Decisão & RegulaçãoRevisão didática · Internato em Ginecologia e Obstetrícia08/10/2026
Urgências ginecológicas: dor pélvica e sangramento — ectópica, torção, DIP
Abordagem sistematizada da mulher com dor pélvica aguda e sangramento uterino de urgência: gravidez ectópica com β-hCG e ultrassonografia transvaginal, torção anexial, doença inflamatória pélvica e sangramento uterino agudo. Esquemas terapêuticos com doses, critérios de hospitalização e indicações de cirurgia de urgência.
[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Committee Opinion No. 557: Management of Acute Abnormal Uterine Bleeding in Nonpregnant Reproductive-Aged Women. Obstet Gynecol. 2013 · DOI 10.1097/01.aog.0000428646.67925.9a | [2] Munro MG, Critchley HOD, Fraser IS; FIGO Menstrual Disorders Committee. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018;143(3):393-408 · DOI 10.1002/ijgo.12666 | [3] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy. Obstet Gynecol. 2018 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002560 | [4] Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187 · DOI 10.15585/mmwr.rr7004a1 | [5] American College of Obstetricians and Gynecologists' Committee on Adolescent Health Care. Committee Opinion No. 783: Adnexal Torsion in Adolescents. Obstet Gynecol. 2019 · DOI 10.1097/AOG.0000000000003373 · DOI 10.1097/01.aog.0000428646.67925.9a
Dor pélvica aguda e sangramento abundante respondem pela maioria dos atendimentos de ginecologia no pronto-socorro, e três diagnósticos decidem desfecho em horas: gravidez ectópica (ocorre em 1,5 a 2% das gestações e já foi uma das principais causas de morte materna — ainda hoje responde por cerca de 2,7% das mortes maternas nos Estados Unidos), torção anexial (a urgência cirúrgica ginecológica clássica, em que o ovário pode ser salvo apenas com destorção precoce) e doença inflamatória pélvica (que, quando subdiagnosticada, semeia dor crônica, infertilidade e gravidez ectópica futura). Ao lado delas, o sangramento uterino agudo da mulher não grávida tem algoritmo próprio, com doses de estrogênio intravenoso, progestógenos e ácido tranexâmico. Este artigo organiza a triagem inicial, os critérios diagnósticos com valores de corte, os esquemas terapêuticos e os pontos de decisão cirúrgica.
Ectópica
1,5-2%
das gestações; dor + amenorreia + sangramento é a tríade clássica
Zona discriminatória
1500-2000 mUI/mL
β-hCG a partir da qual a USG transvaginal deve mostrar gestação intrauterina
Metotrexato
50 mg/m² IM
dose única; queda ≥15% entre o 4º e o 7º dia confirma resposta
Ceftriaxona (DIP)
500 mg IM
dose única ambulatorial (1 g se peso ≥90 kg) + doxiciclina + metronidazol 14 dias
Ovário salvo
destorção <24 h
a maioria dos ovários escuros recupera função com destorção precoce
Tranexâmico no SUA
10 mg/kg IV 8/8h
alternativa: 1.300 mg VO 8/8h; antifibrinolítico, não hormonal
01Abordagem inicial da dor pélvica aguda
A triagem começa pelas duas perguntas que dividem o universo: a paciente está estável e está grávida? Instabilidade hemodinâmica com dor pélvica e anemia é laparotomia/cirurgia de urgência em construção — acesso calibroso, cristaloide, tipagem e cross-match, hemograma e β-hCG no mesmo momento. Toda mulher na idade reprodutiva com dor pélvica ou sangramento é considerada grávida até prova do contrário: o teste de gravidez de urina (limiar de 10 a 25 mUI/mL) é o primeiro exame, e a β-hCG quantitativa em soro orienta o que vem depois. A sequência de exame complementa: localização da dor (unilateral, suprapúbica, difusa), dor de fornice ao toque (sinal de hemoperitônio), irritação peritoneal, massas palpáveis e exame especular para fonte de sangramento (cervicite, pólipo, lesão de colo). Após descartar gravidez, o diagnóstico diferencial passa por doença inflamatória pélvica, torção ou massa anexial, cistos rotos, apendicite e causas urinárias — a ultrassonografia transvaginal é a extensão natural do toque em quase todos esses cenários.
Cenário
Primeiro exame
Decisão que ele impõe
Dor pélvica + instabilidade
β-hCG urgente + hemograma + tipagem
Sala cirúrgica: ruptura de ectópica é diagnóstico clínico-cirúrgico
Dor pélvica + β-hCG positiva estável
USG transvaginal
Localizar a gestação: intrauterina, ectópica ou gravidez de localização desconhecida
Algoritmo de sangramento uterino agudo: hormonal, tranexâmico ou cirurgia
02Gravidez ectópica: diagnóstico
A gravidez ectópica é a implantação fora da cavidade endometrial — 95% nas trompas (ampola em 70%), com localizações menos frequentes em ovário, intersticial, cervical e cicatriz de cesárea, estas de alto risco de hemorragia maciça [3]. Os fatores de risco clássicos são doença inflamatória pélvica prévia, cirurgia tubária, tabagismo, idade avançada, reprodução assistida e uso de dispositivo intrauterino (a gravidez com DIU é rara, mas quando ocorre tem alta proporção de ectópicas). A tríade clínica é dor pélvica, amenorreia de 6 a 8 semanas e sangramento genital; na ruptura, somam-se dor de fornice, hipotensão e síncope. O diagnóstico por imagem: a ultrassonografia transvaginal identifica a maioria das ectópicas quando o β-hCG ultrapassa a zona discriminatória de 1.500 a 2.000 mUI/mL — a ausência de saco intrauterino nesse patamar torna a ectópica o diagnóstico mais provável. A β-hCG também orienta o tempo: na gestação intrauterina normal ela dobra em 48 horas (mínimo de aumento de 35 a 49% em 48 h), enquanto na ectópica a curva é tipicamente lenta, platô ou queda insuficiente. Corpo lúteo hemorrágico, coleção na cavidade e progesterona sérica baixa (menor que 5 ng/mL sugere gestação não evolutiva) são achados de apoio, nunca isolados.
03Gravidez ectópica: condutas em três vias
Cirúrgica (primeira via): instabilidade hemodinâmica, ruptura, dor intensa ou falha/contraindicação das outras vias; laparoscopia com salpingectomia (retirada da trompa) é o padrão em trompa danificada, contralateral sadia ou instabilidade — controle rápido do sangramento; salpingostomia (incisão na trompa com retirada do tecido) preserva a trompa, mas persiste trofoblasto em 7 a 14% e exige β-hCG semanal até negativação.
Médica (metotrexato): dose única de 50 mg/m² IM; critérios — paciente estável e sem dor intensa, massa menor que 3,5 cm, β-hCG menor que 5.000 mUI/mL (melhor resposta abaixo de 1.500), sem atividade cardíaca fetal, função hepática e renal normais, leucócitos maiores que 1.500/mm3, seguimento confiável; monitorar β-hCG no 4º e no 7º dia, exigindo queda de pelo menos 15% entre eles, e semanal até negativação; sucesso global de cerca de 88% em casos selecionados; evitar gravidez por 3 meses, evitar álcool, sol e suplementos com ácido fólico.
Expectante: candidatas selecionadas — assintomáticas, β-hCG em queda e menor que 1.500 a 2.000 mUI/mL, sem massa significativa; acompanhamento com β-hCG seriada até negativação, com taxa de sucesso variável e necessidade de prontidão para intervenção; toda paciente RH negativo recebe imunoglobulina anti-D (50 mcg IM até 12 semanas; 300 mcg depois).
04Torção anexial
A torção anexial é a rotação do complexo vascular do anexo (ovário e, com frequência, trompa) sobre seu pedículo, com isquemia progressiva: primeiro o fluxo venoso e linfático se obstruem (o ovário aumenta e torna-se doloroso), depois o arterial. É a quinta causa mais comum de urgência ginecológica, atinge qualquer idade com pico na menacme, e quase sempre ocorre sobre um anexo aumentado — cisto funcional (o mais comum), teratoma, hiperestimulação ovulatória —, mas também em ovários normais em crianças. O quadro é dor súbita e intensa, unilateral, com náusea e vômito em 70 a 80% dos casos e, ao exame, massa anexial dolorosa. O ultrassom mostra ovário aumentado (maior que 4 a 5 cm) com múltiplos folículos periféricos; o Doppler normal NÃO exclui a torção, pois a dupla vascularização ovariana mantém fluxo em até metade dos casos confirmados — o diagnóstico é clínico-imagiológico e a laparoscopia é o padrão-ouro e a própria terapia [5]. A conduta moderna, reforçada pelo ACOG, é destorção imediata com preservação do anexo: a cor azulada ou negra do ovário NO transoperatório não prevê necrose (a avaliação visual erra em ambas as direções) e a histologia de malignidade nos anexos torcidos é rara (abaixo de 1 a 3% em crianças e adolescentes); o cisto (teratoma, cistectomia) é retirado no mesmo tempo ou programado, e a fixação do anexo é opcional em casos selecionados (torção recorrente, anexo único). O tempo importa: quanto mais precoce a destorção, maior a recuperação funcional — daí a regra de sala vermelha para a suspeita clínica.
05Doença inflamatória pélvica e abscesso tubo-ovariano
A doença inflamatória pélvica (DIP) é a ascensão de infecção cervical (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e flora endógena, incluindo anaeróbios e Gardnerella) para endométrio, trompas e peritônio pélvico. O diagnóstico é EMPÍRICO e de baixo limiar, porque as sequelas de deixar passar (infertilidade em 10 a 15% após um episódio, dor crônica, gestação ectópica) superam o custo do tratamento [4]. Os critérios mínimos do CDC 2021: dor pélvica ou anexial, dor à mobilização do colo ou dor uterina/anexial ao toque bimanual, na ausência de outra causa. Critérios adicionais (febre acima de 38,3 °C, corrimento cervical mucopurulento, leucócitos abundantes na microscopia do fluido vaginal, VHS ou PCR elevados, infecção gonocócica ou clamidiana documentada) aumentam a especificidade; os definitivos (histologia de endometrite, ultrassom com parede tubária espessa e cheia de líquido, laparoscopia) raramente são necessários. Tratamento ambulatorial (CDC 2021): ceftriaxona 500 mg IM em dose única (1 g se peso ≥90 kg), seguida de doxiciclina 100 mg VO 12/12h e metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias — o metronidazol entrou de rotina para cobrir anaeróbios e Gardnerella.
Internar: abscesso tubo-ovariano, gravidez, vômitos/intolerância oral, doença grave com febre alta, falha ambulatorial em 72 horas e necessidade de drenagem cirúrgica.
Esquema intravenoso (CDC 2021): ceftriaxona 1 g IV 24/24h + doxiciclina 100 mg VO/IV 12/12h + metronidazol 500 mg VO/IV 12/12h; alternativa clássica: clindamicina 900 mg IV 8/8h + gentamicina em dose de ataque e manutenção.
Alta quando afebril 24 a 48 h e melhorando: completar 14 dias totais em oral (doxiciclina + metronidazol).
Abscesso tubo-ovariano: antibiótico IV é a primeira linha; drenagem (por imagem ou laparoscopia) está indicada se massa maior que 7 a 10 cm, sem resposta em 48 a 72 h ou deterioração; rotura de abscesso com peritonite é cirurgia de urgência.
Tratar parceiros sexuais (mesmo esquema de uretrite) e orientar retorno após 3 dias (melhora), 14 dias (cura) e reavaliação de rastreio de IST em 3 meses.
06Sangramento uterino agudo na mulher não grávida
Sangramento uterino agudo é o que exige intervenção imediata por volume ou repercussão (anemia sintomática, instabilidade) [1]. O primeiro passo é excluir gravidez e estabilizar; o segundo é pensar nas causas PALM-COEIN, com atenção especial a coagulopatia (adolescente com anemia e menorragia desde a menarca deve ser investigada para doença de von Willebrand) [2]. O algoritmo terapêutico é escalonado por gravidade [1].
Sangramento grave com anemia (mas estável) ou suspeita de coagulopatia/descarga estrogênica súbita: estrogênio conjugado intravenoso 25 mg IV a cada 4 a 6 horas por até 24 horas, com antiemético profilático (náusea é o efeito adverso principal).
Sangramento moderado sem instabilidade: anticoncepcional hormonal combinado oral (30 a 35 mcg de etinilestradiol) 1 comprimido a cada 8 horas até cessar o sangramento, reduzindo a cada 2 a 3 dias até dose de manutenção; alternativa progestógeno isolado (noretindrona 5 mg VO 8/8h ou medroxiprogesterona 20 mg VO 8/8h).
Adjuvante não hormonal em todas as vias: ácido tranexâmico 10 mg/kg IV 8/8h (ou 1.300 mg VO 8/8h) nos dias de sangramento, antifibrinolítico que reduz perda sanguínea sem efeito hormonal.
Falha médica, instabilidade ou cavidade com conteúdo (pólipo, mioma submucoso): curetagem uterina (idealmente histeroscópica), com balão intrauterino de tamponamento como ponte nos sangramentos refratários; a histologia orienta a terapia de manutenção.
Corrigir anemia: ferro oral (sulfato ferroso 325 mg/dia) ou venoso conforme gravidade; transfusão com hemoglobina menor que 7 a 8 g/dL ou sintomas de instabilidade; o DIU-LNG é a melhor terapia de manutenção para prevenir recorrência após o episódio agudo [2].
07Outras urgências que passam pela porta
Ruptura de cisto de corpo lúteo: dor súbita e hemoperitônio em meio ou segunda fase do ciclo, às vezes em uso de anticoagulante; estável = observação e analgesia; instável ou hemoperitônio volumoso = laparoscopia com cistectomia e hemostasia.
Torção de nódulo miomatoso pediculado: dor súbita em miomatose conhecida; ultrassom com nódulo sensível e vascularização ausente; resolução laparoscópica.
Endometriose profunda infiltrando intestino e uréter: dor cíclica intensa, disquezia e dor ao coito; na urgência, descartar obstrução intestinal e ureteral (ameaçam função renal), com conduta eletiva programada da equipe de pelve.
Trauma genital e violência sexual: cuidado com laceracões perineais e alta vaginal, profilaxia de IST e gestação conforme protocolo, com acolhimento e notificação; preservação de evidências pela equipe treinada.
Hemorragia da mulher pós-menopausa na urgência: não é a AUB aguda da reprodutiva — é hiperplasia/carcinoma de endométrio até prova do contrário; estabilizar e encaminhar para investigação histeroscópica, e não iniciar estrogênio.
08Escalada e comunicação: quando chamar o especialista
Imediatamente: instabilidade hemodinâmica em qualquer suspeita de ectópica rota ou hemoperitônio volumoso — o interno garante acessos, volume, tipagem e o acionamento da equipe cirúrgica e do protocolo de transfusão, sem esperar exames que não mudariam a decisão [3].
Na torção anexial, a laparoscopia não deve aguardar confirmação por Doppler: comunicar a suspeita clínica (dor súbita mais ovário aumentado) é o que preserva o anexo [5].
Na DIP, sinalizar internação e drenagem: abscesso maior que 7 cm, sem resposta em 48 a 72 horas, piora clínica ou quadro séptico [4].
No sangramento uterino agudo, quando a hemoglobina cai abaixo de 7 g/dL, há instabilidade, refratariedade a duas linhas hormonais ou suspeita de malignidade/coagulopatia, a cavidade precisa de visão histeroscópica e a conduta passa ao especialista [1].
Sempre documentar: hora do início da dor, valores de β-hCG e hemoglobina, achados de ultrassonografia e conduta comunicada — a paciente que retorna pior em 12 horas será reavaliada com base nesse registro.
P
Mulher de 28 anos, 7 semanas de amenorreia, dor pélvica em flanco direito e β-hCG de 4.200 mUI/mL com USG transvaginal sem saco intrauterino e massa anexial de 2,5 cm, estável e hemodinâmica. Conduta?
V
Ectópica não rota elegível ao metotrexato 50 mg/m² IM (massa <3,5 cm, β-hCG <5.000, sem batimento fetal): β-hCG no 4º e 7º dia (queda ≥15%) e semanal até negativação; educar sobre dor súbita intensa = retorno imediato (ruptura).
P
A mesma paciente retorna no dia seguinte com dor intensa generalizada, PA 82/50 mmHg e abdômen distendido e defensivo.
V
Ruptura de ectópica: duas vias calibrosas, cristaloide, tipagem e cross-match, acionar cirurgia — laparoscopia (ou laparotomia se não tolerar pneumoperitônio) com salpingectomia; anti-D se RH negativo.
P
Adolescente de 14 anos com dor súbita em fossa ilíaca direita, náuseas, USG com ovário de 6 cm e fluxo Doppler presente.
V
Torção anexial continua em jogo: Doppler normal não exclui (dupla vascularização); dor súbita + ovário aumentado = laparoscopia de urgência com destorção e preservação do anexo, retirando o cisto no mesmo tempo [5].
P
Mulher de 24 anos com dor pélvica, febre de 38,5 °C, corrimento purulento e dor à mobilização do colo; USG sem abscesso. Conduta ambulatorial?
V
DIP: ceftriaxona 500 mg IM (1 g se ≥90 kg) + doxiciclina 100 mg VO 12/12h + metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias, reavaliação em 3 dias, tratar parceiro [4]. Internaria se abscesso, gravidez, vômitos, doença grave ou falha.
P
Mulher de 41 anos, não grávida, sangramento abundante há 10 dias, Hb 6,9 g/dL, hemodinamicamente estável.
V
SUA agudo com anemia: estrogênio conjugado IV 25 mg 4-6/6h (ou progestógeno/ACO oral conforme protocolo) + tranexâmico 10 mg/kg IV 8/8h, transfusão conforme sintomas, ferro; investigar cavidade (histeroscopia/biópsia) e planejar manutenção com DIU-LNG [1] [2].
09Referências
[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Committee Opinion No. 557: Management of Acute Abnormal Uterine Bleeding in Nonpregnant Reproductive-Aged Women. Obstetrics and Gynecology. 2013. DOI 10.1097/01.aog.0000428646.67925.9a.
[2] Munro MG, Critchley HOD, Fraser IS; FIGO Menstrual Disorders Committee. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. International Journal of Gynecology and Obstetrics. 2018;143(3):393-408. DOI 10.1002/ijgo.12666.
[3] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy. Obstetrics and Gynecology. 2018. DOI 10.1097/AOG.0000000000002560.
[4] Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recommendations and Reports. 2021;70(4):1-187. DOI 10.15585/mmwr.rr7004a1.
[5] American College of Obstetricians and Gynecologists' Committee on Adolescent Health Care. Committee Opinion No. 783: Adnexal Torsion in Adolescents. Obstetrics and Gynecology. 2019. DOI 10.1097/AOG.0000000000003373.
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10 questões comentadas
1.Mulher em idade reprodutiva chega com dor pélvica aguda. Qual é o PRIMEIRO exame a pedir?
2.A partir de qual β-hCG a USG transvaginal deve demonstrar uma gestação intrauterina (zona discriminatória)?
3.Critérios para metotrexato na gravidez ectópica incluem todas, EXCETO:
4.No monitoramento do metotrexato, o que confirma resposta adequada?
5.Paciente com ectópica rota, instável e trompa contralateral sadia. Procedimento de escolha:
6.Torção anexial: qual afirmativa está CORRETA segundo o ACOG?
7.Esquema ambulatorial da DIP segundo o CDC 2021:
8.Qual achado manda INTERNAR uma paciente com DIP?
9.Abscesso tubo-ovariano de 9 cm sem resposta ao antibiótico IV após 72 horas. Conduta:
10.Sangramento uterino agudo em mulher não grávida, estável, com anemia moderada. Esquema de primeira linha:
RespostaDor pélvica + amenorreia (6-8 semanas) + sangramento genital. Na ruptura: dor de fornice, hipotensão, síncope. 95% são tubárias (ampola ~70%).
Pergunta 2Zona discriminatória da β-hCG
Resposta1.500-2.000 mUI/mL: acima desse valor, a USG transvaginal deve mostrar saco intrauterino; sem saco, ectópica é o diagnóstico mais provável. β-hCG normal dobra em 48 h (mínimo +35-49%).
Pergunta 3Critérios do metotrexato na ectópica
Resposta50 mg/m² IM dose única; estável, sem dor intensa, massa <3,5 cm, β-hCG <5.000 mUI/mL, sem batimento fetal, hepatorrenal normais, seguimento confiável. Sucesso ~88%; queda ≥15% entre o 4º e o 7º dia.
Pergunta 4Salpingostomia x salpingectomia
RespostaSalpingostomia preserva a trompa mas persiste trofoblasto em 7-14% (β-hCG semanal até negativo); salpingectomia é escolha na instabilidade, trompa danificada ou contralateral sadia.
Pergunta 5Torção anexial: pontos-chave
RespostaDor súbita unilateral + náuseas/vômitos (70-80%) + ovário aumentado no USG; Doppler normal NÃO exclui; laparoscopia = diagnóstico e terapia; destorção com preservação mesmo com ovário escuro (CO 783); malignidade <1-3% em adolescentes.
Pergunta 6Critérios mínimos de DIP (CDC 2021)
RespostaDor pélvica/anexial + dor à mobilização do colo ou dor uterina/anexial ao toque, sem outra causa. Diagnóstico empírico de baixo limiar pelas sequelas (infertilidade 10-15%, dor crônica, ectópica).
Pergunta 7Tratamento ambulatorial da DIP
RespostaCeftriaxona 500 mg IM dose única (1 g se ≥90 kg) + doxiciclina 100 mg VO 12/12h + metronidazol 500 mg VO 12/12h por 14 dias; reavaliar em 3 dias; tratar parceiros.
RespostaMassa >7-10 cm, sem resposta em 48-72 h de antibiótico IV ou deterioração; rotura com peritonite = cirurgia de urgência. Primeira linha é antibiótico IV.
RespostaGrave com anemia: estrogênio conjugado IV 25 mg 4-6/6h até 24 h; moderado: ACO 30-35 mcg 8/8h ou progestógeno (noretindrona 5 mg 8/8h); adjuvante: tranexâmico 10 mg/kg IV 8/8h; falha/cavidade patológica: curetagem histeroscópica; manutenção: DIU-LNG.
Pergunta 11Menorragia desde a menarca
RespostaInvestigar distúrbio hemorrágico, em especial doença de von Willebrand — é a pista clássica de coagulopatia no PALM-COEIN (o C).
Pergunta 12Sangramento pós-menopausa na urgência
RespostaNão é AUB aguda da reprodutiva: hiperplasia/carcinoma de endométrio até prova do contrário — estabilizar e encaminhar para histeroscopia/biópsia; NÃO iniciar estrogênio.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Committee Opinion No. 557: Management of Acute Abnormal Uterine Bleeding in Nonpregnant Reproductive-Aged Women. Obstet Gynecol. 2013 · DOI 10.1097/01.aog.0000428646.67925.9a | [2] Munro MG, Critchley HOD, Fraser IS; FIGO Menstrual Disorders Committee. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018;143(3):393-408 · DOI 10.1002/ijgo.12666 | [3] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy. Obstet Gynecol. 2018 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002560 | [4] Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187 · DOI 10.15585/mmwr.rr7004a1 | [5] American College of Obstetricians and Gynecologists' Committee on Adolescent Health Care. Committee Opinion No. 783: Adnexal Torsion in Adolescents. Obstet Gynecol. 2019 · DOI 10.1097/AOG.0000000000003373doi.org/10.1097/01.aog.0000428646.67925.9a
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