Choque & HemodinâmicaRevisão didática · ATLS e controle de danos08/10/2026
Politrauma e trauma avançado: XABCDE, choque hemorrágico e controle de danos
Avaliação primária XABCDE com controle de hemorragia catastrófica, classes de choque hemorrágico I a IV, tríade letal, ressuscitação de controle de danos com ácido tranexâmico do CRASH-2 e transfusão 1:1:1 do PROPPR, FAST/eFAST, controle de danos cirúrgico e REBOA, e metas de proteção cerebral no trauma craniano grave.
[1] CRASH-2 Trial Collaborators. Effects of tranexamic acid on death, vascular occlusive events, and blood transfusion in trauma patients with significant haemorrhage (CRASH-2): a randomised, placebo-controlled trial. The Lancet. 2010;376(9734):23-32 · DOI 10.1016/S0140-6736(10)60835-5 | [2] Holcomb JB, Tilley BC, Baraniuk S, et al. Transfusion of Plasma, Platelets, and Red Blood Cells in a 1:1:1 vs a 1:1:2 Ratio and Mortality in Patients With Severe Trauma (PROPPR). JAMA. 2015;313(5):471-482 · DOI 10.1001/jama.2015.12 | [3] Rossaint R, Afshari A, Bouillon B, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma: sixth edition. Critical Care. 2023;27(1):80 · DOI 10.1186/s13054-023-04327-7 | [4] Kirkpatrick AW, Sirois M, Laupland KB, et al. Hand-held thoracic sonography for detecting post-traumatic pneumothoraces: the Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma (EFAST). J Trauma. 2004;57(2):289-294 · DOI 10.1097/01.ta.0000133565.88871.e4 | [5] Sperry JL, Guyette FX, Brown JB, et al. Prehospital Plasma during Air Medical Transport in Trauma Patients at Risk for Hemorrhagic Shock (PAMPer). N Engl J Med. 2018;379(4):315-326 · DOI 10.1056/NEJMoa1802345 · DOI 10.1016/S0140-6736(10)60835-5
O trauma é a principal causa de morte entre pessoas com menos de 45 anos no Brasil, por acidentes de trânsito e violência, e a hemorragia responde por 30 a 40% dessas mortes, sendo a primeira delas potencialmente tratável: grande parte dos pacientes que sangram até a morte morre nas primeiras 2 a 3 horas, dentro do hospital ou a caminho dele. É por isso que o politraumatizado não se avalia por sistemas como um paciente comum, e sim em sequência fixa de prioridades — o XABCDE — em que a hemorragia catastrófica vem ANTES da via aérea. O interno que sabe parar o sangramento externo, classificar o choque hemorrágico, acionar o protocolo de transfusão maciça com 1:1:1 e ácido tranexâmico dentro de 3 horas e proteger o cérebro da hipotensão e da hipóxia já domina o que as bancas e a residência cobram deste tema.
XABCDE
X antes de A
hemorragia catastrófica trata-se antes da via aérea
Ácido tranexâmico
1 g + 1 g
bolus em 10 min + infusão de 8 h, até 3 h do trauma (CRASH-2)
Transfusão
1:1:1
plasma:plaquetas:hemácias no protocolo maciço (PROPPR)
PAS provisória
80-90 mmHg
hipotensão permissiva até o controle da fonte; TCE pede ≥110
Choque oculto
até 30%
perda de volemia sem hipotensão (classes I-II)
FAST
4 janelas
Morrison, esplenorrenal, pélvica e subxifoide em menos de 2 min
01Epidemiologia e o padrão das mortes por trauma
As mortes por trauma seguem distribuição trimodal clássica: a primeira pico, imediato, dentro de segundos a minutos, por lesão de sistema nervoso central ou grande vaso (aorta, coração) — é o grupo em que a prevenção é a única estratégia; o segundo pico, minutos a horas (a chamada hora de ouro), por hemorragia e hemopneumotórax — é exatamente esse grupo que a avaliação primária e o controle de danos salvam; o terceiro pico, dias a semanas depois, por sepse e disfunção de múltiplos órgãos, modulada pela qualidade da reanimação inicial. Ressuscitação mal feita cristaliza as duas grandes iatrogenias do trauma: a coagulopatia dilucional do cristaloide em excesso e a hipotermia do paciente exposto. No Brasil, acidentes de transporte e agressões concentram a maior carga, com predominância de trauma penetrante nas capitais e contuso nos interiores e rodovias.
02Avaliação primária: o XABCDE na ordem que salva
A avaliação primária do ATLS evoluiu do ABCDE para o XABCDE: o X de exsanguinação antecede tudo, porque a compressão de sangramento arterial externo e o torniquete são manobras de segundos, enquanto a via aérea lesada mata em minutos — e o sangramento arterial mata antes. A sequência é reavaliada constantemente: todo deterioro no politrauma é primário até que se prove o contrário, e a resposta é sempre repetir o XABCDE, nunca inventar hipótese complexa.
X (exsanguinação): compressão direta vigorosa, curativo compressivo ou packing de cavidades (fossa nasal, vagina, reto em hemorragia pélvica) e torniquete arterial em membro: faixa larga (pelo menos 5 cm), apertada até parar o sangramento e abolir o pulso distal, com hora anotada de forma visível e NUNCA afrouxado no ambiente hospitalar; janelas de segurança em estudos militares chegam a horas sem necrose obrigatória.
A (via aérea com proteção cervical): verbaliza? Via aérea com manobras simples (mentoniana, tração de mandíbula) mantendo coluna em linha neutra; intubação orotraqueal com inductores de sequência rápida quando indicação: apneia, incapacidade de proteger via aérea (GCS menor ou igual a 8), hipoxemia refratária ou hemorragia massiva de via aérea.
B (respiração): inspeção, percussão e ausculta; o pneumotórax hipertensivo é diagnóstico CLÍNICO (desvio de traqueia, distensão jugular, ausência de murmúrio, hipotensão) e se trata com descompressão por agulha ANTES de radiografia: 14G-16G no 4º-5º espaço intercostal entre linha axilar média e anterior (ou 2º espaço hemiclavicular), seguido de dreno torácico; hemotórax maciço (mais de 1.500 mL imediatos ou mais de 200 mL/h por 2-4 h) pede dreno e possível toracotomia.
C (circulação): dois acessos periféricos calibrosos (16G ou maiores) e reposição com cristaloide limitado, sangue precoce no choque, controle da fonte de sangramento; avaliar pele, pulsos centrais, enchimento capilar e abdomen/pelve em busca de sangramento oculto.
D (neuro): GCS com atenção às componentes motora e pupilar, sinais de lateralização; midríase fixa unilateral ou déficit agudo muda prioridades (proteção cerebral agressiva, tomografia imediata).
E (exposição): despachar com controle de temperatura ativo (ambientes quentes, fluidos aquecidos, cobertor térmico) — a hipotermia do trauma começa no despacho do PS.
03Fisiopatologia do sangramento: tríade letal e a quarta dimensão
O paciente que sangra entra em espiral autoamplificadora conhecida como tríade letal: a hipotermia (do choque, da exposição e dos fluidos frios) inibe a função plaquetária e a cascata enzimática da coagulação; a acidose (do lactato da hipoperfusão) reduz a atividade dos fatores de coagulação e a resposta vascular aos vasoconstritores; e a coagulopatia, antes entendida só como dilucional, hoje se sabe que começa ENDÓGENA — a trauma-induced coagulopathy ativa em até 25-30% dos graves já na chegada, mediada por lesão endotelial e hiperfibrinólise — e agrava com a diluição por cristaloide. A quarta dimensão é a hipocalcemia: cada bolsa de sangue traz citrato quelante de cálcio, e o cálcio iônico baixo piora coagulação, contratilidade e resposta a vasopressores. Entender essa espiral explica todo o controle de danos: aquecer, limitar cristaloide, repor fatores e cálcio, e parar o sangramento o quanto antes.
04Choque hemorrágico: classes I a IV
A classificação do ATLS estima a perda de volemia (volemia adulto: cerca de 70 mL/kg, 5 L num homem de 70 kg) pelos sinais vitais, e o ponto-chave de prova é que a pressão arterial é sinal TARDIO: um jovem compensa até 30% de perda com taquicardia e vasoconstrição, e o paciente em betabloqueador nem taquicardia faz. Lactato elevado e base negativa (acidose metabólica) detectam o choque oculto antes da queda da pressão.
Classe
Perda sanguínea
FC
PAS / pressão de pulso
FR
Diurese
Estado mental
I
<15% (até 750 mL)
<100 bpm
Normal / normal
14-20
≥30 mL/h
Normal
II
15-30% (750-1.500 mL)
100-120 bpm
Normal / pressão de pulso estreitada
20-30
20-30 mL/h
Ansioso
III
31-40% (1.500-2.000 mL)
120-140 bpm
Reduzida / estreitada
30-40
5-15 mL/h
Confuso
IV
>40% (>2.000 mL)
>140 bpm
Muito reduzida / não mensurável
>35
Desprezível
Letárgico
Na classe II o paciente ainda tem PAS normal e já perdeu 750-1.500 mL — é o choque compensado que o exame de prova adora esconder em enunciados com taquicardia e ansiedade. A resposta a volume também classifica: responder e manter (classe I), responder e recair (classe II-III, sangramento ativo) e não responder (classe III-IV ou choque de outra causa). No trauma, a reposição inicial é de 500-1.000 mL de cristaloide aquecido como ponte, com migração imediata para hemoderivados no choque evidente.
05Ressuscitação de controle de danos: TXA, 1:1:1 e hipotensão permissiva
O controle de danos na reanimação tem quatro pilares com evidência direta. Primeiro, ácido tranexâmico: o CRASH-2 randomizou 20.211 pacientes com hemorragia significativa e mostrou redução de mortalidade global de 16,0% para 14,5% (RR 0,91) e de morte por hemorragia de 5,7% para 4,9% (RR 0,85), desde que iniciado em até 3 horas do trauma — após 3 horas, houve sinal de dano. O esquema é 1 g IV em 10 minutos seguido de 1 g em 8 horas. Segundo, a proporção de hemoderivados: o PROPPR randomizou 680 pacientes graves para plasma:plaquetas:hemácias 1:1:1 ou 1:1:2 e mostrou hemostasia mais rápida (86% contra 78% às 24 h) e menos morte por exanguinação nas primeiras 24 horas (9,2% contra 14,6%), sem diferença na mortalidade em 30 dias — ou seja, 1:1:1 aproxima-se de sangue total e é o padrão dos protocolos maciços. Terceiro, hipotensão permissiva: no sangramento não controlado, alvo provisório de PAS 80-90 mmHg (ou pulso radial palpável) reduz a diluição e a disrupção de coágulos — EXCETO no trauma craniano grave, em que hipotensão abaixo de 110 mmHg de PAS dobra a mortalidade e o alvo sobe. Quarto, plasma pré-hospitalar: o PAMPer mostrou queda de mortalidade em 30 dias de 33,0% para 23,2% com plasma durante transporte aéreo, consolidando o sangue como o fluido de reanimação do trauma.
06Imagem no politrauma: FAST, eFAST e tomografia
O FAST avalia quatro janelas em minutos: subxifoide (pericárdio — chave no trauma penetrante de tórax para tamponamento), Morrison (espaço hepatorrenal, a mais sensível para líquido livre), esplenorrenal e pélvica (fundo de saco de Douglas/vesicorretal). Ele detecta LÍQUIDO, não lesão de órgão: um FAST negativo não exclui lesão visceral sólida sem líquido, lesão de víscera oca nem todo o retroperitônio, e um FAST positivo na hipotensão do trauma contuso manda para a sala de cirurgia. O eFAST acrescenta janelas torácicas: ausência de deslizamento pleural com estratos (ou barra de código) e ponto pulmonar diagnostica pneumotórax com sensibilidade superior à radiografia supina — que perde até metade dos pneumotórax — e sinais de hemotórax acompanham. Radiografias de tórax e pelve permanecem na sequência do primário em paciente instável (a pelve instável pede cinturão pélvico ANTES da radiografia), e a tomografia corpo inteiro com contraste é o padrão no paciente estabilizado: ela cataloga lesões e guia embolização. Intervenção radiológica (embolização arterial pélvica e de órgão sólido) é o terceiro braço de controle de sangramento, junto com cirurgia e REBOA.
07Protocolo de transfusão maciça na prática
Definição habitual: reposição previsível ou real de 10 ou mais concentrados de hemácias em 24 horas (ou mais de 4 em 1 hora, ou mais de 50% da volemia em 3 horas); o gatilho no trauma é CLÍNICO: choque hemorrágico, FAST positivo, pelve instável ou hemorragia ativa — acionar antes do laboratório responder.
Proporção 1:1:1 de plasma, plaquetas e hemácias (PROPPR), com produtos aquecidos e filtro; o conceito de sangue total fresco diluído quando disponível.
Fibrinogênio: a coagulopatia do trauma é também hipofibrinogenemia — repor com crioprecipitado (ou concentrado de fibrinogênio) para manter fibrinogênio acima de 1,5-2 g/L; testes viscoelásticos (ROTEM/TEG) guiam reposição direcionada quando disponíveis.
Cálcio iônico: manter acima de 1,1 mmol/L com cloreto ou gluconato de cálcio durante a transfusão maciça — hipocalcemia do citrato piora coagulação, contratilidade e resposta a vasopressor.
Hipotermia zero: fluidos em aquecedor, ambiente quente, paciente coberto — não existe coagulação competente abaixo de 35 °C.
Ácido tranexâmico 1 g + 1 g em todos os graves com hemorragia (ou suspeita) dentro de 3 horas do trauma; reavaliar em cada demora do transporte.
08Controle de danos cirúrgico e REBOA
A laparotomia de controle de danos é uma cirurgia dividida em três fases: na primeira, no centro cirúrgico, o objetivo é parar o sangramento (packing peri-hepático, ligaduras, grampeamento) e o conteúdo (shunt vascular temporário, ressecções rápidas, fechamento diferencial com malha/vácuo — nunca fechamento definitivo em paciente acidótico, hipotérmico e coagulopático); na segunda, na UTI, corrige-se a tríade letal (aquecimento, hemoderivados, cálcio, ventilação protetora) e reavalia-se lesões por tomografia; na terceira, em 24-48 horas, volta-se ao centro cirúrgico para reconstrução definitiva e fechamento. O REBOA (balão de oclusão resgatável endovascular de aorta) entra como ponte em hemorragia torácica infradiafragmática ou pélvica refratária: zona 1 (supraceliaque) para hemorragia abdominal, zona 3 (infra-renal) para hemorragia pélvica, com janela terapêutica curta. A toracotomia de emergência na sala de emergência tem indicações estreitas: trauma penetrante toracoabdominal com perda recente de sinais vitais (menos de 15 minutos) que permite pericardiocentese, clampeamento do hilo, massagem cardíaca e controle de sangramento pulmonar; em trauma contuso, os limites são ainda mais restritivos.
09Trauma craniano grave e lesões de alta prioridade
Trauma craniano grave: o cérebro não tolera insultos secundários — evitar hipóxia (SpO2 menor que 90%) e hipotensão (PAS menor que 110 mmHg), cada episódio dobra a mortalidade; pressão de perfusão cerebral 60-70 mmHg, ETCO2 35-40 mmHg (hiperventilação a 30-35 mmHg só em herniação iminente, porque vasoconstrição piora isquemia), osmoterapia com manitol 0,25-1 g/kg ou solução hipertônica, cabeceira a 30 graus, anticonvulsivante profilático na lesão cortical e proteção gástrica precoce.
Pelve instável (mecanismo de alta energia, hipotensão sem fonte aparente): cinturão pélvico em torno dos trocânteres ANTES da radiografia, reposição com protocolo maciço, embolização arterial na tomografia e fixação ortopédica precoce; sangramento pélvico mata em horas e a embolização é o tratamento definitivo na maioria.
Contusão pulmonar e síndrome da resposta inflamatória: hipoxemia que piora nas primeiras 48 horas pede ventilação protetora (6 mL/kg, platô menor que 30 cmH2O) desde o início, e analgesia locorregional melhora mecânica ventilatória.
Rabdomiólise e síndrome compartimental: pedra angular da vigilância no trauma de membros com esmagamento — pressão de compartimento suspeita (dor desproporcional, passiva) pede fasciotomia urgente; mioglobinúria pede hidratação e vigilância de potássio.
Profilaxia de tromboembolismo: o politraumatizado é o maior risco de TVP/TEP — mecanismo e filtro adequados desde a chegada e anticoagulação profilática tão logo a hemostasia esteja controlada (geralmente em 24-48 h).
10Complicações, prognóstico e seguimento
As complicações do politraumatizado formam a segunda onda da morte por trauma: SDRA por contusão, transfusão e reanimação agressiva; disfunção de múltiplos órgãos mediada pela resposta inflamatória; infecções (pneumonia associada à ventilação, infecção de foco ósseo e abdominal); coagulopatia tardia e tromboembolismo — o paradoxo de coagular demais e sangrar demais no mesmo paciente. O prognóstico inicial se mede com lactato e base na admissão e sua clarificação nas primeiras horas (lactato que não cai 20% em 2 horas indica sangramento ou hipoperfusão persistente), e o prognóstico neurológico do trauma craniano segue o GCS inicial e a tomografia (escala de Marshall). O seguimento do trauma é reabilitação: mobilização precoce, anticoagulação profilática, controle de dor, triagem de delirium e rastreio de estresse pós-traumático — desfechos a longo prazo dependem tanto da reabilitação quanto da primeira hora.
P
Homem de 30 anos, capotamento de moto, chegando com sangramento arterial em massa da coxa, GCS 8 e respiração irregular. Por onde começa a avaliação?
V
X primeiro: torniquete proximal na coxa apertado até abolir o pulso distal, com hora anotada; depois A com proteção cervical e intubação (GCS 8), B com descarte clínico de pneumotórax hipertensivo, C com dois acessos calibrosos e acionamento do protocolo maciço, D e E com controle de temperatura.
P
O mesmo paciente: PAS 84 mmHg, FC 128 bpm, ansioso, sem acesso ainda a laboratório. Classe de choque e condutas?
V
Classe III (perda de 31-40%): hipotensão, taquicardia e confusão. Cristaloide aquecido como ponte limitada, protocolo maciço 1:1:1, TXA 1 g em 10 min + 1 g em 8 h (dentro de 3 h), cálcio iônico acima de 1,1 mmol/L e controle urgente da fonte (sala ou REBOA).
P
Mulher de 45 anos em choque após queda de altura, FAST positivo em Morrison e pélvica, pelve instável ao exame. Sequência?
V
Cinturão pélvico imediato em torno dos trocânteres, protocolo de transfusão maciça com TXA, radiografia de pelve, e decisão entre laparotomia, embolização e REBOA zona 3 conforme estabilidade e disponibilidade — FAST positivo + instabilidade = cirurgia ou hemostasia radiológica, nunca tomografia demorada.
P
Trauma craniano grave com GCS 6: qual PAS mínima e qual ETCO2?
V
PAS ≥110 mmHg (hipotensão dobra mortalidade no TCE), SpO2 acima de 90%, ETCO2 35-40 mmHg com hiperventilação a 30-35 apenas em herniação iminente, cabeceira a 30 graus e osmoterapia se sinais de hipertensão intracraniana.
P
Enfermeiro pergunta se pode afrouxar o torniquete colocado há 1 hora. Resposta?
V
Não: o torniquete só se retira no centro cirúrgico, com equipe e controle da fonte prontos; soltar para 'reperfundir' libera toxinas e reinicia o sangramento. Tempo total de oclusão de várias horas tem janela de segurança documentada.
11Pontos de prova e erros comuns
12Referências
[1] CRASH-2 Trial Collaborators. Effects of tranexamic acid on death, vascular occlusive events, and blood transfusion in trauma patients with significant haemorrhage (CRASH-2): a randomised, placebo-controlled trial. The Lancet. 2010;376(9734):23-32 · DOI 10.1016/S0140-6736(10)60835-5
[2] Holcomb JB, Tilley BC, Baraniuk S, et al. Transfusion of Plasma, Platelets, and Red Blood Cells in a 1:1:1 vs a 1:1:2 Ratio and Mortality in Patients With Severe Trauma (PROPPR). JAMA. 2015;313(5):471-482 · DOI 10.1001/jama.2015.12
[3] Rossaint R, Afshari A, Bouillon B, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma: sixth edition. Critical Care. 2023;27(1):80 · DOI 10.1186/s13054-023-04327-7
[4] Kirkpatrick AW, Sirois M, Laupland KB, et al. Hand-held thoracic sonography for detecting post-traumatic pneumothoraces: the Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma (EFAST). J Trauma. 2004;57(2):289-294 · DOI 10.1097/01.ta.0000133565.88871.e4
[5] Sperry JL, Guyette FX, Brown JB, et al. Prehospital Plasma during Air Medical Transport in Trauma Patients at Risk for Hemorrhagic Shock (PAMPer). N Engl J Med. 2018;379(4):315-326 · DOI 10.1056/NEJMoa1802345
Teste-se
10 questões comentadas
1.Na avaliação primária moderna do politraumatizado, o primeiro passo é:
2.Segundo o CRASH-2, o esquema e a janela corretos do ácido tranexâmico são:
3.O principal resultado do PROPPR comparando 1:1:1 com 1:1:2 foi:
4.Paciente de 28 anos, taquicardia de 115 bpm, ansioso, PAS 118/92 mmHg após acidente. Perda estimada e classe?
5.Sobre hipotensão permissiva no trauma, está correto:
6.O FAST positivo no politraumatizado instável indica:
7.Qual achado do eFAST supera a radiografia supina na detecção?
8.Na transfusão maciça, além de 1:1:1, são medidas obrigatórias:
9.Trauma craniano grave: quais as metas de PAS e ETCO2?
10.A toracotomia de emergência na sala de emergência tem melhor indicação em:
RespostaXABCDE: X de exsanguinação (compressão, packing, torniquete) antes de A (via aérea com proteção cervical), B (respiração), C (circulação), D (neuro/GCS), E (exposição com anti-hipotermia). Reavaliar a cada deterioração.
Pergunta 2Classes de choque hemorrágico (ATLS)
RespostaI: <15%, tudo normal. II: 15-30%, FC 100-120, PAS normal com pressão de pulso estreitada, ansioso. III: 31-40%, FC 120-140, PAS reduzida, confuso. IV: >40%, FC >140, PAS muito reduzida, letárgico.
Pergunta 3Esquema do ácido tranexâmico no trauma
Resposta1 g IV em 10 minutos + 1 g em infusão de 8 horas, iniciado em até 3 horas do trauma (CRASH-2: mortalidade 14,5% vs 16,0%; morte por hemorragia 4,9% vs 5,7%; após 3 h, dano potencial).
Pergunta 4Resultado do PROPPR
Resposta1:1:1 (plasma:plaquetas:hemácias) vs 1:1:2: hemostasia às 24 h em 86% vs 78% e menos morte por exanguinação em 24 h (9,2% vs 14,6%), sem diferença de mortalidade em 30 dias. Fundamenta o protocolo maciço balanceado.
Pergunta 5Quatro janelas do FAST
RespostaSubxifoide (pericárdio), Morrison (hepatorrenal), esplenorrenal e pélvica. Detecta líquido livre, não lesão de órgão; FAST negativo não exclui lesão visceral, víscera oca nem retroperitônio.
Pergunta 6Diagnóstico ultrassonográfico de pneumotórax (eFAST)
RespostaAusência de deslizamento pleural com padrão de estratos (barra de código) e ponto pulmonar; sensibilidade superior à radiografia supina (Kirkpatrick, EFAST 2004).
Pergunta 7Tríade letal do trauma e a quarta dimensão
RespostaHipotermia + acidose + coagulopatia em espiral autoamplificadora; a hipocalcemia do citrato (na transfusão maciça) é a quarta dimensão: manter cálcio iônico >1,1 mmol/L.
Pergunta 8Hipotensão permissiva e sua exceção
RespostaNo sangramento não controlado, PAS provisória 80-90 mmHg (ou pulso radial palpável) até o controle da fonte; no trauma craniano grave, PAS ≥110 mmHg, pois hipotensão dobra mortalidade cerebral.
Pergunta 9Pelve instável no choque sem fonte aparente
RespostaCinturão pélvico em torno dos trocânteres ANTES da radiografia, protocolo maciço com TXA, embolização arterial como tratamento definitivo na maioria; REBOA zona 3 como ponte.
Pergunta 10Metas no trauma craniano grave
RespostaPAS ≥110 mmHg, SpO2 >90%, ETCO2 35-40 mmHg (30-35 só em herniação), pressão de perfusão cerebral 60-70 mmHg, cabeceira a 30 graus, manitol 0,25-1 g/kg ou hipertônico para hipertensão intracraniana.
Pergunta 11Laparotomia de controle de danos: três fases
Resposta1) Centro cirúrgico: parar sangramento e conteúdo (packing, shunt), fechamento diferencial; 2) UTI 24-48 h: corrigir tríade letal; 3) reconstrução definitiva e fechamento. Nunca fechamento definitivo em paciente acidótico, hipotérmico e coagulopático.
Pergunta 12Indicação clássica de toracotomia de emergência
RespostaTrauma penetrante toracoabdominal com perda recente de sinais vitais (<15 min): permite pericardiocentese de tamponamento, clampeamento do hilo pulmonar e massagem cardíaca. Trauma contuso: indicações muito mais restritas.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] CRASH-2 Trial Collaborators. Effects of tranexamic acid on death, vascular occlusive events, and blood transfusion in trauma patients with significant haemorrhage (CRASH-2): a randomised, placebo-controlled trial. The Lancet. 2010;376(9734):23-32 · DOI 10.1016/S0140-6736(10)60835-5 | [2] Holcomb JB, Tilley BC, Baraniuk S, et al. Transfusion of Plasma, Platelets, and Red Blood Cells in a 1:1:1 vs a 1:1:2 Ratio and Mortality in Patients With Severe Trauma (PROPPR). JAMA. 2015;313(5):471-482 · DOI 10.1001/jama.2015.12 | [3] Rossaint R, Afshari A, Bouillon B, et al. The European guideline on management of major bleeding and coagulopathy following trauma: sixth edition. Critical Care. 2023;27(1):80 · DOI 10.1186/s13054-023-04327-7 | [4] Kirkpatrick AW, Sirois M, Laupland KB, et al. Hand-held thoracic sonography for detecting post-traumatic pneumothoraces: the Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma (EFAST). J Trauma. 2004;57(2):289-294 · DOI 10.1097/01.ta.0000133565.88871.e4 | [5] Sperry JL, Guyette FX, Brown JB, et al. Prehospital Plasma during Air Medical Transport in Trauma Patients at Risk for Hemorrhagic Shock (PAMPer). N Engl J Med. 2018;379(4):315-326 · DOI 10.1056/NEJMoa1802345doi.org/10.1016/S0140-6736(10)60835-5
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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