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Revisão completa da perda auditiva para provas: graus pela classificação da OMS 2021, classificação topográfica (condutiva, neurossensorial, mista e central), fisiopatologia das principais causas (presbiacusia, PAIR, otosclerose, ototoxicidade, Ménière, surdez súbita, schwannoma vestibular e causas congênitas), epidemiologia mundial e brasileira, propedêutica com diapasão, audiometria, imitanciometria, EOA e PEATE, tratamento com doses e indicações, prevenção em três níveis e complicações, incluindo a associação com demência.
[1] WHO. World report on hearing. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2021. who.int/publications/i/item/world-report-on-hearing | [2] Cunningham LL 3rd, Tucci DL. Hearing loss in adults. N Engl J Med. 2017;377(25):2465-2473. DOI 10.1056/NEJMra1616601 | [3] Chandrasekhar SS, Tsai Do BS, Schwartz SR, et al. Clinical practice guideline: sudden hearing loss (update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2019;161(1 Suppl):S1-S45. DOI 10.1177/0194599819859885 | [4] Brasil. Lei nº 12.303, de 9 de agosto de 2010 — obrigatoriedade gratuita do Teste da Orelhinha (EOA e PEATE) em todos os hospitais e maternidades. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12303.htm | [5] IBGE. Censo Demográfico 2010 — características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE; 2012. ibge.gov.br | [6] Basner M, Babisch W, Davis A, et al. Auditory and non-auditory effects of noise on health. Lancet. 2014;383(9925):1325-1332. DOI 10.1016/S0140-6736(13)60449-X | [7] Flint PW, Haughey BH, Lund VJ, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2021. · DOI 10.1056/NEJMra1616601
A perda auditiva é o déficit sensorial mais frequente do ser humano e um problema de saúde pública em escala planetária: o Relatório Mundial da Audição da OMS (2021) estima 1,5 bilhão de pessoas com algum grau de perda auditiva no mundo, das quais cerca de 430 milhões — mais de 5% da população — têm perda incapacitante que exigiria reabilitação, com projeção de 2,5 bilhões de pessoas afetadas e 700 milhões com necessidade de reabilitação em 2050. No Brasil, o Censo 2010 registrou 9,7 milhões de pessoas (5,1% da população) com deficiência auditiva declarada, sendo 2,1 milhões com perda grave. Longe de ser apenas um problema de comunicação, a perda auditiva não tratada associa-se a atraso de linguagem e escolaridade na criança e, no adulto e idoso, a isolamento social, depressão, quedas e demência — a Comissão da Lancet sobre demência (2020) listou a perda auditiva como o maior fator de risco potencialmente modificável na meia-idade, responsável por cerca de 8% dos casos. O estudante precisa dominar quatro eixos: classificar por grau e por sítio da lesão, conhecer a fisiopatologia e o padrão audiométrico das causas principais, conduzir a propedêutica básica com diapasão e saber o essencial de tratamento e prevenção — incluindo a urgência que é a surdez neurossensorial súbita.
Perda auditiva é a redução da acuidade auditiva medida pela audição tonal limiar, expressa em decibéis (dB HL) nas frequências de 250 a 8.000 Hz, considerando sempre a melhor orelha. A OMS, no Relatório Mundial da Audição de 2021, padronizou para adultos os seguintes graus: audição normal até 19,9 dB; perda leve de 20 a 34 dB (dificuldade com fala sussurrada e em ambiente ruidoso); moderada de 35 a 49 dB (dificuldade com fala normal); moderadamente grave de 50 a 64 dB (dificuldade com fala alta); grave de 65 a 79 dB (só entende fala gritada ou ampliada); profunda de 80 a 95 dB; e completa a partir de 95 dB. A classificação audiológica tradicional, ainda usada em serviços, é um pouco distinta (leve 26-40 dB, moderada 41-60 dB, grave 61-90 dB e profunda acima de 90 dB) — em prova, identifique qual classificação a questão está usando. Dois conceitos complementares importam: a deficiência auditiva incapacitante, para a OMS, é perda maior que 35 dB na melhor orelha em adultos (e maior que 30 dB em crianças), e a surdez unilateral — perda que atinge uma única orelha — merece investigação própria, pois sua causa mais temida é retrococlear.
| Grau (OMS 2021, melhor orelha, adultos) | Limiar audiométrico | Tradução clínica |
|---|---|---|
| Normal | Até 19 dB | Sem dificuldade relevante |
| Leve | 20 a 34 dB | Dificuldade com fala sussurrada e em ruído |
| Moderada | 35 a 49 dB | Dificuldade com fala em tom normal; beneficia-se de amplificação |
| Moderadamente grave | 50 a 64 dB | Dificuldade com fala alta; AASI altamente recomendável |
| Grave | 65 a 79 dB | Só percebe fala gritada; comunicação dependente de amplificação |
| Profunda e completa | 80 dB ou mais | Sem benefício suficiente de AASI na maioria dos casos; candidato potencial a implante coclear |
A classificação clínica mais útil é topográfica, pois orienta toda a investigação. A perda condutiva resulta de obstrução ou disfunção da orelha externa e média — cerume, otite externa, otite média secretora, perfuração timpânica, timpanoesclerose, colesteatoma, otosclerose e malformações — e tem como assinatura audiométrica o gap aéreo-ósseo (diferença entre as vias aérea e óssea maior que 10 dB) com limiares ósseos normais. A perda neurossensorial decorre de lesão da cóclea (células ciliadas, estria vascular ou neurônios espirais) ou do nervo coclear: presbiacusia, perda induzida por ruído, ototoxicidade, Ménière, surdez súbita, neuroma (schwannoma vestibular) e causas congênitas; na audiometria, via aérea e óssea caem juntas, sem gap. A perda mista combina as duas (gap sobre limiares ósseos elevados). A perda central resulta de lesão das vias e córtex auditivos centrais (AVC, tumores, doenças degenerativas), com audição normal aos estímulos simples e falha no processamento; e a perda funcional (não orgânica) é a queixa auditiva sem substrato orgânico demonstrável, mais comum em contextos medico-legais.
| Tipo | Sítio da lesão | Causas principais | Padrão audiométrico |
|---|---|---|---|
| Condutiva | Orelha externa e média | Cerume, otite média secretora, perfuração timpânica, colesteatoma, otosclerose | Gap aéreo-ósseo > 10 dB com via óssea normal |
| Neurossensorial | Cóclea e nervo coclear (auditivo) | Presbiacusia, ruído, ototoxicidade, Ménière, surdez súbita, schwannoma vestibular, causas genéticas e infecciosas | Vias aérea e óssea decaídas juntas, sem gap; discriminate verbal pode estar desproporcionalmente rebaixada na lesão retrococlear |
| Mista | Orelha média e interna simultaneamente | Otosclerose avançada, otites crônicas com toxemia coclear, malformações | Gap aéreo-ósseo sobre limiares ósseos elevados |
| Central | Vias e córtex auditivos centrais | AVC, tumores, esclerose múltipla, doenças degenerativas | Audiometria tonal pode ser normal; falha em testes de processamento auditivo |
Nas perdas condutivas, o mecanismo comum é a impedância ao fluxo sonoro ou a fixação da cadeia ossicular. A otosclerose merece atenção por ser a causa clássica de perda condutiva no adulto jovem: doença ósea autossômica dominante com penetrância variável, mais frequente em mulheres entre 20 e 40 anos, caracterizada por foco de osso esponjoso (otospongiose) na região da janela oval, fixando progressivamente a base do estribo; a audiometria mostra gap condutivo com o característico notch de Carhart (queda de via óssea em torno de 2.000 Hz, artefato de fixação estapédica) e o tratamento é cirúrgico (estapedotomia com prótese de pistão). Na otite média secretora da infância, o derrame no orelha médio — após infecções ou disfunção tubária — gera perda condutiva que pode ser persistente e afetar o desenvolvimento de linguagem.
Nas neurossensoriais, o alvo preferencial é o órgão de Corti. Na presbiacusia, o envelhecimento promove perda progressiva de células ciliadas externas, mais acentuada na espiral basal da cóclea (região das altas frequências), somada a atrofia da estria vascular e perda neural — daí o padrão audiométrico descendente com piora das altas frequências e a queixa clássica de ouvir mas não entender, pois as consoantes sibilantes (s, f, t) que carregam a inteligibilidade da fala estão justamente nas frequências altas. Na perda induzida pelo ruído (PAIR), a exposição a níveis superiores a 85 dB(A) por anos lesa células ciliadas externas inicialmente nas frequências de 3 a 6 kHz — o entalhe de 4 kHz é a assinatura audiométrica, diferente da presbiacusia, que é descendente contínua — e a pesquisa moderna descreve também a sinaptopatia coclear: dano sináptico das células ciliadas internas com perda de neurônios espirais, que explica zumbido e má compreensão em ruído mesmo com audiometria ainda normal. A ototoxicidade dos aminoglicosídeos (gentamicina, amicacina) e da cisplatina gera espécies reativas de oxigênio nas células ciliadas, com lesão inicial nas altas frequências, frequentemente bilateral e irreversível; diuréticos de alça (furosemida) e altas doses de salicilatos somam-se, estes últimos com zumbido e perda usualmente reversível. Na doença de Ménière, a hidropsia endolinfática distende o labirinto membranáceo e produz a tríade de surdez neurossensorial flutuante de baixas frequências, vertigem recorrente de 20 minutos a 12 horas e plenitude auricular com zumbido. A surdez neurossensorial súbita é urgência otológica: perda de 30 dB ou mais em pelo menos três frequências contíguas em até 72 horas, idiopática na maioria dos casos, com hipóteses viral e vascular, e janela terapêutica de corticoide nas primeiras duas semanas. O schwannoma vestibular (neuroma acústico), tumor benigno do nervo vestibular no conduto auditivo interno, causa perda neurossensorial unilateral ou assimétrica, geralmente gradual, com discriminação verbal desproporcionalmente pior que o limiar tonal, zumbido unilateral e, em fases avançadas, desequilíbrio e sinais neurológicos; é bilateral na neurofibromatose tipo 2.
Nas perdas congênitas, que afetam 1 a 3 de cada 1.000 nascidos vivos bem e até 2 a 4 de cada 100 egressos de UTI neonatal, a genética responde por cerca de metade dos casos — a mutação do gene GJB2 (conexina 26) é a causa mais comum de surdez genética não sindrômica — e a outra metade por causas adquiridas: o citomegalovírus congênito é a causa infecciosa mais frequente de surdez neurossensorial congênita e progressiva na infância — diagnosticável pela pesquisa do vírus na saliva ou na urina nas primeiras semanas de vida —, seguido historicamente pela rubéola congênita, hoje controlada pela vacinação. Prematuridade extrema, hipoxia, hiperbilirrubinemia, uso de aminoglicosídeos na UTI e infecções congênitas (toxoplasmose, sífilis) compõem a lista de fatores de risco que indicam triagem auditiva obrigatória.
No adulto e no idoso, a queixa costuma ser dificuldade para entender fala em ambientes ruidosos, necessidade de aumentar o volume da televisão, pedir repetição, zumbido e retração social progressiva; o familiar frequentemente percebe antes do paciente. Na criança, os sinais dependem da idade: no lactente, ausência de reação a sons e balbucio que não evolui; na pré-escolar, atraso de fala e linguagem, respostas inconsistentes, dor de ouvido recorrente e escolaridade prejudicada; a perda unilateral congênita pode passar despercebida por anos e manifestar-se como dificuldade escolar e localização sonora prejudicada. O exame físico inclui otoscopia (cerume, derrame, perfuração, colesteatoma, retrações), e a Weber e Rinne com diapasão de 256 ou 512 Hz. Algumas bandeiras vermelhas mudam a conduta e pedem investigação imediata: perda auditiva súbita (urgência — corticoide em até duas semanas), perda unilateral ou assimétrica (imagem do ângulo pontocerebelar), zumbido pulsátil, otorreia, vertigem associada, sinais neurológicos focais ou pares cranianos, e perda na criança com atraso de linguagem.
As provas com diapasão continuam sendo o teste de mesa mais cobrado da semiologia otorrinolaringológica. Rinne compara condução aérea (diapasão em frente ao meato) e óssea (haste na mastoide): normal (positiva) quando a via aérea é percebida por mais tempo; patológica (negativa, via óssea maior que a aérea) quando há impedimento da condução — perda condutiva. Weber (diapasão no vertex ou na testa) avalia para onde lateraliza o som: em condições normais não lateraliza; na perda condutiva lateraliza para a orelha pior (do lado da lesão, pois o mascaramento do ruído ambiente faz a via óssea chegar melhor ao ouvido bloqueado); na perda neurossensorial lateraliza para a orelha melhor (contralateral à lesão, pois o som é conduzido pelo osso igualmente às duas cócleas, mas só a cóclea sã o percebe). Memorize a lógica e não apenas a frase: condutiva puxa para o lado doente, neurossensorial foge do lado doente. As provas com diapasão têm sensibilidade limitada para perdas leves, mas são valiosas para confirmar o tipo de perda e checar a confiabilidade da audiometria, sobretudo em suspeita de perda funcional.
| Achado | Perda condutiva | Perda neurossensorial |
|---|---|---|
| Rinne | Negativa (via óssea > via aérea) na orelha afetada | Positiva (pode estar reduzida nas perdas intensas) |
| Weber | Lateraliza para a orelha doente | Lateraliza para a orelha sadia (contralateral à lesão) |
| Padrão audiométrico | Gap aéreo-ósseo com via óssea normal | Vias decaídas juntas, sem gap |
| Exemplo típico | Otosclerose, otite secretora, cerume | Presbiacusia, PAIR, surdez súbita, schwannoma |
A audiometria tonal liminar define limiares aéreos e ósseos por frequência, quantifica a perda e revela configurações diagnósticas (descendente na presbiacusia, entalhe em 3-6 kHz na PAIR, gap na condutiva, queda de 2 kHz na otosclerose); a logoaudiometria (limiar de recepção de fala e discriminação) traduz a inteligibilidade — discriminação desproporcionalmente pior que o limiar sugere lesão retrococlear e obriga imagem. A imitanciometria (timpanometria e reflexos acústicos) avalia a integridade do sistema de condução: curva tipo A é normal, tipo B sugere derrame no ourelha médio, tipo C disfunção tubária com pressão negativa, e a ausência do reflexo estapédico é típica da otosclerose. As emissões otoacústicas (EOA) testam a função das células ciliadas externas — presentes quando a cóclea funciona — e são o exame de triagem neonatal de primeira linha; o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE/BERA) avalia a via auditiva até o tronco e é indicado quando a EOA falha, em recém-nascidos de risco e na suspeita de lesão retrococlear, além de estimar o limiar auditivo objetivo. A regra 1-3-6 organiza a linha de cuidado infantil: triagem até 1 mês de vida, diagnóstico até 3 meses e intervenção até 6 meses — e é a Lei 12.303/2010 que torna o Teste da Orelhinha (EOA e, quando indicado, PEATE) obrigatório e gratuito em todos os hospitais e maternidades do país. A ressonância magnética do conduto auditivo interno com gadolínio é o exame de escolha para o schwannoma vestibular e para as perdas unilaterais ou assimétricas; a tomografia computadorizada dos ossos temporais detalha orelha média e malformações, colesteatoma e avaliação pré-cirúrgica da otosclerose.
| Exame | O que avalia | Indicação principal |
|---|---|---|
| Audiometria tonal limiar | Limiares aéreos e ósseos por frequência | Quantificação e configuração da perda em qualquer idade cooperativa |
| Logoaudiometria | Limiar de recepção de fala e índice de discriminação | Inteligibilidade; discriminação muito pior que o limiar sugere lesão retrococlear |
| Imitanciometria | Mobilidade timpânica e reflexos acústicos | Derrame (curva B), disfunção tubária (curva C), ausência de reflexo na otosclerose |
| Emissões otoacústicas (EOA) | Função das células ciliadas externas | Triagem neonatal (Teste da Orelhinha) e monitorização de ototoxicidade |
| PEATE (BERA) | Via auditiva até o tronco encefálico; estimativa objetiva do limiar | Falha na EOA, recém-nascidos de risco, suspeita retrococlear, lactentes |
| Ressonância do conduto auditivo interno | Nervo vestíbulo-coclear e ângulo pontocerebelar | Perda unilateral ou assimétrica, surdez súbita, suspeita de schwannoma vestibular |
O tratamento segue o tipo e a causa. Nas condutivas, corrige-se a causa: remoção de cerume (irrigação morna, aspiração ou gotas amolecedoras — jamais manipulação em otite externa ou suspeita de perfuração), tratamento da otite e, na otite média secretora persistente, tubo de ventilação quando o derrame é bilateral por três meses ou mais com perda auditiva significativa ou risco de desenvolvimento alterado; a otosclerose tem tratamento cirúrgico de eleição (estapedotomia com prótese), com chances de fechamento do gap acima de 90% em mãos experientes. Nas neurossensoriais, o que morreu não regenera: a base é reabilitação com aparelho de amplificação sonora individual (AASI), indicado nas perdas moderadas ou maiores com prejuízo funcional, com adaptação precoce e seguimento fonoaudiológico — o atraso na amplificação piora o desfecho. Duas situações têm tratamento específico com hora marcada. Primeira: a surdez neurossensorial súbita é urgência — corticoide sistêmico com prednisona 60 mg por dia (ou 1 mg/kg/dia) por 10 a 14 dias com desmame, iniciado idealmente nas primeiras duas semanas do início dos sintomas, com corticoide intratimpânico (dexametasona) como opção de resgate nos casos de recuperação incompleta e oxigenoterapia hiperbárica como alternativa combinada quando disponível no primeiro mês (diretriz AAO-HNS 2019). Segunda: o implante coclear é o tratamento de eleição na perda neurossensorial bilateral grave a profunda sem benefício suficiente de AASI — em adultos, o critério funcional clássico é discriminação de sentenças com amplificação inferior a 50-60% na melhor condição amplificada; em crianças, indica-se a partir dos 12 meses de idade, e quanto mais precoce a cirurgia, melhor o desfecho de linguagem. A estimulação auditiva é também a intervenção protetora contra as consequências cognitivas: corrigir a audição é medida de saúde pública, não conforto.
| Tratamento | Indicação | Detalhes que caem em prova |
|---|---|---|
| Remoção de cerume | Impactação com perda condutiva | Irrigação morna, aspiração ou gotas amolecedoras; evitar manipulação se perfuração |
| Tubo de ventilação | Otite média secretora bilateral persistente | Derrame por 3 meses ou mais com perda auditiva significativa ou risco ao desenvolvimento |
| Estapedotomia | Otosclerose com gap significativo | Prótese de pistão na janela oval; fechamento do gap em mais de 90% dos casos |
| AASI | Perda moderada ou maior com prejuízo funcional | Adaptação precoce, bilateral quando possível, seguimento fonoaudiológico |
| Corticoide na surdez súbita | Perda de 30 dB ou mais em 3 frequências contíguas em até 72 horas | Prednisona 60 mg/dia por 10-14 dias, idealmente nas primeiras 2 semanas; dexametasona intratimpânica como resgate; oxigenoterapia hiperbárica até 1 mês |
| Implante coclear | Perda bilateral grave a profunda sem benefício de AASI | Adultos com discriminação de sentenças inferior a 50-60% na melhor condição amplificada; crianças a partir de 12 meses; precocidade melhora linguagem |
A prevenção primária atua antes da lesão. Vacinação: rubéola, sarampo, caxumba, pneumococos, Haemophilus influenzae tipo b e meningococos previnem as infecções que causam surdez congênita e adquirida — a vacinação da mulher em idade fértil contra rubéola é a medida histórica que reduziu a surdez rubéolica. Prevenção do ruído: a norma brasileira NR-15 permite exposição ocupacional a 85 dB(A) por 8 horas diárias, com redução do tempo permitido a cada incremento e teto máximo sem proteção em torno de 115 dB(A); recomenda-se proteção auditiva (protetores tipo plugue ou concha) sempre acima desses limites, e a OMS recomenda para lazer o limite de 80 dB por 40 horas semanais para crianças e jovens — na prática, a regra do 60/60 para fones de ouvido: no máximo 60% do volume por até 60 minutos de cada vez. Prevenção da ototoxicidade: evitar aminoglicosídeos quando possível em disfunção renal, monitorar níveis séricos e função renal, evitar a combinação de aminoglicosídeo com diurético de alça, e monitorar com EOA em esquemas prolongados. Prevenção do CMV congênito: higiene rigorosa (lavar mãos após troca de fraldas e contato com secreções de crianças) em gestantes. A prevenção secundária é a triagem: o Teste da Orelhinha universal e gratuito (Lei 12.303/2010), com a regra 1-3-6 — triagem até 1 mês, diagnóstico até 3, intervenção até 6 meses — além de triagem em grupos de risco (UTI neonatal, antecedentes familiares). A prevenção terciária é a reabilitação: AASI, implante coclear, terapia fonoaudiológica, leitura orofacial e Língua Brasileira de Sinais (Libras), reconhecida como meio legal de comunicação pela Lei 10.436/2002.
As complicações da perda auditiva não tratada são graves e subestimadas. Na criança, a privação auditiva nos primeiros anos de vida — período crítico de aquisição de linguagem — causa atraso de fala, prejuízo escolar e alterações comportamentais; a intervenção até os 6 meses de idade muda a trajetória de desenvolvimento, o que justifica a regra 1-3-6. No adulto e idoso, a perda auditiva associa-se de forma independente a depressão, isolamento social, quedas e declínio cognitivo: a Comissão da Lancet sobre prevenção de demência (2020) estimou que a perda auditiva na meia-idade responde por cerca de 8% dos casos de demência — a maior fração atribuível populacional entre os fatores modificáveis — e estudos observacionais sugerem que a amplificação pode atenuar esse risco em populações de risco. O prognóstico por causa: cerume e otites têm recuperação completa; otosclerose operada fecha o gap na grande maioria; a surdez súbita recupera total ou parcialmente cerca de metade dos casos, com pior prognóstico em perdas graves, com vertigem associada e em idosos; a PAIR e a ototoxicidade tendem a ser irreversíveis e progressivas enquanto houver exposição — daí a primazia da prevenção; o schwannoma tem excelente prognóstico com seguimento, radiocirurgia ou cirurgia, dependendo do tamanho e crescimento; e a perda congênita identificada e tratada precocemente permite desenvolvimento de linguagem próximo ao normal.
1.Segundo a classificação da OMS (2021) para adultos, uma perda auditiva com limiar de 40 dB na melhor orelha é classificada como:
2.Paciente com surdez à direita: o diapasão na testa (Weber) lateraliza para a direita e o Rinne é negativo à direita. O diagnóstico é:
3.Trabalhador de metalúrgica exposto a ruído intenso por 15 anos: qual padrão audiométrico é característico da perda induzida pelo ruído?
4.Mulher de 35 anos com perda auditiva condutiva progressiva, zumbido e audiometria com gap aéreo-ósseo e queda de via óssea em 2 kHz. O diagnóstico provável e o tratamento de eleição são:
5.Adulto apresenta perda auditiva neurossensorial súbita à esquerda há 4 dias, sem otorreia nem febre. Conduta correta:
6.Perda auditiva neurossensorial unilateral e progressiva em adulto, com discriminação verbal desproporcionalmente pior que o limiar tonal. O exame de escolha para investigação é:
7.Sobre a triagem auditiva neonatal no Brasil, qual assertiva é correta?
8.Qual par de fármacos é classicamente ototóxico com lesão inicial nas altas frequências e risco de perda irreversível?
9.Sobre a associação entre perda auditiva e demência, a Comissão da Lancet (2020) estimou que a perda auditiva na meia-idade responde por qual fração aproximada de casos de demência?
10.O implante coclear está indicado em qual situação?
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