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Revisão completa de polifarmácia no idoso: definições numéricas, epidemiologia brasileira, mudanças farmacocinéticas do envelhecimento, consequências como quedas e reações adversas, critérios de Beers 2023 e STOPP/START v3, cascata de prescrição, processo de desprescrição em cinco passos com esquemas de retirada gradual e estratégias de comunicação com o paciente.
[1] 2023 American Geriatrics Society Beers Criteria Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. J Am Geriatr Soc. 2023;71(7):2052-2081 · DOI 10.1111/jgs.18372 | [2] O'Mahony D, Cherubini A, Guiteras AR, et al. STOPP/START criteria for potentially inappropriate prescribing in older people: version 3. Eur Geriatr Med. 2023;14(4):625-632 · DOI 10.1007/s41999-023-00777-y | [3] Scott IA, Hilmer SN, Reeve E, et al. Reducing inappropriate polypharmacy: the process of deprescribing. JAMA Intern Med. 2015;175(5):827-834 · DOI 10.1001/jamainternmed.2015.0324 | [4] Gomes MS, Amorim WW, Morais RS, et al. Polypharmacy in older patients at primary care units in Brazil. Int J Clin Pharm. 2019;41(2):516-524 · DOI 10.1007/s11096-018-00780-5 · PMID 30680513 | [5] Masnoon N, Shakib S, Kalisch-Ellett L, Caughey GE. What is polypharmacy? A systematic review of definitions. BMC Geriatr. 2017;17(1):230 · DOI 10.1186/s12877-017-0621-2 · DOI 10.1111/jgs.18372
O Brasil envelheceu rápido: o Censo 2022 contabilizou 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, 15,6% da população, e as estimativas do IBGE já apontam mais de 34 milhões de idosos em 2024. Com a idade chegam as comorbidades múltiplas e, com elas, a soma de prescrições de vários especialistas: o resultado é a polifarmácia, definida na prática como uso concomitante de 5 ou mais medicamentos, que atinge cerca de um quinto dos idosos atendidos na atenção primária brasileira e proporções ainda maiores em hospitais e instituições de longa permanência. Cada medicamento adicional eleva o risco de reação adversa, interação, queda, declínio cognitivo e hospitalização, criando um ciclo em que os efeitos adversos são tratados com novos fármacos.
A resposta organizada a esse problema tem dois braços que o aluno precisa dominar: os critérios explícitos de prescrição potencialmente inapropriada (Beers 2023, STOPP/START versão 3, com adaptações brasileiras como a lista de medicamentos potencialmente inapropriados e o aplicativo MPI Brasil) e a desprescrição, processo estruturado de revisão, priorização e retirada gradual de fármacos cujos riscos superam os benefícios no contexto de cada paciente. Este artigo percorre definições, números brasileiros, farmacologia do envelhecimento, critérios com exemplos, cascata de prescrição e o plano passo a passo de desprescrição com esquemas de retirada.
A revisão sistemática de Masnoon e colaboradores, que analisou 138 estudos sobre o tema, confirmou que a definição numérica mais frequente de polifarmácia é o uso concomitante de 5 ou mais medicamentos; uso de 10 ou mais é chamado de hiperpolifarmácia. Importante para provas e para a clínica: a contagem inclui medicamentos de uso contínuo, sob demanda, isentos de prescrição, fitoterápicos e suplementos, porque todos interagem com a lista formal. Polifarmácia não é sinônimo automático de má prescrição: existe polifarmácia apropriada, quando cada fármaco tem indicação, dose ajustada e monitorização, o que é comum no idoso multimórbido; o problema é a polifarmácia problemática, em que a soma de fármacos cria mais risco do que benefício.
Três conceitos completam o vocabulário. Medicamento potencialmente inapropriado (MPI) é aquele cujo risco supera o benefício na maioria dos idosos, seja por perfil farmacológico (anticolinérgicos, benzodiazepínicos de meia-vida longa), por dose ou duração inadequadas, ou por interação com doenças presentes; os critérios de Beers e STOPP catalogam esses fármacos. Prescrição omitida (underprescribing) é a falha por falta: não prescrever anticoagulante na fibrilação atrial ou estatina na doença coronariana estabelecida, capturada pelos critérios START. Cascata de prescrição é o efeito adverso de um fármaco interpretado como nova doença e tratado com mais um fármaco, mecanismo que expande silenciosamente a lista medicamentosa.
| Conceito | Definição operacional | Exemplo típico |
|---|---|---|
| Polifarmácia | Uso concomitante de 5 ou mais medicamentos | Idosa hipertensa, diabética, com osteoartrose, depressão e insônia: 8 medicamentos diários |
| Hiperpolifarmácia | Uso concomitante de 10 ou mais medicamentos | Paciente institucionalizado com 12 fármacos, incluindo 3 psicotrópicos |
| Medicamento potencialmente inapropriado (MPI) | Fármaco cujo risco supera o benefício na maioria dos idosos | Amitriptilina para neuropatia dolorosa em idoso com constipação e retenção urinária |
| Prescrição omitida | Omissão de fármaco claramente indicado e tolerado | Fibrilação atrial de alto risco sem anticoagulação por medo de sangramento |
| Cascata de prescrição | Efeito adverso tratado como nova doença com novo fármaco | Amlodipino causa edema; acrescenta-se furosemida em vez de trocar o anti-hipertensivo |
No Brasil, o estudo de Gomes e colaboradores em 386 idosos de 23 unidades básicas de saúde encontrou polifarmácia quantitativa (5 ou mais fármacos na prescrição) em 20,5% dos atendimentos e polifarmácia qualitativa (5 ou mais fármacos incluindo ao menos um medicamento potencialmente inapropriado) em 10,4%; ter 3 ou mais morbidades autorreferidas foi o fator associado de maior peso. Séries brasileiras em hospitais e instituições de longa permanência relatam prevalências de 40 a 70%, e estudos com critérios explícitos detectam ao menos um MPI em 25 a 60% das prescrições de idosos, com benzodiazepínicos, anti-inflamatórios não esteroides, anti-histamínicos de primeira geração, antidepressivos tricíclicos e antiulcerosos de uso crônico sem indicação liderando as listas nacionais.
No mundo, revisões de prevalência em idosos comunitários situam a polifarmácia entre 20 e 40%, subindo para mais de 60% em asilos e pacientes internados. O ponto de virada epidemiológico é a multimorbidade: aproximadamente dois terços dos idosos brasileiros têm 2 ou mais doenças crônicas, e cada consulta a um novo especialista tende a acrescentar medicamentos sem que ninguém revise o todo. O número de prescritores diferentes, a automedicação com isentos de prescrição e o uso de fitoterápicos (chás e extratos que também inibem ou induzem citocromos) são os fatores de risco modificáveis mais citados.
O risco da polifarmácia nasce da farmacocinética alterada. A composição corporal muda: queda da massa magra e da água corporal total com aumento da gordura, o que reduz o volume de distribuição de fármacos hidrossolúveis (digoxina e lítio atingem concentrações maiores) e prolonga a meia-vida dos lipossolúveis (diazepam se acumula por dias). A albumina sérica menor aumenta a fração livre de fármacos muito ligados a proteínas, como fenitoína e warfarina. A clearance renal cai fisiologicamente cerca de 10% por década após os 40 anos, exigindo ajuste de dose ou intervalo de metformina, dabigatrana, hipoglicemiantes orais, antibióticos e opioides mesmo com creatinina normal, porque a massa muscular reduzida mascara a perda de função no exame isolado. A depuração hepática de fluxo (beta-bloqueadores, nitratos, opioides) diminui com a redução do fluxo hepático e da massa do órgão.
Do lado farmacodinâmico, o idoso é mais sensível a benzodiazepínicos (mais sedação, quedas e fraturas), a anticoagulantes e a anti-hipertensivos (hipotensão postural), e menos sensível a beta-agonistas e beta-bloqueadores. A homeostase de barorreflexo e termorregulação está atenuada. Na prática, três regras de ouro: começar com a metade da dose habitual e subir devagar (start low, go slow); titular por desfecho clínico e não por número de comprimidos; e recalibrar as metas terapêuticas à expectativa de vida e às preferências do paciente, porque um controle glicêmico intensivo (hemoglobina glicada abaixo de 7%) raramente benefita o idoso frágil e aumenta hipoglicemias.
As consequências são dose-dependentes do número de fármacos. Reações adversas a medicamentos respondem por parcela relevante de internações de idosos, e o risco cresce de forma aproximadamente exponencial com cada fármaco adicional; psicofármacos (benzodiazepínicos, antidepressivos, antipsicóticos) e anti-hipertensivos lideram as hospitalizações por quedas e fraturas, com a fratura de fêmur como desfecho mais temido. A carga anticolinérgica acumulada (amitriptilina, biperideno, oxibutinina, anti-histamínicos, ciclobenzaprina) associa-se a boca seca, constipação, retenção urinária, confusão aguda e declínio cognitivo acelerado. Interações farmacodinâmicas clássicas: anti-inflamatório não esteroide mais anti-hipertensivo (perda de controle pressórico e injúria renal) e mais anticoagulante (sangramento digestivo); benzodiazepínico mais opioide (depressão respiratória, queda).
Somam-se a adesão prejudicada (regimes complexos com horários diferentes levam a esquecimentos e duplicações), custos diretos e o risco de pior desfecho cognitivo e funcional. É essencial lembrar que o oposto também mata: a subprescrição (não anticoagular fibrilação atrial, não tratar dor, não prescrever inalador na doença pulmonar obstrutiva crônica) é a outra face da prescrição inapropriada e é o alvo dos critérios START. A avaliação correta sempre olha para os dois lados: retirar o que faz mal, manter e iniciar o que faz bem.
Os critérios da American Geriatrics Society, atualizados em 2023, organizam-se em cinco listas: medicamentos potencialmente inapropriados na maioria dos idosos; medicamentos potencialmente inapropriados em doenças ou síndromes específicas; medicamentos a usar com cautela; combinações de fármacos com interações clinicamente relevantes; e fármacos que exigem ajuste de dose pela função renal. O documento não substitui o julgamento clínico: serve como rastreio sistemático de candidatos à revisão. Os exemplos abaixo são os de maior rendimento em prova e mais relevantes na prática brasileira.
| Classe ou fármaco | Risco no idoso | Alternativa prática |
|---|---|---|
| Benzodiazepínicos de qualquer meia-vida | Sedação, quedas, fraturas, dependência e piora da cognição; evitar início em qualquer idade avançada | Higiene do sono, melatonina, tratar dor e causas da insônia; retirada gradual se em uso crônico |
| Antidepressivos tricíclicos e anticolinérgicos puros (amnitriptilina, biperideno, oxibutinina) | Confusão, retenção urinária, constipação, glaucoma de ângulo fechado, sobrecarga anticolinérgica | Inibidores seletivos de recaptação de serotonina em dose baixa; para urgência urinária, trocar por mirabegrona ou toxina botulínica |
| Anti-histamínicos de primeira geração (dexclorfeniramina, dimenidrinato, hidroxizina) | Sedação prolongada, delirium, retenção urinária, quedas | Anti-histamínicos de segunda geração (loratadina, cetirizina) e medidas não farmacológicas para náusea |
| Anti-inflamatórios não esteroides de uso crônico | Sangramento digestivo, injúria renal, hipertensão e insuficiência cardíaca | Paracetamol até 3 g/dia em ciclos, anti-inflamatórios tópicos, exercício; opioide curto só para dor refratária |
| Hipoglicemiantes sulfonilureícos de longa ação (glibenclamida, clorpropamida) | Hipoglicemia prolongada e grave, a maior causa de hipoglicemia em idosos | Metformina ajustada à função renal, inibidores de DPP-4, priorizar controle individualizado |
| Relaxantes musculares (ciclobenzaprina, orfenadrina) | Eficácia duvidosa, forte efeito anticolinérgico e sedativo | Fisioterapia, calor local, paracetamol, anti-inflamatório tópico |
| Inibidor de bomba de prótons por mais de 8 semanas sem indicação | Fraturas, hipomagnesemia, deficiência de B12, enterocolite por Clostridioides difficile | Reavaliar indicação, reduzir para demanda ou dose mínima eficaz |
| Anti-psicóticos para sintomas psicóticos e comportamentais da demência sem risco imediato | Morte e acidente vascular cerebral aumentados, sedação, quedas, discinesia | Medidas não farmacológicas primeiro; se imprescindível, dose mínima e retirada precoce programada |
Os critérios STOPP/START, europeus e muito usados no Brasil, foram atualizados em 2023 para a versão 3, com 190 critérios no total: 133 STOPP (prescrições a interromper ou evitar, organizadas por sistemas fisiológicos e por princípios da boa prescrição, como duração, duplicidade e interações) e 57 START (fármacos que não podem faltar quando a indicação existe). A vantagem sobre Beers é a natureza pareada: a mesma revisão detecta excesso e omissão. Exemplos START de alta rendimento: anticoagulante oral na fibrilação atrial com risco tromboembólico elevado e sem contraindicação; inibidor da enzima conversora ou bloqueador do receptor na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida; estatina na doença aterosclerótica estabelecida; inalador corticoide na asma e na doença pulmonar obstrutiva crônica sintomática; vitamina D e cálcio na osteoporose; antidepressivo na depressão persistente; e vacinação contra influenza, pneumococo, herpes zoster e covid-19 em idosos elegíveis.
A cascata de prescrição é a pegadinha clínica favorita das provas de geriatria. A sequência começa com um fármaco, passa por um efeito adverso interpretado como doença nova e termina com mais um medicamento na lista; desmontar a cascata exige olhar cada fármaco e perguntar para que ele foi iniciado. O teste prático na consulta: suspender mentalmente o fármaco original e verificar se a doença que motivou o segundo medicamento desapareceria.
| Fármaco inicial | Efeito adverso interpretado | Fármaco acrescentado indevidamente |
|---|---|---|
| Amlodipino | Edema de membros inferiores | Diurético de alça, em vez de trocar o anti-hipertensivo |
| Metoclopramida ou antipsicótico | Parkinsonismo induzido por droga | Levodopa, em vez de suspender o culpado |
| Anti-inflamatório não esteroide | Elevação da pressão arterial | Novo anti-hipertensivo ou aumento de dose |
| Corticoide sistêmico | Hiperglicemia | Antidiabético oral ou insulina de início |
| Donepezila | Incontinência urinária | Anticolinérgico vesical, que anula o benefício cognitivo |
A revisão medicamentosa estruturada começa pela reconciliação da brown bag consultation: pedir que o paciente traga todos os medicamentos de casa, incluindo caixas vencidas, amostras grátis, chás e suplementos, e conferir o que ele realmente toma, como toma e em que horário, frequentemente diferente do que consta no prontuário. Seguem-se os critérios explícitos (Beers, STOPP/START, lista brasileira de MPI) como peneira sistemática, a avaliação geriátrica ampla (capacidade funcional, cognição, humor, nutrição, quedas, redes de apoio) para contextualizar riscos e benefícios, e a checagem de laboratório: função renal e eletrólitos, hemograma, glicemia, tireoide, vitamina B12 quando há metformina ou inibidor de bomba, e hemoglobina glicada para calibrar metas.
Na priorização, o clínico ordena os problemas por risco imediato: primeiro os fármacos com risco de dano agudo (anti-inflamatório com anticoagulante, hipoglicemiante de longa ação em paciente com quedas, benzodiazepínico em quem já caiu), depois os sem indicação atual, depois os com benefício incerto para a expectativa de vida, e por fim os que podem ser substituídos por opções mais seguras. Metas terapêuticas são individualizadas: pressão arterial abaixo de 130 a 140 por 80 mmHg tolerada e sem hipotensão postural; hemoglobina glicada entre 7,5 e 8,5% no idoso frágil; e suspensão de estatina quando a sobrevida estimada é inferior a 6 a 12 meses em paciente frágil ou em cuidados paliativos, conversa que deve ser explícita com o paciente e a família.
Desprescrição é a retirada planejada, supervisionada e gradual de medicamentos cujos danos atuais superam os benefícios, mantendo o controle dos problemas de saúde. A estrutura clássica de Scott e colaboradores tem cinco passos: reconciliar todos os medicamentos em uso; identificar os potencialmente inapropriados com critérios explícitos e julgamento clínico; priorizar quais retirar primeiro, considerando o potencial de dano do fármaco, a chance de sucesso e a preferência do paciente; planejar e executar a retirada, com redução gradual (tapering) para as classes com síndrome de abstinência; monitorar e documentar o desfecho, com plano de retomada se o problema de base reaparecer. Ensaios randomizados de desprescrição, como os estudos canadenses com revisão farmacêutica dirigida por critérios explícitos, mostraram aumento significativo e seguro das descontinuações, sem excesso de eventos adversos quando a retirada é gradual e monitorada.
| Classe a desprescrever | Estratégia de retirada gradual | Monitorização principal |
|---|---|---|
| Benzodiazepínico e hipnóticos tipo Z | Reduzir cerca de 25% da dose a cada 2 a 4 semanas; nas últimas etapas reduzir frações menores; considerar troca de comprimido em frações | Ansiedade, insônia de rebote, tremor, agitação e convulsão na retirada rápida |
| Inibidor de bomba de prótons | Reduzir a dose pela metade por 4 semanas e depois demanda ou dose mínima | Refluxo de rebote; sintomas dispépticos |
| Antipsicótico na demência | Reduzir 25 a 50% da dose a cada 2 semanas até suspender, se não houver sintomas psicóticos graves | Recrudescência de agitação, delirium, sintomas motores |
| Antidepressivo em uso prolongado sem indicação | Redução de 10 a 25% a cada 2 a 4 semanas após período estável | Síndrome de descontinuação: tontura, sintomas gripais, irritabilidade |
| Anti-hipertensivo com hipotensão postural | Retirar um fármaco por vez, o de maior risco (alfa-bloqueador, nitrato, diurético noturno) | Pressão deitado e em pé, sintomas, função renal e eletrólitos em 2 a 4 semanas |
| Estatina ou antidiabético em sobrevida limitada | Suspensão em dose única, sem taper, após decisão compartilhada | Sintomas cardiovasculares, glicemias capilares se retirado antidiabético |
As barreiras à desprescrição são conhecidas: tempo de consulta curto, medo do paciente e da família de ficar sem o remédio que controla o sintoma, desconforto do médico em contrariar o colega que prescreveu, diretrizes de doença única que recomendam adicionar e nunca retirar, e sistemas que não remuneram a revisão medicamentosa. As estratégias vencedoras incluem agendar a revisão como tarefa própria da consulta crônica, envolver farmacêutico clínico na reconciliação, usar a janela de transição de cuidados (alta hospitalar é o momento de maior iatrogenia e de melhor aceitação de mudanças) e fixar a regra de saída: cada novo fármaco prescrito obriga a perguntar se algum outro pode sair.
Há momentos em que a prioridade é prescrever e não retirar: dor oncológica, depressão maior, insuficiência cardíaca descompensada e prevenção secundária de evento trombótico recente são contextos em que a lista longa pode ser totalmente apropriada. Desprescrever não é economizar tratamento, é reequilibrar risco e benefício com o paciente no centro da decisão; a meta não é o número mágico de 5 comprimidos, e sim que cada fármaco restante tenha indicação, dose ajustada à função renal, duração definida e monitorização ativa.
1.Idosa de 82 anos usa 9 medicamentos contínuos, incluindo diazepam 10 mg/dia há 15 anos para insônia. Qual a conduta correta quanto ao benzodiazepínico?
2.Paciente de 68 anos com ITU de repetição tem clearance de creatinina de 25 mL/min. Qual fármaco deve ser evitado?
3.A utilização dos critérios START serve principalmente para identificar qual problema?
4.Idoso em uso de amlodipino desenvolve edema de membros inferiores e recebe prescrição de furosemida, sem melhora da hipertensão. Qual o mecanismo descrito?
5.Qual alteração farmacocinética fisiológica do envelhecimento explica a maior sensibilidade a diazepam e maior risco de acúmulo?
6.Segundo os critérios de Beers, qual hipoglicemiante oral deve ser evitado em idosos pelo risco de hipoglicemia prolongada?
7.O primeiro passo estruturado do processo de desprescrição proposto por Scott e colaboradores é:
8.No estudo brasileiro de Gomes e colaboradores (2019) em unidades básicas de saúde, a prevalência de polifarmácia quantitativa em idosos foi de aproximadamente:
9.Idoso frágil, em cuidados paliativos, com sobrevida estimada menor que 6 meses, usa sinvastatina 20 mg/dia há 10 anos. Qual a conduta mais adequada?
10.Qual par correto entre fármaco e efeito adverso que sustenta uma cascata de prescrição com donepezila?
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