Protocolos & POPsRevisão didática · Técnica cirúrgica e segurança do paciente08/10/2026
Sala cirúrgica: assepsia, antissepsia, instrumentais e papéis da equipe no internato
Este artigo ensina a lógica do centro cirúrgico: esterilização, desinfecção e antissepsia pela classificação de Spaulding, parâmetros da autoclave, antissepsia das mãos e da pele com os números do ensaio de Darouiche, as três pausas do checklist de cirurgia segura da OMS, as regras do campo estéril e os papéis de cada membro da equipe. Fecha com as famílias de instrumentais que o interno precisa nomear e os erros clássicos de prova.
[1] Berríos-Torres SI, et al. Centers for Disease Control and Prevention Guideline for the Prevention of Surgical Site Infection, 2017. JAMA Surg. 2017;152(8):784-791 · DOI 10.1001/jamasurg.2017.0904 | [2] Allegranzi B, et al. New WHO recommendations on intraoperative and postoperative measures for surgical site infection prevention: an evidence-based global perspective. Lancet Infect Dis. 2016;16(12):e288-e303 · DOI 10.1016/S1473-3099(16)30402-9 | [3] Haynes AB, et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360(5):491-499 · DOI 10.1056/NEJMsa0810119 | [4] Darouiche RO, et al. Chlorhexidine-alcohol versus povidone-iodine for surgical-site antisepsis. N Engl J Med. 2010;362(1):18-26 · DOI 10.1056/NEJMoa0810988 | [5] Tanner J, et al. Surgical hand antisepsis to reduce surgical site infection. Cochrane Database Syst Rev. 2016;1:CD004288 · DOI 10.1002/14651858.CD004288.pub3 · DOI 10.1001/jamasurg.2017.0904
A sala cirúrgica tem regras que não se improvisam porque o custo do erro é infecção do sítio cirúrgico (ISC): o problema atinge 1 a 4% dos pacientes operados internados, responde por cerca de 20% das infecções hospitalares e multiplica tempo de internação, reinternação e mortalidade [1]. O ensaio de Haynes mostrou que um instrumento barato — o checklist de três pausas — reduziu a mortalidade cirúrgica de 1,5% para 0,8% e as complicações de 11,0% para 7,0% em 7.688 pacientes de oito hospitais no mundo [3]. Para o interno de cirurgia, o conteúdo é prático e muito cobrado: diferenciar esterilização de antissepsia, saber os parâmetros da autoclave, escolher o antisséptico da pele, conduzir o checklist, respeitar as regras do campo estéril e nomear o instrumental que o cirurgião pede em voz alta.
ISC após cirurgia
1-4%
dos pacientes internados operados (CDC 2017) [1]
Checklist da OMS
1,5% → 0,8%
mortalidade; complicações caíram de 11,0% para 7,0% [3]
Clorexidina-alcool vs PVP-I
9,5% vs 16,1%
ISC no ensaio de Darouiche (409 pacientes) [4]
Autoclave
134°C, 3-4 min
vapor saturado; alternativa 121°C por 15-30 min
Ar da sala operatória
20 trocas/h
recomendação OMS; portas fechadas preservam o ambiente [2]
Antibiótico antes da incisão
≤60 min
cefazolina 2 g IV; vancomicina e fluoroquinolona 120 min
01Esterilização, desinfecção e antissepsia: três conceitos que a prova confunde
Esterilização é o processo que destrói todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos: o padrão é a autoclave com vapor saturado a 121°C por 15 a 30 minutos ou a 134°C por 3 a 4 minutos; materiais termossensíveis vão para óxido de etileno ou plasma de peróxido de hidrogênio. Desinfecção elimina microrganismos vegetativos, mas não garante destruição de esporos, e se classifica em alto, intermediário e baixo nível. Antissepsia é a redução da carga microbiana de pele viva com antisséptico — por definição, nunca é esterilização, porque a pele tem colonização profunda em anexos. A confusão entre os termos é a pegadinha número um do tema.
Classe do item (Spaulding)
Definição de uso
Processamento exigido
Exemplos
Crítico
Penetra tecido estéril, cavidade vascular ou toca sangue
Aparelho de pressão, macas, suportes de soro, cinta de torniquete externa
02Antissepsia cirúrgica das mãos e paramentação
A antissepsia das mãos antes da cirurgia reduz a carga bacteriana e previne contaminação do campo quando a luva perfura — e luvas perfuram com frequência relevante nas cirurgias reais. O padrão clássico é a lavagem com clorexidina 2-4%: 3 a 5 minutos na primeira do dia e 2 a 3 minutos nas seguintes, cobrindo mãos, antebraços até o cotovelo, com unhas curtas e sem joias; escova de cerdas só na região ungueal, se necessário, porque o trauma cutâneo aumenta a liberação de bactérias. Soluções alcoólicas com emoliente são aceitas (esfregação de 90 a 120 segundos conforme o fabricante) e causam menos dermatite. A revisão Cochrane não encontrou diferença clara entre os métodos na redução de ISC, com efeito residual mais prolongado documentado para a clorexidina [5].
A paramentação segue ordem fixa: calçado fechado e touca cobrindo todo o cabelo antes de entrar na área semirrestrita; na área restrita, máscara cobrindo nariz e boca (trocada entre casos e sempre que úmida) e protetor ocular. O capote estéril é vestido por técnica fechada, e as luvas também: o calçamento fechado evita que a pele do paramentado toque a superfície externa da luva. Luva dupla com indicador de perfuração é prática recomendada em procedimentos de alto risco (ortopedia com osteossíntese, pacientes com HIV ou hepatite B/C), porque a perfuração da luva frequentemente passa despercebida.
03Antissepsia da pele operatória: clorexidina-alcool em primeiro lugar
O ensaio randomizado de Darouiche (409 pacientes, seis hospitais) comparou clorexidina 2% em álcool contra povidona-iodada aquosa na antissepsia pré-operatória e encontrou 9,5% de ISC com clorexidina-alcool contra 16,1% com PVP-I [4]. Com base nisso, o CDC de 2017 recomenda preparo da pele com solução alcoólica (clorexidina-alcool ou iodopovidona alcoólica) antes da maioria das cirurgias [1]. A técnica importa tanto quanto a droga: aplicação com pincel estéril em movimentos concêntricos do centro para a periferia, cobrindo área muito maior que a incisão prevista, sem repassar o pincel sobre área já pintada.
Tempo de secagem obrigatório: o álcool precisa evaporar completamente (cerca de 3 minutos) antes do bisturi elétrico, e a gaze embebida deve ser removida do campo — álcool acumulado em sulcos e sob o paciente causa queimadura.
Clorexidina é contraindicada em conjuntiva, ouvido médio, meninges e mucosas genitais sensíveis: nesses sítios usa-se PVP-I aquosa.
Preparo do campo inclui, quando o sítio exige, isolamento do ânus e da região perineal com campos adesivos e oclusão do umbigo.
Remoção de pelos: lâmina de barbear é proibida (os microcortes multiplicam a ISC); se o pelo atrapalha, corta-se com cliper ou tesoura imediatamente antes da cirurgia [1].
Banho pré-operatório na véspera e/ou manhã da cirurgia com sabonete comum ou antisséptico é recomendação do CDC; não há exigência de antisséptico específico [1].
04O checklist de cirurgia segura: três pausas obrigatórias
SIGN IN (antes da indução anestésica): confirmação de identidade, sítio, procedimento e consentimento; sítio marcado pelo cirurgião nas cirurgias laterais; verificação dos equipamentos de anestesia e do oxímetro de pulso funcionando e audível; revisão de alergias, risco de via aérea difícil e de aspiração; previsão de perda sanguínea maior que 500 mL (7 mL/kg em crianças) com plano de acesso e produtos sanguíneos.
TIME OUT (antes da incisão): apresentação de todos os membros da equipe por nome e função; confirmação verbal de paciente, sítio e procedimento; previsão de eventos críticos pelo cirurgião, pela anestesia e pela instrumentação; conferência de que o antibiótico profilático foi administrado até 60 minutos antes; exames de imagem essenciais expostos.
SIGN OUT (antes do paciente sair da sala): nome do procedimento conforme registrado; contagem de compressas, agulhas e instrumentos conferida com o circulante; amostras rotuladas com leitura em voz alta do nome do paciente; problemas com equipamentos e materiais anotados; principais cuidados para a recuperação comunicados à equipe da SRPA.
A evidência do checklist vem do estudo de Haynes: 7.688 pacientes ≥18 anos, oito hospitais de oito cidades, antes e depois da implementação — mortalidade de 1,5% para 0,8% (P=0,003) e complicações de 11,0% para 7,0% [3]. No Brasil, o checklist foi adaptado pela ANVISA no Protocolo de Cirurgia Segura (RDC 36/2013) e é norma de implementação obrigatória em serviços públicos e privados. No time out, o interno presente apresenta-se e responde sobre o que lhe for perguntado; a cultura de silêncio quebra exatamente o objetivo da ferramenta, que é dar voz a todos.
05Papéis: quem é quem na equipe do centro cirúrgico
Papel
Função
Zona
Cirurgião
Decide, executa e responde tecnicamente pelo procedimento
Equipe estéril
Primeiro assistente (no internato, geralmente o interno)
Exposição do campo com valvas, hemostasia auxiliar, corte de fios, suturas de fechamento
Equipe estéril
Instrumentador(a)
Passa os instrumentais, antecipa o próximo passo, mantém a mesa organizada e confere a contagem de compressas e agulhas
Equipe estéril
Circulante
Abre pacotes estéreis alimentando a mesa, movimenta equipamentos, coleta amostras para fora, conta junto com o instrumentador
Equipe não estéril
Anestesiólogo
Conduz anestesia, via aérea, fluidos e estabilidade clínica; zona da cabeceira
Área anestésica
Técnico do centro de material e esterilização (CME)
Recebe, limpa, embala e esteriliza instrumentais; controla indicadores biológicos e químicos do processo
Área de apoio
O interno atua como assistente: expõe com valvas mantendo tração constante, corta o fio do nó deixando o comprimento correto (mais curto em nó de polipropileno, mais longo em categute), succiona mantendo o orifício visível e faz compressão com gazes na hemostasia. Antecipar o próximo passo do cirurgião — ter a valva certa na mão antes do pedido — é a diferença entre atrapalhar e ser convidado a voltar no dia seguinte.
06As dez regras do campo estéril
Somente estéril toca estéril: luvas e capote da equipe estéril só contam campo cirúrgico e material estéril; qualquer contato com superfície não estéril contamina e exige troca.
O capote é estéril apenas da linha do peito até o nível da mesa estéril e pelas mangas até cerca de 5 cm acima do cotovelo; costas, axilas, gola e bordas inferiores são contaminadas.
As mãos permanecem acima da cintura, afastadas do corpo e sempre no campo visual; nunca cruzar os braços nem deixar as mãos abaixo da mesa.
A borda de qualquer pacote, frasco ou campo — a margem periférica de cerca de 2,5 cm — é considerada contaminada ao abrir.
Em caso de dúvida sobre a esterilidade de um item, ele é contaminado: descarta ou substitui, nunca se presume.
Passagem de material entre equipes: de frente (frente com frente) ou de costas (costas com costas); nunca contornar a equipe estéril de lado, tocando-a.
O circulante se aproxima da mesa do instrumentador somente pela frente, jamais por trás ou sobrepondo o campo.
Portas fechadas e tráfego mínimo: cada abertura destrói o gradiente de pressão positiva e a filtração do ar; a OMS recomenda cerca de 20 trocas de ar por hora na sala operatória [2].
Campo úmido por líquido que atravessa de superfície não estéril cria ponte de contaminação por capilaridade: isolar e trocar.
Soluções estéreis são despejadas sem tocar o gargalo no campo e são o último item montado na mesa, para não molhar embalagens e campos. Campo estéril nunca fica sem vigilância.
07Instrumentais: as famílias que o interno precisa nomear
Instrumentais se organizam por função e o nome correto faz parte da comunicação do centro cirúrgico — 'me passe o mosquito', 'a Babcock', 'a valva de Deaver'. As famílias e seus representantes clássicos:
Família
Instrumentos clássicos
Uso
Corte de tecido
Tesoura de Metzenbaum, tesoura de Mayo curva
Divulsar e cortar tecido; a Mayo reta corta fio de sutura
Preensão traumatizante
Pinça Allis (dente na extremidade), Kocher com dente
Tração de pele, fáscia e tecido destinados à ressecção
Preensão atraumática
Pinça Babcock (jaw fenestrada), Duval, DeBakey
Intestino, pulmão e vasos sem esmagamento
Hemostasia
Mosquito (Halsted), Kelly ou Crile, Kocher
Pinçamento de vasos de pequeno a médio calibre; o Kocher segura tecido denso com dente
Pinção manual de tecido
Pinça anatômica (sem dente), pinça Adson com dente, DeBakey manual
Adson com dente para pele e tecido denso; anatômica para tecidos delicados e vasos
Sutura
Porta-agulha (Hegar, Mayo-Hegar), agulhas de 3/8 de círculo
Passagem do fio; agulha de corte reverso em pele e agulha cônica (atraumática) em víscera e vaso
Exposição
Valvas de Farabeuf, Langenbeck, Deaver e valva maleável
Afastar bordas da incisão e vísceras com profundidade e força crescentes
Aspiração
Yankauer (rígida), sonda de Poole (múltiplos orifícios)
Yankauer para aspiração geral; Poole para cavidade abdominal com líquido difuso
Incisão
Bisturi com lâminas 10, 11 e 15
Lâmina 10 para pele em tração, 11 para punções e estomas, 15 para incisões pequenas e precisas
Fios de sutura descrevem-se por calibre em USP (5-0 é mais fino que 3-0), material e agulha: absorvíveis como categute, poliglactina 910 e poliglecaprone (perdem força de tensão com o tempo e dispensam retirada) e não absorvíveis como seda, nylon e polipropileno (retirados conforme o sítio, em geral entre 7 e 14 dias na pele). Calibres menores (mais zeros) para tecidos delicados; mucosas e subcutâneo absorvem-se com poliglactina; pele e vasos de médio calibre costumam receber nylon ou polipropileno.
08Preparo do paciente e do ambiente
Paciente: banho pré-operatório, jejum conferido, joias, próteses, lentes de contato e esmalte removidos, preparo intestinal só quando indicado pelo tipo de cirurgia.
Pelos: nunca lâmina de barbear; cliper imediatamente antes do procedimento quando realmente necessário [1].
Superfícies e equipamentos desinfetados entre casos, com atenção à mesa operatória, suportes e a todo item tocado pelo campo sujo — desinfecção de nível apropriado conforme o item (Spaulding).
Ambiente: sala com pressão positiva, filtração e cerca de 20 trocas de ar por hora, temperatura confortável e portas fechadas; tráfego de pessoas reduzido [2].
Equipe: máscara trocada entre casos e sempre que úmida, barreira completa (touca, capote, luvas estéreis) na montagem da mesa, e checklist executado com todos os três tempos [2][3].
09Pontos de prova e erros comuns
P
Interno atravessa a sala para buscar um material e o dorso do capote toca a mesa estéril. Conduta?
V
O dorso do capote nunca é estéril: a área tocada é contaminada. O instrumentador cobre o campo com campo novo estéril se possível, troca-se o que foi contaminado e a contagem é refeita se instrumentais foram movidos. O interno troca o capote antes de voltar ao campo.
P
Cirurgia de cólon eletiva às 8 h; às 7 h 30 ninguém deu a antibioticoprofilaxia. O que fazer?
V
Ainda está no prazo se a infusão completar até 60 min antes da incisão: cefoxitina 2 g IV (ou cefazolina com metronidazol) imediatamente e registrar o horário exato. Se passar do prazo, comunicar o cirurgião e o anestesista para decisão de atraso mínimo ou prosseguir com maior vigilância de ISC.
P
Cirurgião pede 'a Babcock' durante laparotomia. Qual instrumental entregar e por quê?
V
A pinça Babcock, atraumática e fenestrada, porque segurar alça intestinal com pinça traumatizante (Allis, Kocher) causa serosite e perfuração. Intestino só com Babcock, Duval ou manual protegido.
P
Enfermeira avisa que um instrumento caiu dentro do campo com a embalagem aberta há tempo indeterminado. Como classificar?
V
Contaminado por dúvida: qualquer item sem garantia de esterilidade (borda aberta, pacote úmido, integridade desconhecida) é substituído, nunca presuntivamente mantido — é a regra de ouro da assepsia.
P
Paciente com alergia a iodo vai operar. Antisséptico da pele?
V
Clorexidina 2% em álcool: a alergia relevante na prática é ao iodo da PVP-I, e a clorexidina-alcool tem melhor desempenho na prevenção de ISC (9,5% vs 16,1%). Só fica fora de mucosas, olho, ouvido médio e meninges.
10Referências
[1] Berríos-Torres SI, et al. Centers for Disease Control and Prevention Guideline for the Prevention of Surgical Site Infection, 2017. JAMA Surg. 2017;152(8):784-791. DOI 10.1001/jamasurg.2017.0904
[2] Allegranzi B, et al. New WHO recommendations on intraoperative and postoperative measures for surgical site infection prevention: an evidence-based global perspective. Lancet Infect Dis. 2016;16(12):e288-e303. DOI 10.1016/S1473-3099(16)30402-9
[3] Haynes AB, et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360(5):491-499. DOI 10.1056/NEJMsa0810119
[4] Darouiche RO, et al. Chlorhexidine-alcohol versus povidone-iodine for surgical-site antisepsis. N Engl J Med. 2010;362(1):18-26. DOI 10.1056/NEJMoa0810988
[5] Tanner J, et al. Surgical hand antisepsis to reduce surgical site infection. Cochrane Database Syst Rev. 2016;1:CD004288. DOI 10.1002/14651858.CD004288.pub3
Teste-se
10 questões comentadas
1.No ensaio de Darouiche, a antissepsia da pele com clorexidina 2% em álcool reduziu a ISC em comparação à povidona-iodada aquosa para:
2.Um endoscópio digestivo alto, que contata mucosa, classifica-se no sistema de Spaulding como:
3.Os parâmetros corretos da autoclave com vapor saturado são:
4.Em qual momento do checklist de cirurgia segura se confere que o antibiótico profilático foi administrado até 60 minutos antes da incisão?
5.Qual a conduta correta para remoção de pelos no sítio cirúrgico?
6.Durante uma laparotomia, o cirurgião pede um instrumental para segurar alça intestinal sem traumatizá-la. Qual o correto?
7.Sobre as regras do campo estéril, qual afirmação é correta?
8.Os resultados da implementação do checklist de cirurgia segura no estudo de Haynes foram:
9.Paciente vai à cirurgia de tireoidectomia com alergia documentada ao iodo. Qual antisséptico da pele escolher?
10.Sobre a antissepsia cirúrgica das mãos, qual afirmação é correta?
Pergunta 1Diferença entre esterilização, desinfecção e antissepsia
RespostaEsterilização destrói todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos (autoclave, óxido de etileno, plasma). Desinfecção elimina formas vegetativas sem garantir esporos. Antissepsia reduz a carga microbiana de pele viva com antisséptico — nunca é esterilização.
Pergunta 2Classificação de Spaulding
RespostaCrítico (penetra tecido estéril ou vasos): esterilização. Semilítico (contata mucosa ou pele lesada): desinfecção de alto nível (endoscópio). Não crítico (só pele íntegra): desinfecção intermediária ou baixa.
Pergunta 3Parâmetros da autoclave
RespostaVapor saturado a 121°C por 15-30 min ou 134°C por 3-4 min (pré-vácuo). Termossensíveis: óxido de etileno ou plasma de peróxido de hidrogênio.
Pergunta 4Clorexidina-alcool vs povidona-iodada na pele cirúrgica
RespostaEnsaio de Darouiche: ISC de 9,5% com clorexidina 2% em álcool vs 16,1% com PVP-I aquosa. Clorexidina tem efeito residual prolongado, mas é contraindicada em mucosas, conjuntiva, ouvido médio e meninges.
Pergunta 5As três pausas do checklist de cirurgia segura
RespostaSign in (antes da indução): identidade, sítio marcado, consentimento, riscos anestésicos. Time out (antes da incisão): apresentação da equipe, confirmação verbal, eventos críticos, antibiótico até 60 min, imagens. Sign out (antes de sair da sala): contagens, amostras rotuladas, cuidados da recuperação.
Pergunta 6Resultados do checklist de Haynes (NEJM 2009)
Resposta7.688 pacientes, oito hospitais: mortalidade de 1,5% para 0,8% e complicações de 11,0% para 7,0%. No Brasil, adaptado pela ANVISA (Protocolo de Cirurgia Segura, RDC 36/2013).
Pergunta 7Zonas estéreis do capote e das mãos
RespostaCapote estéril: do peito ao nível da mesa e mangas até ~5 cm acima do cotovelo. Mãos: sempre acima da cintura e visíveis. Contaminados: costas, axilas, gola, bordas inferiores e a margem de ~2,5 cm de pacotes e campos.
Pergunta 8Pinças clássicas: Babcock, Allis, Kocher e mosquito
RespostaBabcock: atraumática fenestrada, para intestino. Allis: traumatizante com dente, para pele e fáscia. Kocher: traumatizante robusta, para tecido denso. Mosquito (Halsted): hemostática fina para vasos pequenos.
Pergunta 9Yankauer e Poole
RespostaYankauer: aspiração rígida de uso geral (orofaríngea e campos). Poole: sonda abdominal de múltiplos orifícios, ideal para líquido difuso em cavidade peritoneal.
Pergunta 10Remoção de pelos e banho pré-operatório
RespostaLâmina de barbear proibida (microcortes multiplicam ISC); cliper ou tesoura imediatamente antes, se necessário. Banho na véspera e/ou manhã com sabonete comum ou antisséptico é recomendação do CDC 2017.
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Berríos-Torres SI, et al. Centers for Disease Control and Prevention Guideline for the Prevention of Surgical Site Infection, 2017. JAMA Surg. 2017;152(8):784-791 · DOI 10.1001/jamasurg.2017.0904 | [2] Allegranzi B, et al. New WHO recommendations on intraoperative and postoperative measures for surgical site infection prevention: an evidence-based global perspective. Lancet Infect Dis. 2016;16(12):e288-e303 · DOI 10.1016/S1473-3099(16)30402-9 | [3] Haynes AB, et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360(5):491-499 · DOI 10.1056/NEJMsa0810119 | [4] Darouiche RO, et al. Chlorhexidine-alcohol versus povidone-iodine for surgical-site antisepsis. N Engl J Med. 2010;362(1):18-26 · DOI 10.1056/NEJMoa0810988 | [5] Tanner J, et al. Surgical hand antisepsis to reduce surgical site infection. Cochrane Database Syst Rev. 2016;1:CD004288 · DOI 10.1002/14651858.CD004288.pub3doi.org/10.1001/jamasurg.2017.0904
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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