetros pelos critérios de Praga (circunferencial e máximo). O Barrett multiplica por diversas vezes o risco de adenocarcinoma, com incidência estimada entre 0,1% e 0,5% ao ano em média, maior na displasia de alto grau, o que impõe vigilância endoscópica com biópsias em quadrantes a cada 3 cm e tratamento ablativo da displasia confirmada.
A acalasia caracteriza-se por falha de relaxamento do esfíncter inferior com dilatação proximal progressiva e perda de ganglios do plexo mioentérico de Auerbach; no Brasil, a causa mais importante é a doença de Chagas, em que a denervação por Trypanosoma cruzi produz megaesôfago e, com o tempo, carcinoma epidermoide sobre estase crônica. Esofagites infecciosas marcam o paciente imunossuprimido: Candida produz placas brancas aderentes; o HSV gera vesículas e ulcerações com células virais com inclusões eosinofílicas e halo claro (inclusões em vidro fosco) no núcleo de queratinócitos; o CMV causa ulcerações lineares profundas com inclusões citomegálicas basofílicas no endotélio e estroma, com corpos virais rodeados por halo claro.
| Característica | Carcinoma epidermoide | Adenocarcinoma |
|---|---|---|
| Localização típica | Terço médio do esôfago | Terço distal e junção esofagogástrica |
| Fatores de risco | Álcool e tabagismo (efeito multiplicativo), cáusticos, acalasia e megaesôfago chagásico, dieta pobre em frutas e hortaliças | Doença do refluxo, esôfago de Barrett, obesidade central, tabagismo, sexo masculino |
| Epidemiologia | Predominante no cinturão esofágico (Ásia Central, sul da África) e no Brasil em áreas chagásicas | Tumor de maior crescimento nos países ocidentais, associado à obesidade |
| Lesão precursora | Displasia sobre esôfago de Barrett não se aplica; reconhece-se displasia escamosa | Metaplasia de Barrett com displasia de baixo e alto grau |
| Padrão histológico | Ilhas de células escamosas invadindo, com pérolas queratínicas nos graus diferenciados | Glândulas e estruturas papilares mucoprodutoras |
O Helicobacter pylori infecta cerca de 40% a 50% da população mundial e coloniza o antro, protegido pelo pH local pela urease, que converte ureia em amônia. Os fatores de virulência definem o risco: a ilha de patogenicidade cagA codifica um sistema de secreção tipo IV que injeta a proteína CagA no epitélio, desencadeando inflamação, e o gene vacA (alleles s1/m1) codifica a toxina vacuolizante VacA. A gastrite crônica ativa predomina no antro, eleva a gastrina e favorece a úlcera duodenal; a pangastrite atrófica avança para a cascata de Correa: gastrite crônica superficial, atrofia glandular, metaplasia intestinal, displasia e adenocarcinoma intestinal. O H. pylori é classificado como carcinógeno humano do grupo 1 pela IARC desde 1994.
No estômago, ainda, o H. pylori causa o linfoma MALT (linfoma marginal extranodal de células B da mucosa), cujo clone tumoral permanece dependente do estímulo antigênico bacteriano: linfomas MALT de baixo grau em estágio inicial regridem com a erradicação do H. pylori na maioria dos casos, exceto quando presente a translocação t(11;18)(q21;q21), que confere resistência à erradicação e indica tratamento oncológico. A úlcera péptica gástrica e a duodenal compartilham a tríade H. pylori, anti-inflamatórios não esteroides e ácido; a úlcera duodenal praticamente nunca é maligna, ao passo que toda úlcera gástrica exige biópsias múltiplas e controle endoscópico de cicatrização.
| Característica | Adenocarcinoma tipo intestinal de Lauren | Adenocarcinoma tipo difuso de Lauren |
|---|---|---|
| Padrão histológico | Glândulas bem formadas, variados graus de diferenciação, reação desmoplásica | Células em anel de sinete isoladas ou em cordões, infiltração difusa da parede |
| Lesão precursora | Metaplasia intestinal pela cascata de Correa | Geralmente não há precursor reconhecível; mutação germinativa de CDH1 no câncer gástrico difuso hereditário |
| Epidemiologia | Mais comum em regiões de alta incidência, homens e idosos, associado a H. pylori e dieta | Mais comum em jovens e mulheres, incidência estável nas populações ocidentais |
| Apresentação | Massa exofítica ou ulcerada de bordos elevados | Linitis plastica: parede rígida e espessada, estômago em bota de couro, diferença pouco visível à endoscopia |
| Marcadores | CK20 e CDX2 positivos na maioria | Mucina PAS positiva, E-caderina perdida na mutação de CDH1 |
A doença celíaca é enteropatia imune mediada por glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2 e DQ8), com ativação de linfócitos T CD4 contra peptídeos desimidados da gliadina pela transglutaminase tecidual. A histologia segue a classificação de Marsh: tipo 1, linfocitose intraepitelial acima de 25 linfócitos por 100 enterócitos com vilosidades normais; tipo 2, soma de hiperplasia de criptas; tipo 3, atrofia vilositária parcial, subtotal ou total (3A, 3B e 3C), a lesão clássica absorvente. O anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA tem sensibilidade e especificidade em torno de 90% a 95%, e a sorologia deve ser dosada com dieta com glúten. Complicações: refratariedade, linfoma intestinal de células T e adenocarcinoma do delgado, além de dermatite herpetiforme, jejunoileíte ulcerativa e déficits de ferro e folato.
A isquemia intestinal varia do infarto branco por oclusão arterial de baixo fluxo à gangrena venosa congestiva; no delgado, a mortalidade da necrose transmural com perfuração ultrapassa 50%. O GIST é o tumor mesenquimal mais comum do trato digestivo e origina-se das células intersticiais de Cajal: ~60% no estômago e 25% a 30% no delgado, com marcação imuno-histoquímica para CD117 (c-KIT) em mais de 95% dos casos e DOG1 (ANO1) de forma concordante; o risco de progressão estratifica-se pelo diâmetro e pelo índice mitótico, e o tratamento complementar do GIST de alto risco é o imatinibe. Os tumores neuroendócrinos, antigos carcinoides, predominam no apêndice e no íleo, marcados por cromogranina e sinaptofisina; a síndrome carcinóide, com flushing, diarreia e valvopatia direita por serotonina e outras aminas, só surge na presença de metástases hepáticas ou de grande massa tumoral que desvie o dreno para a circulação sistêmica.
A doença diverticular do cólon decorre de herniações da mucosa e submucosa nos pontos de entrada dos vasos retos, sob dieta pobre em fibras, com predomínio sigmoide e complicações de diverticulite, abscesso, perfuração e fístula. A colite isquêmica afeta territórios de fronteira vascular: o ângulo esplênico (ponto de Griffiths) e a junção retossigmóidea (ponto de Sudeck), geralmente segmentar e superficial, com achado radiológico de impressões digitiformes (thumbprinting) e evolução habitualmente benigna, exceto na forma gangrenosa. A colite pseudomembranosa por Clostridioides difficile, associada a antibióticos, exibe ao endoscópio placas amareladas aderentes e, à microscopia, o exsudato fibrinoso em jato vulcânico eruptivo a partir de criptas lesadas; o diagnóstico confirma-se por toxinogênese (PCR ou ELISA de toxinas A e B).
| Achado | Doença de Crohn | Retocolite ulcerativa crônica inespecífica |
|---|---|---|
| Distribuição | Lesões em saltos (skip lesions), qualquer segmento da boca ao ânus, com afastamento retal frequente | Doença contínua a partir do reto, limitada ao cólon |
| Extensão da inflamação | Transmural, atingindo serosa e mesocólio | Restrita à mucosa e submucosa |
| Granulomas não caseosos | Presentes em 30% a 50% dos espécimes cirúrgicos | Ausentes; criptoabscessos de neutrófilos são o marcador |
| Complicações estruturais | Fístulas, abcessos, estenoses e fissuras, doença perianal | Pseudopólipos, megacólico tóxico, raras estenoses |
| Padrão endoscópico | Úlceras aftoides e serpentinas, mucosa em calçada de pedra | Mucosa friável, granulosa, sangramento ao toque, úlcera superficial contínua |
| Risco de câncer | Elevado em colite extensa de longa evolução, vigilância após 8 a 10 anos | Elevado e proporcional à extensão e duração, vigilância após 8 anos de doença |
Diferenciais histológicos de colite que caem em prova: a amebíase produz úlceras em gargalo de frasco com trofozoítos hematófagos no exsudato; a colite por citomegalovírus mostra inclusões virais nas células endoteliais e criptais, marcadoras de doença refratária na retocolite sob imunossupressão; a colite microscópica (linfocítica e colagenosa) cursa com diarreia aquosa e mucosa endoscopicamente normal, com espessamento da tênia colágena subepitelial na forma colagenosa.
Os adenomas são os polipoides neoplásicos clássicos: tubulares (cerca de 75% a 85% dos casos, habitualmente pediculados), tubulovilares e vilosos (sésseis, com maior potencial maligno, proporcional ao componente viloso, ao tamanho acima de 1 cm e ao grau de displasia). O pólipo serrilhado sésil, plano e recoberto por muco, predomina no cólon direito e é o precursor da via serrilhada, frequentemente com mutação de BRAF e fenótipo metilador de ilhas CpG, que silencia MLH1 e gera instabilidade de microssatélites (MSI). O pólipo hiperplásico distal pequeno permanece lesão benigna sem potencial reconhecido.
| Via molecular | Alterações genéticas típicas | Lesões precursoras | Síndromes associadas |
|---|---|---|---|
| Instabilidade cromossômica (via convencional, cerca de 70% a 80%) | Perda de APC (5q), ativação de KRAS (12p), perda de 18q (SMAD4 e DCC), mutação de TP53 (17p) | Adenoma tubular e viloso pela sequência adenoma-carcinoma | Polipose adenomatosa familiar (APC germinativo), atenuada e clássica |
| Via serrilhada (10% a 15%) | BRAF V600E, fenótipo metilador CIMP, metilação de MLH1 com MSI | Pólipo serrilhado sésil e adenoma serrilhado tradicional | Síndrome de polipose serrilhada |
| Instabilidade de microssatélites germinativa (2% a 4%) | Mutação germinativa em MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2 com perda da reparação | Adenomas com excesso de linfócitos intraepiteliais e evolução acelerada | Síndrome de Lynch, critérios de Amsterdam e Bethesda |
Na polipose adenomatosa familiar, a mutação germinativa de APC no cromossomo 5q produz mais de 100 adenomas desde a adolescência e risco próximo de 100% de carcinoma até os 35 a 40 anos sem colectomia profilática, com manifestações extracólicas como adenomas duodenais, tumores desmoide e hipertrofia congênita do epitélio pigmentar da retina. A síndrome de Lynch, causa hereditária mais comum de câncer colorretal, transmite-se de forma autossômica dominante e predispõe também a cânceres de endométrio, ovário, estômago e trato urinário; o rastreio tecidual faz-se por imuno-histoquímica das proteínas MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2 e por estudo de MSI, com teste de reflexão para mutação BRAF quando há perda de MLH1.
A apendicite aguda segue sequência de obstrução da luz (fecalito em 60% a 75% dos casos ou hiperplasia linfoide), aumento da pressão intraluminal, comprometimento vascular, ulceração mucosa, invasão bacteriana e necrose transmural com perfuração em torno de 24 a 72 horas do início dos sintomas. O tumor mais comum do apêndice é o tumor neuroendócrino, habitualmente incidental na ponta e de comportamento indolente quando menor que 1 cm; a mucinose apendicular e o cistadenoma mucinoso podem romper-se e espalhar mucina epitelial pela cavidade, configurando o pseudomixoma peritonei, que exige citorredução e quimioterapia intraperitoneal.
No estadiamento TNM do câncer colorretal pela 8ª edição do AJCC e pela OMS, sintetize a profundidade: T1 invade a submucosa; T2, a muscular própria; T3, atravessa a muscular própria até a subserosa ou tecido pericólico; T4a perfura a serosa e T4b invade órgãos adjacentes. O espécime cirúrgico deve conter ao menos 12 linfonódios para estadiamento N adequado, sendo N1 de 1 a 3 linfonódios (com subcategoria N1c para depósitos tumorais satélites sem linfonodo identificável) e N2 quatro ou mais. No estômago, o padrão cirúrgico é a gastrectomia com linfadenectomia D2, e a resposta à quimioterapia neoadjuvante é graduada em regressão tumoral.
O tratamento dos quadros deste artigo tem ponte direta com o achado histológico. Para o H. pylori, o consenso Maastricht VI recomenda, em áreas de resistência elevada da bactéria à claritromicina, situação que inclui o Brasil, a terapia quadrupla com bismuto por 14 dias como primeira linha: inibidor de bomba de prótons duas vezes ao dia, subcitrato ou subsalicilato de bismuto quatro vezes ao dia, tetraciclina 500 mg quatro vezes ao dia e metronidazol 400 mg três a quatro vezes ao dia; a tripla com claritromicina reserva-se a locais com resistência comprovada abaixo de 15%. O teste de sucesso deve ser feito pelo teste da ureia marcada com carbono 13 (teste respiratório) ou antígeno fecal, pelo menos 4 semanas após o fim da terapia, sem inibidor de bomba de prótons por 2 semanas.
| Situação clínico-patológica | Conduta | Detalhe terapêutico |
|---|---|---|
| Barrett sem displasia | Vigilância endoscópica com biópsias seriadas | Intervalo de 3 a 5 anos, com controle do refluxo e inibidor de bomba de prótons |
| Barrett com displasia de alto grau ou carcinoma mucoso | Ressecção endoscópica da lesão visível e ablação (radiofrequência) do restante do Barrett | Esofagectomia reservada a falhas e a tumores mais avançados |
| Linfoma MALT gástrico de baixo grau, estágio inicial, H. pylori positivo | Erradicação do H. pylori e reavaliação endoscópica | Regressão completa na maioria; t(11;18) indica terapia oncológica |
| Adenocarcinoma gástrico operável | Gastrectomia com linfadenectomia D2 e quimioterapia perioperatória | Esquemas à base de platina e fluoropirimidina, como FLOT, antes e após a cirurgia |
| Câncer colorretal não metastático | Colectomia segmentar com ligadura vascular e mínimo de 12 linfonódios | Ressecção transanal total do mesorreto no tumor retal, com quimiorradioterapia neoadjuvante nos estágios II e III do reto |
| GIST de alto risco após ressecção | Imatinibe 400 mg por via oral ao dia | Duração de 3 anos no adjuvante, com benefício de sobrevida demonstrado; doses maiores nas mutações do exon 9 |
As complicações mecânicas do trato digestivo são obstrução, perfuração e hemorragia, e suas causas mudam com a lesão de base: estenose péptica no esôfago, perfuração apendicular e diverticular, sangramento de úlcera péptica e de divertículo de delgado direito. No câncer colorretal, a sobrevida em 5 anos nos Estados Unidos, segundo dados tipo SEER, é de aproximadamente 90% para doença localizada, 70% para doença regional com linfonodos e apenas 15% para doença metastática, o que explica o investimento em rastreio por colonoscopia e teste de sangue oculto. O adenocarcinoma gástrico tem sobrevida global em 5 anos entre 25% e 35% na maioria das séries, muito dependente do estágio, com melhores resultados no câncer precoce confinado à mucosa e submucosa, passível de ressecção endoscópica. Na retocolite ulcerativa, o megacólico tóxico e o câncer coloretal de longa data são os desfechos que definem vigilância; na doença de Crohn, a repetição cirúrgica e o curto-circuito intestinal geram síndrome de intestino curto.
1.Endoscopia mostra mucosa colunar com células caliciformes recobrindo 4 cm do esôfago distal, confirmada à biópsia. Qual o diagnóstico e a definição que o sustenta?
2.Qual mecanismo central explica o adenocarcinoma gástrico tipo intestinal em paciente com H. pylori cagA-positivo?
3.Paciente jovem com emagrecimento e endoscopia mostrando parede gástrica rígida e pouco distensível, com biópsia revelando células em anel de sinete infiltrando a parede. Qual o tipo de Lauren e o achado associado?
4.Biópsia de íleo terminal mostra inflamação transmural, granulomas não caseosos e úlceras afastadas por mucosa normal. Qual o diagnóstico e o achado endoscópico esperado?
5.Qual sequência molecular corresponde à via convencional (instabilidade cromossômica) do carcinoma colorretal?
6.Adulto com anemia ferropriva e diarreia crônica tem biópsia duodenal com atrofia vilositária total, hiperplasia de criptas e linfocitose intraepitelial. Qual o grau de Marsh e o melhor marcador sorológico?
7.Tumor mesenquimal gástrico de 6 cm com 8 mitoses por 50 campos de grande aumento. Qual o painel imuno-histoquímico esperado e a origem celular?
8.Paciente em uso de clindamicina há 10 dias desenvolve diarreia com placas amareladas aderentes à mucosa colônica. Qual o achado histológico que fecha a colite pseudomembranosa?
9.Em qual região anatômica concentram-se as colites isquêmicas por baixo fluxo, as zonas de fronteira vascular do cólon?
10.Qual conduta inicial está correta para linfoma MALT gástrico de baixo grau, localizado, em paciente H. pylori positivo, sem translocação t(11;18)?
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