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Revisão completa do manejo das intoxicações exógenas: classificação e epidemiologia brasileira e global, abordagem inicial do intoxicado, toxidromes, exames com intervalos aniónico e osmolar, descontaminação gastrointestinal com doses, tabela de antídotos com esquemas, métodos de eliminação aumentada, complicações e estratégias de prevenção baseadas em evidência. Inclui 10 questões e flashcards.
[1] Mokhlesi B, Leiken JB, Murray P, Corbridge TC. Adult toxicology in critical care: part I: general approach to the intoxicated patient. Chest. 2003;123(2):577-92 · DOI 10.1378/chest.123.2.577 | [2] Benson BE, Hoppu K, Troutman WG, et al. Position paper update: gastric lavage for gastrointestinal decontamination. Clin Toxicol (Phila). 2013;51(3):140-6 · DOI 10.3109/15563650.2013.770154 | [3] Chyka PA, Seger D, Krenzelok EP, Vale JA. Position paper: single-dose activated charcoal. Clin Toxicol (Phila). 2005;43(2):61-87 · DOI 10.1080/15563650590903329 | [4] Mew EJ, Padmanathan P, Konradsen F, et al. The global burden of fatal self-poisoning with pesticides 2010-2014. J Affect Disord. 2017;219:93-104 · PMID 28535450 | [5] Fiocruz. SINITOX: Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas. Rio de Janeiro · https://sinitox.icict.fiocruz.br | [6] Nelson LS, Howland MA, Lewin NA, et al. Goldfrank's Toxicologic Emergencies. 11th ed. New York: McGraw-Hill; 2019 · DOI 10.1378/chest.123.2.577
Intoxicação exógena é o quadro clínico resultante da exposição a qualquer substância estranha ao organismo em dose ou concentração capaz de produzir dano, agudamente ou por acúmulo. No Brasil, os registros do SINITOX, sistema da Fiocruz alimentado pelos CIATox, mostram historicamente dezenas de milhares a mais de cem mil notificações de exposições tóxicas humanas por ano, com medicamentos como principal grupo de agentes, seguidos de domissanitários, agrotóxicos e produtos de uso veterinário. No mundo, estimativas conservadoras atribuem aos pesticidas cerca de 110 mil mortes por autoenvenenamento ao ano, 13,7% de todos os suicídios, o que faz do manejo do intoxicado uma competência que atravessa clínica, emergência e saúde coletiva. Para a prova, o aluno precisa dominar três eixos: a abordagem inicial centrada em estabilização e toxidromes, a descontaminação e os antídotos com doses, e as estratégias de prevenção que efetivamente reduzem mortalidade.
A classificação clinicamente útil organiza as intoxicações por intenção, tempo de exposição e agente, porque cada eixo muda a conduta: a intenção determina avaliação psiquiátrica obrigatória e risco de repetição; o tempo determina se a descontaminação ainda tem papel; e o agente determina antídoto e exames específicos. Intoxicação aguda é uma exposição única ou repetida em até 24 horas; subaguda, exposições por até 90 dias; e crônica, por mais de 90 dias, típica de agrotóxicos, chumbo e medicamentos com efeito cumulativo, como lítio e digoxina.
O padrão epidemiológico brasileiro do SINITOX é consistente ao longo das décadas: medicamentos lideram os casos notificados, com predomínio de benzodiazepínicos e analgésicos; as intoxicações acidentais predominam em crianças menores de 5 anos, que representam parcela substancial das exposições, geralmente em casa; entre adolescentes e adultos jovens, o predomínio é de tentativas de suicídio, mais frequentes em mulheres; e os óbitos concentram-se em agrotóxicos, especialmente organofosforados e paraquat, e em medicamentos com janela terapêutica estreita. Nos Estados Unidos, a rede AAPCC registra mais de 2 milhões de exposições por ano, com analgésicos como classe mais envolvida e opioides historicamente entre os maiores causadores de morte. No campo da prevenção estrutural, a proibição do paraquat pela Anvisa em setembro de 2020, após reavaliação toxicológica que apontou mutagenicidade e associação com parkinsonismo, replica a experiência internacional de que proibir os agrotóxicos mais letais é das medidas que mais reduzem suicídios rurais.
A gravidade depende de quanto chega ao sítio de ação e por quanto tempo permanece: absorção (via oral, inalatória, cutânea ou parenteral), distribuição (volume de distribução alto, como em antidepressivos tricíclicos e digoxina, significa que hemodiálise remove pouco), metabolismo (fase I pelo sistema citocromo P450, com potencial de bioativação como o paracetamol a NAPQI, e fase II de conjugação) e excreção (renal, biliar ou pulmonar). Interações e variáveis genéticas modulam a toxicidade: metabolizadores lentos acumulam o fármaco, e a autoindução enzimática do fomepizol exige aumento de dose após 48 horas. Na toxidinâmica, conhecer o mecanismo antecipa complicações: bloqueadores de canais de sódio alargam o QRS, antagonistas muscarínicos causam delirium anticolinérgico, inibidores da monoaminoxidase e serotonérgicos precipitam síndrome serotoninérgica, e os organofosforados, inibindo a acetilcolinesterase, produzem crise colinérgica com sudação, broncorreia, miose, bradicardia e convulsões.
A primeira regra é tratar o paciente antes de tratar o veneno: nenhuma história de intoxicação dispensa ABC do atendimento. Em todo paciente com rebaixamento de consciência de causa não esclarecida, colher glicemia capilar imediatamente e administrar tiamina 100 mg por via intravenosa antes da glicose em pacientes de risco (alcoolistas e desnutridos), além de considerar o trio naloxona-flumazenil-ação por toxidrome apenas como teste diagnóstico terapêutico quando indicado. A anamnese dirigida (o que, quanto, quando, por qual via, com que intenção, quais medicações habitualmente disponíveis em casa) e a busca de frascos, receitas e informantes familiares são decisivas, e a consulta ao CIATox regional orienta condutas em agentes incomuns.
Toxidrome é um conjunto de sinais e sintomas que aponta para uma classe farmacológica e encurta o raciocínio antes de qualquer dosagem. Os seis classicamente cobrados estão na tabela; a combinação de temperatura, pupila, pele, ruídos pulmonares, peristaltismo e estado mental diferencia quase todos. Em pacientes sob efeito de múltiplas substâncias, o toxidrome pode estar mascarado, e o ECG e o laboratório assumem o papel de maior peso.
| Toxidrome | Sinais vitais e estado mental | Olhos, pele e secreções | Agentes típicos |
|---|---|---|---|
| Anticolinérgico | taquicardia, hipertermia, hipertensão, delirium com agitação e retenção urinária | midríase, pele seca e quente, mucosas secas | antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, atropina, plantas solanáceas (trombeteira) |
| Colinérgico (muscarínico) | bradicardia, broncorreia, sialorreia, vômitos, diarreia, miose, fasciculações e convulsões | sudação fria, pupilas puntiformes, ruídos pulmonares úmidos | organofosforados e carbamatos de agrotóxicos, alguns cogumelos |
| Simpaticomimético | taquicardia, hipertensão, hipertermia, agitação, diaforese | midríase, pele quente e úmida, peristaltismo presente | cocaína, anfetaminas, MDMA, descongestionantes |
| Opiáceo | depressão respiratória, bradipneia, consciência rebaixada, bradicardia | miose, pele fria, peristaltismo reduzido | morfina, fentanila, oxicodona, heroína, tramadol |
| Sedativo-hipnótico | depressão de consciência, hiporreflexia, hipotensão leve, apneia de padrão central | pupilas normais ou midriáticas, sem alteração cutânea marcada | benzodiazepínicos, barbitúricos, álcool, zopiclona |
| Serotoninérgico | hipertermia, taquicardia, hipertensão, clonus induzido e espontâneo, hiperreflexia, agitação | diaforese, midríase inconstante, diarreia | ISRS em associação, tramadol, linezolida, IMAO, triptanos |
O laboratório do intoxicado se organiza em três painéis. O painel de rastreio universal inclui glicemia, eletrólitos com cálculo do intervalo aniónico, ureia e creatinina, osmolalidade sérica com cálculo do intervalo osmolar, hemograma, gasometria, transaminases e albumina. O painel cardíaco-electrofisiológico é o ECG seriado: alargamento do QRS maior que 100 ms com onda R proeminente em aVR indica bloqueio de canais de sódio (tricíclicos, cocaína em dose tóxica) e exige bicarbonato; QT longo aponta para antipsicóticos, macrolídeos, ondansetrona e metadona. O painel específico por agente inclui dosagens com ação imediata: paracetamol (colher 4 horas após a ingestão e aplicar o nomograma de Rumack-Matthew, cuja linha de tratamento parte de 150 microgramas por mL na 4ª hora em escala semilogarítmica), salicilato, lítio, digoxina, teofilina, metanol e etilenoglicol (quando disponível), carboxiemoglobina (CO-oximetria) e metahemoglobina, sendo o azul de metileno indicado quando a metahemoglobina ultrapassa 30% ou há sintomas de hipóxia.
A descontaminação gastrointestinal deixou de ser reflexo e virou decisão baseada em evidência. O xarope de ipeca caiu em desuso completo: não melhora desfechos, atrasa a administração de carvão e de antídotos orais e aumenta risco de aspiração. A lavagem gástrica, posicionado da American Academy of Clinical Toxicology e da Associação Europeia de Centros de Toxicologia, não deve ser empregada rotineiramente: restrinja-a à ingestão potencialmente letal de agente sem antídoto eficaz, capturável pela sonda, ocorrida dentro de aproximadamente 1 hora, com vias aéreas protegidas, contraindicada em hidrocarbonetos e cáusticos pelo risco de pneumonite química e perfuração. O carvão ativado é o método de escolha na maioria dos casos: dose única de 1 g por kg por via oral ou sonda (25 a 100 g no adulto; 0,5 a 1 g/kg na criança), com maior benefício dentro da primeira hora, e não se liga a lítio, metais pesados (ferro), hidrocarbonetos, cáusticos e álcoois. As doses múltiplas (0,5 a 1 g/kg a cada 4 horas) têm papel na teofilina, carbamazepina, fenobarbital, quinina e dapsona, por interromper a circulação entero-hepática e entero-gástrica.
| Método | Indicação principal | Dose ou técnica | Contraindicações |
|---|---|---|---|
| Carvão ativado em dose única | ingestão de agente adsorvível, idealmente dentro de 1 hora | 1 g/kg por sonda (adulto 25 a 100 g; criança 0,5 a 1 g/kg) | vias aéreas desprotegidas, íleo, perfuração, cáusticos, hidrocarbonetos, ferro e lítio |
| Carvão ativado em doses múltiplas | teofilina, carbamazepina, fenobarbital, quinina, dapsona | 0,5 a 1 g/kg a cada 4 horas, com controle do trânsito intestinal | as mesmas da dose única, mais obstrução intestinal |
| Lavagem gástrica | ingestão letal potencial em até 1 hora, sem antídoto eficaz | sonda orogástrica 36 a 40 Fr no adulto e 16 a 28 Fr na criança, salinas de 200 a 300 mL por ciclo até retorno claro | hidrocarbonetos, cáusticos, risco alto de aspiração sem intubação prévia |
| Irrigação intestinal total | corpo de droga (body packers), ferro, liberação prolongada | polietilenoglicol 1,5 a 2 L/h no adulto e 20 a 40 mL/kg/h na criança até efluentes claros | íleo, obstrução, perfuração, instabilidade hemodinâmica |
| Xarope de ipeca | não indicado na atualidade | abandonado por aumentar aspiração e atrasar carvão e antídotos | praticamente contraindicado em qualquer cenário de urgência |
Antídoto é o tratamento que reverte o mecanismo tóxico, e a prova cobra dose, via e indicação precisa. A tabela reúne os antídotos de maior rendimento em exame, com esquemas usados no adulto, adaptados por peso na criança. Lembre que antídoto não substitui suporte: a maior parte dos intoxicados graves sobrevive com ventilação, hemodinâmica e correção metabólica corretas enquanto o agente é eliminado.
| Agente ou síndrome | Antídoto | Esquema no adulto |
|---|---|---|
| Paracetamol | N-acetilcisteína | intravenosa: 150 mg/kg em 1 h, depois 50 mg/kg em 4 h e 100 mg/kg em 16 h (total 300 mg/kg em 21 h); oral: 140 mg/kg e depois 70 mg/kg a cada 4 h por 17 doses |
| Opioides | naloxona | 0,4 a 2 mg intravenosa, repetida a cada 2 a 3 minutos; em dependentes, iniciar 0,04 mg e titular; dura 30 a 90 minutos, exigindo observação por re-sedação |
| Benzodiazepínicos | flumazenil | 0,2 mg intravenosa em 30 segundos, repetindo 0,2 mg por minuto até 1 mg; contraindicado em coingestão de tricíclicos, epilepsia e uso crônico |
| Organofosforados e carbamatos | atropina e pralidoxima | atropina 1 a 2 mg intravenosa em bolus, dobrando a cada 3 a 5 minutos até secar secreções e frequência cardíaca acima de 80; pralidoxima 30 mg/kg (máximo 2 g) intravenosa em 30 minutos, seguida de 8 a 10 mg/kg/h |
| Antidepressivos tricíclicos com QRS maior que 100 ms | bicarbonato de sódio | 1 a 2 mEq/kg intravenosa em bolus, repetindo até estreitar o QRS e estabilizar; alvo de pH sérico 7,45 a 7,55 |
| Metanol e etilenoglicol | fomepizol (ou etanol) | fomepizol 15 mg/kg intravenosa em 30 minutos de carga, depois 10 mg/kg a cada 12 h, aumentando para 15 mg/kg a cada 12 h após 48 h por autoindução enzimática |
| Cianeto | hidroxocobalamina | 5 g intravenosa em 15 a 30 minutos, podendo repetir na parada cardiorrespiratória; alternativa é nitrito de sódio 300 mg seguido de tiossulfato de sódio 12,5 g intravenosos |
| Metahemoglobinemia (sulfas, dapsona, anilinas) | azul de metileno | 1 a 2 mg/kg da solução a 1% por via intravenosa em 5 minutos, repetindo se persistir; máximo cumulativo 7 mg/kg; cautela na deficiência de G6PD |
| Digoxina grave | anticorpos antidigoxina (Fab) | empiricamente 10 a 20 frascos na intoxicação aguda grave e 3 a 6 na crônica; se dosagem disponível, número de frascos = concentração em ng/mL x peso em kg dividido por 100 |
| Beta-bloqueadores e verapamil-diltiazem | glucagon e insulina hiperdose | glucagon 3 a 10 mg intravenosa lento, seguido de 1 a 5 mg/h; insulina regular 1 U/kg em bolus e 0,5 a 1 U/kg/h com dextrose e potássio |
| Isoniazida (convulsões refratárias) | piridoxina | grama por grama da dose ingerida; se desconhecida, 5 g por via intravenosa em 30 minutos |
| Intoxicação por ferro | deferoxamina | 15 mg/kg/h intravenosa contínua, titulada até 6 g ao dia, em intoxicação sistêmica com acidose e choque |
| Anticoagulantes cumarínicos ou rodenticidas | vitamina K1 | fitomenadiona 10 a 25 mg intravenosa lenta na hemorragia grave, seguida de doses orais diárias guiadas pelo INR |
| Metais pesados (chumbo, mercúrio, arsênio) | queladores específicos | dimercaprol 3 a 5 mg/kg intramuscular a cada 4 horas no arsenical grave; succimer, penicilamina e EDTA cálcico dissódico conforme o metal, em serviço de referência |
Quando o agente já foi absorvido, três técnicas aceleram a remoção. A hemodiálise é o método de escolha para metanol e etilenoglicol (indicada quando há acidose metabólica, sintomas visuais ou renais, níveis acima de 50 mg/dL ou falência renal), salicilatos (nível acima de 90 a 100 mg/dL, encefalopatia, edema pulmonar ou acidemia refratária), lítio em estado grave, metformina com acidose láctica, teofilina e fenobarbital em intoxicação grave; exige que a molécula tenha baixo peso molecular, baixa ligação proteica e pequeno volume de distribuição, o que explica não funcionar para tricíclicos e digoxina. A alcalinização urinária, com bicarbonato de sódio 100 a 150 mEq em 1 litro de solução glicosada a 5% infundidos a 150 a 250 mL/h, mira pH urinário entre 7,5 e 8,0 e é indicada na intoxicação salicilada moderada sem critérios de diálise, sempre corrigindo o potássio, pois hipocalemia sabota a alcalinização. A emulsão lipídica 20% (1,5 mL/kg em bolus, podendo repetir, seguida de infusão de 0,25 a 0,5 mL/kg/min) cria um compartimento lipídico que sequestra drogas lipofílicas e é resgate na toxicidade sistêmica por anestésicos locais, bupropiona, verapamil e cloroquina.
A prevenção das intoxicações opera em três níveis e é a parte da gestão com melhor relação custo-efeito. Na prevenção primária, intervenções estruturais já demonstraram redução de mortalidade: a proibição de agrotóxicos altamente letais, como o paraquat no Brasil pela Anvisa em 2020, reduz o acesso ao meio mais letal de autoenvenenamento rural, e a restrição do tamanho de embalagens de paracetamol no Reino Unido associou-se a queda de mortes e de indicações de transplante hepático. Para crianças, embalagens com travas de segurança, armazenamento em altura e trancado, nunca sob a pia, e a manutenção de produtos em frascos originais evitam a confusão que precede quase todo acidente doméstico. Na prevenção secundária, a rede brasileira de CIATox e o SINITOX sustentam a vigilância e a consulta por telefone ao profissional de plantão em qualquer ponto do país, acelerando condutas. Na prevenção terciária, toda tentativa de suicídio exige avaliação psiquiátrica antes da alta, remissão a CAPS ou ambulatório de saúde mental, restrição de acesso a meios letais na prescrição subsequente (fracionar receitas de pacientes em risco, evitando estoques domiciliares de benzodiazepínicos e estoques de antidepressivos) e educação da família sobre supervisão.
As complicações que matam o intoxicado são, em regra, hipóxicas e mecânicas: aspiração de conteúdo gástrico no paciente comatoso é a maior causa isolada de morte evitável, seguida de depressão respiratória não ventilada, arritmias por bloqueio de canais de sódio e potássio, encefalopatia hipóxica após parada prolongada, rabdomiólise por imobilização com insuficiência renal aguda e síndrome compartimental, e edema pulmonar não cardiogênico em salicilados e opioides. Agentes específicos deixam sequelas próprias: o metanol pode causar cegueira permanente por necrose retinal e do nervo óptico, o paraquat produz fibrose pulmonar progressiva e letal com poucos dias de latência mesmo após melhora inicial, o monóxido de carbono gera seqüelas neuropsiquiátricas tardias, e o paracetamol em dose alta evolui para necrose hepática centrolobular fulminante entre o terceiro e o quinto dia. O prognóstico melhora com tempo curto entre ingestão e atendimento, agent com antídoto eficaz e prontidão de suporte avançado; escores de gravidade como o Glasgow na chegada e o padrão evolutivo do ECG orientam leito de terapia intensiva.
1.Jovem chega à emergência com rebaixamento de consciência, pupilas mióticas e depressão respiratória após suposta ingestão de múltiplos comprimidos. Após garantir vias aéreas e acesso, a primeira medida diagnóstica-terapêutica universal é:
2.Paciente com agitação, pele seca e quente, midríase, retenção urinária e alucinações após ingestão de planta do jardim apresenta qual toxidrome?
3.Agricultor exposto a organofosforado chega com sudação profusa, broncorreia, miose, bradicardia e fasciculações. Qual é a meta terapêutica da atropinização?
4.Sobre a dose única de carvão ativado no adulto, qual assertiva é correta?
5.Eletrocardiograma de paciente que ingeriu antidepressivo tricíclico mostra QRS de 130 ms com onda R em aVR. A conduta imediata é:
6.A dosagem de paracetamol colhida 4 horas após ingestão aguda única entra no nomograma de Rumack-Matthew a partir de qual linha de tratamento?
7.Homem alcoólatra ingere álcool automotivo. Qual antídoto e qual particularidade posológica marcam esse caso?
8.Qual lista contém apenas agentes efetivamente removidos por hemodiálise na intoxicação grave?
9.Paciente em uso de dapsona apresenta cianose clínica com oximetria de pulso estacionada em 85% que não melhora com oxigênio, e metahemoglobina de 32%. O tratamento é:
10.Após estabilização de uma jovem que ingeriu 40 comprimidos de clonazepam com álcool em tentativa de suicídio, qual conduta é obrigatória antes da alta hospitalar?
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