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Revisão completa das neuroinfecções: classificação, epidemiologia brasileira, fisiopatologia, interpretação do LCR, antibioticoterapia empírica com doses, dexametasona, aciclovir, calendário vacinal do PNI e quimioprofilaxia. Substitui a leitura de um capítulo inteiro de infectologia para provas.
[1] Tunkel AR, Hartman BJ, Kaplan SL, et al. Practice Guidelines for the Management of Bacterial Meningitis. Clin Infect Dis. 2004;39(9):1267-84 · DOI 10.1086/425368 | [2] van de Beek D, Cabellos C, Dzupova O, et al. ESCMID guideline: diagnosis and treatment of bacterial meningitis. Clin Microbiol Infect. 2016;22 Suppl 3:S37-62 · DOI 10.1016/j.cmi.2015.09.004 | [3] Venkatesan A, Tunkel AR, Bloch KC, et al. Case definitions, diagnostic algorithms, and priorities in encephalitis: consensus statement of the International Encephalitis Consortium. Clin Infect Dis. 2013;57(8):1114-28 · DOI 10.1093/cid/cit458 | [4] Tunkel AR, Glaser CA, Bloch KC, et al. The management of encephalitis: clinical practice guidelines by the IDSA. Clin Infect Dis. 2008;47(3):303-27 · DOI 10.1086/589640 | [5] de Gans J, van de Beek D. Dexamethasone in adults with bacterial meningitis. N Engl J Med. 2002;347(20):1549-56 · DOI 10.1056/NEJMoa021334 · PMID 12432041 | [6] Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2023 | [7] van de Beek D, de Gans J, Tunkel AR, Wijdicks EFM. Community-acquired bacterial meningitis in adults. N Engl J Med. 2006;354(1):44-53 · DOI 10.1056/NEJMra052840 · DOI 10.1016/j.cmi.2015.09.004
Meningites e encefalites concentram a maior densidade de decisões por hora de toda a infectologia clínica: um paciente com febre e rigidez de nuca pode morrer ou ficar sequela grave em poucas horas, e a sequência correta — hemoculturas, punção lombar, antibiótico empírico, dexametasona e, na suspeita de encefalite, aciclovir — é cobrada em praticamente toda prova de infectologia, pediatria e clínica médica desde o primeiro ano. A meningite bacteriana mantém letalidade de 15 a 30% em adultos mesmo com tratamento adequado em unidade de terapia intensiva, e 10 a 30% dos sobreviventes da forma pneumocócica ficam com perda auditiva ou déficit neurológico permanente. No Brasil, as meningites integram a lista de agravos de notificação compulsória do Ministério da Saúde, o que torna o tema simultaneamente clínico e de saúde coletiva: além do tratamento do doente, o médico responde pela notificação, investigação de contatos, quimioprofilaxia e verificação vacinal.
Meningite é a inflamação das leptomeninges que revestem o encéfalo e a medula, com comprometimento predominantemente do espaço subaracnóideo; encefalite é a inflamação do parênquima cerebral, com alteração do nível de consciência, do comportamento ou da cognição; meningoencefalite combina os dois padrões. A classificação clinicamente útil combina topografia, agente e tempo de evolução: aguda bacteriana (purulenta, com curso de horas a poucos dias), viral ou asséptica (linfocitária, autolimitada), crônica (evolução maior que 4 semanas, como tuberculosa e criptocócica) e as formas não infecciosas (carcinomatose meníngea, meningoencefalite autoimune e reações medicamentosas).
| Síndrome | O que inflama | Agentes típicos | Curso temporal |
|---|---|---|---|
| Meningite bacteriana aguda | Leptomeninges e espaço subaracnóideo | S. pneumoniae, N. meningitidis, H. influenzae b, L. monocytogenes; E. coli e S. agalactiae no neonato | Horas a poucos dias |
| Meningite viral (aséptica) | Leptomeninges | Enterovírus (echo e coxsackie), HSV-2, vírus da parotidite, HIV agudo, arbovírus | Dias, geralmente autolimitada |
| Meningite crônica | Leptomeninges e base do crânio | Mycobacterium tuberculosis, Cryptococcus spp., Brucella, Treponema pallidum | Mais de 4 semanas |
| Encefalite infecciosa | Parênquima cerebral | HSV-1, VZV, enterovírus, arbovírus (dengue, Oeste do Nilo), raiva | Dias a semanas |
| Encefalite autoimune | Parênquima cerebral | Anticorpos anti-NMDA (subunidade NR1), anti-LGI1, anti-GABA-B; síndromes paraneoplásicas | Subaguda, dias a meses |
O termo meningite asséptica designa síndrome meníngea com LCR apresentando pleiocitose, porém sem bactéria ao Gram ou à cultura; a maioria é viral, mas a lista inclui tuberculose parcialmente tratada, leptospirose, sífilis, coccidioidomicose em áreas endêmicas, carcinomatose e meningoencefalite por medicamentos. Por isso, asséptico nunca significa benigno: LCR linfocitário com glicose baixa exige investigação ativa de causas crônicas e não infecciosas.
Antes das vacinas conjugadas, Haemophilus influenzae b era a principal causa de meningite bacteriana em crianças menores de 5 anos no mundo e no Brasil; após a incorporação ao PNI em 1999, a doença invasiva por Hib caiu mais de 90%. A vacina meningocócica C conjugada, incorporada ao PNI em 2010, reduziu de forma importante a doença pelo sorogrupo C em lactentes; historicamente os sorogrupos B e C predominam no Brasil, com crescimento da participação do sorogrupo W a partir da década de 2010 em várias unidades da federação e predomínio recente do sorogrupo B em algumas regiões, o que sustenta o debate pela incorporação pública das vacinas ACWY e B. Em neonatos, os agentes dominantes são Streptococcus agalactiae (GBS) e Escherichia coli K1, além de Listeria monocytogenes. Entre as encefalites, o HSV-1 continua a causa esporádica mais comum, com incidência estimada em 1 a 4 casos por milhão de habitantes por ano; entre as autoimunes, a encefalite anti-NMDA é a mais frequente.
| Agente | Hospedeiro típico | Fator de risco clássico | Vacina no PNI |
|---|---|---|---|
| Streptococcus pneumoniae | Menores de 2 anos e maiores de 60 anos | Asplenia, anemia falciforme, fístula de LCR, implante coclear, alcoolismo, HIV | Sim (VPC-10; VPP-23 em grupos de risco) |
| Neisseria meningitidis | Lactentes e adolescentes | Déficit de complemento ou properdina, asplenia, aglomeração (residências, quartéis, creches) | Sim (MenC conjugada) |
| Haemophilus influenzae b | Menores de 5 anos não vacinados | Imunodeficiência humoral, asplenia | Sim (componente Hib da pentavalente) |
| Listeria monocytogenes | Neonatos, adultos acima de 50 anos, gestantes | Neoplasias, corticoterapia, anti-TNF, transplante, HIV, alimentação contaminada (queijos, embutidos) | Não existe vacina |
| Enterovírus | Crianças e adultos jovens, pico no verão | Imunodeficiência humoral (agamaglobulinemia) | Não existe vacina |
Os cocos gram-positivos e negativos que causam meningite comunitária colonizam a nasofaringe de forma assintomática. A passagem de colonização para doença invasiva depende de fatores do hospedeiro (déficit de complemento, asplenia, mucosa lesada, tabagismo e aglomeração) e de fatores bacterianos: o meningococo usa pili para aderir ao epitélio, protease de IgA para neutralizar anticorpos locais e cápsula polissacarídica para escapar da fagocitose; o pneumococo adere a receptores endoteliais, como o receptor do fator ativador de plaquetas. Da bacteremia, as bactérias atravessam a barreira hematoencefálica por transecitose através do endotélio dos plexos coroides e capilares cerebrais, auxiliadas por adesinas bacterianas.
O edema e a vasculite explicam as três causas principais de morte precoce: herniação cerebral, acidente vascular cerebral isquêmico e choque séptico. Na encefalite herpética do adulto, quase sempre por HSV-1, o vírus alcança o parênquima por reativação e migração axonal retrógrada a partir do gânglio trigeminal ou via bulbo olfatório, com predileção pelos lobos temporais e orbitofrontais, produzindo encefalite necrotizante e hemorrágica. Na forma neonatal, o HSV-2 adquirido no parto causa doença difusa. Nas encefalites autoimunes, anticorpos dirigem-se a antígenos sinápticos ou neuronais: na encefalite anti-NMDA, contra a subunidade NR1 do receptor de NMDA, gerando quadro psiquiátrico e discinético subagudo. Em neonatos, GBS e E. coli K1 infectam o recém-nascido durante a passagem pelo canal do parto colonizado, enquanto Listeria atravessa a placenta (listeriose neonatal).
No adulto e na criança maior, a meningite bacteriana cursa com febre, cefaleia intensa e rigidez de nuca, acompanhadas de náuseas, vômitos em jato, fotofobia e alteração do nível de consciência. A tríade completa aparece em menos da metade dos casos, mas cerca de 95% dos adultos apresentam pelo menos dois dos elementos: febre, rigidez de nuca e alteração do sensorium. Os sinais meníngeos clássicos, sinal de Kernig (resistência à extensão do joelho com quadril fletido) e sinal de Brudzinski (flexão dos quadris e joelhos à flexão passiva do pescoço), têm alta especificidade, acima de 95%, e sensibilidade baixa, em torno de 5 a 30%: presentes, reforçam fortemente a hipótese; ausentes, não a excluem. O teste da agulhada (jolt accentuation), cefaleia que piora com rotação horizontal rápida da cabeça, tem sensibilidade muito variável entre estudos e não substitui a punção lombar.
Na doença meningocócica, 10 a 30% dos pacientes desenvolvem exantema petequial que pode evoluir para púrpura extensa com necrose de extremidades, coagulação intravascular disseminada e choque; a associação de púrpura fulminans com insuficiência adrenal hemorrágica constitui a síndrome de Waterhouse-Friderichsen. Em neonatos, o quadro é notoriamente inespecífico: instabilidade térmica, irritabilidade ou letargia, recusa alimentar, vômitos, icterícia, apneia, convulsões e fontanela abaulada; a rigidez de nuca é inútil nessa faixa. Idosos, gestantes e imunossuprimidos podem apresentar apenas confusão mental ou queda do estado geral, sem febre alta.
Nas encefalites, o horizonte clínico muda do território meníngeo para o parenquimatoso: a encefalite herpética cursa com febre, alteração de comportamento, afasia, crises parciais complexas de origem temporal, anosmia, hemipareses e rápida deterioração; a encefalite anti-NMDAR tipicamente começa com pródromo viral seguido de psicose subaguda (alucinações, paranoia, insônia), discinesias orofaciais e distonia, catatonia, instabilidade autonômica com taquicardia e hipertermia, crises epilépticas e declínio cognitivo; é mais comum em mulheres jovens, com ou sem teratoma de ovário.
A punção lombar é o exame central e deve ser realizada o quanto antes, de preferência antes do antibiótico, coletando-se LCR em três a quatro tubos para celulagem e bioquímica, Gram e cultura, e pesquisas moleculares. Hemoculturas (dois frascos) devem ser colhidas antes da primeira dose do antibiótico e positivas em 50 a 75% dos casos de meningite bacteriana. A abertura pressória, quando medida, é elevada (acima de 20 cm de água em boa parte dos casos bacterianos).
| Parâmetro | Bacteriana | Viral | Tuberculosa | Criptocócica |
|---|---|---|---|---|
| Aparência | Turva, purulenta | Límpida | Límpida ou xantocrômica, pode formar rede de fibrina | Límpida ou levemente turva |
| Células por mm3 | 500 a 10.000, usualmente acima de 1.000 | 10 a 500 | 50 a 500 | 20 a 500 |
| Predominância | Neutrófilos, usualmente acima de 80% | Linfócitos (neutrofilia nos primeiros dias) | Linfócitos (neutrófilos na fase precoce) | Linfócitos |
| Glicose (mg/dL) | Menor que 40, com relação LCR/soro menor que 0,4 | Normal, cerca de dois terços da glicemia | Menor que 40 | Menor que 40 |
| Proteínas (mg/dL) | 100 a 500 | Normal ou levemente elevada | Elevadas, frequentemente acima de 100 | Elevadas, frequentemente acima de 100 |
| Exames específicos | Gram e cultura | PCR para enterovírus e HSV | Xpert MTB/RIF, pesquisa de BAAR, dosagem de ADA | Tinta da China e antígeno criptocócico (CrAg) |
Desempenho dos métodos: o Gram do LCR tem sensibilidade de 60 a 90% no paciente não tratado, caindo para cerca de 40 a 60% após antibiótico prévio, com especificidade em torno de 97%; a cultura tem sensibilidade de 70 a 85% (também reduzida pelo tratamento prévio) e especificidade próxima de 100%, sendo indispensável para antibiograma. A PCR em tempo real para HSV no LCR é o padrão-ouro da encefalite herpética, com sensibilidade de 96 a 98% e especificidade de 94 a 99%; pode ser falsamente negativa nas primeiras 48 horas da doença, repetindo-se a coleta em 3 a 7 dias se a suspeita persistir. O antígeno criptocócico (CrAg) no LCR tem sensibilidade de 93 a 99% e especificidade superior a 93%. O Xpert MTB/RIF no LCR tem alta especificidade, mas sensibilidade intermediária, em torno de 50 a 80%, e não afasta tuberculose meníngea se negativo. Aglutinação com partículas de látex para antígenos bacterianos não é mais recomendada de rotina. Na meningite parcialmente tratada, o Gram e a cultura negativam-se, mas a glicorraquia baixa e a proteinorraquia alta persistem, com desvio progressivo para linfócitos.
Para encefalites, o consórcio internacional define caso suspeito como estado mental alterado (queda do nível de consciência, letargia ou mudança de personalidade) por 24 horas ou mais, sem causa alternativa identificada, acompanhado de pelo menos um dos seguintes: febre documentada de 38 graus Celsius ou mais, convulsão de início recente, pleiocitose no LCR, ou alteração difusa ou focal no eletrencefalograma ou em neuroimagem compatível com encefalite. A ressonância é o método de imagem de escolha: hiperintensidade temporal em T2 e FLAIR sugere fortemente HSV; o eletrencefalograma pode mostrar descargas periódicas laterais (PLEDs) sobre o lobo temporal acometido. Na suspeita de encefalite autoimune, pesquisar anticorpos anti-NMDA (NR1) no LCR e no soro, além de rastreamento de tumor (ultrassonografia e tomografia de tórax e abdome, ultrassom transvaginal, testiculares em homens).
A primeira dose do antibiótico deve ser administrada imediatamente após a suspeita, idealmente dentro da primeira hora em pacientes sépticos, e o esquema empírico depende da idade e dos fatores de risco do hospedeiro. Ajustar vancomicina para concentração vale entre 15 e 20 mg/L; ceftriaxona não exige ajuste renal. Desescalonar assim que houver identificação e sensibilidade do agente.
| Situação clínica | Agentes prováveis | Esquema empírico de primeira linha |
|---|---|---|
| Neonato até 2 a 3 meses de vida | Streptococcus agalactiae, E. coli, Listeria monocytogenes | Ampicilina 200 a 300 mg/kg/dia IV dividida de 6/6h associada a gentamicina 5 mg/kg/dia ou cefotaxima 200 mg/kg/dia IV de 6/6h |
| Criança maior e adulto até 50 anos | S. pneumoniae, N. meningitidis | Ceftriaxona 2 g IV de 12/12h (crianças: 50 mg/kg/dose 12/12h, máximo 2 g) associada a vancomicina 15 a 20 mg/kg IV de 8/8h |
| Adulto acima de 50 anos ou imunossuprimido | S. pneumoniae, N. meningitidis, Listeria monocytogenes | Ceftriaxona 2 g IV de 12/12h + vancomicina 15 a 20 mg/kg IV de 8/8h + ampicilina 2 g IV de 4/4h |
| Pós-neurocirurgia, derivação de LCR ou trauma craniano | Estafilococos, estreptococos, bacilos gram-negativos incluindo Pseudomonas | Vancomicina + ceftazidima 2 g IV de 8/8h ou cefepima 2 g IV de 8/8h |
| Suspeita de encefalite viral | HSV-1, VZV | Aciclovir 10 mg/kg IV de 8/8h em adulto; 20 mg/kg/dose de 8/8h em neonatos |
| Agente confirmado | Duração total do tratamento |
|---|---|
| Neisseria meningitidis | 5 a 7 dias |
| Streptococcus pneumoniae | 10 a 14 dias |
| Haemophilus influenzae b | 7 dias |
| Listeria monocytogenes | 21 dias ou mais |
| Tuberculose meníngea | 2 meses com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, seguidos de 10 meses com rifampicina e isoniazida, com corticoide associado |
| Encefalite por herpes simplex | Aciclovir por 14 a 21 dias no adulto e 21 dias no neonato |
O aciclovir deve ser infundido em pelo menos 1 hora, com hidratação venosa adequada para prevenir nefropatia por cristais, e tem dose ajustada na insuficiência renal; na suspeita de encefalite herpética, inicia-se empiricamente e mantém-se enquanto aguarda a PCR, porque o atraso custa neurônios. Na meningite tuberculosa, o esquema padrão é a quadriterapia inicial seguida de fase de manutenção até completar 12 meses, e o corticoide (dexametasona ou prednisona em esquema decrescente) reduz mortalidade e sequelas e faz parte do tratamento, não é opcional. Na meningite criptocócica de pacientes com HIV, a indução é feita com anfotericina B 0,7 a 1 mg/kg/dia IV associada a flucitosina 100 mg/kg/dia por 2 semanas, seguida de consolidação e manutenção com fluconazol (400 mg/dia e depois 200 mg/dia), além de controle da pressão intracraniana com punções lombares de alívio.
Suporte: internar em terapia intensiva os pacientes com Glasgow igual ou inferior a 12, convulsões, choque ou sinais de herniação; manter cabeceira a 30 graus, euvolemia e oxigenação; monitorar sódio pela frequência da secreção inadequada de ADH; tratar as crises com benzodiazepínicos e anticonvulsivantes, sem indicação de profilaxia rotineira; manejar a hipertensão intracraniana com hipertônico ou manitol e drenagem em casos selecionados. Reavaliar em 48 a 72 horas: persistência de febre e pleiocitose sugere complicação (empiema subdural, ventriculite, abscesso, fármaco inadequado) e pede nova punção lombar e neuroimagem.
| Vacina | Esquema no PNI | Protege contra |
|---|---|---|
| BCG-ID | Dose única, preferencialmente ao nascer | Formas graves de tuberculose, incluindo meningite tuberculosa e forma miliar |
| VPC-10 (pneumocócica conjugada) | 3 doses aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 12 meses | Doença pneumocócica invasiva por 10 sorotipos, incluindo meningite |
| MenC (meningocócica C conjugada) | 2 doses aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12 meses | Doença invasiva por N. meningitidis do sorogrupo C |
| Pentavalente (componente Hib) | 3 doses aos 2, 4 e 6 meses | Meningite e epiglotite por H. influenzae tipo b, além de difteria, tétano, coqueluche e hepatite B |
| VPP-23 (pneumocócica polissacarídica) | Grupos de risco e idosos, conforme indicação do PNI | Doença pneumocócica invasiva por sorotipos adicionais aos da VPC-10 |
No calendário privado, a vacina meningocócica B (recombinante de vesícula de membrana externa, aplicada a partir dos 2 ou 3 meses conforme produto) e a ACWY conjugada completam a proteção contra os sorogrupos ausentes do PNI; a Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda reforço com ACWY na adolescência, faixa de maior carreamento nasofaríngeo. Para qualquer paciente com doença meningocócica, verificar e completar o esquema vacinal conforme a idade durante a convalescença.
A quimioprofilaxia da doença meningocócica é indicada, o mais breve possível e idealmente nas primeiras 24 horas após o contato, para: conviventes domiciliares, especialmente crianças pequenas; pessoas expostas diretas a secreções orofaríngeas do caso índice (beijo na boca, intubação sem máscara, manipulação de aerossóis); e comunicantes de creche, pré-escola ou dormitórios conforme avaliação da vigilância. Contatos casuais, escola em geral e profissionais sem exposição a aerossóis não recebem profilaxia.
| Fármaco | Dose em adultos | Dose em crianças |
|---|---|---|
| Rifampicina | 600 mg VO de 12/12h por 2 dias | 10 mg/kg/dose VO de 12/12h por 2 dias (5 mg/kg se menor de 1 mês) |
| Ciprofloxacino | 500 mg VO em dose única | Não é primeira linha em crianças; usar rifampicina ou ceftriaxona |
| Ceftriaxona | 250 mg IM em dose única | 125 mg IM em dose única |
O caso índice tratado com ceftriaxona ou outra cefalosporina de terceira geração não precisa de profilaxia para si, pois o antibiótico erradica o estado de portador; se tratado apenas com penicilina, deve recebê-la. Na doença invasiva por H. influenzae b, a rifampicina 20 mg/kg/dia (máximo de 600 mg) VO em dose única diária por 4 dias é indicada ao caso índice e aos conviventes quando houver na casa criança menor de 4 anos não vacinada ou imunocomprometida de qualquer idade. A vacinação de contactantes e a busca de casos secundários completam a investigação, e a notificação ao serviço de vigilância é compulsória.
As complicações precoces decorrem da tempestade inflamatória: edema cerebral com herniação (principal causa imediata de morte), choque séptico, coagulação intravascular disseminada com púrpura fulminans e amputações de dedos e extremidades na doença meningocócica, hidrocefalia aguda, acidentes vasculares isquêmicos por vasculite, empiema subdural e ventriculite. As tardias incluem perda auditiva neurossensorial (a sequela mais frequente, por isso a audiometria antes da alta é obrigatória em crianças), epilepsia pós-meningite, déficits focais, hidrocefalia crônica com necessidade de derivação (típica da tuberculosa), atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e comprometimento cognitivo. A secreção inadequada de ADH e a hiponatremia ocorrem em parcela relevante dos pacientes e precisam de monitorização laboratorial.
Prognóstico: a letalidade da meningite pneumocócica fica entre 20 e 30%, a meningocócica entre 10 e 15% e a por Hib abaixo de 10% quando tratada; a encefalite herpética tratada tem mortalidade de 15 a 30%, com sequelas neurológicas em 30 a 60% dos sobreviventes, e mortalidade superior a 70% sem aciclovir. A meningite tuberculosa mata 20 a 30% dos pacientes mesmo tratados e deixa sequelas graves em boa parte dos sobreviventes, sobretudo crianças. Pioram o prognóstico: extremos de idade, coma à admissão, convulsões, atraso do antibiótico adequado, agente pneumocócico, imunossupressão, contagem celular muito baixa no LCR com antigenemia alta e glucose extremamente baixa. Seguimento ambulatorial com avaliação auditiva, neurológica e do desenvolvimento é parte do tratamento, não um extra.
1.Recém-nascido de 18 dias de vida apresenta febre, irritabilidade, recusa alimentar e fontanela abaulada. Qual o agente mais provável?
2.Homem de 62 anos com linfoma em quimioterapia apresenta síndrome meníngea aguda. Qual o esquema empírico correto?
3.Sobre a dexametasona na meningite bacteriana, qual afirmação é correta?
4.LCR com 4.500 células/mm3 (90% de neutrófilos), glicose de 15 mg/dL e proteínas de 380 mg/dL corresponde a:
5.Qual dos achados abaixo é indicação de tomografia craniana ANTES da punção lombar em suspeita de meningite?
6.Qual a dose de aciclovir IV no adulto com encefalite herpética suspeitada?
7.Jovem de 21 anos, sem comorbidades, desenvolve em 3 semanas quadro psicótico com alucinações, discinesias orofaciais, catatonia e instabilidade autonômica. Qual a hipótese principal?
8.Contatos domiciliares de um caso confirmado de doença meningocócica devem receber quimioprofilaxia. Qual esquema é correto para os adultos da casa?
9.A vacina do PNI que protege contra a meningite tuberculosa é:
10.Homem de 40 anos apresenta cefaleia progressiva há 6 semanas, febre baixa e rigidez de nuca; LCR com 180 células (85% linfócitos), glicose de 28 mg/dL e proteínas de 240 mg/dL. O padrão sugere:
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