Neuro & SuporteRevisão didática · Segurança do paciente psiquiátrico08/10/2026
Risco suicida na internação: C-SSRS, plano de Stanley-Brown e precauções
Como avaliar e manejar o risco de suicídio no paciente internado: a C-SSRS pergunta por pergunta com os níveis de risco e a conduta de cada nível, os seis passos do plano de segurança Stanley-Brown, as precauções ambientais e de observação da enfermaria, as medidas protetoras com evidência e a conduta diante de tentativa dentro da unidade.
[1] Posner K, Brown GK, Stanley B, et al. The Columbia-Suicide Severity Rating Scale: Initial Validity and Internal Consistency Findings From Three Multisite Studies With Adolescents and Adults. Am J Psychiatry. 2011;168(12):1266-1277 · DOI 10.1176/appi.ajp.2011.10111704 | [2] Stanley B, Brown GK. Safety Planning Intervention: A Brief Intervention to Mitigate Suicide Risk. Cogn Behav Pract. 2012 · DOI 10.1016/j.cbpra.2011.01.001 | [3] Turecki G, Brent DA. Suicide and suicidal behaviour. Lancet. 2016;387(10024):1227-1239 · DOI 10.1016/S0140-6736(15)00234-2 | [4] Large M, Smith G, Sharma S, et al. Systematic review and meta-analysis of the clinical factors associated with the suicide of psychiatric in-patients. Acta Psychiatr Scand. 2011 · DOI 10.1111/j.1600-0447.2010.01672.x | [5] Zalsman G, Hawton K, Wasserman D, et al. Suicide prevention strategies revisited: 10-year systematic review. Lancet Psychiatry. 2016;3(7) · DOI 10.1016/S2215-0366(16)30030-X · DOI 10.1176/appi.ajp.2011.10111704
O suicídio mata cerca de 700 mil pessoas por ano no mundo e mais de 13 mil no Brasil, e o paciente psiquiátrico internado está entre os grupos de maior risco: a enfermaria concentra os quadros mais graves — depressão com sintomas psicóticos, psicose ativa, mania disfórica, dependências severas — e, paradoxalmente, parte dos suicídios de pacientes psiquiátricos acontece dentro ou logo após a internação, com a primeira semana pós-alta como janela clássica. Para o interno, o tema é duplamente cobrado: na prova, sob a forma dos itens da C-SSRS e dos passos do plano de segurança Stanley-Brown; na prática, sob a forma da decisão de quantos minutos tem o intervalo de observação daquele paciente e do que sai do quarto antes que ele volte da visita. Este artigo percorre a nomenclatura, os fatores de risco, a avaliação estruturada, as precauções de enfermaria, as medidas com evidência de proteção e a conduta diante da tentativa dentro da unidade.
700 mil
óbitos/ano no mundo
estimativa global de suicídio; mais de 13 mil/ano no Brasil
6 perguntas
C-SSRS triagem
itens 4 e 5 positivos definem risco alto e mobilizam precauções
6 passos
plano Stanley-Brown
sinais de alerta até tornar o ambiente seguro
1ª semana
pós-alta
janela de maior risco de suicídio após a internação
01O espectro do comportamento suicida: a nomenclatura que a prova cobra
A avaliação começa pela precisão dos termos, porque cada categoria muda o peso do risco. Ideação suicida passiva é o desejo de estar morto ou de não acordar, sem pensamento de agir ('queria que um ônibus me atropelasse'); ideação ativa é o pensamento de tirar a própria vida, que se gradua por método, plano e intenção. Ato preparatório é o planejamento em execução além do pensamento (comprar arma, escrever cartas, guardar medicação, dar presentes, arrumar contas); ato interrompido é o comportamento iniciado e interrompido por circunstância externa (o paciente foi descoberto no ato); ato abortado é o iniciado e interrompido pelo próprio paciente; tentativa é o comportamento com intenção de morrer que não resulta em óbito; suicídio é o óbito resultante. A autolesão não suicida (cutting sem intenção de morrer) é categoria distinta, com função de alívio da tensão — não é tentativa, mas aumenta o risco futuro e precisa de avaliação, não de juízo de valor.
02Epidemiologia: do mundo para a enfermaria
No mundo, o suicídio causa cerca de 700 mil óbitos por ano, com a maioria em países de renda baixa e média; no Brasil são mais de 13 mil óbitos anuais, taxa em torno de 6 por 100 mil habitantes, com óbitos mais frequentes em homens e tentativas mais frequentes em mulheres, e faixas etárias de destaque em adultos jovens e idosos. Os métodos variam por região (enforcamento lidera os óbitos no Brasil; intoxicação exógena lidera as tentativas atendidas em emergência), o que importa clinicamente: enforcamento não exige substância nem arma, e por isso a prevenção na enfermaria é, antes de tudo, controle do ambiente. Na população psiquiátrica internada, o risco supera em ordens de grandeza o da população geral, e as metanálises de fatores associados ao suicídio de pacientes internados identificaram achados que devem mudar a prescrição de observação de qualquer equipe [4].
03Fatores de risco: o que aperta o botão de alarme na enfermaria
Fatores de risco se dividem em estáticos (não modificáveis: tentativas prévias, história familiar de suicídio, sexo masculino, idade, perdas precoces) e dinâmicos (modificáveis e alvo de tratamento: depressão, desesperança, agitação, ansiedade, uso de álcool e outras substâncias, insônia grave, dor crônica, acesso a meios letais). A tentativa prévia é o preditor individual mais forte de suicídio futuro [3]. Entre pacientes internados, a metanálise de Large e colaboradores identificou os fatores clínicos associados ao suicídio na internação: humor deprimido, agitação psicomotora, ansiedade, desesperança, perdas recentes, autolesão ou tentativa prévia, história familiar de suicídio, comportamento violento, sintomas psicóticos e doença física concomitante [4].
Alerta máximo na enfermaria: paciente calmo, organizado e 'melhorado' de forma súbita sem explicação clínica — a tranquilidade repentina pode significar decisão tomada; investigar antes de celebrar.
Agitação e insônia em paciente deprimido: combinação de alto valor preditivo de risco agudo; agitação é fator associado em pacientes internados [4].
Perda recente (luto, término, desemprego, processo judicial) nos últimos dias ou semanas, especialmente com aniversários e datas simbólicas.
Acesso a meios letais: medicação guardada no quarto, cintos e cordões, varandas e janelas, autorização de licença externa (saída terapêutica) em fase de risco.
Comunicação de despedida: devolver pertences, escrever cartas, agradecer e despedir-se da equipe e da família — sinal de alarme, não de melhora.
Comorbidade clínica: dor, insuficiência de órgão, diagnóstico recente de doença grave; a doença física concomitante é fator associado ao suicídio de internados [4].
04Avaliação estruturada: a C-SSRS pergunta por pergunta
A Columbia-Suicide Severity Rating Scale (C-SSRS) é o instrumento validado mais usado no mundo para estruturar a avaliação do risco, com estudos multicêntricos de validação em adultos e adolescentes publicados por Posner e colaboradores no American Journal of Psychiatry em 2011 [1]. A versão de triagem tem seis perguntas objetivas, aplicáveis em minutos na admissão e sempre que o estado clínico muda, que transformam a pergunta vaga 'como está o risco?' em um nível acionável.
Pergunta 1: Você desejou estar morto ou conseguiria dormir e não acordar? (ideação passiva)
Pergunta 2: Você teve pensamentos reais de se matar? (ideação ativa não específica)
Pergunta 3: Você pensou em como faria isso? (ideação ativa com método, sem intenção de agir)
Pergunta 4: Você teve essas ideias e teve de certa forma a intenção de agir? (ideação ativa com alguma intenção, sem plano específico)
Pergunta 5: Você começou a elaborar ou já elaborou os detalhes de como fazer? Tem a intenção de executar? (ideação ativa com plano e intenção)
Pergunta 6 (comportamento): Você já fez algo, começou ou se preparou para fazer algo para terminar com a própria vida? (tentativa, ato interrompido, ato abortado ou preparatório — na vida e nos últimos 3 meses)
Nível de risco
Achado na C-SSRS
Conduta típica na internação
Baixo
Perguntas 1 e 2 positivas; sem ideação ativa e sem comportamento
Observação padrão da unidade, plano de segurança, tratamento da doença de base e envolvimento da rede de apoio
Moderado
Pergunta 3 positiva (ideação ativa com método, sem intenção)
Plano de segurança, revisão do nível de observação (por exemplo a cada 15 minutos), restrição de meios letais, reavaliação diária e discussão com o psiquiatra
Alto
Perguntas 4 ou 5 positivas (ideação ativa com intenção, com ou sem plano) ou comportamento suicida nos últimos 3 meses
Observação contínua 1:1 (observador a um braço de distância), ambiente seguro com busca de objetos, revisão diária do plano pelo psiquiatra, avaliação de transferência para unidade psiquiátrica e medicação ajustada; não sair da enfermaria sem acompanhamento
Três regras clínicas complementam a escala. Primeira: a C-SSRS informa o risco, não o dispensa — o julgamento clínico integra escala, fatores estáticos e dinâmicos, estado mental e contexto. Segunda: risco é dinâmico; um paciente pode mudar de nível em horas, e a reavaliação acontece em cada mudança de quadro, antes de licenças e antes da alta. Terceira: o nível deve ser documentado e repassado no handoff — o risco que só existe na cabeça de quem avaliou morre no troca de plantão.
05Plano de segurança Stanley-Brown: os seis passos
O Safety Planning Intervention, de Barbara Stanley e Gregory Brown, é a intervenção breve padronizada para reduzir risco suicida, construída com o paciente, por escrito e em menos de uma sessão [2]. Ela substitui o antigo 'contrato de não suicídio' (sem eficácia demonstrada e com risco de falsa segurança) por um roteiro ativo de enfrentamento, e está associada a maior engajamento no seguimento ambulatorial e menor comportamento suicida em estudos subsequentes em serviços de emergência. Os seis passos são fixos.
Passo 1 — Sinais de alerta: listar com o paciente os pensamentos, imagens, humores, situações e comportamentos que antecedem a crise ('quando começo a me isolar e a pensar que sou um fardo').
Passo 2 — Estratégias de enfrentamento internas: o que o paciente consegue fazer sozinho para distrair a mente (música, caminhada, banho, respiração, exercício, jogo).
Passo 3 — Pessoas e locais que proporcionam distração social: nomes e lugares que mudam o ambiente sem exigir falar do problema (café com o amigo, igreja, quadra).
Passo 4 — Pessoas a quem pedir ajuda: familiares e amigos específicos, com nome e telefone, que sabem da crise e podem ser acionados.
Passo 5 — Profissionais e serviços de crise: número do psiquiatra ou do serviço, CAPS de referência, emergência e o Centro de Valorização da Vida (CVV, 188, com atendimento 24 horas e ligação gratuita).
Passo 6 — Tornar o ambiente seguro: restringir meios letais em casa com ajuda da família (armas afastadas ou entregues, medicação em quantidade limitada e guardada, acesso a telhados e varandas bloqueado) — a restrição de meios é uma das medidas preventivas com melhor evidência populacional [3,5].
O formulário completo fecha com a pergunta 'Qual a coisa mais importante que você tem para viver?', registrada em voz do paciente: as razões para viver são a âncora do plano e valem a pena constar por escrito. O plano deve ser copiado (uma via com o paciente, uma no prontuário), praticado em voz alta e revisado em cada contato até a alta.
06Precauções na internação: observação, ambiente e objetos
A hierarquia das precauções segue o nível de risco. A observação contínua 1:1 coloca o observador a um braço de distância, acordado, sem celular e sem distração, inclusive no banheiro — observação não é 'dar uma olhada de hora em hora'. O nível intermediário usa checagens a cada 15 minutos registradas. O ambiente seguro exige varredura sistemática: retirar cordas, cintos, lenços, ataduras, cabides, sacolas plásticas, lâminas, vidros, cortadores e medicamentos pessoais; verificar janelas com trava e pontos de suspensão (suportes de soro, portas, barras); mobilizar a equipe para não introduzir objetos na visita; supervisão de medicação com verificação de deglutição (o comprimido 'escondido na bochecha' é reserva de tentativa) e estoque mínimo de medicação na enfermaria. Licenças externas, visitas sem supervisão e alta programada passam por reavaliação formal do risco.
07Tratamento da doença de base e medidas com evidência de proteção
Nenhuma precaução substitui o tratamento do transtorno de base: a revisão de Turecki e Brent no Lancet consolida que o risco suicida vive em grande parte dentro de transtornos tratáveis — depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos por uso de álcool e outras substâncias — e que tratar bem é prevenir [3]. Medidas específicas com suporte: o lítio reduz o risco de suicídio e de tentativa no transtorno afetivo em metanálises (efeito protetor além do humor); a clozapina reduz comportamento suicida na esquizofrenia com alto risco; a eletroconvulsivoterapia é opção rápida em risco extremo, depressão psicótica e catatonia; e a restrição de acesso a meios letais é a intervenção populacional mais consistente. A revisão de Zalsman e colaboradores no Lancet Psychiatry concluiu que as estratégias com melhor evidência são educação de médicos de atenção para reconhecer e tratar depressão, restrição de meios, centros de crise e linhas de ajuda, e psicoeducação — enquanto o rastreamento isolado, sem estrutura de tratamento por trás, não demonstra redução de desfechos [5].
08Tentativa de suicídio na enfermaria e o período pós-alta
Diante de tentativa ou ato dentro da unidade: não deixar o paciente sozinho por nenhum minuto; remover o meio (retirar ligadura, medicação, objeto), chamar ajuda e acionar suporte clínico conforme a gravidade.
Estabilização clínica primeiro: via aérea, circulação, carbonografia na intoxicação por tóxicos quando indicada, tratamento do envenenamento; depois, avaliação psiquiátrica formal e reclassificação do risco.
Comunicação obrigatória: intercorrência clínica grave é evento de comunicação em até 24 horas aos familiares ou representante legal e à autoridade sanitária, na forma do art. 10 da Lei 10.216; registrar tudo em prontuário.
Revisão de sistema: reclassificar o nível de observação (em regra para 1:1), refazer a busca de objetos, revisar o ambiente, conversar com a equipe (debriefing) e com o paciente quando estiver apto, e rediscutir o plano terapêutico.
Pós-alta: a primeira semana e o primeiro mês concentram risco elevado; alta segura significa plano de segurança revisado, primeira consulta agendada e confirmada, família orientada para restrição de meios em casa, prescrição de quantidades limitadas de medicação potencialmente letal e contato ativo (ligação ou mensagem) nos primeiros dias [2,5].
P
Paciente deprimido internado responde 'sim' às perguntas 4 e 5 da C-SSRS. Conduta imediata?
V
Risco alto: observação contínua 1:1 a um braço de distância, busca de objetos e ambiente seguro (sem cordas, cintos, lâminas, medicamentos e pontos de suspensão), revisão diária pelo psiquiatra, ajuste do tratamento de base e plano de segurança quando o quadro permitir [1,2].
P
Monte o plano de segurança de um paciente em risco moderado.
V
Seis passos por escrito: sinais de alerta; estratégias internas de enfrentamento; pessoas e locais de distração; pessoas a quem pedir ajuda com telefones; profissionais e serviços de crise (CAPS, emergência, CVV 188); tornar o ambiente seguro com restrição de meios, fechando com as razões para viver [2].
P
Paciente que estava grave e agitado aparece 'tranquilo e cordial' no 3º dia, devolve pertences e pede desculpas à família. Interpretação?
V
Alerta máximo: melhora súbita sem explicação clínica e sinais de despedida podem significar decisão suicida tomada; reavaliar risco formalmente, revisar observação e comunicar a equipe e a família [4].
P
Enfermeiro encontra paciente com tentativa de enforcamento na enfermaria. Quais passos?
V
Não deixá-lo sozinho, remover a ligadura com suporte clínico, avaliar via aérea e circulação, acionar emergência; depois avaliação psiquiátrica, reclassificação para observação 1:1, busca de objetos, registro completo e comunicação da intercorrência grave em até 24 horas aos familiares e à autoridade sanitária (art. 10 da Lei 10.216) [4,5].
P
Alta de paciente em risco moderado: o que precisa estar pronto antes da porta?
V
Plano de segurança revisado com família, primeira consulta agendada e confirmada na rede, orientação para restrição de meios em casa, prescrição de quantidades limitadas de medicação letal e contato ativo na primeira semana, janela de maior risco [2,5].
09Referências
[1] Posner K, Brown GK, Stanley B, et al. The Columbia-Suicide Severity Rating Scale: Initial Validity and Internal Consistency Findings From Three Multisite Studies With Adolescents and Adults. American Journal of Psychiatry. 2011;168(12):1266-1277. DOI 10.1176/appi.ajp.2011.10111704
[2] Stanley B, Brown GK. Safety Planning Intervention: A Brief Intervention to Mitigate Suicide Risk. Cognitive and Behavioral Practice. 2012. DOI 10.1016/j.cbpra.2011.01.001
[3] Turecki G, Brent DA. Suicide and suicidal behaviour. The Lancet. 2016;387(10024):1227-1239. DOI 10.1016/S0140-6736(15)00234-2
[4] Large M, Smith G, Sharma S, et al. Systematic review and meta-analysis of the clinical factors associated with the suicide of psychiatric in-patients. Acta Psychiatrica Scandinavica. 2011. DOI 10.1111/j.1600-0447.2010.01672.x
[5] Zalsman G, Hawton K, Wasserman D, et al. Suicide prevention strategies revisited: 10-year systematic review. The Lancet Psychiatry. 2016;3(7). DOI 10.1016/S2215-0366(16)30030-X
Teste-se
10 questões comentadas
1.Na versão de triagem da C-SSRS, quais achados definem risco alto?
2.Qual é a primeira pergunta da C-SSRS de triagem?
3.A tentativa prévia de suicídio tem qual peso na avaliação de risco?
4.No paciente internado com risco alto, qual nível de observação é indicado?
5.Qual é o sexto e último passo do plano de segurança Stanley-Brown?
6.Sobre o 'contrato de não suicídio', a posição atual é:
7.Quais medicações têm evidência de redução do risco suicida em populações específicas?
8.Paciente com risco moderado melhorou e a equipe programa licença externa de fim de semana. Antes da saída, é obrigatório:
9.Após a alta de internação psiquiátrica, o período de maior risco de suicídio é:
10.Tentativa de suicídio dentro da enfermaria. Qual conduta é obrigatória além do socorro clínico?
Resposta1 desejo de estar morto (passiva); 2 ideação ativa não específica; 3 ideação ativa com método, sem intenção; 4 ideação ativa com alguma intenção, sem plano; 5 ideação ativa com plano e intenção; 6 comportamento suicida (tentativa, ato interrompido, abortado, preparatório) na vida e nos últimos 3 meses.
Pergunta 2Níveis de risco na C-SSRS e conduta
RespostaBaixo (perguntas 1-2): observação padrão + plano de segurança. Moderado (pergunta 3): plano, observação a cada 15 min, restrição de meios, reavaliação diária. Alto (perguntas 4-5 ou comportamento em 3 meses): observação 1:1, ambiente seguro, revisão diária, medicação ajustada [1].
Pergunta 3Os 6 passos do plano de segurança Stanley-Brown
Resposta1 sinais de alerta; 2 estratégias de enfrentamento internas; 3 pessoas e locais de distração; 4 pessoas a quem pedir ajuda (nomes e telefones); 5 profissionais e serviços de crise (CAPS, emergência, CVV 188); 6 tornar o ambiente seguro com restrição de meios. Fecha com as razões para viver [2].
Pergunta 4Nomenclatura do comportamento suicida
RespostaIdeação passiva (desejo de morrer sem agir), ideação ativa (graduada por método, plano, intenção), ato preparatório, ato interrompido (por fatores externos), ato abortado (pelo próprio paciente), tentativa e suicídio; autolesão não suicida é categoria distinta.
Pergunta 5Preditor individual mais forte de suicídio
RespostaTentativa prévia de suicídio [3]; somam-se história familiar de suicídio, desesperança, impulsividade e uso de substâncias.
Pergunta 6Fatores associados ao suicídio do paciente internado (Large, 2011)
RespostaHumor deprimido, agitação psicomotora, ansiedade, desesperança, perdas recentes, autolesão/tentativa prévia, história familiar de suicídio, comportamento violento, sintomas psicóticos e doença física concomitante [4].
Pergunta 7Sinal de alarme: melhora súbita na internação
RespostaPaciente 'calmo e melhorado' de forma abrupta, devolvendo pertences e se despedindo, pode ter decidido o suicídio: reavaliar risco formalmente, revisar observação e comunicar a equipe e a família [4].
Pergunta 8Precauções ambientais de risco alto na enfermaria
RespostaObservação contínua 1:1 a um braço de distância (inclusive banheiro), busca de cordas, cintos, lenços, lâminas, vidros e medicamentos, janelas com trava, sem pontos de suspensão, medicação supervisionada com estoque mínimo, visitas supervisionadas.
Pergunta 9Medidas farmacológicas protetoras do risco suicida
RespostaLítio reduz suicídio e tentativa no transtorno afetivo; clozapina reduz comportamento suicida na esquizofrenia de alto risco; ECT é opção em risco extremo, depressão psicótica e catatonia [3].
Pergunta 10O que mostrou evidência na prevenção do suicídio (Zalsman, 2016)
RespostaEducação de médicos para reconhecer e tratar depressão, restrição de meios letais, centros de crise e linhas de ajuda, psicoeducação; rastreamento isolado sem estrutura de tratamento não reduz desfechos [5].
Pergunta 11Janela de maior risco pós-alta
RespostaPrimeira semana e primeiro mês: alta segura exige plano de segurança revisado, consulta agendada e confirmada, família orientada para restrição de meios, quantidades limitadas de medicação letal e contato ativo nos primeiros dias [2,5].
Pergunta 12Conduta diante de tentativa dentro da enfermaria
RespostaNão deixar sozinho, remover o meio, suporte clínico, avaliação psiquiátrica, reclassificação para 1:1, nova busca de objetos, debriefing da equipe, registro e comunicação da intercorrência grave em até 24 horas a familiares e autoridade sanitária (art. 10 da Lei 10.216).
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Posner K, Brown GK, Stanley B, et al. The Columbia-Suicide Severity Rating Scale: Initial Validity and Internal Consistency Findings From Three Multisite Studies With Adolescents and Adults. Am J Psychiatry. 2011;168(12):1266-1277 · DOI 10.1176/appi.ajp.2011.10111704 | [2] Stanley B, Brown GK. Safety Planning Intervention: A Brief Intervention to Mitigate Suicide Risk. Cogn Behav Pract. 2012 · DOI 10.1016/j.cbpra.2011.01.001 | [3] Turecki G, Brent DA. Suicide and suicidal behaviour. Lancet. 2016;387(10024):1227-1239 · DOI 10.1016/S0140-6736(15)00234-2 | [4] Large M, Smith G, Sharma S, et al. Systematic review and meta-analysis of the clinical factors associated with the suicide of psychiatric in-patients. Acta Psychiatr Scand. 2011 · DOI 10.1111/j.1600-0447.2010.01672.x | [5] Zalsman G, Hawton K, Wasserman D, et al. Suicide prevention strategies revisited: 10-year systematic review. Lancet Psychiatry. 2016;3(7) · DOI 10.1016/S2215-0366(16)30030-Xdoi.org/10.1176/appi.ajp.2011.10111704
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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