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Revisão completa de fragilidade e sarcopenia: fenótipo de Fried e índice de déficit acumulado de Rockwood, critérios EWGSOP2 e AWGS 2019 com pontos de corte de força, massa e desempenho físico, epidemiologia brasileira (SABE e ELSI), fisiopatologia molecular (miostatina, mTOR, resistência anabólica), tratamento com exercício resistência progressivo, proteína e vitamina D, e evidências dos ensaios SPRINTT e LIFE. Com tabelas de cortes, 10 questões e flashcards.
[1] Fried LP, Tangen CM, Walston J, et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype of a biological syndrome. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2001;56(3):M146-56 · DOI 10.1093/gerona/56.3.M146 · PMID 11253156 | [2] Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis (EWGSOP2). Age Ageing. 2019;48(1):16-31 · DOI 10.1093/ageing/afy169 · PMID 30312372 | [3] Bhasin S, Travison TG, Manini TM, et al. Sarcopenia definition: the position statements of the Sarcopenia Definition and Outcomes Consortium. J Am Geriatr Soc. 2020;68(7):1410-8 · DOI 10.1111/jgs.16372 | [4] Bernabei R, Landi F, Calvani R, et al. Multicomponent intervention to prevent mobility disability in frail older adults with physical frailty and sarcopenia: randomised controlled trial (SPRINTT project). BMJ. 2022;377:e068788 · DOI 10.1136/bmj-2021-068788 · PMID 35545258 | [5] Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Manual de Recomendações para Diagnóstico e Tratamento da Sarcopenia no Brasil. São Paulo: SBGG; 2022 · https://sbgg.org.br/diagnostico-e-tratamento-da-sarcopenia/ | [6] Duarte YAO, Nunes DP, Santos JLF, Lebrão ML. Fragilidade em idosos no município de São Paulo: prevalência e fatores associados (Estudo SABE). Rev Bras Epidemiol. 2018;21(Supl 2):e180021 · DOI 10.1590/1980-549720180021 | [7] Pahor M, Guralnik JM, Ambrosius WT, et al. Effect of structured physical activity on prevention of major mobility disability in older adults: the LIFE study. JAMA. 2014;311(23):2387-96 · DOI 10.1001/jama.2014.5616 · DOI 10.1093/gerona/56.3.M146
O Brasil envelheceu a uma velocidade sem precedente: o Censo 2022 registrou 22,17 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, 10,9% da população, um acréscimo de 57,4% em apenas 12 anos. Nessa população, o que mata menos do que incapacita são os eventos geriátricos: queda, fratura, delirium, imobilidade e síndrome de fragilidade. Fragilidade é o estado de vulnerabilidade aumentada a estressores de baixa intensidade (uma gripe, uma cirurgia de urgência, um luto) decorrente da queda da reserva fisiológica de múltiplos sistemas; sarcopenia é a doença muscular progressiva que constitui o substrato central desse processo e que, desde 2016, possui código próprio na CID-10 (M62.84). Juntas, elas predizem quedas, hospitalização, institucionalização e morte melhor do que a idade cronológica ou o número de doenças. Para a prova, o aluno precisa dominar três blocos: os dois modelos concorrentes de fragilidade (fenótipo físico de Fried e índice de déficit acumulado de Rockwood), o algoritmo diagnóstico da sarcopenia com seus pontos de corte (EWGSOP2 e AWGS 2019) e o tratamento baseado em evidência, cujo núcleo é exercício de resistência progressivo associado a aporte proteico adequado.
Fragilidade é uma síndrome, não uma doença: estado de homeostase comprometida em que a resposta a estressores é desproporcional, com risco aumentado de queda, incapacidade, dependência e morte. Sarcopenia, por sua vez, é uma doença muscular definida pela EWGSOP2 como perda progressiva e generalizada de massa e força muscular com risco de desfechos adversos, conceito que o Sarcopenia Definition and Outcomes Consortium (SDOC) reforçou ao demonstrar que força e desempenho, e não a massa isolada, são os melhores preditores de incapacidade. A dinapenia designa a perda de força desproporcional à perda de massa (o músculo fica menor e, principalmente, mais fraco e de pior qualidade). A obesidade sarcopênica combina adiposidade excessiva com massa e força musculares baixas, sendo o fenótipo de pior prognóstico metabólico e funcional, frequentemente mascarado por índice de massa corporal normal-alto. Na prática, a sarcopenia é o motor fisiopatológico do fenótipo físico da fragilidade, mas os termos não são sinônimos: existem sarcopênicos não frágeis e frágeis sem sarcopenia plena.
| Conceito | Definição operacional | Critério ou instrumento |
|---|---|---|
| Fragilidade (fenótipo físico) | Estado de risco elevado marcado por 3 ou mais de 5 critérios clínicos | Fried: perda de peso, exaustão, fraqueza, lentidão da marcha, baixa atividade física |
| Fragilidade (déficit acumulado) | Proporção de déficits de saúde acumulados entre variáveis avaliadas | Índice de fragilidade de Rockwood com 30 a 70 variáveis; frágil quando maior ou igual a 0,25 |
| Sarcopenia (EWGSOP2) | Força muscular baixa somada a massa muscular baixa | Dinamometria menor que 27 kg (homens) ou 16 kg (mulheres) + baixa massa por DEXA ou bioimpedância |
| Sarcopenia grave | Sarcopenia com desempenho físico também baixo | Velocidade de marcha até 0,8 m/s, SPPB até 8 pontos ou TUG de 20 segundos ou mais |
| Dinapenia | Força reduzida com massa muscular preservada | Dinamometria baixa com massa apendicular normal ao exame de composição |
| Obesidade sarcopênica | Excesso de adiposidade com massa e força musculares baixas | Circunferência abdominal ou percentual de gordura elevados + critérios de sarcopenia |
A EWGSOP2 classifica a sarcopenia em dois eixos clinicamente úteis. Pela causa, é primária (ou relacionada à idade) quando ocorre apenas com o envelhecimento, e secundária quando ligada a três grandes grupos: inatividade física (sedentarismo, imobilização, repouso no leito), doenças (insuficiência de órgãos, inflamação crônica, doença neoplásica, neuropatias) e desnutrição (ingesta proteica insuficiente, anorexia do envelhecimento, má absorção). Pelo tempo, é aguda (menos de 6 meses, tipicamente ligada a doença aguda ou imobilização) ou crônica (6 meses ou mais). Quanto à gravidade, distingue-se pré-sarcopenia (apenas massa muscular baixa), sarcopenia (força baixa + massa baixa) e sarcopenia grave (força baixa + massa baixa + desempenho físico baixo). O consenso asiático AWGS 2019 acrescenta a categoria sarcopenia provável, definida apenas pela força baixa, que já autoriza iniciar o tratamento enquanto a massa é dosada, acelerando a intervenção em serviços movimentados.
No Cardiovascular Health Study, coorte que originou o fenótipo de Fried, 6,9% dos idosos com 65 anos ou mais eram frágeis e 46,6% pré-frágeis, com gradiente acentuado: a prevalência multiplica por várias vezes após os 80 a 85 anos. No Brasil, o Estudo SABE (Saúde, Bem-estar e Envelhecimento), do município de São Paulo, identificou cerca de 14% de idosos frágeis, e a coorte ELSI-Brasil encontrou 9,0% de fragilidade em participantes com 50 anos ou mais; em hospitais e instituições de longa permanência as prevalências são muito superiores às da comunidade. A transição entre estados é possível, mas assimétrica: no SABE, entre os idosos frágeis seguidos por 4 anos, 51,5% morreram e apenas 1,3% regressaram ao estado não frágil, enquanto parte dos pré-frágeis piora ou melhora, o que faz do estado pré-frágil a janela de intervenção por excelência. Para a sarcopenia, os estudos que aplicam a EWGSOP2 situam a prevalência em torno de 10 a 20% em idosos da comunidade, superando 30% em institucionalizados e hospitalizados, com variação importante conforme o critério e o método de massa muscular empregados; a prevalência cresce exponencialmente após os 80 anos.
A sarcopenia resulta do desequilíbrio persistente entre síntese e degradação proteica miocelular. Com a idade, morrem alfa-motoneurônios da medula e a reinervação colateral compensatória cria unidades motoras gigantes e imprecisas, com atrofia seletiva e precoce das fibras rápidas tipo II. A resposta anabólica do músculo idoso fica atenuada, a chamada resistência anabólica: a ativação da via mTORC1 por aminoácidos, insulina e exercício é menor, de modo que a mesma refeição proteica estimula menos a síntese proteica. Do lado catabólico, elevam-se a expressão de E3 ubiquitina-ligases (atrofina-1/MAFbx e MuRF1) que marcam miosinas para degradação no proteassoma, a via da miostatina e da activina A (sinalização SMAD2/3) e a apoptose celular; a disfunção mitocondrial e o estresse oxidativo somam-se ao esgotamento das células satélites, comprometendo a regeneração. A infiltração lipídica do músculo (miosteatose) e o inflammaging, com IL-6 e TNF-alfa cronicamente elevados, aprofundam o quadro. Moduladores hormonais como testosterona, estrógenos, GH/IGF-1 e a vitamina D (que atua no receptor VDR regulando miogênese e força das fibras II) declinam, e a angiotensina II local acelera o catabolismo, base da hipótese protetora dos inibidores da ECA observacional. A anorexia do envelhecimento (hiposmia, saciedade precoce por CCK elevada, efeitos de polifarmácia) fecha o ciclo ao reduzir a ingesta proteica.
A fragilidade, no modelo de Fried, é a tradução clínica da queda concorrente e interdependente de vários sistemas: reserva neuromuscular (sarcopenia), eixo neuroendócrino (eixo hipotálamo-hipófise-adrenal mais reativo, queda de DHEA-S), sistema imune (inflammaging) e capacidade energética (consumo máximo de oxigênio reduzido). O curso típico é em cascata: um estressor aparentemente banal (infecção, cirurgia, fratura) impõe repouso ao leito, que no idoso determina perda de força de até 1 a 1,5% ao dia nas primeiras semanas; a recuperação é incompleta, o idoso volta a um patamar inferior de reserva e o próximo estressor menor o derruba novamente. Esse conceito de reservas e estressores explica por que a fragilidade é dinâmica e por que a intervenção precoce no estado pré-frágil altera a trajetória.
O idoso sarcopênico ou frágil raramente se queixa de fraqueza: queixa-se de desacelerar. O relato típico é de cansaço para atividades antes banais, como subir um lance de escada, carregar compras, abrir uma tampa ou levantar da cadeira sem apoio das mãos; seguem-se lentidão da marcha, fadigabilidade rápida, perda de peso involuntária, medo de cair e redução do círculo social. Na obesidade sarcopênica o peso elevado mascara o diagnóstico e a queixa é de incapacidade desproporcional ao exame. No exame físico, mandam a dinamometria de preensão palmar (dinamômetro Jamar, paciente sentado, cotovelo a 90 graus, melhor de três medidas) e a observação da marcha e do teste de levantar da cadeira cinco vezes sem apoio dos braços; a circunferência de panturrilha menor que 33 cm em homens ou 32 cm em mulheres é triagem alternativa proposta pela AWGS, embora pouco sensível no obeso. Todo idoso deve ser rastreado anualmente: o SARC-F (força, auxílio para caminhar, levantar da cadeira, subir escadas, quedas; escore 0 a 10) é positivo com 4 pontos ou mais e tem alta especificidade, porém baixa sensibilidade; a escala FRAIL (fadiga, resistência, deambulação, doenças, perda de peso; 0 a 5) classifica como frágil quem soma 3 ou mais; o PRISMA-7 é positivo com 3 ou mais; e a Escala Clínica de Fragilidade de Rockwood (1 a 9, na qual 5 já é fragilidade moderada) é a linguagem comum de triagem em urgências e terapia intensiva.
| Instrumento | Domínio e itens | Ponto de corte |
|---|---|---|
| SARC-F | 5 perguntas autorreferidas: força, auxílio para caminhar, levantar da cadeira, subir escadas, quedas | 4 ou mais pontos sugere sarcopenia (triagem) |
| Escala FRAIL | Fadiga, resistência, deambulação, comorbidades, perda de peso | 3 a 5 frágil; 1 a 2 pré-frágil |
| PRISMA-7 | 7 questões funcionais e de saúde | 3 ou mais pontos indica fragilidade |
| Escala Clínica de Fragilidade (Rockwood) | Graduação clínica de 1 (muito saudável) a 9 (terminal) | 5 ou mais indica fragilidade moderada a grave |
| Circunferência de panturrilha | Medida com fita no ponto de maior perímetro | Menos de 33 cm (homens) ou 32 cm (mulheres) sugere baixa massa (AWGS) |
O algoritmo da EWGSOP2 segue a sequência encontrar, avaliar, confirmar e graduar. Encontrar: rastrear com SARC-F ou nos serviços, a partir de 65 anos. Avaliar força: preensão palmar menor que 27 kg em homens e 16 kg em mulheres (EWGSOP2) ou menor que 28 e 18 kg, respectivamente (AWGS 2019); na falta do dinamômetro, o teste de levantar da cadeira cinco vezes com 15 segundos ou mais indica força baixa e sarcopenia provável. Confirmar massa: por absorciometria dupla de energia (DEXA), massa muscular apendicular menor que 20 kg em homens e 15 kg em mulheres (ou índice menor que 7,0 e 5,5 kg por metro quadrado); por bioimpedância, índice menor que 7,0 e 5,5 kg por metro quadrado; por tomografia na vértebra lombar L3, índice de massa muscular esquelética menor que 52,4 centímetros quadrados por metro quadrado em homens e 38,5 em mulheres. Graduar gravidade pelo desempenho: velocidade de marcha usual de 4 metros até 0,8 metros por segundo, SPPB de 8 pontos ou menos (bateria de equilíbrio, marcha de 4 metros e cinco levantadas de cadeira, pontuação 0 a 12) ou Timed Up and Go de 20 segundos ou mais. Para a fragilidade pelo fenótipo de Fried, aplicam-se os 5 critérios com valores: perda de peso involuntária de 4,5 kg ou 5% ou mais do peso corporal no último ano; exaustão autorreferida (escala CES-D); fraqueza pela dinamometria no quintil mais baixo ajustado por sexo e índice de massa corporal; lentidão pela marcha de 4,57 metros no quintil mais baixo (operação usual até 0,8 m por segundo); e baixa atividade física pelo quintil inferior de gasto calórico semanal (aproximadamente menos de 383 kcal por semana em homens e 270 em mulheres). Pelo modelo de Rockwood, calcula-se o índice de fragilidade pela razão entre déficits presentes e o total de 30 a 70 variáveis avaliadas, sendo frágil o índice de 0,25 ou mais.
| Dimensão | Teste | Ponto de corte EWGSOP2 | Ponto de corte AWGS 2019 |
|---|---|---|---|
| Força | Preensão palmar (dinamometria) | Menor que 27 kg (homens) e 16 kg (mulheres) | Menor que 28 kg (homens) e 18 kg (mulheres) |
| Força alternativa | Levantar da cadeira 5 vezes | 15 segundos ou mais | 12 segundos ou mais associado a baixo desempenho |
| Massa (DEXA) | Massa apendicular | Menor que 20 kg (homens) e 15 kg (mulheres) | Índice menor que 7,0 (homens) e 5,4 kg/m2 (mulheres) |
| Massa (bioimpedância) | Índice de massa apendicular | Menor que 7,0 (homens) e 5,5 kg/m2 (mulheres) | Menor que 7,0 (homens) e 5,7 kg/m2 (mulheres) |
| Desempenho | Velocidade de marcha usual | 0,8 m/s ou menos | Menos que 1,0 m/s sugere baixo desempenho |
| Desempenho | SPPB (0 a 12 pontos) | 8 pontos ou menos | 8 pontos ou menos |
| Desempenho | Timed Up and Go | 20 segundos ou mais | 12 segundos ou mais |
Antes de rotular o idoso como frágil ou sarcopênico, o clínico deve excluir causas tratáveis de fraqueza e perda funcional, que com frequência coexistem e agravam o fenótipo. Depressão geriátrica (anergia e lentidão que mimetizam exaustão e sarcopenia), hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina D e de vitamina B12, insuficiência cardíaca e pulmonar avançadas, neoplasias ocultas, hipogonadismo, miopatias inflamatórias (dosar creatinoquinase quando há fraqueza proximal), miastenia grave, doença de Parkinson e polimialgia reumática compõem a lista mínima. O lado iatrogênico é decisivo: benzodiazepínicos, anticolinérgicos, psicotrópicos em geral, corticoides (miopatia esteroide e catabolismo proteico), opioides e polifarmácia (5 ou mais medicamentos contínuos) estão entre os principais fatores reversíveis de fragilidade, e a revisão criteriosa da lista de medicamentos, com deprescrição, é intervenção obrigatória em todo idoso frágil.
O exercício físico é a única intervenção com efeito consistente sobre todos os desfechos da fragilidade e da sarcopenia, e o componente essencial é o treino de resistência progressivo: 2 a 3 sessões semanais não consecutivas, 3 séries de 8 a 12 repetições com carga de 60 a 80% da carga máxima, envolvendo grandes grupos musculares, combinado a treino de equilíbrio e marcha (programa multicomponente). Duas evidências de prova: o ensaio SPRINTT (BMJ, 2022), com idosos frágeis e sarcopênicos comunitários, mostrou que a intervenção multicomponente (atividade física moderada estruturada duas vezes por semana em centro, mais até quatro vezes em casa, com aconselhamento nutricional personalizado e suporte tecnológico) reduziu a incidência de incapacidade persistente de mobilidade em até 36 meses; e o estudo LIFE (JAMA, 2014) demonstrou que programa estruturado de atividade física (150 minutos semanais de caminhada moderada, mais força, equilíbrio e flexibilidade) reduziu em cerca de 18% o risco de incapacidade maior de mobilidade em idosos sedentários (razão de hazards de 0,82). Na nutrição, a recomendação para o idoso saudável é de 1,0 a 1,2 g de proteína por kg por dia, subindo para 1,2 a 1,5 g por kg por dia no sarcopênico ou frágil e até 2,0 g por kg em doença aguda, distribuída em 25 a 30 g por refeição, cada uma com 2,5 a 2,8 g de leucina (whey protein enriquecido é a fonte de escolha); a vitamina D deve ser corrigida quando a 25-hidroxivitamina D estiver abaixo de 20 ng/mL, com 800 a 2.000 UI por dia visando níveis de 30 a 60 ng/mL no sarcopênico, lembrando que megadoses anuais não reduzem quedas e podem aumentá-las. Não existe fármaco aprovado para sarcopenia: testosterona fica reservada ao hipogonadismo confirmado, hormônio de crescimento e moduladores seletivos do receptor androgênico não são recomendados, e os inibidores da miostatina e da activina A (bimagrumabe) seguem em pesquisa; dados observacionais com inibidores da ECA e estatinas não autorizam prescrevê-los para a sarcopenia em si. No manejo global da fragilidade, a Avaliação Geriátrica Ampla coordona exercício, nutrição, deprescrição, tratamento das comorbidades, imunização, suporte social e planejamento antecipado de cuidado.
| Intervenção | Prescrição prática | Força da evidência |
|---|---|---|
| Treino de resistência progressivo | 2 a 3 vezes por semana, 3 séries de 8 a 12 repetições a 60 a 80% da carga máxima | Alta: melhora força, massa, marcha e quedas |
| Programa multicomponente (SPRINTT) | Atividade estruturada 2x/semana em centro + até 4x em casa + aconselhamento nutricional | Alta: reduziu incapacidade persistente de mobilidade |
| Atividade física estruturada (LIFE) | 150 minutos/semana moderados + força e equilíbrio | Alta: reduziu incapacidade maior de mobilidade (HR 0,82) |
| Proteína | 1,2 a 1,5 g/kg/dia no frágil ou sarcopênico; 25 a 30 g por refeição com 2,5 a 2,8 g de leucina | Alta quando associada ao exercício; isolada é insuficiente |
| Vitamina D | 800 a 2.000 UI/dia se 25-OH-D abaixo de 20 ng/mL; alvo de 30 a 60 ng/mL no sarcopênico | Moderada: corrige deficiência; megadose anual não é recomendada |
| Farmacoterapia específica | Nenhum fármaco aprovado para sarcopenia | Testosterona só em hipogonadismo; anti-miostatina em pesquisa |
| Avaliação Geriátrica Ampla + deprescrição | Revisão de medicamentos, comorbidades, vacinas, suporte social e metas de cuidado | Alta para desfechos de fragilidade hospitalar |
A fragilidade multiplica o risco de quedas e fraturas, delirium, hospitalização, institucionalização e morte, e é o melhor preditor isolado de complicações pós-operatórias no idoso, incluindo cirurgias eletivas: por isso escalas como a Escala Clínica de Fragilidade passaram a orientar decisões de intensidade terapêutica e de objetivos de cuidado em urgências, centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva, e se mostraram fortemente associadas à mortalidade em COVID-19 grave. A sarcopenia, por sua vez, associa-se a maior tempo de permanência hospitalar, readmissões, intolerância a quimioterapia, mortalidade em cirurgia e nas doenças hepáticas e oncológicas avançadas. O prognóstico é de cronicidade com plasticidade: a regressão do estado frágil ao não frágil é possível, mas infrequente sem intervenção estruturada (1,3% em 4 anos no SABE), ao passo que pré-frágeis transitam em ambas as direções, o que sustenta a lógica de triagem anual e tratamento intensivo do estado pré-frágil. A obesidade sarcopênica concentra risco metabólico e funcional e piora o prognóstico dos dois espectros isolados.
1.Segundo o fenótipo de Fried, qual item NÃO faz parte dos cinco critérios de fragilidade?
2.Quais são os pontos de corte de força de preensão palmar da EWGSOP2 para sarcopenia?
3.No algoritmo EWGSOP2, a sarcopenia grave exige, além de força e massa musculares baixas:
4.Qual é o ponto de corte do SARC-F que sugere sarcopenia na triagem?
5.O SPPB (Short Physical Performance Battery) avalia e pontua de 0 a 12:
6.Qual a recomendação proteica diária para o idoso com sarcopenia?
7.O ensaio SPRINTT (BMJ, 2022) demonstrou que, em idosos com fragilidade física e sarcopenia:
8.No modelo de déficit acumulado (índice de fragilidade de Rockwood), considera-se frágil o índice de:
9.Sobre o tratamento farmacológico da sarcopenia, a afirmativa correta é:
10.Idosa de 84 anos com preensão palmar de 14 kg, índice de massa apendicular de 4,9 kg/m2 na bioimpedância e marcha usual de 0,6 m/s. Pela EWGSOP2, o diagnóstico é:
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