Agitação psicomotora: planos A, B e C, desescalonamento e contenção
Roteiro completo da agitação psicomotora na prática: separar causa orgânica de psiquiátrica, os 10 domínios do desescalonamento verbal, os planos farmacológicos A, B e C com doses exatas, a interação proibida entre olanzapina e benzodiazepínicos parenterais, e a contenção mecânica com técnica, monitoramento e base legal.
[1] Richmond JS, Berlin JS, Fishkind AB, et al. Verbal De-escalation of the Agitated Patient: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA De-escalation Workgroup. West J Emerg Med. 2012;13(1):17-25 · DOI 10.5811/westjem.2011.9.6864 | [2] Wilson MP, Pepper D, Currier GW, Holloman GH Jr, Feifel D. The Psychopharmacology of Agitation: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA Psychopharmacology Workgroup. West J Emerg Med. 2012;13(1):26-34 · DOI 10.5811/westjem.2011.9.6866 | [3] Huf G, Coutinho ESF, Adams CE, TREC Collaborative Group. Rapid tranquillisation in psychiatric emergency settings in Brazil: pragmatic randomised controlled trial of intramuscular haloperidol versus intramuscular haloperidol plus promethazine. BMJ. 2007 · DOI 10.1136/bmj.39339.448819.AE | [4] Zeller SL, Citrome L. Managing Agitation Associated with Schizophrenia and Bipolar Disorder in the Emergency Setting. West J Emerg Med. 2016 · DOI 10.5811/westjem.2015.12.28763 | [5] Brasil. Lei 10.216, de 6 de abril de 2001. Diário Oficial da União. 2001 · www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm · DOI 10.5811/westjem.2011.9.6866
A agitação psicomotora é a urgência psiquiátrica por excelência e um dos momentos de maior risco físico e jurídico do plantão: o paciente pode se machucar, machucar a equipe e, se a resposta for desorganizada, ser vítima de contenção malfeita ou de sedação em dose e combinação erradas. A ordem certa é sempre a mesma: proteger a segurança, investigar rapidamente a causa (a agitação orgânica, de hipoglicemia a abstinência alcoólica, muda o tratamento), tentar o desescalonamento verbal e só depois escalar a farmacologia — com os planos A, B e C de doses padronizadas — e, em último caso, a contenção mecânica. Este artigo organiza cada etapa com as doses exatas que as bancas cobram, a evidência do Project BETA e do TREC-Brasil, e as regras de monitoramento que evitam o desfecho mais temido, a asfixia posicional.
Plano A
risperidona 1-2 mg VO
mais lorazepam 1-2 mg VO se necessário; via oral sempre primeiro
Plano B
olanzapina 10 mg IM
nunca com benzodiazepínico parenteral; aguardar 1 h
Plano C
haloperidol 5 mg + prometazina 25-50 mg IM
teto de haloperidol 20 mg/dia; alternativa: haloperidol 5 mg + lorazepam 2 mg IM
Contenção
reavaliar a cada 15 min
nunca posição prona; ordem médica com tempo e forma de monitoramento
01Antes de sedar: agitação orgânica contra psiquiátrica
O erro mais grave no paciente agitado é sedar sem pensar: a agitação é um sintoma, não um diagnóstico, e a etiologia define a droga. Em qualquer apresentação psiquiátrica aguda — e obrigatoriamente na primeira crise da vida, na crise após os 40 anos, no início súbito, na presença de febre, sinais focais, alteração de atenção ou orientação — a hipótese orgânica vem primeiro. Na beira do leito, dois valores em minutos direcionam tudo: glicemia capilar (hipoglicemia agitada se corrige com glicose, não com antipsicótico) e SpO2. Delirium com agitação e abstinência de álcool são os simuladores mais frequentes, e ambos pioram com o roteiro 'psiquiátrico' automático: no delirium a prioridade é tratar a causa; na abstinência alcoólica a base é benzodiazepínico.
Categoria
Exemplos
Pistas clínicas
Implicação prática
Metabólica e sistêmica
Hipoglicemia, hipoxemia, encefalopatia hepática ou urêmica, tireotoxicose, infecção (delirium)
Início flutuante, atenção oscilante, febre, idoso frágil, glicemia ou SpO2 alteradas
Tratar a causa; sedação isolada mascara e agrava
Intoxicação e abstinência
Cocaína, anfetaminas, cannabis sintética; abstinência de álcool e benzodiazepínicos
Midríase, sudorese, tremor fino, taquicardia, história de uso; tremor grosseiro e alucinações na abstinência
Benzodiazepínico é a base; antipsicótico em dose alta na intoxicação por estimulante é complemento, não início
Planos A, B e C com antipsicótico e benzodiazepínico conforme o quadro
02Desescalonamento verbal: os 10 domínios do Project BETA
A intervenção mais eficaz da agitação é a mais barata: a palavra. O consenso do Project BETA sobre desescalonamento verbal (Richmond e colaboradores) definiu 10 domínios que transformam a abordagem em técnica treinável, e as diretrizes convergem que a maioria dos episódios de agitação pode ser evitada ou contida sem fármaco quando ela é bem executada. O domínio 'respeito' resume o espírito: o paciente agitado não é um adversário, é um paciente com medo.
1. Respeito: abordagem empática e não humilhante; apresentar-se e chamar o paciente pelo nome.
2. Espaço pessoal: manter pelo menos dois braços de distância; invadir o espaço dispara agressão.
3. Não ser provocador: mãos visíveis e abertas, postura relaxada e de ângulo (não de frente bloqueando a saída), tom de voz calmo e baixo.
4. Identificar-se: dizer quem é e qual o papel, estabelecendo vínculo profissional.
5. Falar de forma simples: frases curtas, uma ideia por vez, repetir o necessário; agitado não processa discursos.
6. Ouvir de perto: escutar o que o paciente diz e devolver com suas próprias palavras; ser ouvido reduz a escalada.
7. Concordar ou concordar em discordar: encontrar algo verdadeiro para validar ('entendo que você está angustiado e quer sair daqui') sem ceder ao que não pode.
8. Estabelecer limites claros: dizer com franqueza o que será e o que não será feito, e quais comportamentos são inaceitáveis.
9. Oferecer escolhas e otimismo: alternativas reais (tomar a medicação por via oral, comer algo, falar com a família) devolvem controle e reduzem a agressividade.
10. Debriefing: conversar com paciente e equipe depois do episódio para revisar o que aconteceu e ajustar o plano.
03Ambiente, equipe e o momento da contenção física
A decisão de conter fisicamente vem depois de falha do desescalonamento e da via oral, e diante de perigo iminente a si ou a terceiros. Contenção bem-feita é organizada, não heroica: equipe de pelo menos quatro a seis pessoas treinadas, com um líder único que se comunica com o paciente, abordagem simultânea e coordenada (cada membro com membro definido do corpo), retirada de objetos perigosos do alcance e plano de saída. Se a equipe sente que não há pessoal suficiente, esperar reforço é conduta de segurança, não covardia. A base legal brasileira é o princípio do menor meio invasivo (art. 2º, inciso VIII, da Lei 10.216): a contenção física é medida extraordinária de segurança, breve, proporcional e jamais punitiva.
04Contenção mecânica: técnica, monitoramento e registro
Indicação: perigo iminente que não cedeu ao desescalonamento verbal e à medicação, ou procedimento essencial que exige imobilização temporária.
Prescrição médica expressa antes ou imediatamente após a contenção, com motivo, tipo de contenção, duração prevista e forma de monitoramento; contenção 'institucional de rotina' não existe.
Posição: decúbito dorsal ou lateral, nunca prona; não comprimir tórax, pescoço ou abdômen — a asfixia posicional é a complicação fatal clássica, sobretudo em intoxicados, obesos e após contenção prolongada em prono durante a luta.
Nós e faixas: fixados com folga de um dedo, verificando circulação distal; nunca no lugar de fraturas, feridas ou acessos.
Monitorização a cada 15 minutos: circulação e pele dos membros contidos, respiração, conforto, necessidade real de manter a contenção, sinais de descompensação clínica.
Cuidados humanos: oferta de toalete, hidratação e conforto; comunicação contínua com o paciente; retirada assim que possível, de forma gradual (primeiro um membro, reavaliando).
Registro em prontuário: horário de início e término, motivo, técnica, monitoramentos realizados, resposta do paciente e conversa pós-evento (debriefing).
05Tratamento farmacológico: os planos A, B e C
O objetivo da tranquilização aguda é sedação suficiente para segurança e avaliação, não sono profundo: paciente calmo, orientado e conversando é desfecho adequado. A via oral sempre que possível (mais segura, mais rápida de ajustar e menos coerciva), parenteral quando há recusa, agitação intensa ou urgência. O roteiro em três planos organiza as escolhas consagradas pelo Project BETA e pelo TREC-Brasil.
Plano
Situação
Esquema
Observações
A — via oral
Cooperação parcial; medicação oral aceita
Risperidona 1-2 mg VO, com lorazepam 1-2 mg VO se necessário; alternativas: olanzapina 5-10 mg ODT (dissolução oral) ou prometazina 25-50 mg VO
Reavaliar em 30-60 minutos; segunda dose conforme resposta; monitorar hipotensão e sedação excessiva
B — parenteral sem benzodiazepínico
Recusa oral, agitação intensa, sem contraindicação
Olanzapina 10 mg IM (5-7,5 mg em idosos e frágeis); segunda dose só após 2 h; máximo 30 mg/dia
NUNCA associar a benzodiazepínico parenteral: risco de hipotensão e depressão respiratória; se benzodiazepínico já foi dado IM/IV, aguardar pelo menos 1 h
C — parenteral clássico com sedação rápida
Agitação intensa de alto risco; contexto brasileiro validado pelo TREC
Haloperidol 5 mg IM + prometazina 25-50 mg IM; alternativa: haloperidol 5 mg IM + lorazepam 2 mg IM
Teto usual de haloperidol 20 mg/dia; monitorar QTc e efeitos extrapiramidais; corrigir desidratação e hipocalemia; evitar prometazina em idosos
Alternativas parenterais
Intolerância ou contraindicação dos planos B e C
Ziprasidona 10-20 mg IM (atenção ao QTc); droperidol 5-10 mg IM com electrocardiograma quando possível
Combinações múltiplas de antipsicóticos aumentam efeitos adversos sem ganho proporcional
A escolha fina depende do quadro: na psicose aguda e na mania, antipsicótico é a base e o benzodiazepínico é adjuvante; na intoxicação por estimulantes e na abstinência alcoólica, o benzodiazepínico é a base; no idoso, doses reduzidas e preferência por antipsicótico em dose baixa (haloperidol 0,5-1 mg ou risperidona 0,5 mg como referências de início), evitando benzodiazepínicos pelo risco de queda e agravamento de delirium; na catatonia agitada, benzodiazepínico é a primeira resposta e antipsicótico pode piorar.
06Interações e limites de segurança
Olanzapina mais benzodiazepínico parenteral: combinação proibida pela hipotensão, sedação profunda e depressão respiratória descritas; a regra prática é intervalo mínimo de 1 hora entre um benzodiazepínico parenteral e a olanzapina IM, e jamais em paciente intoxicado.
Haloperidol: teto usual de 20 mg/dia no adulto; acima disso, mais efeitos extrapiramidais e QTc sem ganho de sedação; doses maiores que 10 mg/dia por via parenteral pedem monitoração eletrocardiográfica quando disponível.
QTc: antipsicóticos prolongam o intervalo; evitar combinar múltiplos prolongadores (haloperidol + ziprasidona + prometazina juntos), checar potássio e magnésio, e ser cauteloso com QTc acima de 450 ms; QTc acima de 500 ms é limite prático para não acrescentar novo prolongador.
Prometazina: sedação potente, hipotensão e efeitos anticolinérgicos; evitar em idosos (queda, delirium), em combinação com outros anticolinérgicos e em crianças pequenas.
Benzodiazepínicos: cuidado em idosos (paradoxal, queda), hepatopatia avançada (encefalopatia) e intoxicação concomitante por depressores; a via IM do lorazepam é confiável, a do diazepam não é.
Antipsicótico em catatonia e SNM: antipsicóticos podem agravar; nesses contextos, benzodiazepínico primeiro e revisão diagnóstica.
07A evidência: Project BETA e TREC-Brasil
O Project BETA (Best practices in Evaluation and Treatment of Agitation), do American Association for Emergency Psychiatry, publicado em 2012 no West Journal of Emergency Medicine, é o marco que organizou a área em três consensos: desescalonamento verbal (Richmond e colaboradores), avaliação médica do paciente psiquiátrico agudo e psicofarmacologia da agitação (Wilson e colaboradores). Suas mensagens centrais mudaram a prática: verbal primeiro, via oral antes da parenteral, doses moderadas combinadas em vez de doses altas de uma droga só, e sedação mínima eficaz como objetivo.
Para o Brasil, o ensaio pragmático TREC (Huf, Coutinho e Adams, BMJ 2007), feito em duas emergências psiquiátricas, comparou haloperidol IM isolado contra haloperidol IM mais prometazina IM: a combinação foi mais eficaz para agitação rápida e exigiu menos retratamento e menos contenção, com menos efeitos extrapiramidais agudos que o haloperidol sozinho — o estudo brasileiro que fundamentou o plano C e desincentivou o haloperidol isolado em dose alta como tranquilização padrão. Revisões posteriores e a experiência de emergências consolidaram a lógica atual: combinações de doses moderadas de classes diferentes, com reavaliação ativa, batem doses únicas altas.
08Populações especiais
Idoso: doses pela metade, antipsicótico em dose baixa como primeira droga psiquiátrica, evitar benzodiazepínicos e prometazina (queda, delirium iatrogênico); investigar delirium de causa clínica como causa mais provável de agitação nessa faixa.
Intoxicação por álcool e outras drogas: benzodiazepínico é a base; monitorar via aérea; estimulantes podem exigir antipsicótico complementar; jamais esquecer tiamina e glicose nos dependentes de álcool.
Epilepsia: antipsicóticos reduzem o limiar convulsivo, mas convulsão ativa não é contraindicação absoluta a sedação necessária; preferir benzodiazepínico e corrigir anticonvulsivante subterapêutico.
Gestação: evitar fármacos quando possível na primeira fase; se sedação obrigatória, priorizar doses mínimas eficazes com orientação obstétrica; haloperidol tem longa história de uso e olanzapina/risperidona têm dados razoáveis, sempre individualizado.
Crianças e adolescentes: desescalonamento verbal e acompanhamento da família em primeiro plano; fármacos e contenção em doses pediátricas específicas e por tempo mínimo.
09Complicações e monitoramento pós-sedação
Sedação excessiva e via aérea: observar nível de consciência, SpO2 e via aérea após qualquer parenteral; posicionamento lateral, estimulação e suporte ventilatório se necessário; naloxona se suspeita de opioide associado.
Distonia aguda: contração involuntária (torticolis, trismo, crises oculógiras), nas primeiras horas a dias; tratar com biperideno 2 mg IM (ou prometazina), com alívio rápido, e manter anticolinérgico oral se o antipsicótico for mantido.
Acatisia: inquietação interna desagradável, confundida com piora psiquiátrica; reduzir dose e antipsicótico, betabloqueador ou benzodiazepínico como opções; nunca 'dobrar a dose' do antipsicótico.
Síndrome neuroléptica maligna: hipertermia, rigidez em roda de carro, instabilidade autonômica e creatinoquinase elevada, dias após início ou aumento de antipsicótico; suspender o antipsicótico, suporte agressivo, e considerar dantroleno e bromocriptina nos casos graves.
Prolongamento de QTc e arritmias: eletrocardiograma em uso parenteral, correção de eletrólitos, revisão de combinações.
Trauma e asfixia posicional relacionados à contenção: prevenidos com técnica, nunca prono, monitorização a cada 15 minutos e liberação precoce.
Reavaliação diagnóstica após a sedação: paciente estável é paciente examinável — repetir anamnese, exame físico e investigar a causa de base; sedar e encerrar o plantão sem diagnóstico é metade do trabalho.
10Pontos de prova e erros comuns
P
Homem de 28 anos, primeiro episódio psicótico, agitado mas aceita conversar e tomar comprimido. Esquema inicial?
V
Desescalonamento verbal com os 10 domínios e plano A: risperidona 1-2 mg VO, somando lorazepam 1-2 mg VO se necessário; reavaliar em 30-60 min; via oral evita os riscos do parenteral e é menos coerciva [1,2].
P
Mesmo paciente piora, recusa oral e tenta agredir. Plano parenteral e cuidados?
V
Olanzapina 10 mg IM (plano B) sem benzodiazepínico parenteral associado, ou haloperidol 5 mg IM + prometazina 25-50 mg IM (plano C); monitorar sedação, pressão arterial e sinais extrapiramidais; ECG se disponível antes de combinar prolongadores de QTc [2,3].
P
A paciente recebeu lorazepam 2 mg IM há 20 minutos e a equipe pensa em olanzapina 10 mg IM. Pode?
V
Não imediatamente: benzodiazepínico parenteral e olanzapina IM não se combinam (hipotensão e depressão respiratória); aguardar pelo menos 1 hora e reavaliar a necessidade, priorizando a dose mínima eficaz [2,4].
P
Após contenção mecânica, quais regras evitam o desfecho fatal?
V
Nunca posição prona nem compressão torácica, nós com folga de um dedo, reavaliação a cada 15 minutos (circulação, pele, respiração, conforto e necessidade de manter), ordem médica com tempo previsto, registro em prontuário e liberação gradual assim que possível [1] e [5].
P
Idoso de 82 anos com delirium hiperativo agressivo. Que plano?
V
Tratar a causa do delirium e usar antipsicótico em dose baixa (haloperidol 0,5-1 mg ou equivalente), evitando benzodiazepínicos e prometazina pelo risco de queda e agravamento; doses pela metade e reavaliação frequente [2,4].
11Referências
[1] Richmond JS, Berlin JS, Fishkind AB, et al. Verbal De-escalation of the Agitated Patient: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA De-escalation Workgroup. West Journal of Emergency Medicine. 2012;13(1):17-25. DOI 10.5811/westjem.2011.9.6864
[2] Wilson MP, Pepper D, Currier GW, Holloman GH Jr, Feifel D. The Psychopharmacology of Agitation: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA Psychopharmacology Workgroup. West Journal of Emergency Medicine. 2012;13(1):26-34. DOI 10.5811/westjem.2011.9.6866
[3] Huf G, Coutinho ESF, Adams CE, TREC Collaborative Group. Rapid tranquillisation in psychiatric emergency settings in Brazil: pragmatic randomised controlled trial of intramuscular haloperidol versus intramuscular haloperidol plus promethazine. BMJ. 2007. DOI 10.1136/bmj.39339.448819.AE
[4] Zeller SL, Citrome L. Managing Agitation Associated with Schizophrenia and Bipolar Disorder in the Emergency Setting. West Journal of Emergency Medicine. 2016. DOI 10.5811/westjem.2015.12.28763
[5] Brasil. Lei 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União. 2001.
Teste-se
10 questões comentadas
1.Qual é o esquema do plano A para agitação psicomotora?
2.Por que a combinação de olanzapina IM com benzodiazepínico parenteral é proibida?
RespostaVia oral: risperidona 1-2 mg VO, somando lorazepam 1-2 mg VO se necessário; alternativas olanzapina 5-10 mg ODT ou prometazina 25-50 mg VO; reavaliar em 30-60 min.
Pergunta 2Plano B da agitação
RespostaOlanzapina 10 mg IM (5-7,5 mg em idosos/frágeis); 2ª dose só após 2 h; máximo 30 mg/dia; NUNCA com benzodiazepínico parenteral (hipotensão e depressão respiratória; aguardar 1 h se benzo dado).
Pergunta 3Plano C da agitação
RespostaHaloperidol 5 mg IM + prometazina 25-50 mg IM (validado pelo TREC-Brasil) ou haloperidol 5 mg IM + lorazepam 2 mg IM; teto de haloperidol 20 mg/dia; evitar prometazina em idosos.
Pergunta 4Evidência do TREC-Brasil (BMJ 2007)
RespostaHaloperidol + prometazina IM foi superior ao haloperidol isolado para tranquilização rápida, com menos retratamento e menos efeitos extrapiramidais agudos; fim do 'haloperidol alto sozinho' como padrão.
Pergunta 5Os 10 domínios do desescalonamento verbal
RespostaRespeito, espaço pessoal (dois braços), não ser provocador, identificar-se, falar simples e curto, ouvir de perto, concordar ou concordar em discordar, limites claros, oferecer escolhas e otimismo, debriefing (Project BETA, Richmond).
Pergunta 6Regras de segurança da contenção mecânica
RespostaOrdem médica com motivo, tipo, tempo e forma de monitorar; nunca prono nem compressão torácica; nós com folga de um dedo; reavaliação a cada 15 min; liberação gradual precoce; registro completo em prontuário.
Pergunta 7Base legal da contenção no Brasil
RespostaPrincípio do menor meio invasivo: art. 2º, inciso VIII, da Lei 10.216/2001 (ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis); contenção é medida extraordinária de segurança, breve e não punitiva.
Pergunta 8Olanzapina IM + benzodiazepínico parenteral
RespostaProibido: hipotensão grave e depressão respiratória; se o benzodiazepínico já foi dado, aguardar pelo menos 1 hora e reavaliar; jamais em paciente intoxicado por depressores.
Pergunta 9Agitação orgânica: dois números antes da seringa
RespostaGlicemia capilar e SpO2; investigar orgânica obrigatoriamente na 1ª crise, após 40 anos, início súbito, febre, sinais focais ou alteração de atenção (delirium).
Pergunta 10Distonia aguda por antipsicótico
RespostaTrismo, torticólis, crises oculógiras nas primeiras horas a dias: biperideno 2 mg IM (ou prometazina) com alívio rápido; manter anticolinérgico oral se o antipsicótico continuar.
Pergunta 11Acatisia
RespostaInquietação interna desagradável após antipsicótico, confundida com piora clínica; não aumentar o antipsicótico: reduzir dose e considerar betabloqueador ou benzodiazepínico.
Pergunta 12Síndrome neuroléptica maligna
RespostaHipertermia + rigidez em roda de carro + instabilidade autonômica + CK elevada, dias após antipsicótico: suspender a droga, suporte agressivo, dantroleno e bromocriptina nos casos graves.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Richmond JS, Berlin JS, Fishkind AB, et al. Verbal De-escalation of the Agitated Patient: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA De-escalation Workgroup. West J Emerg Med. 2012;13(1):17-25 · DOI 10.5811/westjem.2011.9.6864 | [2] Wilson MP, Pepper D, Currier GW, Holloman GH Jr, Feifel D. The Psychopharmacology of Agitation: Consensus Statement of the American Association for Emergency Psychiatry Project BETA Psychopharmacology Workgroup. West J Emerg Med. 2012;13(1):26-34 · DOI 10.5811/westjem.2011.9.6866 | [3] Huf G, Coutinho ESF, Adams CE, TREC Collaborative Group. Rapid tranquillisation in psychiatric emergency settings in Brazil: pragmatic randomised controlled trial of intramuscular haloperidol versus intramuscular haloperidol plus promethazine. BMJ. 2007 · DOI 10.1136/bmj.39339.448819.AE | [4] Zeller SL, Citrome L. Managing Agitation Associated with Schizophrenia and Bipolar Disorder in the Emergency Setting. West J Emerg Med. 2016 · DOI 10.5811/westjem.2015.12.28763 | [5] Brasil. Lei 10.216, de 6 de abril de 2001. Diário Oficial da União. 2001 · www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htmdoi.org/10.5811/westjem.2011.9.6866
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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