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Revisão completa de urticária e angioedema: classificação EAACI (espontânea e induzível), fisiopatologia do mastócito e das vias histaminérgica e bradicinínica, diagnóstico com UAS7 e complemento, escada terapêutica com anti-histamínicos em dose até 4 vezes maior, omalizumabe e ciclosporina, e tratamento específico do angioedema hereditário com icatibanto e profilaxia.
[1] Zuberbier T, Abdul Latiff AH, Abuzakouk M, et al. The international EAACI/GA2LEN/EuroGuiDerm/APAAACI guideline for the definition, classification, diagnosis and management of urticaria. Allergy. 2022;77(3):734-766 · DOI 10.1111/all.15090 | [2] Maurer M, Rosén KE, Hsieh HJ, et al. Omalizumab for the treatment of chronic idiopathic or spontaneous urticaria. N Engl J Med. 2013;368(10):924-935 · DOI 10.1056/NEJMoa1215372 · PMID 23362100 | [3] Maurer M, Magerl M, Aberer W, et al. The international WAO/EAACI guideline for the management of hereditary angioedema — the 2021 revision and update. World Allergy Organ J. 2022;15(3):100587 · DOI 10.1016/j.waojou.2021.100587 · PMID 35497649 | [4] Giavina-Bianchi P, Arruda LK, Aun MV, et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento do angioedema hereditário — 2017. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(1):23-48 · disponível em https://aaai-asbai.org.br | [5] Muraro A, Worm M, Alviani C, et al. EAACI guidelines: Anaphylaxis (2021 update). Allergy. 2022;77(2):357-377 · DOI 10.1111/all.15032 · DOI 10.1111/all.15090
Urticária e angioedema estão entre os motivos de consulta mais frequentes em dermatologia, alergologia e prontos-socorros: um episódio de urticária aguda afeta até 20% das pessoas em algum momento da vida, e a urticária crônica espontânea (UCe) compromete de 0,5 a 1% da população, com predomínio feminino de aproximadamente 2:1 e pico entre 20 e 40 anos. O tema exige duas decisões intelectuais que separam o bom clínico: primeiro, distinguir urticária (doença do mastócito, na maioria das vezes não alérgica) de anafilaxia; segundo, diante de angioedema recorrente sem habões, reconhecer que existem duas vias fisiopatológicas — histamina e bradicinina — com tratamentos radicalmente diferentes. O angioedema hereditário (AEH), deficiência do inibidor de C1, não responde a adrenalina, anti-histamínicos ou corticoides, e o atraso em reconhecê-lo ainda causa mortes por edema laríngeo. Este artigo percorre a classificação internacional, os mecanismos, os escores diagnósticos, a escada terapêutica baseada em evidência e o manejo específico do angioedema bradicinínico.
O habão (wheal, urtica) é a lesão elementar da urticária e tem três características centrais: edema superficial da derme com central claro ou blanquescente rodeado por eritema reflexo; sensação de prurido ou queimação; e natureza transitória, com a lesão individual resolvendo tipicamente em 1 a 24 horas em qualquer região do corpo, sem deixar resíduo. O angioedema é o espelho profundo do mesmo processo: inchaço da derme inferior, do subcutâneo ou da submucosa, de cor normal ou levemente eritematosa, mais doloroso que pruriginoso, frequentemente assimétrico, durando até 72 horas e acometando pálpebras, lábios, língua, genitália e extremidades. A urticária é definida pela presença de habões, angioedema ou ambos. A regra do 1 dia tem valor diferencial enorme: lesão individual fixa por mais de 24 a 36 horas, dolorosa, com púrpura ou hiperpigmentação residual sugere vasculite urticariforme, e não urticária comum.
A classificação da diretriz internacional EAACI/GA2LEN/EuroGuiDerm/APAAACI de 2022 divide a urticária em espontânea (sem gatilho externo identificado) e induzível (desencadeada por estímulos definidos), separadas pelo critério temporal de 6 semanas: aguda abaixo e crônica a partir de 6 semanas de sintomas recorrentes. A urticária crônica engloba a urticária crônica espontânea (UCe) e as urticárias crônicas induzíveis, que frequentemente coexistem — até um terço dos pacientes com UCe tem componente induzível associado.
| Categoria | Subtipo | Estímulo ou definição | Teste de provocação |
|---|---|---|---|
| Espontânea | Aguda (menos de 6 semanas) | Episódio único ou recidivante por menos de 6 semanas; frequentemente pós-infecciosa ou por drogas | Não se aplica |
| Espontânea | Crônica espontânea (UCe) | Habões, angioedema ou ambos por 6 semanas ou mais, sem gatilho externo | Não se aplica; atividade medida pelo UAS7 |
| Induzível | Dermografismo sintomático | Traumatismo mecânico de risco de escrita na pele | FricTest (estilete padronizado) |
| Induzível | Urticária ao frio | Ar frio, água gelada, alimentos e bebidas geladas | TempTest e teste do cubo de gelo |
| Induzível | Urticária por pressão tardia | Pressão sustentada (cintos, alças de bolsa, caminhada prolongada) com habões 4 a 8 h depois | Teste de peso pendente (DermaTest) |
| Induzível | Urticária solar | Exposição a radiação UV ou luz visível | Fototeste |
| Induzível | Urticária vibratória | Vibração (secador de cabelo, cortador de grama, veículos) | Teste de vibração (vórtice) |
| Especiais | Colinérgica, aquagênica e de contato | Aquecimento central (exercício, emoção, banho quente); água; urticariogênico de contato | Teste de esforço ou banho quente; imersão; teste de uso |
O angioedema classifica-se em duas vias com tratamento distinto. O angioedema histaminérgico acompanha a urticária na maioria das vezes (mastócito e histamina) e responde a adrenalina e anti-histamínicos. O angioedema sem habões, sem prurito e sem resposta a anti-histamínicos sugere via da bradicinina: angioedema hereditário por deficiência do inibidor de C1 (mutação do gene SERPING1, tipos 1 e 2), angioedema hereditário com C1-INH normal (tipo 3, raro, ligado a mutações do fator XII e ao estrogênio), angioedema adquirido por consumo (doenças linfoproliferativas e autoimunes) e angioedema por inibidores da enzima conversora de angiotensina, que bloqueiam a degradação da bradicinina.
A urticária aguda acomete até 20% das pessoas ao longo da vida, com pico na infância e em adultos jovens, geralmente autolimitada em dias a semanas. A urticária crônica afeta de 0,5 a 1% da população em algum momento, com predomínio feminino de 2:1 e idade de pico entre 20 e 40 anos; cerca de metade dos pacientes apresenta apenas habões, 10 a 20% apenas angioedema e até 40% ambos. A duração média situa-se entre 1 e 5 anos: estimativas de coortes indicam que metade dos casos entra em remissão no primeiro ano, mas 10 a 20% persistem por mais de 5 anos. O angioedema hereditário tem prevalência estimada entre 1:10.000 e 1:50.000 habitantes, sem predominância de sexo, com início dos sintomas tipicamente na infância e agravamento na puberdade; o angioedema por inibidor da ECA ocorre em 0,1 a 0,7% dos expostos, com risco maior no primeiro mês de uso, em mulheres e em negros.
O habão nasce da ativação de mastócitos da derme. A histamina liberada liga receptores H1 em terminais nervosos (prurido), no endotílio (óxido nítrico e vasodilatação) e nas vênulas pós-capilares (contração endotelial e escape plasmático); o fator ativador de plaquetas e os leucotrienos amplificam a resposta. O resultado é edema superficial — o habão — com eritema reflexo. Ponto-chave para a prova: na urticária crônica espontânea, a ativação do mastócito raramente é alergia IgE-dependente. Em 30 a 50% dos pacientes opera um endótipo autoimune, com IgG contra a cadeia alfa do receptor de alta afinidade da IgE (FcεRI) ou contra a própria IgE — hipersensibilidade tipo IIb de Gell e Coombs —, associado a tireoidite autoimune e a doença de curso mais prolongado. O restante permanece idiopático, com instabilidade intrínseca dos mastócitos e contribuição de gatilhos como estresse, AINEs e infecções.
No angioedema, os mesmos mediadores atingem vasos da derme profunda e da submucosa (via histaminérgica) — ou opera a via do complemento: na deficiência funcional do inibidor de C1, a ativação descontrolada do fator XII e da calicreína plasmática gera bradicinina, cuja ligação ao receptor B2 produz escape vascular muito mais prolongado que a histamina, sem prurito e sem resposta a anti-histamínicos. Os inibidores da ECA causam angioedema por bloquear a quinase II, enzima que degrada a bradicinina. Essa divisão mecanística explica a terapêutica: anti-histamínicos e omalizumabe para a via do mastócito; icatibanto, concentrados de C1-INH, inibidores da calicreína e do sistema bradicinínico para a via do complemento.
| Característica | Angioedema histaminérgico | Angioedema bradicinínico |
|---|---|---|
| Início | Minutos a 1 hora após o gatilho | Horas, com progressão lenta por 12 a 24 horas |
| Duração | 1 a 48 horas | 2 a 5 dias sem tratamento específico |
| Prurido e habões | Presentes na maioria dos episódios | Ausentes; sensação de plenitude ou dor |
| Locais típicos | Pálpebras, lábios, face, genitália, mãos e pés | Extremidades, parede abdominal, laringe; também lábios e pálpebras |
| Sintomas associados | Pode evoluir para anafilaxia com hipotensão | Dor abdominal em cólica, vômitos, diarreia e edema laríngeo |
| Resposta a adrenalina e anti-histamínico | Rápida e evidente | Ausente |
| Laboratório | Triptase pode elevar-se se houver anafilaxia | C4 baixo e C1-INH antigênico ou funcional baixos (tipos 1 e 2) |
Na UCe, os habões surgem diariamente ou quase diariamente, com piora típica ao entardecer e à noite; o prurido é intenso e interfere com o sono, gerando fadiga e prejuízo de concentração. As lesões variam de milímetros a placas confluentes gigantes com aspecto anular ou serpiginoso, aparecem em qualquer região, migram e desaparecem sem resíduo. O angioedema acompanha cerca de metade dos pacientes, poupando tipicamente a região supraclavicular. Nas formas induzíveis, a história é o diagnóstico: habões exclusivamente nos trajetos de pressão (cinto, alça), após banho frio, escrita na pele, aquecimento pelo exercício ou vibração. Na anamnese obrigatória da urticária crônica, documente: duração e padrão, gatilhos aparentes, uso de AINEs, opióides e inibidores da ECA, sintomas de infecções ativas, tireoidopatia, história familiar de angioedema recorrente e impacto na qualidade de vida.
O AEH manifesta-se por ataques recorrentes de angioedema não pruriginoso, não depressível (não deixa godet), sem urticária, desde a infância, com intervalos variáveis. Três territórios dominam: periférico (mãos, pés, face), abdominal — edema da parede intestinal com dor em cólica intensa, vômitos e possível pseudo-obstrução, que leva a laparotomias desnecessárias — e laríngeo, com rouquidão, disfagia, sensação de globo e risco de obstrução de vias aéreas; cerca de metade dos pacientes terá pelo menos um episódio laríngeo ao longo da vida, e o trauma orofaríngeo (procedimentos dentários, intubação) é gatilho clássico. Um exantema serpiginoso, sem prurido, precede o ataque em parte dos pacientes. No angioedema adquirido, o início é tardio (adulto idoso) e há doença linfoproliferativa ou autoimune associada.
Urticária é diagnóstico clínico: a anamnese e o exame da lesão (ou de fotografias, já que o paciente frequentemente chega sem lesões) bastam. A diretriz internacional recomenda investigação laboratorial rotineira mínima na urticária crônica: hemograma com contagem diferencial e proteína C reativa (ou velocidade de hemossedimentação); valores normais tornam improvável doença sistêmica subjacente. Testes de alergia de rotina (prick panels, IgE a alimentos) não são recomendados — a UCe raramente é alergia IgE-dependente. Exames dirigidos apenas ante suspeita: TSH e anticorpos antitireoidianos, sorologias e parasitológico de fezes conforme contexto, biópsia de pele quando a lesão individual dura mais de 24-36 horas, é dolorosa ou deixa púrpura (vasculite urticariforme), e dosagem de C4 e C1-INH no angioedema recorrente sem habões.
A atividade da doença é medida pelo escore UAS7 (Urticaria Activity Score somado por 7 dias): cada dia recebe 0 a 3 pontos para habões e 0 a 3 para prurito, somando no máximo 6 pontos diários e 42 semanais. Convenciona-se UAS7 de 1 a 15 como doença leve, 16 a 27 moderada e 28 a 42 grave; UAS7 de 0 a 6 indica controle. O Urticaria Control Test (UCT) pontua o controle nas últimas 4 semanas de 0 a 16, com 12 ou mais indicando doença controlada. Esses escores definem meta terapêutica — controle completo dos sintomas — e objetivam a resposta em cada consulta.
| Escore diário | Habões em 24 horas | Prurito |
|---|---|---|
| 0 | Nenhum habão | Nenhum prurito |
| 1 | Menos de 20 habões | Prurito leve, presente por parte do dia |
| 2 | 20 a 50 habões | Prurito moderado, incômodo por boa parte do dia |
| 3 | Mais de 50 habões ou lesões confluentes | Prurito intenso o dia todo |
| Tipo de angioedema bradicinínico | C4 | C1-INH antigênico | C1-INH funcional |
|---|---|---|---|
| AEH tipo 1 (cerca de 85% dos casos) | Baixo | Baixo | Baixo |
| AEH tipo 2 (cerca de 15% dos casos) | Baixo | Normal ou elevado | Baixo |
| AEH tipo 3 (C1-INH normal; raro, mutações de F12 e outras) | Normal | Normal | Normal |
| Angioedema adquirido (adulto idoso, C1q baixo, linfoproliferativo) | Baixo | Baixo ou normal | Baixo |
No rastreamento do angioedema sem urticária, o C4 é o teste de triagem mais útil: praticamente sempre baixo no AEH tipos 1 e 2, entre ataques. A confirmação exige dosagem do C1-INH antigênico (quantitativa) e funcional, preferencialmente fora do pico do ataque. O diagnóstico diferencial das lesões fixas e de cursos atípicos consta na tabela a seguir.
| Diagnóstico diferencial | Pistas da história e do exame | Confirmação |
|---|---|---|
| Vasculite urticariforme | Habões fixos por mais de 24-36 h, dolorosos, com púrpura ou hiperpigmentação, artralgias e febre | Biópsia de lesão: vasculite leucocitoclástica |
| Penfigoide bolhoso | Idoso com prurido persistente, habões e bolhas tensas em flexuras e tronco | Imunofluorescência direta; anti-BP180 e BP230 |
| Síndromes autoinflamatórias (Schnitzler, CAPS) | Urticária desde o nascimento ou febre diária recorrente, artralgias, elevação de IL-1 e proteínas de fase aguda | Estudo genético (por exemplo NLRP3), gammopatia monoclonal IgM no Schnitzler |
| Mastocitose cutânea | Lesões fixas acastanhadas, sinal de Darier positivo ao atrito | Triptase sérica, biópsia cutânea, KIT D816V |
O tratamento moderno segue a escada de 4 degraus da diretriz internacional, com meta de controle completo (UAS7 igual a 0). Medidas gerais valem para todos: suspender AINEs e substituir por paracetamol quando necessário, revisar inibidores da ECA, evitar calor, álcool e roupa apertada nos períodos de atividade, gelo local e emolientes para alívio sintomático. Dietas de exclusão amplas não têm sustentação.
| Anti-histamínico | Dose padrão no adulto | Observações |
|---|---|---|
| Cetirizina | 10 mg ao dia; até 40 mg/dia no degrau 2 | Meia-vida curta, dose ajustada na insuficiência renal; leve sedação dose-dependente |
| Desloratadina | 5 mg ao dia; até 20 mg/dia no degrau 2 | Metabólito ativo da loratadina; pouco sedativo |
| Fexofenadina | 180 mg ao dia; até 360-720 mg/dia no degrau 2 | Maior janela de segurança cardíaca; absorção reduzida com sucos cítricos e antiácidos |
| Bilastina | 20 mg ao dia; até 80 mg/dia no degrau 2 | Não sofre metabolismo hepático; evitar com refeição rica em gordura |
| Loratadina | 10 mg ao dia; até 40 mg/dia no degrau 2 | Barata e segura; sedação leve |
| Hidroxizina (primeira geração) | 25 mg à noite, resgatada em casos selecionados | Sedação marcante, efeitos anticolinérgicos; não usar como rotina em idosos e motoristas |
O omalizumabe é anticorpo monoclonal humanizado anti-IgE: liga o domínio Ce3 da IgE livre, impede sua fixação ao receptor FcεRI e reduz progressivamente a expressão do receptor em mastócitos e basófilos, estabilizando a célula sem imunossupressão. No ensaio de fase III ASTERIA I (New England Journal of Medicine, 2013), 150 mg e 300 mg a cada 4 semanas por 12 semanas reduziram significativamente o prurito e o número de habões em pacientes refratários a anti-histamínicos versus placebo, com início de ação em 1 a 2 semanas e mais da metade dos pacientes alcançando controle sustentado. O esquema padrão é 300 mg subcutâneo a cada 4 semanas, mantido por pelo menos 3 a 6 meses antes de julgar a resposta; após remissão, pode ser suspido e reintroduzido com resposta equivalente. Reações no local de aplicação e cefaleia leves são os efeitos mais comuns; anafilaxia é rara e a primeira dose é aplicada com observação.
A ciclosporina fecha a escada: inibe a calcineurina e a ativação de linfócitos T, com evidência de benefício na UCe autoimune; doses de 2,5 a 5 mg/kg/dia por 3 a 6 meses exigem monitoramento de pressão, creatinina e hepatotoxicidade. Corticoides sistêmicos (prednisolona 0,5 mg/kg/dia, ex.: 30 a 40 mg/dia) limitam-se a ciclos curtos de até 7 a 10 dias para crises graves, jamais uso crônico, pelos efeitos cumulativos. Montelucaste tem evidência fraca e papel apenas adjacente; anti-histamínicos H2 e doxepina são opções antigas de terceira linha. Nas crises com anafilaxia ou angioedema laríngeo da via histaminérgica, aplica-se o protocolo de anafilaxia: adrenalina intramuscular 0,3 a 0,5 mg no adulto (0,01 mg/kg na criança), posição, oxigênio e expansão volêmica.
Ataques de AEH não respondem a adrenalina, anti-histamínicos ou corticoides — insistir neles perde tempo precioso em edema laríngeo. Todo ataque que ameace a via aérea, que incapacite o paciente ou que acometa o abdome com dor intensa deve ser tratado com terapia específica o mais precocemente possível, idealmente em até 2 horas do início; ataques leves de pele podem ser observados. Todos os pacientes devem portar medicação de ataque e cartão de identificação.
| Fármaco do ataque | Mecanismo | Dose e via |
|---|---|---|
| Icatibanto | Antagonista do receptor B2 da bradicinina | 30 mg subcutânea; pode repetir após 6 horas (máximo de 3 doses em 24 h) |
| Concentrado plasmático de C1-INH | Reposição do inibidor deficiente | 20 U/kg intravenosa |
| C1-INH recombinante | Reposição de inibidor de origem transgênica | 50 U/kg intravenosa, máximo de 4.200 U |
| Ecallantida | Inibidor da calicreína plasmática | 30 mg subcutânea (3 injeções de 10 mg) |
Profilaxia de curto prazo antes de procedimentos orofaríngeos e cirurgias: concentrado de C1-INH 500 a 1.500 U intravenosas cerca de 1 hora antes, com icatibanto disponível como resgate. Profilaxia de longo prazo está indicada quando os ataques são frequentes (2 ou mais por mês), graves ou incapacitantes, ou há histórico de edema laríngeo: lanadelumabe (anticorpo anti-calicreína) 300 mg subcutâneo a cada 2 semanas; berotralstat (inibidor oral de calicreína) 150 mg ao dia; C1-INH subcutâneo 40 a 60 U/kg duas vezes por semana ou C1-INH intravenoso 1.000 U a cada 3 a 4 dias; como alternativas antigas, androgênios atenuados — danazol 50 a 200 mg/dia (máximo de 200 mg) ou estanozolol — eficazes, porém com virilização, hepatotoxicidade e contraindicação absoluta em crianças, gestantes e neoplasias hormônio-dependentes, e o ácido tranexâmico 1 a 2 g/dia, de eficácia modesta. Todos os pacientes com AEH e angioedema bradicinínico devem evitar inibidores da ECA e usar anticoncepcionais com cautela (o estrogênio pode piorar o quadro, especialmente no tipo 3).
A urticária comum não deixa cicatriz nem é contagiosa, mas destrói a qualidade de vida: prurido noturno, insônia, fadiga, absenteísmo e ansiedade, com impacto em escores de qualidade de vida comparável ao de doenças dermatológicas graves. O prognóstico da UCe é bom na maioria: metade entra em remissão no primeiro ano e a doença raramente dura mais que uma década, ainda que 10 a 20% sigam sintomáticas por mais de 5 anos; gravidade no primeiro ano, angioedema associado e endótipo autoimune predizem curso mais longo. Reavalie a cada 3 a 6 meses com UAS7 e UCT, e reduza um degrau da escada quando o controle se mantiver. No AEH sem tratamento específico, a mortalidade histórica de ataques laríngeos chega a 30%; com terapia guiada e acesso à medicação de ataque, a mortalidade cai drasticamente. O angioedema por inibidor da ECA pode ser fatal no primeiro episódio — a suspensão definitiva e a troca por outro anti-hipertensivo (com exceção dos inibidores diretos de renina, igualmente proibidos) são obrigatórias.
1.Uma urticária é considerada crônica quando os sintomas persistem por:
2.Paciente em uso de cetirizina 10 mg/dia há 2 semanas continua com UAS7 de 24. Qual o próximo passo segundo a diretriz EAACI 2022?
3.Qual a dose e o intervalo padrão do omalizumabe na urticária crônica espontânea?
4.Paciente com lesões urticariformes que duram 48 horas cada, dolorosas, deixando equimoses, com artralgias. Qual a conduta diagnóstica?
5.Jovem desde a infância com angioedema recorrente sem prurido e sem urticária, crises de dor abdominal e histórico familiar. Qual o melhor rastreamento inicial?
6.Qual padrão laboratorial define o AEH tipo 2?
7.Qual o tratamento específico de escolha para um ataque de angioedema hereditário com edema laríngeo em evolução?
8.Como se calcula o UAS7 e qual faixa define doença grave?
9.Sobre anti-inflamatórios não esteroides na urticária crônica espontânea, qual afirmação é correta?
10.Paciente com urticária ao frio confirmada pelo teste do cubo de gelo. Qual subtipo de urticária e qual teste padronizado moderno também utilizado?
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