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Revisão completa das micoses superficiais, cutâneas, subcutâneas e sistêmicas: agentes etiológicos, apresentação clínica de cada forma, métodos diagnósticos com sensibilidade e esquemas de tratamento com doses e duração. Inclui tabelas comparativas, pontos clássicos de prova, 10 questões e flashcards.
[1] Shikanai-Yasuda MA, Mendes RP, Colombo AL, et al. Brazilian guidelines for the clinical management of paracoccidioidomycosis. Rev Soc Bras Med Trop. 2017;50(5):715-40 · DOI 10.1590/0037-8682-0230-2017 | [2] Kauffman CA, Bustamante B, Chapman SW, Pappas PG. Clinical practice guidelines for the management of sporotrichosis: 2007 update by IDSA. Clin Infect Dis. 2007;45(10):1255-65 · DOI 10.1086/522778 | [3] Wheat LJ, Freifeld AG, Kleiman MB, et al. Clinical practice guidelines for the management of patients with histoplasmosis: 2007 update by IDSA. Clin Infect Dis. 2007;45(7):807-25 · DOI 10.1086/521259 | [4] Colombo AL, Tobón A, Restrepo A, Queiroz-Telles F, Nucci M. Epidemiology of endemic systemic fungal infections in Latin America. Med Mycol. 2011;49(8):785-98 · DOI 10.3109/13693786.2011.577821 | [5] Bennett JE, Dolin R, Blaser MJ. Mandell, Douglas, and Bennett Principles and Practice of Infectious Diseases. 9th ed. Elsevier; 2020 · DOI 10.1590/0037-8682-0230-2017
As micoses estão entre as infecções mais frequentes da prática médica: estima-se que 20 a 25% da população mundial apresente infecção fúngica cutânea em alguma fase da vida, e as formas invasivas, embora menos prevalentes, concentram mortalidade elevada justamente nos pacientes mais frágeis — neutropênicos, transplantados, pessoas vivendo com HIV e usuários de corticosteroides. No Brasil, a paracoccidioidomicose concentra cerca de 80% dos casos mundiais e é a micose sistêmica endêmica mais importante da América Latina, enquanto a esporotricose zoonótica transmitida por gatos constitui a maior epidemia urbana da doença já descrita, com milhares de casos humanos notificados no Rio de Janeiro desde 1998. Para a prova, o aluno precisa dominar três eixos: reconhecer a lesão característica de cada micose, indicar o método diagnóstico correto (exame direto, cultura, histopatologia, testes antigênicos) e lembrar o antifúngico de escolha com dose, via e duração.
A classificação clássica divide as micoses pela profundidade da invasão e pelo nicho ecológico do fungo, e é a melhor forma de organizar o estudo porque cada grupo tem porta de entrada, hospedeiro típico, diagnóstico e tratamento próprios. Superficiais e cutáneas vivem da queratina e da superfície epitelial; subcutâneas entram por trauma percutâneo; sistêmicas endêmicas são dimórficas e inaladas; oportunistas exploram a falha da imunidade. Guarde a tabela abaixo como esqueleto mental da disciplina.
| Grupo | Camada ou alvo atingido | Exemplos representativos | Característica decisiva |
|---|---|---|---|
| Superficiais | Estrato córneo e anexos, sem resposta inflamatória | Pitiríase versicolor, tinha negra, tricomicose nodular | Exame direto positivo sem inflamação clínica |
| Cutâneas (dermatofitoses e candidíases) | Epiderme queratinizada, pêlos e unhas | Tinha capitis, corporis, pedis, cruris, onicomicose, intertrigo | Queratinases dos dermatófitos; inflamação local variável |
| Subcutâneas | Derme e subcutâneo por inoculação traumática | Esporotricose, cromoblastomicose, eumicetoma, lobomicose | Porta de entrada traumática; lesões verrucosas ou granulomatosas |
| Sistêmicas endêmicas (dimórficas) | Pulmão e disseminação hematígena | Histoplasmose, paracoccidioidomicose, coccidioidomicose, blastomicose | Inalação de conídios; mofo a 25 graus e levedura a 37 graus |
| Oportunistas invasivas | Hospedeiro com imunidade comprometida | Aspergilose invasiva, candidíase invasiva, criptococose, mucormicose | Angioinvasão e letalidade alta em neutropênicos e transplantados |
Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton são os três gêneros de dermatófitos, fungos queratinofílicos que digerem queratina pela ação de queratinases. Trichophyton rubrum responde por cerca de 70 a 90% das dermatofitoses globais, em especial tinha pedis e onicomicose; Trichophyton tonsurans domina a tinha capitis nas áreas urbanas das Américas, enquanto Microsporum canis, zoofílico de cães e gatos, predomina em áreas rurais e nas epidemias familiares ligadas a animais doentes. Entre as leveduras, Candida albicans segue a mais comum nas candidíases cutâneo-mucosas, embora espécies não-albicans (C. tropicalis, C. parapsilosis, C. glabrata e C. krusei) ganhem espaço na candidemia hospitalar; Malassezia globosa, habitante lipofílica da microbiota cutânea, é o agente da pitiríase versicolor.
Entre as sistêmicas endêmicas, os números cobrados em prova: a histoplasmose é a micose dimórfica mais frequente das Américas, com áreas hiperendêmicas na bacia dos rios Ohio e Mississippi e surtos brasileiros associados a cavernas com morcegos e solos enriquecidos por fezes de aves. A paracoccidioidomicose concentra cerca de 80% dos casos no Brasil, com predomínio de homens trabalhadores rurais entre 30 e 50 anos na forma crônica. A coccidioidomicose ocorre no semiárido nordestino e no sudoeste dos Estados Unidos; a blastomicose é esporádica no país. As oportunistas acompanham a imunossupressão: aspergilose invasiva em neutropenia prolongada, criptococose meníngea na AIDS com CD4 menor que 100 células por mm3 e mucormicose rinocerebral na cetoacidose diabética.
As dermatofitoses recebem o nome do sítio acometido (tinha capitis, corporis, pedis, cruris) e a lesão elementar é a placa descamativa anular com borda ativa eritematosa e clareamento central, de crescimento centrífugo. A coleta do material para exame deve ser feita sempre na borda ativa, onde está o fungo. A pitiríase versicolor e as candidíases cutâneas completam o grupo das cutâneas mais cobradas.
| Forma clínica | Sítio e aspecto | Agentes mais comuns | Particularidade de prova |
|---|---|---|---|
| Tinha capitis | Couro cabeludo de crianças de 3 a 9 anos; placas descamativas alopécicas com pêlos quebrados e pontos negros | T. tonsurans (endótrix, sem fluorescência) e M. canis (ectótrix, fluorescência verde-amarelada) | Cerion é a forma inflamatória supurativa por zoofílicos; exige antifúngico sistêmico |
| Tinha corporis | Tronco, face e membros; placas anulares com borda descamativa avançando e centro claro | T. rubrum e M. canis | Diferenciar de psoríase, granuloma anular e eczema numular |
| Tinha pedis (pé de atleta) | Mação interdigital, forma mocassim difusa ou vesiculobolhosa plantar | T. rubrum e Epidermophyton floccosum | Porta de entrada clássica de erisipela e linfangite em membros com linfedema |
| Tinha cruris | Dobras inguinais; placa eritematosa com borda vesiculosa que avança para a coxa | T. rubrum e E. floccosum | Poupa o escroto, ao contrário do intertrigo por Candida, que acomete e exibe pústulas satélites |
| Onicomicose | Unhas espessadas, opacas e quebradiças com onicólise distal lateral | T. rubrum; Candida na paroníquia crônica | Cerca de 50% das distrofias ungueais; confirmar exame direto ou cultura antes de tratar |
| Pitiríase versicolor | Tronco e raiz de membros; máculas hipo ou hipercromadas finamente descamativas | Malassezia globosa e M. furfur | Exame direto com hifas curtas e blastoconídias em cachos: padrão espaguete e almôndegas |
A candidíase cutânea manifesta-se como intertrigo eritematoso de dobras com pústulas satélites, paroníquia crônica de quem manipula água (lavadeiras) e queilite angular; nas mucosas, a candidíase oral exibe placas brancas removíveis ou placas vermelhas atróficas e a vulvovaginite cursa com leucorreia em grumos e prurido. Candidíase oral recorrente, esofágica ou mucocutânea crônica deve levantar a hipótese de imunodeficiência subjacente que compromete a imunidade celular, de HIV a síndromes primárias de defeito na resposta Th17.
A esporotricose é causada pelo complexo Sporothrix schenckii, com destaque para S. brasiliensis na epidemia felina brasileira: gatos doentes transmitem o fungo por arranhão e mordedura, e o Rio de Janeiro notificou milhares de casos humanos desde 1998, a maior epidemia zoonótica da doença. A inoculação traumática com espinhos, palha, madeira ou arranhão de gato evolui em 1 a 4 semanas para pápula ou nódulo ulcerado no sítio de entrada, seguido de nódulos duros ascendentes em cadeia linfática, pouco dolorosos, que podem ulcerar e drenar material espesso — a forma linfocutânea, presente em 70 a 80% dos casos. A forma fixa cutânea (20 a 30%) limita-se à placa verrucosa ou ulcerada no ponto de inoculação e sugere melhor imunidade do hospedeiro; as formas disseminadas e extracutâneas (pulmonar, osteoarticular, meníngea) são raras e afetam sobretudo imunossuprimidos e etilistas.
A cromoblastomicose, cujo principal agente brasileiro é Fonsecaea pedrosoi, produz placas verrucosas friáveis, ulcerovegetantes e cicatriciais em membros inferiores de trabalhadores rurais; o exame direto mostra células muriformes marrons, também chamadas células em moeda de cobre, achado praticamente diagnóstico. O eumicetoma por Madurella mycetomatis adiciona tumefação indolor, cavidades fistulosas e grãos na secreção, com destruição óssea visível à radiografia. A lobomicose por Lacazia loboi exibe placas queloidianas em orelhas e membros, descrita inclusive em golfinhos, e resiste ao cultivo rotineiro.
| Micose subcutânea | Agente principal | Achado de exame direto ou histologia | Dado de prova |
|---|---|---|---|
| Esporotricose | Sporothrix brasiliensis (Brasil) e S. schenckii | Levedura alongada (cigar-shaped) raramente vista; corpo asteroideo na histologia; cultura confirma | Forma linfocutânea em 70-80% dos casos; jardineiros e manipuladores de gatos |
| Cromoblastomicose | Fonsecaea pedrosoi | Células muriformes marrons, em moeda de cobre | Lesões verrucosas em pernas; diagnóstico no exame direto |
| Eumicetoma | Madurella mycetomatis | Grãos escuros nos trajetos fistulosos | Tríade tumefação, fístulas e grãos; radiografia mostra cavidades ósseas |
| Lobomicose | Lacazia loboi | Células esféricas em cadeia com ponte intercelular e parede espessa | Placas queloidianas em orelha e membros; difícil de cultivar |
Na histoplasmose (Histoplasma capsulatum var. capsulatum), a inalação de microconídios de solos enriquecidos por fezes de morcegos e aves leva a pneumonia aguda autolimitada em cerca de 90% dos imunocompetentes, com febre, tosse, cefaleia e infiltrados fugazes; adenomegalia hilar e eritema nodoso ou multiforme em jovens sugerem resposta imune vigorosa e bom prognóstico. A doença disseminada, que acomete menos de 1% dos infectados, ocorre na AIDS avançada (CD4 tipicamente menor que 150 células por mm3), em transplantados e idosos: febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia, pancitopenia por envolvimento medular, úlceras orofaríngeas e lesões cutâneas papulosas ulceradas. A forma pulmonar crônica cavitária mimetiza tuberculose em portadores de DPOC, com tosse produtiva, febre e cavitação apical.
A paracoccidioidomicose tem duas apresentações canônicas que caem em prova. A forma crônica do adulto (mais de 80% dos casos) atinge homens rurais de 30 a 50 anos, com razão de até 10 a 15 homens para cada mulher porque o 17-beta-estradiol inibe a conversão do micélio em levedura: infiltrado pulmonar intersticial bilateral em asas de borboleta, estomatite morangiforme com granulações hemorrágicas puntiformes na mucosa oral, lesões cutâneas verrucosas e adenomegalia, além de envolvimento suprarrenal que pode evoluir com insuficiência adrenal. A forma juvenil aguda (menos de 10% dos casos) acomete crianças e adultos jovens de ambos os sexos, sem a proteção hormonal: febre, adenomegalia cervical generalizada, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas e envolvimento pulmonar discreto, com predomínio do comprometimento do sistema reticuloendotelial. Na histologia e no exame direto, a levedura com brotamento múltiplo em roda de leme é patognomônica.
A coccidioidomicose (Coccidioides posadasii e C. immitis), endêmica dos solos áridos do semiárido nordestino e do sudoeste norte-americano, causa pneumonia febril autolimitada com artralgias e eritema nodoso — o reumatismo do deserto —, podendo disseminar para pele, ossos e meninges em gestantes, filipinos, afrodescendentes e imunossuprimidos; a meningite coccidioidal crônica é a complicação mais temida e exige terapia prolongada. A blastomicose (Blastomyces dermatitidis), esporádica no Brasil, combina doença pulmonar com placas cutâneas verrucosas de borda micropustulosa e linfadenopatia; o brotamento de base larga com duplo contorno refringente identifica o agente.
| Micose endêmica | Habitat de transmissão | Apresentação canônica | Achado laboratorial marcante |
|---|---|---|---|
| Histoplasmose | Cavernas com morcegos e solos com fezes de aves | Disseminada na AIDS: febre, hepatoesplenomegalia, pancitopenia, úlceras orais | Antigenúria positiva em 90-95% dos disseminados; leveduras intracelulares em macrófagos |
| Paracoccidioidomicose | Solo rural úmido; inalação de conídios; Brasil concentra 80% dos casos | Homem rural com estomatite morangiforme e infiltrado pulmonar | Brotamento múltiplo em roda de leme; imunodifusão dupla positiva em mais de 90% |
| Coccidioidomicose | Solos áridos do semiárido nordestino e do sudoeste dos EUA | Pneumonia com artralgia e eritema nodoso; meningite na disseminação | Esférulas com endósporos no tecido; sorologia por imunodifusão e complementação |
| Blastomicose | Solos úmidos florestais; rara no Brasil | Placas cutâneas verrucosas com microabscessos e doença pulmonar | Brotamento de base larga com parede de duplo contorno |
Nos pacientes de risco, a aspergilose invasiva (Aspergillus fumigatus) causa febre persistente refratária a antibióticos em neutropênicos com menos de 500 neutrófilos por mm3 por mais de 10 dias: a angioinvasão produz infarto pulmonar com dor pleurítica e hemoptise e, na tomografia, o sinal do halo (nódulo com halo em vidro fosco) na fase precoce e o sinal do crescente aéreo na reabsorção da necrose. A criptococose (Cryptococcus neoformans na AIDS e C. gattii em hospedeiros aparentemente imunocompetentes) cursa com meningite subaguda de cefaleia progressiva e pressão intracraniana elevada; a tinta da nanquim no líquor mostra leveduras com cápsula, mas o antígeno cryptococcal é mais sensível e rápido. A candidemia surge em pacientes com cateter central, nutrição parenteral ou pós-operatório abdominal, com febre e hemoculturas positivas em apenas 50 a 70% dos episódios. A mucormicose (Rhizopus, Mucor) desponta na cetoacidose diabética como forma rinocerebral: rinossinusite necrosante, celulite nasal com escurecimento cutâneo, proptose e sinais neurológicos, exigindo anfotericina B liposomal em dose alta e desbridamento cirúrgico urgente.
| Oportunista | Hospedeiro típico | Quadro clínico | Diagnóstico e conduta-chave |
|---|---|---|---|
| Aspergilose invasiva | Neutropenia prolongada, transplante, corticoterapia | Febre refratária, nódulos pulmonares, hemoptise, sinal do halo na TC | Galactomanano sérico (sensibilidade cerca de 60-70%); voriconazol como primeira linha |
| Criptococose | AIDS com CD4 menor que 100 células/mm3 | Meningite subaguda com cefaleia e hipertensão intracraniana | Antígeno cryptococcal no soro e liquor (sensibilidade acima de 90%); anfotericina B mais flucitosina |
| Candidíase invasiva | Cateter central, nutrição parenteral, pós-operatório abdominal | Candidemia com febre; hemocultura positiva em 50-70% | Retirar cateter; equinocandina de partida e azol conforme espécie identificada |
| Mucormicose | Cetoacidose diabética, neutropenia grave, desferoxamina | Forma rinocerebral: necrose nasal, proptose, déficit neurológico | Hifas largas pauciseptadas em ângulo reto; anfotericina liposomal em dose alta e desbridamento |
| Método | Aplicação ideal | Sensibilidade aproximada | Tempo de resultado |
|---|---|---|---|
| KOH 10-20% | Dermatofitoses e pitiríase versicolor | 70-88%, conforme o sítio | Minutos |
| Cultura em Sabouraud | Confirmação e identificação de espécie | Método de referência; cresce em 1 a 4 semanas | 1 a 4 semanas |
| Histopatologia PAS ou Grocott | Micoses invasivas e onicomicose | 85-97% nas séries de unha | 2 a 5 dias |
| Antígeno de Histoplasma em urina ou soro | Doença disseminada e vigilância pós-tratamento | 90-95% na forma disseminada | 1 a 3 dias em laboratório de referência |
| Galactomanano sérico | Aspergilose invasiva em neutropênicos | 60-70% (especificidade 90-95%) | Horas; coleta seriada duas vezes por semana |
| Antígeno cryptococcal no liquor | Criptococose meníngea | Acima de 90% | Horas |
Nas dermatofitoses extensas, na tinha capitis e na onicomicose a terapia sistêmica é obrigatória, porque o antifúngico tópico não alcança pêlo e unha em quantidade suficiente; já as tinhas corporis e pedis localizadas respondem a tópicos por 2 a 4 semanas. Terbinafina é preferida na onicomicose por eficácia superior à dos azóis com esquema curto contínuo; a griseofulvina segue alternativa clássica e barata na tinha capitis. Nas sistêmicas, o binômio anfotericina B (indução na doença grave) seguida de itraconazol (consolidação e manutenção) organiza quase todos os esquemas.
| Indicação | Esquema de primeira linha | Alternativa | Duração típica |
|---|---|---|---|
| Tinha capitis na criança | Terbinafina VO por peso: 62,5 mg/dia abaixo de 20 kg; 125 mg/dia de 20 a 40 kg; 250 mg/dia acima de 40 kg | Griseofulvina microcristalina 20-25 mg/kg/dia com leite; itraconazol 3-5 mg/kg/dia | 4 a 6 semanas, com controle clínico e por exame direto |
| Tinha corporis, cruris e pedis extensa | Terbinafina 250 mg/dia VO | Itraconazol 200 mg/dia VO ou fluconazol 150 a 300 mg/semana | 2 a 4 semanas; tinha pedis até 6 semanas |
| Onicomicose | Terbinafina 250 mg/dia VO contínuo | Itraconazol 200 mg 12/12 h por 1 semana ao mês (pulso), 2 a 4 pulsos | 6 semanas para unhas das mãos e 12 semanas para unhas dos pés |
| Pitiríase versicolor | Sulfeto de selênio 2,5% ou cetoconazol 2% em shampoo tópico por 7 a 14 dias | Itraconazol 200 mg/dia VO por 5 a 7 dias; fluconazol 300 mg/semana por 2 semanas | Recidiva frequente; manutenção mensal do tópico |
| Candidíase cutânea e vaginal | Nistatina tópica 100.000 UI ou azólico tópico por 7 a 14 dias; vaginal: azólico tópico ou fluconazol 150 mg VO em dose única | Fluconazol 150 mg VO semanal nas recorrentes; investigar diabetes e HIV nas recidivas | 7 a 14 dias; intertrigo exige secagem e controle glicêmico |
| Doença e forma | Primeira linha | Alternativa | Duração |
|---|---|---|---|
| Esporotricose linfocutânea e fixa | Itraconazol 200 mg/dia VO | Terbinafina 500 a 1000 mg/dia; iodeto de potássio em solução saturada com dose crescente | 3 a 6 meses, mantendo 2 a 4 semanas após o desaparecimento das lesões |
| Esporotricose disseminada e osteoarticular | Anfotericina B liposomal 3 a 5 mg/kg/dia IV até estabilização | Itraconazol 200 mg 12/12 h na sequência | 12 meses ou mais, conforme o sítio |
| Histoplasmose disseminada moderada a grave | Anfotericina B liposomal 3 mg/kg/dia IV por no mínimo 2 semanas | Itraconazol 200 mg 8/8 h por 3 dias e depois 200 mg 12/12 h | Itraconazol por no mínimo 12 meses; na AIDS, manter até negativação do antígeno |
| Histoplasmose pulmonar crônica | Itraconazol 200 mg 8/8 h por 3 dias e depois 12/12 h | Observação apenas na aguda leve do imunocompetente | 6 a 12 semanas na aguda moderada; 12 meses na crônica |
| Paracoccidioidomicose leve a moderada | Itraconazol 200 mg/dia VO | Sulfametoxazol-trimetoprima 800/160 mg 12/12 h por 4 a 6 semanas e depois diária | 9 a 18 meses, guiado pela queda dos títulos sorológicos |
| Paracoccidioidomicose grave | Anfotericina B liposomal 3 a 5 mg/kg/dia IV até estabilização clínica | Itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprima na fase de manutenção | Indução de 2 a 4 semanas e manutenção prolongada por 12 a 24 meses |
Monitoramento obrigatório: transaminases mensais durante terbinafina e itraconazol; creatinina, potássio e magnésio semanais na anfotericina B (deoxicolato 0,7 a 1 mg/kg/dia com pré-hidratação e reposição eletrolítica; liposomal 3 a 5 mg/kg/dia, menos nefrotóxica e preferida na doença grave); e atenção às interações do itraconazol, inibidor potente do CYP3A4 que exige revisão de estatinas, warfarina e outros fármacos de janela estreita. Nas micoses oportunistas, voriconazol é a primeira linha da aspergilose invasiva, equinocandinas abrem o tratamento empírico da candidemia e a mucormicose exige anfotericina liposomal em dose alta associada a controle glicêmico e desbridamento cirúrgico amplo.
1.Criança de 5 anos, área urbana, com placa alopécica descamativa no couro cabeludo, pêlos quebrados a poucos milímetros da raiz e pontos negros; a lâmpada de Wood não mostra fluorescência. Qual o agente mais provável?
2.Exame direto com KOH de raspado de máculas descamativas do tronco mostra hifas curtas e blastoconídias em cachos (padrão de espaguete e almôndegas). Qual o diagnóstico?
3.Homem rural de 46 anos, etilista e tabagista, com lesão verrucosa na borda da língua, gengiva com granulações puntiformes hemorrágicas e infiltrado intersticial pulmonar. O exame direto do raspado da lesão oral mais provavelmente mostrará:
4.Jardineiro com nódulo ulcerado no antebraço e nódulos ascendentes em cadeia linfática, duros e indolores, há 3 semanas. Diagnóstico e tratamento de primeira linha:
5.Paciente com HIV, CD4 de 60 células/mm3, febre há 3 semanas, emagrecimento, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e úlcera oral dolorosa. Qual o teste com maior rendimento diagnóstico rápido para a hipótese principal?
6.Trabalhador rural com placa verrucosa ulcerovegetante na perna direita há 8 anos. O exame direto do material raspado mostra células marrons arredondadas com septações em cruz. O diagnóstico é:
7.Adulto de 62 anos com onicomicose confirmada por exame direto e cultura, acometendo as duas unhas dos haluces, sem outras comorbidades. Esquema de primeira linha:
8.Sobre a forma juvenil da paracoccidioidomicose, assinale a característica marcante:
9.Neutropênico febril após quimioterapia, com nódulo pulmonar com halo em vidro fosco na tomografia. Antifúngico de primeira linha para a hipótese principal:
10.Pessoa com cetoacidose diabética evolui com rinossinusite necrosante, escurecimento da pele nasal e proptose. Biópsia mostra hifas largas, pauciseptadas, com ramificações em ângulo reto. Conduta correta:
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