Cardio & EmergênciaRevisão didática · Diretrizes ESC 2023 e AHA/ACC08/10/2026
Dor torácica e SCA no PS: HEART score, troponina e condutas de reperfusão
Do reconhecimento do diferencial letal da dor torácica à conduta de reperfusão: ECG em até 10 minutos, troponina de alta sensibilidade com algoritmo em 0/1-2 horas, HEART score com faixas de risco e MACE, doses de AAS, heparina e dupla antiagregação, STEMI versus NSTEMI, critérios de coronariografia imediata e complicações mecânicas do infarto com seus prazos.
[1] Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). Circulation. 2018;138(20):e618-e651 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000617 | [2] Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720-3826 · DOI 10.1093/eurheartj/ehad191 | [3] Amsterdam EA, Wenger NK, Brindis RG, et al. 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Non-ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. Circulation. 2014;130(25):e344-e426 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000134 | [4] Shah ASV, Anand A, Sandoval Y, et al. High-sensitivity cardiac troponin I at presentation in patients with suspected acute coronary syndrome: a cohort study. The Lancet. 2015;386(10012):2481-2488 · DOI 10.1016/S0140-6736(15)00391-8 | [5] Six AJ, Backus BE, Kelder JC. Chest pain in the emergency room: value of the HEART score. Neth Heart J. 2008;16(6):191-196 · DOI 10.1007/BF03086144 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000617
A dor torácica representa de 5 a 10% das visitas a prontos-socorros, e o desafio do plantão é duplo: não perder as causas letais (síndrome coronariana aguda, tromboembolismo pulmonar, disseção de aorta, pneumotórax hipertensivo, tamponamento e rotura esofágica) e não internar todo mundo. A síndrome coronariana aguda (SCA) concentra-se nesse raciocínio: cerca de 2 a 5% dos infartos recebem alta errada do PS, quase sempre com ECG não diagnóstico e dor descrita como atípica, e o erro custa vida. O roteiro do interno é fixo: ECG em até 10 minutos da chegada, AAS 162-325 mg mastigado salvo contraindicação, troponina de alta sensibilidade com reavaliação em 1-2 horas, estratificação formal de risco (HEART score no paciente indiferenciado; GRACE no NSTEMI confirmado) e decisão de reperfusão por relógio — até 120 minutos para a angioplastia no STEMI, trombólise em até 30 minutos quando ela não é possível.
Primeiro ECG
≤10 min
da chegada; repetir em 15-30 min se inicial não diagnóstico
AAS
162-325 mg
mastigado, forma não entérica, salvo alergia ou sangramento ativo
HEART 0-3
1,7% MACE
baixo risco (Six 2008); 4-6: 16,3%; 7-10: 50,1%
STEMI
≤120 min
para angioplastia primária; senão trombólise em ≤30 min
hs-troponina
0/1-2 h
valor basal abaixo do limiar com delta negativo exclui IAM
Ticagrelor
180 mg
carga; AAS 75-100 mg/dia de manutenção
01Dor torácica: o diferencial letal e suas pistas
Antes de cravar SCA, o PS precisa excluir ativamente as outras seis causas de dor torácica que matam em horas. Cada uma tem uma pista clínica que o enunciado de prova entrega — e que a anamnese apressada perde.
Causa
Pista clínica clássica
Armadilha de prova
SCA
Dor em aperto retroesternal, irradiando para membro esquerdo/mandíbula, com sudorese; fatores de risco
Idoso, diabético e mulher apresentam dor atípica, dispneia isolada ou fadiga
Disseção de aorta
Dor em rasgo, migratória, de início máximo imediato, com assimetria de pressão ou pulso
Dar antitrombótico antes de excluir disseção é desastre: tela de imagem primeiro
TEP
Pleurítica com taquicardia e hipoxemia desproporcional, fatores de risco trombótico
S1Q3T3 e T invertida em V1-V4 simulam SCA; o suplanto é o Wells e o D-dímero
Pneumotórax hipertensivo
Dor súbita unilateral com dispneia, desvio de traqueia e hipotensão
É clínico: agulha antes da radiografia
Tamponamento
Tríade de Beck, pulso paradoxal, telecardiografia em garrafa
Eco de cabeceira fecha em minutos
Rotura esofágica (síndrome de Boerhaave)
Dor pós-emese com enfisema subcutâneo, hidropneumotórax
Contraste hidrossolúvel ou TC confirmam; cirurgia precoce salva
Pericardite/miocardite
Dor pleurítica piora em decúbito, atrito pericárdico, supra difuso côncavo com PR rebaixado
Troponina pode elevar na miocardite: não é tudo STEMI
02Fisiopatologia da SCA e os tipos de IAM da definição universal
A SCA é o espectro de isquemia miocárdica aguda causado por aterotrombose coronariana: a placa vulnerável — capa fibrosa fina, núcleo lipídico grande, inflamação intensa — rompe (ou erode, no IAM sem obstrução epicárdica clássica) e expõe colágeno e fator tecidual, disparando agregação plaquetária e o coágulo. A extensão da oclusão e a presença de circulação colateral dividem a SCA em STEMI (oclusão trombótica total: necrose transmural em curso, tratamento é REPERFUSÃO IMEDIATA) e NSTEMI/angina instável (oclusão parcial ou transitória: necrose subendocárdica e instabilidade clínica, tratamento é anti-isquemia + antitrombotico + estratificação para invasão precoce). A quarta definição universal de infarto (2018) exige elevação ou queda de troponina cardíaca com pelo menos um valor acima do percentil 99, MAIS evidência de isquemia — sintomas, alterações isquêmicas de ECG, imagem ou trombose documentada — e classifica em cinco tipos: tipo 1 (aterotrombótico espontâneo), tipo 2 (desequilíbrio oferta-demanda sem aterotrombose aguda: anemia, taquiarritmia, sepse, choque), tipo 3 (morte súbita com sintomas isquêmicos), tipo 4a (associado à angioplastia, troponina 5 vezes acima) e 4b (trombose de stent documentada), e tipo 5 (associado à cirurgia de revascularização, troponina 10 vezes acima). O tipo 2 não recebe antiagregação de rotina: trata-se a causa.
03Os primeiros 10 minutos: o pacote de chegada do PS
ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada em todo paciente com dor torácica ou equivalente anginoso; se inicial não diagnóstico e a suspeita persiste, repetir em 15-30 minutos e acrescentar derivações posteriores (V7-V9) e de ventrículo direito (V3R-V4R) em infarto inferior.
AAS 162-325 mg mastigado (forma não entérica), salvo alergia conhecida ou sangramento ativo — reduz mortalidade sozinho e não espera troponina.
Acesso venoso, monitorização contínua com desfibrilador disponível, oxigênio APENAS se SpO2 menor que 90% (hiperoxia piora desfecho no IAM normoxêmico, ensaios AVOID e DETO2X-AMI).
Troponina de alta sensibilidade na admissão, com reavaliação em 1-2 horas conforme o algoritmo institucional; hemograma, creatinina, eletrólitos, glicemia e lipídios completam.
Nitrato sublingual 0,3-0,4 mg para dor ativa SEM hipotensão — contraindicado em PAS menor que 90 mmHg, infarto de ventrículo direito, uso recente de inibidor de PDE5 (24 h sildenafil/vardenafil; 48 h tadalafil) e bradicardia extrema.
Morfina com parcimônia: só para dor refratária — atrasa absorção oral de P2Y12 (ticagrelor) e associou-se a pior desfecho em análises observacionais.
Betabloqueador oral precoce (dentro de 24 h) apenas sem insuficiência cardíaca, baixo débito, bradicardia ou bloqueio; nunca IV no choque cardiogênico.
04ECG: o que define STEMI e os padrões que enganam
Critérios de supradesnivelamento compatível com STEMI (definição universal e ESC 2023): novo supradesnivelamento de ST no ponto J em duas derivações contíguas, com limiares de V2-V3 — 2,5 mm em homens com menos de 40 anos, 2 mm em homens com 40 ou mais, 1,5 mm em mulheres — e 1 mm nas demais derivações. O bloqueio de ramo esquerdo NOVO não é mais critério automático de ativação de cateterismo: usa-se os critérios de Sgarbossa modificados (supra concordante de 1 mm ou mais, subnível concordante em V1-V3, desproporção ST/S menor que -0,25) para decidir reperfusão. Padrões que salvam vidas quando reconhecidos:
Padrão de De Winter: subnível de ST com ponto J descendente em V1-V6 com T altas e simétricas — oclusão proximal de descendente anterior; é um STEMI EQUIVALENTE que pede cateterismo imediato, não trombólise.
Padrão de Wellens: T bifásicas (tipo A) ou invertidas profundas (tipo B) em V2-V3 em paciente sem dor — estenose crítica proximal de descendente anterior; dor induzida no teste ergométrico desse paciente é catástrofe.
IAM posterior: subnível de ST em V1-V3 com R altas — confirmar com V7-V9 (supra de 0,5 mm já é significativo); conduta como STEMI.
IAM de ventrículo direito: infarto inferior com supra em V4R — nitrato e morfina causam queda grave de débito; reanimação com volume e reperfusão imediata.
Pericardite: supra DIFUSO côncavo (incluindo aVL e V6) com PR rebaixado e depressão de TP; comparar com o supra territorial convexo da SCA.
Subnível dinâmico de ST, inversão de T profunda e T pseudonormalização são ECGs de NSTEMI/angina instável de alto risco: internar, antitrombotico e estratificar — nunca alta sem troponina seriada.
05Troponina de alta sensibilidade: leitura sem pânico
A troponina de alta sensibilidade (hs-cTn) detecta lesionar miocárdico em concentrações 10 a 100 vezes menores que os ensaios antigos, e por isso o valor isolado não fecha nada: IAM é ELEVAÇÃO OU QUEDA com pelo menos um valor acima do percentil 99 e padrão dinâmico, enquanto infartos crônicos (insuficiência cardíaca, doença renal avançada, sepse) elevam a troponina sem delta. O algoritmo ESC 0/1 h (ou 0/2 h) classifica: valor basal abaixo do limiar de exclusão com delta negativo na reavaliação exclui IAM com valor preditivo negativo em torno de 99%; valor acima do limiar de confirmação (ou delta positivo marcante) confirma; e a zona cinzenta reavalia com o segundo valor, ECG e clínica. Na coorte de Shah et al. (Lancet 2015, mais de 6 mil pacientes), a regra de exclusão com hs-cTnI inferior a 5 ng/L na chegada excluiu IAM com VPN de aproximadamente 99,5% em 30 dias e classificou dois terços dos pacientes como dispensáveis de internação. O tipo 2 lembra: troponina alta com sepse, taquiarritmia ou anemia grave sem ECG dinâmico é lesão por demanda — tratar a causa, não coronariografar todo mundo.
06Estratificação de risco: HEART score e GRACE
No paciente com dor torácica indiferenciada, o HEART score é a ferramenta validada para decidir quem pode ir para casa: pontua História, ECG, Idade, Fatores de risco e Troponina, cada item de 0 a 2. Na validação original de Six et al. (Neth Heart J 2008), a taxa de eventos adversos cardíacos maiores (MACE) em 6 semanas foi de 1,7% no baixo risco (0-3), 16,3% no moderado (4-6) e 50,1% no alto risco (7-10) — baixo risco com troponina seriada negativa é candidato a alta com seguimento, moderado fica para estratificação não invasiva ou invasiva, e alto risco é SCA tratada como tal.
Item
0 ponto
1 ponto
2 pontos
History (história)
Pouco ou moderadamente sugestiva
Moderadamente sugestiva
Fortemente sugestiva
ECG
Normal
Alteração inespecífica de repolarização
Desvio significativo de ST
Age (idade)
<45 anos
45-64 anos
≥65 anos
Risk factors
Nenhum fator de risco
1-2 fatores de risco
≥3 fatores ou doença aterosclerótica estabelecida
Troponin
≤limite superior normal
1-3 vezes o limite
>3 vezes o limite
No NSTEMI/angina instável confirmados, quem comanda o relógio de cateterismo é o GRACE (mortalidade intra-hospitalar calculada por idade, FC, PAS, creatinina, classe Killip, parada à admissão, desvio de ST e troponina): risco muito alto — instabilidade hemodinâmica, dor refratária, insuficiência cardíaca aguda, arritmia ameaçadora ou complicação mecânica — pede coronariografia IMEDIATA em menos de 2 horas; risco alto (GRACE maior que 140, troponina dinâmica, ST dinâmico) pede invasão precoce em até 24 horas; risco intermediário (GRACE 109-140) em até 72 horas; e baixo risco (GRACE menor que 109, sem recorrência) aceita estratificação não invasiva antes da alta (ESC 2023).
07Conduta no STEMI: relógio de reperfusão e esquema farmacológico
Ativar hemodinâmica ao diagnóstico (tempo-alvo ECG-diagnóstico a balão: até 120 minutos; se o transporte ao centro com angioplastia ultrapassar isso, indicar trombólise, idealmente em até 30 minutos da chegada e dentro de 12 horas do início dos sintomas).
Esquema de trombólise quando indicada: tenecteplase ponderada (30-50 mg conforme faixa de peso em bolus único) ou estreptoquinase 1,5 milhões UI em 30-60 minutos, com AAS e anticoagulação; seguimento obrigatório: transferir para coronariografia em 2-24 horas (estratégia farmacoinvasiva) mesmo com reperfusão aparente.
Dupla antiagregação antes da angioplastia: AAS 162-325 mg mastigado + ticagrelor 180 mg (ou prasugrel 60 mg; clopidogrel 300-600 mg em idade avançada, risco de sangramento ou uso concomitante de anticoagulante oral).
Anticoagulação no STEMI em via para angioplastia: heparina não fracionada 70-100 UI/kg em bolus (ou enoxaparina IV/SC conforme protocolo); monitorar TTPa/KTTO depois.
Anti-isquemia: nitrato IV se dor persiste e sem contraindicação (lembre-se: ventrículo direito e PDE5); betabloqueador oral precoce se sem insuficiência cardíaca ou bloqueio; morfina apenas para dor refratária.
Estatina de alta intensidade precoce (atorvastatina 80 mg), e oxigenoterapia apenas com SpO2 menor que 90%.
08Conduta no NSTEMI e angina instável: estabilizar, estratificar, invadir
O NSTEMI não tem janela de trombólise: a reperfusão aqui é coronariografia guiada por risco. Estabiliza-se com AAS + P2Y12 (ticagrelor 180 mg preferencial; clopidogrel 300-600 mg nas situações de maior risco hemorrágico), anticoagulação parenteral e anti-isquemia. Na anticoagulação, a ESC 2023 prefere fondaparinux 2,5 mg SC ao dia (melhor segurança de sangramento), adicionando heparina não fracionada apenas durante a angioplastia (risco de trombose de cateter com fondaparinux isolado); enoxaparina 1 mg/kg SC a cada 12 horas e heparina não fracionada ajustada ao TTPa são as alternativas. A invasão segue o GRACE: menos de 2 horas no muito alto risco, até 24 horas no alto risco, até 72 horas no intermediário, e não invasiva primeiro no baixo risco. Conservador (sem cateterismo imediato) é paciente de baixo risco com teste não invasivo — não é um NSTEMI de troponina alta e ST dinâmico, que vai para o laboratório.
09Complicações do IAM e prognóstico
Elétricas: FV/TVSP concentradas nas primeiras 48 horas (desfibrilação e choque de volta ao algoritmo de PCR); bloqueios atrioventriculares no infarto inferior (nodal, transitório, atropina-responsivo frequentemente) e no anterior (infranodal, mau prognóstico, marcapasso); monitorização contínua durante a internação inicial é obrigatória.
Insuficiência cardíaca aguda: classificada por Killip (I sem congestão; II estertores/S3; III edema agudo; IV choque cardiogênico) — orienta terapia diurética, vasodilatador, inotrópico e, no choque, suporte com noradrenalina e revascularização imediata.
Complicações mecânicas — janela de 3 a 7 dias pós-infarto, quando a necrose amolece o miocárdio: rotura de parede livre (tamponamento e morte súbita), comunicação interventricular (novo soprosistólico com deterioração) e rotura de músculo papilar (insuficiência mitral aguda com edema agudo); todas são emergências cirúrgicas com eco imediato.
Pericardite pós-infarto precoce e síndrome de Dressler (2-10 semanas, autoimune): AAS/anti-inflamatório e, se recorrente, colchicina.
Infarto de ventrículo direito (inferior com V4R): hipotensão com pulmões limpos — volume e reperfusão, nunca nitrato/diurético.
Prognóstico: mortalidade hospitalar do STEMI tratado com angioplastia caiu para menos de 5-7%; idade, Killip, tempo até reperfusão e fração de ejeção residual dominam o longo prazo; reabilitação cardíaca e adesão à dupla antiagregação por 12 meses (ou prazo ajustado) salvam vidas.
P
Homem de 58 anos, fumante, dor em aperto há 40 minutos, ECG com supra de 3 mm em V2-V4. Conduta no PS?
V
STEMI anterior: AAS 162-325 mg mastigado, ticagrelor 180 mg, heparina 70-100 UI/kg, ativar hemodinâmica para angioplastia primária em até 120 minutos (tempo de dor dentro de 12 h); se o centro com angioplastia não for alcançável nesse prazo, trombólise em até 30 min e transferência farmacoinvasiva.
P
Mulher de 44 anos com dor atípica, ECG normal, troponina hs abaixo do limiar. Alta?
V
Calcular HEART score: história pouco sugestiva (0), ECG normal (0), idade 44 (0), fumante (1), troponina baixa (0) = 1 ponto, baixo risco (MACE 1,7% em Six 2008). Repetir troponina após 1-2 h com delta negativo; HEART 0-3 com troponina seriada negativa permite alta com seguimento ambulatorial estruturado.
P
Idoso com NSTEMI, troponina 40 vezes o limite e subnível dinâmico de ST, estável. Quando operar?
V
Alto risco: coronariografia em até 24 horas (GRACE >140, troponina dinâmica, ST dinâmico); se desenvolver instabilidade hemodinâmica, arritmia ou dor refratária, vira invasão IMEDIATA em menos de 2 h. Fondaparinux 2,5 mg SC até a angioplastia, com heparina no procedimento.
P
Dia 5 pós-infarto inferior-extenso: hipotensão súbita e novo sopro sistólico. Diagnóstico?
V
Complicação mecânica na janela clássica de 3-7 dias: comunicação interventricular ou rotura de músculo papilar — eco de cabeceira imediato, estabilização com suporte (evitar vasoconstritor puro prolongado) e cirurgia cardíaca urgente; mortalidade cirúrgica sobe a cada hora.
P
Dor pleurítica piora em decúbito com supra difuso côncavo e PR rebaixado em quase todas as derivações. É STEMI?
V
Padrão de pericardite: supra difuso côncavo com PR rebaixado e semimagem territorial — não ativa hemodinâmica; investigar causa, AAS/anti-inflamatório. Troponina pode elevar na miocardite associada: correlacionar com clínica e eco.
10Pontos de prova e erros comuns
11Referências
[1] Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). Circulation. 2018;138(20):e618-e651 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000617
[2] Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720-3826 · DOI 10.1093/eurheartj/ehad191
[3] Amsterdam EA, Wenger NK, Brindis RG, et al. 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Non-ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. Circulation. 2014;130(25):e344-e426 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000134
[4] Shah ASV, Anand A, Sandoval Y, et al. High-sensitivity cardiac troponin I at presentation in patients with suspected acute coronary syndrome: a cohort study. The Lancet. 2015;386(10012):2481-2488 · DOI 10.1016/S0140-6736(15)00391-8
[5] Six AJ, Backus BE, Kelder JC. Chest pain in the emergency room: value of the HEART score. Neth Heart J. 2008;16(6):191-196 · DOI 10.1007/BF03086144
Teste-se
10 questões comentadas
1.Qual o prazo recomendado para o primeiro ECG do paciente com dor torácica à chegada do PS?
2.Sobre o HEART score, os valores de MACE em 6 semanas na validação original foram:
3.Critério de supra para STEMI em V2-V3 no homem de 45 anos:
4.ECG com subnível de ST de ponto J descendente em V1-V6 e T altas simétricas, dor precordial intensa. Conduta:
5.No STEMI, o relógio de reperfusão correto é:
6.Sobre nitratos na SCA, é contraindicação ABSOLUTA:
7.Troponina hs elevada 6 vezes o limite, SEM delta entre admissão e 2 horas, em paciente séptico com ECG estável. Interpretação:
8.No NSTEMI de alto risco estável, quando é indicada a coronariografia?
9.Anticoagulação preferencial no NSTEMI segundo a ESC 2023:
10.Dia 5 de infarto extenso: choque súbito com novo sopro sistólico violento em borda esternal esquerda. Diagnóstico mais provável e conduta:
RespostaECG 12 derivações em ≤10 min, AAS 162-325 mg mastigado, acesso venoso e monitor, troponina hs, O2 só se SpO2 <90%; repetir ECG em 15-30 min se não diagnóstico.
Pergunta 2Limiares de supra de ST para STEMI (4ª definição universal)
RespostaV2-V3: 2,5 mm (homens <40 anos), 2 mm (homens ≥40), 1,5 mm (mulheres); demais derivações: 1 mm em duas contíguas. BRAS novo: Sgarbossa modificado, não ativação automática.
Pergunta 3HEART score e faixas
RespostaHistory + ECG + Age + Risk factors + Troponin (0-2 cada). 0-3: MACE 1,7% (baixo risco, alta com troponina seriada); 4-6: 16,3% (moderado); 7-10: 50,1% (alto risco) — Six 2008.
Pergunta 4Troponina de alta sensibilidade: regra de ouro
RespostaIAM = elevação OU queda com delta + evidência de isquemia; valor estável acima do percentil 99 em sepse/IRC/IC é lesão por demanda (tipo 2: tratar a causa). Regra de exclusão Shah 2015: hs-cTnI <5 ng/L, VPN ~99,5%.
Pergunta 5Relógio do STEMI
RespostaAngioplastia primária em até 120 min do diagnóstico; inviável: trombólise em até 30 min da chegada, dentro de 12 h de sintomas, seguida de coronariografia farmacoinvasiva em 2-24 h.
Pergunta 6Equivalentes de STEMI da descendente anterior
RespostaDe Winter: subnível de ST com J descendente em V1-V6 + T altas simétricas. Wellens: T bifásicas (A) ou invertidas profundas (B) em V2-V3 sem dor. Ambos: estenose crítica proximal de DA → cateterismo, NUNCA ergometria.
Pergunta 7Contraindicações do nitrato na SCA
RespostaPAS <90 mmHg, infarto de ventrículo direito (V4R), bradicardia/taquicardia extrema, inibidor de PDE5 recente (24 h sildenafil/vardenafil; 48 h tadalafil).
Pergunta 9Estratificação invasiva do NSTEMI (ESC 2023)
Resposta<2 h: muito alto risco (instabilidade, arritmia, dor refratária, complicação mecânica); ≤24 h: alto risco (GRACE >140, troponina/ST dinâmicos); ≤72 h: intermediário (GRACE 109-140); não invasiva primeiro: baixo risco (GRACE <109).
Pergunta 10Anticoagulação no NSTEMI
RespostaFondaparinux 2,5 mg SC/dia preferencial (melhor segurança); heparina não fracionada adicionada no cateterismo (trombose de cateter com fondaparinux isolado). Alternativas: enoxaparina 1 mg/kg 12/12 h ou HNF ao TTPa.
Pergunta 11Janela das complicações mecânicas do IAM
Resposta3-7 dias pós-infarto (necrose amolece o miocárdio): rotura de parede livre (tamponamento), comunicação interventricular (sopro novo + choque) e rotura de músculo papilar (insuficiência mitral aguda). Eco imediato e cirurgia urgente.
Pergunta 12IAM de ventrículo direito: reconhecer e não matar
RespostaInfarto inferior com supra em V4R: hipotensão com pulmões limpos. Conduta: volume e reperfusão; NUNCA nitrato ou diurético (depende de pré-carga).
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Thygesen K, Alpert JS, Jaffe AS, et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction (2018). Circulation. 2018;138(20):e618-e651 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000617 | [2] Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720-3826 · DOI 10.1093/eurheartj/ehad191 | [3] Amsterdam EA, Wenger NK, Brindis RG, et al. 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Non-ST-Elevation Acute Coronary Syndromes. Circulation. 2014;130(25):e344-e426 · DOI 10.1161/CIR.0000000000000134 | [4] Shah ASV, Anand A, Sandoval Y, et al. High-sensitivity cardiac troponin I at presentation in patients with suspected acute coronary syndrome: a cohort study. The Lancet. 2015;386(10012):2481-2488 · DOI 10.1016/S0140-6736(15)00391-8 | [5] Six AJ, Backus BE, Kelder JC. Chest pain in the emergency room: value of the HEART score. Neth Heart J. 2008;16(6):191-196 · DOI 10.1007/BF03086144doi.org/10.1161/CIR.0000000000000617
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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