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Guia completo das lesões de pele que revelam doenças endócrinas, reumatológicas, hematológicas, paraneoplásicas, infecciosas, digestivas, hepáticas, renais e cardiovasculares, com tabelas de mapeamento achado-doença-exame, condutas específicas com doses e os pares clássicos cobrados em prova.
[1] Bolognia JL, Schaffer JV, Cerroni L. Dermatology. 5ª ed. Elsevier. 2018 | [2] Habif TP, Campbell JL, Chapman MS, Dinulos JGH, Zug KA. Clinical Dermatology: A Color Guide to Diagnosis and Therapy. 6ª ed. Elsevier. 2015 | [3] James WD, Elston DM, Treat JR, Rosenbach MA, Neuhaus IM. Andrews Diseases of the Skin: Clinical Dermatology. 13ª ed. Elsevier. 2020 | [4] Silva JA, Mesquita Kde C, Igreja AC, et al. Paraneoplastic cutaneous manifestations: concepts and updates. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2013;88(1):9-22 · DOI 10.1590/s0365-05962013000100001 | [5] Menter A, Strober BE, Kaplan DH, et al. Joint AAD-NPF guidelines of care for the management and treatment of psoriasis with biologics. Journal of the American Academy of Dermatology. 2019;80(4):1029-1072 · DOI 10.1016/j.jaad.2018.11.057 · DOI 10.1590/s0365-05962013000100001
A pele é o único órgão examinado integralmente com os olhos, e por isso funciona como janela diagnóstica de doenças endócrinas, reumatológicas, hematológicas, infecciosas e neoplásicas. Reconhecer que uma lesão é cutânea apenas na apresentação, mas sistêmica na significância, muda a conduta: a acantose nigricans de dobra exige investigar resistência insulínica; as pápulas de Gottron obrigam a rastrear neoplasia oculta; o eritema nodoso em paciente com tosse pede radiografia de tórax para sarcoidose ou tuberculose. Este artigo organiza, por aparelho, os pares lesão-doença que as bancas cobram, com os números de associação, a investigação racional de cada achado e o tratamento direcionado, servindo tanto para a prova de dermatologia quanto para as provas integradas de clínica médica e de residência.
A leitura de qualquer lesão começa pela morfologia elementar (mácula, pápula, placa, pústula, vesícula, bolha, nódulo, urtica, atrofia, úlcera) e pela distribuição (fotodistribuída, periorificial, acral, em dobras, simétrica, em superfícies extensoras). Em seguida, quatro perguntas estreitam o diagnóstico: a lesão é única ou eruptiva e de início súbito (pensa-se em paraneoplásico e em droga)? Há sinais constitucionais (febre, perda de peso, noturnos)? Que mucosas estão acometidas (ocular, oral, genital)? Qual o contexto (idade, imunossupressão, drogas novas, viagem, contato)? Prurido de início recente e refratário, hiperpigmentação difusa, erupções acrômicas ou vascularites de repetição devem sempre levantar a suspeita de doença sistêmica e nunca ser tratados como dermatite banal sem revisão clínica completa. A biópsia de pele com hematoxilina-eosina, e quando indicado imunofluorescência direta (pénfigo, dermatite herpetiforme, vasculites) e colorações especiais, é o estudo confirmatório de grande parte das entidades a seguir.
O diabetes melito acomete a pele de cerca de um terço dos pacientes em algum momento, e várias lesões antecedem ou acompanham o diagnóstico. A dermopatia diabética (manchas atróficas hiperpigmentadas nas regiões pretibiais) é a manifestação mais comum. A necrobiose lipoidica apresenta placas amarelado-avinhadas com telangiectasias finas e borda eritematosa em pretibial, evolui para ulceração em minoria dos casos e ocorre em menos de 1 a 3% dos diabéticos, embora a maioria dos pacientes com a lesão apresente distúrbio do metabolismo glicêmico. Outros marcadores: acantose nigricans (velvet-like hiperpigmentação de dobras indicando resistência insulínica e hiperinsulinemia, muito citada em prova como sinal de síndrome metabólica e de obesidade), bulose diabética (bolhas tensas assintomáticas em pernas, sem inflamação), granuloma anular disseminado, erupção xantomatosa (papel de hipertrigliceridemia), candidíase e dermatofitoses recorrentes, prurido generalizado e úlcera neuropática plantar indolor no pé diabético com neuropatia.
Nas tireoidopatias, o mixedema pretibial (placas infiltradas de aspecto casca de laranja em pretibial e dorso dos pés) é dermatopatia do Graves, quase sempre associado a orbitopatia e a títulos altos de anticorpos anti-receptor de TSH; o hipotireoidismo traz pele seca e fria, fácies amarelada por carotenemia, lentificação dos reflexos e alopecia de cauda de cavalo nas sobrancelhas, e a onicolise de Plummer com descolamento distal da unha sugere hipertireoidismo. No hiperadrenalismo (síndrome de Cushing), estrias violáceas largas em abdome e flancos, pleura facial, acne e fragilidade capilar; na insuficiência adrenal (doença de Addison), hiperpigmentação difusa com acentuação em dobras, cicatrizes, mucosas e áreas friccionadas, por aumento de ACTH e MSH, podendo se associar a vitiligo no contexto de poliglandular autoimune. A síndrome de carcinoma pavocelular espinocelular com hiperqueratose acral (acantose palmar associada a neoplasias internas) e o acantoma de células claras (sinal de Leser-Trélat no contexto da erupção súbita de ceratoses seborreicas) pertencem ao capítulo paraneoplásico adiante.
| Achado cutâneo | Doença sistêmica | Nota de prova |
|---|---|---|
| Acantose nigricans em dobras | Resistência insulínica, obesidade, síndrome metabólica; forma maligna com adenocarcinoma (gástrico é o mais comum) | Início súbito e rápido, com envolvimento de mucosas e palmas, sugere forma maligna |
| Necrobiose lipoidica pretibial | Diabetes melito (minoritária dos diabéticos; maioria dos portadores da lesão tem distúrbio glicêmico) | Placa amarelada com telangiectasias; pode ulcerar |
| Mixedema pretibial (dermopatia de Graves) | Doença de Graves, quase sempre com orbitopatia e TRAb elevado | Infiltrado de glicosaminoglicanos; tratar a tireotoxicose |
| Hiperpigmentação difusa com escurecimento de mucosas e dobras | Doença de Addison (ACTH e MSH elevados) | Associação com vitiligo sugere poliglandular autoimune tipo 2 |
| Estrias violáceas largas com plethora facial | Síndrome de Cushing | Diferenciar de estrias fisiológicas do crescimento, finas e claras |
| Bolhas tensas assintomáticas em pernas | Bulose diabética | Sem inflamação e sem história de trauma; evolui com resolução espontânea |
No lúpus eritematoso sistêmico, cerca de metade a dois terços dos pacientes apresenta envolvimento cutâneo em algum momento, e as lesões integram os critérios classificatórios: erupção malar (poupando sulcos nasolabiais, fotodistribuída), lúpus discoide (placas discóides com hiperqueratose, tampão folicular, atrofia central cicatricial e risco tardio de carcinoma espinocelular na cicatriz), fotossensibilidade, úlceras orais indolores e vasculites (urticária vasculítica, livedo, paniculite lúpica). O lúpus cutâneo subagudo, anular ou papuloescamoso fotodistribuído, associa-se a anti-Ro/SSA e a formas induzidas por drogas (tiazídicos, terbinafina, inibidores da bomba). Na dermatomiosite, os marcadores cutâneos são tão diagnósticos quanto a fraqueza proximal: pápulas de Gottron sobre articulações metacarpofalângicas e interfalângicas (violáceas, acentuadas na extensão), erupção heliotrópica dos côndilos palpebrais com edema periorbitário, sinal do V no tórax anterior, sinal do xale em ombros e costas e mãos de mecânico (hiperqueratose das bordas laterais dos dedos, associada aos anticorpos antisintetase com pulmão intersticial). Em adultos, a dermatomiosite é paraneoplásica em proporção relevante, estimada entre 15 e 25% dos casos, exigindo rastreio de neoplasia (ovário, colorretal, pulmão, mama, nasofaringe em áreas endêmicas) por até três anos conforme protocolos internacionais.
Na esclerose sistêmica, o fenômeno de Raynaud precede em anos a pele endurecida e está presente na grande maioria dos pacientes; seguem esclerodactilia, face de máscara, microstomia, telangiectasias em achado de rede (mat-like), calcinose cutânea e o fenômeno de patergia ausente; a capilaroscopia ungueal mostra capilares dilatados e áreas de avascularização, e o padrão de anticorpos estratifica: anticentrômero (forma limitada, CREST) e anti-topoisomerase I (Scl-70) ou anti-RNA polimerase III (formas difusas com risco renal e pulmonar). Na vasculite livedoide, distinguir livedo reticular (fisiológico, reticular fino que desaparece ao aquecer) de livedo racemosa (reticular grosseiro, irregular, fixo, que sugere síndrome antifosfolípide, panarterite nodosa, crioglobulinemia, embolia de colesterol). A psoríase, tratada por décadas como doença exclusiva da pele, é hoje reconhecida como doença inflamatória sistêmica com prevalência mundial estimada em torno de 2 a 3% e brasileira entre 1 e 2%: associa-se a artrite psoriásica em até um quarto a um terço dos pacientes, a síndrome metabólica, doença cardiovascular acelerada, depressão e doença inflamatória intestinal, fundamentando o tratamento sistêmico (metotrexato 15 a 25 mg semanais, agentes biológicos conforme as diretrizes AAD-NPF) e a vigilância cardiometabólica, não apenas a limpeza de placas.
As dermatoses paraneoplásicas são reações cutâneas remotas ao tumor, não metastáticas, e podem preceder o câncer em meses a anos; o reconhecimento precoce pode mudar o estágio do diagnóstico. A regra prática: lesão de início súbito, adulto de meia-idade ou idoso, refratária ao tratamento habitual e sem outra explicação deve levantar a suspeita. As mais cobradas em prova estão na tabela a seguir, com os pares clássicos tumor-dermatose.
| Dermatose paraneoplásica | Neoplasia tipicamente associada | Clínica e notas |
|---|---|---|
| Acanthosis nigricans maligna | Adenocarcinoma gastrointestinal, sobretudo gástrico (mais de 80% dos casos são adenocarcinomas) | Início rápido e progressivo, dobras, mucosas (tripe palms em menos de um quarto), associa-se a obesidade e resistência insulínica na forma benigna |
| Sinal de Leser-Trélat | Adenocarcinomas (gástrico, colôn, mama, pulmão) | Erupção súbita e progressiva de ceratoses seborreicas pruriginosas; frequentemente junto à acantose maligna |
| Acroqueratose paraneoplásica de Bazex | Carcinoma espinocelular de aerodigestivo superior (laringe, esôfago) | Eritema escamoso acral em nariz, orelhas, mãos e pés, psoriasiforme; regride com o tratamento do tumor |
| Eritema gyratum repens | Carcinoma de pulmão | Bandas eritematosas concêntricas migratórias em tronco, aspecto de madeira; prurido intenso |
| Síndrome de Sweet (dermatose neutrofílica febril) | Neoplasias hematológicas, sobretudo LMA (em torno de um quinto dos casos) | Placas eritematosas dolorosas na face e extremidades, febre, neutrofilia; responde dramaticamente a corticoide |
| Necrolíase migratória eritematosa | Tumores pancreáticos produtores de glucagon (síndrome do glucagonoma) | Eritema migratório periorificial e acral com erosões, glosite, diabetes, perda de peso, trombose venosa |
| Tromboflebite migratória de Trousseau | Adenocarcinomas mucinosos, sobretudo pâncreas e pulmão | Tromboses venosas superficiais migratórias e recorrentes; o tumor pode ser oculto |
| Púrpura fulminante e livedo com úlcera digital | Síndromes paraneoplásicas hematológicas, crioglobulinemia, leucemias | Vasculites oclusivas; pensar também em endocardite e antifosfolípide |
| Prurido refratário e ictiose adquirida do adulto | Linfomas (Hodgkin), leucemias, mieloma, tumores sólidos | Sem dermatose primária; o prurido aquagênico sugere doença mieloproliferativa |
| Dermatomiosite do adulto | Ovário, colorretal, pulmão, mama | Obrigatório rastreio de neoplasia no adulto, sobretudo maior de 40 anos e com fenótipo amiopático rapidamente progressivo |
A sífilis secundária é a grande imitadora: exantema papuloescamoso difuso que tipicamente envolve palmas e plantas, associado a condilomas planos em áreas úmidas, placas mucosas orais e linfonodomegalia generalizada; sorologia (VDRL e FTA-ABS) fecha o diagnóstico e o tratamento é penicilina G benzatina 2,4 milhões de unidades intramuscular em dose única na forma secundária precoce. Na gonococcemia disseminada, poucas pústulas em base hemorrágica em superfícies extensoras, com artralgia ou artrite e tenossinovite, pedem hemoculturas e culturas de sítios mucosos. O eritema migrans da doença de Lyme é a lesão eczematosa expansiva com clareamento central nas primeiras semanas da picada de carrapato. Na fase aguda do HIV, exantema morbiliforme com febre e faringite simula mononucleose; já na AIDS, herpes zoster multidermatômico, candidíase oral recorrente, molusco contagioso extenso e sarcoma de Kaposi (placas e nódulos violáceos) são marcadores de imunossupressão grave. Outras associações cobradas: parvovírus B19 com exantema em rendilhado e artralgias; hepatite B e C com porfiria cutânea tarda, vasculite crioglobulinêmica (púrpura das pernas) e poliarterite nodosa cutânea; tuberculose com eritema nodoso, líquen escrofuloso e escrofuloderma; e a tríade da síndrome de Behçet com aftas orais e genitais recorrentes, uveíte e patergia positiva.
O pioderma gangrenoso é a dermatose neutrofílica que começa como pústula ou nódulo e evolui para úlcera dolorosa de bordas sobreelevadas, undermined, com patergia (novas lesões em locais de trauma, incluindo incisões cirúrgicas); em cerca de metade dos casos associa-se a doença sistêmica, sobretudo doença inflamatória intestinal (a associação mais frequente), artrites seronegativas e gamopatias monoclonais, e o tratamento vai de corticoide sistêmico (prednisona 0,5 a 1 mg/kg/dia) a ciclosporina e anti-TNF (infliximabe, adalimumabe), com desbridamento contraindicado pela patergia. O eritema nodoso, paniculite aguda das faces anteriores das pernas em mulheres jovens, é reação a infecções (estreptocócica é a causa mais frequente em adultos, com tuberculosis relevante no Brasil), sarcoidose (constituindo com linfonodos hilares e artralgia a tríade de Löfgren, de bom prognóstico), doença inflamatória intestinal, drogas e gestação; regride em semanas com tratamento da causa e anti-inflamatórios. Na doença celíaca, a dermatite herpetiforme de Duhring (pápulas e vesículas extremamente pruriginosas simétricas em cotovelos, joelhos e nádegas, com neutrófilos na papila dérmica à histologia e granular IgA na imunofluorescência direta) afeta minoria dos celíacos, mas a grande maioria dos pacientes com a lesão tem enteropatia por glúten: o tratamento é dieta isenta de glúten vitalícia e dapsona 50 a 100 mg por dia para o prurido até a dieta fazer efeito. As deficiências nutricionais completam o grupo: escorbuto (vitamina C) com hemorragias perifoliculares e cabelos em saca-rolhas, pelagra (niacina) com dermatite fotodistribuída em colar de Casal, dermatite enteral e mental, acrodermatite enteropática por deficiência de zinco com dermatite periorificial e acral, diarreia e alopecia, e as alterações de unhas e língua das carências de ferro e vitamina B12.
Na doença hepática crônica, os sinais cutâneos clássicos incluem aranhas vasculares (mais de cinco tem valor), eritema palmar, unhas de Terry (leuconíquia difusa com bordo distal rosado), ginecomastia e estrias; o líquen plano associa-se a hepatite C em parte das séries e merece sorologia quando sugerido; a porfiria cutânea tardia, a porfiria mais comum, manifesta-se com fragilidade cutânea, bolhas e crostas em áreas fotoexpostas, hipertricose temporal e hiperpigmentação, por inibição da uroporfirinogênio descarboxilase no fígado, com gatilhos como álcool, hepatite C, sobrecarga de ferro (hemocromatose), estrógenos e HIV; o tratamento combina suspensão dos gatilhos, flebotomias de 250 a 500 mL a cada uma a duas semanas e, quando contraindicadas, hidroxiureia/cloroquina em baixa dose, além do rastreio de hemocromatose. Na doença renal crônica, prurido urêmico difuso, calcifilaxia (placas livedoides e úlceras extremamente dolorosas com necrose de pele e tecido subcutâneo por calcificação de arteríolas, associada a hiperparatireoidismo, anticoagulação com varfarina e obesidade, de mortalidade elevada) e, historicamente, a fibrose sistêmica nefrogênica ligada ao gadolínio em pacientes com filtração glomerular muito reduzida. No território cardiovascular e das genodermatoses, os xantomas orientam o erro lipídico: eruptivos ( pápulas amareladas em extensores e nádegas) indicam hipertrigliceridemia, tendinosos (nódulos nos tendões de Aquiles e extensores) apontam hipercolesterolemia familiar, planos palmares (xantoma palmare striatum) sugerem disbetalipoproteinemia e o xantelasma palpebral, apesar de inespecífico, deve provocar perfil lipídico; a livedo racemosa fixa exige investigar síndrome antifosfolípide e vasculites; a telangectasia hereditária hemorrágica (Osler-Weber-Rendu) traz telangiectasias mucocutâneas com epistaxes recorrentes e malformações arteriovenosas pulmonares, hepáticas e cerebrais; o pseudoxantoma elástico (pele de galinha em flexuras com estrias angioides na retina, claudicação e sangramento gastrointestinal) e a síndrome de Marfan com estrias e hipermobilidade fecham o grupo das genodermatoses com risco visceral.
| Achado cutâneo | Investigar prioritariamente | Exames de primeira linha |
|---|---|---|
| Acantose nigricans de início rápido, com mucosas ou palmas | Neoplasia gastrointestinal (gástrica) e resistência insulínica | Endoscopia digestiva alta, glicemia e insulina de jejum, perfil lipídico |
| Pápulas de Gottron ou erupção heliotrópica | Dermatomiosite e neoplasia oculta em adultos | CK, aldolase, ALT, ANA, miopatia por ENMG; rastreio tumoral dirigido por idade e sintomas |
| Úlcera dolorosa de bordas undermined com patergia | Doença inflamatória intestinal e gamopatias | Colonoscopia com biópsias, proteínas monoclonais, sorologia intestinal conforme contexto |
| Eritema nodoso bilateral | Estreptocócica, sarcoidose, tuberculose, IBD, drogas | ASLO, radiografia de tórax, PPD/IGRA, dose de reação inflamatória |
| Vesículas pruriginosas em cotovelos e joelhos | Doença celíaca | Anticorpos anti-transglutaminase IgA com IgA total; biópsia de pele com imunofluorescência |
| Fragilidade e bolhas fotoexpostas | Porfiria cutânea tardia e gatilhos | Porfirinas urinárias, ALT/AST, sorologia HCV, ferritina e saturação de transferrina |
| Hiperpigmentação difusa com mucosas escuras | Insuficiência adrenal | Cortisol matinal e ACTH; estímulo de ACTH quando indicado |
| Xantomas eruptivos ou tendinosos | Dislipidemia, diabetes, hipotireoidismo, álcool | Triglicerídeos, colesterol total e frações, glicemia, TSH |
O prognóstico das dermatoses sistêmicas é o prognóstico da doença interna: necrolíase migratória e eritema gyratum repens quase sempre reexacerbam com a recidiva tumoral, funcionando como marcadores de atividade; a calcifilaxia tem mortalidade alta em um ano, dominada por sepse de úlcera infectada, exigindo manejo da dor, cicatrização, correção do distúrbio de cálcio-fósforo-paratormônio, suspensão da varfarina e uso de tiossulfato de sódio em protocolos especializados; a dermatomiosite amiopática rapidamente progressiva e o fenômeno de Raynaud com úlceras digitais na esclerodermia requerem co-manejo com reumatologia, incluindo bloqueadores cálcicos, inibidores da fosfodiesterase-5 e análogos de prostaciclina endovenosa (alprostadil/iloprost) para úlceras refratárias; e as cicatrizes de lúpus discoide demandam vigilância dermatológica por carcinoma espinocelular. O seguimento desses pacientes é longitudinal: pele e mucosas reavaliadas a cada consulta, fotoproteção permanente nas dermatoses fotossensíveis, adesão à dieta na dermatite herpetiforme com reavaliação de anticorpos anti-transglutaminase, e controle cardiometabólico na psoríase moderada a grave, cujo excesso de risco cardiovascular independe da gravidade cutânea.
Como fechamento didático, grave a lógica: lesão nova em adulto, de início súbito e sem explicação, é sistêmica até prova em contrário. Mapeie a lesão ao aparelho (endócrino, reumato, onco, infeccioso, GI, hepato-renal, cardiovascular), peça os exames de primeira linha do mapa de conduta e trate sempre a doença de base antes de ampliar a imunossupressão. Nas provas, quase toda questão de manifestação cutânea sistêmica cai como par associação ou como conduta de investigação: dominar as duas tabelas deste artigo resolve a maior parte delas.
1.Paciente de 58 anos com erupção súbita de acantose nigricans extensa, com envolvimento de mucosa oral e palmas, e perda ponderal. Qual neoplasia rastrear prioritariamente?
2.As pápulas de Gottron sobre as articulações metacarpofalângicas caracterizam qual doença?
3.A dermatite herpetiforme de Duhring associa-se a qual doença e qual tratamento sintomático clássico?
4.Qual afirmativa sobre o pioderma gangrenoso é correta?
5.Jovem com eritema nodosoão bilateral, artralgias e adenomegalia hilar na radiografia de tórax. O diagnóstico provável e o prognóstico são:
6.O mixedema pretibial (dermopatia infiltrativa) associa-se a:
7.Paciente com hiperpigmentação difusa, escurecimento de mucosas e de cicatrizes antigas, astenia e hipotensão. Além de cortisol baixo com ACTH elevado, qual achado cutâneo associado deve-se procurar no rastreio autoimune?
8.Xantomas eruptivos (pápulas amareladas em extensores) indicam prioritariamente qual distúrbio?
9.A porfiria cutânea tardia caracteriza-se por fragilidade e bolhas em áreas fotoexpostas. Além da suspensão de álcool e estrógenos, qual medida é pilar do tratamento?
10.Adulto com prurido refratário difuso, sem dermatose primária, e ictiose adquirida. Qual rastreio é prioritário?
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