carregando…
carregando…
Revisão completa dos antineoplásicos por classe (alquilantes, antimetabolitos, antraciclinas, alcaloides vegetais, hormonais, alvo-específicos e imunoterapia) com mecanismos, toxicidades dose-limitantes e doses de suporte, seguida dos padrões de farmacodermia que caem em prova: rash acneiforme, síndrome mão-pé, alopecia, toxicidade ungueal, pigmentações, radiation recall, extravasamento e toxicidade cutânea dos inibidores de checkpoint.
[1] Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, et al. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21st ed. McGraw-Hill; 2022 (capítulos de oncologia e toxicidade dos antineoplásicos) | [2] National Cancer Institute. Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE) version 5.0. Bethesda: NCI; 2017 · ctep.cancer.gov/protocoldevelopment/electronic_applications/ctc.htm | [3] Robert C, Sibaud V. Cutaneous side-effects of kinase inhibitors and blocking antibodies. Lancet Oncology. 2005;6(7):491-500 · DOI 10.1016/S1470-2045(05)70243-6 | [4] Puzanov I, Diab A, Abdallah K, et al. Managing toxicities associated with immune checkpoint inhibitors: consensus recommendations from the Society for Immunotherapy of Cancer (SITC). Journal for ImmunoTherapy of Cancer. 2017;5:95 · DOI 10.1186/s40425-017-0300-z | [5] Haanen J, Obeid M, Spain L, et al. Management of toxicities from immunotherapy: ESMO Clinical Practice Guideline. Annals of Oncology. 2022;33(12):1217-1238 · DOI 10.1016/j.annonc.2022.10.508 · DOI 10.1016/S1470-2045(05)70243-6
A pele é o órgão mais frequentemente acometido pela toxicidade dos antineoplásicos modernos: os inibidores da via do EGFR causam rash acneiforme em 75 a 90% dos pacientes, os inibidores de checkpoint causam rash maculopapular em 30 a 40% dos tratados com anti-PD-1, a capecitabina produz síndrome mão-pé em até metade dos usuários e praticamente toda classe produz alopecia, mucosite ou alteração ungueal. Para a prova, o aluno precisa reconhecer o padrão cutâneo e associá-lo à classe da droga, ao mesmo tempo em que domina mecanismos de ação e toxicidades sistêmicas dose-limitantes, porque a conduta (manter, reduzir ou suspender; tratar com corticoide ou antibiótico; compressa fria ou morna) depende diretamente dessa associação. Este artigo organiza as classes com suas toxicidades de referência e depois percorre as farmacodermias padrão, com doses de tratamento e graduação CTCAE v5.0.
Drogas fase-específicas atuam em células em divisão ativa e alcançam efeito em plateau de dose: antimetabolitos, alcaloides da vinca, taxanos, etoposídeo e camptotecinas. Drogas fase-independentes (ciclo celular inespecíficas) matam células em repouso proporcionalmente à dose: alquilantes, antraciclinas, cisplatina e mitomicina. O modelo log-kill explica por que a quimioterapia elimina fração constante de células por ciclo, exigindo ciclos repetidos, e o conceito de dose-intensidade explica por que reduções por toxicidade comprometem a cura em intenção curativa. O nadir de neutropenia ocorre tipicamente entre 7 e 14 dias após a administração, com recuperação por volta do dia 21, padrão que define os intervalos dos ciclos. Resistência pode ser clássica (fluxo por glicoproteína P de multirresistência, MDR1, que a ciclosporina e análogos tentam reverter), por mutação do alvo ou por vias de escape.
Os alquilantes transferem grupamentos alquila ao DNA, gerando ligações cruzadas que impedem a replicação. São marcadamente mielo e gonadotóxicos e aumentam o risco de neoplasias secundárias, incluindo leucemia mieloide aguda. A ciclofosfamida só se ativa no fígado (aldofosfamida e acroleína); a acroleína urinária causa cistite hemorrágica, prevenida com hidratação vigorosa e mesna em dose diária total equivalente a 60 a 100% da dose do alquilante, fracionada, por exemplo, em 20% da dose da ciclofosfamida intravenosa nos tempos 0, 4 e 8 horas. A ifosfamida compartilha o mecanismo e adiciona encefalopatia por cloroacetaldeído, tratada com azul de metileno e tiamina.
| Droga | Mecanismo de destaque | Toxicidade de referência |
|---|---|---|
| Ciclofosfamida | Pró-fármaco hepático, alquilação do DNA | Cistite hemorrágica (prevenir com mesna e hidratação), SIADH, mielite |
| Ifosfamida | Análogo ativado hepaticamente | Encefalopatia (azul de metileno), tubulopatia proximal |
| Cisplatina | Ligações cruzadas no DNA, análogo de platina | Nefrotoxicidade (hidratação com cloreto de sódio e magnésio), ototoxicidade, neurotoxicidade, emetogenicidade alta |
| Carboplatina | Platina de segunda geração | Mielossupressão com trombocitopenia; dose pela fórmula de Calvert (AUC) |
| Oxaliplatina | Platina com configuração particular | Neurotoxicidade aguda desencadeada pelo frio e neurotoxicidade cumulativa |
| Temozolomida | Alquilante oral que atravessa a barreira hematoencefálica | Mielossupressão linfopenia tardia |
| Busulfano | Alquilante de mieloma e preparo de transplante | Fibrose pulmonar, hiperpigmentação difusa, catarata |
| Melfalano | Alquilante fenilalanínico | Mielossupressão prolongada, mucosite em dose alta |
São análogos de precursores de ácidos nucleicos, fase-específicos, com toxicidade característica de tecidos de turnover rápido (medula, mucosas, folículos). O metotrexato inibe a diidrofolato redutase e é salvo pelo resgate com leucovorina (folinato de cálcio, tipicamente 10 a 15 mg por metro quadrado a cada 6 horas, iniciado cerca de 24 horas após a infusão, até níveis séricos seguros); sua depuração é renal, e anti-inflamatórios não esteroides, penicilinas e inibidores da bomba de próton competem pela excreção, aumentando a toxicidade. O 5-fluorouracil inibe a timidilato sintase; a deficiência de diidropirimidina desidrogenase (DPD) predispõe a toxicidade grave, e o antídoto específico para superdose é o uridina triacetato. A capecitabina é pró-fármaco oral convertido em 5-FU em três etapas, sendo a última catalisada pela timidina fosforilase mais expressa no tumor; a síndrome mão-pé aparece em até 50 a 60% dos usuários.
| Antimetabolito | Alvo | Assinatura clínica |
|---|---|---|
| Metotrexato | Diidrofolato redutase | Mucosite, mielossupressão, hepatotoxicidade, eritema flagelado; resgate com leucovorina |
| 5-Fluorouracil | Timidilato sintase | Mucosite, diarreia, síndrome mão-pé, espasmo coronariano, hiperpigmentação serpiginosa supravenosa |
| Capecitabina | Pró-fármaco oral do 5-FU | Síndrome mão-pé em até metade dos pacientes, diarreia, cardiotoxicidade |
| Gencitabina | Síntese de DNA | Trombocitopenia, síndrome gripal, radiation recall, pneumonite |
| Citarabina | Inibição da DNA polimerase | Em dose alta: neurotoxicidade cerebelar e conjuntivite (colírio de corticoide profilático) |
| Pemetrexeda | Antifólico de múltiplos alvos | Mielossupressão e rash; suplementar vitamina B12 e ácido fólico |
| Fludarabina | Análogo de purina | Linfopenia prolongada com risco de infecção e de doença do enxerto contra hospedeiro |
| Asparaginase | Depleção de asparagina extracelular | Sem mielossupressão; pancreatite, trombose, hipersensibilidade, hipoalbuminemia |
As antraciclinas (doxorrubicina, daunorrubicina, epirubicina, idarubicina) intercalam no DNA, inibem a topoisomerase II e geram radicais livres. A toxicidade dose-limitante é a mielossupressão, mas a cardiotoxicidade cumulativa é a assinatura: risco de miocardiopatia dilatadora cerca de 5% com 400 mg por metro quadrado de doxorrubicina, subindo fortemente acima de 450 a 550 mg por metro quadrado, com monitoração da fração de ejecção e cardioproteção possível com dexrazoxano ou formulações lipossomais. O extravasamento causa necrose ulcerada progressiva. A bleomicina causa fibrose pulmonar cumulativa (risco relevante acima de 450 unidades) com pouca mielotoxicidade, além de hiperpigmentação e eritema flagelado cutâneo. A mitomicina C compartilha a toxicidade pulmonar, causa síndrome hemolítico-urêmica e agrava a síndrome mão-pé; a dactinomicina é potente desencadeadora de radiation recall.
Os alcaloides da vinca (vincristina, vimblastina, vinorelbina) bloqueiam a polimerização dos microtúbulos em metáfase. A vincristina é marcadamente neurotóxica (neuropatia periférica, íleo paralítico e constipação) e praticamente não causa mielossupressão; é vesicante e seu extravasamento é tratado com compressa morna e hialuronidase; a administração intratecal acidental é um erro de medicação com alta letalidade, sendo a rota de administração exclusivamente intravenosa. Os taxanos estabilizam os microtúbulos já polimerizados, bloqueando a anáfase. O paclitaxel, diluído em Cremophor, causa reações de hipersensibilidade precoce, prevenidas com pré-medicação de dexametasona (20 mg por via oral ou intravenosa cerca de 30 a 60 minutos antes, ou esquema de 12 e 6 horas), além de difenidramina e bloqueador H2; o docetaxel causa retenção hídrica capilar, prevenida com dexametasona 8 mg duas vezes ao dia no dia anterior, no dia e no dia seguinte à infusão, neutropenia e onicólise. Os epipodofilotoxinas (etoposídeo) e as camptotecinas completam o grupo: o etoposídeo inibe a topoisomerase II e associa-se a leucemia mieloide aguda secundária com rearranjo do MLL em 11q23; o irinotecano, inibidor de topoisomerase I, causa diarreia colinérgica precoce (tratada com atropina 0,25 a 1 mg intravenosa) e diarreia tardia mediada por seu metabólito ativo SN-38 (tratada com loperamida agressiva), além de neutropenia.
As terapias-alvo mudaram o perfil de toxicidade: pouca mielossupressão, muita toxicidade cutânea, cardiovascular e metabólica específica de cada via. O tamoxifeno, modulador seletivo do receptor de estrogênio, aumenta risco de tromboembolismo e de câncer de endométrio; os inibidores de aromatase (anastrozol, letrozol, exemestano) causam artralgia, osteoporose e sintomas vasomotores em mulheres pós-menopausadas. Trastuzumabe, anticorpo anti-HER2, causa cardiotoxicidade não cumulativa e reversível, exigindo monitoração da fração de ejecção, especialmente em combinação com antraciclina. Bevacizumabe, anticorpo anti-VEGF, causa hipertensão, proteinúria, retardo de cicatrização, sangramento e perfuração intestinal. Entre os inibidores de quinase: imatinibe (BCR-ABL) causa edema periorbital e câimbras; os inibidores de EGFR (erlotinibe, gefitinibe, osimertinibe, cetuximabe) causam rash acneiforme, diarreia e paroníquia; os inibidores de VEGFR multialvo (sorafenibe, sunitinibe, pazopanibe, regorafenibe) causam reação cutânea mão-pé, hipertensão, hipotireoidismo e mucosite; os inibidores de BRAF (vemurafenibe, dabrafenibe) causam fotossensibilidade e carcinomas espinocelulares e queratoacantomas paradoxais por ativação da via MEK em células com RAS selvagem mutado, razão pela qual se combinam a inibidores de MEK.
| Classe ou droga | Alvo | Toxicidade cutânea característica | Toxicidade sistêmica de destaque |
|---|---|---|---|
| Inibidores de EGFR (cetuximabe, erlotinibe, osimertinibe) | Via EGFR | Rash acneiforme papulopustuloso, xerose, paroníquia com granuloma piogênico | Diarreia, hipomagnesemia, pneumonite (osimertinibe) |
| Inibidores de VEGFR (sorafenibe, regorafenibe, sunitinibe) | Angiogênese | Reação cutânea mão-pé com bolhas em pontos de pressão, hemorragia em estilhaço subungueal | Hipertensão, hipotireoidismo, proteinúria |
| Inibidores de BRAF (vemurafenibe, dabrafenibe) | BRAF V600 | Fotossensibilidade, carcinomas espinocelulares e queratoacantomas, paniculite | Artralgia, segunda neoplasia cutânea |
| Imatinibe | BCR-ABL, PDGFR, c-KIT | Edema periorbital, rash | Edema, câimbras, neutropenia |
| Trastuzumabe | HER2 | Raro | Disfunção ventricular reversível |
| Bevacizumabe | VEGF | Hemorragia em estilhaço, retardo de cicatrização, mucosite | Hipertensão, proteinúria, perfuração, sangramento |
| Inibidores de CDK4/6 (palbociclibe) | Ciclo celular | Rash leve | Neutropenia sem febre frequente |
| Inibidores de PARP (olaparibe) | Reparo de DNA | Rash | Citopenias, náusea |
Ipilimumabe bloqueia CTLA-4; nivolumabe e pembrolizumabe bloqueiam PD-1; atezolizumabe, durvalumabe e avelumabe bloqueiam PD-L1. Ao liberar os freios da imunidade, podem causar toxicidade inflamatória de qualquer órgão: colite, hepatite, pneumonite, endocrinopatias (tireoidite, hipofisite, insuficiência adrenal), miocardite e dermatites, esta última a mais frequente. O rash maculopapular atinge 30 a 40% dos pacientes em anti-PD-1 e proporção maior com ipilimumabe, tipicamente nas primeiras semanas. Vitiligo em paciente com melanoma é marcador de melhor resposta. Reações liquenoides, penfigoide bolhoso e, raramente, Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica completam o espectro. O manejo segue a graduação: grau 1 mantém a droga com emoliente, antihistamínico e corticoide tópico; grau 2 soma corticoide tópico de alta potência e prednisona oral 0,5 a 1 mg por kg ao dia, com suspensão temporária; graus 3 e 4 suspendem a imunoterapia, internam e tratam com metilprednisolona intravenosa 1 a 2 mg por kg ao dia, com desmame lento mínimo de 4 semanas; síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise impõe descontinuação permanente e discussão com unidade de queimados.
Rash acneiforme papulopustuloso dos inibidores de EGFR: surge entre 1 e 2 semanas de tratamento, distribui-se em áreas seborreicas (nariz, testa, couro cabeludo, tronco superior), é simétrico, pruriginoso ou doloroso e, ao contrário da acne vulgar, não tem comedões. A severidade do rash correlaciona-se paradoxalmente com melhor sobrevida, e a conduta é tratar e manter a droga sempre que possível: grau 1 usa emoliente, fotoproteção e corticoide tópico de baixa potência com antisséptico; grau 2 soma doxiciclina 100 mg por via oral duas vezes ao dia por 4 a 6 semanas; grau 3 suspende a droga até melhora para grau 1 ou menos, mantendo doxiciclina e avaliando superinfecção.
| Padrão cutâneo | Drogas clássicas | Chave de reconhecimento |
|---|---|---|
| Rash acneiforme papulopustuloso | Inibidores de EGFR, inibidores de MEK | Pústulas sem comedões em área seborreica nas primeiras semanas; prognóstico melhor |
| Síndrome mão-pé (eritrodisestesia) | Capecitabina, 5-FU, doxorrubicina lipossomal | Eritema difuso simétrico em palmas e plantas com queimação e edema, evoluindo para descamação |
| Reação cutânea mão-pé de antiangiogênicos | Sorafenibe, regorafenibe, sunitinibe, pazopanibe | Bolhas e hiperqueratose dolorosas localizadas em pontos de pressão (calosidades) |
| Eritema flagelado | Bleomicina, metotrexato | Estrias eritematosas lineares pruriginosas em tronco, dias após a dose |
| Hiperpigmentação serpiginosa supravenosa | 5-Fluorouracil | Pigmentação que desenha o trajeto da veia perfundida |
| Hiperpigmentação difusa bronzeada | Busulfano | Bronzeamento generalizado com envolvimento de mucosas e unhas |
| Hemorragia em estilhaço subungueal | Inibidores de VEGF e de VEGFR | Pequenas linhas hemorrágicas longitudinais nas unhas, quase marcadoras da classe |
| Paroníquia com granuloma piogênico | Inibidores de EGFR, de MEK, taxanes | Inflamação periungueal dolorosa com carne exuberante, frequentemente nos dedos dos pés |
| Onicólise | Docetaxel, paclitaxel, antraciclinas | Descolamento da lâmina ungueal, às vezes hemorrágica |
| Alopecia anágena | Taxanes, antraciclinas, ciclofosfamida, etoposídeo | Queda difusa início 2 a 4 semanas, geralmente reversível; resfriamento capilar reduz |
Fenômeno radiation recall é o desencadeamento de inflamação aguda em campo de radioterapia previamente tratado quando se administra quimioterápico depois: antraciclinas, taxanos, gencitabina, metotrexato e bleomicina são os principais causadores, com manejo sintomático (corticoide tópico, analgesia) e raramente exigindo suspensão. A hidradenite écrina neutrofílica surge como placas e nódulos acneiformes em tronco de pacientes em indução de leucemia aguda com citarabina e antraciclinas, com febre e neutropenia frequentemente associadas; responde a corticoide e é autolimitada. Xeroses e dermatites atópicas exacerbadas são quase universais nos inibidores de EGFR e se previnem com emolientes de rotina e fotoproteção, porque a barreira cutânea saudável depende da via do EGFR nos queratinócitos.
Vesicantes provocam necrose tecidual progressiva após extravasamento: antraciclinas, alcaloides da vinca, mitomicina C, dactinomicina e mostardas nitrogenadas. Irritantes causam inflamação sem necrose franca: derivados da platina, taxanos, etoposídeo e 5-fluorouracil. A conduta imediata é interromper a infusão, deixar a agulha e aspirar o máximo possível pelo acesso, sem lavar o local com solução, elevar o membro e aplicar o antídoto correto.
| Droga extravasada | Compressa local | Antídoto específico |
|---|---|---|
| Antraciclinas e mitomicina C | Fria, 15 a 20 minutos, 4 vezes ao dia por 1 a 2 dias | Dexrazoxano 1000 mg/m² intravenoso nos dias 1 e 2 e 500 mg/m² no dia 3, iniciado até 6 horas após; alternativa tópica com dimetilsufóxido a 99% |
| Alcaloides da vinca | Morna (não fria), 15 a 20 minutos, 4 vezes ao dia por 1 a 2 dias | Hialuronidase 150 a 1500 unidades subcutâneas ao redor do local |
| Taxanes e derivados de platina | Fria | Hialuronidase pode ser usada em taxanos; observar |
| Mostardas nitrogenadas | Fria | Tiossulfato de sódio a 4% intravenoso ou tópico |
| Grau (CTCAE v5.0, rash maculopapular) | Extensão e impacto | Conduta geral |
|---|---|---|
| Grau 1 | Menos de 10% da superfície corporal, sem sintomas ou leves | Manter a droga, emoliente, corticoide tópico, antihistamínico se prurido |
| Grau 2 | 10 a 30% da superfície, limitação das atividades diárias | Manter ou suspender temporariamente; corticoide tópico potente, doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia |
| Grau 3 | Mais de 30% da superfície, limitação do autocuidado, superinfecção | Suspender, tratar com corticoide sistêmico, considerar hospitalização |
| Grau 4 | Ameaça à vida | Suspender definitivamente, corticoide intravenoso, suporte intensivo |
Duas ligações prognósticas valem prova: no rash acneiforme dos inibidores de EGFR, quanto pior o rash, melhor a resposta oncológica e a sobrevida, de modo que o rash não é motivo automático de suspensão, e sim de tratamento; na imunoterapia do melanoma, o aparecimento de vitiligo também marca melhor desfecho. Já a necrólise epidérmica tóxica por checkpoint impõe suspensão permanente, independentemente da resposta. Toda decisão de reajuste de dose deve pesar intenção curativa versus paliativa: em doença curável, prioriza-se manter a dose-intensidade com suporte (fator estimulador de colônias, transfusões, antidiarreicos), enquanto em cenário paliativo prioriza-se a qualidade de vida.
1.Extravasamento de vincristina no dorso da mão. Qual conduta correta?
2.Paciente em doxorrubicina apresenta dor no local da punção com placas eritematosas. Qual antídoto deve ser usado até 6 horas após o evento?
3.Qual quimioterápico praticamente não causa mielossupressão?
4.Paciente em tratamento com bleomicina desenvolve estrias eritematosas lineares pruriginosas no tronco. Qual o diagnóstico?
5.Idosa em capecitabina com eritema difuso simétrico e doloroso em palmas e plantas com queimação. Qual a toxicidade?
6.O rash acneiforme dos inibidores de EGFR tem qual implicação prognóstica e qual tratamento de grau 2?
7.Qual achado ungueal é praticamente marcador do uso de inibidores da angiogênese?
8.Paciente em pembrolizumabe com rash maculopapular em mais de 35% da superfície corporal. Qual a conduta?
9.A cardiotoxicidade cumulativa dose-dependente, com limiar clássico entre 450 e 550 mg/m², caracteriza qual classe?
10.Paciente em irinotecano apresenta diarreia e sudorese minutos após o início da infusão. Qual o mecanismo e o tratamento?
acesso de membros
Matérias, materiais na íntegra, resumos, quiz e revisões ficam liberados na sua conta — a prévia desfocada é só um gostinho.
Entrar e continuar