Protocolos & POPsRevisão didática · SRPA e enfermaria cirúrgica08/10/2026
Pós-operatório imediato: SRPA, Aldrete, prescrição, dor, PONV e sinais de alarme
Este artigo ensina a rotina completa do pós-operatório imediato: a sala de recuperação pós-anestésica e o escore de Aldrete, a visita estruturada do interno, a prescrição de fluidos, analgesia multimodal e antieméticos com doses, o escore de Apfel para PONV, a lesão miocárdica pós-operatória (MINS) com os dados do EPOQ e do VISION, e os sinais de alarme que obrigam a chamar o cirurgião nas primeiras 48 horas.
[1] Gan TJ, et al. Fourth Consensus Guidelines for the Management of Postoperative Nausea and Vomiting. Anesth Analg. 2020;131(2):411-448 · DOI 10.1213/ANE.0000000000004833 | [2] Gustafsson UO, et al. Guidelines for perioperative care in elective colorectal surgery: Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) Society recommendations: 2018. World J Surg. 2019;43(3):659-695 · DOI 10.1007/s00268-018-4844-y | [3] Myles PS, et al. Restrictive versus liberal fluid therapy for major abdominal surgery (RELIEF). N Engl J Med. 2018;378(24):2263-2274 · DOI 10.1056/NEJMoa1801601 | [4] Devereaux PJ, et al. Association between postoperative troponin levels and 30-day mortality among patients undergoing noncardiac surgery (EPOQ). JAMA. 2012;307(21):2295-2304 · DOI 10.1001/jama.2012.5502 | [5] The VISION Study Investigations. Myocardial injury after noncardiac surgery: a large, international, prospective cohort study establishing diagnostic criteria, characteristics, predictors, and 30-day outcomes. Anesthesiology. 2014;120(3):564-578 · DOI 10.1097/ALN.0000000000000113 · DOI 10.1213/ANE.0000000000004833
As primeiras 24 a 48 horas concentram a morbidade cirúrgica: sangramento, hipoxemia, dor mal controlada, náusea e vômito, oligúria e lesão miocárdica perioperatória. Os números dão a dimensão: náusea e vômito pós-operatórios (PONV) atingem cerca de 30% dos pacientes operados e até 80% dos de alto risco [1]; a lesão miocárdica pós-operatória (MINS) acomete cerca de 8% dos adultos de 45 anos ou mais internados para cirurgia não cardíaca e quase dobra a mortalidade de 30 dias [5], que sobe de forma dose-dependente com o pico de troponina [4]. O interno é quem faz a primeira visita — e uma passagem estruturada, com sinais vitais, drenos, diurese, dor, exames e prescrição correta, evita a maioria das chamadas noturnas e das complicações não reconhecidas.
Aldrete para alta
≥9
cinco itens de 0-2; estável por pelo menos 30 minutos
MINS
8%
dos adultos ≥45 anos em cirurgia não cardíaca internada [5]
PONV com 4 fatores Apfel
~80%
mulher, não fumante, PONV prévio, opioide pós-op [1]
LRA com fluidos liberais (RELIEF)
8,6% vs 5,0%
grupo liberal pior que o restritivo [3]
Paracetamol
1 g 6/6 h
máximo 4 g/dia (3 g em idoso e hepatopata)
Enoxaparina profilática
40 mg SC 12 h
início cerca de 12 h pós-op; 20 mg se clearance <30
01Da sala de operação para a SRPA: o escore de Aldrete
O paciente sai do centro cirúrgico para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), onde a prioridade é via aérea, oxigenação, circulação e dor. O escore de Aldrete modificado quantifica a prontidão de alta com cinco itens de 0 a 2 pontos:
Item
2 pontos
1 ponto
0 ponto
Atividade
Movimenta os quatro membros
Movimenta dois membros
Não movimenta
Respiração
Respira fundo e tosse efetivamente
Respiração limitada ou dispneia
Apneia
Circulação
PAM dentro de ±20% do valor basal
PAM entre ±20% e ±49% do basal
PAM fora de ±50% do basal
Consciência
Orientado, desperto
Desperta ao chamado
Não responde
Saturação de O2
≥92% em ar ambiente
Requer O2 suplementar para manter ≥90%
Saturação <90% mesmo com O2
Alta da SRPA: escore ≥9 (classicamente com saturação mantida em ar ambiente), estabilidade por pelo menos 30 minutos, dor controlada, sem náusea ou vômito ativos e sem sangramento ativo. Complicações que retardam a alta e pedem conduta imediata: hipoxemia por efeito residual de opioides ou anestésicos (oxigenar, estimular a respiração; naloxona 40 a 100 mcg IV titulada se depressão respiratória; flumazenil 0,2 mg IV para benzodiazepínico), hipotensão (volume, sangramento, bloqueio raquidiano alto), calafrio pós-anestésico (aquecimento; meperidina 25 mg IV em casos refratários) e emergência tardia (excluir hipoxemia, hipoglicemia, hipotermia e lesão neurológica).
02A visita pós-operatória estruturada: roteiro em dez passos
Revisão do prontuário antes do leito: qual cirurgia foi feita, técnica, achados descritos pelo cirurgião (anastomoses, drenos, órgãos ressecados), anestesia e fluidos recebidos.
Sinais vitais completos: pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação, temperatura e dor em escala numérica de 0 a 10.
Respiração: oxigenioterapia em uso e alvo, murmúrio vesicular bilateral (excluir pneumotórax, sobretudo após acesso central ou intubação), tosse e expansibilidade.
Circulação e volume: perfusão periférica, turgor, mucosas, edema, tempo de recrutamento capilar — taquicardia nova é o primeiro sinal de sangramento e de sepse.
Drenos e curativos: cor e volume de cada dreno nas últimas horas, curativo encharcado ou não, sonda vesical e diurese horária.
Acessos e infusões: o que está correndo, velocidade, compatibilidade e necessidade real de manter cada acesso.
Exames: hemograma, creatinina, eletrólitos, lactato se instável, troponina se suspeita de MINS — sempre comparados ao pré-operatório.
Prescrição: analgesia multimodal de horário com resgate, antiemético, profilaxia de tromboembolismo, dieta, mobilização e medicações crônicas a retomar.
Prevenções: elevação de cabeceira, compressão pneumática intermitente, respirometria incentivadora, cuidado de pele.
Documentação e comunicação: registrar achados, condutas e plano; comunicar ao cirurgião qualquer desvio — nunca 'esperar para ver'.
03Prescrição prática do pós-operatório imediato
Item
Ordem típica no adulto de 70 kg
Observações
Fluidos de manutenção (dia 1)
Cristaloide balanceado 25-30 mL/kg/dia (exemplo: SF 0,9% ou Ringer lactato 500 mL de 8/8 h, 1,5-1,8 L/dia)
Repor perdas específicas (drenos, vômitos, sondas) à parte; a partir do dia 2 reduzir e priorizar via oral
Analgesia de horário
Paracetamol 1 g VO/IV 6/6 h OU dipirona 2 g 6/6 h, associados a AINE (exemplo: cetoprofeno 100 mg 12/12 h) se sem contraindicação
Resgate: tramadol 50-100 mg ou morfina 2-4 mg IV titulada
Antiemético
Profilaxia conforme risco de Apfel; resgate com ondansetrona 4 mg IV se necessário
No resgate usar classe diferente da profilaxia
Profilaxia de TEV
Enoxaparina 40 mg SC/dia iniciada cerca de 12 h pós-op (20 mg se clearance <30) mais compressão intermitente
Manter enquanto houver mobilização reduzida
Medicações crônicas
Retomar betabloqueador, estatina, anticonvulsivante, levotiroxina; IECA e BRA quando a pressão estiver estável
Conciliação medicamentosa formal evita lacunas
Dieta
Conforme a cirurgia: o ERAS libera líquidos precocemente (2-6 h) e sólidos no mesmo dia em cirurgia colorretal eletiva [2]
Íleo prolongado ou distensão: investigar, não esperar
Oxigenioterapia
Titular para saturação ≥92% (meta individualizada menor em doença crônica hipercápnica)
Hipoxemia pós-op: atelectasia, efeito residual de opioide, edema, TEP
Mobilização
Sentar e primeiro levante nas primeiras 2-6 horas quando o protocolo permitir [2]
A mobilização precoce é a medida do ERAS que mais protege pulmão e previne trombose
04Fluidos e eletrólitos: nem oligúria por déficit, nem edema por excesso
O ensaio RELIEF (3.000 pacientes, cirurgia abdominal maior) comparou fluidoterapia restritiva (manutenção menor que 5 mL/kg/h) à liberal (10 mL/kg/h): o desfecho primário em 90 dias não diferiu, mas o grupo liberal teve mais lesão renal aguda em 7 dias (8,6% contra 5,0%) e muito mais edema pulmonar, enquanto o restritivo não estabeleceu não inferioridade de forma conclusiva [3]. A mensagem prática é equilíbrio próximo de zero, individualizado por resposta de volume — não fluido por reflexo diante de qualquer oligúria.
Oligúria pós-operatória (<0,5 mL/kg/h por 2 horas): primeiro lavar e conferir a sonda (obstrução é causa banal e frequente), depois diferenciar hipovolemia pré-renal (volume, sangramento, hipotensão, dor, vasodilatação) de lesão renal. Se hipovolêmico, desafio de cristaloide 250-500 mL e reavaliação do débito urinário; diurético de rotina não tem lugar.
Cristaloides balanceados são preferidos para reposição de volume; salina 0,9% em grande volume causa acidose hiperclorêmica.
Potássio: repor apenas com diurese preservada, mantendo 3,5-5,0 mEq/L.
Perdas específicas somam-se ao balanço hídrico e se reposicionam conforme o conteúdo — perda gástrica alta se repõe com salina e potássio.
Sinais de hipervolemia: piora da oxigenação, estertores crepitantes, ganho ponderal rápido e edema de membros inferiores — ajustar manutenção para 20-25 mL/kg/dia ou menos no dia seguinte.
05Dor: analgesia multimodal desde a sala de recuperação
A analgesia multimodal combina fármacos de mecanismos diferentes em horário fixo e reduz o consumo de opioides e suas complicações (ileu, náusea, sedação, depressão respiratória): paracetamol ou dipirona como base, AINE quando sem contraindicação, anestésico local na ferida ou bloqueio regional, e opioide apenas como resgate. O protocolo do ERAS considera analgesia de qualidade condição para mobilização e realimentação precoces [2].
Fármaco
Dose usual no adulto
Cuidados
Dipirona
2 g IV ou VO de 6/6 h (máximo 8 g/dia)
Infusão rápida causa hipotensão; agranulocitose é rara
Paracetamol
1 g IV ou VO de 6/6 h (máximo 4 g/dia; 3 g em idoso e hepatopata)
Hepatotoxicidade por dose cumulativa; atenção a associações com opioide
Cetoprofeno
100 mg VO/IV de 12/12 h
Evitar em lesão renal, sangramento ativo, úlcera péptica; discutir em anastomoses colorretais
Tramadol
50-100 mg VO/IV de 6/8 h (máximo 400 mg/dia)
Náusea, sedação; risco de convulsão; evitar com antidepressivos serotoninérgicos
Codeína
30-60 mg VO de 6 h
Metabolizadores lentos (CYP2D6) não obtêm efeito; constipação
Morfina
2-4 mg IV a cada 5-10 min titulados; PCA com bolus de 1 mg e intervalo de bloqueio de 5-10 min
Depressão respiratória: manter naloxona disponível; sem dose basal em paciente opioide-naive
Bloqueios regionais
Epidural torácica em cirurgia abdominal maior; bloqueios de parede com anestésico local
Epidural: hipotensão e retenção urinária; monitorizar
06PONV: profilaxia dirigida pelo escore de Apfel
A náusea e o vômito pós-operatórios atingem cerca de 30% dos pacientes e até 80% dos de alto risco. O risco basal (sem profilaxia) escala com o número de fatores do escore simplificado de Apfel, em que cada item vale 1 ponto [1]:
Pontos (fatores de Apfel)
Risco basal de PONV
Conduta sugerida [1]
0-1 (sexo feminino, não fumante, história de PONV ou enjoo de movimento, uso de opioide no pós-operatório)
10-20%
Profilaxia única ou apenas resgate
2
Cerca de 40%
Profilaxia com 1-2 fármacos
3
Cerca de 60%
Profilaxia com 2 fármacos e considerar anestesia total intravenosa
4
Cerca de 80%
Profilaxia combinada, anestesia intravenosa com propofol e minimizar opioides
Dexametasona 5-10 mg IV na indução: eficaz, prolongada e barata.
Ondansetrona 4 mg IV no fim da cirurgia.
Droperidol 0,625-1,25 mg IV no fim (atenção ao prolongamento do intervalo QT).
Escopolamina transdérmica aplicada na véspera (útil em náusea relacionada a movimento e opioide).
Anestesia total intravenosa com propofol reduz o risco basal em comparação à inalatória [1].
Resgate: usar fármaco de classe DIFERENTE da profilaxia; se persistir, excluir causa cirúrgica (obstrução intestinal) e metabólica antes de rotular como PONV.
07MINS: a lesão miocárdica pós-operatória que não dói
A lesão miocárdica pós-operatória (MINS, myocardial injury after noncardiac surgery) é definida pela elevação de troponina por causa isquêmica perioperatória SEM sinais ou sintomas clássicos de infarto — a maioria dos casos é assintomática e sem supradesnivelamento de ST. Na coorte VISION (15.065 pacientes de 45 anos ou mais), 8% desenvolveram MINS e a mortalidade em 30 dias nesse grupo chegou a cerca de 12% [5]. Na coorte EPOQ, a mortalidade em 30 dias subiu de forma dose-dependente com o pico de troponina, de aproximadamente 3% com elevações discretas até cerca de 17% nos picos mais altos [4].
Quando medir troponina no pós-operatório: paciente de risco elevado (por exemplo, 2 ou mais pontos no RCRI ou idade avançada com doença cardiovascular) com sintomas sugestivos (dor torácica, dispneia nova, arritmia, hipotensão inexplicada) ou alteração eletrocardiográfica; dosar troponina antes da alta em pacientes de risco elevado pode ser considerado nas diretrizes europeias.
Conduta diante de MINS: oxigenar, controlar dor, revisar volume (evitar sobrecarga), iniciar ou reiniciar AAS e estatina conforme o risco de sangramento, e acionar a cardiologia; anticoagulação plena exige hemostasia segura.
Prevenção: otimização pré-operatória (avaliação de risco), manter betabloqueador e estatina crônicos, normotermia, controle rigoroso da dor — a dor gera catecolaminas e aumenta a demanda miocárdica.
08Sinais de alarme nas primeiras 48 horas e quando chamar o cirurgião
Saturação e glicemia capilar imediatas, exame neurológico, excluir infecção e retenção
09Pontos de prova e erros comuns
P
Paciente de 58 anos após colecistectomia laparoscópica na SRPA com Aldrete 10, mas náusea intensa. Conduta?
V
Ondansetrona 4 mg IV se não foi a profilaxia (classe diferente da usada), reavaliar em 30 minutos; a alta exige Aldrete ≥9 sustentado, dor controlada e sem náusea ou vômito ativos.
P
POD 1 de cirurgia colorretal: FC 128 bpm, PAM 70 mmHg, dreno serossanguíneo com 350 mL em 2 h, hemoglobina caiu de 12,5 para 9,8 g/dL. Diagnóstico e conduta?
V
Sangramento pós-operatório: cristaloide, preparar transfusão conforme estabilidade, repetir hemoglobina e lactato e avisar o cirurgião imediatamente — reexploração se instabilidade ou sangramento contínuo acima de 200-300 mL/h.
P
POD 2 de artroplastia de quadril, 66 anos, dor torácica atípica e saturação de 90%; troponina de pico 0,09 ng/mL, ECG sem supradesnivelamento. Conduta?
V
MINS: oxigenar, controlar a dor, revisar volume evitando sobrecarga, iniciar AAS e estatina se hemostasia segura, monitorizar e acionar cardiologia. Não é infarto com ECG clássico, mas a mortalidade em 30 dias é alta (cerca de 12% na coorte VISION [5]).
P
Mulher de 34 anos, não fumante, sem PONV prévio, laparoscopia com opioide no pós-operatório. Risco de PONV e profilaxia?
V
2 fatores de Apfel (sexo feminino e opioide pós-operatória): risco basal de cerca de 40%; profilaxia com 2 fármacos — dexametasona 5-10 mg na indução e ondansetrona 4 mg no fim — e resgate com classe diferente (droperidol) se falhar [1].
P
POD 0 noturno: oligúria de 20 mL/h há 3 h após artroplastia de joelho. Primeira conduta?
V
Lavar e conferir a sonda, checar volume circulante e pressão arterial; se hipovolêmico, desafio com cristaloide 250-500 mL e reavaliar débito; repetir hemoglobina para excluir sangramento oculto. Diurético não é resposta automática.
10Referências
[1] Gan TJ, et al. Fourth Consensus Guidelines for the Management of Postoperative Nausea and Vomiting. Anesth Analg. 2020;131(2):411-448. DOI 10.1213/ANE.0000000000004833
[2] Gustafsson UO, et al. Guidelines for perioperative care in elective colorectal surgery: Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) Society recommendations: 2018. World J Surg. 2019;43(3):659-695. DOI 10.1007/s00268-018-4844-y
[3] Myles PS, et al. Restrictive versus liberal fluid therapy for major abdominal surgery (RELIEF). N Engl J Med. 2018;378(24):2263-2274. DOI 10.1056/NEJMoa1801601
[4] Devereaux PJ, et al. Association between postoperative troponin levels and 30-day mortality among patients undergoing noncardiac surgery (EPOQ). JAMA. 2012;307(21):2295-2304. DOI 10.1001/jama.2012.5502
[5] The VISION Study Investigations. Myocardial injury after noncardiac surgery: a large, international, prospective cohort study establishing diagnostic criteria, characteristics, predictors, and 30-day outcomes. Anesthesiology. 2014;120(3):564-578. DOI 10.1097/ALN.0000000000000113
Teste-se
10 questões comentadas
1.Qual a pontuação mínima do escore de Aldrete modificado para alta da SRPA?
2.Quais são os quatro fatores do escore simplificado de Apfel para PONV?
3.Paciente fez profilaxia de PONV com ondansetrona e continua vomitando 4 h após. O resgate correto é:
4.O que o ensaio RELIEF demonstrou sobre fluidoterapia no pós-operatório de cirurgia abdominal maior?
5.Qual a definição de MINS (myocardial injury after noncardiac surgery)?
6.Na coorte EPOQ, a mortalidade em 30 dias conforme o pico de troponina pós-operatória:
7.Paciente em POD 0 apresenta oligúria de 20 mL/h há 3 horas. Qual a PRIMEIRA conduta?
8.Qual volume de sangue fresco por dreno nas primeiras horas configura indicação de reexploração cirúrgica?
9.Sobre a analgesia multimodal no pós-operatório, qual combinação e cuidado estão corretos?
10.Sobre a febre nas primeiras horas de pós-operatório, a associação correta é:
Pergunta 1Escore de Aldrete modificado: itens e critério de alta da SRPA
RespostaCinco itens de 0 a 2: atividade, respiração, circulação (PAM vs basal), consciência e saturação. Alta com ≥9, estável por ≥30 min, dor controlada, sem náusea, vômito ou sangramento ativos.
Pergunta 2Fatores de Apfel e risco de PONV
RespostaSexo feminino, não fumante, PONV/enjoo prévio e opioide no pós-op (1 ponto cada): risco basal 10-20% (0-1), ~40% (2), ~60% (3), ~80% (4). Profilaxia conforme o número de fatores; TIVA reduz o risco basal [1].
Pergunta 3Fármacos e horários da profilaxia de PONV
RespostaDexametasona 5-10 mg IV na indução; ondansetrona 4 mg IV no fim da cirurgia; droperidol 0,625-1,25 mg no fim (QT); escopolamina transdérmica na véspera. Resgate sempre com classe diferente da profilaxia.
Pergunta 4RELIEF: restritivo versus liberal em cirurgia abdominal maior
RespostaGrupo liberal (10 mL/kg/h) teve mais lesão renal aguda em 7 dias (8,6% vs 5,0%) e mais edema pulmonar; o restritivo (<5 mL/kg/h) não provou não inferioridade no desfecho primário. Alvo: equilíbrio próximo de zero, individualizado [3].
Pergunta 5MINS: definição e números do VISION
RespostaElevação de troponina por isquemia perioperatória sem sintomas clássicos de IAM; 8% dos pacientes ≥45 anos, mortalidade em 30 dias de cerca de 12% [5]. EPOQ: mortalidade dose-dependente com o pico de troponina, de ~3% a ~17% [4].
Pergunta 6Conduta diante de MINS no pós-operatório
RespostaOxigenar, controlar a dor, revisar volume (evitar sobrecarga), iniciar/reiniciar AAS e estatina conforme risco de sangramento, acionar cardiologia; anticoagulação plena só com hemostasia segura.
Pergunta 7Analgesia multimodal: doses de base
RespostaParacetamol 1 g VO/IV 6/6 h (máx 4 g/dia; 3 g em idoso e hepatopata) ou dipirona 2 g 6/6 h, mais AINE (cetoprofeno 100 mg 12/12 h) sem contraindicação; opioide só como resgate (tramadol 50-100 mg ou morfina 2-4 mg IV titulada).
Pergunta 8PCA de morfina: programação segura
RespostaBolus de 1 mg com intervalo de bloqueio (lockout) de 5-10 min, SEM dose basal em paciente opioide-naive; naloxona disponível; monitorizar sedação e frequência respiratória.
Pergunta 9Oligúria pós-operatória: sequência de investigação
RespostaLavar/conferir a sonda, checar volume e pressão arterial; se hipovolêmico, desafio de cristaloide 250-500 mL e reavaliar; repetir hemoglobina (sangramento oculto); diurético e dopamina não fazem parte da rotina.
Pergunta 10Medidas do ERAS que definem o pós-operatório imediato
RespostaMobilização nas primeiras 2-6 h, alimentação precoce (líquidos em 2-6 h e sólidos no mesmo dia em colorretal eletiva), analgesia multimodal sem excesso de opioide, equilíbrio de fluidos zero-balance e profilaxia de TEV [2].
Referencial teórico
fontes oficiais desta página
Referência base[1] Gan TJ, et al. Fourth Consensus Guidelines for the Management of Postoperative Nausea and Vomiting. Anesth Analg. 2020;131(2):411-448 · DOI 10.1213/ANE.0000000000004833 | [2] Gustafsson UO, et al. Guidelines for perioperative care in elective colorectal surgery: Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) Society recommendations: 2018. World J Surg. 2019;43(3):659-695 · DOI 10.1007/s00268-018-4844-y | [3] Myles PS, et al. Restrictive versus liberal fluid therapy for major abdominal surgery (RELIEF). N Engl J Med. 2018;378(24):2263-2274 · DOI 10.1056/NEJMoa1801601 | [4] Devereaux PJ, et al. Association between postoperative troponin levels and 30-day mortality among patients undergoing noncardiac surgery (EPOQ). JAMA. 2012;307(21):2295-2304 · DOI 10.1001/jama.2012.5502 | [5] The VISION Study Investigations. Myocardial injury after noncardiac surgery: a large, international, prospective cohort study establishing diagnostic criteria, characteristics, predictors, and 30-day outcomes. Anesthesiology. 2014;120(3):564-578 · DOI 10.1097/ALN.0000000000000113doi.org/10.1213/ANE.0000000000004833
notaMaterial didático gerado por IA a partir EXCLUSIVAMENTE do resumo oficial da referência acima (repositório em destaque). Nenhuma informação além da fonte.
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