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Revisão completa das vertigens periféricas com foco em VPPB e neurite vestibular: anatomia e fisiopatologia (canalitíase, cupulolitíase, desnervação aguda), manobras diagnósticas com sensibilidade e especificidade, manobras de reposicionamento passo a passo, corticoide na neurite com doses, HINTS para afastar AVC e as pegadinhas que mais caem em prova.
[1] Bhattacharyya N, Gubbels SP, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;156(3 Suppl):S1-S47 · DOI 10.1177/0194599816689667 | [2] Kim JS, Zee DS. Clinical Practice: Benign Paroxysmal Positional Vertigo. N Engl J Med. 2014;370(12):1138-1147 · DOI 10.1056/NEJMcp1309481 | [3] Strupp M, Zingler VC, Arbusow V, et al. Methylprednisolone, valacyclovir, or the combination for vestibular neuritis. N Engl J Med. 2004;351(4):354-361 · DOI 10.1056/NEJMoa033280 | [4] Kattah JC, Talkad AV, Wang DZ, Hsieh YH, Newman-Toker DE. HINTS to diagnose stroke in the acute vestibular syndrome: three-step bedside oculomotor examination more sensitive than early MRI diffusion-weighted imaging. Stroke. 2009;40(11):3504-3510 · DOI 10.1161/STROKEAHA.109.551234 | [5] Teixeira LJ, Machado JNP. Manobras para o tratamento da vertigem posicional paroxística benigna: revisão sistemática da literatura. Rev Bras Otorrinolaringol. 2006;72(1):130-139 · PMID 16917565 · DOI 10.1177/0194599816689667
Tontura afeta de 20% a 30% dos adultos em algum momento da vida e a vertigem é o subtipo mais específico: a ilusão de movimento, geralmente rotatório, decorrente de assimetria do processamento vestibular. Dentre as causas, a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é de longe a mais frequente, com prevalência ao longo da vida de 2,4% na população adulta geral e 1,6% no último ano, segundo a diretriz da AAO-HNS de 2017; em serviços especializados de tontura, a VPPB responde por cerca de 20% a 25% dos casos. A neurite vestibular, por sua vez, é a causa mais comum de vertigem periférica contínua de início agudo, com incidência estimada em torno de 3,5 casos por 100 mil habitantes por ano. Para a prova e para a emergência, o aluno precisa dominar três eixos: o padrão temporal da crise (segundos, minutos a horas ou dias contínuos), o nistagmo (direção, latência, fadiga) e a fronteira entre periférico e central — porque a manobra de Epley cura a VPPB em minutos, enquanto o AVC de fossa posterior escondido em uma vertigem aparentemente benigna mata.
Vertigem é a percepção ilusória de movimento do próprio corpo ou do ambiente. Chama-se periférica quando originate na orelha interna ou no nervo vestibular, e central quando o defeito está nos núcleos do tronco encefálico, no cerebelo ou em suas conexões. O labirinto posterior possui três canais semicirculares (superior ou anterior, horizontal ou lateral, e posterior), que detectam acelerações angulares pela deflexão da cúpula em cada ampola, e dois órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), cujas máculas contêm otoconias — cristais de carbonato de cálcio embutidos em matriz gelatinosa — que detectam acelerações lineares e gravidade. O nervo vestibular divide-se em ramo superior, que inerva os canais superior e horizontal e o utrículo, e ramo inferior, que inerva o canal posterior e o sáculo. Esses dois fatos anatômicos explicam as questões clássicas: a neurite vestibular acomete com preferência o nervo vestibular superior (porque sua transição glial central-periférica é mais longa e vulnerável), enquanto a VPPB envolve o canal posterior em 85% a 90% dos casos, pelo fato de ele ficar dependente (posição mais baixa) quando o paciente está deitado, recebendo os detritos de otoconia por gravidade.
A classificação mais útil para a prova organiza as tonturas pelo padrão temporal das crises. Síndrome vestibular aguda (SVA) é a vertigem contínua de início súbito, com duração de dias e nistagmo espontâneo — território da neurite vestibular e do AVC de fossa posterior. Síndrome vestibular episódica recorrente alterna crises completas com intervalos livres — VPPB (segundos), doença de Ménière e enxaqueca vestibular (minutos a horas), vertigem posicional central. Síndrome vestibular crônica é o desequilíbrio persistente por meses, como a hipofunção vestibular bilateral. A tabela a seguir resume as entidades periféricas cobradas em prova.
| Entidade | Duração da crise | Gatilho típico | Audição | Tratamento de escolha |
|---|---|---|---|---|
| VPPB | Segundos (15 a 60 s), sempre menor que 1 a 2 min | Mudança de posição da cabeça: deitar, girar no leito, olhar para cima | Preservada | Manobras de reposicionamento (Epley, Semont, Gufoni) |
| Neurite vestibular | Dias contínuos, pico nas primeiras 24 a 48 h | Nenhum (vertigem espontânea); piora com movimentos da cabeça | Preservada (se acometida, é labirintite) | Corticoide nas primeiras 72 h, suporte e reabilitação vestibular |
| Doença de Ménière | 20 minutos a 12 horas | Nenhum específico; crises recorrentes | Hipoacusia flutuante de início agudo, plenitude aural e zumbido | Manejo dietético (restrição de sódio), diurético, betaistina |
| Labirintite (neurite com perda coclear) | Dias contínuos | Nenhum | Hipoacusia neurosensorial aguda associada | Corticoide, avaliação otorrinolaringológica e de imagem conforme o caso |
| Enxaqueca vestibular | 5 minutos a 72 horas | Movimento, luz, histamina, ciclo menstrual | Normal (pode ter fonofobia, não hipoacusia) | Profilaxia e mudanças de estilo de vida de enxaqueca |
A VPPB tem prevalência ao longo da vida de 2,4%, prevalência no último ano de 1,6% e incidência anual de 0,6% na população adulta geral, com pico entre a 5ª e a 7ª décadas e predomínio feminino de cerca de 2:1 a 3:1. É a causa mais comum de vertigem em idosos e um fator de risco independente de quedas nessa faixa. Em torno de 50% a 60% dos casos são idiopáticos; os secundários associam-se a traumatismo craniano, cirurgia otológica, neurite vestibular prévia, doença de Ménière, enxaqueca, imobilização prolongada e diabetes melito. A neurite vestibular acomete adultos jovens e de meia-idade (30 a 60 anos), sem predomínio sexual consistente, e responde por cerca de 4% a 7% das queixas de tontura em serviços especializados. A doença de Ménière tem prevalência estimada em algumas centenas por 100 mil habitantes, conforme o critério empregado.
Na VPPB, as otoconias se desprendem da mácula do utrículo por degeneração idiopática da matriz gelatinosa, isquemia ou trauma e caem no sistema dos canais semicirculares, quase sempre no posterior. Duas teorias clássicas explicam o quadro e continuam caindo em prova. Na cupulolitíase, descrita por Schuknecht em 1969, as otoconias ficam aderidas à cúpula, que se torna mais densa que a endolinfa e passa a responder à gravidade como um fio de prumo, gerando vertigem posicional. Na canalitíase, proposta por Hall em 1979 e consagrada por Epley, as partículas ficam livres na endolinfa do canal longo: com a mudança de posição, o coágulo de otoconias se desloca por inércia e arrasta a cúpula, o que explica os três elementos semiológicos definidores do nistagmo posicional periférico — latência de segundos (tempo de o coágulo começar a se mover), duração menor que 1 minuto (tempo de assentamento) e fatigabilidade à repetição (esgotamento do coágulo). Na posição de Dix-Hallpike, a queda dos detritos no canal posterior gera estímulo ampulofugal, que nos canais verticais é excitatório, produzindo nistagmo torsional batendo para a orelha examinada (a mais baixa) com componente vertical rotatório para cima.
Na neurite vestibular, a hipótese dominante é de inflamação aguda do nervo vestibular e do gânglio de Scarpa por reativação de vírus neurotrópicos latentes (sobretudo herpes simples tipo 1), análoga à paralisia de Bell. A lesão aguda e usualmente unilateral gera desnervação parcial com perda do tônus de descarga dos receptores do lado doente; a assimetria dos potenciais de repouso nos núcleos vestibulares é interpretada pelo cérebro como rotação contínua para o lado são, produzindo nistagmo espontâneo horizontal-torsional unidirecional, com a fase rápida batendo para o lado são (ou seja, afastando-se do lado lesado) e a fase lenta dirigida ao lado da lesão. Ao mesmo tempo surgem sinais de hipofunção ipsilateral: resposta à manobra de impulso cefálico (head impulse test) ausente ou reduzida com sacada corretiva, desvio do teste do desvio de índice (past-pointing) e Romberg com queda para o lado da lesão. Nos dias seguintes, a compensação central (núcleo prepositus do hipoglosso, vestíbulo-cerebelo e substituição por pistas visuais e proprioceptivas) reduz progressivamente o nistagmo e a intolerância postural — processo que os supressores vestibulares usados por tempo prolongado retardam. Quando o processo inflamatório alcança também o ramo coclear, com perda auditiva, fala-se em labirintite.
A crise típica de VPPB dura segundos (habitualmente 15 a 60, nunca mais que 1 a 2 minutos) e é desencadeada por movimentos que colocam a cabeça na posição crítica: deitar-se e levantar da cama, girar no leito para o lado afetado, olhar para cima em uma prateleira (vertigem das prateleiras) ou inclinar-se para amarrar os sapatos. Entre as crises o paciente está normal, embora idosos possam referir desequilíbrio inespecífico e medo de cair. Não há hipoacusia, zumbido ou sintomas neurológicos — sua presença obriga a repensar o diagnóstico. Náusea é comum nas crises; vômitos persistentes sugerem outra coisa.
A neurite vestibular começa de forma súbita, muitas vezes após infecção respiratória, com vertigem rotatória intensa e contínua, náuseas e vômitos incapacitantes por 24 a 72 horas, intolerância a qualquer movimento cefálico, palidez e diaforese. O paciente prefere deitar-se imobilizado com o lado são para baixo (o que reduz o nistagmo). Ao exame: nistagmo espontâneo horizontal-torsional unidirecional que aumenta ao olhar na direção da fase rápida (lei de Alexander) e nunca inverte de direção com o olhar; marcha instável com desvio ou tendência de queda para o lado da lesão, porém o paciente geralmente consegue deambular com apoio — o que difere do AVC de fossa posterior, em que a ataxia de tronco frequentemente impede a marcha sem ajuda. A audição está preservada; hipoacusia aguda associada sugere labirintite, doença de Ménière ou isquemia de artéria cerebelar anteroinferior (AICA) e exige investigação.
A VPPB é diagnóstico clínico, feito à beira do leito, e a diretriz da AAO-HNS recomenda o diagnóstico por manobras posicionais quando há história compatível, sem rotina de imagem. Para o canal posterior usa-se a manobra de Dix-Hallpike: paciente sentado, cabeça girada 45 graus para o lado a testar; o examinador deita o paciente rapidamente em decúbito dorsal com a cabeça estendida cerca de 20 graus pendendo da maca (o que coloca o canal posterior do lado testado na posição vertical-dependente) e observa os olhos por pelo menos 30 segundos. O teste é positivo quando surge vertigem com nistagmo torsional batendo para a orelha mais baixa, com componente vertical para cima, após latência de 5 a 20 segundos, durando menos de 60 segundos e atenuando-se à repetição. A diretriz cita sensibilidade em torno de 79% e especificidade em torno de 75% para a VPPB de canal posterior, com ampla variação entre estudos (50% a 88% de sensibilidade), e recomenda repetir o teste quando a suspeita persiste. Um Dix-Hallpike negativo com história típica deve levar à manobra do rolamento (supine roll test) para pesquisar o canal horizontal.
No supine roll test (Pagnini-McClure), o paciente em decúbito dorsal com a cabeça flexionada a 30 graus (para neutralizar os canais verticais) rola a cabeça cerca de 90 graus para cada lado, com pausa de pelo menos 30 segundos. Surge nistagmo horizontal puro, sem componente torsional importante, nas duas posições, permitindo classificá-lo em geotrópico (bate para a orelha que está para baixo), mais comum e compatível com canalitíase do braço longo do canal horizontal, ou ageotrópico (bate para a orelha que está para cima), compatível com cupulolitíase. Para localizar o lado na forma geotrópica, o nistagmo é mais intenso quando a orelha doente fica para baixo; na forma ageotrópica vale a regra do lado mais fraco: o lado da lesão é o que produz o nistagmo menos intenso. O canal superior é raro e pesquisado com manobras de extensão cervical em decúbito (head-hanging), com nistagmo vertical para baixo e torsional.
| Manobra | Canal pesquisado | Nistagmo positivo típico | Tratamento correspondente |
|---|---|---|---|
| Dix-Hallpike | Posterior | Torsional para a orelha baixa com componente vertical para cima; latência, menor que 60 s, fatigável | Epley ou Semont |
| Supine roll test (Pagnini-McClure) | Horizontal (lateral) | Horizontal puro geotrópico ou ageotrópico nos dois lados | Gufoni (ageotrópico e geotrópico) ou rolamento barbecue (Lempert 360 graus) |
| Head-hanging / posição sentada estendendo o pescoço | Superior (anterior) | Vertical inferior (downbeat) com componente torsional | Manobra de Yacovino (rotação cefálica 90 graus em decúbito) |
| Head impulse test (HIT) | Função vestibular por canal (teste de função, não posicional) | Sacada corretiva ao soltar a cabeça para o lado com hipofunção | Não trata; documenta hipofunção (neurite) e compõe o HINTS |
Na síndrome vestibular aguda, o exame que separa neurite vestibular de AVC de fossa posterior é o HINTS (head impulse, nystagmus, test of skew), validado por Kattah e colegas em 2009: com vertigem contínua e nistagmo espontâneo presentes, qualquer um dos três achados centrais — manobra de impulso cefálico normal, nistagmo que muda de direção com o olhar (bidirecional) ou desvio ocular vertical (skew, detectado pelo teste de oclusão alternada) — aponta para causa central, com sensibilidade de cerca de 100% e especificidade de 96% para infarto, superando a ressonância com difusão nas primeiras 24 a 48 horas, cuja sensibilidade inicial é de cerca de 88%. Duas ressalvas cobradas em prova: o HINTS só se aplica à vertigem contínua com nistagmo espontâneo (nunca à VPPB episódica) e depende da perícia do examinador; RM inicial normal não exclui AVC de fossa posterior e, com suspeita mantida, deve ser repetida em 24 a 48 horas. Na neurite, complementam a avaliação a audiometria (normal, afastando labirintite e doença de Ménière) e, fora da fase aguda, a prova calórica e o vídeo head impulse test, que documentam hipoexcitabilidade ou hipofunção vestibular unilateral.
| Característica | Periférico (labirinto e nervo) | Central (tronco e cerebelo) |
|---|---|---|
| Latência após o gesto posicional | Presente, segundos | Ausente ou curtíssima |
| Duração da vertigem posicional | Menor que 60 segundos | Persistente enquanto mantém a posição |
| Direção do nistagmo | Fixa, unidirecional, horizontal ou torsional-horizontal | Pode mudar com o olhar; vertical puro ou torsional puro |
| Fadiga e habituação à repetição | Presentes | Ausentes |
| Intensidade da vertigem | Intensa, com náuseas marcadas | Frequentemente mais branda e persistente |
| Marcha | Instável, com desvio ipsilateral, mas deambula | Ataxia de tronco grave; muitas vezes incapaz de andar sem apoio |
| Head impulse test | Positivo (sacada corretiva) para o lado da lesão | Normal |
| Skew deviation | Ausente | Pode estar presente |
| Hipoacusia e zumbido | Presentes em Ménière e labirintite; ausentes na VPPB e neurite | Ausentes (exceto síndrome de AICA com acometimento coclear) |
| Sintomas neurológicos associados | Ausentes | Diplopia, disartria, disfagia, déficit motor ou sensitivo, cefaleia |
O tratamento de primeira linha da VPPB é a manobra de reposicionamento dos canalitos (canalith repositioning procedure), capaz de curar a maioria dos casos em uma única consulta, sem medicação. As revisões sistemáticas, incluindo a análise brasileira de Teixeira e Machado, demonstram eficácia superior das manobras sobre o placebo ou a medicação isolada; as taxas de resolução após uma única sessão de Epley ficam em torno de 60% a 80% nos estudos, superando 90% com a repetição em 1 a 4 semanas. A manobra de Semont (liberatória) é alternativa com eficácia comparável, exigindo mobilidade cervical e troncal maior. Para o paciente que não pode retornar, os exercícios domiciliares de Brandt-Daroff (repetidos 3 vezes ao dia por 2 a 3 semanas) têm eficácia inferior e mais lenta, mas útil como complemento e na prevenção de recorrência. A diretriz da AAO-HNS explicita que não é necessário restringir posições ou atividade após a manobra e que radiografia, laboratório e reabilitação vestibular de rotina não são indicados na VPPB típica.
Medicação não cura a VPPB: supressores vestibulares como dimenidrinato 50 mg por via oral ou intramuscular de 6 em 6 a 8 em 8 horas podem ser usados apenas por horas a dias, para náusea intensa pós-manobra, porque mascaram o nistagmo na reavaliação e não há evidência de benefício na doença. Reabilitação vestibular de rotina não é indicada na VPPB pura. Cirurgia (neurectomia vestibular ou oclusão do canal posterior) fica reservada para o raro caso refratário documentado e incapacitante, menos de 1% dos pacientes. Na recorrência, que ocorre em cerca de 15% ao ano, a conduta é repetir a manobra de reposicionamento — o paciente pode ser ensinado a realizá-la em casa.
O manejo da neurite tem três pilares: suporte sintomático breve, corticoide e reabilitação vestibular precoce. Na fase de vômitos, hidratação e antieméticos (metoclopramida 10 mg por via oral ou intravenosa até 3 vezes ao dia, ou ondansetrona 8 mg até 3 vezes ao dia, ou dimenidrinato 50 mg de 6 em 6 horas). Supressores vestibulares (dimenidrinato, benzodiazepínicos como clonazepam 0,5 mg) devem ser limitados a no máximo 3 dias, porque reduzem a compensação central e prolongam o desequilíbrio. O único tratamento farmacológico com benefício comprovado na função vestibular é a metilprednisolona oral iniciada nas primeiras 72 horas, na dose inicial de 100 mg/dia reduzida em 20 mg a cada 4 dias, totalizando 22 dias (100 mg nos dias 1 a 4, 80 mg nos dias 5 a 8, 60 mg nos dias 9 a 12, 40 mg nos dias 13 a 16, 20 mg nos dias 17 a 20 e 10 mg nos dias 21 e 22); o ensaio de Strupp mostrou recuperação completa da função vestibular em cerca de 62% dos que usaram corticoide versus 39% nos demais braços. O valaciclovir 1.000 mg 3 vezes ao dia por 7 dias não teve eficácia isolada nem adicionou benefício à metilprednisolona e não é recomendado. A reabilitação vestibular (exercícios de fixação visual, mudanças de posição e marcha, do tipo Cawthorne-Cooksey), iniciada assim que os vômitos cedem, acelera a compensação e reduz o desequilíbrio residual.
| Fármaco | Dose e via | Duração | Papel na neurite/VPPB |
|---|---|---|---|
| Metilprednisolona | 100 mg/dia VO, reduzir 20 mg a cada 4 dias (22 dias no total) | 22 dias, iniciar nas primeiras 72 h | Único fármaco com benefício comprovado na função vestibular na neurite |
| Valaciclovir | 1.000 mg VO 3x/dia | 7 dias | Sem eficácia na neurite; não recomendado (Strupp, NEJM 2004) |
| Dimenidrinato | 50 mg VO ou IM, de 6/6 h a 8/8 h | No máximo 3 dias | Supressor sintomático da fase aguda; não cura VPPB nem neurite |
| Metoclopramida | 10 mg VO ou IV, até 3x/dia | Dias, conforme náusea | Antiemético de suporte na fase de vômitos |
| Ondansetrona | 8 mg VO ou IV, de 8/8 h | Dias, conforme náusea | Alternativa de antiemético |
| Betaistina | 16 a 48 mg/dia VO, fracionada | Contínuo na doença de Ménière | Sem evidência robusta na VPPB e na neurite; uso clássico é na Ménière |
A VPPB tem excelente prognóstico: a manobra de reposicionamento resolve a maioria dos casos imediatamente, mas a recorrência é a regra em acompanhamento longo, em torno de 15% ao ano, acumulando 35% a 50% em 5 anos em algumas séries; recidivas respondem novamente às manobras. Em idosos, a VPPB não tratada é fator de risco de quedas, fraturas e síndrome de medo de cair, e a sensação residual de desequilíbrio é frequente. A neurite vestibular evolui para recuperação clínica completa na maioria dos pacientes em semanas a poucos meses, sustentada pela compensação central; uma minoria, sobretudo idosos, diabéticos e com deficiência visual ou vestibulopatia contralateral, mantém desequilíbrio crônico, oscilopsia e hipofunção vestibular persistente à prova calórica. A principal iatrogenia é o uso prolongado de supressores vestibulares, que trava a compensação, e o pior erro diagnóstico é rotular um AVC de fossa posterior de neurite: nesses casos, o atraso está associado a desfechos neurológicos graves. Seguimento prático: reavaliar VPPB em até 1 mês (repetir manobra se persistir; investigar canal horizontal, causa secundária ou RM se o quadro for atípico) e reavaliar neurite em 4 a 6 semanas com exame neurológico; qualquer novo déficit na evolução impõe imagem urgente.
1.Mulher de 68 anos refere crises de tontura rotatória de aproximadamente 30 segundos ao deitar-se e ao girar no leito, há 3 semanas, sem hipoacusia. Qual a causa mais provável e a duração característica de suas crises?
2.Qual canal semicircular é acometido na grande maioria dos casos de VPPB e qual manobra o pesquisa?
3.Durante Dix-Hallpike à direita positiva, qual o padrão de nistagmo esperado?
4.Paciente com diagnóstico de VPPB de canal posterior à direita, confirmado por Dix-Hallpike. Qual a conduta imediata de primeira linha?
5.Homem de 55 anos, hipertenso e diabético, com vertigem contínua há 10 horas e nistagmo espontâneo. Ao exame, a manobra de impulso cefálico é NORMAL, o nistagmo muda de direção conforme o olhar e há discreta skew deviation. Qual a interpretação e a conduta?
6.Qual esquema de corticoide tem eficácia comprovada na neurite vestibular e em qual janela temporal?
7.No supine roll test, surge nistagmo horizontal geotrópico, mais intenso quando a orelha esquerda está para baixo. Qual o lado da lesão e o tratamento indicado?
8.Por que supressores vestibulares (dimenidrinato, benzodiazepínicos) devem ser limitados a cerca de 3 dias na neurite vestibular?
9.Paciente tratado de VPPB com Epley retorna em 6 meses com recidiva confirmada por Dix-Hallpike positiva. Qual a conduta?
10.Mulher de 45 anos com episódios recorrentes de vertigem de 3 horas, plenitude aural, zumbido e hipoacusia flutuante de baixo grau, audiometria com perda neurosensorial nos graves. Qual o diagnóstico e o pilar inicial do tratamento?
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