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Revisão completa da hiperprolactinemia, do mecanismo fisiopatológico à conduta: regulação dopaminérgica da prolactina, causas fisiológicas, farmacológicas e tumorais, interpretação da dosagem hormonal, imagem sellar e tratamento com agonistas dopaminérgicos, cirurgia e radioterapia. Inclui situações especiais como gravidez, hiperprolactinemia por antipsicóticos e macroprolactinemia.
[1] Melmed S, Casanueva FF, Hoffman AR, et al. Diagnosis and treatment of hyperprolactinemia: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011;96(2):273-288 · DOI 10.1210/jc.2010-1692 · PMID 21296908 | [2] Petersenn S, Fleseriu M, Casanueva FF, et al. Diagnosis and management of prolactin-secreting pituitary adenomas: a Pituitary Society international Consensus Statement. Nat Rev Endocrinol. 2023;19(12):722-740 · DOI 10.1038/s41574-023-00886-5 · PMID 37670148 | [3] Casanueva FF, Molitch ME, Schlechte JA, et al. Guidelines of the Pituitary Society for the diagnosis and management of prolactinomas. Clin Endocrinol (Oxf). 2006;65(2):265-273 · DOI 10.1111/j.1365-2265.2006.02562.x | [4] Silva CCHM, Braden VA, Lopes RGC, et al. Treatment of hyperprolactinemia in women: a Position Statement from the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations (Febrasgo) and the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab. 2024 · PMID 38578473 | [5] Klibanski A. Clinical Practice: Prolactinomas. N Engl J Med. 2010;362(13):1219-1226 · DOI 10.1056/NEJMcp0912025 · DOI 10.1210/jc.2010-1692
A hiperprolactinemia é a alteração endócrina hipofisária mais frequente na prática clínica, e os prolactinomas são os adenomas secretores da hipófise mais comuns, respondendo por parcela relevante de todos os tumores hipofisários. O quadro clássico em mulheres em idade reprodutiva é a tríade amenorreia, galactorreia e infertilidade, mas o espectro vai da elevação assintomática de prolactina (PRL) por medicamentos até macroadenomas invasivos com compromisso visual. O tema é campeão de prova porque exige encadear fisiologia (inibição dopaminérgica tônica), farmacologia (drogas que bloqueiam receptores D2), laboratório (interpretação dos níveis de PRL, macroprolactina e efeito gancho) e terapêutica (cabergolina como primeira linha, com doses semanais que precisam ser memorizadas). Este artigo segue as recomendações da Endocrine Society (2011), do Consenso Internacional da Pituitary Society (2023) e da diretriz brasileira FEBRASGO/SBEM (2024).
A prolactina é um polipeptídeo de 199 aminoácidos produzido pelos lactotrofos, que correspondem a cerca de 15 a 25% das células da adeno-hipófise, concentradas nas asas laterais do lobo anterior. Diferentemente dos demais hormônios hipofisários, a PRL é regulada de forma predominantemente inibitória: a dopamina produzida nos neurônios tuberoinfundibulares do núcleo arqueado hipotalâmico chega aos lactotrofos pelo sistema porta-hipofisário e bloqueia a secreção de PRL por receptores D2 de membrana. Como o tônus inibitório é permanente, qualquer interrupção da via dopaminérgica, como a secção da haste hipofisária por tumor supasselar, libera os lactotrofos e eleva a PRL, o chamado efeito de haste ou de desconexão hipotalâmico-hipofisário. A própria PRL estimula retroativamente a síntese e a liberação de dopamina no hipotálamo, formando o circuito de feedback curto autolimitado. A TRH hipotalâmica estimula os lactotrofos, o que explica a hiperprolactinemia do hipotireoidismo primário, e o estrógeno induz hiperplasia lactotrófica, elevando fisiologicamente a PRL na gestação a níveis 10 a 20 vezes acima do basal no termo. A secreção é pulsátil, com pico nas primeiras horas do sono e aumento transitório por estresse, exercício intenso, refeição rica em proteínas, estimulação mamilar e manipulação da parede torácica; a meia-vida plasmática da PRL é de aproximadamente 20 a 30 minutos.
A classificação etiológica em fisiológica, farmacológica, patológica e artefatorial (macroprolactinemia) organiza o raciocínio diagnóstico. As causas farmacológicas rivalizam com os prolactinomas em frequência e sempre devem ser investigadas antes de indicar ressonância magnética: qualquer droga antagonista de D2 pode elevar a PRL, e os antipsicóticos e antieméticos são os maiores culpados. Entre as patológicas, além dos prolactinomas, destacam-se as doenças hipotalâmicas e da haste que causam desconexão dopaminérgica, o hipotireoidismo primário por TRH e a insuficiência renal crônica por redução do clearance hormonal.
| Categoria | Exemplos principais | Mecanismo | Nível típico de PRL |
|---|---|---|---|
| Fisiológica | gestação, lactação, estresse, exercício, sono, estimulação mamilar, trauma ou cirurgia de parede torácica (incluindo herpes zóster T4 a T6) | estímulo neural ou hormonal sobre os lactotrofos | elevação leve a moderada, reversível; na gestação chega a 10 a 20 vezes o basal |
| Farmacológica | risperidona, amisulprida, sulpirida, haloperidol, fenotiazínicos, metoclopramida, domperidona, verapamil, estrogênios em doses altas, opioides | bloqueio dos receptores D2 lactotróficos ou estímulo direto dos lactotrofos | geralmente entre 25 e 100 ng/mL; antipsicóticos podem elevar acima de 100 ng/mL |
| Prolactinoma | microadenoma (menor que 10 mm), macroadenoma (10 mm ou mais), prolactinoma gigante (40 mm ou mais) | autonomia secretora dos lactotrofos neoplásicos | microadenomas costumam entre 25 e 200 ng/mL; valores acima de 200 ng/mL são praticamente diagnósticos; macroprolactinomas excedem 500 ng/mL |
| Doença hipotalâmica ou de haste | craniofaringioma, meningioma supasselar, histiocitose, sarcoidose, metástases, cirurgia ou radioterapia prévia | interrupção do transporte de dopamina (efeito de haste) | tipicamente leve a moderada, em geral abaixo de 150 a 200 ng/mL |
| Outras patológicas | hipotireoidismo primário, insuficiência renal crônica, cirrose hepática, epilepsia e pós-crise convulsiva, síndrome dos ovários policísticos associada | excesso de TRH, redução do clearance, descarga hipotalâmica | elevação geralmente discreta a moderada |
| Macroprolactinemia | complexos PRL-IgG (big big PRL) inertes in vivo | artefato de ensaio imunométrico que mede o complexo | PRL elevada no laboratório sem sintomas ou com sintomas mínimos |
Os prolactinomas são os adenomas hipofisários funcionantes mais comuns, representando em torno de 40 a 50% dos adenomas hipofisários em séries clínicas, com prevalência estimada de cerca de 45 a 70 casos por 100.000 adultos e incidência de 2 a 3 casos por 100.000 pessoas-ano na população geral. A distribuição por sexo e tamanho é assimétrica e didática: em mulheres em idade reprodutiva predominam os microprolactinomas, com relação aproximada de 10 microadenomas para cada macroadenoma, enquanto nos homens o diagnóstico é mais tardio e os macroadenomas predominam, frequentemente já com extensão supasselar ou para o seio cavernoso no momento da detecção. A hiperprolactinemia é encontrada em uma minoria, mas significativa, das mulheres com amenorreia (até 5 a 14% conforme a série e o corte adotado) e é quase universal em usuárias de risperidona e amisulprida em doses plenas, embora só uma parte desenvolva sintomas.
A PRL em excesso inibe o pulso do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) hipotalâmico, reduzindo LH e FSH e gerando hipogonadismo hipogonadotrófico: anovulação, amenorreia ou oligomenorreia e infertilidade na mulher, e queda de libido, disfunção erétil e infertilidade no homem. A galactorreia decorre da ação direta da PRL sobre a glândula mamária e pode ocorrer com qualquer grau de hiperprolactinemia, sendo mais fácil de perceber em mulheres. O hipoestrogenismo e o hipogonadismo prolongados aceleram a perda óssea, com risco aumentado de osteoporose e fraturas vertebrais, complicação silenciosa que justifica tratar mesmo pacientes sem queixa de galactorreia. Nos macroadenomas somam-se os efeitos de massa: compressão do quiasma óptico causando hemianopsia bitemporal, cefaleia por estiramento da cápsula sellar, invasão do seio cavernoso com paralisias de nervos cranianos III, IV e VI, hipopituitarismo por compressão dos hipofisiotrofos normais, apoplexia hipofisária e, nos tumores invasivos com extensão para seio esfenoidal, rinorreia de líquor.
A apresentação difere entre os sexos e essa assimetria é cobrada em prova. Mulheres em idade reprodutiva procuram atendimento precocemente por alterações menstruais, galactorreia ou infertilidade, e por isso costumam ter microadenomas. Homens e mulheres no climatério tendem a apresentar cefaleia, queixas visuais, disfunção erétil ou queixas inespecíficas, com diagnóstico mais tardio e tumores maiores. Após a menopausa, o hipogonadismo já está instalado e a hiperprolactinemia só se manifesta pelos efeitos de massa ou pela galactorreia, quando existente.
| Achado clínico | Mulheres pré-menopausa | Homens |
|---|---|---|
| Galactorreia | presente em 50 a 80% dos casos de hiperprolactinemia sintomática | menos frequente, em torno de 20 a 30%, por menor estímulo estrogênico prévio da mama |
| Queixa hormonal principal | amenorreia ou oligomenorreia (até 90% dos prolactinomas sintomáticos), infertilidade, dispareunia por secura vaginal | queda de libido, disfunção erétil, infertilidade; ginecomastia é incomum |
| Tumor no diagnóstico | microadenoma na maioria | macroadenoma na maioria, com atraso diagnóstico |
| Efeitos de massa | raros no microadenoma; cefaleia e hemianopsia bitemporal nos macroadenomas | cefaleia, hemianopsia bitemporal, paralisia de III, IV ou VI cranianos, hipopituitarismo, apoplexia |
O diagnóstico laboratorial é simples: uma única dosagem de prolactina em amostra matinal, preferentemente colhida após repouso e sem estresse recente, é suficiente, e testes dinâmicos de estímulo ou supressão não têm papel clínico. Antes de qualquer imagem, devem-se excluir as causas secundárias com beta-hCG em toda mulher em idade fértil, TSH em todos e creatinina quando houver suspeita de doença renal. Feito isso, a PRL deve ser quantificada e interpretada junto à chance de cada causa. Ressalta-se que os valores de referência variam entre ensaios, na ordem de até 25 ng/mL para mulheres e 20 ng/mL para homens, sempre conferindo o intervalo do laboratório local. A ressonância magnética de sela túrcica com gadolínio é o exame de imagem de escolha para caracterizar adenomas, sua extensão e a relação com o quiasma óptico, e deve ser solicitada quando a PRL for persistentemente elevada sem causa fisiológica ou farmacológica evidente, ou quando houver sinais de massa. Pacientes com macroadenoma próximo ao quiasma devem realizar campimetria visual (perimetria por confronto automatizada) e avaliação completa dos eixos hipofisários: IGF-1, cortisol às 8 horas, TSH e T4 livre, LH, FSH e estradiol ou testosterona.
| Nível de PRL (ng/mL) | Interpretação mais provável | Conduta inicial |
|---|---|---|
| Até 25 (mulher) ou 20 (homem) | faixa de referência habitual; variar conforme ensaio | não é hiperprolactinemia; repetir se a suspeita clínica persistir |
| 25 a 100-150 | causas fisiológicas, farmacológicas, efeito de haste, microprolactinoma, macroprolactinemia | excluir gestação, fármacos, hipotireoidismo, doença renal; rastrear macroprolactina; investigar conforme contexto |
| 100-150 a 200-500 | prolactinoma provável, sobretudo se persistente após excluir causas secundárias | ressonância de sela; provável microadenoma ou macroadenoma conforme imagem |
| Acima de 200 (com tumor) | prolactinoma é praticamente certo | tratamento clínico com agonista dopaminérgico mesmo em macroadenomas |
| Acima de 500 com macroadenoma | macroprolactinoma | cabergolina; resposta tumoral costuma ser rápida e expressiva |
| Macroadenoma grande com PRL baixa ou pouco elevada | suspeitar de efeito gancho ou de adenoma não secretor com efeito de haste | repetir PRL com diluição serial antes de indicar cirurgia |
Os objetivos do tratamento são normalizar a PRL, restaurar o eixo gonadal, reduzir o volume tumoral e preservar a visão. A primeira linha para prolactinomas sintomáticos e para a maioria das hiperprolactinemias idiopáticas sintomáticas é o agonista dopaminérgico, com preferência pela cabergolina por sua maior eficácia, maior comodidade posológica semanal e melhor tolerabilidade. A cabergolina normaliza a PRL em cerca de 80 a 90% dos pacientes e promove redução volumétrica do tumor na maioria dos macroadenomas, frequentemente nas primeiras semanas de uso. A bromocriptina continua indicada quando a cabergolina não estiver disponível ou na gestação, por reunir o maior acumulado de dados de segurança fetal.
| Droga | Esquema e dose | Eficácia e observações |
|---|---|---|
| Cabergolina | iniciar com 0,25 mg por via oral 1 vez por semana (ou 0,5 mg semanal dividida em 2 tomadas), titulando a cada 4 semanas em incrementos de 0,25 a 0,5 mg até normalizar a PRL; dose usual eficaz de 0,5 a 2 mg por semana | normaliza a PRL em 80 a 90% e reduz o volume tumoral na maioria; primeira escolha pela diretriz da Endocrine Society e pelo consenso de 2023 |
| Bromocriptina | iniciar com 1,25 mg por via oral ao deitar com alimento, aumentando a cada 3 a 7 dias; dose eficaz usual de 2,5 a 15 mg por dia dividida em 2 a 3 tomadas | normaliza a PRL em cerca de dois terços dos pacientes; efeitos adversos digestivos e de hipotensão mais frequentes; maior experiência em gestação |
| Quinagolida | 75 a 300 microgramas por via oral 1 vez ao dia, agonista D2 seletivo não ergot | alternativa disponível em alguns países; perfil semelhante ao da cabergolina, sem dados valvulares robustos |
A cirurgia transesfenoidal (preferencialmente endoscópica) perde para o tratamento clínico como primeira escolha, mas tem papéis bem definidos. A remissão cirúrgica bioquímica ocorre em cerca de 70 a 90% dos microadenomas e em apenas 25 a 60% dos macroadenomas, taxas inferiores à eficácia da cabergolina, o que explica a hierarquia terapêutica. Tumores agressivos, resistentes ou com transformação maligna, definidos pela persistência de crescimento e invasão, podem requerer radioterapia (radiocirurgia estereotáxica quando possível) e, nos casos refratários, temozolomida, cuja resposta se acompanha de monitorização de Ki-67 e do perfil clínico.
Na gravidez, a conduta depende do tamanho do tumor. Microprolactinomas raramente crescem na gestação, e a diretriz recomenda suspender a cabergolina assim que confirmada a gravidez e acompanhar clinicamente por cefaleia e sintomas visuais a cada trimestre. Macroprolactinomas têm risco de 20 a 30% de crescimento sintomático gestacional, e as opções são manter a bromocriptina durante toda a gestação, cirurgia pré-concepcional ou acompanhamento com exames visuais periódicos, reservando a ressonância sem gadolínio para sintomas novos. Ambos os agonistas não mostraram aumento de malformações em séries amplas, mas a bromocriptina concentra a maior experiência acumulada. Já a hiperprolactinemia induzida por antipsicóticos exige decisão compartilhada com a psiquiatria: tratar o paciente com agonista dopaminérgico compete com o antipsicótico no receptor D2, pode reverter o efeito terapêutico e precipitar psicose, e por isso a conduta preferida é reduzir a dose, trocar por antipsicótico de menor impacto sobre a PRL, como aripiprazol, agonista parcial D2 que reduz a PRL, e apenas excepcionalmente introduzir estrogênio para proteger o eixo. Na macroprolactinemia assintomática confirmada por PEG, não há indicação de tratamento nem de imagem sellar de rotina.
O prognóstico dos prolactinomas é excelente quando tratados: a maioria dos microadenomas não cresce, a cabergolina controla PRL e volume na grande parte dos casos e a retirada do agonista, quando possível, mantém remissão em metade ou mais dos pacientes bem selecionados. As complicações derivam do hipogonadismo crônico não tratado, como osteoporose com risco de fratura, da infertilidade, e dos efeitos de massa, como déficit visual persistente, hipopituitarismo e apoplexia. O seguimento padrão inclui dosagem de PRL a cada 3 a 6 meses no primeiro ano e depois semestral a anual, ressonância de controle após o início ou ajustes do agonista nos macroadenomas (tipicamente 6 a 12 meses até a estabilização volumétrica), campimetria anual enquanto houver contato com o quiasma, e reavaliação de densidade óssea em hipogonadismo prolongado. Pacientes que mantêm hipogonadismo apesar de PRL normal devem receber reposição de esteroides sexuais, com monitoração da imagem nos que não usam agonista.
1.A regulação da secreção de prolactina pelos lactotrofos é feita principalmente por qual mecanismo?
2.Qual das seguintes drogas NÃO é causa habitual de hiperprolactinemia?
3.Uma mulher de 34 anos tem amenorreia e galactorreia, TSH normal, beta-hCG negativo e não usa medicamentos. PRL de 320 ng/mL. O próximo passo correto é:
4.Paciente com macroadenoma invasivo de 4,5 cm apresenta PRL de 48 ng/mL. Antes de indicar cirurgia por adenoma não secretor, qual procedimento laboratorial deve ser realizado?
5.A dose inicial habitual de cabergolina para tratamento de prolactinoma é:
6.Qual efeito adverso específico da cabergolina em doses elevadas exige monitoração com ecocardiograma?
7.Gestante com microprolactinoma previamente tratado com cabergolina confirma beta-hCG positivo. A conduta recomendada é:
8.Homem em uso de risperidona por esquizofrenia desenvolve PRL de 90 ng/mL, galactorreia e disfunção erétil, sem sintomas visuais. A melhor conduta inicial é:
9.Qual das situações abaixo é indicação de cirurgia transesfenoidal em prolactinoma?
10.A amenorreia da hiperprolactinemia decorre principalmente de qual mecanismo?
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