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Revisão completa das ITUs: classificação (cistite, pielonefrite, complicada, recorrente e associada a cateter), epidemiologia e resistência no Brasil, fisiopatologia das UPEC, diagnóstico com sensibilidade e especificidade dos exames, esquemas antimicrobianos com doses e estratégias de prevenção baseadas em evidência.
[1] Gupta K, Hooton TM, Naber KG, et al. International clinical practice guidelines for the treatment of acute uncomplicated cystitis and pyelonephritis in women: a 2010 update by IDSA and ESCMID. Clin Infect Dis. 2011;52(5):e103-20 · DOI 10.1093/cid/ciq257 | [2] Hooton TM, Bradley SF, Cardenas DD, et al. Diagnosis, prevention, and treatment of catheter-associated urinary tract infection in adults: 2009 IDSA. Clin Infect Dis. 2010;50(5):625-63 · DOI 10.1086/650482 | [3] Flores-Mireles AL, Walker JN, Caparon M, Hultgren SJ. Urinary tract infections: epidemiology, mechanisms of infection and treatment options. Nat Rev Microbiol. 2015;13(5):269-84 · DOI 10.1038/nrmicro3432 | [4] Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Projeto Diretrizes: Infecções do Trato Urinário não Complicadas - Tratamento · https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/infeccoes-do-trato-urinario-nao-complicadas-tratamento.pdf | [5] US Preventive Services Task Force. Screening for asymptomatic bacteriuria in adults: recommendation statement. JAMA. 2019;322(12):1188-94 · DOI 10.1001/jama.2019.14869 | [6] Beerepoot MAJ, ter Riet G, Nys S, et al. Cranberries vs antibiotics to prevent urinary tract infections: a randomized double-blind noninferiority trial in premenopausal women. Arch Intern Med. 2011;171(14):1270-8 · PMID 21747095 · DOI 10.1093/cid/ciq257
As infecções do trato urinário (ITU) estão entre as infecções bacterianas mais comuns da prática médica, com cerca de 150 milhões de casos por ano no mundo. Ao longo da vida, 50 a 60% das mulheres terão pelo menos um episódio, e 20 a 30% delas terão recorrência em poucos meses. Na atenção hospitalar, a ITU associada a cateter vesical é a infecção relacionada à assistência à saúde mais frequente, respondendo por cerca de 30 a 40% das infecções hospitalares. Para a prova, o estudante precisa dominar três habilidades: distinguir ITU não complicada de complicada e decidir o cenário de tratamento ambulatorial ou hospitalar; escolher o antimicrobiano empírico com dose, via e duração corretas, respeitando o padrão local de resistência; e reconhecer que bacteriúria assintomática quase nunca se trata, com exceções precisas (gestação e procedimentos urológicos sangrentos).
ITU é a invasão e multiplicação de microrganismos em qualquer segmento do trato urinário, da uretra ao parênquima renal, com ou sem sintomas. A classificação clínica é a ferramenta mais útil porque define prognóstico, exames e duração do tratamento. A ITU não complicada ocorre em mulher jovem não gestante, com trato urinário normal e sem comorbidades; a complicada ocorre quando há fator que aumenta risco de falha ou complicações: homem, gestação, obstrução ou cálculo, cateter ou instrumentação, imunossupressão, transplante renal, diabete de difícil controle, anomalias anatômicas ou função renal alterada. A ITU recorrente é definida por 2 ou mais episódios em 6 meses ou 3 ou mais em 12 meses, e se subdivide em recaída (mesma cepa persistente, sugere foco não tratado) e reinfecção (nova cepa ou mesma cepa após intervalo longo, resposta à colonização).
| Categoria | Definição essencial | Conduta típica |
|---|---|---|
| Cistite aguda não complicada | Infecção da bexiga em mulher não gestante sem fator complicador | Antimicrobiano oral curto, sem exame obrigatório |
| Pielonefrite aguda não complicada | Infecção do parênquima renal com febre e dor lombar | Avaliação de gravidade; oral em casos leves, venosa se toxemia |
| ITU complicada | Qualquer ITU com fator de risco associado (homem, gestante, obstrução, cateter) | Urocultura sempre; esquema mais amplo e longo, corrigir o fator |
| ITU recorrente | 2 ou mais episódios em 6 meses ou 3 ou mais em 12 meses | Investigar causa + profilaxia conforme perfil |
| Bacteriúria assintomática | Urocultura significativa sem sintomas urinários | Não tratar, exceto gestação e procedimento urológico sangrante |
| ITU associada a cateter (ITU-CV) | Sintomas compatíveis com cateter em uso ou retirado há até 48 horas | Trocar ou retirar cateter; 7 dias de tratamento |
A ITU é muito mais frequente em mulheres (uretra curta e próxima da região perineal colonizada): a incidência anual de cistite em mulheres de 20 a 40 anos chega a 0,5 a 0,7 episódios por pessoa-ano em grupos sexualmente ativos. Os adolescentes e adultos jovens têm pico ligado ao início da atividade sexual e aos métodos contraceptivos de barreira com espermicida; na pós-menopausa, o hipoestrogenismo e o prolapso elevam a incidência. A Escherichia coli causa 70 a 95% das ITUs não complicadas, seguida por Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis (associado a cálculos de estruvita por urease) e Staphylococcus saprophyticus (5 a 15% das cistites de mulheres jovens saudáveis, com pico no fim do verão e outono). Staphylococcus aureus em urocultura deve levantar suspeita de bacteriúria hematogênica e foco distante.
O ponto crítico para a escolha empírica é a resistência local. As diretrizes recomendam não usar um antimicrobiano empírico quando a resistência de E. coli local excede 20%: no Brasil, as fluoroquinolonas e o sulfametoxazol-trimetoprima frequentemente ultrapassam esse limiar em comunidades e hospitais, o que tornou nitrofurantoína e fosfomicina as bases do tratamento empírico da cistite. Nas ITUs complicadas e hospitalares, a prevalência de Enterobacterales produtores de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL) cresce, exigindo cefalosporina de espectro estendido venosa ou carbapenêmico nas apresentações graves. Resistência e uso prévio de antimicrobianos são os preditores mais fortes de patógeno resistente em urocultura: perguntar sobre antibióticos nos últimos 3 meses é obrigatório.
A via de infecção é ascendente na grande maioria dos casos: bactérias fecais colonizam o vestíbulo vaginal e o períneo, ascendem pela uretra e alcançam a bexiga, onde aderem ao urotélio. As cepas de E. coli uropatogênicas (UPEC) expressam fatores de virulência decisivos: fímbrias tipo 1, cuja adesina FimH liga-se a resíduos de manose nas uroplaquinas do urotélio vesical; fímbrias P, ligadas a receptores globosídeos no urotélio renal e associadas à pielonefrite; hemolisina, sideróforos (aerobactina) e cápsula K, que lesionam células e competem com a resposta imune pelo ferro. Dentro das células uroteliais, as UPEC formam comunidades bacterianas intracelulares e reservatórios quiescentes que escapam aos antimicrobianos e explicam recorrências com a mesma cepa semanas depois. No cateter, a infecção é diferente: bactérias formam biofilme aderido à superfície da sonda, protegido da ação de antibióticos e da defesa do hospedeiro.
Do lado do hospedeiro, a colonização vaginal por Enterobactérias favorece-se da queda de lactobacilos (antibióticos, espermicidas, hipoestrogenismo). Fatores genéticos mudam a suscetibilidade: mulheres não secretoras de antígenos Lewis e do grupo ABO têm receptores mais acessíveis à adesão, e indivíduos com antígeno P1 são mais suscetíveis a pielonefrite por cepas com fímbrias P. A tabela a seguir organiza os fatores de risco cobrados em prova com o respectivo mecanismo e a medida preventiva correspondente.
| Fator de risco | Mecanismo principal | Prevenção dirigida |
|---|---|---|
| Atividade sexual frequente ou nova parceira | Trauma uretral e introdução de flora perineal | Micção pós-coito (evidência limitada, sem risco); profilaxia pós-coital |
| Espermicidas e diafragma | Disrupção de lactobacilos vaginais e seleção de E. coli | Trocar método contraceptivo |
| Menopausa | Hipoestrogenismo, queda de lactobacilos e atrofia urogenital | Estrogênio vaginal tópico |
| Cateter vesical de demora | Biofilme e via direta para a bexiga; risco de 3 a 7% ao dia | Evitar sonda; retirar o mais precoce possível |
| Diabetes mal controlado | Glicúria, disfunção vesical neurogênica e imunopatia | Otimizar controle glicêmico |
| Obstrução, cálculos e refluxo vesico-ureteral | Estase urinária e pressão elevada | Correção urológica quando indicada |
| Antibiótico nos últimos 3 meses | Seleção de cepas resistentes e desequilíbrio da microbiota | Evitar tratamento de bacteriúria assintomática |
A cistite aguda cursa com disúria, polaciúria, urgência miccional e dor suprapúbica, podendo somar hematúria macroscópica e urina fétida; o ponto decisivo é a ausência de febre e de dor lombar. Em mulher jovem com esse quadro típico, a probabilidade pré-teste de ITU é alta e o tratamento empírico é aceito sem exames (IDSA). A pielonefrite aguda cursa com febre (geralmente maior que 38 graus), dor à percussão do ângulo costovertebral, náuseas e vômitos; sintomas de cistite podem estar ausentes em parcela dos casos, e a evolução pode ser insidiosa em idosos, diabéticos e imunossuprimidos. Sinais de urosepse (hipotensão, taquicardia, confusão, oligúria, frio de extremidades) determinam internação imediata.
Situações especiais merecem atenção. No homem, toda ITU deve ser avaliada como complicada e leva em conta a prostatite aguda: febre alta, calafrios, disúria, dor perineal e à palpação da próstata (bilateralmente tensa e quente, e a massagem prostática é contraindicada na fase aguda por risco de bacteriemia). Na gestante, a pielonefrite associa-se a parto prematuro e exige internação. No paciente cateterizado, febre sem outra fonte, com ou sem início recente de confusão e dor suprapúbica, define a suspeita de ITU-CV, lembrando que a bacteriúria assintomática em sondados é quase universal ao fim de um mês de cateterismo e não se trata. No idoso institucionalizado, confusão aguda isolada com urocultura positiva raramente é ITU: a maioria desses episódios não se beneficia de antibiótico.
O exame de urina tipo 1 (EAS/UST) e a urocultura têm papéis distintos do que o estudante costuma decorar. Na cistite típica da mulher não gestante, o diagnóstico é clínico e empírico, e o EAS é opcional. A urocultura é obrigatória na pielonefrite, na ITU complicada, no homem, na gestante, nas recorrências e na falha terapêutica. Os critérios quantitativos clássicos de Kass (100 mil UFC/mL em jato médio) foram revisados pela IDSA: em mulher sintomática, 100 UFC/mL de E. coli já são altamente preditivos, e limiares de mil a 10 mil UFC/mL são aceitos conforme a apresentação clínica.
| Elemento do exame de urina | Sensibilidade | Especificidade | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Esterase leucocitária | 75 a 90% | 85 a 95% | Detecta piúria; negativa com sintomas típicos não exclui ITU |
| Nitrito | 35 a 85% | 95 a 100% | Produzido por Enterobactérias (E. coli); negativo não afasta ITU por cocos |
| Piúria na microscopia | Alta (acima de 90% nos sintomáticos) | 50 a 75% | 10 ou mais leucócitos por milímetro cúbico; piúria estéril sugere tuberculose, cálculo ou uretrite por Chlamydia |
| Hemácias | Baixa e inespecífica | Baixa | Aparecem em 20 a 30% das cistites; isolada, exige investigação se persistente |
A imagem não é rotina na ITU simples. Indica-se ultrassonografia nas recorrências, na suspeita de obstrução ou cálculo e na anuria ou piora da função renal. A tomografia com contraste é o exame de escolha para complicações da pielonefrite: abscesso renal e perinefrético, pielonefrite enfisematosa (gás no parênquima, típica de diabéticos, com mortalidade relevante) e pielonefrite crônica ou xantogranulomatosa. Hemoculturas são recomendadas na pielonefrite hospitalizada e na sepse, positivas em cerca de 20 a 30% dos casos de pielonefrite moderada a grave, e devem ser coletadas antes do antibiótico sempre que possível.
Os princípios do tratamento são: escolher droga de primeira linha conforme resistência local, usar a menor duração eficaz, reservar fluoroquinolonas (papel único na pielonefrite e prostatite) e reavaliar em 48 a 72 horas. Na cistite aguda não complicada, as opções preferidas pela IDSA e pela diretriz brasileira do Projeto Diretrizes (AMB/CFM) são nitrofurantoína, fosfomicina trometamol em dose única e sulfametoxazol-trimetoprima apenas quando a resistência local de E. coli for inferior a 20%. Fluoroquinolonas não devem ser droga de primeira linha empírica para cistite, nem por uma dose única, porque sacrificam uma classe essencial e selecionam resistência.
| Esquema | Dose, via e duração | Comentários |
|---|---|---|
| Nitrofurantoína | 100 mg por via oral de 12 em 12 horas por 5 dias | Primeira linha; eficácia superior a 90%; evitar em clearance abaixo de 30 mL/min e no fim da gestação |
| Fosfomicina trometamol | 3 g por via oral em dose única, à noite, com bexiga cheia | Primeira linha; adesão excelente; efeitos gastrointestinais leves |
| Sulfametoxazol-trimetoprima | 800/160 mg por via oral de 12 em 12 horas por 3 dias | Somente se resistência local de E. coli abaixo de 20%; usar como profilaxia 80/400 |
| Amoxicilina-ácido clavulânico | 500/125 mg de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias | Alternativa quando as primeiras linhas não são possíveis; eficácia menor |
| Ciprofloxacino (na cistite) | 500 mg de 12 em 12 horas por 3 dias | Reservar a casos selecionados por resistência ou alergia; não é empírico de rotina |
Na pielonefrite, o primeiro passo é estratificar: casos leves, tolerando via oral e sem comorbidas podem receber tratamento oral ambulatorial com fluoroquinolona (que atinge concentração tissular renal alta) ou cefalosporina oral, precedida em alguns serviços de uma dose de ceftriaxona intravenosa ou intramuscular. Casos moderados a graves, gestantes e vômito importante exigem internação com terapia venosa e troca para oral após melhora clínica e termólise, completando o esquema por via oral. As durações modernas são mais curtas do que se ensinava: 5 a 7 dias para drogas de alta eficácia (fluoroquinolona, por exemplo levofloxacino 750 mg por dia por 5 dias) e 10 a 14 dias para beta-lactâmicos ou ITU complicada com fatores persistentes, sempre com reavaliação da urocultura quando disponível.
| Situação clínica | Esquema típico | Duração |
|---|---|---|
| Pielonefrite leve ambulatorial | Ciprofloxacino 500 mg VO de 12 em 12 horas ou levofloxacino 750 mg VO por dia; alternativa inicial: ceftriaxona 1 g IM/IV em dose única | 5 a 7 dias (FQ) ou 10 a 14 dias (beta-lactâmico) |
| Pielonefrite hospitalizada | Ceftriaxona 1 a 2 g IV por dia; alternativas: piperacilina-tazobactam 4,5 g IV de 6 em 6 horas ou carbapenêmico (ex.: ertapenema 1 g IV por dia) se risco de ESBL | Total de 7 a 14 dias conforme resposta e cultura |
| ITU na gestante (cistite ou bacteriúria assintomática) | Cefalexina 500 mg VO de 6 em 6 horas, amoxicilina (se cepa suscetível) ou fosfomicina 3 g VO única; evitar fluoroquinolonas e tetraciclinas | 5 a 7 dias (cistite) ou 7 dias (bacteriúria assintomática) |
| ITU no homem | Tratar como complicada; fluoroquinolona preferida por penetrar próstata (ciprofloxacino 500 mg de 12 em 12 horas) | 7 a 14 dias; investigar se recorrente |
| Prostatite aguda | Ciprofloxacino 500 mg VO/IV de 12 em 12 horas ou levofloxacino 750 mg por dia; ajustar por cultura | 4 semanas (28 dias), podendo estender a 6 semanas |
| ITU associada a cateter | Retirar ou trocar o cateter antes de coletar cultura; esquema conforme gravidade (ceftriaxona 1 g IV por dia em casos leves) | 7 dias; 10 a 14 dias se resposta lenta |
Falha de tratamento em 48 a 72 horas (febre persistente ou sintomas mantidos) obriga urocultura e reconsiderar o diagnóstico: resistência do patógeno, obstrução por cálculo, abscesso perinefrético, prostatite não tratada adequadamente ou fonte não urinária. Em sepse do trato urinário, o manejo segue o protocolo de sepse: cristaloide, lactato, antibiótico venoso na primeira hora, controle do foco (retirada de sonda, drenagem de abscesso, desobstrução) e suporte de órgãos.
Na ITU recorrente, antes da profilaxia, corrigem-se fatores modificáveis: trocar contraceptivo espermicida, tratar atrofia vaginal na pós-menopausa, revisar hábitos (hidratação adequada e micção pós-coito são de baixo risco, com evidência limitada) e afastar causas anatômicas. Profilaxia antimicrobiana contínua ou pós-coital reduz recorrências em 80 a 90% enquanto usada, mas tem custo em resistência: no ensaio de Beerepoot (2011), a profilaxia diária com sulfametoxazol-trimetoprima reduziu episódios de 4,0 para 1,8 por ano, porém elevou a resistência de E. coli ao próprio esquema de cerca de 20 a 25% para mais de 80% em um mês de uso. Por isso, medidas não antimicrobianas ganharam posição de destaque.
| Estratégia | Esquema típico | Força da evidência |
|---|---|---|
| Estrogênio vaginal tópico (pós-menopausa) | Estriol creme ou comprimido vaginal, conforme apresentação | Consistente; reduz recorrência ao restaurar lactobacilos |
| Profilaxia contínua com nitrofurantoína | 50 a 100 mg por dia, por 6 meses | Eficaz; reavaliar ao fim; boa opção quando FQ e TMP-SMX estão comprometidos |
| Profilaxia pós-coital | Sulfametoxazol-trimetoprima 80/400 mg ou nitrofurantoína 50 a 100 mg, dose única após relação | Eficaz em recorrências ligadas ao coito, com menor exposição total |
| Cranberry (arando) | Cápsulas ou suco com proantocianidinas diariamente | Benefício modesto e inconsistente; falhou em não inferioridade versus TMP-SMX (Beerepoot, 2011) |
| D-manose | 2 g por dia em dividido | Ensaio randomizado pequeno com redução de recorrência; segurança boa; evidência ainda limitada |
| Vacina oral (OM-89) e imunoprofilaxia | Ciclos de cápsulas conforme fabricante | Cochranes apontam possível benefício; evidência de qualidade intermediária |
| Metenamina hipurato | 1 g de 12 em 12 horas | Revisões recentes sugerem eficácia comparável a antibióticos; boa opção poupadora de antimicrobianos |
Na ITU associada a cateter, a prevenção é assistencial e não medicamentosa: o melhor momento para intervir é antes da sondagem. Cada dia de cateter aumenta o risco de bacteriúria em 3 a 7%; após um mês, praticamente todos os pacientes sondados têm bacteriúria, o que reforça que tratar cultura positiva em sondado assintomático só gera resistência. O pacote de prevenção recomendado pela IDSA e adotado em programas brasileiros de segurança do paciente inclui: questionar diariamente a necessidade real da sonda, preferir coletor peniano ou cateterismo intermitente quando apropriado, inserir a sonda com técnica asséptica, manter sistema fechado de drenagem, manter bolsa abaixo do nível da bexiga, não trocar rotineiramente a sonda em intervalos fixos e nunca usar antibiótico profilático para bacteriúria do cateter. Retirar a sonda o mais cedo possível permanece a intervenção isolada de maior impacto.
A cistite não complicada tratada tem resolução acima de 90% e prognóstico excelente; complicações surgem sobretudo na pielonefrite e nas ITUs complicadas. Sepse do trato urinário é uma das portas de entrada mais frequentes de sepse grave e choque séptico, especialmente em idosos e portadores de obstrução; a mortalidade do choque séptico de origem urinária é comparável à de outras fontes e depende do controle rápido do foco. O abscesso renal e o perinefrético ocorrem em cerca de 0,2% das pielonefrites hospitalizadas e exigem drenagem percutânea quando maiores que 3 cm ou em deterioração clínica. A pielonefrite enfisematosa, típica do diabético, combina gás no parênquima renal e mortalidade elevada, com tratamento que vai de antibiótico venoso e drenagem a nefrectomia de urgência nos casos extensos. Nas crianças com refluxo vesico-ureteral e nas ITUs de repetição, a pielonefrite crônica deixa cicatrizes renais que podem evoluir para doença renal crônica e hipertensão; no adulto sem obstrução, a ITU recorrente raramente causa perda de função renal. A prostatite crônica e a cistite recorrente impactam qualidade de vida e sexualidade, e o manejo exige disciplina no uso de antimicrobianos para não transformar recorrência em resistência.
1.O agente etiológico mais frequente das infecções do trato urinário não complicadas é:
2.Qual esquema é considerado de primeira linha para cistite aguda não complicada, com taxa de cura superior a 90% e baixo impacto na resistência?
3.O principal argumento para NÃO usar fluoroquinolona como primeira escolha empírica da cistite não complicada no Brasil é:
4.A bacteriúria assintomática DEVE ser rastreada e tratada em qual situação?
5.Um exame de urina com nitrito positivo indica:
6.Mulher de 34 anos, previamente saudável, apresenta febre de 38,8 graus, dor lombar direita e vômitos; ela não tolera via oral. A conduta e o esquema inicial corretos são:
7.A medida isolada mais eficaz para prevenir ITU associada a cateter vesical é:
8.Define-se ITU recorrente como:
9.Na mulher pós-menopáusca com ITUs recorrentes e atrofia urogenital, a intervenção não antimicrobiana com melhor evidência é:
10.O tratamento da prostatite bacteriana aguda, em paciente estável, tipicamente dura:
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