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Revisão completa das leishmanioses: agentes e ciclo em flebotomíneos, histórico (Leishman, Gaspar Vianna, Montenegro), epidemiologia brasileira e mundial, resposta imune Th1/Th2, clínica da leishmaniose visceral e tegumentar com todas as formas, diagnóstico com sensibilidade e especificidade, tratamento com doses (anfotericina lipossomal, antimoniato, miltefosina) e as ações de vigilância e controle do Ministério da Saúde.
[1] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. 2ª ed. Brasília: MS. 2026 · gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/manual-de-vigilancia-e-controle-da-leishmaniose-visceral.pdf | [2] Burza S, Croft SL, Boelaert M. Leishmaniasis. Lancet. 2018;392(10151):951-965 · DOI 10.1016/S0140-6736(18)31204-2 | [3] Aronson N, Herwaldt BL, Libman M, et al. Diagnosis and treatment of leishmaniasis: clinical practice guidelines by the IDSA and the ASTMH. Clin Infect Dis. 2016;63(12):e202-e264 · DOI 10.1093/cid/ciw670 | [4] WHO Expert Committee on the Control of Leishmaniases. Control of the Leishmaniases. WHO Technical Report Series 949. Genebra: Organização Mundial da Saúde. 2010 | [5] Neves DP. Parasitologia Humana. 13ª ed. São Paulo: Atheneu. 2016 | [6] OPAS. Leishmaniose: dados das Américas. Washington: Organização Pan-Americana da Saúde. paho.org/pt/topicos/leishmaniose · DOI 10.1016/S0140-6736(18)31204-2
As leishmanioses são doenças infecciosas negligenciadas causadas por protozoários flagelados do gênero Leishmania e transmitidas por flebotomíneos, com dois polos clínicos que o estudante precisa dominar separadamente: a leishmaniose visceral (LV, o calazar), sistêmica e com letalidade de até 90% quando não tratada, e a leishmaniose tegumentar americana (LTA), que vai da úlcera cutânea clássica até a destruição mucosa da espúndia. O Brasil carrega a maior carga das Américas nas duas formas, e o tema é presença garantida em provas de parasitologia, clínica médica e saúde coletiva porque concatena ciclo vetorial, resposta imune Th1/Th2, sorologia com valores de acurácia e esquemas terapêuticos com doses exatas. A segunda edição do Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (Ministério da Saúde, 2026) atualizou manejo canino e vigilância, e este artigo integra as mudanças ao conteúdo clássico.
Leishmania são hemoflagelados da ordem Kinetoplastida, família Trypanosomatidae, com cinetoplasto visível à coloração de Giemsa. Apresentam duas formas: o promastigota flagelado, que se multiplica no tubo digestivo do flebotomíneo fêmea e é inoculado na picada, e o amastigota arredondado (2 a 4 micrômetros), obrigatoriamente intracelular, que se multiplica em vacúolos parasitóforos de macrófagos e células do sistema mononuclear fagocitário. Ao picar um hospedeiro infectado, a fêmea ingere macrófagos com amastigotas, que se transformam em promastigotas e se aderem ao epitélio intestinal do inseto, completando o ciclo em cerca de 4 a 7 dias.
Em 1903, William Leishman e Charles Donovan descreveram independentemente o parasito em preparados de baço de pacientes com calazar na Índia, e Ronald Ross criou o gênero Leishmania em homenagem aos dois. No Brasil, a LTA ficou conhecida como úlcera de Bauru pela epidemia em trabalhadores da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil no interior paulista; foi Gaspar Vianna quem, em 1911, descreveu a espécie Leishmania braziliensis e, em seguida, introduziu pioneiramente o tratamento específico com derivados antimoniais (o tártaro emético), fundamento de toda a terapêutica antileishmania até hoje. Em 1926, Montenegro descreveu a intradermorreação que leva seu nome, primeiro teste celular in vivo da parasitologia. A espécie visceral americana foi descrita por Chagas, Ferreira e Deane em 1937 e batizada L. chagasi; estudos moleculares posteriores a sinonimizaram com L. infantum, de origem europeia, introduzida nas Américas com cães na colonização.
A LV, inicialmente rural e do Nordeste (com focos históricos no Piauí, Maranhão, Ceará e Bahia), urbanizou-se a partir das décadas de 1980-2000 em cidades como Teresina, São Luís e Araçatuba, com o cão e o Lutzomyia longipalpis adaptados ao peridomicílio. Marco terapêutico recente: a miltefosina, primeiro oral antileishmania, foi incorporada ao SUS em 2021 (nota informativa de 2020). Em 2026, o Ministério da Saúde publicou a segunda edição do Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, que consolida o Programa de Vigilância e Controle (PVC-LV), atualiza o manejo canino com coleiras inseticidas de deltametrina a 4%, vacinação e eutanásia seletiva, e organiza as ações por classificação de risco municipal.
A leishmaniose é endêmica em mais de 90 países e territórios, com 600 mil a 1 milhão de novos casos cutâneos e 50 mil a 90 mil casos viscerais por ano no mundo. Nas Américas, a OPAS registrou cerca de 73 mil casos de LV em dez anos (média anual de aproximadamente 3.200), com letalidade média de 8%, e o Brasil responde pela grande maioria. A LTA concentra-se na Amazônia Legal: os estados mais acometidos somam Pará, Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Amazonas. O perfil clássico é o homem jovem em idade produtiva, exposto à área silvestre ou peridoméstica, mas a LTA atinge também crianças em áreas de transmissão domiciliar.
No Nordeste, epicentro histórico da LV brasileira, mais de 70% dos casos e cerca de 84% dos óbitos ocorrem em crianças menores de 5 anos, quadro de desnutrição e imaturidade imune; nos focos de urbanização, a doença atinge também adultos e idosos, com letalidade maior nos extremos de idade, nos desnutridos e nos coinfectados pelo HIV, que respondem por parcela crescente dos casos graves e recidivantes. Desnutrição é o cofator clássico de progressão da infecção à doença, por reduzir a resposta celular.
Inoculados na pele pelo flebotomíneo, os promastigotas são fagocitados por macrófagos locais e transformam-se em amastigotas. O desfecho depende do padrão de resposta T helper: na resposta protetora, dendritos produzem IL-12, que polariza linfócitos Th1 produtores de IFN-gama e TNF-alfa, ativando macrófagos a produzir óxido nítrico e destruir os parasitos — é a imunidade celular que cura a lesão e corresponde à positividade da intradermorreação de Montenegro. Na resposta susceptível, o padrão Th2 com IL-4, IL-10 e TGF-beta desativa os macrófagos e permite a multiplicação parasitária; IL-10 é a citocina anti-inflamatória decisiva na progressão da LV. O paradoxo central da LV é a anergy específica ao antígeno de Leishmania com hipergamaglobulinemia policlonal: o parasito se dissemina pelo sistema mononuclear fagocitário, colonizando baço, fígado, medula óssea e linfonodos, o que explica a tríade clínica.
Na LTA, a lesão cutânea reflete a resposta granulomatosa local contra parasitos na pele: poucos parasitos e muita inflamação (forma localizada). Na forma difusa, predominantemente por L. amazonensis e L. mexicana, ocorre defeito específico de imunidade celular com anergy, Montenegro negativo, muitos parasitos e infiltrado histiocitário sem necrose — o oposto imunológico da forma localizada. A forma mucosa (espúndia) é uma metástase tardia por via linfática ou hematogênica de parasitos do complexo L. braziliensis, com inflamação destrutiva intensa e pobreza de parasitos, explicando a necessidade de busca ativa com métodos indiretos.
A LV tem início insidioso após incubação de 2 a 6 meses (variação de semanas a anos), com febre prolongada, esplenomegalia e citopenias. A febre é o sintoma mais constante (mais de 90% dos casos), inicialmente alta e contínua, depois irregular; a esplenomegalia dura e indolor cresce progressivamente e pode ultrapassar a cicatriz umbilical; hepatomegalia acompanha em cerca de dois terços dos casos, com icterícia rara. A invasão medular produz anemia normocítica normocrômica (frequentemente abaixo de 9 g/dL), leucopenia com neutropenia e trombocitopenia, que sustentam as complicações: palidez, petéquias, epistaxe e gengivorragia, infecções bacterianas secundárias (pneumonia, sepse) e hemorragias. Somam-se perda de peso, inapetência, tosse, diarreia, edema e, nas formas avançadas, hipoalbuminemia com ascite e sinais de hipertensão portal. A hipergamaglobulinemia policlonal pode gerar fenômenos imunecomplexos (glomerulonefrite). O paciente com suspeita de LV é a criança de área endêmica com febre há mais de 2 semanas, baço crescente, palidez e pancitopenia.
Após incubação de 2 semanas a meses (habitualmente 1 a 3 meses), surge pápula eritematosa que evolui para nódulo e úlcera com bordas elevadas, endurecidas e bem delimitadas, fundo granuloso com exsudato seroso e crosta; a lesão é tipicamente indolor, única, em membros inferiores e outras áreas expostas. Adenomegalia satélite e linfangite são possíveis, sobretudo em L. guyanensis. A lesão pode cicatrizar espontaneamente em meses a anos (L. mexicana cicatriza mais), sem que isso elimine o risco de doença mucosa tardia — razão pela qual o tratamento sistêmico permanece indicado nas lesões por L. braziliensis.
| Forma clínica | Características | Nota de prova |
|---|---|---|
| Cutânea localizada | Úlcera com bordas elevadas e endurecidas, fundo granuloso, indolor, membros inferiores; adenomegalia satélite possível | Forma mais frequente (grande maioria dos casos); resposta Th1 vigorosa, Montenegro positivo |
| Cutânea difusa | Múltiplos nódulos e placas infiltrativas sem úlceração, evolução crônica | Imunidade celular anérgica (defeito Th1), Montenegro negativo, parasitos abundantes; associada a L. amazonensis e L. mexicana |
| Cutânea disseminada | Dezenas de lesões acrais, em geral pápulas ou erosões, em mais de uma região | Imunidade intermediária; exige tratamento sistêmico |
| Mucosa (espúndia) | Lesão destrutiva de narina, septo, faringe e laringe; rinossinusite, epistaxe, obstrução nasal, disfonia, perfuração septal até nariz de anta | Metástase tardia (meses a anos) do complexo L. braziliensis; poucos parasitos, muita inflamação; tratamento sempre sistêmico |
| Recidiva cutis | Reativação cutânea após tratamento, com infiltrado linfoplasmocitário escasso de parasitos | Rara, descrita em L. braziliensis; diferenciar de reinfecção |
O diagnóstico da LV é clínico-epidemiológico e laboratorial, em degraus. Diante de caso suspeito (febre de 2 semanas ou mais com esplenomegalia em área endêmica), faz-se o teste rápido imunocromatográfico DPP com antígeno recombinante rK39, que em sangue total ou soro tem sensibilidade em torno de 90% no Brasil e resultado em até 30 minutos. Nas áreas de sobreposição com doença de Chagas, lepra e outras leishmanioses, a sorologia pode gerar reação cruzada, e a confirmação parasitológica (aspirado de medula óssea ou de baço, com visualização de amastigotas — sensibilidade de aproximadamente 60% a 90% na medula) ou a PCR (sensibilidade acima de 90%) resolvem a dúvida, sendo obrigatórias no imunossuprimido com sorologia negativa. O hemograma confirma citopenias; a hipergamaglobulinemia e a albumina baixa completam o painel. Cultura em meio NNN e xenodiagnóstico são métodos históricos, de uso restrito à pesquisa.
| Método | Forma | Acurácia e interpretação |
|---|---|---|
| TR-DPP rK39 (rápido imunocromatográfico) | LV | Sensibilidade em torno de 90%; triagem inicial oficial no Brasil; resultado em minutos |
| IFI e ELISA | LV | Sensibilidade próxima de 90%, com reações cruzadas com doença de Chagas e lepra; uso em laboratórios de referência |
| Exame parasitológico direto (aspirado de medula óssea ou baço) | LV | Padrão de especificidade; sensibilidade de aproximadamente 60% a 90% na medula e maior no baço (procedimento mais arriscado) |
| PCR | LV e LTA | Sensibilidade acima de 90%; útil no imunossuprimido com sorologia negativa e na identificação de espécie |
| Exame direto da lesão (raspado, impressão ou biópsia com Giemsa) | LTA | Sensibilidade variável (aproximadamente 40% a 80%), maior em lesões recentes; visualização de amastigotas confirma |
| Intradermorreação de Montenegro | LTA | Leitura em 48 a 72 horas, enduração de 5 mm ou mais; sensibilidade de 90% a 95%; não distingue doença ativa de infecção passada, e é negativa na forma difusa |
| Histopatologia da lesão | LTA | Granuloma necrosante com poucos parasitos; afasta neoplasia e outras infecções |
Diagnóstico diferencial da LV: malária (febre com esplenomegalia, mas de curso agudo e com parasitismo em gota espessa), febre tifoide, tuberculose miliar, brucelose, esquistossomose mansônica hepatoesplênica, linfomas e leucemias, hiperesplenismo de qualquer causa e endocardite de evolução subaguda. Diagnóstico diferencial da LTA cutânea: esporotricose (lesões linfangíticas com gomos), cromoblastomicose (lesões verrucosas com células fumagoides), paracoccidioidomicose cutânea, tuberculose cutânea (lupus vulgar), lepra, piodermites, úlceras neoplásicas (carcinoma basocelular e espinocelular), úlcera tropical (fusoespirilar) e micobacterioses atípicas; na forma mucosa, diferenciar de hanseníase virchowiana, paracoccidioidomicose, sarcoidose, granulomatose com poliangiite e neoplasias nasossinusais.
A LV é urgência terapêutica: sem tratamento, evolui para óbito em até 90% dos casos; com tratamento adequado, a letalidade cai, permanecendo em torno de 6% a 8% no Brasil por atraso diagnóstico e comorbidades. Todos os esquemas são fornecidos gratuitamente pelo Ministério da Saúde. A anfotericina B lipossomal, antes restrita a grupos de risco (gestantes, menores de 1 ano, maiores de 50 anos, nefropatas, cardiopatias e coinfectados pelo HIV), foi ampliada a primeira escolha conforme diretriz da OPAS, inclusive permitindo regimes curtos com alta precoce.
| Fármaco (LV) | Esquema | Cautelas |
|---|---|---|
| Anfotericina B lipossomal | 3 mg/kg/dia IV por 7 dias ou 4 mg/kg/dia por 5 dias (total em torno de 20 mg/kg) | Primeira escolha atual; monitorar creatinina, potássio e magnésio; preferida em gestantes, lactentes, idosos, nefropatas, cardiopatas e HIV |
| Antimoniato de meglumina | 20 mg de antimônio pentavalente por kg/dia IV ou IM, por 20 dias, com dose máxima de 3 ampolas diárias (1.215 mg de antimônio) | ECG basal e vigilância do QT (arritmias), pancreatite e hepatotoxicidade; evitar em gestantes, cardiopatas, hepatopatas e insuficiência renal grave |
| Miltefosina | 2,5 mg/kg/dia por via oral, máximo de 150 mg/dia, por 28 dias | Única opção oral; contraindicada na gestação (teratogenicidade, com contracepção durante e após o uso); náusea, vômito, diarreia, elevação de transaminases e creatinina |
| Anfotericina B desoxicolato | 1 mg/kg/dia IV em dias alternados até completar 14 a 21 mg/kg totais | Nefrotoxicidade, hipocalemia e reações infusionais; reservado quando não há acesso à formulação lipossomal |
Critérios de alta e seguimento da LV: a alta clínica é dada com desaparecimento da febre, regressão da esplenomegalia, recuperação do apetite e do peso e melhora das citopenias, sem necessidade de novo exame parasitológico; o seguimento clínico e laboratorial se estende por 12 meses (consultas em torno de 3, 6 e 12 meses) e a alta definitiva exige ausência de recidiva nesse período. Recidiva após alta, sobretudo no coinfectado pelo HIV, exige retratamento com mudança de classe terapêutica e avaliação de profilaxia secundária.
Na LTA, a decisão é tratar local ou sistemicamente. O tratamento sistêmico é obrigatório nas formas mucosa, disseminada e difusa, em imunossuprimidos, e nas lesões múltiplas, grandes (acima de 3 a 5 cm), antigas, ou localizadas em face, orelha, dedos e articulações, onde sequelas são graves. Lesão cutânea única e recente, sem contraindicação, pode receber antimoniato intralesional.
| Fármaco (LTA) | Esquema | Indicações e cautelas |
|---|---|---|
| Antimoniato de meglumina sistêmico | 20 mg de antimônio pentavalente por kg/dia IV ou IM (máximo de 3 ampolas) por 20 dias na forma cutânea e esquemas de até 30 dias na mucosa | Esquema clássico; monitorização cardíaca, hepática e pancreática; contraindicações idênticas às da LV |
| Antimoniato intralesional | 1 a 3 mL infiltrados na lesão por sessão, com intervalo mínimo semanal, em geral 2 a 4 sessões | Lesão única pequena e recente; menor toxicidade sistêmica; não usar em mucosa, difusa, disseminada e imunossuprimidos |
| Miltefosina | 2,5 mg/kg/dia VO, máximo de 150 mg/dia, por 28 dias | Alternativa oral incorporada ao SUS (2021), sobretudo quando o antimonial é contraindicado; vedada na gestação |
| Anfotericina B lipossomal | Total de 20 a 30 mg/kg fracionado em dias consecutivos ou alternados | Reservada à falha terapêutica ou intolerância; monitorização renal e eletrolítica |
Suporte e cuidados gerais no tratamento: corrigir anemia e desnutrição, tratar infecções bacterianas associadas (elas são causa importante de óbito na LV), garantir hidratação e seguimento rigoroso dos exames de segurança (ECG, amilase ou lipase, transaminases, creatinina e eletrólitos durante os antimoniais e anfotericinas). A resposta incompleta da forma mucosa pode exigir associação ou prolongamento por decisão de serviço de referência, e sequelas respiratórias graves da espúndia podem necessitar de correção cirúrgica tardia, nunca durante a fase inflamatória ativa.
As complicações da LV derivam da pancitopenia e da desnutrição: pneumonias e sepse bacteriana (principais causas diretas de morte), hemorragias graves, anemia profunda com insuficiência cardíaca de alto débito, e ruptura esplênica rara. Com tratamento precoce e adequado, a cura supera 90%, mas a letalidade média brasileira permanece entre 6% e 8% por diagnóstico tardio — a meta dos protocolos de redução de letalidade é reconhecer os sinais de gravidade e tratar imediatamente desnutridos, lactentes, idosos, gestantes e coinfectados pelo HIV. Na LTA, as complicações são as sequelas: cicatrizes deprimidas e disfigurantes, destruição mucosa com insuficiência respiratória e disfagia na espúndia, e a forma difusa, crônica e de difícil resposta, com múltiplas recaídas. O prognóstico da LTA localizada é excelente com tratamento; o da forma mucosa depende da extensão no diagnóstico, e o da forma difusa é reservado.
LV e LTA são doenças de notificação compulsória (SINAN). O Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral organiza as ações por classificação municipal (município silencioso, de baixa e de alta transmissão, e investigação de surto), integrando vigilância humana, canina, entomológica e ambiental. Todo caso humano confirmado deflagra investigação epidemiológica e ações locais de controle.
Fechando: o estudante deve sair deste artigo sabendo ligar o ciclo (flebotomíneo, cão, homem), a imunidade (Th1 cura, Th2 doença, Montenegro mede hipersensibilidade tardia) e a clínica (tríade da LV, formas da LTA) às decisões (DPP, medula óssea, lipossomal ou antimonial, quando tratar sistemicamente) e à saúde coletiva (notificação, inquérito canino, borrifação, coleiras). Esse encadeamento é exatamente o que as provas cobram.
1.O principal vetor da leishmaniose visceral no Brasil é:
2.A forma do parasito que se multiplica em macrófagos do hospedeiro humano é a:
3.A tríade clínica clássica da leishmaniose visceral é:
4.O teste rápido imunocromatográfico utilizado como triagem inicial da LV no Brasil, com sensibilidade em torno de 90%, é:
5.Em paciente com suspeita de LV e sorologia negativa ou dúvidas (imunossuprimido, reações cruzadas), o método confirmatório é:
6.A dose do antimoniato de meglumina no tratamento da leishmaniose é:
7.Único antileishmanial de uso oral, contraindicado na gestação por teratogenicidade:
8.Paciente com múltiplos nódulos cutâneos não ulcerados, intradermorreação de Montenegro negativa e numerosos parasitos na biópsia. A forma clínica e o agente provável são:
9.Sobre a forma mucosa (espúndia) da LTA, é correto afirmar:
10.Sobre as medidas de controle da leishmaniose visceral no Brasil, a estratégia com melhor evidência de redução da transmissão canina e peridomiciliar é:
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