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Revisão completa das IST com abordagem sindrômica: epidemiologia global e brasileira, fisiopatologia por agente, diagnóstico com sensibilidade e especificidade dos testes, esquemas de tratamento do CDC 2021 e do Ministério da Saúde com doses e vias, sífilis na gestação e congênita, manejo de parceiros e prevenção. Inclui tabelas comparativas de úlceras genitais e de tratamento, 10 questões e flashcards de alta yield para provas.
[1] Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(RR-4):1-187 · DOI 10.15585/mmwr.rr7004a1 · PMID 34292926 | [2] Rowley J, Vander Hoorn S, Korenromp E, et al. Chlamydia, gonorrhoea, trichomoniasis and syphilis: global prevalence and incidence estimates, 2016. Bull World Health Organ. 2019;97(8):548-562P · DOI 10.2471/BLT.18.228486 | [3] Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025 (dados de 2024). Brasília: Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e IST. Disponível em gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/boletins-epidemiologicos | [4] Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: MS; 2020 (Portaria nº 42/2020). Disponível em gov.br/conape | [5] World Health Organization. Sexually transmitted infections (fact sheet). Genebra: WHO; 2024. Disponível em who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis) · DOI 10.15585/mmwr.rr7004a1
As infecções sexualmente transmissíveis (IST) permanecem entre os problemas de saúde pública mais frequentes do mundo: a Organização Mundial da Saúde estima mais de 1 milhão de aquisições por dia e, em 2016, cerca de 376 milhões de novas infecções pelas quatro IST curáveis (clamídia 127 milhões, tricomoníase 156 milhões, gonorreia 87 milhões e sífilis 6,3 milhões). No Brasil, o Ministério da Saúde notificou 256.830 casos de sífilis adquirida em 2024 (taxa de detecção de 120,8 por 100 mil habitantes), 89.724 casos de sífilis em gestantes e 24.443 casos de sífilis congênita, com 183 óbitos. A prova cobra três habilidades: reconhecer as síndromes clínicas (corrimento, úlcera genital, dor pélvica, proctite), interpretar a sorologia da sífilis em cada estádio e memorizar os esquemas terapêuticos com doses, vias e duração. Regra de ouro: o achado de qualquer IST obriga à busca ativa das demais (HIV, sífilis, hepatites B e C), porque a coinfecção é frequente e a úlcera genital aumenta em 2 a 5 vezes o risco de transmissão do HIV.
IST são infecções cuja transmissão ocorre predominantemente pelo contato sexual (vaginal, anal ou oral), causadas por bactérias, vírus, protozoários e ectoparasitas. A estratégia recomendada pela OMS e adotada pelo Ministério da Saúde é a abordagem sindrômica: no primeiro contato, identifica-se a síndrome, inicia-se tratamento etiológico ou empírico imediato, faz-se aconselhamento, coletam-se testes (HIV, sífilis, hepatites) e trata-se a parceira ou o parceiro, sem aguardar resultados quando a opção é tratar. A abordagem é chamada multidimensional porque integra, ao mesmo tempo, a dimensão clínico-laboratorial (diagnóstico e tratamento), a dimensão psicossocial (aconselhamento, redução de risco, violência sexual) e a dimensão epidemiológica (notificação compulsória, busca de parceiros, vigilância).
| Síndrome clínica | Agentes mais frequentes | Conduta imediata |
|---|---|---|
| Corrimento uretral no homem | Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Mycoplasma genitalium, Trichomonas vaginalis | Tratar gonorreia e clamídia simultaneamente na primeira consulta; NAAT de primeira urina ou swab uretral |
| Corrimento vaginal e cervicite | Tricomoníase, vaginose bacteriana, candidíase; clamídia e gonorreia causam cervicite mucopurulenta | Classificar por pH, teste de amina e microscopia; tratar a causa; tratar parceiro obrigatoriamente na tricomoníase |
| Úlcera genital | Treponema pallidum, HSV-1 e HSV-2, Haemophilus ducreyi, C. trachomatis L1-L3 (LGV), Klebsiella granulomatis | Fluxograma de úlcera genital: tratar empiricamente sífilis, cancro mole e herpes; solicitar VDRL e testes rápidos |
| Dor pélvica inflamatória (DIP) | C. trachomatis, N. gonorrhoeae e microbiota anaeróbia vaginal | Critérios mínimos do CDC: dor à mobilização do colo, do útero ou dos anexos; tratar ambulatorialmente ou internar |
| Proctite (sexo anal receptivo) | N. gonorrhoeae, C. trachomatis (incluindo LGV), HSV, T. pallidum | Anoscopia com coleta para NAAT; suspeitar de LGV quando há dor anal intensa, tenesmo e exsudato mucopurulento |
As IST têm distribuição universal e concentram-se em adultos jovens de 15 a 35 anos. A estimativa da OMS para 2016 apontou 376,4 milhões de novos casos das quatro IST curáveis em adultos de 15 a 49 anos, aproximadamente 1 milhão de novas infecções por dia, além de cerca de 500 milhões de pessoas de 15 a 49 anos vivendo com infecção genital pelo HSV-2 e aproximadamente 300 milhões de mulheres com HPV. O HPV está presente em praticamente 100% dos cânceres de colo do útero, que no Brasil tem estimativa de aproximadamente 17 mil casos novos por ano (INCA). Sobrepostas a isso, as bactérias resistentes emergem rápido: a N. gonorrhoeae multidrogarresistente já fez a OMS classificá-la como ameaça prioritária, e o abandono da azitromicina rotineira na gonorreia (CDC 2021) é resposta direta à resistência.
Cada agente tem um mecanismo típico que explica a lesão, a cronologia e as complicações — e a prova explora exatamente esses elos causais.
A maior parte das IST bacterianas nas mulheres é assintomática (70 a 80% das infecções por clamídia e cerca de 50% das gonorreias), o que explica a transmissão sustentada e a DIP tardia. Nos homens, clamídia e gonococo causam uretrite com corrimento mucopurulento ou purulento e disúria; a gonorreia tende ao corrimento mais abundante e amarelado e à incubação curta (2 a 5 dias), enquanto a clamídia tem corrimento mais discreto e incubação de 1 a 3 semanas. Diante de qualquer úlcera genital, a tabela comparativa abaixo organiza o raciocínio — dor, bordas, base e adenopatia decidem a hipótese principal.
| Doença | Agente | Características da úlcera | Adenopatia inguinal | Dor |
|---|---|---|---|---|
| Sífilis primária | T. pallidum | Única, bordas endurecidas e elevadas, base lisa e indolor, fundo limpo (cancro duro) | Unilateral ou bilateral, dura, indolor, móvel | Indolor |
| Cancro mole | H. ducreyi | Múltiplas (em beijo, por autoinoculação), bordas undermining, base necrótica com exsudato | Unilateral em cerca de 50%, dolorosa, pode supurar (bubão) | Muito dolorosa |
| Herpes genital | HSV-1/2 | Vesículas agrupadas em base eritematosa que rompem em erosões superficiais | Bilateral, dolorosa, de pequeno volume | Dolorosa, com pródromo de queimação |
| Linfogranuloma venéreo | C. trachomatis L1-L3 | Úlcera inicial pequena e transitória, frequentemente despercebida; o quadro dominante é proctite aguda ou adenopatia | Unilateral, grande, dolorosa, com sinais inflamatórios e fistulização (sinal do sulco) | Dolorosa |
| Donovanose | K. granulomatis | Úlcera proliferativa (em vegetação), de crescimento lento, base granulosa, sangra ao toque | Ausente (pseudoadenopatia) | Indolor |
Formas atípicas que enganam: proctite por LGV em homens que fazem sexo com homens pode simular doença inflamatória intestinal (dor anal intensa, tenesmo, muco e sangue) e evoluir com fissuras, estenose e fístulas; a gonorreia disseminada causa febre, lesões petequiais-pustulosas necróticas em dedos e superfícies extensoras, tenossinovite e artrite assimétrica; a doença inflamatória pélvica apresenta-se com dor pélvica, febre, corrimento, dispareunia e sangramento uterino anormal, e a sua forma crônica por clamídia pode evoluir sem febre alguma até a infertilidade ou a gravidez ectópica.
A sífilis é a IST sistêmica por excelência: depois do cancro primário, o treponema circula e produz doença secundária semanas a meses depois, entra em latência e, em uma minoria não tratada, causa doença terciária décadas depois. A cronologia e a sorologia de cada fase são o conteúdo mais cobrado em prova.
| Estádio | Tempo após a infecção | Achado típico | VDRL (sensibilidade) |
|---|---|---|---|
| Primária | 10 a 90 dias (média de 21) | Cancro duro: úlcera indolor de base lisa no ponto de inoculação, com adenopatia inguinal firme bilateral | 78 a 86% |
| Secundária | 2 a 10 semanas após o cancro | Exantema roseoliforme simétrico com envolvimento palmoplantar, placas mucosas orais, condiloma plano, alopecia em clareira | Próxima de 100% |
| Latente recente | Menos de 1 ano | Assintomática, apenas sorologia positiva (VDRL e treponêmico reagentes) | 88 a 96% |
| Latente tardia | Mais de 1 ano | Assintomática; baixa carga treponêmica, baixa transmissão sexual, mas ainda transmissão vertical | 88 a 96% |
| Terciária | 5 a 30 anos | Goma cutânea e osteocutânea, aortite sifilítica com aneurisma de aorta ascendente e insuficiência aórtica; neurosífilis | 71 a 73% |
Para sífilis usam-se dois tipos de teste: os não treponêmicos (VDRL e RPR), que quantificam anticorpos contra cardiolipina (reagininas), servem para screening e para acompanhar a resposta ao tratamento (queda de 4 vezes do título, ou seja, 2 diluições, como de 1:16 para 1:4) e podem reagir falsamente em gestação, doenças autoimunes, hepatopatias, malária e hanseníase (falso-positivos biológicos, habitualmente com títulos baixos, abaixo de 1:8); e os treponêmicos (FTA-ABS, imunoblot, testes rápidos imunocromatográficos), que detectam anticorpos contra antígenos do treponema, confirmam o caso e, em geral, permanecem positivos por toda a vida (a chamada cicatriz sorológica), não servindo para monitorar cura. O algoritmo clássico começa pelo VDRL e confirma com treponêmico; o algoritmo reverso (treponêmico rápido primeiro, VDRL depois) é o padrão em bancos de sangue e em testagem rápida no Brasil. Para os demais agentes, o NAAT (amplificação de ácido nucleico) é o padrão: aceita primeira urina e swabs autocoletados, não requer exame pélvico e tem excelente desempenho.
| Teste | O que detecta | Desempenho aproximado | Observação de prova |
|---|---|---|---|
| VDRL / RPR | Reagininas (anticardiolipina) | Sensibilidade de 78-86% na primária, próxima de 100% na secundária e 71-73% na terciária; especificidade de 85-99% | Cai 4 vezes (2 diluições) em 6 a 12 meses após tratamento adequado da sífilis precoce; pode nunca negativar na latente tardia (sorologia residual) |
| FTA-ABS, treponêmicos rápidos | Anticorpos antitreponema | Sensibilidade de 84-100% e especificidade de 96-99% | Confirma VDRL reagente; positivo para a vida na maioria — não serve para acompanhar tratamento |
| VDRL no líquor | Reagininas no SNC | Especificidade alta (em torno de 96%), sensibilidade baixa (30 a 70%) | VDRL-LCR reagent confirma neurosífilis; negativo não exclui — use clínica, pleocitose e proteinorraquia |
| NAAT para N. gonorrhoeae | DNA do gonococo | Sensibilidade acima de 95% e especificidade acima de 99% em urina e swabs | Não informa sensibilidade — diante de falha terapêutica ou gonorreia faríngea, enviar cultura com antibiograma |
| NAAT para C. trachomatis | DNA da clamídia | Sensibilidade acima de 90% e especificidade acima de 99% | Teste de cura (se indicado) só 4 semanas após o tratamento, para evitar DNA residual positivo |
| NAAT para T. vaginalis | DNA do tricomonas | Sensibilidade de 95 a 100%, muito superior à microscopia a fresco (60 a 70%) | Microscopia imediata perde sensibilidade com o esfriamento da amostra |
| PCR para HSV em lesão | DNA do herpes | Sensibilidade em torno de 98% na lesão ativa | Sorologia HSV tem valor limitado: não diferencia lesão genital recorrente de exposição assintomática |
| HPV-DNA (testagem molecular) e citopatologia | DNA de HPV de alto risco e alterações celulares | HPV-DNA mais sensível que a citologia para NIC de alto grau (cerca de 90-95% contra 55-60%) | Rastreio do colo do útero no Brasil: citologia a cada 3 anos de 25 a 64 anos ou testagem molecular conforme faixa etária |
Os esquemas abaixo consolidam as recomendações do CDC 2021 e do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. A penicilina benzatina é insubstituível na sífilis: nenhuma alternativa oral tem validação para a gestante, e a alergia verdadeira obriga a dessensibilização. Na gonorreia, a mudança central do CDC 2021 foi a ceftriaxona isolada (500 mg IM) na dose única, abandonando a associação rotineira com azitromicina pela resistência; na clamídia, a doxiciclina voltou a ser primeira linha, com superioridade clara na infecção retal.
| Doença | Esquema de primeira linha | Alternativa ou observação | Duração |
|---|---|---|---|
| Sífilis primária, secundária e latente recente | Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM | Dose única; alérgicos não gestantes: doxiciclina 100 mg VO 12/12h | 1 dia (dose única) |
| Sífilis latente tardia ou de duração desconhecida | Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM semanal | Total de 3 doses (7,2 milhões UI); não pode intervalar: intervalo maior que 14 dias reinicia o esquema | 3 semanas |
| Neurosífilis, sífilis ocular e ótica | Penicilina G cristalina 18 a 24 milhões UI/dia IV, em 3 a 4 milhões UI a cada 4 horas ou infusão contínua | Ceftriaxona 2 g IV ou IM ao dia em alérgicos com possibilidade de uso | 10 a 14 dias |
| Gonorreia não complicada (uretrite, cervicite, reto, faringe) | Ceftriaxona 500 mg IM em dose única (1 g se peso igual ou maior que 150 kg) | Se clamídia não foi excluída, acrescentar doxiciclina 100 mg VO 12/12h; alérgicos graves à cefalosporina: azitromicina 2 g VO em dose única com reavalição em 1 semana (testagem de cura) | 1 dia |
| Clamídia (não gestante) | Doxiciclina 100 mg VO 12/12h | Azitromicina 1 g VO em dose única é alternativa; gestantes: azitromicina 1 g VO ou amoxicilina 500 mg VO 8/8h | 7 dias |
| Tricomoníase na mulher | Metronidazol 500 mg VO 12/12h (esquema preferencial) | Tinidazol 2 g VO em dose única; tratar o parceiro sempre; abstinência sexual até 7 dias após o tratamento do casal | 7 dias |
| Tricomoníase no homem | Metronidazol 2 g VO em dose única | Tinidazol 2 g VO em dose única | 1 dia |
| Linfogranuloma venéreo | Doxiciclina 100 mg VO 12/12h | Gestantes: azitromicina 1 g VO 1 vez por semana; drenar bubões por punção, nunca incisão | 21 dias |
| Cancro mole | Azitromicina 1 g VO em dose única ou ceftriaxona 250 mg IM em dose única | Ciprofloxacino 500 mg VO 12/12h; flutuação de bubão = punção aspirativa | 1 dia |
| Donovanose | Azitromicina 1 g VO 1 vez por semana (ou 500 mg ao dia) | Doxiciclina 100 mg VO 12/12h; tratar até cicatrização completa, com mínimo de 3 semanas | Até cicatrizar |
Para o herpes genital, a antiviraloterapia não erradica a latência, mas encurta os episódios e reduz a transmissão quando usada de forma supressiva. O tratamento episódico só funciona se iniciado nas primeiras 72 horas (idealmente no pródromo); a terapia supressiva diária está indicada a partir de cerca de 6 recorrências por ano, em parceiros sorodiscordantes e em pacientes com HIV.
| Cenário | Aciclovir | Valaciclovir | Famciclovir |
|---|---|---|---|
| Primeiro episódio | 400 mg VO 8/8h por 7 a 10 dias | 1 g VO 12/12h por 7 a 10 dias | 250 mg VO 8/8h por 7 a 10 dias |
| Recorrência (episódico) | 800 mg VO 3 vezes ao dia por 2 dias | 500 mg VO 12/12h por 3 dias | 1.000 mg VO 12/12h por 1 dia |
| Supressão contínua | 400 mg VO 12/12h | 500 mg VO 1 vez ao dia (1 g/dia se recorrência muito frequente) | 250 mg VO 12/12h |
Nas lesões por HPV, o tratamento é local e visa destruir ou remover a lesão visível (não erradica o vírus): crioterapia com nitrogênio líquido, ácido tricloroacético a 80-90% (preferido na gestante e em lesões mucosas), podofilotoxina 0,5% em solução aplicada 2 vezes ao dia por 3 dias seguidos de 4 sem tratamento, por até 4 semanas (contraindicada na gestante), imiquimode 5% creme 3 vezes por semana por até 16 semanas, eletrocauterização, excisão ou laser. Nic de alto grau é encaminhado para colposcopia com biópsia e tratamento conforme a faixa etária (conização quando indicado).
Na gestante com sífilis, a única droga eficaz para prevenir a sífilis congênita é a penicilina, na dose correspondente ao estádio da mãe (benzatina 2,4 milhões UI IM única na sífilis precoce; 3 semanas na tardia; cristalina IV na neurosífilis). Alérgicas à penicilina devem ser dessensibilizadas e tratadas com penicilina — em regime hospitalar, se necessário — porque nenhuma alternativa é considerada segura e eficaz para o feto. O pré-natal brasileiro determina testagem para sífilis e HIV no primeiro trimestre, no terceiro trimestre (ou na admissão para o parto, se não houver teste do terceiro trimestre) e na vigência de risco; tratamento adequado exige penicilina na dose certa completada pelo menos 30 dias antes do parto, além do tratamento concomitante do parceiro.
As IST curáveis têm excelente prognóstico quando tratadas, mas guardam complicações que definem o seguimento. A DIP por clamídia e gonococo deixa seqüelas tubárias: risco cumulativo de infertilidade de cerca de 10 a 15% após um episódio, aumentando para 25 a 50% após o terceiro, além de gravidez ectópica (risco 6 a 10 vezes maior) e dor pélvica crônica. A gonorreia disseminada compromete pele, tendões e articulações; a clamídia causa artrite reativa (tríade de uretrite, conjuntivite e artrite assimétrica). A sífilis não tratada evolui para neurossífilis, aortite com aneurisma e gomas; na gestação, causa abortamento, mort fetal, prematuridade e sífilis congênita precoce (rinite com coriza sanguinolenta, hepatomegalia, rash maculopapular, pseudoparalisia de Parrot por periostite) e tardia (dentes de Hutchinson, molares em amora, queratite intersticial, surdez e tíbia em sabre). O HPV oncogênico é causa necessária do câncer do colo do útero e está associado a cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. O HSV-2 aumenta em 2 a 3 vezes o risco de aquisição do HIV e o herpes neonatal, raríssimo em recorrência (abaixo de 1-3%), atinge 30 a 50% quando a primoinfecção materna ocorre no parto — daí a indicação de cesárea quando há lesões ativas no momento do parto.
1.Homem de 26 anos apresenta úlcera genital única, indolor, de base lisa e endurecida, com adenopatia inguinal firme, há 3 semanas. VDRL 1:16 e FTA-ABS reagentes. Qual o tratamento?
2.Paciente assintomático com VDRL reagente 1:32 descoberto em exame de rotina; nega episódios prévios e não sabe quando se infectou (sorologia negativa há 3 anos). Esquema correto?
3.Qual esquema é o indicado para neurosífilis confirmada pelo VDRL no líquor?
4.Segundo o CDC 2021, o tratamento de primeira linha da gonorreia não complicada em adulto com menos de 150 kg é:
5.Mulher não gestante de 24 anos com cervicite por Chlamydia trachomatis confirmada por NAAT. Primeira linha?
6.Homem com úlceras genitais múltiplas muito dolorosas, bordas undermining e base necrótica, além de bubão inguinal flutuante à direita. Hipótese e conduta?
7.Homem que faz sexo com homens, HIV positivo, com proctite intensa, tenesmo e exsudato retal; NAAT positivo para C. trachomatis com sorologia compatível com sorovares LGV. Tratamento?
8.Gestante de 22 semanas com sífilis secundária relata alergia grave à penicilina (anafilaxia documentada). Conduta correta?
9.Mulher de 28 anos com tricomoníase confirmada por NAAT. Esquema preferencial do CDC 2021?
10.Paciente com herpes genital recorrente (5 episódios por ano) percebe pródromo de queimação há 12 horas. Melhor conduta?
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