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Revisão completa das disfunções tireoidianas: interpretação de TSH e T4 livre em padrões primários, subclínicos e centrais, etiologias de Hashimoto e Graves, fisiopatologia com autoanticorpos, apresentação clínica comparativa, escore Burch-Wartofsky, tratamento com levotiroxina (doses e alvos), tionamidas, radioiodo e cirurgia, além de mixedema e crise tireotóxica.
[1] Jonklaas J, Bianco AC, Bauer AJ, et al. Guidelines for the Treatment of Hypothyroidism: Prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid. 2014;24(12):1671-1751 · DOI 10.1089/thy.2014.0028 | [2] Ross DS, Burch HB, Cooper DS, et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid. 2016;26(10):1343-1421 · DOI 10.1089/thy.2016.0229 · PMID 27521067 | [3] Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Departamento de Tireoide). Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57(4):240-264 · DOI 10.1590/S0004-27302013000400002 | [4] Chaker L, Bianco AC, Jonklaas J, Peeters RP. Hypothyroidism. Lancet. 2017;390(10101):1550-1562 · DOI 10.1016/S0140-6736(17)30703-1 · PMID 28336049 | [5] De Leo S, Lee SY, Braverman LE. Hyperthyroidism. Lancet. 2016;388(10047):906-918 · DOI 10.1016/S0140-6736(16)00278-6 · PMID 27038492 | [6] Burch HB, Wartofsky L. Life-threatening thyrotoxicosis. Thyroid storm. Endocrinol Metab Clin North Am. 1993;22(2):263-277 · PMID 8325286 · DOI 10.1089/thy.2014.0028
As disfunções tireoidianas são as doenças endócrinas mais frequentes na clínica: o hipotireoidismo franco atinge cerca de 0,5% a 1% da população em áreas com suficiência de iodo, e sua forma subclínica varia de 4% a 10%, chegando a 15% ou mais em mulheres acima de 60 anos; o hipertireoidismo tem prevalência de 0,5% a 1,2%, sendo a doença de Graves responsável por 70% a 80% dos casos. Ambas predominam em mulheres (5 a 8 vezes) e têm diagnóstico laboratorial barato — o TSH — e tratamento eficaz, mas continuam subdiagnosticadas porque os sintomas são inespecíficos. As duas emergências do tema, mixedema coma e crise tireotóxica, são raras e letais, com mortalidade de 20% a 50% e de 10% a 20% respectivamente, e são pontos clássicos de prova. O aluno precisa dominar a lógica de interpretação TSH x T4 livre, as doses dos fármacos e as situações especiais (gestação, idoso, cardiopatia, amiodarona).
O hipotálamo libera TRH, que estimula a hipófise a secretar TSH, e esta estimula a tireoide a sintetizar e liberar predominantemente T4 (cerca de 80% a 90% da produção); a T3 ativa é gerada em sua maior parte na periferia por desiodação da T4 (enzimas desiodases tipo 1 e 2), enquanto a desiodase tipo 3 gera a T3 reversa inativa. O feedback negativo da T4 sobre a hipófise faz do TSH o marcador mais precoce e sensível das disfunções primárias: por causa da relação logarítmica entre TSH e T4, uma pequena queda da T4 circulante eleva o TSH de forma desproporcional, por isso o TSH se altera primeiro nas doenças primárias. A exceção é o hipotireoidismo central, em que o TSH é baixo ou normal-inapropriado e o diagnóstico depende da dosagem de T4 livre. TSH alto com T4 livre baixo define hipotireoidismo primário; TSH alto com T4 livre normal, hipotireoidismo subclínico; TSH suprimido com T4 livre alta, hipertireoidismo franco; TSH baixo com T4 livre normal, hipertireoidismo subclínico (ou quadros transitórios).
| TSH | T4 livre | Interpretação |
|---|---|---|
| Alto | Baixa | Hipotireoidismo primário franco |
| Alto | Normal | Hipotireoidismo subclínico |
| Baixo ou suprimido | Alta | Hipertireoidismo primário franco (tireotoxicose) |
| Baixo | Normal | Hipertireoidismo subclínico ou fase de recuperação de tireoidite |
| Baixo ou normal | Baixa | Hipotireoidismo central (investigar hipófise) ou síndrome do doente eutireoidiano |
| Alto ou normal | Alta | TSH-oma, resistência ao hormônio tireoidiano, HCG alto, interferência de assay |
O hipotireoidismo classifica-se em primário (95% a 99% dos casos, de origem tireoidiana), central (hipotálamo-hipófise) e transitório. Em áreas com suficiência de iodo — o Brasil o é desde a iodação obrigatória do sal de cozinha —, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais frequente, seguida das iatrogênicas (tireoidectomia, radioiodo, irradiação cervical) e das drogas: lítio, amiodarona, tionamidas em excesso, interferon alfa e, cada vez mais, os inibidores de checkpoint imunológico. No mundo como um todo, a deficiência de iodo continua sendo a principal causa. O hipertireoidismo (tireotoxicose) divide-se em formas com hiperfunção glandular — doença de Graves (70-80%), bócio multinodular tóxico e adenoma tóxico de Plummer, todas com captação de radioiodo aumentada — e formas por liberação de hormônio pré-formado sem hiperfunção — tireoidites destrutivas (subaguda de De Quervain, indolor pós-parto, induzida por amiodarona tipo 2 ou por imunoterapia), com captação baixa, além da tireotoxicose exógena (excesso de levotiroxina) e das causas raras com TSH não suprimido (TSH-oma, doença trofoblástica pelo HCG, struma ovarii). Essa distinção é terapêutica: tionamidas não funcionam nas tireoidites destrutivas.
| Causa de tireotoxicose | Mecanismo | Captação de radioiodo |
|---|---|---|
| Doença de Graves | Anticorpo estimulante do receptor de TSH (TRAb) | Aumentada, difusa |
| Bócio multinodular tóxico | Autonomia de múltiplos nódulos | Aumentada, focal (áreas dispersas) |
| Adenoma tóxico (Plummer) | Autonomia de nódulo único | Aumentada, focal única (nódulo quente) |
| Tireoidite subaguda (De Quervain) | Destruição dolorosa por vírus, com liberação de hormônio pré-formado | Baixa ou suprimida |
| Tireoidite indolor pós-parto | Destruição autoimune transitória | Baixa ou suprimida |
| Amiodarona tipo 2 | Tireoidite destrutiva pelo fármaco | Baixa ou suprimida |
| Tireotoxicose exógena | Excesso de levotiroxina ou exposição a iodo | Baixa ou suprimida |
O hipotireoidismo subclínico progride para a forma franco em cerca de 2% a 4% ao ano, taxa que dobra ou triplica em mulheres com TPOAc positivo, e a reposição é guiada por sintomas, título de TSH, idade e risco cardiovascular. A doença de Graves tem pico entre 30 e 50 anos, predomínio feminino de 5:1 e recorrência familiar; a orbitopatia clinicamente relevante acomete cerca de um terço dos pacientes, e o tabagismo é o fator de risco modificável mais importante para desenvolvê-la e agravá-la. A amiodarona perturba a função tireoidiana em parcela relevante dos usuários (pela carga de iodo de cerca de 37% e pela citotoxicidade direta), podendo causar tanto hipotireoidismo quanto tireotoxicose tipo 1 ou tipo 2. A crise tireotóxica complica cerca de 1% das internações por tireotoxicose; o mixedema coma é mais comum em idosas no inverno, frequentemente com hipotermia precipitada por frio ambiental, sedativos, infecção ou internação.
Na tireoidite de Hashimoto, a exposição de antígenos tireoidianos a linfócitos T helpers gera resposta imune humoral e celular: anticorpos antitireoperoxidase (presentes em 90% a 95% dos casos) e antitireoglobulina, infiltrado linfocitário difuso com folículos linfoides, oncócitos de Hürthle e fibrose, levando à destruição lenta do parênquima. A queda da T4 eleva o TSH, que hiperestimula a glândula remanescente produzindo bócio difuso firme; a hipotireoidia reduz a expressão hepática de receptores de LDL (elevando o colesterol), a atividade da bomba Na/K-ATPase (relaxamento lentificado dos reflexos), a taxa de filtração e o clearance de água livre (hiponatremia), e o metabolismo dos glicosaminoglicanos, que se depositam na derme gerando o mixedema não deprimível, típico de face e pretibial. Na doença de Graves, autoanticorpos (TSI/TRAb) ligam-se ao receptor de TSH simulando o estímulo hipofisário: aumentam síntese hormonal, hiperplasia (bócio difuso com sopro) e ativam fibroblastos orbitários e pré-tibiais, onde promovem acúmulo de glicosaminoglicanos, edema e adipogênese — a tríade orbitopatia, dermopatia (mixedema pré-tibial) e acropquia é exclusiva de Graves. O excesso hormonal amplifica a resposta adrenérgica (taquicardia, tremor fino, ansiedade), acelera o metabolismo basal (perda de peso com apetite preservado) e a reabsorção óssea (osteoporose); na crise tireotóxica, um gatilho (infecção, cirurgia, radioiodo, suspensão de tionamida, iodoterapia, trauma, DKA) descadeia descarga adrenérgica maciça com hipertermia, arritmia, insuficiência cardíaca e disfunção de órgãos.
| Domínio | Hipotireoidismo | Hipertireoidismo |
|---|---|---|
| Peso e apetite | Ganho de peso discreto (2-4 kg) com apetite reduzido | Perda de peso com apetite mantido ou aumentado |
| Termorregulação | Intolerância ao frio, pele seca e fria | Intolerância ao calor, sudorese, pele quente e úmida |
| Cardiovascular | Bradicardia, hipertensão diastólica, derrame pericárdico raro | Taquicardia de repouso, FA em 10-15%, cardiopatia de alto débito |
| Gastrointestinal | Constipação | Diarreia ou aumento do trânsito |
| Reprodutivo | Menorragia, infertilidade, galactorréia por elevação da TRH/prolactina | Oligomenorreia, amenorreia, infertilidade, libido reduzida |
| Neuromuscular | Lentificação, sonolência, parestesias, reflexos com relaxamento lento, síndrome do túnel do carpo | Tremor fino, ansiedade, insônia, miopatia proximal, reflexos vivos |
| Pele e anexos | Mixedema facial e pretibial, alopecia, unhas frágeis, carotenemia | Onicólise de Plummer, cabelo fino, mixedema pretibial em Graves |
| Olhos e voz | edema periorbitário, rouquidão (infiltração de cordas) | Retração palpebral, stare, lag; orbitopatia em Graves (proptose, diplopia, quimose) |
Apresentações que atrasam o diagnóstico: no idoso, o hipertireoidismo pode ser apático (fibrilação atrial, perda de peso, depressão e prostração, sem hiperatividade) e o hipotireoidismo pode simular demência, depressão ou simplesmente quedas e bradicardia; em crianças, o hipotireoidismo congênito passa por icterícia prolongada e hérnia umbilical, e a falha da triagem neonatal causa cretinismo. A crise tireotóxica (Burch-Wartofsky igual ou maior que 45) cursa com febre maior que 38,5 °C até acima de 40 °C, taquiarritmia ou FA, náusea, vômitos, diarreia, agitação, delirium ou coma, insuficiência cardíaca e fator precipitante identificável; o mixedema coma cursa com hipotermia (frequentemente menor que 35 °C), bradicardia, hipoventilação com retenção de CO2, hiponatremia, hipoglicemia, alteração de consciência e pele seca com mixedema, quase sempre em idosa hipotireoide não diagnosticada ou não aderente.
TSH é o melhor teste de rastreio para disfunção primária; T4 livre fecha o diagnóstico e deve ser dosada na suspeita de doença central, na gestação e em pacientes com doenças graves. Autoanticorpos: TPOAc confirma autoimunidade no hipotireoidismo (mas aparece em até 10% de mulheres eutireoidianas, então não é teste de rastreio) e o TRAb tem sensibilidade superior a 90% e especificidade superior a 95% na doença de Graves ativa, útil também no 3º trimestre de gestante com Graves (TRAb alto atravessa a placenta e predispõe à tireotoxicose neonatal). A cintilografia com radioiodo (I-123 ou I-131) distingue as causas: captação difusa aumentada em Graves, focal em bócio nodular tóxico e baixa ou ausente nas tireoidites destrutivas e na tireotoxicose exógena; a ultrassonografia avalia nódulos, ecoestrutura difusa heterogênea (autoimune) e volume; a punção com agulha fina segue as regras de nódulos, não das disfunções. Suporte: ECG (bradicardia, FA), lipides (LDL alto no hipo), CK e creatinina elevadas, anemia macrocítica ou normocítica, hiponatremia. O escore de Burch-Wartofsky (BWPS) estratifica a crise tireotóxica somando pontos por temperatura (10 a 25), taquicardia (10 a 30), arritmia (5 a 20), insuficiência cardíaca (5 a 20), sintomas gastrointestinais (10 a 20), neurológicos (10 a 30) e fator precipitante (10): total 45 ou mais, crise altamente provável; 25 a 44, crise iminente; abaixo de 25, improvável.
A reposição padrão é a levotiroxina (T4) oral, meia-vida de cerca de 7 dias e estado de equilíbrio em 4 a 6 semanas. No adulto jovem saudável, inicia-se a dose plena estimada de 1,6 mcg/kg/dia; em idosos, cardiopatas isquêmicos ou hipotireoidismo de longa data, começa-se com 25 a 50 mcg/dia, aumentando 12,5 a 25 mcg a cada 4 a 6 semanas. A tomada deve ser em jejum, 30 a 60 minutos antes do café da manhã (ou 4 horas após a última refeição noturna), e separada em 4 horas de cálcio, ferro, inibidores de bomba, colestiramina e sucralfato, que reduzem a absorção; café e soja também interferem. A meta é TSH entre 0,4 e 4,0 mUI/L, com ajustes a cada 4 a 6 semanas até estabilizar e depois monitorização a cada 6 a 12 meses.
As três modalidades — tionamidas, radioiodo (I-131) e cirurgia — são escolhidas conforme causa, idade, tamanho do bócio, gestação, orbitopatia e preferência do paciente. O metimazol é a tionamida de escolha na maioria dos casos: 10 a 15 mg/dia na doença leve e 20 a 40 mg/dia na moderada a grave, em dose única diária, com eutireoidismo em 4 a 8 semanas, seguido de redução para 5 a 10 mg/dia por 12 a 18 meses; após esse ciclo, a recaída ocorre em 30% a 50% (mais em fumantes, bócios grandes e TRAb persistentemente alto). O propiltiouracil (PTU, 100 a 150 mg a cada 6-8 horas) reserva-se ao 1º trimestre da gestação e à crise tireotóxica (bloqueia adicionalmente a conversão periférica de T4 em T3), devido à hepatotoxicidade com advertência de caixa preta: evitar em crianças. O betabloqueador (propranolol 20 a 40 mg a cada 6-8 horas, ou nadolol 40 a 80 mg/dia) controla sintomas adrenérgicos enquanto se aguarda o eutireoidismo. Toda prescrição de tionamida vem com o aviso: febre, dor de garganta ou lesão oral exige hemograma urgente para excluir agranulocitose (0,2% a 0,5% dos usuários).
| Modalidade | Indicação típica | Vantagens | Riscos e limitações |
|---|---|---|---|
| Metimazol (tionamida) | Graves leve a moderada; preparo para radioiodo ou cirurgia; manutenção na gestação a partir do 2º trimestre | Controle rápido, preserva a tireoide, ambulatorial | Recaída de 30-50% após 12-18 meses; agranulocitose 0,2-0,5%; teratogenicidade (evitar no 1º trimestre) |
| Radioiodo I-131 | Recaída de Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico, idosos | Cura definitiva, um único procedimento ambulatorial | Hipotireoidismo definitivo na maioria ao longo dos anos; pode agravar orbitopatia (sobretudo em fumantes); contraindicado na gestação (evitar concepção por 6 meses) |
| Cirurgia (tireoidectomia) | Bócio grande ou compressivo, suspeita de malignidade, gestante com intolerância às drogas no 2º trimestre, preferência do paciente | Cura imediata e material para anatomopatológico | Hipoparatireoidismo transitório frequente e definitivo em 1-4%; lesão de nervo laríngeo recorrente em menos de 1-2% |
A crise tireotóxica é tratada em unidade de terapia intensiva com os cinco bloqueios sequenciais clássicos: primeiro bloquear a síntese com propiltiouracila 500 a 1.000 mg por sonda (ou VO), seguida de 250 mg a cada 4 horas (alternativa: metimazol 60 a 80 mg/dia); depois, pelo menos 1 hora após a tionamida, bloquear a liberação com iodo (solução de Lugol 4 a 8 gotas a cada 6-8 horas, ou iodeto de potássio saturado, 5 gotas a cada 6 horas) — administrar iodo antes da tionamida fornecer substrato à síntese (fenômeno de Jod-Basedow); bloquear a conversão periférica de T4 em T3 com dexametasona 2 mg IV a cada 6 horas (a própria PTU também a inibe); bloquear a ação adrenérgica com propranolol 60 a 80 mg VO a cada 4 a 6 horas (ou 1 a 2 mg IV lento, ou esmolol no instável); e suporte intensivo com resfriamento externo, hidratação, oxigênio, controle de arritmia e insuficiência cardíaca, e tratamento do fator precipitante — a infecção é o gatilho mais comum e deve ser ativamente buscado. Plasmaferese e diálise são resgate em refratários. Na orbitopatia de Graves: cessação do tabagismo obrigatória, selênio 100 mcg duas vezes ao dia por 6 meses na forma leve, metilprednisolona IV semanal (500 mg por semana por 6 semanas, seguida de 250 mg por mais 6 semanas, cumulativo até 4,5 g) na moderada a grave ativa, cobertura com prednisona 0,4 a 0,5 mg/kg/dia no radioiodo de pacientes com risco de piora ocular, e descompressão orbital urgente na neuropatia óptica ou úlcera de córnea. Nas tireoidites destrutivas, o tratamento é sintomático com betabloqueador e anti-inflamatório (ibuprofeno ou prednisona na subaguda), sem tionamidas; após a fase de tireotoxicose, metade dos pacientes passa por hipotireoidismo transitório.
Hipotireoidismo não tratado: dislipidemia aterogênica e maior risco cardiovascular, infertilidade e abortamento, mixedema coma (mortalidade de 20% a 50%) e, em lactentes, retardamento neuropsicomotor; o excesso de reposição reproduz o hipertireoidismo iatrogênico, com risco de fibrilação atrial e osteoporose no idoso — daí a meta de TSH dentro da faixa e a vigilância anual. Hipertireoidismo não controlado: fibrilação atrial (grande parte reverte com o eutireoidismo, mas parte persiste), insuficiência cardíaca de alto débito, miopatia e osteoporose com fraturas, com piora da orbitopatia (o radioiodo em fumante é o cenário clássico de agravamento) e a crise tireotóxica. Seguimento: TSH a cada 4 a 6 semanas até estabilização e depois a cada 6 a 12 meses em todas as modalidades — inclusive após radioiodo e tireoidectomia, em que o hipotireoidismo é esperado e a levotiroxina é parte do tratamento; usuários de amiodarona devem ter função tireoidiana avaliada a cada 6 meses; grávidas com histórico de Graves ou tireoidite pós-parto exigem vigilância específica pelo risco fetal e neonatal.
1.Exames: TSH 0,05 mUI/L e T4 livre elevada. Qual a próxima etapa diagnóstica mais útil?
2.Paciente com TSH 0,1 mUI/L e T4 livre normal, assintomático, 40 anos. Qual a conduta?
3.Qual associação correta entre droga e efeito tireoidiano?
4.Idosa em uso de propiltiouracila retorna com febre e dor de garganta. Qual conduta imediata?
5.Na crise tireotóxica, qual a sequência correta de bloqueio farmacológico?
6.Qual é a dose inicial de levotiroxina no adulto jovem saudável com hipotireoidismo franco?
7.Gestante com hipotireoidismo em uso de levotiroxina descobre gravidez. Qual orientação?
8.Paciente com tireotoxicose, captação de radioiodo baixa, dor cervical e VHS elevado. Qual o diagnóstico e o tratamento?
9.Qual achado é exclusivo da doença de Graves em relação às outras causas de tireotoxicose?
10.Paciente com suspeita de mixedema coma. Além da levotiroxina IV, qual medida é obrigatória no início do tratamento?
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