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Revisão densa dos agonistas alfa-2 (clonidina, dexmedetomidina, metildopa, guanfacina, tizanidina) e dos betabloqueadores, com receptores, mecanismos em cascata, doses, titulação na insuficiência cardíaca e síndromes tóxicas. Fecha o sistema autonômico com o par colinérgico-anticolinérgico e as regras de notificação de prova.
[1] Katzung BG, Vanderah TW. Katzung Basic and Clinical Pharmacology. 16ª ed. Nova York: McGraw-Hill, 2023 | [2] Brunton LL, Knollmann BC. Goodman and Gilman The Pharmacological Basis of Therapeutics. 14ª ed. Nova York: McGraw-Hill, 2023 | [3] Rang HP, Dale MM, Ritter JM, Flower RJ, Henderson G. Rang and Dale Pharmacology. 9ª ed. Edimburgo: Elsevier, 2020 | [4] McDonagh TA, Metra M, Adamo M, et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. European Journal of Heart Failure. 2022;24(1):4-131 · DOI 10.1002/ejhf.2333 | [5] Mancia G, Kreutz R, Brunström M, et al. 2023 ESH Guidelines for the management of arterial hypertension. Journal of Hypertension. 2023;41(12):1874-2071 · DOI 10.1097/HJH.0000000000003480
Nenhuma disciplina de farmacologia rende tantas questões quanto o sistema nervoso autônomo: quase todo fármaco de urgência, anestesia, cardiologia e clínica médica age em um receptor adrenérgico ou colinérgico. Nesta revisão os dois grupos que mais aparecem juntos em provas são dissecados em profundidade: os agonistas alfa-2, que simulam uma hipertensão falsa no tronco encefálico e desligam o tônus simpático, e os betabloqueadores, que estão entre os poucos fármacos que reduzem mortalidade em insuficiência cardíaca e pós-infarto. A ponte colinérgica (neostigmina, fisostigmina, atropina) fecha o circuito, porque as intoxicações por organofosforados e anticolinérgicos são capítulos clássicos de prova e de emergência.
O sistema nervoso autônomo é dividido em divisão toracolombar (simpática, noradrenérgica) e craniossacral (parassimpática, colinérgica). Todos os receptores adrenérgicos e muscarínicos são acoplados à proteína G, e a identificação do segundo mensageiro explica cada efeito clínico. Receptores alfa-1 acoplados a Gq ativam a fosfolipase C, geram IP3 e DAG e promovem vasoconstrição, midríase e contração prostática. Receptores alfa-2 e muscarínicos M2 e M4 acoplados a Gi inibem a adenilato ciclase e reduzem o AMPc. Receptores beta-1, beta-2 e muscarínicos M1 e M3 acoplados a Gs (ou Gq, no caso do M3) aumentam AMPc ou IP3: beta-1 aumenta frequência, contratilidade e condução no coração e libera renina; beta-2 relaxa musculatura lisa brônquica, uterina e vascular e mobiliza glicogênio.
O receptor alfa-2 existe em três locais com consequências farmacológicas distintas: no terminal pré-sináptico simpático periférico, onde funciona como autorreceptor inibitório (menos noradrenalina liberada por cada potencial de ação); no sistema nervoso central, sobretudo no locus coeruleus e no centro vasomotor bulbar, onde reduz o tônus simpático global; e nas células do túbulos renais e pancreáticas, com efeito sobre a liberação de renina e insulina. É por isso que um agonista alfa-2 produz, ao mesmo tempo, hipotensão, bradicardia, sedação e analgesia. Receptores imidazolínicos I1 bulbares respondem por parte do efeito anti-hipertensivo da clonidina e da molsidomina-like action da moxonidina.
| Receptor | Localização principal | Proteína G | Efeito dominante |
|---|---|---|---|
| Alfa-1 | Músculo liso vascular, próstata, íris radial | Gq (IP3/DAG) | Vasoconstrição, midríase, retenção urinária |
| Alfa-2 | Terminação pré-sináptica, centro vasomotor, locus coeruleus | Gi (menos AMPc) | Inibição da liberação de noradrenalina, sedação, analgesia |
| Beta-1 | Nódulo sinoatrial, miocárdio, célula justaglomerular | Gs (mais AMPc) | Taquicardia, inotropismo, liberação de renina |
| Beta-2 | Brônquios, útero, músculo liso vascular, fígado | Gs (mais AMPc) | Broncodilatação, tocolise, vasodilatação, glicogenólise |
| Muscarínico M2 | Coração (nódulos e átrio) | Gi (menos AMPc) | Bradicardia, redução de condução AV |
| Muscarínico M3 | Músculo liso brônquico e intestinal, glândulas, olho | Gq (IP3/DAG) | Broncoconstrição, peristaltismo, sialorreia, miose |
| Nicotínico Nm | Placa neuromuscular | Canal iônico | Contração muscular |
| Nicotínico Nn | Gânglios autônomos, medula adrenal | Canal iônico | Estimulação simpática e parassimpática |
A forma mais cobrada de organizar o tema é o cruzamento entre o braço do sistema (simpático ou parassimpático) e a ação (agonismo ou bloqueio). Simpatomiméticos podem ser diretos (adrenalina, noradrenalina, isoprenalina, dobutamina, fenilefrina, salbutamol), indiretos (liberadores de noradrenalina, como anfetaminas) ou mistos (efedrina). Simpatolíticos dividem-se em betabloqueadores, alfabloqueadores, agonistas alfa-2 de ação central e inibidores da síntese ou armazenamento de noradrenalina (metirosina, reserpina). No braço parassimpático, colinérgicos subdividem-se em agonistas muscarínicos (pilocarpina, betanecol), nicotínicos e anticolinesterásicos (neostigmina, piridostigmina, fisostigmina, edrofônio), enquanto os anticolinérgicos podem ser muscarínicos (atropina, escopolamina, ipratrópio, oxibutinina, tropicamida) ou gangliobloqueadores e bloqueadores neuromusculares (nicotínicos).
A clonidina é o protótipo e seu mecanismo precisa ser reconstruído em cadeia, porque as provas cobram o encadeamento e não a frase solta. O fármaco agoniza receptores alfa-2 pré-sinápticos e receptores imidazolínicos I1 no centro vasomotor bulbar e no locus coeruleus. O resultado é queda do tônus simpático eferente com aumento da atividade vagal: diminui a noradrenalina circulante, cai a resistência vascular periférica, cai a frequência cardíaca e o débito cardíaco em repouso, e a pressão arterial desce sem taquicardia reflexa. No sistema nervoso central, a inibição do locus coeruleus (maior núcleo noradrenérgico) produz sedação e ansiólise; na medula espinhal, agonistas alfa-2 modulam a via nociceptiva e produzem analgesia poupante de opioides. No pâncreas, o alfa-2 inibe a liberação de insulina, o que contribui para hiperglicemia leve em tratamentos prolongados.
| Droga | Dose habitual | Vias | Usos principais |
|---|---|---|---|
| Clonidina | 0,1 a 0,3 mg por via oral 2 a 3 vezes ao dia (máximo 2,4 mg/dia); adesivo transdérmico 0,1 a 0,3 mg a cada 24 h trocado semanalmente | Oral, transdérmica, epidural | Hipertensão arterial, abstinência de opioides e álcool, TDHA, dor crônica (epidural), menopausa (ondas de calor) |
| Dexmedetomidina | Sedação em UTI: infusão de 0,2 a 0,7 mcg/kg/h sem bolus inicial | Venosa contínua | Sedação de paciente não intubado, extubação de difícil desmame, sedação procedural, anestesia poupante de opioides |
| Metildopa | 250 mg por via oral 2 a 3 vezes ao dia, aumentando a cada 48 h até máximo de 2 a 3 g/dia | Oral | Hipertensão na gestação (uso histórico e ainda listado em protocolos); é pró-fármaco convertido em alfa-metilnoradrenalina |
| Guanfacina | 1 mg ao dia, com aumentos semanais até 1 a 7 mg/dia conforme resposta | Oral | Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (ação mais longa que a clonidina) |
| Tizanidina | 2 a 4 mg ao dia, até máximo de 36 mg/dia em 3 doses | Oral | Espasticidade, espasmo muscular; hepatotóxica, exige monitorização de transaminases |
A metildopa merece atenção especial: é um pró-fármaco que atravessa a barreira hematoencefálica e é descarboxilado até alfa-metildopa, depois hidroxilado até alfa-metilnoradrenalina, um falso neurotransmissor armazenado nas vesículas e liberado no lugar da noradrenalina, agonizando alfa-2 central. Seu efeito adverso mais cobrado é a anemia hemolítica autoimune com teste de Coombs direto positivo, que aparece em 10 a 20% dos usuários crônicos (a maioria sem hemólise clínica), além de sedação, depressão, tolerância e retenção hidrossalina. A xilazina, agonista alfa-2 veterinário, não tem uso aprovado em humanos e ganhou notoriedade como adulterante de opioides ilícitos, produzindo sedação profunda, bradicardia e úlceras cutâneas de difícil cura.
Os betabloqueadores são classificados em gerações. A primeira geração é não seletiva e bloqueia beta-1 e beta-2 (propranolol, nadolol, sotalol, timolol); a segunda é cardioseletiva, com afinidade de 10 a 100 vezes maior por beta-1 (atenolol, metoprolol, bisoprolol, esmolol); a terceira agrega propriedades vasodilatadoras, seja por bloqueio alfa-1 associado (carvedilol, labetalol), seja por liberação de óxido nítrico endotelial (nebivolol). A lipossolubilidade determina penetrância no sistema nervoso central (propranolol e metoprolol são lipofílicos, com mais pesadelos e fadiga central; atenolol é hidrofílico) e a via de eliminação: metoprolol é extensivamente metabolizado pelo CYP2D6 (interage com fluoxetina e paroxetina), enquanto atenolol é excretado por via renal e exige ajuste em doença renal crônica. O esmolol tem meia-vida de cerca de 9 minutos por hidrólise por esterases plasmáticas, o que o torna o betabloqueador de escolha quando se quer efeito ultrarrápido e reversível.
| Droga | Seletividade | Traço farmacocinético | Dose usual em adulto |
|---|---|---|---|
| Propranolol | Beta-1 e beta-2 | Lipofílico, alta passagem ao SNC | 40 a 320 mg/dia por via oral em 2 a 4 doses |
| Atenolol | Beta-1 | Hidrofílico, excreção renal | 25 a 100 mg/dia em dose única |
| Metoprolol succinato | Beta-1 | Lipofílico, CYP2D6, liberação prolongada | 12,5 a 200 mg/dia (na insuficiência cardíaca) |
| Bisoprolol | Beta-1 (o mais seletivo) | Meia-vida de 10 a 12 h, dose única | 1,25 a 10 mg/dia |
| Carvedilol | Beta-1, beta-2 e alfa-1 | Antioxidante, efeito vasodilatador | 3,125 a 25 mg por via oral 2 vezes ao dia (50 mg 2 vezes se acima de 85 kg) |
| Nebivolol | Beta-1 com liberação de óxido nítrico | Vasodilatação endotelial | 1,25 a 10 mg/dia |
| Labetalol | Alfa-1 e beta | Razão alfa:beta de 1:3 por via oral e 1:7 intravenosa | Hipertensão de urgência: 20 mg IV em bolus, repetindo 40 a 80 mg a cada 10 min até 300 mg; ou infusão de 0,5 a 2 mg/min |
| Esmolol | Beta-1 | Meia-vida de 9 min, hidrólise por esterases | Bolus de 500 mcg/kg em 1 min, seguido de 50 a 300 mcg/kg/min |
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (HFrEF), apenas quatro betabloqueadores têm evidência robusta de redução de mortalidade e são recomendadas pela diretriz europeia de 2021: bisoprolol, carvedilol, metoprolol succinato (formulação de liberação prolongada, e não o tartarato) e nebivolol. A mortalidade relativa cai na casa de 34 a 35% nos grandes estudos: CIBIS-II com bisoprolol, MERIT-HF com metoprolol succinato e COPERNICUS com carvedilol. A regra de ouro é começar com dose muito baixa e duplicar a cada 2 semanas, desde que a frequência cardíaca seja superior a 50 bpm, a pressão arterial tolerem e não haja congestão importante: betabloqueador não se inicia em paciente descompensado, mas nunca se retira do estável. No pós-infarto com disfunção ventricular, o benefício também é de mortalidade e reinfarto. Em fibrilação atrial, o objetivo é controle de frequência ventricular em repouso abaixo de 100 bpm; na tireotoxicose e na tempestade tireotóxica, o propranolol bloqueia a conversão periférica de T4 em T3 além dos efeitos adrenérgicos; na profilaxia da enxaqueca, usa-se 80 a 240 mg/dia de propranolol; no tremor essencial, 40 a 160 mg/dia; e no hemangioma infantil proliferativo, propranolol oral na faixa de 1 a 3 mg/kg/dia tornou-se primeira linha.
| Droga na HFrEF | Dose inicial | Dose-alvo | Comentário |
|---|---|---|---|
| Carvedilol | 3,125 mg por via oral 2 vezes ao dia | 25 mg 2 vezes ao dia (50 mg 2 vezes se peso acima de 85 kg) | Bloqueio alfa-1 associado; COPERNICUS: redução de mortalidade de 35% |
| Metoprolol succinato | 12,5 mg (ou 25 mg) por via oral 1 vez ao dia | 200 mg/dia | MERIT-HF: redução de mortalidade de 34%; não confundir com tartarato |
| Bisoprolol | 1,25 mg por via oral 1 vez ao dia | 10 mg/dia | CIBIS-II: redução de mortalidade de 34%; mais beta-1 seletivo |
| Nebivolol | 1,25 mg por via oral 1 vez ao dia | 10 mg/dia | Libera óxido nítrico; eficaz inclusive em idosos (estudo SENIORS) |
A acetilcolina é o neurotransmissor de todo o parassimpático, dos gânglios autonômicos, da placa neuromuscular e do córtex. Os anticolinesterásicos reversíveis inibem a acetilcolinesterase e aumentam a acetilcolina disponível. A neostigmina é amina quaternária, polar, e não atravessa a barreira hematoencefálica: age na placa neuromuscular e no intestino, sendo o padrão para reversão de bloqueio neuromuscular não despolarizante na anestesia e para íleo paralítico e miastenia grave em uso de resgate; deve ser associada a glicopirrônio ou atropina para bloquear os efeitos muscarínicos (bradicardia, sialorreia, cólicas). A fisostigmina é amina terciária, lipofílica, entra no sistema nervoso central e é o antídoto da intoxicação anticolinérgica grave (delirium por escopolamina, belladona, antidepressivos tricíclicos em casos selecionados). A piridostigmina é a base do tratamento crônico da miastenia grave, em doses de 60 a 90 mg por via oral 3 a 4 vezes ao dia. A pilocarpina, agonista muscarínico, trata a xerostomia (5 a 7,5 mg por via oral 3 vezes ao dia) e o glaucoma (colírio).
| Droga | Mecanismo | Dose de referência | Indicação de prova |
|---|---|---|---|
| Neostigmina | Anticolinesterásico reversível de amina quaternária (não entra no SNC) | 0,04 a 0,07 mg/kg IV, máximo de 5 mg, com 0,2 mg de glicopirrônio por 1 mg de neostigmina | Reversão de bloqueio neuromuscular; íleo e bexiga neurogênica |
| Piridostigmina | Anticolinesterásico de ação mais longa | 60 a 90 mg por via oral a cada 6 a 8 h | Miastenia grave crônica |
| Fisostigmina | Anticolinesterásico terciário (entra no SNC) | 0,5 a 2 mg IV lento, repetindo a cada 20 a 30 min se necessário | Intoxicação anticolinérgica grave com delirium e convulsões |
| Atropina | Antagonista muscarínico competitivo | Organofosforado: 2 a 5 mg IV, dobrando a cada 5 min até secar de secreções; bradicardia sintomática: 0,5 a 1 mg IV a cada 3 a 5 min | Bradicardia; antídoto de síndrome colinérgica |
| Pralidoxima | Reativador da acetilcolinesterase fosforilada | 1 a 2 g IV em 15 a 30 min, podendo repetir ou infundir 8 a 10 mg/kg/h | Intoxicação por organofosforado, precocemente |
| Pilocarpina | Agonista muscarínico | 5 a 7,5 mg por via oral 3 vezes ao dia | Xerostomia e xeroftalmia (síndrome de Sjögren), glaucoma |
As toxidromes autonômicas são diagnose de macete e de emergência. A síndrome adrenérgica (cocaína, anfetaminas, efedrina) cursa com hipertensão, taquicardia, midríase, sudorese, agitação e hipertermia. A síndrome colinérgica, clássica dos organofosforados e carbamatos, é o mnemônico DUMBELLS: Diarreia, Urinação, Miose, Broncorreia e broncoespasmo, Excitação, Lacrimejamento, Laringoespasmo e Salivação, com bradicardia, fasciculações e convulsões; o tratamento combina atropina em doses altas (o alvo é secar as secreções, e não normalizar a frequência cardíaca) e pralidoxima para reativar a enzima antes do envelhecimento da ligação covalente. A síndrome anticolinérgica (atropina, escopolamina, antidepressivos, anti-histamínicos, plantas do gênero Datura) é o oposto seco: pele quente e seca, rubor, midríase com visão borrada, retenção urinária, íleo, taquicardia, hipertermia e delirium com alucinações, resumido como mad as a hatter, hot as a hare, dry as a bone. A intoxicação por betabloqueador, por sua vez, cursa com bradicardia, hipotensão, hipoglicemia, distúrbios de condução e, com sotalol, prolongamento do QT; o antídoto de primeira linha é o glucagon, que ativa a adenilato ciclase por receptor próprio, contornando o bloqueio beta.
| Toxidrome | Achados-chave | Agentes típicos | Antídoto ou conduta |
|---|---|---|---|
| Adrenérgica | Hipertensão, taquicardia, midríase, sudorese, agitação | Cocaína, anfetaminas, efedrina | Benzodiazepínico, nitratos, controle térmico |
| Colinérgica | DUMBELLS, bradicardia, fasciculações, broncorreia | Organofosforados, carbamatos | Atropina 2 a 5 mg IV repetida + pralidoxima 1 a 2 g IV |
| Anticolinérgica | Pele quente e seca, midríase, retenção urinária, delirium | Atropina, escopolamina, Datura, anti-histamínicos | Suporte; fisostigmina 0,5 a 2 mg IV lento no delirium grave |
| Betabloqueador | Bradicardia, hipotensão, hipoglicemia, BAV | Propranolol, sotalol (QT longo), metoprolol | Glucagon 3 a 5 mg IV (repetir até 10 mg), depois 2 a 10 mg/h; atropina, líquidos, emulsão lipídica, marcapasso |
Os efeitos adversos dos agonistas alfa-2 incluem sedação excessiva, xerostomia grave, constipação, depressão e hipotensão ortostática; a retirada abrupta da clonidina após uso prolongado ou doses acima de 1 mg/dia desencadeia em 18 a 36 horas síndrome de abstinência com hipertensão rebote, taquicardia, cefaleia, sudorese e agitação, por hiperatividade simpática (catecolaminas podem exceder os níveis pré-tratamento). O tratamento é reintroduzir a clonidina e, se necessário, usar alfa-bloqueador ou nitroprussiato; administrar betabloqueador isolado piora o quadro por deixar a vasoconstrição alfa-1 totalmente desimpedida, a mesma lógica da isquemia por cocaína. Nos betabloqueadores, além de bradicardia e fatiga, lembrar de ganho de peso, piora lipídica leve com os antigos não seletivos, disfunção erétil, pesadelos (lipofílicos), máscara de hipoglicemia no diabetes tipo 1 e piora da claudicação. O sotalol é betabloqueador com propriedade antiarrítmica de classe 3 e alonga o QT, exigindo monitorização eletrocardiográfica no início; o timolol colírio pode causar broncoespasmo e bradicardia sistêmica, pegadinha clássica de que o colírio também é droga sistêmica.
1.A clonidina reduz a pressão arterial principalmente por qual mecanismo?
2.Qual betabloqueador NÃO integra o grupo com evidência de redução de mortalidade na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida?
3.Qual é a dose inicial correta de carvedilol em paciente com HFrEF estável e euvolêmico?
4.Paciente intoxicado por superdosagem de propranolol apresenta bradicardia e hipotensão refratárias a atropina e cristaloide. Qual o próximo passo de escolha?
5.Doente em uso crônico de clonidina 0,3 mg 3 vezes ao dia suspende o fármaco abruptamente e chega com hipertensão rebote, taquicardia e agitação. Qual a conduta correta?
6.Gestante com hipertensão crônica em uso de metildopa desenvolve anemia e o hemograma sugere hemólise. Qual achado laboratório é característico desse fármaco?
7.A vantagem central da dexmedetomidina sobre a maioria dos sedativos em UTI é:
8.Por que a neostigmina não serve para tratar o delirium anticolinérgico central?
9.Na intoxicação por organofosforado, qual é a meta terapêutica da atropinização?
10.Qual esquema é correto para o labetalol intravenoso em emergência hipertensiva?
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