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Revisão completa das imobilizações (talas, gessos, tipoias e órteses por segmento com tempos de uso), trações cutâneas e esqueléticas com pesos e indicações clássicas, complicações do gesso (síndrome compartimental, compressões nervosas, úlceras) e as condições da mão: De Quervain, dedo em gatilho, mallet, jersey, gamekeeper, escafóide e fraturas dos metacarpos, com condutas conservadoras e indicações cirúrgicas.
[1] National Institute for Health and Care Excellence. Fractures (non-complex): assessment and management. NICE guideline NG38. Londres: NICE; 2016 · https://www.nice.org.uk/guidance/ng38 | [2] Court-Brown CM, Heckman JD, McQueen MM, Ricci WM, Tornetta P III, eds. Rockwood and Green's Fractures in Adults. 9ª ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2019 | [3] Wolfe SW, Pederson WC, Kozin SH, Cohen MS, eds. Green's Operative Hand Surgery. 7ª ed. Philadelphia: Elsevier; 2017 | [4] Sato ES, Gomes dos Santos JB, Belloti JC, Albertoni WM, Faloppa F. Treatment of trigger finger: randomized clinical trial comparing the methods of corticosteroid injection, percutaneous release and open surgery. Rheumatology (Oxford). 2012;51(1):93-99 · DOI 10.1093/rheumatology/kes033 | [5] Richie CA 3rd, Briner WW Jr. Corticosteroid injection for treatment of de Quervain's tenosynovitis: a pooled quantitative literature evaluation. J Am Board Fam Pract. 2003;16(2):102-106 · PMID 12650624 | [6] Makkouk AH, Oetgen ME, Swigart CR, Dodds SD. Trigger finger: etiology, evaluation, and treatment. Curr Rev Musculoskelet Med. 2008;1(2):92-96 · PMID 19468902 · DOI 10.1093/rheumatology/kes033
Imobilizar é o procedimento ortopédico mais executado da medicina: toda fratura estável, entorse, pós-operatório imediato e grande parte das lesões da mão passam por uma tala, um gesso ou uma órtese antes de qualquer decisão cirúrgica. Executada corretamente, a imobilização alivia a dor, mantém a redução, controla o edema e permite a consolidação; executada mal, produz exatamente o oposto — síndrome compartimental, úlceras de pressão, compressões nervosas e rigidez articular, que são as complicações mais cobradas em prova. Este artigo percorre os princípios e os tipos de imobilizadores com seus tempos por segmento, as trações cutâneas e esqueléticas com pesos e indicações clássicas, as complicações do gesso com a conduta diante da dor sob gesso, e as condições da mão — De Quervain, dedo em gatilho, mallet, jersey, gamekeeper, escafóide e fraturas dos metacarpos — com doses de infiltração e critérios claros de quando operar.
Toda imobilização persegue quatro objetivos: alívio da dor, estabilização do foco de fratura ou da parte mole lesionada, controle do edema e prevenção de desvios secundários. A regra de ouro do gesso é imobilizar a articulação imediatamente acima e a imediatamente abaixo da fratura; em lesões da mão, imobiliza-se o segmento lesionado em posição que preserve a função futura. Na fase aguda, com edema crescente, prefere-se a tala gessada (imobilização que envolve parcialmente o membro, permitindo expansão do tecido mole) ao gesso circular; este é confeccionado ou convertido quando o edema regrediu, usualmente entre 3 e 7 dias. O molde se faz por três pontos de contato (moldagem tripodal), nunca por compressão digital pontual, que forma pontos de pressão. Os materiais se dividem entre o gesso de Paris (sulfato de cálcio hidratado, mais barato, muito moldável, mais pesado, fragiliza-se com água e gera calor exotérmico ao curar) e as fibras sintéticas de vidro ou polímero (leves, resistentes à água, radiotransparentes, curagem em minutos, porém mais caras e menos moldáveis). Sob qualquer material, o acolchoamento com algodão ortopédico protege proeminências ósseas — maléolos, estiloides, epicôndilos, cabeça da fíbula e coluna do polegar.
Em imobilizações prolongadas da mão e do punho, a posição segura (de proteção) previne as contraturas clássicas: punho em extensão de 20 a 30 graus, metacarpofalângicas (MCF) fletidas de 70 a 90 graus, interfalângicas praticamente estendidas (0 a 10 graus) e polegar em abdução. O raciocínio anatômico é cobrado em prova: se as MCF ficam estendidas, os colaterais encurtam e a mão perde o punho de aperto; se as interfalângicas ficam fletidas por semanas, desenvolvem-se flexões fixas. Posição funcional difere da segura: é a posição de uso do membro (punho levemente estendido, MCF a 30 graus, dedos quase retos) usada quando não se pode evitar enrijecimento, como em artrites reumatoides.
| Imobilizador | Segmento e indicação típica | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| Tala gessada (goteira, sugar-tong, tala digitopalmár) | Fase aguda de fraturas, entorses e pós-reduções em qualquer segmento | Envolve cerca de 180 graus do membro, permite o edema expandir; converter para gesso circular em 3 a 7 dias |
| Gesso circular | Manutenção de redução após o edema estabilizar | Risco de síndrome compartimental se aplicado na fase aguda; orientar sinais de alerta |
| Tipoia (sling) simples | Ombro, braço e cotovelo: contusões, pós-redução de ombro, fraturas de clavícula em adultos | Cotovelo flexionado a 90 graus; evitar imobilização longa do ombro em idosos (rigidez) |
| Tóraco-braquial (Velpeau e variações) | Úmero proximal, ombro e luxações em crianças pequenas | Menino pequeno tolera bem; verificar higiene e lesões de pele axilares |
| Colar cervical rígido ou Filadélfia | Trauma raquimedular cervical | Colar não é tratamento definitivo de lesão instável; serve de transporte e estabilização inicial |
| Bota gessada / walker boot (bota de marcha) | Tornozelo e pé: entorses graves, fraturas estáveis do maléolo e do 5º metatarso | Walker permite deambulação com carga conforme tolerância |
| Órteses e talas prontas (guanteira, thumb spica, Stack, gutter) | Mão e punho: condições inflamatórias e lesões tendinosas | Ver seção de condições da mão; escolher a tala certa é metade do tratamento |
| Gesso pelvipédico (espícula) e coletes | Fêmur e quadril em crianças; coluna em faixas selecionadas | Cuidado com compressão abdominal e higiene; monitorar marcha e crescimento |
| Segmento e lesão | Imobilização de escolha | Tempo típico | Observação de prova |
|---|---|---|---|
| Clavícula (adulto, sem desvio grave) | Tipoia simples | 3 a 6 semanas | Consolida mesmo com calo vultuoso; raramente indica cirurgia |
| Úmero (diafisário) | Tóraco-braquial ou tala em U (sugar-tong umeral) | 6 a 10 semanas | Cuidado com nervo radial no terço médio |
| Cotovelo / supracondiliana em criança | Goteira posterior ou gesso braquial a 90 graus | 3 semanas | Risco de síndrome compartimental e de Volkmann; dor à extensão passiva dos dedos é sinal de alarme |
| Antebraço (diáfises rádio e ulna) | Gesso braquial longo (do braço à mão, incluindo o cotovelo a 90 graus) | 6 a 8 semanas | Pronação e supinação são controladas pelo cotovelo incluído no gesso |
| Fratura de Colles (extremidade distal do rádio) | Tala sugar-tong curta e depois gesso antebraquial (antebraquiopalmar) com punho em leve flexão e desvio ulnar | 4 a 6 semanas | Vigiar nervo mediano e síndrome dolorosa regional complexa |
| Fratura do escafóide | Gesso thumb spica (inclui o polegar até a falange proximal) | 8 a 12 semanas (até 16 no polo proximal) | Radiografia inicial normal não afasta; dor na tabaqueira anatômica = imobilizar e reavaliar |
| Metacarpos (boxeador: colo do 5º) | Goteira ulnar (4º e 5º) ou radial (2º e 3º) com MCF a 70-90 graus | 3 a 4 semanas | Angulação até 30-45 graus no 5º é aceitável; rotação (deformidade em rotação do dedo) nunca |
| Falanges | Férula digitopalmár ou buddy taping (dedo amigo) | 3 a 4 semanas | Evitar imobilizar interfalângicas fletidas |
| Fêmur em criança pequena | Tração 90-90 ou gesso pelvipédico | Conforme idade e protocolo | Ver seção de trações |
| Tornozelo (maléolos estáveis, 5º metatarso) | Bota gessada ou walker boot | 6 a 8 semanas | Carga conforme protocolo por lesão |
| Torus (greenstick incompleto) em criança | Tala removível | 3 semanas | Remodelação óssea da criança aceita desvios que no adulto seriam inaceitáveis |
Tração é a aplicação contínua de força no eixo do membro para alinhar ou estabilizar uma fratura, reduzir a dor e o sangramento do foco e manter o comprimento do membro. Divide-se em cutânea, quando a força é transmitida à pele por faixas adesivas ou espuma (esparadrapo de tração), e esquelética, quando um fio metálico de Kirschner ou pino de Steinmann atravessa o osso (tíbia proximal, fêmur distal ou calcâneo) e o peso é aplicado diretamente ao esqueleto; e em temporária (de urgência ou transporte, como na primeira assistência ao fêmur) e terapêutica (manutenção definitiva por semanas, sobretudo em crianças). A tração cutânea tolera apenas pesos baixos — em torno de 2 a 5 kg no adulto e no máximo cerca de 10% do peso corporal em crianças — porque pesos maiores arrancam a pele e comprimem vasos e nervos; a esquelética suporta 10% a 15% do peso corporal (habitualmente 7 a 12 kg no adulto com fratura de fêmur). Na criança, o fio esquelético na tíbia proximal ameaça a placa de crescimento do tubérculo tibial: prefere-se a metáfise distal do fêmur. Cuidados gerais: inspeção diária dos pontos de entrada do fio (infecção de sítio de pino), verificação de neurovascular distal, profilaxia de trombose venosa profunda e prevenção de úlcera de calcâneo e de dorso (elevação e mudanças de decúbito).
| Tração | Tipo | Indicação clássica | Peso e detalhe técnico |
|---|---|---|---|
| Buck (extensão simples) | Cutânea longitudinal | Repouso de membro inferior, fraturas de quadril e fêmur em idosos como medida temporária | 2 a 5 kg; pé da cama elevado para contrapeso do corpo |
| Russell | Cutânea com polia e suporte poplíteo | Estabilização de fêmur e quadril | Força resultante no eixo do fêmur com joelho semifletido confortável |
| Dunlop | Cutânea (ou esquelética) supracondilar | Fratura supracondilar do úmero na criança, como temporária ou definitiva em alguns serviços | Cotovelo fletido cerca de 45 a 60 graus, membro em tração overhead; vigiar pulso e nervo mediano |
| Bryant (galik, 90-90 vertical bilateral) | Cutânea bilateral | Fratura de fêmur em menores de 2 anos (até cerca de 12 kg) | Quadril a 90 graus, nádegas apenas elevadas do colchão; risco de necrose vascular se peso excessivo |
| 90-90 com fio | Esquelética | Fratura de fêmur entre 2 e 10 anos, quando a cirurgia não está indicada | Fio na metáfise distal do fêmur; quadril e joelho a 90 graus, peso de 10% do peso corporal e reavaliação radiográfica |
| Esquelética tibial proximal ou femoral distal | Esquelética | Fêmur do adulto como temporária pré-operatória | 10% a 15% do peso corporal (7 a 12 kg); na criança evitar o tubérculo tibial por causa da placa de crescimento |
A síndrome compartimental é a complicação mais temida e ocorre sobretudo nas primeiras 24 a 48 horas, em fraturas de perna, antebraço e supracondiliana de úmero, com ou sem gesso. O quadro inicial é dor desproporcional à lesão que piora progressivamente e dolorimento à extensão passiva dos músculos do compartimento acometido (extensão passiva dos dedos no antebraço e do braço), seguido de parestesias; a pele pode estar pálida e tensa. A analgesia crescente (paciente pedindo mais analgésico) é sinal precoce clássico; a ausência de pulso e a anestesia são tardias — pulso presente não exclui a síndrome, porque a pressão de perfusão cai antes da oclusão arterial. Conduta: bivalvar imediatamente o gesso ou a tala (abrir e afastar as bordas, incluindo o acolchoamento) e reavaliar em 15 a 30 minutos; se a suspeita persiste, fasciotomia emergencial dos compartimentos — demorar significa contratura isquêmica de Volkmann (flexão fixa do punho e dos dedos por necrose dos flexores).
As compressões nervosas seguem mapas anatômicos fixos e caem em prova: o nervo radial no terço médio do úmero (tala mal moldada ou gesso apertado) causa desvio radial dos dedos com queda do punho; o ulnar no sulco do epicôndilo medial e o peroneiro comum na cabeça da fíbula (gesso de perna alto ou imobilização do joelho) causam, respectivamente, déficit sensitivo ulnar na mão e marcha com dorsoflexão impossível. Úlcera de pressão sob o gesso se suspeita por dor focal em ponto único, odor fétido ou umidade no gesso; o tratamento é a janela no gesso sobre o ponto doloroso com proteção da pele e desbridamento quando necessário. Outras complicações: queimaduras da pele pelo calor de cura do gesso (evitar gesso muito espesso e imersão em água quente), dermatite e prurido (proibir a introdução de objetos para coçar — hastes, canetas e colheres), rigidez articular e aderências tendinosas (mão é o pior cenário), atrofia e osteopenia do desuso, síndrome dolorosa regional complexa (dor desproporcional, alterações tróficas e da sudorese, osteoporose em mancha no raio-x), e trombose venosa profunda em imobilizações de membro inferior com fatores de risco, que exige profilaxia farmacológica em pacientes imobilizados de alto risco.
A fratura de Colles (fratura do terço distal do rádio com desvio dorsal, o clássico garfo de jantar após queda com a mão estendida em mulher idosa osteoporótica) é tratada com redução fechada sob bloqueio hematoma (anestesia local do foco) e imobilização em punho levemente flexionado e em desvio ulnar por 4 a 6 semanas; complicações incluem lesão do nervo mediano, desvio secundário e síndrome dolorosa regional complexa. A fratura de Smith (desvio volar, queda com o dorso da mão) é frequentemente instável e muitas vezes operada, com imobilização em supinação quando conservadora. No escafóide, a dor na tabaqueira anatômica (entre os tendões do extensor longo do polegar e do extensor radial do carpo) após queda com a mão em pronação obriga ao tratamento mesmo com radiografia inicial normal: a diretriz NICE NG38 recomenda ressonância magnética como exame de primeira linha quando o raio-x é negativo e a suspeita persiste; a imobilização com thumb spica dura 8 a 12 semanas (até 16 no polo proximal, que tem retrofluxo vascular e risco de necrose avascular e pseudoartrose). No boxeador (colo do 5º metacarpo), a goteira ulnar com MCF fletida a 70-90 graus por 3 a 4 semanas aceita angulação em até cerca de 30 a 45 graus sem perda funcional, mas qualquer rotação — dedo que desvia para o lado vizinho ao fechar o punho — é indicação de redução cirúrgica.
A tenossinovite de De Quervain é o estreitamento do primeiro compartimento dorsal do punho (túnel dos tendões abdutor longo e extensor curto do polegar) por uso repetitivo, tipicamente em mulheres de 30 a 50 anos, puérperas e lactantes. O quadro é dor na face radial distal do antebraço e na base do polegar, piorando ao apertar e torcer; o teste de Finkelstein (flexão do punho em desvio ulnar com o polegar fechado dentro do punho) reproduz a dor de forma quase diagnóstica. Tratamento conservador em degraus: órtese tipo thumb spica por 3 a 6 semanas com anti-inflamatório não hormonal e, na falha, infiltração no compartimento com corticoide (triamcinolona 10 a 40 mg ou metilprednisolona 20 a 40 mg com lidocaína a 1%), que na avaliação agrupada de Richie e Briner alcançou sucesso de cerca de 83%; a cirurgia de liberação do primeiro compartimento fica para os refratários, com cuidado dos ramos sensitivos do nervo radial. Os dois imitadores clássicos: a síndrome da interseção (tenossinovite do segundo compartimento, dos radiais do carpo, com dor e crepitação 4 a 6 cm acima do punho ao estender o punho) e a artrose da trapeciometacarpiana do polegar (teste de compressão grind positivo, respondendo a thumb spica e, na falha, a artroplastia).
O dedo em gatilho (tenossinovite estenosante dos flexores) é o travamento do dedo em flexão com estalo doloroso na extensão, por nódulo ou engrossamento do tendão flexor sob a polia A1 (na prega metacarpofalângica), com nódulo palpável doloroso à palpação da palma. Acomete mulheres de 40 a 60 anos e diabéticos (que têm formas múltiplas e mais resistentes). O tratamento inicial é a infiltração de corticoide na bainha (a mesma dose usada em De Quervain), com resolução em cerca de metade a dois terços dos casos após uma sessão e taxas maiores com a segunda; diabéticos respondem menos e recaem mais. Na falha ou recorrência, a liberação da polia A1 por agulha (percutânea) ou cirurgia aberta: no ensaio randomizado brasileiro da UNIFESP (Sato e colegas, Rheumatology 2012), as três estratégias foram eficazes, com as liberações cirúrgicas associadas a menor necessidade de retratamento que a injeção isolada. O polegar em gatilho congênito da criança tem nódulo de Notta e boa chance de resolução espontânea no primeiro ano de vida; persistindo, libera-se a polia A1 após os 12 meses.
| Condição | Teste clínico e local | Tratamento conservador | Quando operar |
|---|---|---|---|
| Tenossinovite de De Quervain | Finkelstein positivo; dor na face radial distal do punho, 1º compartimento dorsal | Thumb spica 3 a 6 semanas + AINE; infiltração de corticoide com sucesso de cerca de 83% | Refratários após infiltrações: liberação do 1º compartimento, preservando ramos do nervo radial |
| Dedo em gatilho | Travamento em flexão com estalo; nódulo na polia A1 | Infiltração de corticoide na bainha (1 a 2 sessões); resolve na metade a dois terços | Falha ou recorrência: liberação da polia A1 percutânea ou aberta; urgência nunca é regra |
| Síndrome da interseção | Dor e crepitação 4 a 6 cm acima do punho à extensão | Repouso, AINE, imobilização breve do punho | Raramente; desbridamento em casos crônicos excepcionais |
| Artrose trapeciometacarpiana (rizartrose) | Grind test positivo na base do polegar | Thumb spica, AINE, terapia de mão | Artroplastia ou fusão na falha do tratamento clínico |
| Síndrome do túnel do carpo | Tinel e Phalen positivos; parestesias noturnas nos dedos 1 a 4 | Tala noturna do punho em neutro + AINE; infiltração no canal | Déficit motor ou atrofia tenar, falha clínica: liberação do retináculo flexor |
O mallet finger (dedo em martelo) é a ruptura do aparelho extensor na sua inserção na base da falange distal, por trauma direto na ponta do dedo estendido (bola na ponta do dedo), deixando a interfalângica distal fletida com extensão ativa impossível. O tratamento padrão é conservador: férula de extensão contínua da interfalângica distal (tipo Stack ou férula dorsal) por 6 a 8 semanas sem interrupção, seguida de 2 a 4 semanas noturnas; a orientação é clara — se a férula sair acidentalmente por minutos, o tempo recomeça ou se soma, porque o tendão em cicatrização precisa de imobilidade contínua. Cirurgia fica para as avulsões ósseas com fragmento maior que um terço da superfície articular ou com subluxação da interfalângica distal. O jersey finger é a avulsão do tendão flexor profundo na falange distal (agarre na camisa do adversário), típica do dedo anular; o paciente perde a flexão ativa da interfalângica distal. Na classificação de Leddy-Packer, o tipo I (tendão retraído até a palma, com deficiência vascular) exige cirurgia urgente em dias; tipos com retração menor permitem janela maior.
O gamekeeper (ou skier) thumb é a ruptura do ligamento colateral ulnar da metacarpofalângica do polegar por hiperabdução forçada (esqui, queda com bastão). Instabilidade importante em valgo (maior que 30 a 35 graus ou diferença maior que 15 graus em relação ao polegar contralateral, testada sob anestesia local) sugere ruptura completa; na lesão de Stener, a aponeurose do adutor se interpõe entre o ligamento rompido e sua inserção, impedindo a cicatrização — ocorre em boa parte das rupturas completas e é indicação cirúrgica, enquanto rupturas parciais estáveis são tratadas com thumb spica por 4 a 6 semanas. A fratura de Bennett é a fratura-luxação da base do primeiro metacarpo (fragmento volar mantido pelo ligamento obliquo), tratada com redução e thumb spica quando anatômica, ou fixação cirúrgica percutânea com fios quando desviada. As deformidades em botão (boutonnière, central da interfalângica proximal) e em pescoço de cisne (swan neck) na mão reumática ou traumática iniciam-se com extensão ortética da interfalângica proximal por cerca de 6 semanas antes de se pensar em cirurgia.
| Lesão | Mecanismo e achado | Conduta inicial | Indicação cirúrgica |
|---|---|---|---|
| Mallet finger | Trauma na ponta do dedo; IFD fletida sem extensão ativa | Férula de extensão contínua da IFD por 6 a 8 semanas (mais 2 a 4 noturnas) | Fragmento ósseo maior que 1/3 da superfície articular ou subluxação da IFD |
| Jersey finger | Flexão forçada contra resistência; perda da flexão ativa da IFD (tendão flexor profundo) | Avaliação ortopédica precoce com classificação de Leddy-Packer | Tipo I (retração até a palma): cirurgia urgente em dias; demais conforme o tipo |
| Gamekeeper / skier thumb | Hiperabdução da MCF do polegar; dor e instabilidade em valgo | Thumb spica 4 a 6 semanas se estável (valgo menor que 30 graus) | Instabilidade maior que 30 a 35 graus, diferença maior que 15 graus versus contralateral ou lesão de Stener |
| Fratura de Bennett | Trauma axial do 1º metacarpo; fratura-luxação da base | Redução e thumb spica se anatômica e estável | Desvio articular: fixação percutânea com fios (ORIF) |
| Boutonnière traumático | Lesão do extensor central na IFP; IFP fletida com IFD hiperestendida | Extensão ortética da IFP por cerca de 6 semanas | Falha da ortese com deformidade fixa |
Os tempos de imobilização seguem a biologia da consolidação: falanges e metacarpos 3 a 4 semanas, extremidade distal do rádio 4 a 6 semanas, antebraço 6 a 8 semanas, escafóide 8 a 12 (até 16 no polo proximal), tíbia e maléolos 6 a 12 semanas conforme o traço. Crianças consolidam em cerca de metade do tempo do adulto e remodelam angulações proporcionais ao potencial de crescimento (correção mais eficiente perto da fise e no plano do movimento articular), o que autoriza condutas conservadoras que no adulto seriam inaceitáveis; idosos, ao contrário, enrijecem rápido — quanto mais tempo imobilizado, maior o risco de rigidez definitiva, e a mão é o segmento mais vulnerável. Fraturas desviadas reduzem-se e mantêm-se com controle radiográfico semanal nas primeiras 2 a 3 semanas, quando a maioria dos desvios secundários ocorre; a partir da consolidação clínica (ausência de dor à pressão no foco) e radiográfica (calo atravessando o traço), inicia-se reabilitação com amplitude de movimento progressiva, fortalecimento e, na mão, terapia ocupacional para destreza e pinça. Sequela funcional esperada deve ser conversada desde o primeiro atendimento: o objetivo da imobilização não é apenas o osso consolidado, é o segmento útil e indolor.
1.Paciente chega à emergência 2 horas após queda de bicicleta com fratura desviada de antebraço e edema importante. Qual a imobilização inicial correta?
2.Criança de 6 anos, 12 horas após redução de fratura supracondilar de úmero, refere dor intensa crescente no cotovelo apesar de analgésicos e dor à extensão passiva dos dedos. Qual a primeira conduta?
3.A presença de pulso radial palpável em um membro com suspeita de síndrome compartimental:
4.Qual a posição segura (de proteção) correta para imobilizações prolongadas da mão e do punho?
5.Jovem de 22 anos com dor na tabaqueira anatômica após queda com a mão aberta; radiografias de punho em 3 incidências normais. Qual a conduta?
6.Puérpera de 32 anos com dor na face radial distal do antebraço direito; o teste de Finkelstein reproduz a dor intensamente. Diagnóstico e primeiro degrau terapêutico?
7.Qual o percentual aproximado de sucesso da infiltração com corticoide na tenossinovite de De Quervain, conforme a avaliação agrupada da literatura?
8.Homem de 58 anos, diabético, com travamento doloroso do quarto dedo em flexão e nódulo palpável na palma. Tratamento inicial de escolha e sua limitação no diabético:
9.Jogador de vôlei com dor e incapacidade de estender a interfalângica distal do dedo médio após bloqueio de bola; radiografia sem fratura significativa. Conduta padrão?
10.Esquiador com dor na metacarpofalângica do polegar após queda com o bastão; à manobra em valgo sob anestesia local, instabilidade de 40 graus e suspeita de lesão de Stener. Qual a conduta?
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