carregando…
carregando…
Revisão integrada das uveítes imunomediadas associadas a doenças reumáticas — espondiloartrites HLA-B27, artrite idiopática juvenil, síndrome de Behçet e sarcoidose — com classificação SUN, graduação de câmara anterior, rastreio da AJI pelo ACR 2019, doses de imunossupressores e anti-TNF e 10 questões de fixação.
[1] The Standardization of Uveitis Nomenclature (SUN) Working Group. Standardization of Uveitis Nomenclature for Reporting Clinical Data: Results of the First International Workshop. Am J Ophthalmol. 2005;140(3):509-516 · DOI 10.1016/j.ajo.2005.03.057 | [2] Angeles-Han ST, Ringold S, Beukelman T, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Screening, Monitoring, and Treatment of Juvenile Idiopathic Arthritis-Associated Uveitis. Arthritis Care Res (Hoboken). 2019;71(6):703-716 · DOI 10.1002/acr.23871 | [3] Hatemi G, Christensen R, Bang D, et al. 2018 update of the EULAR recommendations for the management of Behçet syndrome. Ann Rheum Dis. 2018;77(6):808-818 · DOI 10.1136/annrheumdis-2018-213225 | [4] Levy-Clarke G, Jabs DA, Read RW, et al. Expert panel recommendations for the use of anti-tumor necrosis factor biologic agents in patients with ocular inflammatory disorders. Ophthalmology. 2014;121(3):785-796 · DOI 10.1016/j.ophtha.2013.09.048 | [5] Acharya NR, et al. Incidence and Prevalence of Uveitis: Results From the Pacific Ocular Inflammation Study. JAMA Ophthalmol. 2013;131(11):1405-1412 · DOI 10.1001/jamaophthalmol.2013.4237 · DOI 10.1016/j.ajo.2005.03.057
Uveíte é a inflamação da úvea — íris, corpo ciliar e coroide — e, na prática, de qualquer estrutura intraocular com ela em contato. Ela responde por cerca de 10 a 15% dos casos de cegueira evitável em países desenvolvidos e por proporções ainda maiores em regiões onde causas infecciosas como toxoplasmose e tuberculose somam-se às imunomediadas. Para o estudante de medicina, a uveíte é o território onde Oftalmologia e Reumatologia se encontram: metade das uveítes anteriores de início agudo tem fundo reumático (espondiloartrites HLA-B27), a artrite idiopática juvenil (AJI) é a causa sistêmica mais comum de uveíte anterior crônica na criança, e metade dos pacientes com síndrome de Behçet desenvolve inflamação ocular com risco real de perda visual. A banca cobra três eixos: classificar corretamente (nomenclatura SUN), raciocinar a causa reumática a partir do padrão ocular e conhecer a escada terapêutica com doses — do colírio de corticoide ao anti-TNF.
A nomenclatura SUN (Standardization of Uveitis Nomenclature), publicada em 2005 após o primeiro workshop internacional, padronizou como toda uveíte deve ser descrita em quatro eixos: localização anatômica (o principal), início, duração e curso clínico. Sem esse idioma comum, prontuários e ensaios clínicos não são comparáveis — e as provas cobram exatamente esses descritores. A localização anatômica divide a uveíte em anterior (câmara anterior), intermediária (vítreo), posterior (retina e coroide) e panuveíte (difusa), e deve ser definida pelo sítio de maior inflamação. Detalhe de prova: a inflamação isolada da íris é irite; quando corpo ciliar e íris estão envolvidos fala-se em iridociclite; a pars planite é o subtipo clássico de uveíte intermediária da criança e do adulto jovem.
| Tipo anatômico (SUN) | Estruturas inflamadas | Achado marcante | Exemplos reumáticos típicos |
|---|---|---|---|
| Anterior | Íris e corpo ciliar (câmara anterior) | Células e flare na biomicroscopia; precipitados queráticos | Espondiloartrites HLA-B27, AJI, artrite reativa |
| Intermediária | Vítreo e pars plana | Exsudatos em cabeça de neve no vítreo inferior, sem infiltrado retiniano ou coroidiano | Esclerose múltipla, sarcoidose (menos frequente) |
| Posterior | Retina e coroide | Focos de coroidite, vasculite retiniana, vitreíte | Sarcoidose, Behçet, toxoplasmose (infecciosa) |
| Panuveíte | Todos os compartimentos | Inflamação difusa de câmara anterior, vítreo e fundo | Behçet, sarcoidose, Vogt-Koyanagi-Harada |
No Pacific Ocular Inflammation Study, a prevalência de uveíte foi de 115,3 por 100.000 habitantes e a incidência de 52,4 por 100.000 pessoas-ano, com predomínio em mulheres e pico entre a terceira e a quarta décadas. A distribuição anatômica varia com a geografia: em séries norte-americanas e europeias, a uveíte anterior responde por 50 a 60% dos casos; no Brasil, as séries hospitalares registram proporção maior de uveítes posteriores e infecciosas — a toxoplasmose ocular é a causa mais frequente de uveíte posterior no país —, com contribuição também relevante de tuberculose e, no Nordeste e em bancos de sangue de todo o território, de uveíte associada ao HTLV-1. Entre as causas sistêmicas imunomediadas, três dominam a prática reumatológica: as espondiloartrites axiais (25 a 40% dos pacientes desenvolvem uveíte anterior aguda ao longo da vida), a AJI (10 a 20% de risco global, chegando a cerca de 20% na oligoarticular com ANA positivo) e a síndrome de Behçet (envolvimento ocular em cerca de metade dos pacientes, mais frequente e mais grave em homens jovens).
Números que rendem questão de prova: cerca de 40 a 60% dos pacientes com uveíte anterior aguda recorrente são HLA-B27 positivos; a uveíte é a manifestação extra-articular mais comum da espondilite ancilosante; na AJI, o risco de uveíte é máximo nos primeiros 4 anos de doença e em crianças com início antes dos 7 anos; e a uveíte da AJI é assintomática até fases avançadas em mais de 80% dos casos — razão pela qual existe um protocolo formal de rastreio com lâmpada de fenda.
O olho é um órgão de privilégio imunológico: a barreira hemato-ocular (endotélio capilar da íris e da retina, epitélio do corpo ciliar e não-pigmentado) isola antígenos intraoculares e a imunidade local tende à tolerância (desvio imune associado à câmara anterior). A uveíte imunomediada começa quando esse privilégio falha: linfócitos T CD4+ previamente sensibilizados (fenótipos Th1 e Th17) reconhecem antígenos nos tecidos oculares e desencadeiam cascata de citocinas — TNF-alfa, interferon-gama, IL-17, IL-6 e IL-1beta — com recrutamento de leucócitos. A ruptura da barreira hemato-aquosa deixa proteínas plasmáticas transudarem para a câmara anterior (o flare à biomicroscopia) e células inflamatórias migrarem (as células em suspensão): flare e células são, portanto, marcadores diretos de gravidade e resposta ao tratamento.
O padrão ocular é a principal pista etiológica. A tabela a seguir cruza as doenças reumáticas cobradas em prova com o fenótipo uveítico característico e as pistas extra-oculares que fecham o diagnóstico.
| Doença | Padrão uveítico | Marcadores | Pistas extra-oculares |
|---|---|---|---|
| Espondilite ancilosante / espondiloartrite axial | Anterior aguda, não granulomatosa, unilateral e alternante, com dor e fotofobia intensas | HLA-B27 positivo em 90-95% dos casos de EA | Lombalgia inflamatória matinal, rigidez melhor com atividade, sacroileíte |
| Artrite reativa (síndrome de Reiter) | Uveíte anterior aguda em surtos; conjuntivite mucopurulente mais comum que a uveíte | HLA-B27 em 60-80% | Artrite de membros inferiores após 1-4 semanas de uretrite ou enterite, queratodermia blenorrágica, balanite circinada |
| Artrite idiopática juvenil (oligoarticular ANA+) | Anterior crônica, insidiosa, olho branco, bilateral em mais da metade dos casos | ANA positivo em 70-80% das uveítes por AJI | Criança menor de 7 anos, meninas, artrite de poucas articulações |
| Síndrome de Behçet | Panuveíte recorrente com vasculite retiniana e hipópio móvel | HLA-B51 (associação populacional), patergia positiva | Úlceras orais e genitais recorrentes, pústulas, eritema nodoso, tromboflebites |
| Sarcoidose | Granulomatosa (anterior ou panuveíte) com precipitados gordurosos e periflebite | ECA elevado, radiografia/TC de tórax com adenomegalia hilar | Tosse e dispneia, eritema nodoso, parotidite, paralisia de nervo facial, síndrome de Löfgren |
| Artrite reumatoide | Raramente uveíte primária: mais esclerite e epiesclerite; esclerouveíte em doença avançada | FR e anti-CCP positivos | Poliartrite simétrica de pequenas articulações, nódulos reumatoides |
| Lúpus eritematoso sistêmico | Uveíte rara; o olho lúpico típico é retinopatia vasculítica com algodão-algodão (cotton-wool) | FAN, anti-DNA, consumo de complemento | Rash malar, fotossensibilidade, nefrite, serosite |
| Doença inflamatória intestinal e artrite psoriásica | Uveíte anterior aguda HLA-B27-positiva em 5-10%; na DII há risco aumentado de esclerite e epiesclerite | HLA-B27 em parte dos casos | Diarreia com sangue (RCUI), perda ponderal, lesões cutâneas psoriásicas, dedos em salsicha |
Diagnóstico diferencial obrigatório com entidades que imitam uveíte reumática: a síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (panuveíte granulomatosa bilateral com cefaleia, tinnitus, rigidez de nuca e, na fase crônica, vitiligo, poliose e sunset glow fundus) e as uveítes infecciosas — sífilis é a grande imitadora e sua sorologia deve ser pedida em toda uveíte; tuberculose e hanseníase precisam ser consideradas no Brasil antes de iniciar imunossupressão; toxoplasmose é a retinocoroidite mais comum. Lembre ainda do masquerade: linfoma intraocular e leucemia em adultos acima de 50 anos com vitreíte crônica resistente.
A uveíte anterior aguda (padrão HLA-B27) instala-se em horas a poucos dias: dor ocular profunda que piora à palpação e à acomodação, fotofobia intensa, lacrimejamento, visão embaçada por células e flare e hiperemia mais intensa ao redor do limbo (hiperemia ciliar, em contraste com a hiperemia difusa da conjuntivite). À lâmpada de fenda veem-se células na câmara anterior, flare (reflexo de Tyndall), precipitados queráticos finos na face posterior da córnea, hipópio em casos exuberantes e, nas recidivas, sinequias posteriores que deformam a pupila. O padrão é unilateral no episódio, com alternância de olho entre as recorrentes — a chamada uveíte alternante, marca registrada das espondiloartrites.
No outro extremo está a uveíte da AJI: crônica, insidiosa e silenciosa. A criança não se queixa — o olho é branco, sem dor nem fotofobia — e a inflamação avança por meses a anos causando sinequias, ceratopatia em faixa, catarata e edema macular cístico antes de qualquer sintoma; quando a baixa visual aparece, o dano pode ser irreversível. Uveítes intermediárias causam moscas volantes e visão embaçada indolores; uveítes posteriores adicionam fotopsias, escotomas e queda da acuidade visual; na Behçet, episódios repetidos de panuveíte com hipópio e vasculite retiniana levam a perda visual rápida e cumulativa entre homens jovens.
O diagnóstico é clínico e biomicroscópico. A SUN padronizou a graduação semiquantitativa que precisa ser conhecida: células na câmara anterior contadas em feixe de 1 x 1 mm — grau 0 (menos de 1 célula), 0,5 (1 a 2 células), 1+ (3 a 9 células), 2+ (10 a 20), 3+ (21 a 50) e 4+ (mais de 50 células); o flare varia de 0 a 4+ conforme a turbidez do aquoso, podendo chegar a fibrina e hipópio. A tonometria é obrigatória (hipertensão ocular por trabeculite ou corticoide; hipotonia por disfunção ciliar na inflamação crônica) e o exame de fundo dilatado descarta focos posteriores e edema macular.
| Condição | Dor e fotofobia | Pupila | Achado distintivo |
|---|---|---|---|
| Uveíte anterior aguda | Intensas, pioram com acomodação | Miose reflexa | Hiperemia ciliar, células e flare, precipitados queráticos |
| Conjuntivite | Ausentes ou mínimas; prurido | Normal | Hiperemia difusa, secreção, folículos/papilas, sem queda visual |
| Ceratite (inclusive herpética) | Moderadas a intensas | Normal | Defeito epitelial à fluoresceína, hipóestesia corneana |
| Esclerite | Profunda, noturna, irradiada | Normal | Hiperemia violácea que não desaparece com fenilefrina tópica, dor à palpação |
| Glaucoma agudo de ângulo fechado | Intensa, com náuseas e halos | Média, fixa e irregular | Córnea edematosa, PIO acima de 40 mmHg, olho duro |
As metas do tratamento são zero inflamação (células 0 na câmara anterior e ausência de focos posteriores), preservação da visão e uso de corticoide tópico em no máximo 1 gota ao dia como manutenção — meta definida pelos consensos internacionais. O degrau inicial na uveíte anterior é o corticoide tópico potente: prednisolona acetato 1%, 1 gota de hora em hora a 2 em 2 horas no pico do processo, com desmame gradual ao longo de no mínimo 4 a 6 semanas; difluprednato e rimexolona são alternativas. Midriáticos e cicloplégicos — homatropina 5% ou tropicamida 1%, 2 a 3 vezes ao dia; atropina 1% nos quadros intensos com dor — aliviam o espasmo ciliar e previnem sinequias posteriores. Nunca se desmama bruscamente um corticoide tópico em uveíte: a recidiva por rebote é pegadinha clássica.
Indicações de tratamento sistêmico: uveíte intermediária, posterior ou panuveíte com ameaça visual; uveíte anterior dependente de corticoide (recidiva ao reduzir), necessidade de manter tópico potente além de 4 a 8 semanas; edema macular cístico; e uveítes que à apresentação já sabidamente exigem imunossupressão — Behçet com envolvimento ocular e uveíte da AJI mal controlada. Prednisona oral 0,5 a 1 mg/kg/dia (máximo habitual de 60 a 80 mg) controla o surto e deve ser desmamada em poucas semanas sobre a base de imunossupressor; infiltrações peribulbares de triancinolona 40 mg são opção em doença unilateral, com risco de hipertensão ocular e catarata.
| Fármaco | Dose e via | Posição na escada | Cautelas principais |
|---|---|---|---|
| Prednisolona acetato 1% (tópico) | 1 gota de 1/1 h a 2/2 h no pico, desmame ao longo de 4-6 semanas | Primeiro degrau na uveíte anterior | Hipertensão ocular, catarata, rebote se suspenso de forma abrupta |
| Homatropina 5% / atropina 1% | 1 gota 2-3x/dia (atropina 1-2x/dia) | Adjuvante sintomático e antissinequia | Bloqueio de midríase em pacientes com ângulo estreito |
| Prednisona oral | 0,5-1 mg/kg/dia, máximo de 60-80 mg, desmame rápido | Surtos de uveíte posterior/panuveíte e ponte até o imunossupressor | Hiperglicemia, hipertensão, osteoporose; nunca em monoterapia mantida |
| Metotrexato | 15 mg/m²/semana (habitual 15-25 mg), oral ou subcutânea, com ácido folínico/fólico após 24-48 h | Imunossupressor de primeira linha na AJI e na maioria das uveítes não infecciosas | Hepatotoxicidade e mielotoxicidade; teratogenicidade; monitorar hemograma e transaminases |
| Azatioprina | 1-3 mg/kg/dia, oral, ajuste por TPMT quando disponível | Alternativa ao metotrexato; base da Behçet ocular | Mielotoxicidade, hepatotoxicidade, risco de linfoma com uso prolongado |
| Micofenolato de mofetila | 1 g 2x/dia (2-3 g/dia), oral | Imunossupressor de escolha em muitas uveítes posteriores e panuveítes | Teratogenicidade estrita, gastrointolerância, linfopenia |
| Ciclosporina | 2,5-5 mg/kg/dia, oral, em 2 tomadas | Combinação na Behçet refratária e poupadora de corticoide | Nefrotoxicidade, hipertensão, hipertricose; monitorar creatinina e pressão |
| Infliximabe | 5 mg/kg IV nas semanas 0, 2 e 6 e depois a cada 6-8 semanas | Anti-TNF, sobretudo Behçet e doença refratária; hospitalar | Reativação de tuberculose e hepatite B; reações infusionais |
| Adalimumabe | 40 mg SC a cada 2 semanas (adultos) | Anti-TNF com maior evidência e recomendação do ACR na uveíte por AJI | Reativação de infecções latentes; demora de resposta de semanas |
Sobre os biológicos, o painel internacional de 2014 (Levy-Clarke e cols.) estabeleceu: infliximabe e adalimumabe são os anti-TNF recomendados para uveítes não infecciosas refratárias a corticoide mais imunossupressor clássico e para a doença de Behçet ocular; etanercepte é ineficaz para uveíte e paradoxalmente pode induzi-la, não devendo ser usado. Bloqueadores de IL-17 como secuquinumabe falharam em controlar a uveíte e não têm indicação ocular. Na síndrome de Behçet, a EULAR 2018 recomenda, para doença ocular com envolvimento retiniano: azatioprina associada a corticoide como regime inicial, com adição de ciclosporina ou infliximabe (alternativamente interferon-alfa) nos casos graves ou refratários; corticoide isolado não controla a doença ocular da Behçet e não é aceito como estratégia definitiva em prova ou na prática.
Como a uveíte da AJI é silenciosa, o diagnóstico depende de triagem com lâmpada de fenda feita por oftalmologista. A diretriz ACR/Arthritis Foundation 2019 estratifica o intervalo pela combinação de subtipo de AJI, ANA, idade de início da artrite e tempo de doença. Todo diagnóstico novo de AJI deve ter exame ocular inicial imediato — não se espera sintoma.
| Estrato de risco | Perfil clínico | Intervalo de rastreio |
|---|---|---|
| Alto | Oligoartrite ou poliartrite com ANA positivo, início da artrite antes dos 7 anos e menos de 4 anos de doença | A cada 3 meses |
| Intermediário | Mesmo perfil de alto risco, mas apenas um dos fatores presentes (por exemplo, ANA positivo com início após os 7 anos) | A cada 6 meses |
| Baixo | AJI sistêmica, ANA negativo, artrite relacionada à entesite, psoriásica ou doença com mais de 7 anos de evolução | A cada 6 a 12 meses |
| Uveíte já diagnosticada | Qualquer criança com uveíte ativa ou em tratamento | Individualizado pelo oftalmologista, tipicamente mensal a trimestral |
O prognóstico mudou de patamar com a triagem estruturada e os biológicos: na uveíte por AJI, a maioria das crianças mantém visão útil quando diagnosticada cedo e tratada com metotrexato e, se necessário, adalimumabe — historicamente, antes da imunossupressão, até um terço dos olhos evoluía para cegueira legal. Na Behçet, séries pré-biológicos mostravam perda visual grave em cerca de metade dos olhos em 5 a 10 anos; com azatioprina e anti-TNF precoces, a maioria retém acuidade visual útil. Na uveíte anterior aguda HLA-B27, cada episódio tende a resolver em 6 a 8 semanas com tratamento, mas a recorrência é a regra, e 10 a 20% dos pacientes evoluem com uveíte crônica ou complicações.
1.Homem de 28 anos apresenta, pela terceira vez em 2 anos, olho vermelho com dor intensa e fotofobia de início súbito; os episódios anteriores ocorreram no olho contralateral. Ele refere lombalgia matinal que melhora com atividade. Qual o achado laboratorial mais provável?
2.Qual perfil clínico carrega o MAIOR risco de uveíte por artrite idiopática juvenil e exige rastreio com lâmpada de fenda a cada 3 meses, segundo o ACR 2019?
3.Na graduação SUN de células na câmara anterior (feixe de 1 x 1 mm), o grau 2+ corresponde a:
4.Criança de 5 anos com uveíte anterior crônica por AJI mantém células 2+ na câmara apesar de prednisolona 1% oito vezes ao dia há 8 semanas. Segundo o ACR 2019, a próxima conduta é:
5.Paciente de 30 anos com síndrome de Behçet confirmada apresenta panuveíte com vasculite retiniana e queda de acuidade visual. Qual o esquema recomendado pela EULAR 2018 para doença ocular?
6.A principal causa de perda visual em pacientes com uveíte é:
7.Precipitados queráticos grandes, em gordura de carneiro, com nódulos de Koeppe e Busacca, definem uveíte:
8.Qual fármaco NÃO deve ser usado como estratégia para tratar uveíte não infecciosa?
9.Sobre a epidemiologia e a apresentação da uveíte anterior crônica da AJI, assinale a correta:
10.Antes de iniciar adalimumabe em paciente com uveíte não infecciosa refratária, o rastreio obrigatório inclui:
acesso de membros
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.
Entrar e continuar