RespiratóriaRevisão didática · Sintoma-chave na enfermaria08/10/2026
Dispneia no paciente internado: da gravidade imediata ao diagnóstico diferencial
Como avaliar a dispneia do paciente hospitalizado: definição e mecanismos pela ATS, diferenciais cardíacos, pulmonares, metabólicos e iatrogênicos, achados físicos com razões de verossimilhança, uso racional de BNP, D-dímero, radiografia e angiotomografia, doses do tratamento por causa e critérios objetivos de escalonamento para a UTI.
[1] Parshall MB, Schwartzstein RM, Adams L, et al. An Official American Thoracic Society Statement: Update on the Mechanisms, Assessment, and Management of Dyspnea. Am J Respir Crit Care Med. 2012;185(4):435-452 · DOI 10.1164/rccm.201111-2042ST | [2] Berliner D, Schneider N, Welte T, Bauersachs J. The Differential Diagnosis of Dyspnea. Dtsch Arztebl Int. 2016;113(49):834-845 · DOI 10.3238/arztebl.2016.0834 | [3] Rohde LE, Montera MV, Bocchi EA, et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol. 2018;111(3):436-539 · DOI 10.5935/abc.20180190 | [4] Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, et al. Does This Dyspneic Patient in the Emergency Department Have Congestive Heart Failure? JAMA. 2005;294(15):1944-1956 · DOI 10.1001/jama.294.15.1944 | [5] Stein PD, Fowler SE, Goodman LR, et al. Multidetector Computed Tomography for Acute Pulmonary Embolism (PIOPED II). N Engl J Med. 2006;354(22):2317-2327 · DOI 10.1056/NEJMoa052367 | [6] O'Driscoll BR, Howard LS, Earis J, et al. BTS Guideline for Oxygen Use in Adults in Healthcare and Emergency Settings. Thorax. 2017;72(Suppl 1):ii1-ii90 · DOI 10.1136/thoraxjnl-2016-209729 | [7] Gajic O, Rana R, Winters JL, et al. Transfusion-Related Acute Lung Injury in the Critically Ill: A Prospective Nested Case-Control Study. Am J Respir Crit Care Med. 2007;176(9):886-891 · DOI 10.1164/rccm.200702-271OC | [8] Leuppi JD, Schuetz P, Bingisser R, et al. Short-term vs Conventional Glucocorticoid Therapy in Acute Exacerbations of Chronic Obstructive Pulmonary Disease: The REDUCE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2013;309(21):2223-2231 · DOI 10.1001/jama.2013.5023 · DOI 10.3238/arztebl.2016.0834
Dispneia é um dos motivos mais frequentes de ida ao pronto-socorro e de chamado de emergência na enfermaria, e nas causas agudas coração e pulmão dominam: insuficiência cardíaca descompensada, DPOC e asma descompensadas, pneumonia e tromboembolismo pulmonar cobrem a grande maioria dos casos [2]. O quadro muda de escala no paciente internado: dispneia nova ou em piora é deterioração até prova em contrário, e a sobrevida depende do tempo entre o sintoma e a conduta — a IC descompensada, causa mais comum de internação cardiovascular no Brasil, tem mortalidade intra-hospitalar descrita em torno de 10 a 12% nos registros brasileiros [3]. Este artigo organiza a rota completa do interno: reconhecer gravidade em minutos, discriminar causas com achados de valor comprovado, pedir exames na ordem certa, tratar com doses e decidir quando escalar.
S3
LR+ 11
terceira bulha: o achado físico de maior peso para IC descompensada [4]
BNP
<100 pg/mL
praticamente exclui IC aguda na dispneia (LR− ≈ 0,1) [3]
SpO2 alvo
88-92%
em risco de hipercapnia (DPOC); 92-96% na maioria dos demais [6]
Mortalidade
~10-12%
intra-hospitalar da IC descompensada em registros brasileiros [3]
Angio-TC
83% / 96%
sensibilidade e especificidade para TEP central/segmentar (PIOPED II) [5]
DPOC
40 mg × 5 d
prednisona diária na exacerbação (REDUCE: 5 dias = 14 dias) [8]
01Definição e mecanismo: o que o cérebro percebe como falta de ar
A definição oficial da American Thoracic Society: dispneia é uma experiência subjetiva de desconforto respiratório composta por sensações qualitativamente distintas, que varia em intensidade [1]. Três consequências práticas saem dessa definição. Primeira: dispneia é sintoma, não sinal — SpO2 normal não exclui dispneia grave, e hipoxemia grave pode coexistir com paciente confortável. Segunda: o mecanismo central é a dissociação neuromecânica, o descompasso entre o comando central da ventilação e a resposta mecânica obtida, que explica por que o paciente com DPOC hiperinsuflado sente falta de ar mesmo com gases aceitáveis [1]. Terceira: os aferentes são múltiplos, e cada doença ativa um conjunto diferente — o que dá pistas clínicas à anamnese.
Quimiorreceptores centrais e periféricos: respondem a hipoxemia, hipercapnia e acidose metabólica (daí a dispneia da cetoacidose, da uremia e da sepse).
Mecanorreceptores pulmonares: receptores de estiramento, receptores de irritação e fibras C próximas aos capilares — ativados por congestão, edema intersticial e inflamação (a base da dispneia da IC e da pneumonia).
Órgãos tendinosos e fusos musculares dos músculos respiratórios: sinalizam o esforço exigido pela ventilação (falta de ar do descondicionamento e da hiperinsuflação).
Parede torácica e vias aéreas superiores: contribuem para a sensação de trabalho respiratório e de obstrução.
02Classificação por sistema: o mapa dos diferenciais
Exacerbação de DPOC/asma, pneumonia, TEP, pneumotórax, derrame pleural, atelectasia, exacerbação de doença intersticial
Sibilos, febre com tosse produtiva, dor pleurítica, murmurio abolido, desvio de traqueia
Metabólica e anêmica
Acidose metabólica (cetoacidose, uremia, sepse), anemia grave, tireotoxicose, febre alta
Padrão de hiperventilação compensatória, palidez, taquicardia, gases com acidose e SpO2 normal
Neuromuscular e iatrogênica
Miastenia grave, Síndrome de Guillain-Barré, opioides e sedativos, paresia diafragmática pós-operatória
Dispneia pior deitado, fala fraca, expansão torácica reduzida, respiração lenta em sedados
Outras
Ansiedade/ataque de pânico, obesidade, descondicionamento, dor incisional, ascite compressiva
Padrão suspiroso, piora com estresse, exames e SpO2 normais; diagnóstico de exclusão na enfermaria
03Dispneia nova na enfermaria: deterioração até prova em contrário
O paciente que estava estável e passa a ter dispneia deve ser visto imediatamente: a dispneia é um dos gatilhos mais comuns de chamados de emergência e de deterioração reconhecida tardiamente. Além dos diferenciais clássicos, o internado carrega causas hospitalares específicas que precisam entrar na lista desde o primeiro minuto — muitas delas iatrogênicas e, portanto, reversíveis se reconhecidas cedo.
Sobrecarga volêmica iatrogênica: reposição hídrica generosa, hemoderivados e diurese suspensa; no pós-transfusional, lembrar de TACO (sobrecarga circulatória, horas a dias) e TRALI (hipoxemia aguda dentro de 6 h da transfusão com imagem bilateral).
TEP em paciente imobilizado, pós-operatório ou com cateter central, sobretudo sem profilaxia adequada.
Pneumotórax após punção de veia central, toracocentese ou ventilação com pressão positiva.
Hipoventilação por opioides e sedativos: respiração lenta, mióse, pCO2 elevado na gasometria.
Pneumonia associada à assistência à saúde e aspiração, sobretudo com disfagia, delirium ou sonda nasoenteral.
Atelectasia e derrame pós-operatórios, com dor incisional limitando a inspiração profunda.
Arritmia nova (fibrilação atrial rápida) e isquemia silenciosa no pós-operatório, especialmente em cardiópatas.
04Os primeiros 10 minutos: o protocolo de entrada
Cheque sinais de gravidade antes de tudo: fala em palavras (não em frases), uso de musculatura acessória, cianose, sudorese fria, confusão — qualquer um deles aciona a equipe e a preparação para escalonamento.
Sinais vitais completos com SpO2 em ar ambiente ANTES de iniciar oxigênio, e a resposta do paciente ao O2 titulado.
Oxigênio titulado ao alvo: 92-96% na maioria dos pacientes; 88-92% em risco de hipercapnia (DPOC, apneia obesidade) [6].
Posição sentada, acesso venoso calibroso e monitorização contínua de ritmo e oximetria.
ECG em minutos se qualquer suspeita cardíaca: isquemia, arritmia, sobrecarga de ventrículo direito.
Gasometria arterial se suspeita de hipercapnia, acidose ou piora progressiva — ela separa hipoxemia de hipercapnia e mede o pH.
Não sede a agitação da dispneia antes de tratá-la: agitação respiratória é sinal de gravidade, não diagnóstico psiquiátrico.
05Anamnese e exame físico que discriminam
O tempo de instalação é o discriminador mais barato: dispneia em segundos a minutos aponta TEP, pneumotórax ou aspiração; em horas, IC aguda, asma/DPOC e pneumonia; em dias a semanas, anemia, doença intersticial, derrame pleural e efusão crônica. Posição e horário também informam: piora deitado e à noite (ortopneia, dispneia paroxística noturna) aponta coração; dor pleurítica unilateral aponta pleura (TEP, pneumonia, pneumotórax); tosse noturna com sibilos aponta asma. No exame físico, alguns achados valem mais que os outros — a revisão da JAMA sobre o paciente dispneico quantificou esse valor [4].
Achado no paciente dispneico
LR para IC descompensada
Leitura prática
Terceira bulha (S3)
LR+ ≈ 11
Praticamente fecha o diagnóstico de IC descompensada
Torna a IC menos provável; aponta para via aérea (asma/DPOC)
Nenhum achado isolado fecha o diagnóstico: a combinação e o pré-teste decidem [4]. O interno deve procurar sistematicamente os sinais que mudam conduta: S3, jugular distendida, estertores, derrame (murmurio abolido), simetria da expansão, traqueia centrada, sibilos, temperatura, saturação em ar ambiente e os sinais de TEP (taquicardia, desproporção entre sintoma e exame, edema assimétrico de membro). A regra clássica também vale: paciente que parece bem com SpO2 ruim merece suspeita de causa metabólica ou anêmica; paciente que parece mal com SpO2 aceitável merece gasometria para hipercapnia e acidose.
06Exames complementares em sequência racional
Oximetria contínua em todos; gasometria arterial quando houver suspeita de hipercapnia, acidose ou piora progressiva: separa hipoxemia de hipercapnia, mede o pH e o gradiente alvéolo-arterial (alargado em doença de parênquima e TEP; normal aponta causa extrapulmonar).
ECG em minutos: isquemia, arritmia, sobrecarga de ventrículo direito (padrão S1Q3T3, bloqueio de ramo direito novo), pericardite.
Radiografia de tórax: congestão, consolidação, pneumotórax, derrame, cardiomegalia — sempre comparando com as anteriores do próprio paciente.
BNP/NT-proBNP quando IC entra no diferencial: na dispneia aguda, BNP abaixo de 100 pg/mL torna a IC improvável (LR− ≈ 0,1), e NT-proBNP abaixo de 300 pg/mL tem função equivalente [3]. Valores altos não confirmam sozinhos: idade, TEP, sepse e disfunção renal também elevam.
D-dímero apenas quando o pré-teste de TEP é baixo e a imagem ainda não está indicada; acima de 50 anos, ajustar o corte pela idade (idade × 10 µg/L).
Laboratório geral conforme o quadro: hemograma (anemia, infecção), eletrólitos, função renal, glicose e cetonas (cetoacidose), TSH quando sugerido, lactato na suspeita de hipoperfusão.
POCUS à beira do leito: linhas B (congestão intersticial), derrame, consolidação, ausência de deslizamento pleural (pneumotórax), função do ventrículo direito — resolve a dúvida coração contra pulmão em minutos.
Angiotomografia de tórax quando TEP está indicado: no PIOPED II, sensibilidade de 83% e especificidade de 96% para embolia central e segmentar; combinada com probabilidade clínica, exclui ou confirma na maioria dos casos [5]. Cintilografia V/Q quando o contraste é contraindicado.
07TEP: o diferencial que não pode faltar
Nenhum paciente internado com dispneia nova deve sair da cabeça do interno sem que o TEP tenha sido pensado — e o caminho racional de exclusão começa no escore de Wells para TEP, que atribui: sinais clínicos de TVP 3 pontos; TEP como diagnóstico mais provável 3; frequência cardíaca acima de 100 bpm 1,5; imobilização de mais de 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas 1,5; TVP ou TEP prévio 1,5; hemoptise 1; neoplasia ativa 1. Na versão de dois níveis, pontuação de 4 ou menos torna o TEP pouco provável: D-dímero negativo (ajustado pela idade) encerra a investigação, e positivo leva à angiotomografia. Acima de 4, o caminho direto é a imagem [5]. Na versão de três níveis: baixo 0-1, moderado 2-6 e alto ≥7. Paciente instável com suspeita de TEP não sai da ala para fazer exame: ecografia à beira do leito (dilatação do ventrículo direito, derrame) e anticoagulação empírica imediata enquanto a imagem é viabilizada.
08Tratamento por causa: doses e alvos
Causa
Conduta e doses habituais
Alvos e ressalvas
IC aguda descompensada
Posição sentada; O2 se SpO2 <90%; furosemida IV 20-40 mg em paciente sem uso prévio ou pelo menos o dobro da dose domiciliar em uso crônico; nitroglicerina IV 10-20 mcg/min titulada se PAS >110 mmHg; CPAP no edema agudo com desconforto importante
Alvos: diurese, perda de peso, SpO2; checar eletrólitos e creatinina em 12-24 h; inotrópico reservado à hipoperfusão com débito baixo documentado [3]
Exacerbação de DPOC
Salbutamol 100 mcg em 4-10 jatos ou 2,5-5 mg em nebulização a cada 20 min na 1ª hora; ipatrópio 500 mcg; prednisona 40 mg/dia por 5 dias [8]; antibiótico se aumento de purulência e volume do escarro; NIV se pH <7,35 com pCO2 >45 mmHg
Alvo de SpO2 88-92%; monitorar gases após NIV; não hiperinsuflar com oxigênio livre [6]
Asma aguda
Salbutamol em nebulização 2,5-5 mg a cada 20 min na 1ª hora; prednisona 40-50 mg/dia ou metilprednisolona IV 40-125 mg se grave; ipatrópio em crise grave; sulfato de magnésio 2 g IV em 20 min se sem resposta
Tórax silencioso, fala em palavras e SpO2 <92% são critérios de UTI; medir pico de fluxo se possível
Pneumonia
Antibiótico na 1ª hora do reconhecimento, conforme cenário (comunitária, nosocomial, aspiração); cristaloide se hipotensão; oxigênio titulado ao alvo
Reavaliar em 48-72 h: falha pede revisão do germe, busca de coleção e reabertura do diferencial (TEP, neoplasia)
TEP
Anticoagulação imediata: enoxaparina 1 mg/kg SC 12/12 h, ou heparina não fracionada em infusão (80 U/kg em bolus, 18 U/kg/h) se instabilidade, obesidade extrema ou insuficiência renal grave; trombólise com alteplase 100 mg em 2 h no TEP maciço com choque
Checar contraindicações à anticoagulação; monitorar plaquetas (TIH) e anticoagulantes diretos conforme protocolo institucional [5]
Pneumotórax
Drenagem se sintomático, grande ou sob pressão positiva; agulha e dreno imediatos no pneumotórax hipertensivo, antes de qualquer imagem
Radiografia em decúbito subestima tamanho; US ajuda no diagnóstico à beira do leito
Anemia e metabólicas
Transfusão se Hb <7 g/dL no paciente estável (limiar 8 g/dL na cardiopatia isquêmica); tratar a causa: cetoacidose com hidratação e insulina, uremia e tireotoxicose conforme o caso
Dispneia anêmica é de esforço; transfusão guiada por limiar e sintoma, não por valor isolado
Dispneia refratária/paliativa
Morfina 2,5-5 mg VO ou SC em doses de resgate; ar frio no rosto (ventilador); reeducação respiratória e posicionamento
Opioides em dose baixa aliviam dispneia sem deprimir a respiração; monitorar sedação e constipação
09Escalonamento: quando chamar a UTI
SpO2 abaixo de 88-90% apesar de oxigênio em máscara com reservatório, ou impossibilidade de manter o alvo com o dispositivo disponível.
Frequência respiratória acima de 30/min ou fadiga dos músculos respiratórios (respiração paradoxal do abdome, sudorese, taquicardia crescente).
Confusão nova, agitação exaustiva ou sonolência com gases piorando (hipercapnia e acidose respiratória).
pH abaixo de 7,25 ou pCO2 subindo em gasometria seriada.
NIV sem resposta clínica e gasométrica em 1-2 h de uso bem tolerado.
Choque associado (PAM <65 mmHg) ou parada respiratória iminente.
Chame antecipado: intubação eletiva de dia com equipe inteira é mais segura que intubação de emergência às 3 h da manhã — reconhecer a curva de piora é competência central do interno.
P
Mulher de 70 anos, 3º dia de internação por IC, chama pela noite com falta de ar. Sequência?
V
Checar gravidade (fala, musculatura acessória, SpO2 em ar ambiente), sentar, oxigênio titulado, ECG e revisar as últimas 24 h (volume infundido, diurese suspensa, FA nova). Diferenciais imediatos: recompensação, arritmia, TEP (imobilização) e pneumonia aspirativa noturna. POCUS, radiografia e BNP dirigem a conduta.
P
Homem de 65 anos com DPOC, SpO2 de 84% e taquipneia. Qual o alvo de oxigênio?
V
88-92%: oxigênio titulado (cateter 1-2 L/min ou máscara de Venturi 24-28%), gasometria para pCO2 e pH; se pH <7,35 com pCO2 >45, iniciar NIV. Hipoxemia não é licença para hiperóxia em risco de hipercapnia.
P
Paciente no 4º dia pós-operatório de quadril com dispneia súbita, FC 112 bpm e SpO2 89%. Conduta?
V
Pré-teste de TEP alto (Wells >4: imobilização recente, FC >100, cirurgia nas últimas 4 semanas): direto à angiotomografia, sem D-dímero. Se instável, eco à beira do leito e anticoagulação empírica imediata enquanto a imagem é viabilizada [5].
P
Quando um BNP alto NÃO é insuficiência cardíaca?
V
Idade avançada, disfunção renal, sepse, TEP, hipertensão pulmonar e fibrilação atrial elevam o BNP sem que a IC seja a causa da dispneia; o valor tem muito mais força para excluir (BNP <100 pg/mL) do que para confirmar [3].
P
Dispneia com gasometria, radiografia e ECG normais, padrão suspiroso e piora com estresse. Diagnóstico?
V
Dispneia funcional/ansiedade é diagnóstico de exclusão: antes, afastar anemia, acidose (gases), TEP com pré-teste baixo e D-dímero ajustado pela idade, e tireotoxicose. Depois, reeducação respiratória e acompanhamento.
10Pontos de prova e erros comuns
11Referências
[1] Parshall MB, Schwartzstein RM, Adams L, et al. An Official American Thoracic Society Statement: Update on the Mechanisms, Assessment, and Management of Dyspnea. Am J Respir Crit Care Med. 2012;185(4):435-452. DOI 10.1164/rccm.201111-2042ST
[2] Berliner D, Schneider N, Welte T, Bauersachs J. The Differential Diagnosis of Dyspnea. Dtsch Arztebl Int. 2016;113(49):834-845. DOI 10.3238/arztebl.2016.0834
[3] Rohde LE, Montera MV, Bocchi EA, et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol. 2018;111(3):436-539. DOI 10.5935/abc.20180190
[4] Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, et al. Does This Dyspneic Patient in the Emergency Department Have Congestive Heart Failure? JAMA. 2005;294(15):1944-1956. DOI 10.1001/jama.294.15.1944
[5] Stein PD, Fowler SE, Goodman LR, et al. Multidetector Computed Tomography for Acute Pulmonary Embolism (PIOPED II). N Engl J Med. 2006;354(22):2317-2327. DOI 10.1056/NEJMoa052367
[6] O'Driscoll BR, Howard LS, Earis J, et al. BTS Guideline for Oxygen Use in Adults in Healthcare and Emergency Settings. Thorax. 2017;72(Suppl 1):ii1-ii90. DOI 10.1136/thoraxjnl-2016-209729
[7] Gajic O, Rana R, Winters JL, et al. Transfusion-Related Acute Lung Injury in the Critically Ill: A Prospective Nested Case-Control Study. Am J Respir Crit Care Med. 2007;176(9):886-891. DOI 10.1164/rccm.200702-271OC
[8] Leuppi JD, Schuetz P, Bingisser R, et al. Short-term vs Conventional Glucocorticoid Therapy in Acute Exacerbations of Chronic Obstructive Pulmonary Disease: The REDUCE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2013;309(21):2223-2231. DOI 10.1001/jama.2013.5023
Teste-se
10 questões comentadas
1.Segundo a definição oficial da American Thoracic Society, dispneia é:
2.Qual achado físico tem a maior razão de verossimilhança positiva para IC descompensada no paciente dispneico?
3.Na dispneia aguda, qual valor de BNP torna a IC improvável?
4.Paciente de 60 anos com Wells para TEP de 3 pontos (taquicardia + imobilização). Próximo passo?
5.Qual a performance da angiotomografia multidetectores para TEP no PIOPED II?
6.Paciente com DPOC em exacerbação: qual alvo de saturação de oxigênio?
7.Indicação clássica de ventilação não invasiva na exacerbação de DPOC:
8.Dispneia e hipoxemia que começam 4 h após transfusão de concentrado de hemácias, com radiografia bilateral. Diagnóstico mais provável?
9.Qual conjunto define critérios de escalonamento imediato para a UTI na dispneia da enfermaria?
10.No tratamento da exacerbação de DPOC, qual esquema de corticoide sistêmico é o padrão?
RespostaExperiência subjetiva de desconforto respiratório, com sensações qualitativamente distintas e intensidade variável — dispneia é sintoma: SpO2 normal não a exclui, e hipoxemia pode coexistir com paciente confortável [1].
Pergunta 2Dissociação neuromecânica
RespostaMecanismo central da dispneia: descompasso entre o comando central da ventilação e a resposta mecânica obtida (ex.: hiperinsuflação da DPOC). Aferentes: quimiorreceptores, mecanorreceptores pulmonares, fusos dos músculos respiratórios e parede torácica [1].
Pergunta 3Achados físicos com maior LR para IC descompensada
RespostaS3: LR+ ≈ 11 (o mais forte); distensão jugular: LR+ ≈ 5; estertores 2,8; PND 2,6; edema 2,3; ortopneia 2,2. Sibilos difusos: LR− ≈ 0,5 — tornam a IC menos provável [4].
Pergunta 4Cortes de BNP e NT-proBNP na dispneia aguda
RespostaBNP <100 pg/mL ou NT-proBNP <300 pg/mL praticamente excluem IC aguda (LR− ≈ 0,1). Valores altos não confirmam sozinhos: idade, TEP, sepse e disfunção renal elevam [3].
Pergunta 5Escore de Wells para TEP
RespostaSinais de TVP 3; TEP diagnóstico mais provável 3; FC >100 1,5; imobilização >3 dias/cirurgia em 4 semanas 1,5; TVP/TEP prévio 1,5; hemoptise 1; neoplasia ativa 1. Dois níveis: ≤4 pouco provável, >4 provável [5].
Pergunta 6D-dímero ajustado pela idade
RespostaAcima de 50 anos, corte = idade × 10 µg/L; aumenta a especificidade sem perder sensibilidade. Só tem papel com pré-teste baixo (Wells ≤4); com pré-teste alto, ir direto à imagem.
Pergunta 7Performance da angio-TC no TEP (PIOPED II)
RespostaSensibilidade 83% e especificidade 96% para embolia central e segmentar; combinada com probabilidade clínica, exclui ou confirma na maioria dos casos. Cintilografia V/Q quando contraste é contraindicado [5].
Pergunta 8Alvos de SpO2 na oxigenoterapia
Resposta92-96% na maioria dos pacientes; 88-92% em risco de hipercapnia (DPOC, apneia-obesidade). Hipoxemia em DPOC não autoriza oxigênio livre: titulado, com gasometria de controle [6].
Pergunta 9Exacerbação de DPOC: esquema padrão
RespostaSalbutamol 100 mcg 4-10 jatos (ou 2,5-5 mg nebulizado) a cada 20 min na 1ª hora; ipatrópio 500 mcg; prednisona 40 mg/dia por 5 dias; antibiótico se purulência; NIV se pH <7,35 com pCO2 >45.
Pergunta 10TRALI x TACO
RespostaTRALI: hipoxemia aguda em até 6 h pós-transfusão com imagem bilateral — suporte ventilatório. TACO: sobrecarga circulatória (hipertensão, jugular, edema) — diuretico. Ambos começam após hemoderivado.
Pergunta 11Critérios de escalonamento para UTI na dispneia
RespostaSpO2 <88-90% apesar de máscara com reservatório; FR >30/min ou fadiga respiratória; confusão nova; pH <7,25 ou pCO2 subindo; NIV sem resposta em 1-2 h; choque associado. Chamar antecipado.
Pergunta 12Morfina na dispneia refratária/paliativa
Resposta2,5-5 mg VO ou SC em resgate: alivia a sensação de falta de ar em dose baixa sem deprimir a respiração; associar ar frio no rosto, posicionamento e reeducação respiratória.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Parshall MB, Schwartzstein RM, Adams L, et al. An Official American Thoracic Society Statement: Update on the Mechanisms, Assessment, and Management of Dyspnea. Am J Respir Crit Care Med. 2012;185(4):435-452 · DOI 10.1164/rccm.201111-2042ST | [2] Berliner D, Schneider N, Welte T, Bauersachs J. The Differential Diagnosis of Dyspnea. Dtsch Arztebl Int. 2016;113(49):834-845 · DOI 10.3238/arztebl.2016.0834 | [3] Rohde LE, Montera MV, Bocchi EA, et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Arq Bras Cardiol. 2018;111(3):436-539 · DOI 10.5935/abc.20180190 | [4] Wang CS, FitzGerald JM, Schulzer M, et al. Does This Dyspneic Patient in the Emergency Department Have Congestive Heart Failure? JAMA. 2005;294(15):1944-1956 · DOI 10.1001/jama.294.15.1944 | [5] Stein PD, Fowler SE, Goodman LR, et al. Multidetector Computed Tomography for Acute Pulmonary Embolism (PIOPED II). N Engl J Med. 2006;354(22):2317-2327 · DOI 10.1056/NEJMoa052367 | [6] O'Driscoll BR, Howard LS, Earis J, et al. BTS Guideline for Oxygen Use in Adults in Healthcare and Emergency Settings. Thorax. 2017;72(Suppl 1):ii1-ii90 · DOI 10.1136/thoraxjnl-2016-209729 | [7] Gajic O, Rana R, Winters JL, et al. Transfusion-Related Acute Lung Injury in the Critically Ill: A Prospective Nested Case-Control Study. Am J Respir Crit Care Med. 2007;176(9):886-891 · DOI 10.1164/rccm.200702-271OC | [8] Leuppi JD, Schuetz P, Bingisser R, et al. Short-term vs Conventional Glucocorticoid Therapy in Acute Exacerbations of Chronic Obstructive Pulmonary Disease: The REDUCE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2013;309(21):2223-2231 · DOI 10.1001/jama.2013.5023doi.org/10.3238/arztebl.2016.0834
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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