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Cobre os fundamentos da antibioticoterapia empírica e dirigida: princípios de farmacocinética/farmacodinâmica, escolha do esquema por sítio de infecção com doses completas, reavaliação em 48-72 horas, critérios de desescalação, duração do tratamento e programas de gerenciamento do uso de antimicrobianos.
[1] Kalil AC, Metersky ML, Klompas M, et al. Management of Adults with Hospital-acquired and Ventilator-associated Pneumonia: 2016 Clinical Practice Guidelines by IDSA/ATS. Clin Infect Dis. 2016;63(5):e61-e111 · DOI 10.1093/cid/ciw353 | [2] Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45-e67 · DOI 10.1164/rccm.201908-1581ST | [3] Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Crit Care Med. 2021;49(11):e1063-e1143 · DOI 10.1097/CCM.0000000000005337 | [4] Barlam TF, Cosgrove SE, Abbo LM, et al. Implementing an Antibiotic Stewardship Program: Guidelines by IDSA and SHEA. Clin Infect Dis. 2016;62(10):e51-e77 · DOI 10.1093/cid/ciw118 | [5] Murray CJL, Ikuta KS, Sharara F, et al. Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: a systematic analysis. Lancet. 2022;399(10325):629-655 · DOI 10.1016/S0140-6736(21)02724-0 | [6] Anvisa. Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde. Brasília: Anvisa; 2021 · https://www.gov.br/anvisa · DOI 10.1093/cid/ciw353
A decisão antimicrobiana é um exercício de probabilidade sob pressão de tempo: no paciente grave, cada hora de atraso na primeira dose aumenta a mortalidade, mas o espectro excessivo prolongado seleciona microrganismos multirresistentes e causa dano direto ao paciente. A análise GRAM (Lancet, 2022) estimou 4,95 milhões de mortes associadas e 1,27 milhão diretamente atribuíveis à resistência bacteriana em 2019 — se fosse uma causa isolada, estaria entre as principais causas de morte do mundo. A resposta técnica a esse dilema é o ciclo empírico-dirigido: começar largo e cedo o suficiente para o quadro, coletar culturas antes da primeira dose, e reavaliar às 48-72 horas para estreitar (desescalar), trocar por via oral ou parar. Este artigo percorre esse ciclo com as doses, critérios e durações usados nas diretrizes ATS/IDSA e Surviving Sepsis Campaign 2021.
Terapia empírica é a escolhida ANTES da identificação do agente, guiada pelo sítio de infecção, gravidade, fatores de risco para resistentes (internação recente, uso prévio de antimicrobianos, colonização conhecida, imunossupressão) e pela epidemiologia local — o antibiograma do hospital é parte do raciocínio, não um detalhe administrativo. Terapia dirigida (ou definitiva) é a construída sobre a identificação e a sensibilidade do microrganismo, com o espectro mais estreito possível. Terapia profilática usa antimicrobianos na ausência de infecção para prevenir infecção em situações definidas (cirúrgica, neutropenia grave), com tempo limitado e protocolizado — prolongar profilaxia é mau uso clássico. Terapia supressiva mantém controle de um foco não erradicável (por exemplo, prótese que não pode ser removida). A desescalação é a transição deliberada da terapia empírica para a dirigida — ou a interrupção — quando chegam cultura e evolução clínica, e é o comportamento que separa prescritor maduro de prescritor reativo.
Todo antimicrobiano de largo espectro exerce pressão seletiva sobre a microbiota do paciente e da unidade. Os mecanismos cobrados em prova: beta-lactamases de espectro estendido (ESBL), que inativam penicilinas e cefalosporinas mantendo susceptibilidade apenas a carbapenêmicos e algumas cefalosporinas de nova geração; carbapenemases (KPC, NDM, OXA-48), que reservam o tratamento a polimixinas (colistina, polimixina B) e combinações específicas; PBP2a alterada pelo gene mecA, que define o S. aureus resistente à meticilina (MRSA); e a resistência à vancomicina por operons van em enterococos. O conceito de dano colateral descreve efeitos indesejados do largo espectro além da resistência: infecção por Clostridioides difficile, seleção de enterococos resistentes à vancomicina (VRE), candidemia invasiva e colonização por ESBL na microbiota do paciente. Por isso, a escolha empírica deve ser tão larga quanto necessário e não um milímetro mais larga — e a largura deve ser reavaliada todos os dias.
A eficácia depende de o fármaco atingir no sítio de infecção uma exposição que supere a concentração inibitória mínima (CIM) do patógeno — e cada classe tem um alvo de exposição próprio, o que define intervalo, infusão e monitoramento. Antimicrobianos tempo-dependentes precisam manter concentração livre ACIMA da CIM por uma fração do intervalo (T maior que CIM, em geral 40-70% do intervalo para beta-lactâmicos): daí a vantagem de infusões estendidas (por exemplo, piperacilina-tazobactam infundido por 4 horas) e de intervalos mais curtos em pacientes graves. Antimicrobianos concentração-dependentes dependem de um pico alto em relação à CIM (Cmax/CIM de 8-10 para aminoglicosídeos), o que sustenta a dose única diária dos aminoglicosídeos com maior eficácia e menor nefrotoxicidade. Antimicrobianos exposição-dependentes dependem da área sob a curva em 24 h dividida pela CIM (AUC24/CIM): é o caso das fluoroquinolonas e da própria vancomicina, cujo alvo AUC24/CIM de 400-600 orienta dose e monitoramento atuais.
| Classe / fármaco | Alvo PK/PD | Estratégia clínica |
|---|---|---|
| Beta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, carbapenêmicos) | T maior que CIM (40-70% do intervalo) | Infusão estendida (3-4 h) ou contínua em graves; manter intervalos curtos; ajustar por clearance de creatinina |
| Aminoglicosídeos (amicacina, gentamicina) | Cmax/CIM 8-10 | Dose única diária (ex.: amicacina 15-20 mg/kg/dia); monitorar nefrotoxicidade e ototoxicidade |
| Fluoroquinolonas (levofloxacino, moxifloxacino) | AUC24/CIM (cerca de 25-30 para gram-negativos) | Dose alta uma vez ao dia (levofloxacino 750 mg/dia); atenção a tendinite e prolongamento do QT |
| Vancomicina | AUC24/CIM 400-600 | Dose de ataque 25-30 mg/kg IV seguida de 15-20 mg/kg a cada 8-12 h; monitorar AUC (ou trough como substituto) e função renal |
| Polimixinas (colistina, polimixina B) | Exposição com AUC; efeito bactericida concentração-dependente | Colistimionato: ataque de 9 MU seguido de 4,5 MU a cada 12 h; polimixina B 1,25-1,5 mg/kg a cada 12 h; nefrotoxicidade frequente |
| Linezolida | AUC/CIM; boa penetração pulmonar | 600 mg IV ou VO a cada 12 h; monitorar hemograma (mielossupressão) em uso maior que 14 dias |
A ordem correta dos primeiros minutos determina tudo: hemoculturas (duas amostras em sítios distintos ou um frasco de aeróbio mais um de anaeróbio por punção, 10 mL por frasco em adultos) e culturas do sítio provável (escarro, urina, líquido pleural, cateter, ferida) ANTES do antibiótico — desde que isso não atrase o tratamento. A Surviving Sepsis Campaign 2021 recomenda administrar antimicrobianos imediatamente, idealmente dentro de 1 hora, para choque séptico e sepse provável; na sepse possível sem choque, permite avaliação rápida (até 3 horas) quando o diagnóstico permanece incerto. Paralelamente, pensar na fonte: drenar abscesso, desobstruir, remover dispositivo e controlar cirurgicamente — o controle da fonte idealmente nas primeiras 6-12 horas no choque séptico, porque antibiótico nenhum substitui um foco drenável. Averiguar alergias com detalhe: fármaco e reação real: relato vago de alergia a penicilina é causa importante de uso desnecessário de vancomicina e carbapenêmicos, e a maioria dos pacientes rotulados tolera penicilinas após investigação.
A largura do espectro cresce com a gravidade e com o risco de patógenos resistentes — não com o medo genérico. Na pneumonia adquirida na comunidade (PAC) internada sem critérios de gravidade, a diretriz ATS/IDSA 2019 recomenda beta-lactâmico (ceftriaxona 2 g IV ao dia ou ampicilina-sulbactama 3 g IV a cada 6 h) somado a macrolídeo (azitromicina 500 mg IV/VO ao dia), ou monoterapia com fluoroquinolona respiratória (moxifloxacino 400 mg/dia ou levofloxacino 750 mg/dia); na PAC grave, beta-lactâmico associado a macrolídeo OU a fluoroquinolona; cobrir MRSA ou Pseudomonas apenas com fatores de risco específicos (isolamento prévio desses patógenos no trato respiratório ou hospitalização recente com antibiótico intravenoso), somando vancomicina (ou linezolida) ou piperacilina-tazobactam, respectivamente. Na pneumonia associada à ventilação (NAV) e hospitalar (NAH), a diretriz IDSA/ATS 2016 exige cobertura para S. aureus e bacilos gram-negativos, com vancomicina ou linezolida apenas se fatores de risco para MRSA (uso de antibiótico intravenoso nos últimos 90 dias, unidade com mais de 20% de S. aureus MRSA ou prevalência desconhecida, ventilação por NAH/NAV ou choque séptico) e DUAS antipseudomonas se risco de gram-negativos multirresistentes (antibiótico intravenoso nos últimos 90 dias, doença pulmonar estrutural, unidade com mais de 10% de bacilos gram-negativos resistentes ou prevalência desconhecida).
| Sítio / cenário | Esquema empírico com doses em adultos | Observações de prova |
|---|---|---|
| PAC ambulatorial, sem comorbidades | Amoxicilina 500-875 mg VO a cada 8-12 h, ou doxiciclina 100 mg VO a cada 12 h | Atípicos cobertos por macrolídeo ou doxiciclina conforme tolerabilidade |
| PAC ambulatorial com comorbidades | Amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO a cada 12 h (ou cefuroxima 500 mg a cada 12 h) + macrolídeo; ou fluoroquinolona respiratória | Comorbidades: DPOC, diabetes, IRC, doença hepática, neoplasia, asma com corticoide |
| PAC internada (não grave) | Ceftriaxona 2 g IV ao dia + azitromicina 500 mg IV/VO ao dia; ou fluoroquinolona respiratória em monoterapia | Associação beta-lactâmico + macrolídeo reduz mortalidade na PAC grave |
| PAC grave (UTI) | Beta-lactâmico + macrolídeo OU beta-lactâmico + fluoroquinolona respiratória | Cobrir MRSA/Pseudomonas só com risco específico pré-documentado |
| NAH/NAV sem risco de MDR | Ceftriaxona 2 g IV ao dia, ou piperacilina-tazobactam 4,5 g IV a cada 6 h, ou cefepima 2 g IV a cada 8 h | Sem fator de risco: monoterapia antipseudomonas, sem cobertura de MRSA |
| NAH/NAV com risco de MDR | Duas antipseudomonas (ex.: cefepima 2 g q8h + amicacina 15-20 mg/kg/dia ou polimixina) + vancomicina 25-30 mg/kg ataque e 15-20 mg/kg q8-12h ou linezolida 600 mg q12h | Risco MRSA: antibiótico IV nos últimos 90 dias, unidade com mais de 20% MRSA ou desconhecida, choque; risco GN-MDR: mais de 10% na unidade, antibiótico em 90 dias, doença estrutural |
| Infecção intra-abdominal complicada | Ceftriaxona 2 g IV ao dia + metronidazol 500 mg IV a cada 8 h; graves: piperacilina-tazobactam 4,5 g IV a cada 6 h ou meropenem 1 g IV a cada 8 h | Controle da fonte é parte do tratamento; duração curta após fonte controlada |
| ITU não complicada (cistite) | Nitrofurantoína 100 mg VO a cada 12 h por 5 dias, ou fosfomicina 3 g VO dose única | Fluoroquinolona reservada; nitrofurantoína inaceitável em pielonefrite (não alcança parênquima) |
| Pielonefrite / ITU complicada | Ceftriaxona 2 g IV ao dia, ou fluoroquinolona; ESBL: ertapenem 1 g IV ao dia | Reavaliar com urocultura em 48-72 h; drenar obstrução |
| Meningite bacteriana comunitária (adulto) | Ceftriaxona 2 g IV a cada 12 h + vancomicina 15-20 mg/kg IV a cada 8-12 h; maior de 50 anos ou imunossuprimido: somar ampicilina 2 g IV a cada 4 h (Listeria) | Dexametasona 0,15 mg/kg IV a cada 6 h por 4 dias, antes ou junto da primeira dose de antibiótico |
| Celulite não purulenta | Cefalexina 500 mg VO a cada 6 h (ou outro antiestreptocócico) | Purulenta (abscesso): drenagem + TMP-SMX 160/800 mg VO a cada 12 h ou doxiciclina 100 mg a cada 12 h |
| Fasciite necrosante / mionecrose | Penicilina G 24 milhões UI IV ao dia (fracionada) + clindamicina 600-900 mg IV a cada 8 h + cobertura de MRSA | Emergência cirúrgica: antibiótico complementa, não substitui o desbridamento |
| Sepse de foco desconhecido | Vancomicina + piperacilina-tazobactam 4,5 g IV a cada 6 h (ou cefepima/meropenem conforme risco de MDR) | Reavaliar estreitamente às 48-72 h e desescalar com culturas |
Toda prescrição empírica carrega um vencimento implícito: em 48-72 horas chegam culturas, antibiograma e a resposta clínica — e a conduta muda na maioria dos pacientes. Critérios de estabilidade clínica consagrados na PAC: temperatura menor ou igual a 37,8 graus C, frequência cardíaca menor ou igual a 100 bpm, frequência respiratória menor ou igual a 24 irpm, pressão arterial sistólica maior ou igual a 90 mmHg, saturação de oxigênio maior ou igual a 90% em ar ambiente, estado mental habitual e capacidade de ingestão oral. Estável + hemodinamicamente bem + trato gastrointestinal funcionando = elegível para via oral (a biodisponibilidade oral de linezolida, fluoroquinolonas, metronidazol e fluconazol é próxima de 100%, tornando a troca IV-VO precoce segura). A febre persistente isolada NÃO é motivo automático de ampliação: dilate o espectro apenas com justificativa — novo foco, piora clínica, cultura revelando patógeno não coberto.
Desescalação é qualquer redução deliberada do espectro após os dados iniciais: trocar piperacilina-tazobactam por ceftriaxona quando a cultura cresce Streptococcus pneumoniae sensível, retirar a vancomicina quando não há MRSA, retirar o segundo antipseudomonas quando o isolado é sensível, ou suspender tudo quando o quadro tem explicação não infecciosa. É segura quando: culturas adequadas foram colhidas antes do antibiótico, o paciente está estável ou melhorando, a identificação e o antibiograma são conclusivos e não há imunossupressão grave que aumente o custo de um erro. Ensaios randomizados e metanálises em pacientes críticos associaram a estratégia a menor exposição a largo espectro sem aumento de mortalidade ou recorrência — a desescalação é parte do tratamento, não uma cortesia ecológica. As barreiras são reais: culturas negativas por antibiótico prévio, medo médico em pacientes graves e falta de antibiograma local confiável; superá-las é função do programa de gerenciamento. A procalcitonina pode APOIAR decisões de interromper antibióticos (recomendação fraca da SSC 2021, com queda de 80% ou mais do pico e valores próximos do normal como critério usual de parada), mas nunca deve iniciar antibiótico isoladamente nem dispensar o julgamento clínico.
| Cenário na reavaliação 48-72 h | Conduta |
|---|---|
| Cultura positiva com patógeno sensível identificado | Desescalar para o antimicrobiano de espectro mínimo ativo (ex.: pip-tazo para ceftriaxona em pneumococo; retirar vancomicina) |
| Culturas negativas e paciente estável com diagnóstico infeccioso improvável | Suspender antimicrobianos e buscar diagnóstico alternativo (inflamatório, trombótico, neoplásico, medicamentoso) |
| Culturas negativas e paciente grave com alta suspeita persistente | Manter esquema, reconsiderar cobertura, repetir culturas e procurar foco oculto (endocardite, abscesso, cateter) |
| Patógeno resistente ao esquema em uso | Trocar/expandir conforme antibiograma e PK/PD; considerar consultoria de infectologia |
| Estável, afebril, comendo | Converter para via oral e programar alta com duração total definida |
Segurança da desescalação em números: ensaios randomizados e metanálises em pacientes críticos com sepse grave e pneumonia associada à ventilação compararam desescalar versus manter o esquema empírico largo e não demonstraram excesso de mortalidade, de recidiva nem de superinfecção na estratégia de estreitamento, com redução consistente de dias de terapia de largo espectro. O contrário também é verdadeiro e é o ponto que sustenta a largura inicial: esquema empírico INADEQUADO — patógeno não coberto — está associado a aumento de mortalidade na sepse e na NAV, sobretudo quando o patógeno é um gram-negativo resistente. A síntese operacional para a prova: largo e imediato no grave, culturas antes da dose, reavaliação obrigatória em 48-72 horas, estreitar assim que a microbiologia permitir e contar a duração desde o primeiro dia eficaz.
A duração clássica vem sendo encurtada por ensaios randomizados que mostraram não inferioridade de cursos curtos, com menos efeitos adversos e menos resistência. Princípios gerais: tratar a doença, não o exame (cultura positiva sem doença não se trata); a duração conta a partir do dia de controle adequado da fonte e de eficácia clínica; e bacteremia persistente exige investigar foco. Nas pneumonias, a duração deve ser guiada pela estabilidade clínica, com mínimo de 5 dias na PAC; na NAV, 7 dias são o padrão mesmo para bacilos não fermentadores, exceto quando há instabilidade clínica. Infecção intra-abdominal complicada com fonte controlada: 4 a 7 dias. Bacteremia por S. aureus não complicada: pelo menos 14 dias de terapia eficaz (com retirada de focos e cateteres); endocardite: 4 a 6 semanas.
| Infecção | Duração usual em adultos | Condição de parada |
|---|---|---|
| PAC | Mínimo de 5 dias; maioria resolve em 5-7 dias | Afebril e clinicamente estável por pelo menos 48 h |
| NAH / NAV | 7 dias | Exceto instabilidade clínica; cursos curtos não inferiores inclusive para não fermentadores |
| Infecção intra-abdominal complicada | 4-7 dias após controle da fonte | Fonte controlada e paciente melhorando |
| Cistite não complicada | Dose única (fosfomicina 3 g) ou 3-5 dias (nitrofurantoína, TMP-SMX) | Sintomas resolvidos |
| Pielonefrite | 5-7 dias (fluoroquinolona) ou 10-14 dias (beta-lactâmico) | Ausência de febre e melhora clínica; urocultura de controle apenas se sintomas persistentes |
| Celulite | 5-6 dias após melhora clara | Sinais inflamatórios em regressão; eritema residual que demora a sumir não é falha terapêutica |
| Bacteremia por S. aureus não complicada | Pelo menos 14 dias de terapia eficaz | Cateteres e focos removidos, ecocardiograma sem endocardite, hemoculturas negativas |
| Endocardite | 4-6 semanas | Seguimento com culturas e decisão multidisciplinar |
| Diarréia por C. difficile (episódio inicial) | 10 dias | Recaída tratada por 10 dias com vancomicina VO |
Gerenciamento do uso de antimicrobianos é o conjunto coordenado de estratégias para garantir o antibiótico certo, na dose certa, pela via e duração certas, para o paciente certo — melhorando desfechos e contendo resistência. Os elementos centrais descritos pelo CDC e adotados pela IDSA/SHEA incluem compromisso da liderança, farmacêutico dedicado, ações estruturadas (revisão de prescrições com feedback, autorização prévia para gargalos de reserva), monitoramento de consumo e resistência, educação e transparência de dados por unidade. No Brasil, a Anvisa publicou em 2021 a Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde, recomendando que todo serviço com complexidade para isso estruture seu programa; a dispensação de antimicrobianos em farmácias já é controlada desde a RDC 20/2011, com retenção de receita. Intervenções de maior impacto em provas e na prática: revisão prospectiva com feedback em 48 h, otimização de dose por PK/PD, conversão IV-VO, desescalação assistida por cultura rápida e definição explícita de duração na prescrição.
O prognóstico da infecção tratada adequadamente depende de fatores do hospedeiro (idade, comorbidades, imunossupressão), da virulência do patógeno e, decisivamente, da rapidez e da adequação do esquema inicial: terapia empírica inadequada está consistentemente associada a maior mortalidade na sepse e na NAV — daí a regra de começar largo no grave e desescalar rápido. Em contrapartida, cada dia a mais de largo espectro aumenta dano: nefrotoxicidade da vancomicina (potencializada pela associação com piperacilina-tazobactam), nefrotoxicidade de 30-50% com polimixinas, ototoxicidade e lesão renal dos aminoglicosídeos, mielossupressão e neuropatia da linezolida além de 14 dias, tendinopatia e ruptura de tendão das fluoroquinolonas (aviso de caixa preta), disglicemia e efeitos neuropsiquiátricos, colite por C. difficile e candidemia invasiva como superinfecção. Falha de tratamento deve disparar uma sequência diagnóstica: patógeno não coberto ou resistente, dose insuficiente (PK/PD), foco não controlado e causa não infecciosa — nessa ordem.
| Fármaco | Eventos adversos principais | Monitoramento |
|---|---|---|
| Vancomicina | Nefrotoxicidade (maior com pip-tazo concomitante), infusão rápida com síndrome do homem vermelho (histamínica, não alérgica) | AUC24/CIM 400-600 (ou trough 10-20), creatinina serial |
| Piperacilina-tazobactam | Nefrotoxicidade associada a vancomicina, hipocalemia, diarreia | Função renal e eletrólitos |
| Aminoglicosídeos | Nefrotoxicidade (usualmente reversível), ototoxicidade (pode ser definitiva), bloqueio neuromuscular | Creatinina, audiometria em uso prolongado, níveis pré-dose |
| Polimixinas (colistina, polimixina B) | Nefrotoxicidade em 30-50%, neurotoxicidade (parestesias, fraqueza) | Creatinina frequente; ajuste de dose na disfunção renal |
| Linezolida | Mielossupressão (trombocitopenia), neuropatia periférica e óptica em uso prolongado, serotonina com ISRS | Hemograma semanal além de 14 dias |
| Fluoroquinolonas | Tendinopatia e ruptura tendínea, prolongamento do QT, disglicemia, efeitos neuropsiquiátricos, C. difficile | Evitar em miastenia grave; ECG em risco de QT |
| Cefalosporinas | Hipersensibilidade, diarreia e colite por C. difficile | Suspender se exantema compatível com alergia grave |
1.Paciente com choque séptico de foco urinário. Segundo a Surviving Sepsis Campaign 2021, a administração do antimicrobiano empírico deve ocorrer:
2.Qual fármaco é inativado pelo surfactante pulmonar e, portanto, não deve ser usado em pneumonia?
3.O alvo terapêutico atual da vancomicina e seu valor são:
4.A vantagem da infusão estendida (3-4 horas) de piperacilina-tazobactam no paciente grave decorre do alvo PK/PD dos beta-lactâmicos, que é:
5.Segundo a diretriz IDSA/ATS 2016, a cobertura empírica para MRSA na pneumonia associada à ventilação é indicada quando, EXCETO:
6.A duração padrão da terapia para pneumonia associada à ventilação, em paciente estável, é:
7.Paciente internado com PAC recebe ceftriaxona + azitromicina; em 48 h há melhora clínica e a cultura de escarro cresce Streptococcus pneumoniae sensível à penicilina. A conduta correta é:
8.Sobre o uso de procalcitonina na antibioticoterapia, assinale a correta:
9.Na cistite não complicada em mulher, as primeiras linhas incluem:
10.A nefrotoxicidade das polimixinas (colistina e polimixina B) ocorre em aproximadamente qual proporção dos pacientes tratados?
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