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Revisão de farmacologia das principais classes de psicofármacos: antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores do humor, ansiolíticos e psicoestimulantes, com mecanismos, doses, faixas terapêuticas, efeitos adversos, interações e monitoramento. Aborda ainda o uso em crianças e adolescentes, o contexto sociocultural do consumo no Brasil e as emergências psiquiátricas.
[1] Stahl SM. Stahl's Essential Psychopharmacology: Neuroscientific Basis and Practical Applications. 5ª ed. Cambridge: Cambridge University Press; 2021 | [2] Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disord. 2018;20:97-170. DOI 10.1111/bdi.12609 | [3] Wolraich ML, Hagan JF, Allan C, et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents. Pediatrics. 2019;144:e20192528. DOI 10.1542/peds.2019-2528 | [4] Kane J, Honigfeld G, Singer J, Meltzer H. Clozapine for the treatment-resistant schizophrenic: a double-blind comparison with chlorpromazine. Arch Gen Psychiatry. 1988;45:789-796. DOI 10.1001/archpsyc.1988.02100330013001 | [5] Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Portaria Conjunta nº 14, de 29 de julho de 2022. Brasília: MS/Conitec; 2022 · DOI 10.1542/peds.2019-2528
Os psicofármacos estão entre os medicamentos mais prescritos do mundo e do Brasil: a depressão maior é a principal causa mundial de anos vividos com incapacidade segundo a Organização Mundial da Saúde, e o Brasil destacou-se em inquéritos internacionais com prevalência de transtornos de ansiedade em torno de 9% da população adulta, uma das maiores do planeta. Para a prova, o estudante precisa dominar quatro camadas: mecanismo molecular (qual receptor ou transportador cada classe bloqueia ou estimula), doses e faixas terapêuticas (o lítio de 0,6 a 1,2 mEq/L e a clozapina de 300 a 450 mg/dia são cobrados), efeitos adversos com números (agranulocitose por clozapina em torno de 0,8% no primeiro ano) e as regras especiais de uso em jovens, em que apenas a fluoxetina tem evidência robusta para depressão e a terapia comportamental precede o medicamento no TDAH pré-escolar.
Todo o racional farmacológico psiquiátrico gira em torno dos sistemas de monoaminas (serotonina, noradrenalina, dopamina), do ácido gama-aminobutírico (GABA) e, mais recentemente, do glutamato. A hipótese monoaminérgica explica a parte farmacológica da depressão, mas o atraso terapêutico de 2 a 4 semanas mostra que o efeito clínico depende de plasticidade neuronal posterior: dessensibilização de autorreceptores, aumento do BDNF e neurogênese hipocampal. Antipsicóticos atuam no bloqueio D2, estabilizadores do humor modulam canais de sódio e casquinases (GSK-3beta no caso do lítio), benzodiazepínicos potencializam o GABA e psicoestimulantes aumentam dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal.
| Classe | Representantes | Alvo farmacológico principal | Indicação marcante |
|---|---|---|---|
| ISRS | Fluoxetina, sertralina, escitalopram | Transportador de serotonina (SERT) | Depressão, TOC, pânico, TAG |
| IRSN e IRN | Venlafaxina, duloxetina | SERT e NET (transportador de noradrenalina) | Depressão, dor neuropática, TAG |
| Atípicos | Bupropiona, mirtazapina, trazodona | NDRI; bloqueio alfa-2 e 5HT2; 5HT2 em dose baixa | Depressão com fadiga; insônia e perda ponderal |
| Antipsicóticos típicos | Haloperidol, clorpromazina | Antagonismo D2 | Psicose aguda, agitação, esquizofrenia |
| Antipsicóticos atípicos | Risperidona, olanzapina, clozapina | Antagonismo D2 e 5HT2A | Esquizofrenia, mania, depressão bipolar |
| Estabilizadores do humor | Lítio, valproato, carbamazepina, lamotrigina | Canais de sódio, GSK-3beta, glutamato | Transtorno bipolar em todas as fases |
| Ansiolíticos e hipnóticos | Benzodiazepínicos, buspirona, zolpidem | Modulador positivo do GABA-A; agonista 5HT1A parcial | Ansiedade aguda, insônia, abstinência alcoólica |
| Psicoestimulantes | Metilfenidato, lisdexanfetamina | Bloqueio de DAT e NET (aumenta DA e NE) | TDAH em crianças, adolescentes e adultos |
Os ISRS bloqueiam o SERT na fenda sináptica de forma imediata, mas o efeito antidepressivo só aparece em 2 a 4 semanas porque depende da dessensibilização dos autorreceptores 5HT1A dos rafe e da cascata de plasticidade (aumento de CREB e BDNF). Efeitos adversos comuns: náusea e cefaleia nas duas primeiras semanas, disfunção sexual (retardo ejaculatório, anorgasmia e libido reduzida em 30 a 50% dos usuários), insônia ou sedação leve, ganho modesto de peso a longo prazo, hiponatremia por SIADH (sobretudo em idosos) e aumento do risco de sangramento por depleção de serotonina plaquetária, relevante com anticoagulantes e anti-inflamatórios. A síndrome de descontinuação (tontura, parestesias, sintomas gripais, irritabilidade) é mais intensa com paroxetina e venlafaxina, de meia-vida curta, e praticamente inexistente com fluoxetina, cujo metabólito norfluoxetina vive de 4 a 15 dias.
| Fármaco | Dose inicial | Faixa terapêutica no adulto | Particularidades de prova |
|---|---|---|---|
| Fluoxetina | 20 mg/dia | 20-80 mg/dia | Meia-vida mais longa da classe; menos síndrome de descontinuação; única com eficácia consistente para depressão em maiores de 8 anos |
| Sertralina | 50 mg/dia | 50-200 mg/dia | Perfil de interações mais limpo; preferida em cardiopatas e na gestação |
| Paroxetina | 20 mg/dia | 20-50 mg/dia | Mais anticolinérgica e sedativa; pior síndrome de descontinuação; inibidor potente de CYP2D6 |
| Citalopram | 20 mg/dia | 20-40 mg/dia | Dose máxima de 40 mg por prolongamento do QT; acima de 60 anos, máximo de 20 mg |
| Escitalopram | 10 mg/dia | 10-20 mg/dia | O mais seletivo da classe; 10 mg já é dose plena para a maioria |
| Fluvoxamina | 50-100 mg/dia | 100-300 mg/dia | Padrão no TOC; inibidor potente de CYP1A2, eleva níveis de clozapina e cafeína |
O efeito antipsicótico clássico exige ocupação dos receptores D2 estriatais entre 65 e 80%: abaixo disso o paciente delira, acima surgem sintomas extrapiramidais. Os típicos de alta potência (haloperidol 2 a 20 mg/dia) têm alto risco de distonia aguda, parkinsonismo, acatisia e discinesia tardia (acumulada em torno de 5% ao ano de exposição, muito maior em idosos), enquanto os de baixa potência (clorpromazina 100 a 800 mg/dia) causam sedação, hipotensão ortostática e efeitos anticolinérgicos. Os atípicos somam bloqueio 5HT2A ao D2, ampliando a janela terapêutica, com discinesia tardia mais rara, ao custo de síndrome metabólica. A cronologia dos efeitos extrapiramidais é cobrada: distonia aguda em horas a dias (tratamento com difenidramina ou biperideno), acatisia em dias a semanas (propranolol, reduzir dose), parkinsonismo em semanas (biperideno) e discinesia tardia após meses (valbenazina ou deutetrabenazina, trocar para clozapina).
| Antipsicótico | Dose usual no adulto | Marca registrada de prova |
|---|---|---|
| Risperidona | 2-6 mg/dia | Hiperprolactinemia dose-dependente (galactorreia, amenorreia); sintomas extrapiramidais acima de 6 mg/dia |
| Olanzapina | 10-20 mg/dia | Pior perfil metabólico da classe junto com a clozapina; sedação e ganho de peso importantes |
| Quetiapina | 300-750 mg/dia | Sedação marcante e mínimo parkinsonismo; 150-300 mg para depressão bipolar |
| Aripiprazol | 10-30 mg/dia | Agonista parcial D2 (estabilizador dopaminérgico); acatisia como efeito característico; perfil metabólico mais favorável |
| Ziprasidona | 80-160 mg/dia | Prolonga o intervalo QT; exige administração com refeição de 500 kcal para absorção adequada |
| Clozapina | 300-450 mg/dia (titulação lenta) | Padrão-ouro da esquizofrenia resistente; risco de agranulocitose e miocardite |
A clozapina é o único antipsicótico com superioridade demonstrada em ensaio randomizado duplo-cego contra comparador em esquizofrenia resistente, definida como falha de dois ensaios adequados (4 a 6 semanas em dose plena de antipsicóticos diferentes), desde o clássico estudo de Kane e colaboradores de 1988. Seu uso exige hemograma semanal nos primeiros 6 meses (agranulocitose em torno de 0,8% no primeiro ano, quase sempre nos primeiros 3 meses), quinzenal nos 6 meses seguintes e mensal depois. Outros riscos: miocardite nos primeiros 2 meses (seguir troponina e proteína C reativa), convulsões dose-dependentes (alvo de nível sérico em torno de 350 ng/mL), sialorreia noturna, constipação grave com íleo paralítico fatal e ganho de peso. A cessação do tabaco eleva os níveis em até 50 a 100%, pois a clozapina é metabolizada pelo CYP1A2, induzido pela fumaça. Todo paciente em antipsicótico atípico deve ter peso, circunferência abdominal, glicemia de jejum e perfil lipídico na consulta inicial, após 12 semanas e depois anualmente.
O lítio permanece o padrão-ouro do tratamento de manutenção do transtorno bipolar, com efeito antissuicida único na classe (reduz risco de suicídio e mortalidade), meia-vida longa e janela terapêutica estreita: 0,6 a 0,8 mEq/L na manutenção e 0,8 a 1,2 mEq/L na mania aguda, coletando 12 horas após a dose. A toxicidade é progressiva: acima de 1,5 mEq/L, tremor grosseiro, confusão e ataxia; acima de 2 a 2,5 mEq/L ou em intoxicação sintomática grave, convulsões, arritmias e coma, com indicação de hemodiálise. Interações que elevam a litemia e caem em prova: anti-inflamatórios não esteroides (reduzem a filtração), tiazídicos e inibidores da ECA. Efeitos crônicos: hipotireoidismo em até 20 a 30% dos usuários prolongados (monitorar TSH), diabetes insipidus nefrogênico (poliúria; amilorida pode ajudar), ganho de peso, acne e psoríase. Na gestação, o lítio associa-se à anomalia de Ebstein com risco absoluto baixo (na ordem de 0,05 a 0,1%, cerca de 1 em 1.000 a 2.000 expoções), e a decisão de manter ou trocar é individualizada.
| Estabilizador | Doses e faixa | Teratogenicidade | Monitoramento essencial |
|---|---|---|---|
| Lítio | 600-1.800 mg/dia; litemia 0,6-0,8 (manutenção) e 0,8-1,2 (mania) | Anomalia de Ebstein (risco absoluto baixo, 0,05-0,1%) | Litemia 5-7 dias após ajustes; creatinina, TSH, cálcio, sódio e teste de gravidez |
| Valproato | 20-60 mg/kg/dia; nível 50-125 µg/mL | Defeitos de tubo neural em torno de 5-9% das expoções; restrito a mulheres sem potencial gestacional | Transaminases, hemograma (trombocitopenia), peso, amônia se encefalopatia |
| Carbamazepina | 400-1.200 mg/dia; nível 4-12 µg/mL | Malformações congênitas, ~5-7% | Hemograma, transaminases, sódio; genotipagem HLA-B*15:02 em ascendência asiática antes de prescrever |
| Lamotrigina | Titulação lenta: 25 mg/dia por 2 semanas, 50 mg por 2 semanas, alvo 200 mg/dia | Perfil mais seguro na gestação entre os anticonvulsivantes estabilizadores | Vigilância de rash: risco de síndrome de Stevens-Johnson (cerca de 0,1% em adultos), maior em titulação rápida ou com valproato associado |
A escolha pela fase guia o manejo: mania aguda responde a lítio, valproato ou antipsicóticos atípicos; a depressão bipolar responde preferencialmente à quetiapina, lurasidona ou lamotrigina, não se usando antidepressivos em monoterapia por risco de virada maníaca e ciclagem rápida; a manutenção privilegia lítio, valproato ou quetiapina, frequentemente em combinação. A lamotrigina protege mais o polo depressivo e tem pouca ação antimaniaca, enquanto o lítio é o mais eficaz antissuicida.
Os benzodiazepínicos são moduladores alostéricos positivos do receptor GABA-A: ligam-se entre as subunidades alfa e gama e aumentam a frequência de abertura do canal de cloro, potencializando o GABA endógeno sem abrir o canal sozinhos (por isso têm techo de segurança maior que os barbitúricos, agonistas diretos). As subunidades alfa-1 medem sedação e amnésia, alfa-2 e alfa-3 ansiólise e miorrelaxamento, e alfa-5 efeitos sobre memória. Diferenças práticas: diazepam tem meia-vida longa (30 a 100 horas) com metabólitos ativos e acumula em idosos e hepatopatas; lorazepam não gera metabólitos ativos e é o preferido na insuficiência hepática; midazolam é ultracurto, usado em sedação procedimental. O uso deve ser de curto prazo (2 a 4 semanas), pois desenvolvem tolerância aos efeitos hipnóticos e ansiolíticos, dependência e síndrome de abstinência com rebote de insônia, ansiedade e convulsões, tratada com retitulação lenta e troca para equivalente de meia-vida longa. O antídoto do receptor é o flumazenil, que deve ser usado com cautela por risco de convulsões em dependentes. Em idosos, benzodiazepínicos aumentam quedas, fraturas, prejuízo cognitivo e delirium, sendo evitados pelos critérios de Beers. O zolpidem, agonista seletivo alfa-1, mantém o risco de dependência e ganhou alerta de caixa-preta para comportamentos complexos do sono (sonambulismo, direção noturna sem vigília); no Brasil é controlado como sujeito a notificação de receita C1. Alternativas não benzodiazepínicas: buspirona, agonista parcial 5HT1A, 15 a 60 mg/dia em 2 a 3 tomadas, com início de ação em 2 semanas e sem dependência; hidroxizina 25 a 50 mg, com efeito ansiolítico anti-histamínico; e melatonina, útil na insônia por atraso de fase e no delirium do idoso.
Os estimulantes aumentam dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal por bloqueio dos transportadores DAT e NET (metilfenidato) ou por liberação vesicular adicional (anfetaminas), otimizando o sinal em uma curva em U invertido: por isso a criança hiperativa acalma com o estimulante. O metilfenidato de liberação imediata é dado em 5 a 20 mg por tomada, 2 a 3 vezes ao dia; o OROS (liberação osmótica) vai de 18 a 54 mg/dia em dose única matinal; a lisdexanfetamina, pró-fármaco da dexanfetamina, começa em 30 mg e vai até 70 mg/dia. Alternativas não controladas: atomoxetina (inibidor de NET, 0,5 a 1,2 mg/kg/dia, efeito em semanas) e guanfacina de liberação prolongada (agonista alfa-2A, 1 a 4 mg/dia). Efeitos a monitorar: redução do crescimento em altura na velocidade esperada no primeiro ano (1 a 2 cm), elevação leve de frequência cardíaca e pressão, insônia, apetite reduzido; rastrear história cardiovascular (sincope, morte súbita familiar) antes de iniciar, sem exigir eletrocardiograma de rotina em assintomáticos.
Em crianças e adolescentes com depressão maior, apenas a fluoxetina tem eficácia consistente em múltiplos ensaios e é a escolha de primeira linha (aprovada a partir de 8 anos; escitalopram a partir de 12), enquanto a paroxetina mostrou-se ineficaz e até prejudicial nessa faixa. O alerta de caixa-preta dos órgãos reguladores, emitido para todos os antidepressivos em menores de 25 anos, decorre de metanálises que dobraram a taxa de ideação suicida (em torno de 4% contra 2% com placebo) sem suicídios consumados nos ensaios; a conduta é monitorar estreitamente nas primeiras 4 semanas, não contraindicar. O ensaio TADS demonstrou o padrão de resposta em 12 semanas: 71% com fluoxetina mais terapia cognitivo-comportamental, 60,6% com fluoxetina isolada, 43,2% com TCC isolada e 34,8% com placebo, sustentando a combinação como melhor estratégia em moderados a graves.
Em psicose juvenil, os antipsicóticos produzem mais ganho de peso e dislipidemia do que em adultos, o que obriga monitoramento metabólico ainda mais rigoroso, e a clozapina é reservada à resistência, com os mesmos critérios de hemograma. No transtorno bipolar em menores, o valproato é evitado em meninas com potencial gestacional pela teratogenicidade, e o lítio exige litemias mais próximas do limite inferior.
A prescrição psiquiátrica acontece dentro de uma cultura. O Brasil figura entre os maiores consumidores mundiais de ansiolíticos, com cronicização do uso de benzodiazepínicos sobretudo em mulheres e idosos, em parte pela medicalização do sofrimento e da ansiedade cotidiana e pelo acesso fácil histórico a receitas; por isso os protocolos atuais limitam a duração e exigem revisão periódica. No extremo oposto, o estigma psiquiátrico é a maior barreira à adesão: cerca de metade dos pacientes com esquizofrenia abandona a medicação no primeiro ano, e cada surto psicótico não tratado piora o prognóstico funcional. Os antipsicóticos injetáveis de duração prolongada (decanoato de haloperidol, risperidona microesferas e palmitato mensal ou trimestral) reduzem reinternações justamente por desacoplar a adesão da lembrança diária. Debates socioculturais também molduram o diagnóstico de TDAH no Brasil, entre a medicalização do comportamento escolar infantil e a subnotificação real do transtorno em contextos socioeconomicamente vulneráveis; a conduta segura é diagnóstico criterioso com critérios DSM em múltiplos ambientes, envolvimento da escola e reavaliação periódica. Fatores culturais e étnicos alteram farmacocinética: asiáticos metabolizam mais lentamente várias drogas por polimorfismos de CYP2D6 e CYP2C19 e respondem a doses menores de clozapina e haloperidol.
| Característica | Síndrome serotoninérgica | Síndrome neuroléptica maligna |
|---|---|---|
| Início | Horas, até 24 h após introdução ou aumento da dose | Dias a até 2 semanas de exposição ao antipsicótico |
| Mecanismo | Excesso de serotonina (5HT1A e 5HT2A) | Bloqueio dopaminérgico D2 abrupto ou retirada de agonista |
| Achados | Clônus, hiperreflexia, midríase, diarreia, agitação, diaforese | Rigidez em chumbo de tubo, bradirreflexia, hipertermia acima de 38,5 graus, instabilidade autonômica, mutismo |
| Exames | Creatinoquinase normal ou pouco elevada | Creatinoquinase elevada (frequentemente acima de 1.000 U/L), leucocitose |
| Tratamento | Suspender serotonérgicos, benzodiazepínicos, ciproheptadina 12 mg seguida de 2 mg a cada 2 h | Suspender o antipsicótico, resfriamento, dantroleno ou bromocriptina, benzodiazepínicos, terapia intensiva |
O prognóstico psicofarmacológico depende mais da adesão e do monitoramento do que da escolha inicial da molécula. Na depressão, o tratamento da fase aguda deve se estender por 6 a 9 meses após a remissão para prevenir recaída, e suspensões devem ser graduais; na esquizofrenia, a manutenção antipsicótica por no mínimo 1 a 2 anos após o primeiro surto reduz recaídas, que pioram a trajetória da doença; no transtorno bipolar, o lítio interrompido bruscamente precipita mania em semanas a meses, com risco de suicídio na descontinuação. Complicações de longo prazo exigem vigilância: síndrome metabólica e diabetes em antipsicóticos atípicos, disfunção tireoidiana e renal no lítio, osteoporose em anticonvulsivantes indutores enzimáticos e quedas e declínio cognitivo em idosos sob benzodiazepínicos. A consulta de seguimento ideal pesa o paciente, mede a pressão, revisa litemias e hemogramas quando cabíveis e questiona especificamente disfunção sexual, sedação diurna e escalada de dose por tolerância.
1.Por que o efeito antidepressivo dos ISRS demora 2 a 4 semanas apesar do bloqueio imediato do SERT?
2.Qual ISRS deve ter a dose limitada a 40 mg/dia (20 mg acima de 60 anos) por risco de prolongamento do QT?
3.Paciente epilético deprimido, em cessação do tabagismo, sem disfunção sexual prévia. Qual antidepressivo é a melhor escolha?
4.Qual critério define esquizofrenia resistente que autoriza clozapina?
5.Paciente em uso de lítio iniciou ibuprofeno por dor dental e apresenta tremor grosseiro, confusão e ataxia. Qual o mecanismo e a conduta?
6.Qual anticonvulsivante estabilizador exige genotipagem de HLA-B*15:02 em pacientes de ascendência asiática antes da prescrição?
7.Homem em uso de haloperidol há 10 dias apresenta hipertermia de 39,5 graus, rigidez em chumbo de tubo, bradirreflexia, CK de 8.000 U/L e instabilidade autonômica. Diagnóstico e tratamento?
8.Criança de 5 anos com TDAH combinado, sem comorbidades graves. Qual a primeira linha terapêutica segundo a diretriz da Academia Americana de Pediatria?
9.Adolescente de 14 anos com depressão maior moderada inicia tratamento. Qual conduta tem a maior taxa de resposta em 12 semanas no ensaio TADS?
10.Qual alternativa não benzodiazepínica para ansiedade generalizada atua como agonista parcial de 5HT1A e leva cerca de 2 semanas para fazer efeito?
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