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Revisão completa das síndromes febris agudas com exantema no Brasil, com foco nas arboviroses dengue, chikungunya e zika: fases da doença, sinais de alarme, janelas dos testes (NS1, IgM, PCR), manejo de líquidos por grupos de risco e diagnóstico diferencial com sarampo, rubéola, parvovírus B19 e mais.
[1] World Health Organization. Dengue: guidelines for diagnosis, treatment, prevention and control. New edition. Genebra: WHO; 2009 · https://apps.who.int/iris/handle/10665/44188 | [2] Pan American Health Organization. Guidelines for the clinical diagnosis and treatment of dengue, chikungunya, and Zika. Washington DC: PAHO; 2022 · ISBN 978-92-75-12487-1 | [3] Simmons CP, Farrar JJ, van Vinh Chau N, Wills B. Dengue. N Engl J Med. 2012;366(15):1423-1432 · DOI 10.1056/NEJMra1110265 · PMID 22494122 | [4] Bhatt S, Gething PW, Brady OJ, et al. The global distribution and burden of dengue. Nature. 2013;496(7446):504-507 · DOI 10.1038/nature12060 | [5] Cao-Lormeau VM, Blake A, Mons S, et al. Guillain-Barré Syndrome outbreak associated with Zika virus infection in French Polynesia: a case-control study. Lancet. 2016;387(10027):1531-1539 · DOI 10.1016/S0140-6736(16)00562-6 · PMID 26948433 | [6] Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde (edição 2025). Brasília: MS; 2025 · https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/g/guia-de-vigilancia-em-saude · DOI 10.1056/NEJMra1110265
O Brasil registrou em 2024 a maior epidemia de dengue de sua história, com aproximadamente 6,5 milhões de casos prováveis e quase 6 mil óbitos, em um continente americano que ultrapassou 12 milhões de casos no mesmo ano. A essa carga somam-se a chikungunya, que provoca artralgias incapacitantes e crônicas, e o zika, que permanece ameaça para gestantes por causar síndrome congênita. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o diferencial aumenta ainda mais: coexistem malária, oropouche, mayaro e ciclos silvestres de febre amarela, além de surtos de sarampo que reapareceram desde 2018. Para a prova e para o plantão, o estudante precisa dominar três eixos: reconhecer os sinais de alarme da dengue, saber qual exame pedir em cada dia de doença e montar o diagnóstico diferencial das exantemáticas com base em pistas clínicas simples.
Síndrome febril exantemática é o conjunto de quadros agudos definidos por febre associada a erupção cutânea (exantema), com ou sem sintomas sistêmicos como cefaleia, mialgia, artralgia e prostração. Exantema é qualquer erupção que assume aspecto máculo, máculo-papular, vesicular, pustular ou petequial. A classificação útil para raciocínio combina três eixos: o tipo de lesão elementar, a relação temporal entre febre e exantema, e o mecanismo de transmissão (vetorial, respiratória, direta ou vertical).
| Tipo de exantema | Principais causas a considerar |
|---|---|
| Maculopapular difuso | Dengue, chikungunya, zika, sarampo, rubéola, parvovírus B19, escarlatina, mononucleose, sífilis secundária, farmacodermia |
| Vesicular ou pustuloso | Varicela, herpes zoster, coxsackie (mão-pé-boca), mpox |
| Petequial ou purpúrico | Dengue com alarme, meningococcemia, riquétsioses, vasculites, púrpura trombocitopênica |
| Descamativo tardio | Sarampo, escarlatina, síndrome da pele escaldada estafilocócica, Kawasaki |
A dengue é causada por quatro sorotipos (DENV-1 a DENV-4) que cocirculam no Brasil e confere imunidade permanente apenas contra o sorotipo que infectou, o que explica a ocorrência de dengue secundária, mais grave. A chikungunya foi introduzida em 2014 (primeiros casos autóctones na Bahia e no Amapá) e consolidou ciclos epidêmicos urbanos, com letalidade concentrada em idosos e portadores de comorbidades. O zika causou a epidemia de microcefalia do Nordeste em 2015-2016 e, embora a circulação tenha caído muito desde 2018, o risco congênito persiste onde o vírus circular. Nas regiões endêmicas da Amazônia legal somam-se o oropouche (arbovirose epidêmica transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis, o maruim, com explosivo aumento de casos a partir de 2023, expansão para estados não amazônicos e primeiras mortes documentadas em 2024) e o mayaro (Alphavirus silvestre transmitido por Haemagogus, que mimetiza a chikungunya com artralgia prolongada).
| Arbovirose | Vetor principal | Incubação | Situação no Brasil |
|---|---|---|---|
| Dengue | Aedes aegypti (diurno) | 4 a 10 dias | Endêmica e epidêmica em todas as regiões, com 4 sorotipos |
| Chikungunya | Aedes aegypti e albopictus | 2 a 12 dias (3-7 típico) | Ciclos epidêmicos em todas as regiões desde 2014 |
| Zika | Aedes aegypti e albopictus | 3 a 14 dias | Circulação baixa pós-2017, risco congênito permanente |
| Oropouche | Culicoides paraensis (maruim) | 3 a 8 dias | Hiperendêmica na Amazônia, com expansão desde 2023 |
| Mayaro | Haemagogus spp (silvestre) | Semelhante à chikungunya | Casos esporádicos em áreas de floresta na Amazônia |
| Febre amarela | Haemagogus e Sabethes (silvestre) | 3 a 6 dias | Ciclos epizooticos periódicos, vacinação em áreas de risco |
Na dengue, o vírus infecta monócitos e células dendríticas por meio do receptor DC-SIGN e se replica intensamente. Na infecção secundária por sorotipo diferente, anticorpos heterotípicos pré-existentes não neutralizam o novo sorotipo e, ao contrário, facilitam sua internalização em células Fc-receptor positivas: é o aprimoramento dependente de anticorpos, mecanismo central da dengue grave. A carga viral alta e a proteína viral NS1 ativam complemento, degradam o glicocálix e aumentam a permeabilidade do endotélio capilar. Resultado: extravasamento plasmático para o espaço extravascular (derrame pleural, ascite, hemoconcentração e choque), que coincide com o pico de citocinas como TNF-alfa e IL-6 e ocorre justamente quando a febre cai. A trombocitopenia combina supressão medular, destruição periférica imune e consumo, e o sangramento é multifatorial.
Na chikungunya, um Alphavirus com tropismo por fibroblastos sinoviais e macrófagos, a agressão direta e a resposta imune na sinóvia explicam poliartralgia intensa que, em 30 a 50% dos pacientes, persiste por mais de 3 meses e pode durar anos, mimetizando artrite reumatoide. No zika, o tropismo neural é o diferencial: o vírus infecta células progenitoras neurais, induz apoptose e reduz a neurogênese, base da microcefalia, além de causar lesões oculares e alterações de tono no feto; em adultos, o mecanismo proposto para a síndrome de Guillain-Barré é mimetismo molecular. O vírus atravessa a placenta (transmissão vertical) e também é transmitido por via sexual, característica única entre as arboviroses urbanas.
A dengue classicamente evolui em três fases. A fase febril (2 a 7 dias) traz febre alta, cefaleia, dor retro-orbital, mialgia intensa, artralgia, prostração, náuseas e, com frequência, exantema máculo-papular ou petéquias; pode haver hepatomegalia delicada. A fase crítica abre-se com a queda da febre e dura 24 a 48 horas: é quando ocorre o extravasamento plasmático e o paciente pode descompensar rapidamente, com dor abdominal, vômitos persistentes, agitação ou letargia, oligúria e choque. Na fase de recuperação o líquido é reabsorvido, surge diurese abundante, o hematócrito cai e pode aparecer o exantema convalescente branco-confluente com prurido. A classificação da OMS de 2009 divide dengue sem sinais de alarme, dengue com sinais de alarme e dengue grave (choque por extravasamento, sangramento grave ou disfunção orgânica, como TGO/TGP acima de 1.000 UI/L, alteração da consciência ou miocardite).
A chikungunya inicia de forma súbita com febre alta, cefaleia, mialgia e, sobretudo, poliartralgia simétrica e incapacitante de pequenas articulações (mãos, punhos e tornozelos), frequentemente a primeira causa de imobilização do paciente. O exantema máculo-papular pruriginoso aparece em 40 a 50% dos casos, em geral 2 a 5 dias após o início da febre, e há queixas de dor retro-orbital e linfadenopatia. Ao contrário da dengue, a leucopenia e a trombocitopenia são leves ou ausentes. Formas graves acometem recém-nascidos (transmissão vertical no parto, com doença neonatal grave com sangramento e encefalopatia), idosos, imunossuprimidos e portadores de doenças crônicas, com letalidade baixa, porém real. A fase crônica, com artralgia persistente por meses a anos, é a principal sequela e motivo de queda de qualidade de vida e de absenteísmo.
O zika causa doença febril breve e de baixa intensidade: febre baixa (37,8 a 38,5 graus Celsius), exantema máculo-papular pruriginoso que começa na face e desce para tronco e membros podendo atingir palmas e plantas, conjuntivite hiperêmica não exsudativa bilateral (sinal diferencial mais cobrado), artralgia de pequenas articulações, cefaleia e prostração leve, com resolução espontânea em 2 a 7 dias e hospitalização rara. O risco que interessa é o congênito: infecção no primeiro trimestre causa microcefalia e síndrome congênita do zika (calcificações cerebrais, lesões oculares, artrogripose, hipertonia e epilepsia), e em adultos há associação com síndrome de Guillain-Barré. Gestantes com exantema febril devem sempre ser investigadas para zika e encaminhadas para pré-natal de alto risco.
| Achado | Dengue | Chikungunya | Zika |
|---|---|---|---|
| Febre | Alta, 2 a 7 dias | Alta e súbita, 2 a 3 dias | Baixa, 1 a 3 dias |
| Mialgia | Intensa (dor nos ossos) | Moderada | Leve |
| Artralgia | Leve a moderada | Intensa, simétrica, incapacitante, pequenas articulações | Leve, pequenas articulações |
| Exantema | Em parte dos casos, tardio ou convalescente | Em 40 a 50%, após a febre, pruriginoso | Muito frequente, precoce, pruriginoso, descendente |
| Conjuntivite | Incomum | Ocasional | Típica, bilateral, não exsudativa |
| Hematologia | Leucopenia e trombocitopenia marcantes | Alterações leves ou ausentes | Praticamente normal |
| Complicação-chave | Choque por extravasamento plasmático | Artralgia crônica (30 a 50%) | Microcefalia e síndrome de Guillain-Barré |
| Duração | 7 a 10 dias | Semanas a meses (fase crônica) | 2 a 7 dias |
A escolha do teste depende do dia de doença. Do 1º ao 5º dia, com febre em curso, a viremia está presente: pede-se antígeno NS1 (ELISA) e, quando disponível, RT-PCR, que também permite sorotipagem. Após o 5º dia, a viremia cai e a sorologia assume o papel: IgM aparece por volta do 4º ao 5º dia e persiste por cerca de 2 a 3 meses, e a elevação de 4 vezes ou mais do IgG entre amostras pareadas (fase aguda e convalescente, com 2 a 4 semanas de intervalo) confirma. O NS1 tem sensibilidade global de 60 a 90%, maior nos primeiros 3 dias e nas infecções primárias, com especificidade superior a 95%. A limitação importante é a reação cruzada entre flavivírus: IgM de dengue pode cruzar com zika e até com a resposta à vacina da febre amarela, e a neutralização (PRNT) é o método de referência para discriminar. Para zika, a PCR em urina permanece positiva por mais tempo que no soro; para chikungunya, a PCR é útil na primeira semana e a IgM a partir do 5º ao 7º dia.
| Teste | Janela ideal | Desempenho | Observações |
|---|---|---|---|
| Antígeno NS1 (ELISA) | 1º ao 5º dia | Sensibilidade 60-90% (maior dias 1-3), especificidade acima de 95% | Não depende de resposta imune; pode cruzar com zika em alguns ensaios |
| RT-PCR | 1º ao 5º dia (dengue e zika), 1ª semana (chikungunya) | Sensibilidade e especificidade altas | Padrão de confirmação, permite sorotipagem; custo maior |
| IgM ELISA | Após o 4º-5º dia | Sensibilidade 70-90%, especificidade limitada | Reação cruzada entre flavivírus, inclusive vacina da febre amarela |
| IgG pareado | Duas amostras com 2 a 4 semanas | Seroconversão de 4 vezes confirma | Distingue infecção aguda de passada apenas com a segunda amostra |
O hemograma apoia manejo e prognóstico: leucopenia com linfócitos atípicos e plaquetopenia (menos de 100.000/mm3) com queda rápida sugerem dengue; hematócrito ascendente indica hemoconcentração por extravasamento; albumina em queda e derrame pleural ou ascite no exame de imagem confirmam perda plasmática; TGO e TGP elevadas são comuns e valores acima de 1.000 UI/L configuram critério de dengue grave. A prova do laço tem sensibilidade baixa, em torno de 20 a 60%, e resultado negativo jamais afasta dengue, embora especificidade razoável torne o resultado positivo um dado de apoio, quando bem executado.
Diante de febre com exantema, cinco perguntas resolvem a maior parte dos casos: há sinal de Koplik ou coriza intensa com conjuntivite (sarampo)? Há linfonodos retroauriculares e febre baixa (rubéola)? O exantema é em face esbofeteada ou com padrão rendilhado (parvovírus B19)? Há exsudato amigdaliano com linfonodos cervicais posteriores e esplenomegalia (mononucleose)? Há púrpura com prostração rápida (meningococcemia)? Somem-se a isso o contexto epidemiológico: enchentes e roedores apontam leptospirose, ausência de vacinação aponta sarampo, viagem ou residência em área de mata aponta mayaro, febre amarela e oropouche, e gestação recente impõe investigação de zika.
| Doença | Pistas clínicas decisivas | Confirmação |
|---|---|---|
| Sarampo | Sinal de Koplik (patognomônico), tríplice cataral (coriza, tosse, conjuntivite), exantema descendente com descamação fina | IgM sarampo ou RT-PCR |
| Rubéola | Febre baixa, linfonodos retroauriculares e suboccipitais, exantema fino que dura cerca de 3 dias | IgM rubéola |
| Parvovírus B19 | Face esbofeteada em crianças, exantema reticular rendilhado, poliartrite simétrica em mulheres adultas, crise aplástica em anemias hemolíticas | IgM ou PCR para B19 |
| Escarlatina | Exantema escarlatiniforme em papel de lixa, língua de morango, exsudato amigdaliano, febre alta | Clínica, cultura ou ASLO |
| Mononucleose (EBV) | Febre prolongada, faringoamigdalite exsudativa, linfadenomegalia cervical posterior, esplenomegalia, exantema após amoxicilina | Heterofílicos (monoteste) ou IgM VCA |
| Meningococcemia | Petéquias e púrpura com progressão rápida, prostração, meningismo | Hemocultura e PCR; antibiótico imediato |
| Leptospirose | Icterícia com sufusão conjuntival, mialgia de panturrilha, exposição a enchentes e água contaminada | IgM ELISA e MAT pareado |
| Roséola (HHV-6) | Febre alta por 3 a 5 dias que cai e só então surge o exantema | Clínica |
| Sífilis secundária | Lesões palmoplantares não pruriginosas, adenopatia generalizada, condiloma plano | VDRL confirmado por FTA-ABS |
| Farmacodermia | Prurido intenso sem prostração, início temporalmente ligado a fármaco novo | Clínica e suspensão do fármaco |
Não existe antiviral específico para nenhuma das três arboviroses: o tratamento da dengue é suporte e o protagonista é o balanço hídrico, que decide entre evolução benigna e choque. O paciente é classificado em grupos. Grupo A: dengue sem sinais de alarme, tolerando via oral e sem fatores de risco, com manejo domiciliar, hidratação oral aumentada (cerca de 2 a 3 litros por dia no adulto, com soro de reidratação oral) e orientação de retorno imediata se surgirem sinais de alarme. Grupo B: pacientes com sinais de alarme, gestantes, lactentes, idosos e portadores de comorbidades, que exigem internação para hidratação venosa com cristaloide isotônica (Ringer com lactato ou solução salina) na ordem de 5 a 7 mL/kg/hora por 1 a 2 horas, com reavaliação clínica frequente e redução subsequente para cerca de 2 a 3 mL/kg/hora. Grupo C: dengue grave, em unidade de terapia intensiva, com bolo de cristaloide isotônica de 10 a 20 mL/kg em 1 hora (no choque profundo, até 20 mL/kg em 15 minutos), repetido conforme a resposta, e desmame precoce assim que o hematócrito cair e a diurese se estabilizar em torno de 1 mL/kg/hora, pois o excesso de volume causa edema pulmonar iatrogênico.
Para febre e dor, paracetamol na dose de 10 a 15 mg/kg por via oral, de 6 em 6 horas (máximo de 4 g por dia no adulto), ou dipirona de 500 a 750 mg no adulto, de 6 em 6 horas. Ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não hormonais são formalmente contraindicados na dengue, por aumentarem o risco hemorrágico (além do risco de síndrome de Reye em crianças). Na chikungunya, o analgésico simples vem primeiro; anti-inflamatórios não hormonais (como naproxeno 500 mg de 12 em 12 horas ou ibuprofeno 400 a 600 mg de 8 em 8 horas) só entram quando a dengue está razoavelmente excluída, pela mesma razão hemorrágica; corticoides não são recomendados de rotina para a artralgia crônica, reservados a decisões especializadas, e a fisioterapia é peça central da fase persistente. No zika, tratamento sintomático simples e, nas gestantes, investigação sorológica, ultrassonografia obstétrica seriada e acompanhamento em serviço de alto risco; homens expostos ou sintomáticos devem usar preservativo por 3 a 6 meses, conforme a diretriz adotada.
| Grupo | Perfil clínico | Local de manejo | Conduta central |
|---|---|---|---|
| A | Dengue sem sinais de alarme, tolerando via oral, sem risco | Domiciliar | Hidratação oral, analgesia, orientação de retorno |
| B | Sinais de alarme ou grupo de risco (gestante, lactente, idoso, comorbidade) | Enfermaria | Cristaloide isotônica venosa 5-7 mL/kg/h com reavaliação |
| C | Dengue grave: choque, sangramento grave ou disfunção orgânica | UTI | Bolus de 10-20 mL/kg, suporte de órgãos, desmame precoce |
A dengue grave tem letalidade que pode chegar a 10 a 20% quando não reconhecida e tratada, e cai para menos de 1% com reconhecimento precoce e reposição volêmica adequada: nenhum outro dado resume melhor o valor do manejo clínico. Outras complicações incluem sangramento grave, miocardite, hepatite intensa, encefalite e fadiga prolongada pós-dengue por semanas a meses. Na chikungunya, a complicação dominante é a artralgia crônica, presente em 30 a 50% dos pacientes por mais de 3 meses, com impacto funcional e depressivo, além de doença neonatal grave quando transmitida no parto. No zika, a síndrome congênita (microcefalia, calcificações, lesões oculares, epilepsia) e a síndrome de Guillain-Barré definem o prognóstico. Dengue, chikungunya, zika, sarampo, rubéola e febre amarela são doenças de notificação compulsória no Brasil, o que obriga comunicação imediata à vigilância epidemiológica e desencadeia medidas de bloqueio e investigação vacinal.
Na prevenção específica da dengue existem duas vacinas autorizadas no país: a Dengvaxia (CYD-TDV), indicada exclusivamente para soropositivos a partir de 9 anos, pois em soronegativos aumenta o risco de dengue grave, e a Qdenga (TAK-003), tetravalente atenuada, aprovada pela Anvisa em 2023 em esquema de duas doses com intervalo de 3 meses, contraindicada em gestantes e imunossuprimidos e incorporada de forma inicial e restrita no SUS. Combate ao vetor com eliminação de criadouros e uso de repelentes permanece como medida universal, com destaque para a proteção de gestantes em áreas de zika.
1.Paciente com dengue no 3º dia de febre. Qual exame tem maior probabilidade de positividade nesta fase?
2.Qual dos seguintes NÃO é sinal de alarme de dengue pela classificação da OMS 2009?
3.O período de maior risco de choque na dengue ocorre:
4.Qual achado clínico é mais característico da chikungunya em relação às demais arboviroses?
5.Sobre a prova do laço, é correto afirmar:
6.Gestante no primeiro trimestre com exantema máculo-papular pruriginoso, febre baixa e conjuntivite bilateral sem exsudato. A hipótese principal é:
7.Analgesia na dengue deve preferir:
8.Paciente com dengue grave entra em choque. Conduta inicial de escolha:
9.O diferencial clínico mais importante entre roséola (HHV-6) e as arboviroses exantemáticas é:
10.Sobre vacinação contra dengue no Brasil, é correto:
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