Decisão & RegulaçãoRevisão didática · Internato em Ginecologia e Obstetrícia08/10/2026
Puerpério: assistência na enfermaria e complicações — do parto à alta
Rotina de assistência à puérpera na enfermaria: involução uterina, loquiação, mamas, deambulação e alta segura. Conduta prática nas complicações que internam e matam: hemorragia puerperal, endometrite e sepse materna, mastite, trombose e transtornos mentais puerperais, com doses e critérios.
[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 183: Postpartum Hemorrhage. Obstet Gynecol. 2017 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002351 | [2] Shakur H, Roberts I, Fawole B, et al. Effect of early tranexamic acid administration on mortality, hysterectomy, and other morbidities in women with post-partum haemorrhage (WOMAN). Lancet. 2017;389(10084):2105-2116 · DOI 10.1016/S0140-6736(17)30638-4 | [3] Cox JL, Holden JM, Sagovsky R. Detection of postnatal depression. Development of the 10-item Edinburgh Postnatal Depression Scale. Br J Psychiatry. 1987;150:782-786 · DOI 10.1192/bjp.150.6.782 | [4] Mitchell KB, Fleming ASH; Academy of Breastfeeding Medicine. Academy of Breastfeeding Medicine Clinical Protocol #36: The Mastitis Spectrum, Revised 2022. Breastfeed Med. 2022;17(5):360-376 · DOI 10.1089/bfm.2022.29207.kbm | [5] Bonet M, Nogueira Pileggi V, Rijken MJ, et al. Towards a consensus definition of maternal sepsis: results of a systematic review and expert consultation. Reprod Health. 2017;14(1):89 · DOI 10.1186/s12978-017-0321-6 | [6] American College of Obstetricians and Gynecologists. Optimizing Postpartum Care. Obstet Gynecol. 2018 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002633 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002351
O puerpério é o período de 6 a 12 semanas que se segue ao parto, no qual o organismo materno reverte as adaptações da gestação É também a janela em que se concentram mortes maternas evitáveis — hemorragia, hipertensão e sepse —, com parte substancial dos óbitos ocorrendo após a alta hospitalar. Para o interno de enfermaria obstétrica, a missão tem dois lados: conduzir a assistência de rotina (involução uterina, loquiação, mamas, deambulação, analgesia, critérios de alta) e reconhecer cedo as complicações — hemorragia puerperal, endometrite, sepse, mastite, tromboembolismo e transtornos mentais — que transformam uma puérpera estável em emergência em poucas horas.
Definição de HPP
≥1000 mL
sangramento em 24 h, qualquer via de parto, ou perda menor com sinais de hipovolemia
Ácido tranexâmico
1 g IV
WOMAN: até 3 h do parto reduz morte por hemorragia (1,5% vs 1,9%)
Endometrite
clinda + genta
900 mg IV 8/8h + gentamicina diária, até 48 h afebril
EPDS
corte ≥13
rastreamento de depressão pós-parto na visita de 4 a 6 semanas
Involução
1 cm/dia
queda diária da altura do fundo uterino; sínfise por volta do 10º dia
Puerpério
42 dias
limite clássico; risco trombótico e hipertensivo persiste até 12 semanas
01Definição e fases do puerpério
Define-se puerpério como o período que vai do descolamento e expulsão da placenta até a completa regressão das modificações gravídicas. A divisão didática em três fases orienta a vigilância: puerpério imediato (primeiras 24 horas, maior risco de hemorragia), puerpério mediato (do segundo ao décimo dia) e puerpério tardio ou remoto (do 11º dia até 42 dias). O American College of Obstetricians and Gynecologists propõe tratar o pós-parto como a quarta fase da gestação, com contato nos primeiros 3 dias, visita inicial entre 7 e 14 dias e visita completa entre 4 e 6 semanas — em vez da consulta única aos 42 dias. O racional: a maioria das mortes tardias ocorre justamente entre a alta e a primeira consulta.
Fase
Período
Riscos prioritários
Imediato
0 a 24 h
Hemorragia primária, retenção placentária, hematoma de canal, efeitos de anestesia
02Assistência de rotina na enfermaria de puerpério
Primeiras 2 horas (custódia): sinais vitais e involução uterina a cada 15 minutos, palpação do fundo com massagem se hipotônico, vigilância do sangramento e do períneo (episiotomia e lacerações) — a maior parte das hemorragias primárias começa nesse intervalo.
Involução uterina: fundo uterino no nível do umbilico no dia do parto, caindo cerca de 1 cm por dia; afterpains são mais intensas em multíparas e na amamentação; sínfise púbica por volta do 10º dia.
Loquiação: rubra (sanguinolenta) nos primeiros 3 dias, serosa do 4º ao 10º dia e alba (branqueada) até 4 a 6 semanas; loquios fétidos, saturação de absorvente em menos de 1 hora ou sangue vivo recorrente são sinais de alarme para endometrite ou retenção de tecido.
Diurese pós-parto: diurese osmótica com volumes de 2 a 3 L/dia nas primeiras 48 a 72 horas; retenção urinária é comum após bloqueio e parto vaginal operatório, e a bexigoma desloca o útero — esvaziar a bexiga é o primeiro passo quando o fundo está alto.
Mamas: amamentação em livre demanda iniciando na primeira hora de vida; o colostro antecede a descida do leite (apojadura) entre o 2º e o 5º dia, com ingurgitamento fisiológico autolimitado; fissuras mamárias são a principal porta de entrada da mastite.
Deambulação e profilaxia: deambulação precoce no mesmo dia, meias de compressão elástica enquanto no leito e estratificação de risco de tromboembolismo; enoxaparina 40 mg SC ao dia (ponderal se peso <50 kg) para risco moderado a alto.
Analgesia e alta: dipirona 500 a 1000 mg VO 6/6h e ibuprofeno 600 mg VO 8/8h cobrem a maioria dos quadros, com opioide de resgate; a alta exige mãe estável e afebril, involução e sangramento adequados, amamentação iniciada, recém-nascido estável e rede de apoio — alta antes de 48 horas obriga a retorno programado em 48 a 72 horas.
03Epidemiologia das complicações puerperais
A hemorragia puerperal ocorre em cerca de 1 a 5% dos partos e é a principal causa isolada de morte materna no mundo; no Brasil ela disputa o topo da lista com hipertensão e infecção. A endometrite atinge 1 a 3% dos partos vaginais e 10 a 15% das cesáreas sem antibioticoprofilaxia, caindo para menos de 5% com profilaxia adequada; a sepse materna responde por 10 a 15% das mortes maternas. A depressão pós-parto afeta 10 a 15% das puérperas; o tromboembolismo venoso é 3 a 5 vezes mais frequente no puerpério do que na gestação, com risco máximo nas 6 primeiras semanas. Perda de sangue média: 500 mL no parto vaginal e 1.000 mL na cesárea.
04Fisiopatologia: hemostasia, involução e lactação
No sítio placentário, a hemostasia depende primeiro da contração miometrial: as fibras musculares entrecruzadas comprimem os vasos espirais arteriais (as chamadas ligaduras vivas de Pinard) e só depois agem coagulação e obliteração endovascular. A atonia uterina — a falha dessa compressão — explica 70 a 80% das hemorragias puerperais primárias, e é por isso que toda conduta começa com massagem e uterotônicos. A involução combina autólise e isquemia do miométrio, reduzindo o útero de cerca de 1.000 g no pós-parto imediato para 60 a 100 g em 6 semanas; a loquiação corresponde à descamação do sítio decidual. Na lactação, a queda abrupta da progesterona após o descolamento placentário libera o efeito da prolactina na síntese do leite, enquanto a sucção do mamilo dispara ocitocina, que simultaneamente contrai o útero e ejeta o leite; a base da amamentação precoce como prevenção de atonia e de ingurgitamento.
05Hemorragia puerperal: reconhecer e agir em escalada
Hemorragia puerperal primária é a perda de 1.000 mL ou mais em 24 horas, qualquer que seja a via de parto, ou qualquer sangramento acompanhado de taquicardia e queda de pressão [1]; secundária é a que ocorre entre 24 horas e 12 semanas, tipicamente por retenção de tecido ou endometrite. A causa se memoriza pelas quatro T: Tônus (atonia, 70 a 80% dos casos), Trauma (lacerações, hematoma, incisão de cesárea, rotura uterina), Tecido (placenta retida, acretismo placentário) e Trombina (coagulopatia por diluição ou consumo, inclusive em pré-eclâmpsia e abruptio placentae). O manejo corre em duas frentes simultâneas: reanimação (dois acessos calibrosos, cristaloide, ativação do protocolo de transfusão maciça, oxigenoterapia, aquecimento) e identificação da causa (palpação uterina, revisão do canal e da cavidade, exame de coagulograma, fibrinogênio e lactato).
Causa (T)
Frequência estimada
Primeira conduta específica
Tônus (atonia uterina)
70 a 80%
Massagem uterina, uterotônicos em sequência, tamponamento se refratária
Trauma
Cerca de 20%
Revisão de canal e cavidade, sutura de lacerações, drenagem de hematoma
Tecido (retenção, acretismo)
Cerca de 10%
Remoção manual ou curetagem dirigida; no acretismo, não curetagem às cegas — planejar equipe
Trombina (coagulopatia)
Cerca de 1%
Reposição de hemocomponentes e fibrinogênio, tratamento da causa da CID
Ocitocina: 20 a 40 U diluídas em 1 L de cristaloide em infusão contínua (ou 10 U IM/IV lenta) — primeira droga em toda hemorragia puerperal, sempre.
Metilergonovina: 0,2 mg IM a cada 2 a 4 horas, no máximo 5 doses; contraindicada em hipertensão, pré-eclâmpsia e doença vascular periférica.
Carboprost (PGF2alfa): 250 mcg IM a cada 15 a 90 minutos, no máximo 8 doses; contraindicado em asma, pois pode desencadear broncoespasmo.
Misoprostol: 800 mcg sublingual, alternativa efetiva e barata quando as demais não estão disponíveis.
Ácido tranexâmico: 1 g IV em 10 minutos, o mais cedo possível e até 3 horas após o parto, como adjuvante aos uterotônicos [2].
Se persistir: balão de tamponamento uterino (ou tamponamento com gazes), embolização das artérias uterinas e, como última medida, histerectomia; o momento da cirurgia é decisão do especialista; o interno garante reanimação, hemocomponentes e comunicação.
06Endometrite, sepse materna e antibioticoterapia
Endometrite puerperal é a infecção de endométrio e miométrio, quase sempre por flora mixta (anaeróbios, enterobactérias, estreptococos dos grupos A e B, clamídia em quadros tardios). O diagnóstico é clínico: febre de 38 °C ou mais nas primeiras 24 a 96 horas pós-parto, dor uterina e loquiação fétida ou turbia; leucocitose de 15 a 20 mil/mm3 é fisiológica no puerpério e não serve como critério isolado. Sepse materna é a disfunção orgânica por resposta desregulada à infecção na gestação e no puerpério; o consenso internacional (GLOSS, definição adaptada da Sepsis-3) estabeleceu critérios próprios; a operação prática é: toda puérpera com febre e taquicardia desproporcional, hipotensão, confusão ou saturação em queda é tratada como sepse — hemoculturas e antibioticoterapia de amplo espectro em até 1 hora, cristaloide 30 mL/kg em até 3 horas e dosagem de lactato, com envolvimento obstétrico e da terapia intensiva precoce [5].
Endometrite, esquema clássico: clindamicina 900 mg IV 8/8h associada à gentamicina (5 mg/kg por dia em dose única diária, ou 1,5 mg/kg 8/8h), mantida até 48 horas afebril e clinicamente melhor; metronidazol não é necessário, pois a clindamicina já cobre anaeróbios.
Alternativas: cefotetana ou cefoxitina 2 g IV 12/12h; em quadros graves, piperacilina-tazobactam 4,5 g IV 6/6h cobre o espectro sozinha.
Forma leve pós-parto vaginal com boa tolerância oral: amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO 12/12h é opção de início ou de descalçamento.
Sepse materna: piperacilina-tazobactam 4,5 g IV 6/6h (ou cefepima 2 g IV 8/8h mais metronidazol 500 mg IV 8/8h), ajuste por foco e culturas; se a febre persistir apesar de antibioticoterapia adequada, pense em retenção de tecido (ultrassonografia), abscesso pélvico, tromboflebite séptica pélvica (dor anexial e massa — anticoagulação em dose plena) e endocardite.
07Mamas: ingurgitamento, mastite e abscesso
A mastite é um espectro, não uma doença única. O protocolo 2022 da Academy of Breastfeeding Medicine descreve a progressão: estreitamento ductal e inflamação inicial (ingurgitamento), mastite inflamatória (dor, calor, eritema em placa lobular, febre baixa) e mastite bacteriana (febre de 38,5 °C ou mais, sintomas sistêmicos, cultura positiva, em geral por Staphylococcus aureus) [4]. A amamentação deve ser MANTIDA — o esvaziamento da mama é parte do tratamento, não a causa da piora — somada a compressas, anti-inflamatório (ibuprofeno 600 mg 8/8h) e suporte. Antibiótico está indicado com sintomas sistêmicos, piora após 12 a 24 horas de medidas de esvaziamento ou cultura positiva: dicloxacilina 500 mg VO 6/6h ou cefalexina 500 mg VO 6/6h por 7 dias; clindamicina 300 mg VO 8/8h quando se suspeita de MRSA (celulite rápida, abscesso, exposição hospitalar). Abscesso mamário — massa flutuante com coleção no ultrassom — exige drenagem por punção com agulha guiada por ultrassonografia, sem interromper a amamentação da mama sadia.
08Saúde mental: blues, depressão e psicose puerperal
Baby blues atinge 30 a 80% das puérperas: labilidade, choro fácil e insônia entre o 3º e o 5º dia, autolimitados em até 2 semanas e sem prejuízo funcional. Depressão pós-parto afeta 10 a 15% e se define quando os sintomas (anedonia, culpa, falta de vínculo, prejuízo de função) persistem além de 2 semanas; o rastreamento usa a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), 10 itens de 0 a 3 pontos, com corte habitual de 13 — sensibilidade na faixa de 80% e especificidade de 76 a 90% —, aplicada idealmente na visita de 4 a 6 semanas [3] [6]. Todo rastreamento positivo pergunta ideação suicida e pensamentos dirigidos ao bebê. Psicose puerperal é emergência psiquiátrica (1 a 2 por 1.000 nascimentos): confusão, alucinações, delírios e risco de agressão ao bebê ou autoproteção — exige hospitalização imediata; ideação suicida ou infanticida e sintomas psicóticos são indicações de internação [3].
09Trombose, hipertensão e complicações tardias
Tromboembolismo venoso: risco máximo nas 6 primeiras semanas; alarme: dor e edema unilateral de membro, dispneia súbita e dor torácica; a profilaxia com enoxaparina 40 mg SC ao dia segue estratificação (cesárea de urgência, obesidade, imobilização, TEV prévio) e, quando indicada, se estende por 6 a 12 semanas.
Hipertensão pós-parto: pré-eclâmpsia pode se instalar ou agravar DEPOIS do parto, tipicamente entre o 3º e o 6º dia; cefaleia, escotomas e dor epigástrica na puérpera são pré-eclâmpsia até prova do contrário — manter anti-hipertensivos e sulfato de magnésio quando grave, com vigilância de pressão em toda visita tardia.
Hemorragia secundária (após 24 h): retenção de tecido, endometrite e, raramente, degeneração de cicatriz uterina; β-hCG e ultrassonografia orientam curetagem dirigida ou antibioticoterapia.
Tireoidite pós-parto: tirotoxicose transitória (1 a 3 meses) seguida de fase hipotireóidea (3 a 6 meses) em 4 a 10% das mulheres, com anticorpos antitireoperoxidase positivos; acompanhar TSH por 6 a 12 meses.
Assoalho pélvico e regulação menstrual: a menstruação volta em 6 a 8 semanas em não lactantes e a ovulação pode anteceder a primeira menstruação — a contracepção é discutida ainda na enfermaria (progestógeno isolado ou DIU compatíveis com amamentação).
P
Puérpera de 2 dias, cesárea, taquicardia de 118 bpm, fundo uterino acima do umbilico e mole, saturando absorvente a cada 30 minutos. Qual a conduta inicial?
V
Hemorragia por atonia: massagem uterina, esvaziar a bexiga, ocitocina 20-40 U em 1 L de cristaloide em bomba, dois acessos calibrosos, revisão de canal e cavidade por trauma e tecido; se persistir, metilergonovina 0,2 mg IM, carboprost 250 mcg IM, tranexâmico 1 g IV e comunicação imediata do especialista para tamponamento.
P
A mesma paciente, no 3º dia, apresenta febre de 38,8 °C, útero doloroso e loquios fétidos.
V
Endometrite: clindamicina 900 mg IV 8/8h mais gentamicina (5 mg/kg/dia em dose única ou 1,5 mg/kg 8/8h), hemoculturas, manter até 48 h afebril; se a febre persistir, ultrassonografia para coleção ou tecido retido e pensar em tromboflebite séptica pélvica.
P
Puérpera amamentando com placa eritematosa dolorosa em mama direita e febre de 38,5 °C há 1 dia.
V
Mastite bacteriana: manter amamentação e esvaziamento, ibuprofeno 600 mg 8/8h e dicloxacilina 500 mg VO 6/6h (ou cefalexina 500 mg 6/6h) por 7 dias; se aparecer massa flutuante no ultrassom, é abscesso — drenar por punção guiada, sem suspender a amamentação da mama sadia.
P
Visita pós-parto: puérpera chorosa e triste desde o nascimento (5º dia), dorme quando o bebê dorme e nega ideação de morte.
V
Quadro compatível com baby blues (até 2 semanas, sem prejuízo funcional): apoio, higiene do sono e retorno em 7 a 10 dias com aplicação da EPDS; sintomas além de 2 semanas com anedonia configuram depressão pós-parto e exigem tratamento [3].
P
Puérpera de 5 dias em casa, com cefaleia intensa, escotomas e pressão arterial de 160/110 mmHg.
V
Pré-eclâmpsia pós-parto: emergência — sulfato de magnésio, anti-hipertensivo (hidralazina 5 mg IV ou nifedipino 10 mg VO) e internação; hipertensão entre o 3º e o 6º dia pós-parto é pré-eclâmpsia até prova do contrário.
10Referências
[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 183: Postpartum Hemorrhage. Obstetrics and Gynecology. 2017. DOI 10.1097/AOG.0000000000002351.
[2] Shakur H, Roberts I, Fawole B, et al. Effect of early tranexamic acid administration on mortality, hysterectomy, and other morbidities in women with post-partum haemorrhage (WOMAN): an international, randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Lancet. 2017;389(10084):2105-2116. DOI 10.1016/S0140-6736(17)30638-4.
[3] Cox JL, Holden JM, Sagovsky R. Detection of postnatal depression. Development of the 10-item Edinburgh Postnatal Depression Scale. British Journal of Psychiatry. 1987;150:782-786. DOI 10.1192/bjp.150.6.782.
[4] Mitchell KB, Fleming ASH; Academy of Breastfeeding Medicine. Academy of Breastfeeding Medicine Clinical Protocol #36: The Mastitis Spectrum, Revised 2022. Breastfeeding Medicine. 2022;17(5):360-376. DOI 10.1089/bfm.2022.29207.kbm.
[5] Bonet M, Nogueira Pileggi V, Rijken MJ, et al. Towards a consensus definition of maternal sepsis: results of a systematic review and expert consultation. Reproductive Health. 2017;14(1):89. DOI 10.1186/s12978-017-0321-6.
[6] American College of Obstetricians and Gynecologists. Optimizing Postpartum Care. Obstetrics and Gynecology. 2018. DOI 10.1097/AOG.0000000000002633.
Teste-se
10 questões comentadas
1.Qual definição atual de hemorragia puerperal primária é adotada pelo ACOG?
2.No ensaio WOMAN, o ácido tranexâmico reduzido a 1 g IV no pós-parto mostrou qual resultado?
3.Sequência correta de uterotônicos na atonia refratária à ocitocina:
4.Puérpera com febre de 38,7 °C no 3º dia, útero doloroso e loquios fétidos. Esquema de primeira linha:
5.Por que a leucocitose NÃO ajuda a diagnosticar endometrite puerperal?
6.Sobre a mastite no espectro do protocolo ABM 2022, qual conduta está correta?
7.Qual a conduta diante de placa de ingurgitamento sem febre, e quando antibiótico está indicado?
8.Sobre a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS):
9.Puérpera de 4 dias com cefaleia intensa, escotomas e PA 165/112 mmHg. O diagnóstico mais provável e a conduta:
10.Sobre a profilaxia de tromboembolismo no puerpério, qual afirmativa é correta?
RespostaImediato: 0-24 h (maior risco de hemorragia). Mediato: 2º ao 10º dia (endometrite, mastite, trombose). Tardio: 11º ao 42º dia (depressão, hemorragia secundária, mortalidade tardia). ACOG: contato em 3 dias, visita 7-14 dias e 4-6 semanas.
Pergunta 2Involução uterina normal
RespostaFundo no umbilico no dia do parto, queda de ~1 cm/dia, inpalpável a nível da sínfise por volta do 10º dia; peso cai de ~1000 g para 60-100 g em 6 semanas. Afterpains maiores em multíparas e na amamentação.
Pergunta 3Loquiação normal
RespostaRubra (1º-3º dia), serosa (4º-10º dia), alba (até 4-6 semanas). Alarme: fétido, saturação de absorvente em <1 h, sangue vivo recorrente — endometrite ou retenção de tecido.
Pergunta 4Definição de hemorragia puerperal (ACOG)
RespostaSangramento ≥1000 mL em 24 h, qualquer via de parto, OU qualquer perda com taquicardia e hipotensão. Primária até 24 h; secundária entre 24 h e 12 semanas.
RespostaOcitocina 20-40 U em 1 L de cristaloide; metilergonovina 0,2 mg IM (contra: hipertensão/pré-eclâmpsia); carboprost 250 mcg IM a cada 15-90 min, máx 8 doses (contra: asma); misoprostol 800 mcg SL; tranexâmico 1 g IV até 3 h (WOMAN).
Pergunta 7Achado do ensaio WOMAN
RespostaTranexâmico 1 g IV até 3 h do parto reduziu morte por hemorragia de 1,9% para 1,5% (~20% de redução relativa), sem excesso de trombose; benefício nulo após 3 h. É adjuvante, não substitui uterotônico.
Pergunta 8Endometrite puerperal: diagnóstico e tratamento
RespostaFebre ≥38 °C em 24-96 h + dor uterina + loquios fétidos; leucocitose é fisiológica (15-20 mil/mm3). Tratamento: clindamicina 900 mg IV 8/8h + gentamicina (5 mg/kg/dia ou 1,5 mg/kg 8/8h) até 48 h afebril.
Pergunta 9Espectro da mastite (ABM 2022)
RespostaEstreitamento ductal/inflamação → mastite inflamatória → mastite bacteriana (febre ≥38,5 °C, S. aureus). NÃO suspender amamentação; dicloxacilina 500 mg VO 6/6h ou cefalexina 500 mg 6/6h por 7 dias; clindamicina 300 mg 8/8h se suspeita de MRSA.
Pergunta 10Abscesso mamário
RespostaMassa flutuante com coleção no ultrassom. Tratamento: drenagem preferencialmente por punção com agulha guiada por ultrassonografia, repetida se necessário; amamentação da mama sadia mantida.
Pergunta 11EPDS
RespostaEscala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (Cox, 1987): 10 itens de 0 a 3, corte habitual ≥13, sensibilidade ~80%; aplicar na visita de 4-6 semanas e perguntar ideação suicida em todo rastreamento positivo.
Pergunta 12Baby blues x depressão x psicose puerperal
RespostaBlues: 30-80%, 3º-5º dia, autolimitado até 2 semanas. Depressão: 10-15%, sintomas >2 semanas com prejuízo. Psicose: 1-2/1000, confusão, delírios, risco ao bebê — emergência com internação.
Referencial teórico
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Referência base[1] American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 183: Postpartum Hemorrhage. Obstet Gynecol. 2017 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002351 | [2] Shakur H, Roberts I, Fawole B, et al. Effect of early tranexamic acid administration on mortality, hysterectomy, and other morbidities in women with post-partum haemorrhage (WOMAN). Lancet. 2017;389(10084):2105-2116 · DOI 10.1016/S0140-6736(17)30638-4 | [3] Cox JL, Holden JM, Sagovsky R. Detection of postnatal depression. Development of the 10-item Edinburgh Postnatal Depression Scale. Br J Psychiatry. 1987;150:782-786 · DOI 10.1192/bjp.150.6.782 | [4] Mitchell KB, Fleming ASH; Academy of Breastfeeding Medicine. Academy of Breastfeeding Medicine Clinical Protocol #36: The Mastitis Spectrum, Revised 2022. Breastfeed Med. 2022;17(5):360-376 · DOI 10.1089/bfm.2022.29207.kbm | [5] Bonet M, Nogueira Pileggi V, Rijken MJ, et al. Towards a consensus definition of maternal sepsis: results of a systematic review and expert consultation. Reprod Health. 2017;14(1):89 · DOI 10.1186/s12978-017-0321-6 | [6] American College of Obstetricians and Gynecologists. Optimizing Postpartum Care. Obstet Gynecol. 2018 · DOI 10.1097/AOG.0000000000002633doi.org/10.1097/AOG.0000000000002351
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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