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Revisão completa das reações de hipersensibilidade (Gell e Coombs tipos I a IV), com mecanismos, exemplos clássicos, diagnóstico (prick test, IgE específica, triptase) e tratamento com doses, incluindo protocolo de anafilaxia.
[1] Abbas AK, Lichtman AH, Pillai S. Cellular and Molecular Immunology. 10ª ed. Elsevier. 2022 | [2] Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins and Cotran — Pathologic Basis of Disease. 10ª ed. Elsevier. 2021 | [3] Cardona V, Ansotegui IJ, Ebisawa M, et al. World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020. World Allergy Organ J. 2020;13(10):100472 · DOI 10.1016/j.waojou.2020.100472 | [4] Shaker MS, Wallace DV, Golden DBK, et al. Anaphylaxis — a 2020 practice parameter update, systematic review and GRADE analysis. Ann Allergy Asthma Immunol. 2020;125(6):595-623 · DOI 10.1016/j.anai.2020.01.023 | [5] Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Alergia. Anafilaxia: atualização 2021 — Guia Prático de Atualização. SBP/ASBAI. 2021 · www.sbp.com.br | [6] Muraro A, Worm M, Alviani C, et al. EAACI Guidelines: Anaphylaxis (2021 update). Allergy. 2022;77(2):357-377 · DOI 10.1111/all.15032 · DOI 10.1016/j.waojou.2020.100472
Hipersensibilidade é o nome dado às respostas imunes que, em vez de proteger o hospedeiro, causam dano tecidual excessivo ou desproporcional ao antígeno. Dentro desse universo, a alergia — reação de hipersensibilidade iniciada por anticorpos IgE contra alérgenos ambientais, alimentos, venenos ou fármacos — é a forma mais prevalente de doença imunológica no mundo: a rinite alérgica afeta de 10% a 30% da população, a asma atinge mais de 300 milhões de pessoas e a anafilaxia tem prevalência ao longo da vida estimada entre 0,05% e 2%. Para a prova, o aluno precisa dominar três eixos: a classificação de Gell e Coombs (com exemplos clínicos de cada tipo), a fisiopatologia da reação tipo I em duas fases e o manejo da anafilaxia com adrenalina intramuscular — o erro mais classicamente cobrado é trocar a droga de primeira linha por anti-histamínico ou corticoide.
A classificação proposta por Gell e Coombs (1963) divide as reações de hipersensibilidade em quatro tipos conforme o efetor imunológico dominante: IgE (tipo I, imediata), anticorpo citotóxico IgG/IgM (tipo II), imunocomplexos (tipo III) e linfócitos T (tipo IV, retardada). O critério temporal é o primeiro filtro diagnóstico na prática: reações em minutos sugerem tipo I; reações em horas a poucos dias com vasculite ou dermatite sugerem III ou IV. Alguns autores modernos (classificação de Pichler) subdividem o tipo IV em IVa (Th1), IVb (Th2/eosinofílica), IVc (citotóxica por TCD8, como a necrólise epidérmica tóxica) e IVd (neutrofílica), mas a nomenclatura Gell e Coombs continua sendo o padrão cobrado nas provas brasileiras.
| Tipo | Efetor | Mecanismos | Cronologia | Exemplos clássicos |
|---|---|---|---|---|
| I — imediata (anafilática) | IgE + mastócito (FcεRI) | Degranulação de mastócitos: histamina, triptase, leucotrienos, PAF | Minutos (5 a 30); fase tardia em 2 a 8 h | Rinite e conjuntivite alérgica, asma alérgica, anafilaxia a alimentos, veneno e fármacos |
| II — citotóxica | IgG ou IgM | Complemento (MAC), opsonização e fagocitose, ADCC; variante anti-receptor (estimulante ou bloqueante) | Horas a dias | Anemia hemolítica autoimune, doença hemolítica perinatal anti-D, síndrome de Goodpasture, pênfigo, miastenia grave (bloqueante), Graves (estimulante) |
| III — imunocomplexos | Imunocomplexos Ag-Ac IgG | Deposição em parede vascular, ativação de complemento (C3a, C5a), quimiotaxia de neutrófilos | 4 a 12 h (Arthus local); 7 a 10 dias (doença do soro) | Doença do soro, reação de Arthus, glomerulonefrite pós-estreptocócica, lúpus eritematoso sistêmico, pneumonia de hipersensibilidade |
| IV — retardada | Linfócitos T (CD4 Th1/Th17 ou CD8) | Ativação de macrófagos (IFN-γ, IL-17), citotoxicidade direta, dermatite de contato | 24 a 72 h (leitura da tuberculina em 48 a 72 h) | Dermatite de contato por níquel (hapteno), tuberculina, granulomas, reações a metais e conservantes |
As doenças alérgicas concentram-se na infância e na adolescência e acompanham a transição epidemiológica: quanto mais urbanizado o país, maiores as prevalências (hipótese da higiene — menor exposição a microrganismos e parasitas desloca a resposta imune para o perfil Th2). A rinite alérgica acomete 10% a 30% da população mundial; no Brasil, o estudo ISAAC identificou sintomas de rinite em torno de 25% a 30% dos adolescentes. A asma afeta mais de 300 milhões de pessoas no planeta e, no Brasil, tem prevalência estimada em cerca de 10% a 15% dos escolares, com mortalidade ainda relevante e majoritariamente evitável. A alergia alimentar afeta aproximadamente 5% a 10% das crianças e até 5% dos adultos em países ocidentais, com leite, ovo, amendoim, nozes, trigo, soja, peixes e camarão respondendo pela grande maioria dos casos. Cerca de 0,5% a 3,5% da população geral já apresentou reação sistêmica a veneno de himenópteros (abelha, vespa, marimbondo). Um dado de prova: cerca de 10% da população carrega o rótulo de alérgico à penicilina, mas menos de 2% têm alergia confirmada ao serem testados — a maioria dos rótulos é falsa e nega indevidamente o antibiótico de primeira linha.
A primeira exposição ao alérgeno é silenciosa (fase de sensibilização): o antígeno é capturado por células apresentadoras, processado e apresentado a linfócitos T CD4 virgens, que, sob influência de IL-4 e IL-13 e do perfil Th2, ativam linfócitos B. Os B sofrem comutação de classe para IgE (switching epsilon, dependente de CD40-CD40L e IL-4) e produzem IgE específica, que se liga com alta afinidade ao receptor FcεRI na superfície de mastócitos e basófilos — a célula fica armada, mas o paciente ainda não tem sintomas. A atopia é a predisposição genética a esse desvio Th2, com forte agregação familiar e polimorfismos em genes de IL-4, IL-13 e STAT6.
Na reexposição, o alérgeno bivalente ou multivalente cruza duas IgE adjacentes na superfície do mastócito (bridging), disparando desgranulação em segundos. A fase imediata (5 a 30 minutos) é dominada por mediadores pré-formados — histamina, triptase, quimase, heparina — e por mediadores recém-sintetizados da via da fosfolipase A2/ciclooxigenase e 5-lipoxigenase: prostaglandina D2, leucotrienos C4, D4 e E4 e fator ativador de plaquetas (PAF). O resultado é vasodilatação, aumento da permeabilidade, prurido, broncoespasmo e hipersecreção. A fase tardia (2 a 8 horas depois) resulta da recapitulação por citocinas mastocitárias (TNF, IL-4, IL-13) e da infiltração de eosinófilos, basófilos e linfócitos Th2, perpetuando congestão nasal, obstrução brônquica e hiper-reatividade — é a razão pela qual a crise não termina quando a histamina cai.
Na hipersensibilidade tipo II, anticorpos IgG ou IgM dirigidos a antígenos de superfície celular ou da matriz tecidual lesionam o alvo por três vias: ativação do complemento até o complexo de ataque à membrana (MAC, C5b-C9), opsonização com fagocitose esplênica ou hepática, e citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC). Exemplos canônicos com o autoanticorpo correspondente: anemia hemolítica autoimune a quente (IgG anti-eritrócito, hemólise extravascular esplênica), doença hemolítica perinatal por anti-D (hemólise intravascular por complemento), púrpura trombocitopênica imune (anti-GPIIb/IIIa), síndrome de Goodpasture (anti-colágeno tipo IV da membrana basal glomerular e alveolar), pênfigo vulgar (anti-desmogleina 3, acantólise) e anemia perniciosa (anti-fator intrínseco). Nas variantes anti-receptor sem dano celular direto, o anticorpo estimula (Graves, anti-TSHR) ou bloqueia (miastenia grave, anti-receptor de acetilcolina) a função.
Na tipo III, o desequilíbrio antígeno-anticorpo favorece imunocomplexos circulantes de tamanho intermediário que se depositam em leitos de alta pressão hidrostática (glomérulo, sinóvia, pele, serosas), ativam complemento e recrutam neutrófilos, gerando vasculite leucocitoclástica. A reação de Arthus é a forma local: edema e ulceração 4 a 12 horas após injeção intradérmica do antígeno em hospedeiro imunizado. A doença do soro é a forma sistêmica: febre, urticária, artralgias, linfadenopatia e proteinúria 7 a 10 dias após a exposição (soros heterólogos, biológicos monoclonais, penicilinas), por deposição de imunocomplexos formados contra a proteína estranha.
Na tipo IV, não há anticorpo: linfócitos T previamente sensibilizados reconhecem o antígeno apresentado por MHC II (Th1) ou MHC I (TCD8) e recrutam macrófagos por IFN-γ e IL-17, formando granulomas, ou matam células-alvo diretamente (perforinas e granzimas). O protótipo é a dermatite de contato alérgica por haptenos metálicos (níquel, cromo, cobalto) e borracha de luvas: eczema vesiculoso pruriginoso que surge 24 a 72 horas após o contato. A intradermorreação de Mantoux lida em 48 a 72 horas e as lesões granulomatosas da tuberculose, hanseníase e sarcoidose seguem o mesmo mecanismo. Na sub-classificação de Pichler, IVa é Th1/macrófago, IVb é Th2/eosinofílica (exacerbações asmáticas por fármacos), IVc é citotoxicidade TCD8 (NET/Stevens-Johnson) e IVd é neutrofílica (pustulose generalizada, síndrome de Sweet).
A rinite alérgica apresenta rinorreia aquosa, espirros em salva, prurido nasal e obstrução, com o sinal da saliência horizontal (rugas no dorso nasal) e olheiras alérgicas por congestão venosa; a conjuntivite acompanha em grande parte dos casos. A asma alérgica cursa com sibilos, tosse noturna e dispneia paroxística, tipicamente com variabilidade do pico de fluxo maior que 20%. A alergia alimentar IgE-mediada causa síndrome oral alérgica (prurido labial e faríngeo por reatividade cruzada com pólenes), urticária de contato, vômitos e, nos casos graves, anafilaxia. As reações a veneno evoluem com reação local grande (edema maior que 10 cm persistindo mais de 24 horas) ou sintomas sistêmicos — prurido generalizado, urticária, angioedema, laringoespasmo, broncoespasmo e hipotensão.
Anafilaxia é a emergência da tipo I. Os critérios diagnósticos de NIAID/FAAN (2006) são cobrados literalmente: a anafilaxia é provável quando há início agudo (minutos a horas) com envolvimento cutâneo-mucoso (urticária generalizada, prurido, flush, lábios e língua edemaciados) SOMADO a pelo menos um de: comprometimento respiratório (dispneia, sibilos, estridor, queda de SpO2), hipotensão ou síncope, ou sintomas gastrointestinais graves (vômitos persistentes, dor abdominal); OU quando há dois ou mais sistemas acometidos após exposição a alérgeno provável; OU hipotensão após exposição conhecida. Hipotensão é definida como queda maior que 30% da pressão basal ou, por faixa, PAS menor que 70 mmHg em lactentes, menor que 70 + (2 x idade) de 1 a 10 anos, e menor que 90 mmHg em adultos.
| Achado | Anafilaxia | Síncope vasovagal |
|---|---|---|
| Início | Minutos após o gatilho (alimento, veneno, fármaco, látex) | Dor, emoção, ortostatismo, ambiente quente |
| Pele | Urticária difusa, angioedema, prurido intenso (presente em 80-90%) | Pálida, diaforética, fria, sem urticária |
| Respiratório | Estridor, sibilos, tiragem, hipoxemia | Respiração rápida e superficial, sem tiragem |
| Hemodinâmica | Taquicardia compensadora e hipotensão (adrenalina é o tratamento) | Bradicardia com hipotensão breve, recuperação em decúbito |
| Desfecho em decúbito | Persiste ou piora; pode progredir para choque | Recupera consciência em segundos a minutos |
| Conduta | Adrenalina IM 0,01 mg/kg em coxa + suporte avançado | Decúbito, elevação de MMII, observação breve |
O prick test (teste puntório) é o método de primeira linha para alergia IgE-mediada: gota do extrato alergênico no antebraço ou dorso, puntura com lanceta de 1 mm, leitura em 15 a 20 minutos, considerando positivo a pápula com diâmetro 3 mm ou maior que o controle negativo (diluente). Requer controle positivo com histamina (verifica ausência de efeito de anti-histamínicos — que devem ser suspensos de 5 a 7 dias antes; antidepressivos e beta-bloqueadores exigem análise de risco) e não é realizado durante exacerbação grave de asma. A IgE sérica específica (ImmunoCAP e similares) dosa anticorpos no soro, com ponto de corte usual de 0,35 kU/L; tem sensibilidade comparável ao prick para inalantes, não é afetada por anti-histamínicos e é a opção em dermatografismo ou lesões cutâneas extensas.
A dosagem de IgE total tem papel limitado: valores elevados sustentam atopia ou parasitose (valores de referência em adultos geralmente abaixo de 100-150 kU/L), mas não identificam o alérgeno. A triptase sérica deve ser colhida idealmente entre 15 e 120 minutos do início da anafilaxia (pico), com amostra basal após 24 horas: elevação de 20% + 2 sobre a basal confirma ativação mastocitária, e basal persistentemente maior que 11,4 microgramas/L sugere mastocitose sistêmica, indicando pesquisa de mutação KIT D816V. O diagnóstico molecular por componentes (component-resolved diagnosis) aumenta a precisão: Ara h 2 (amendoim) e Gal d 1 (ovomucoide do ovo) predizem reações graves e persistência, enquanto sensibilizações a componentes cruzados com pólen preveem reações leves. O teste de provocação oral controlado em ambiente hospitalar permanece o padrão-ouro para alergia alimentar. Para hipersensibilidade tipo IV, o patch test com leitura em 48 e 72-96 horas é o método de escolha (dermatite de contato).
| Método | Princípio | Leitura e valores | Nota de prova |
|---|---|---|---|
| Prick test | IgE fixada em mastócito cutâneo degranula com alérgeno | Pápula ≥ 3 mm acima do controle negativo, em 15-20 min | Suspender anti-histamínicos 5-7 dias; controle positivo com histamina |
| IgE específica sérica | Captura de IgE anti-alérgeno por imunofluorescência | Positivo a partir de 0,35 kU/L | Não sofre efeito de anti-histamínicos; útil em dermatite extensa |
| IgE total | Quantificação de IgE circulante | Adultos: tipicamente < 100-150 kU/L | Elevada em atopia e parasitoses; não identifica o alérgeno |
| Triptase sérica | Enzima mastocitária liberada na desgranulação | Pico 15-120 min; basal > 11,4 µg/L sugere mastocitose | Colher amostra aguda e basal; meia-vida de cerca de 2 h |
| Provocação oral | Exposição supervisionada escalonada | Padrão-ouro da alergia alimentar | Sempre em ambiente com suporte para anafilaxia |
| Patch test | Hipersensibilidade tardia T-mediada ao hapteno | Leitura em 48 h e 72-96 h | Método de escolha na dermatite de contato |
O tratamento segue uma escada: evitação do alérgeno identificável, medicação sintomática anti-inflamatória e, nos casos moderados a graves ou com risco anafilático, imunoterapia específica com alérgeno (AIT) e anticorpos monoclonais. Anti-histamínicos H1 de segunda geração são a base da rinite e da urticária por bloquearem o receptor H1 sem efeito anticolinérgico relevante. Corticoides intranasais são os medicamentos mais eficazes da rinite persistente (efeito máximo em dias a semanas). Antileucotrienos (montelucaste 10 mg/dia oral; 4-5 mg em crianças) bloqueiam o receptor CysLT1, úteis na asma e na rinite com componente bronquial, com advertência de neuropsiquiátricos na bula. Corticoides sistêmicos curtos reservam-se a exacerbações.
| Fármaco/classe | Dose usual e via | Indicação | Observação |
|---|---|---|---|
| Cetirizina (anti-H1 2ª geração) | 10 mg VO 1x/dia (5 mg em 6-12 anos) | Rinite, urticária | Sedação leve; ajustar em insuficiência renal |
| Loratadina / desloratadina | 10 mg / 5 mg VO 1x/dia | Rinite, urticária | Praticamente sem sedação em dose padrão |
| Bilastina / fexofenadina | 20 mg / 180 mg VO 1x/dia | Rinite, urticária | Fexofenadina não sofre metabolismo hepático |
| Hidroxizina (anti-H1 1ª geração) | 25 mg VO 3-4x/dia | Urticária aguda, prurido | Sedação marcante; não usar antes de prick test |
| Mometasona intranasal | 200 µg/dia (2 jatos de 50 µg por narina) | Rinite persistente | Mais eficaz que anti-H1 para obstrução nasal |
| Montelucaste | 10 mg VO/dia (4 mg < 6 anos; 5 mg 6-14 anos) | Asma, rinite | Antileucotriênio CysLT1; alerta de eventos neuropsiquiátricos |
| Adrenalina (anafilaxia) | 0,01 mg/kg IM (máx 0,5 mg) em face anterolateral da coxa; repetir 5-15 min | Anafilaxia — primeira linha | Autoinjetores de 0,15 mg (15-30 kg) e 0,3 mg (> 30 kg) |
| Omalizumabe (anti-IgE) | 150-300 mg SC a cada 2-4 semanas conforme peso e IgE | Asma grave, urticária crônica | Reduz IgE livre; não usar se IgE muito baixa ou muito alta fora de faixa |
A imunoterapia específica com alérgeno (vacinas antialérgicas) é o único tratamento capaz de modificar a história natural da doença: aplicações subcutâneas (SCIT) ou sublinguais (SLIT) do alérgeno em doses escalonadas induzem linfócitos T reguladores, IL-10, TGF-beta e anticorpos bloqueantes IgG4, deslocando a resposta de Th2 para Treg. A duração é de 3 a 5 anos para eficácia sustentada. No alergia a veneno de himenópteros, a SCIT é o grande sucesso da especialidade, protegendo mais de 90% (até 95-98% em séries) dos pacientes contra reações sistêmicas futuras — indicada a todo paciente com anafilaxia prévia a veneno e teste positivo. SLIT com comprimidos sublinguais de ácaros e gramíneas é opção para rinite moderada-grave e asma leve controlada.
A mortalidade da anafilaxia está diretamente ligada ao atraso na adrenalina: a maioria das mortes ocorre em pacientes que receberam a droga tardiamente ou nunca a receberam. A adrenalina reverte os três mecanismos letais — vasodilatação (alfa-1 vasoconstritor), broncoespasmo (beta-2) e estabilidade mastocitária (beta-2) — enquanto anti-histamínicos e corticoides são apenas coadjuvantes e nunca substituem a primeira dose.
Reação bifásica ocorre em 3% a 20% dos casos — recorrência da anafilaxia 1 a 72 horas após a resolução inicial, na maioria dentro de 8 horas — e justifica o período de observação. Fatores de risco para gravidade e morte: asma não controlada, doença cardiovascular, mastocitose (elevação basal de triptase), atraso na adrenalina, adolescentes e adultos jovens com alergia alimentar, e cofatores como exercício, AINEs, álcool, infecção viral e menstruação (anafilaxia dependente de estrogênio). O prognóstico da rinite e da asma alérgicas é excelente com tratamento adequado; a marcha alérgica (atopia → dermatite atópica → rinite → asma) é o conceito longitudinal que explica a coexistência das doenças. Seguimento: reavaliar necessidade de imunoterapia, treinar o uso do autoinjetor (prescrever dois, um para cada local), retestar alergia a penicilina rotulada antes de negar betalactâmicos e reavaliar tolerância a leite e ovo em crianças (superação em torno de 80% até a idade escolar).
1.Uma paciente de 24 anos usa brincos de folheado e desenvolve eczema vesiculoso pruriginoso no lóbulo, surgido 48 horas após o uso. Qual o mecanismo da lesão?
2.Qual das situações é mediada por anticorpo anti-receptor, configurando hipersensibilidade tipo II em variante não citotóxica?
3.Sobre a fisiopatologia da reação tipo I, qual afirmativa é correta?
4.Criança de 8 anos (25 kg) apresenta anafilaxia por amendoim com hipotensão e estridor no pronto-socorro. Qual a conduta imediata correta?
5.Qual o critério de positividade do prick test e a preparação necessária?
6.A dosagem da triptase sérica na investigação de anafilaxia tem qual interpretação correta?
7.Paciente recebe soroterapia heteróloga e, 8 dias depois, apresenta febre, urticária generalizada, artralgias e adenomegalia. Qual o diagnóstico e mecanismo?
8.Sobre a imunoterapia específica com alérgeno (AIT), qual afirmativa é correta?
9.Qual afirmativa sobre epidemiologia e rótulos de alergia é verdadeira?
10.Na anafilaxia refratária a múltiplas doses de adrenalina em paciente em uso de propranolol, qual fármaco deve ser considerado?
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